Notas iniciais
Heey. Agradecimentos para Lys Uchiha, Matheus Aparecido, Zephtx, Nialler Hayne, hanonhosho, ShalaNala, CRISALEITORANOTURNA, Alanna, Leonardo Santana, Jão Vitor, Pudim & HazzaStazza.

A chuva estava cada vez mais forte e por conta do buraco não estar absorvendo a agua, o mesmo começava a alagar, embora não muito rápido, mas ainda assim era evidente.

Pablo mal conseguia ficar em pé por conta de sua perna e o desespero tomava conta do loiro que não conseguia raciocinar, o que atrapalhava Brandon que tentava manter a calma e pensar pelos dois.

― Escuta aqui, a gente não vai morrer. Eu vou pensar em alguma coisa para tirar a gente dessa. ― Brandon suspirou olhando ao seu redor.

A cratera na qual estavam era estreita, porém ainda assim muito funda. Não tinha muito espaço para eles se mexerem dentro da mesma e seus corpos estavam praticamente colados um no outro.

― Mesmo que você estivesse com a perna boa e eu tentasse subir no seu pescoço para alcançar a superfície, não temos espaço o suficiente para essa manobra e mesmo que tivesse o espaço, não iria conseguir alcançar. A parede é muito escorregadia para escalar e mesmo que a gente tivesse o DNA do Eron para fazer isso, um desmoronamento seria evidente. Vamos lá Brandon, pensa. ― O branquelo falava consigo mesmo, em voz alta, tentando encontrar uma saída.

― A gente já era. ― O loiro lamentou. ― Por que essas coisas tem que acontecer comigo? É uma merda atrás de outra. ― Choramingou.

― Me deixa pensar Pablo. A gente não vai morrer aqui. Eu passei por muita coisa para terminar desse jeito ridículo. Seria menos vergonhoso ter sido morto pelo javali. ― Brandon reclamou indignado.

― Eu não sei o que você vai pensar, isso é se conseguir pensar em algo, anda logo pois logo, logo isso aqui estará inundado e a gente vai estar coberto por litros de agua. Morrer afogado deve ser uma das piores maneiras de se morrer. ― Pablo pediu desesperado.

― É isso! ― Brandon exclamou empolgado.

― É isso o que garoto? Você quer que a gente morra afogado? ― O mais novo indagou indignado.

― Não, seu burro. Como você mesmo disse, isso aqui estará lotado com litros de agua. Vai ser tipo uma piscina, embora mais estreita e muito mais funda. O que a gente precisa fazer é boiar até conseguir chegar na superfície. ― Brandon explicou óbvio.

― Pode dar certo, não temos escolha né? ― Pablo suspirou concordando.

― Como assim pode? É claro que vai dar certo. ― O mais velho disse óbvio.

― Não é assim que as coisas funcionam branquelo. ― O loiro balançou a cabeça negativamente. ― Em primeiro lugar, com esse espaço estreito, temos que tomar cuidado para não ficarmos entalados quando a agua começar a preencher o local. Em segundo lugar, mesmo que a chuva esteja forte, ainda assim isso aqui vai demorar e muito para encher. Em terceiro, mesmo quando encher a parte que é feita do concreto das ruinas, mais pra cima é tudo terra, o que provavelmente vai fazer demorar muito mais, pois a mesma vai absorver grande parte da agua. Em quarto, pois sim ainda tem mais, as paredes composta por terra podem desmoronar a qualquer instante soterrando a gente. E em quinto lugar, para finalizar, mesmo que superemos todos os anteriores ainda iremos boiar por horas, no frio, machucados e cansados e isso irá tornar as coisas ainda mais difíceis. ― Pablo choramingou preocupado.

― Foi a única saída que eu consegui encontrar Pablo. Não temos muito o que fazer. ― Brandon suspirou cansado. ― E quanto aos garotos? Eles não estão muito longe daqui. Se eles verem que a gente está demorando, provavelmente irão se preocupar e a gente pode ter a chance deles nos encontrarem.

― Eu realmente ficaria muito feliz se isso acontecesse, mas infelizmente isso não é muito provável. ― Pablo lamentou.

― E por que não? Se eles gritarem nossos nomes quando saírem para nos procurar, a gente consegue escutar e guiar eles até a gente. ― Brandon arqueou a sobrancelha confuso.

