Surrender

2 Que o treinamento comece


Notas iniciais
Hello soldiers!! Uau, eu não esperava mesmo receber tantos reviews positivos, não que eu não ache que a fic tá boa (eu acho kkkk), mas é que nunca tinha recebido tantos em um período tão curto de tempo, foi mesmo uma bomba de emoções pra mim *o* Só tenho a agradecer, esse pessoal que resolveu acompanhar e que favoritou, vocês ganharam um lugar bem guardadinho no meu coração :D Hoje teremos mais um capítulo em homenagem aos meus leitores queridos porque vocês merecem!! Aproveitem e até as notas finais ;) Tradução do gif: Respeito - O valor que vemos na outra pessoa.

Aquilo certamente não era um encontro. “Dois amigos jantando” foi o que ela disse, então não havia necessidade de toda aquela formalidade, principalmente por não ser a primeira vez que eles saíam juntos. Se tudo o que passava pela cabeça dele no momento era verdade, por que sentia-se tão inquieto? Talvez estivesse com medo de ser mais um dos truques de Natasha para fazê-lo arranjar uma namorada, talvez ela quisesse apenas passar um tempo com ele.

A verdade era que ele não tinha o costume de sair com frequência, na maioria das vezes fazia isso com os Vingadores ou com Sam e Natasha, seu nível de experiência não era lá dos melhores, mas ele conseguia se virar bem.

Depois de respirar fundo olhando para seu reflexo no espero do banheiro, Steve foi para seu quarto vestir uma roupa. Jogou a toalha sobre a cama e em menos de dois minutos já usava uma calça jeans escura, uma blusa branca e sua jaqueta de couro marrom. Penteou o cabelo e se assustou ao ver que já eram oito e cinquenta e seis, indo o mais rápido que pôde para fora de seu apartamento.

O restaurante era atravessando a rua na esquina, não levou mais que dois minutos para chegar lá, mas viu que mesmo estando adiantado, Natasha estava mais. A ruiva já estava parada na frente do local trajando roupas simples, porém um pouco formais; Uma camiseta fina, quase transparente, cinza com detalhes cor de cobre espalhados por toda ela, uma calça jeans clara, jaqueta preta e uma bota de salto da mesma cor.

— Caramba, Rogers, já estou aqui há um minuto e meio — ela sorriu ao vê-lo se aproximar. — Que você faça minha espera valer a pena.

— Sempre com um comentário na ponta da língua, não é? — o loiro cruzou os braços e também sorriu ao vê-la dar de ombros.

— Faço o que eu posso — ela pareceu analisá-lo de cima a baixo e então franziu o cenho. — Onde estão minhas flores?

— Flores? — repetiu, visivelmente confuso.

— Não levava flores para seus encontros nos anos 40? — a palavra "encontros" foi o suficiente para quase fazer ele ter um curto circuito no cérebro.

— Encontro? Você não disse que... — antes que ele pudesse sair correndo para a floricultura mais próxima, Natasha colocou a mão em seu ombro delicadamente.

— Ei, relaxa, só queria ver sua reação. Não é um encontro, não precisa se desesperar — ela não conseguiu segurar uma risada ao vê-lo suspirar pesadamente, parecendo mais aliviado. — É engraçado ver como essa veia no seu pescoço pula quando fica nervoso.

— Vamos entrar ou quer zombar de mim um pouco mais?

— Vamos entrar, mas ainda vou zombar de você lá dentro — ela envolveu o braço no dele e o puxou para o restaurante.

Não estava lotado, o local era bem grande e com espaço para um time de futebol americano mais a torcida terem um belo jantar. A decoração era simples e o ar era bem tranquilo, perfeito para uma conversa agradável. Os dois escolheram uma mesa no centro, Natasha detestava ficar perto de janelas e insistiu para que ficassem de frente para a porta, ele pensou que poderiam ser os instintos de espiã dela falando mais alto, então não reclamou.