― Eu meio que ameacei o Japa para ele ficar com o Eron no avião. Disse que se acontecesse alguma coisa com o Magrelo, eu arrancaria as duas pernas dele e disse que o garoto tava na responsabilidade de cuidar dele. Se você visse a cara que ele fez, provavelmente ele não sai de lá nem pra tomar um ar. ― Pablo relembrou sorrindo.

― Aí fode. ― Brandon reclamou. ― Por que você fez isso? ― Indagou curioso.

― Pra começar, o Magrelo não está bem, e parte da culpa é do Japa. ― O maior falou óbvio.

― Não é verdade. Até onde eu me lembro, o Jordan não é capaz de controlar ou disparar raios. ― Brandon retrucou com ironia. ― Ter caído um raio no Eron foi uma infeliz coincidência, ele ter se afogado antes não interfere em nada o evento ter ocorrido. ― Explicou em seguida.

Pablo parou um instante para analisar as palavras ditas por Brandon. Teoricamente o branquelo tinha razão e a raiva que Pablo sentia pelo oriental era por conta do afogamento, já que realmente o raio foi apenas um infeliz acidente. Jordan não tinha culpa por isso.

― Você tem razão. ― Pablo admitiu envergonhado.

― Como é que é? ― Brandon arregalou os olhos, não acreditando que ouvira tais palavras do loiro.

― Não enche. Eu disse que você tem razão. O Japa não é culpado pelo raio. Eu estou sim com raiva dele por ele ter deixado o magrelo se afogar, mas confesso que estou descontando o resto da situação nele apenas para me sentir melhor e extravasar a raiva. ― O loiro confessou.

― Cara o que está acontecendo com você? ― Brandon perguntou sorrindo para o maior, que revirou os olhos.

― Não começa. ― Pablo falou de mau humor.

― Qual é, isso é um elogio. ― Brandon manteve o sorriso. ― Enfim, não sei o que é, mas que bom que está acontecendo. ― O branquelo confessou sincero.

― Não enche o saco branquelo. ― Pablo falou irritado.

― Qual é loira, não vai começar agora que eu comecei a te elogiar, né? ― O mais velho perguntou inconformado.

― Então cala a boca e para de ficar falando essas merdas. Temos problemas maiores do que minhas ações. ― O loiro repreendeu.

― Tudo bem, mas o que quer que eu faça? Até onde eu sei não temos muitas opções além de esperar que a agua da chuva encha essa merda. ― Brandon deu de ombros.

― A minha perna está doendo. ― Pablo comentou.

― Me desculpa, mas não tem espaço para que eu possa me abaixar para verificar e nem para você levantar a perna para que eu possa ver. ― Brandon explicou preocupado. ― Você consegue pisar com ela no chão? ― Perguntou em seguida.

― Consigo. Doí, mas eu consigo. ― O loiro fez uma careta, ao tentar fazer o que o mais velho pediu.

― Isso é ótimo. Significa que não está quebrado. Deve ter sido apenas uma torção ou um musculo magoado. ― O branquelo pensou positivo.

― Com certeza o buraco magoou os sentimentos da minha perna. ― Pablo brincou, apenas para descontrair a tenção.

― Besta. ― Brandon não conseguiu deixar de sorrir.

O tempo foi passando, porém os garotos não sabiam dizer o quanto. Para a infelicidade dos dois, a chuva começou a diminuir, o que faria o tempo de espera aumentar. Não dava para saber que horas eram, mas sabiam que ficariam muito tempo naquele lugar. Horas. Talvez até o anoitecer.

Isso começou a preocupar os garotos e os deixar em desespero. Realmente haviam uma boa chance deles conseguirem, mas também havia a chance de não dar certo. Eles estavam à deriva da sorte.

― Eu estou ficando com frio, minhas roupas estão encharcadas e eu estou tremendo. ― Pablo comentou com o mais velho.

― Eu também estou. ― O branquelo suspirou.

Pablo ficou alguns segundos encarando Brandon, suspirando depois de tomar uma decisão que surpreendeu o menor e até mesmo ele.

O mais novo, com um pouco de dificuldade devido ao espaço apertado, retirou sua camisa, sendo assistido por Brandon que o encarou assustado.

― Faça o mesmo. ― Pablo pediu.

― Pra quê? Tu tem demência? ― Brandon indagou desconfortável.

― Cala a merda da boca e tira logo cacete. ― Pablo repetiu irritado.

Brandon, mesmo que à contra gosto, acatou o pedido do mais novo, retirando sua camisa também com dificuldade. Os poucos pelos de seu corpo estavam arrepiados e seus poros visíveis por conta do frio, além de sentir muito envergonhado por estar assim junto com Pablo.

Depois que Brandon despiu-se da camisa que usava, Pablo, mesmo se sentindo desconfortável e principalmente incomodado com o que estava prestes a fazer, abraçou Brandon que gelou na hora com a ação do loiro.

― Não ouse dizer nenhuma palavra. Eu não gosto disse tanto quanto você então me poupe, se poupe e nos poupe. Só estou fazendo igual o magrelo fez com a gente, nesse lance de transmitir calor de corpo e o resto da baboseira. ― Pablo explicou irritado.

― Tudo bem. ― O branquelo assentiu.

― Poderia ser pior. Vai por mim. ― Pablo comentou de repente.

― E tem como piorar? ― Brandon indagou com ironia.

― Logico que tem. Você poderia ser o Jordan. ― O loiro disse óbvio, fazendo Brandon rir inevitavelmente.

― Se você fosse o Jordan, tenho certeza que a gente não estaria aqui, já que ele não faria a merda de jogar a caixa preta no javali. ― Brandon alfinetou.

― Não era para você estar aqui também, lembra? Eu mandei você correr em direção aos garotos. ― Pablo devolvei com ironia.

― Sorte sua que eu estou aqui, então não reclame. ― Brandon deu de ombros.

O desconforto inicial por conta dos dois estarem abraçados passou, ao menos um pouco, e eles já estavam mais conformados por estarem abraçados. A chuva continuava caindo alternando a força que vinha, ora mais fraca e ora mais forte.

Mais alguns minutos se passaram e a agua ainda estava na canela dos garotos, deixando-os ainda mais desanimados.

― Quem diria que essas coisas aconteceriam comigo. ― Brandon iniciou depois de um tempo. ― Minha vida estava tão normal. Eu havia ganhado uma bolsa para Cambridge na área da medicina. Eu estava tão empolgado com isso. Morar no Reino Unido, conhecer pessoas novas, me graduar e construir uma vida e carreira. ― Lamentou chateado.

― Não tinha como a gente saber que o avião ia cair, até porque se tivesse a gente nem teria entrado nele. ― Pablo comentou complacente.

― Eu sei disso, mas é irônico sabe... Eu buscava por mudança e minha vida realmente mudou, mas não da maneira que eu queria. Chega a ser ridículo. As chances de um avião cair são mínimas, mas justo o nosso teve essa proeza. Qual é? ― O mais velho reclamou indignado. ― Agora estamos aqui, nessa ilha, à mercê da sorte e tendo que nos virar para sobreviver com muito pouco.

― Poderia ser pior. ― Pablo novamente lembrou.

― O que o Jordan pode interferir nisso? ― Brandon perguntou prevendo que o loiro falaria do oriental.

― Eu não ia citar ele. ― Pablo riu do comentário do mais velho. ― Você poderia ter sido o único sobrevivente e ter que se virar sozinho nisso aqui. Não é grande coisa já que a companhia do magrelo, do japa e a minha não é lá grandes merdas, mas já é uma ajuda. ― Explicou em seguida. ― Ou pior ainda. Poderia ser só você e o Japa. ― Brincou.

― Você tem razão. ― Brandon concordou sorrindo. ― Mas você até ontem não estava ajudando muito não. Você era insuportável. Não que agora você seja legal, mas ao menos dá pra aturar.

Pablo começou a rir das palavras de Brandon enquanto o branquelo se sentia melhor tendo o que conversar.

― Sabe... ― Novamente Pablo iniciou depois de um tempo. ― Eu não sei dizer se a minha vida estava para melhorar ou não. ― Confessou chateado.

― Por que diz isso? ― Brandon indagou curioso. ― Você nunca nos contou o que estava fazendo no avião. Na verdade você não contou nada de você pra gente. ― Continuou em seguida.