Por um longo tempo eles conversaram sobre missões e sobre como a SHIELD estava, aos poucos, voltando ao que era antes. Parecia mesmo uma noite normal até o momento, ambos descontraídos e sentindo-se livres para falarem o que quisessem.

— Como está a Sharon? — a ruiva perguntou, um pouco depois de pedirem uma salada como prato de entrada.

Steve levou tempo para responder e Natasha compreendeu, pois sabia o quanto o assunto era delicado para o soldado.

— Ela e a Peggy eram próximas, ainda está um pouco mal com a morte da tia — o loiro baixou os olhos para o prato vazio sobre a mesa e sentiu a mão de Natasha sendo delicadamente colocada em cima da sua.

— Sinto muito... Ela foi uma grande agente.

— Foi mesmo. A Sharon também é — um pequeno sorriso se formou nos lábios dele. De diversas formas, a agente 13 o lembrava de sua velha amiga.

Natasha também sorriu e se recostou na cadeira, observando o amigo por longos segundos.

— Viu? É disso o que você precisa, Rogers. De alguém que te faça esquecer das coisas ruins que aconteceram, que te ajude a seguir em frente e coloque um sorriso no seu rosto. Porque convenhamos, você tem um sorriso lindo — a afirmação o fez dar uma gargalhada deliciosamente divertida.

— Por isso está sempre tão disposta a me fazer encontrar uma namorada?

— Exato. Você ficou congelado por setenta anos, isso não é justo! O Thor tem uma namorada, o Tony também, até o Clint está com uma pessoa especial na vida dele... O que você está esperando?

— A pessoa certa — ele passou a mão no queixo, desviando o olhar para a porta. — Eu não era o cara mais galanteador do mundo antes do soro, menos ainda depois dele. Ficar congelado não ajudou muito... Acho que a chance que eu tinha de encontrar alguém especial já passou.

— Não seja dramático, pode ser o Steve-certinho-Rogers com todo mundo, comigo é diferente. Sabe que não acredito nessa história de desistência, ainda podemos achar uma garota para você.

— Conhece alguém que esteja interessada em um cara de noventa e seis anos que não tem tempo para uma vida pessoal e passa o tempo livre lutando incansavelmente contra vilões fantasiados? — a comida chegou e o garçom pareceu fingir não ter ouvido o que ele dissera. Agora foi a vez de Natasha dar uma gargalhada contida, contagiando Steve logo em seguida.

— E se omitirmos alguns detalhes? Quero dizer, não precisa ser tão honesto assim quando estiver em um encontro.

— Não sou muito bom com mentiras, como você mesma disse.

— Não disse para mentir, só para não comentar. As garotas gostam de honestidade, mas não honestidade demais, vai acabar assustando elas com esse tipo de comportamento.

— E como você sugere que eu me comporte em um encontro? — a pergunta a surpreendeu.

— Está mesmo me perguntando isso?

— O que tenho a perder?

Romanoff inclinou a cabeça levemente para o lado e pensou por alguns segundos, analisando o amigo e então se levantou.

— Primeiro, não se pode ter um encontro sentado a essa distância — sem a menor cerimônia, a agente puxou sua cadeira e a passou para o lado dele. — Quando estiverem em um restaurante, fique o mais perto possível, ajuda na evolução da intimidade.

— Já teve muitos encontros íntimos, Romanoff? — ele provocou e a viu revirar os olhos.

— Estamos falando sobre você, garotão, não tente desviar o foco — ela puxou seu prato para perto e começou a comer, assim como ele. — Durante o jantar você pergunta mais sobre a vida dela, tenta saber coisas simples que no futuro podem ser úteis para o relacionamento de vocês.

— Tudo bem — Steve a encarou por um tempo antes de voltar a falar. — Então, Nat, qual é o seu livro favorito? — ao ouvir isso, a ruiva parou de comer, olhando-o de forma levemente confusa. — Preciso praticar com alguém, se for me ensinar vai ter que ser minha cobaia.