― Bem... Digamos que eu não tenho muito gosto e orgulho pela minha história. Desculpa, mas eu não estou afim de falar sobre isso. Não por agora pelo menos. ― O loiro pediu desconfortável.

― Tudo bem, eu respeito. ― Brandon concordou.

― Valeu. ― O loiro sorriu sem graça.

― O que será que o Eron e o Jordan estão fazendo? ― Brandon perguntou curioso.

― Devem estar melhores do que a gente, isso eu tenho certeza. ― Pablo falou óbvio.

##

Eron e Jordan estavam entediados. Ambos estavam um ao lado do outro enquanto olhavam para o teto escutando a chuva cair. Eron estava incomodado por conta da demora dos dois que saíram tinha mais de duas horas e ainda não haviam chegado.

― Por que é que eles estão demorando tanto? ― O moreno indagou aborrecido.

― Também queria saber. ― Jordan suspirou preocupado.

― O helicóptero fica há menos de cinco minutos daqui. Não tem por que eles demorarem. Acho que aconteceu alguma coisa. ― Eron se levantou.

― Opa. Pera aí campeão. Onde você acha que vai? ― Jordan falou segurando os braços do mais novo fazendo-o se sentar.

― Não é óbvio? Eu vou procurar por eles. ― Eron revirou os olhos.

― Você ta louco? Se você sair daqui ou se acontecer alguma coisa com você o Pablo me mata e eu não estou afim de morrer, obrigado. ― Jordan falou sério. ― Eu não posso deixar você sair sozinho nesse estado.

― Então vem comigo. Vai me dizer que não está preocupado com eles? ― Eron cruzou os braços.

― É claro que eu estou. Mas deve ter uma boa explicação para eles estarem demorando. Não se preocupe, mesmo que a loira faça alguma cagada colossal, o Brandon está lá com ele para garantir que eles fiquem vivos. ― Jordan disse tranquilo.

― Eu não sei. Eu não estou com um bom pressentimento. ― Eron insistiu.

― Relaxa um pouco Eron. Nem tudo é tragédia. Apostos que eles estão bem. Talvez, depois da conversa que a gente teve com o Pablo, eles decidiram voltar até o acampamento para buscar o restante das nossas coisas. ― Jordan sugeriu.

― O acampamento fica a vinte minutos daqui. Já faz mais de duas horas que eles saíram. ― Eron devolveu inquieto.

― E se eles foram no pomar pegar mais comida? O pomar é um pouco longe. Talvez tenha sido isso. ― Jordan argumentou.

― Nessa chuva? ― O moreno discordou.

― Eu não sei Eron. Vamos esperar mais um tempo tudo bem? Qualquer coisa a gente sai. Não quero que eles cheguem e vejam que a gente não está. A chuva está mais grossa e eles devem estar esperando ela passar. ― Jordan deu de ombros, porém não conseguindo deixar de concordar com a preocupação do mais alto.

Eles ficaram mais um tempo em silencio, porém Eron o quebrou chamando a atenção do oriental.

― O que aconteceu quando caiu um raio em mim? ― Eron perguntou curioso para o amigo.

― Como assim? ― Jordan indagou confuso.

― Parece que eu quase morri não é mesmo? Eu tive a impressão de que quando eu acordei vocês estavam chorando. O Pablo estava ajoelhado do meu lado e você e o Brandon estavam com os olhos arregalados. O que houve? Eu perguntei pro Brandon e para o Pablo o que houve e eles não quiseram me contar.

― Você realmente morreu Eron. Tu já estava debilitado por ter se afogado e o raio cair em você fodeu a situação de vez. ― Jordan disse relembrando a cena. ― Você parou de respirar e o Pablo ficou possesso. Ele e o Brandon ficaram minutos tentando te reanimar e você não acordava. O Brandon chegou a desistir, mas o Pablo se manteve lá. Ele chorava. Implorava pra você não partir. Ele fez de tudo até conseguir te reanimar, onde mesmo nem o Brandon tinha conseguido. ― O oriental explicou.

― Sério? ― Eron disse surpreso.

― Muito. Eu nunca acreditaria se eu não tivesse lá para comprovar. Ele estava tão frágil. Até eu, que não vou com a cara dele, fiquei com pena. ― Jordan suspirou. ― Foi mais ou menos parecido com o chilique dele quando a gente falou do resgate. Talvez até pior. ― Confessou.

― Coitado, eu imagino. ― Eron disse preocupado.

Os dois novamente ficaram em silencio, porém fora Jordan que o quebrara dessa vez, olhando com curiosidade para o maior.

― Eron? ― Chamou a atenção do moreno.

― O que foi? ― Eron indagou olhando para o coreano.

― Quando você estava morto, a loira falou umas coisas que me deixou um pouco confuso. Você nunca beijou ninguém na sua vida? ― Jordan perguntou curioso.

― Como é? ― Eron ralhou exasperado.

― O Pablo falou que quando a gente sair daqui você ia achar uma “pessoa” legal e dar o seu primeiro beijo. Já começa que ele disse pessoa e não mulher o que me surpreendeu pra caralho, ainda mais sendo palavras ditas por ele. ― Jordan explicou pensativo. ― E depois veio esse lance do primeiro beijo, o que é mais estranho ainda, pois como ele sabe se você já beijou alguém ou não?

― Eu conversei com ele sobre isso. ― Eron deu de ombros, se sentindo um pouco desconfortável.

― Mas como? Não faz sentido. Você é um cara bonito e com certeza várias garotas, ou até mesmo garotos, devem fazer fila para beijar você. ― Jordan sorriu provocativo.

― Fala isso pra minha mãe. ― Eron riu do comentário do amigo.

― Oxe. Como assim? ― O coreano pediu confuso.

― Depois que meus Irmãos se envolveram com a família Nivans, minha mãe praticamente me guardou num potinho e não deixou eu me envolver com ninguém. ― Eron deu de ombros.

― Seus irmãos se casaram com a mesma família? ― Jordan arregalou os olhos surpreso.

― Sim e não. É estranho, eu sei, mas meu irmão mais velho Anthonny está casado com o Piers e meu irmão do meio Trevor está namorando com o Lucas, o irmão mais novo do Piers. Eles começaram a namorar um dia depois do casamento do Thonny. ― Eron explicou sorrindo.

― E o que isso tem haver com você? ― Jordan pediu sem entender.

― Minha mãe ficou se sentindo sozinha e não queria que ninguém me tirasse dela. Por isso ela não deixou eu namorar. ― O loiro deu de ombros.

― E tu nunca deu nenhum beijinho escondido? ― Jordan sorriu desconfiado.

― Eu não faço nada escondido Jordan. ― Eron revirou os olhos.

― E você não sente curiosidade em saber como é? ― Jordan perguntou curioso.

― Na verdade não. ― Eron deu de ombros. ― Quando for para acontecer, irá acontecer. ― Respondeu em seguida.

― E vai acontecer com um homem ou uma mulher? ― O oriental perguntou interessado.

― E tem diferença? Vai falar que isso é importante? ― Eron arqueou a sobrancelha em dúvida.

― Claro que não. ― Jordan se apressou em responder. ― É que seria engraçado, já que seus irmãos são gay e tal. ― Explicou.

― Realmente é engraçado. ― Eron concordou sorrindo. ― Minha mãe até prefere, sabe? ― Eron falou pensativo.

― Como assim? ― Jordan indagou confuso.

― Ela disse que não tem nenhuma mulher boa o suficiente para os bebes dela e que ela confia muito mais em homens, ou em quase todos já que ela detesta os ex maridos e o ex namorado do Thonny. ― O moreno gargalhou ao se lembrar.

― Que coisa não. ― Jordan acompanhou a risada. ― Mas diz aí. Você está afim? ― Perguntou com um sorriso sugestivo.

― Afim do que? ― Eron pediu sem entender.

― De dar o seu primeiro beijo. ― Jordan disse óbvio.

― Como é que é? ― Eron ralhou indignado.

― Qual é Eron. É apenas uma ação beneficente para o meu amigo finalmente beijar alguém. Tu já tem vinte anos e já está mais do que na hora disse acontecer e eu estou te oferecendo meus lábios pra isso. Saiba que eu beijo muito bem, modéstia parte, e que você vai adorar e pode até querer repetir. ― Jordan se gabou convencido.

― Você é louco? Mas que tipo de proposta é essa? ― Eron ralhou exasperado.

― Sem drama Eron. Não estou te forçando a nada. É um convite. ― Jordan revirou os olhos dando de ombros.