— Sei disso! Só estou surpresa que você não saiba qual é meu livro favorito, seu falso amigo — ela dá um tapa fraco no ombro dele e ri. — A Arte da Guerra.

— Boa escolha.

— Você é bom na parte da conversa. Acho que o problema é que você usa muito a cabeça em momentos errados.

— O que quer dizer com isso? — ele terminou sua salada e bebeu um gole de água, sem tirar os olhos dela.

— Não estou dizendo que uma garota quer ser levada para a cama no primeiro encontro, longe disso, mas quando o assunto é ação você é meio lerdo. Se eu estivesse sentada no seu colo agora, você estaria me olhando com cara de filhote confuso e não faria nada.

— Depende do que você estaria fazendo sentada no meu colo — ele tentou usar um tom malicioso que saiu bem errado, isso fez os dois rirem.

— Se fosse tão extrovertido assim com outras garotas não estaria solteiro.

— Nem todas as garotas são tão interessantes quanto você — ele mal percebeu o que havia dito, sentiu que havia ido um pouco além do esperado e limpou a garganta. — Quero dizer, somos amigos há bastante tempo, já estou acostumado com a sua presença.

— Também precisa melhorar essas cantadas — ela comentou e, quando o garçom voltou, pediu um espaguete para os dois.

— Teve alguma notícia do Banner desde o ataque do Ultron?

Natasha não era do tipo de pessoa que ficava desconfortável facilmente, e dessa vez também não fora diferente. Um leve sorriso surgiu em seus lábios avermelhados enquanto olhava para a taça a sua frente.

— Ele precisa de espaço, vai voltar quando estiver pronto.

— Não deu certo então? — Steve era uma das pessoas com quem a ruiva mais conversava, mas aquele assunto era, na maioria das vezes, evitado.

— Nunca tivemos tempo de realmente começar, com toda essa história do Ultron. Não posso reclamar também, pedir por um relacionamento normal na minha profissão é a mesma coisa que pedir para você entender uma referência do Stark.

— Tava demorando — ele suspirou e riu junto com a amiga. — Não consegue ficar dois minutos sem dizer algo sobre mim?

— Até consigo, mas gosto de ouvir sua risada — assim que a comida chegou, os dois se calaram e avançaram nela. Estava mesmo deliciosa e eles estavam famintos.

Ambos tinham que admitir que a noite estava sendo prazerosa, passar um tempo um com o outro nunca havia sido tão bom. Depois de dividirem um bolo de chocolate como sobremesa, Natasha sugeriu que dessem uma volta pelo parque para que pudessem continuar a conversar.

— Se eu te fizer uma pergunta, promete responder sinceramente? — Steve disse conforme os dois caminhavam por entre as árvores do local quase deserto.

— Olha, eu juro que o Clint e eu só devoramos um dos potes de sorvete que você comprou, o Stark deve ter comido o outro! — ela ergueu as mãos enquanto falava, como se estivesse se defendendo.

— Não era sobre o sorvete. Mas foi bom saber disso também, vocês me devem outro pote.

— Ok, soldado, qual é a pergunta? — ela o viu franzir os lábios, como fazia sempre que ficava nervoso, e então parar de andar.

— Há alguns meses, quando estávamos investigando a SHIELD, você me beijou no shopping para despistar a equipe do Rumlow...

— Ah, não... — a ruiva jogou a cabeça para trás, pois sabia o que vinha a seguir.

— Foi tão ruim assim? Você pareceu ter detestado.

— Não detestei, qual é, você não tinha como ter o melhor beijo do mundo depois de ficar congelado por tanto tempo... — ela o viu sorrir e desviar o olhar, parecendo só perceber uma coisa naquele momento. — Minha nossa, aquele foi seu primeiro beijo desde 1945!