― Mas tu “nera” hétero? ― Eron suspirou surpreso.

― E tu não disse que não se deve rotular e que prazer é prazer? ― Jordan devolveu.

Jordan sorriu ao conseguir calar os argumentos do moreno, colocando-se em pé na frente do mesmo. Ele pegou Eron pela gola da camisa que o moreno usava e o colocou em pé de frente para si mesmo. Eron tinhas os olhos arregalados enquanto olhava a expressão sacana e o sorriso provocador de Jordan. O oriental cada vez se aproximava ainda mais do rosto do mais novo, embora ainda assim de maneira lenta, deixando-o mais desesperado.

Eron, dando-se por vencido, acaba que involuntariamente fechando os olhos e se sentindo nervoso com o momento. Ele não esperava que o seu primeiro beijo fosse dessa maneira, mas ainda assim se sentia ansioso por ele estar prestes a acontecer.

Jordan estava praticamente encostando seus lábios nos do moreno, porém parou assustado quando um enorme trovão soou, pegando os dois desprevenidos. Eron também se assustou com o barulho e retomou a própria sanidade, se desvencilhando das mãos do amigo e se afastando dele.

― A gente já esperou tempo demais. Acho melhor a gente ir procurar os garotos. ― Eron disse preocupado.

― Eron... ― Jordan tentou protestar.

― Vamos esquecer isso e vamos logo achar eles. Você mesmo disse que era para a gente esperar alguns minutos e depois a gente procurava eles. Já se passou tempo demais. Agora vamos comigo ou eu vou sozinho. ― Eron saiu em direção à saída do avião, deixando Jordan pra trás emburrado.

― Droga. ― O oriental reclamou acompanhando o mais novo.

##

O silêncio voltou a reinar entre Brandon e Pablo, os dois apenas ficavam olhando para baixo vendo a água subir. O branquelo estava começando a se sentir nervoso pelo contato om o Pablo, era contato demais e mesmo em uma situação de morte a cabeça de baixo estava com pensamentos em outra coisa. Ele pensava em qualquer outra coisa para que seu pênis não desse sinal de vida.

— Acho que iremos passar o resto da noite esperando esse negócio encher. — Brandon disse para tentar se concentrar em outra coisa.

— Como se eu fosse me atrasar para alguma coisa — Pablo respondeu virando os olhos e dando um leve sorriso de lado.

— Desde que eu te conheci eu jamais imaginei que eu fosse estar nessa posição logo com você. — Brandon falou rindo da situação.

— Eu só espero que a porra do seu pau não comece a querer dar um sinal de vida aqui. — Pablo respondeu olhando bem nos olhos de Brandon que ficou vermelho e olhou para o lado.

— Idiota.... — Disse baixinho

Vários relâmpagos iluminavam o céu naquele final de tarde, a chuva não dava nem sinal de que iria parar e isso deixava os garotos aliviados, pois se parasse de chover a situação iria ficar bem mais complicada. Pablo começou a sentir um desconforto em suas pernas e começou a se mexer e isso acabou com toda a concentração de Brandon e aos poucos seu pênis começou a querer a subir novamente.

— Minha perna tá doendo de tanto ficar nessa posição. — Pablo resmungou

— Então tente não se mexer muito — “Por favor” Brandon pensou fechando os olhos para que seus olhos não ajudassem a sua ereção a continuar

— Por que você está de olhos fechados? — Pablo perguntou arqueando a sobrancelha

— Estou apenas mentalizando o que nós vamos fazer quando a água começar a subir. — O branquelo ficou parado após sua resposta esperando que Pablo a aceitasse.

Logo uma maior quantidade de água começou a cair no buraco fazendo com que ficasse difícil respirar. Os meninos se abraçaram com mais força temendo o que poderia acontecer.

— Eu não tô conseguindo respirar. — Pablo começou a entrar em desespero

—Calma, calma Pablo olha para baixo — Brandon falou fazendo o mesmo — Desse jeito nós vamos conseguir respirar um pouco.

— Tá — Pablo respondeu ofegante fazendo o que o branquelo disse— Mas e agora?

— Eu não sei... — Brandon respondeu olhando para a água subindo

Notas finais
A situação ficou um pouco complicada né? haha. Vejo vocês nos comentários ♥ ♥ ♥.