Ela tinha suas suspeitas desde a conversa que tiveram no carro, mas ele a assegurara de que não havia sido seu primeiro beijo desde a Guerra. Natasha estava mesmo chocada com aquilo e sentiu-se na obrigação de ajudá-lo.

— Steve Rogers, vamos tratar de arranjar uma garota pra você imediatamente, sua situação está triste.

— E então eu beijo ela e digo adeus porque meu beijo é horrível.

— Não é tão ruim assim. Como eu disse antes, todo mundo precisa de prática — a ruiva ergueu um dedo e fez sinal para ele se aproximar. Steve ficou parado no lugar com uma sobrancelha erguida.

— Não!

— Sim! Você pediu por isso! Prefere terminar sua vida morando com dez gatos ao invés de com uma namorada?

— Gosto de gatos.

— Rogers! — o tom de voz firme dela quase o fez estremecer. — Sou sua treinadora, com um pouco de prática eu garanto que vai beijar melhor que o Stark.

— Você já beijou o Tony?! — ele franziu o cenho e ela revirou os olhos. — Ok, vou calar a boca.

— Vamos imaginar que estávamos em um encontro, — ela o puxou para mais perto apesar da resistência do loiro. — Você gostou do rumo da conversa e agora quer deixar que a garota saiba que está interessado e quer um segundo encontro.

— E se eu não...

— Shh, vai esperar até que ela esteja confortável e tranquila, porque sei que vai ficar nervoso e duas pessoas nervosas se beijando não acaba nada bem — Natasha ficou um tempo parada na frente do amigo, levando uma das mãos até sua nuca como havia feito da primeira vez em que se beijaram. — Vai se inclinar devagar e dar um beijo suave nela.

Ela pensou que aquela talvez não fosse uma boa ideia quando ele ficou parado no lugar, seus olhos claros fixos no rosto da ruiva o tempo todo. Percebendo que Rogers não tomaria a iniciativa, Natasha avançou primeiro, colando seus lábios aos dele de forma delicada e bem superficial. Ela sentiu a respiração dele parar imediatamente e recuou um pouco, não usando sua mão para puxá-lo para mais perto, mas sim deixando-o se aproximar sozinho. E foi o que ele fez.

Steve se inclinou para encurtar a distância criada pela ruiva e voltou a unir seus lábios em outro beijo. Uma das mãos dele acabou parando na cintura dela de alguma maneira, os dois, porém, estavam muito ocupados para controlarem ou se importarem com os movimentos de seus membros. Natasha aprofundou o beijo e deixou o loiro guiar o resto, percebendo que ele aprendia rápido, pois havia começado a mover a língua e os lábios de uma forma lenta e ao mesmo tempo feroz.

Ela realmente não sentiu o tempo passar, pareciam ter ficado apenas um minuto naquele beijo, mas ela teve a leve impressão de que já estavam ali há mais tempo. Quando os dedos dele começaram a se entrelaçar no cabelo fino e macio dela, Steve se afastou o bastante para conseguir recuperar o fôlego, notando que Natasha o encarava com uma expressão rara para ela: Surpresa.

— Onde aprendeu a fazer isso? — foi tudo o que ela conseguiu dizer depois do silêncio que reinou.

— Não sei... Só parei de pensar muito — ele deu um passo para trás, voltando a manter uma distância aceitável.

— Uau... — ela estava se esforçando para não deixar o queixo cair. — Pensando melhor, ainda não está bom. Vamos ter que praticar mais vezes, garotão.

A ruiva deu dois tapinhas no peito dele e voltou a caminhar. Steve se limitou a rir e a seguiu, por dentro tão confuso quanto ela, pois não fazia ideia de como havia conseguido dar aquele beijo de forma tão intensa.

Notas finais
O que acharam?? Kkkk Natasha e seu jeito de ser *-* Vamos ver como esse "treinamento" dela vai ajudar o Steve (lê-se gato) a encontrar uma namorada... Por hoje é só, pessoal. Espero que tenham gostado!!