Surrender
13 Caminhando para a guerra
Notas iniciais

Ele estava no chão. Sabia disso pois sentia que não aguentaria ficar de pé nem mesmo se quisesse. Queria forçar seus olhos a se abrirem, mas cada músculo seu doía demais. Não imaginava que a luta contra Ossos Cruzados poderia ter sido tão ruim, já o havia enfrentado antes e não fora nenhum desafio, ele pensou que tinha tudo sob controle quando o inesperado aconteceu.
Steve ainda podia ouvir as vozes sde seus amigos pelo comunicador.
— Eu não vou conseguir fazer isso! — Wanda gritou, parecendo atordoada.
— Você tem que conseguir! — Falcon gritou de volta.
— Só afasta ele desse prédio! — Natasha parecia estar sem fôlego.
— Essa ideia é estúpida! Coloca ele no chão, quando eu chegar dou um jeito! — Tony parecia seriamente irritado.
Aos poucos o loiro conseguiu recuperar a consciência e viu Wanda a alguns metros de si, com as mãos para cima enquanto usava seu poder para manter Ossos Cruzados longe do chão. Naquele momento, tudo voltou a sua mente. Ele descobriu que Rumlow tinha bombas espalhadas por seu corpo, então mandou a Feiticeira Escarlate tentar conter a explosão, porém Wanda sentia que isso não daria certo.
— Steve, está na escuta? Estamos chegando! — Natasha disse.
O soldado se levantou e respirou fundo, olhando para cima mais uma vez e vendo a contagem regressiva da bomba terminar. Ele rapidamente correu até Wanda e cobriu os dois com seu escudo quando percebeu que ela realmente não conseguiria conter a explosão. Quando o som alto e o fogo dominaram o local, Steve fez uma força enorme para manter o escudo erguido e não ceder à pressão da explosão sobre eles.
Ambos caíram no chão quando terminou, ela tinha lágrimas nos olhos e a respiração pesada, enquanto ele apenas encarava o céu negro coberto pela fumaça.
Sentiu alguém se ajoelhar ao seu lado e, depois de alguns instantes, focalizou a imagem de Natasha. Ela tinha uma expressão de preocupação no rosto e dizia algo que ele não conseguia ouvir, suas mãos o puxavam para que se levantasse, mas ele não saia do lugar.
— ...Rogers! Rogers, precisamos sair daqui! — aos poucos a voz dela começou a ficar mais alta até que ele pudesse ouvi-la. — Steve, por favor!
— Nat… — ele sussurrou, sentindo-a abraçá-lo com força.
— Falcon, me ajuda a levar ele daqui! — a ruiva tossiu por conta da fumaça e pegou a pequena máscara de oxigênio em seu cinto, colocando-a no rosto do loiro.
— Peguei a Wanda! — Gavião Arqueiro falou pelo comunicador, não podendo ver seus amigos com tanta fumaça.
Steve sentiu Sam e Natasha o levantarem e tentou ao máximo ajudá-los apesar de seus sentidos ainda estarem entorpecidos. Aos poucos sua visão começou a ficar preta e ele desmaiou, podendo ouvir os gritos desesperados das pessoas ao seu redor.
§
Natasha mal conseguiu acreditar no que havia acontecido. Quando viu a explosão não pensou que poderia ter causado tanto estrago, mas estava enganada. Centenas de pessoas haviam morrido, Wanda teve sorte por Steve ter conseguido chegar até ela a tempo, do contrário também teria sido atingida pelo fogo. A espiã e os outros haviam ficado tão ocupados em enfrentarem os capangas de Ossos Cruzados que não conseguiram chegar a tempo para tentarem impedir a explosão.
Agora eles estavam em um hospital, esperando que Tony trouxesse o Quinjet para que eles pudessem sair dali o mais rápido possível, pois não eram mais tão bem-vindos quanto antes. Natasha estava sentada na sala de espera quando viu Clint surgir do corredor e andar em sua direção.
— Como estão as coisas? — ela se colocou de pé, já recebendo uma resposta pela expressão do amigo.
— Querem nossas cabeças em estacas de ferro. As coisas não estão nada boas — o herói se jogou em uma cadeira e respirou fundo. — O Sam está com o Steve e a Wanda, os dois foram examinados e devem estar saindo logo.
— Como não previmos uma coisa dessas? Estamos acostumados a fazer missões do tipo, devíamos ter imaginado que Rumlow...
— Teria várias bombas presas ao próprio corpo? Nat, nenhum de nós poderia ter previsto isso.
A ruiva sentou-se ao lado do arqueiro e passou a mão pelo rosto, suspirando pesadamente.
— Prevejo que essa não será a única explosão da semana — ela se virou para ele, que também olhou para a heroína. — Clint, depois do que aconteceu em Sokóvia, essa é mais uma desculpa para aprovarem a Lei de Registro.
Ele sabia que era verdade, porém não disse nada.
— E pior, não podemos fazer nada para impedir que isso aconteça.
— Claro que podemos, é preciso mais que apenas uma lei para segurar milhares de heróis, Natasha.
— E se mais da metade desses heróis concordar com a lei? Tenho certeza de que o Stark vai fazer a maior propaganda positiva para todos verem o lado bom dessa história, mas o Steve, — a ruiva balançou a cabeça em sinal negativo. — Ele nunca vai aceitar isso.
— E o que você vai fazer caso essa outra bomba exploda? — Clint olhou fixamente para a amiga, deixando-a pensar por longos segundos antes de responder.
— Vou ficar com ele. Até o fim — a segurança na voz dela o fez assentir e lhe dar um leve sorriso, passando a mão por suas costas e depois lhe dando um abraço.
Os dois se separaram e foram na direção da porta mais próxima para esperar pelos outros. Sam andava na frente, seguido por Wanda e Steve, os três parecendo exaustos e extremamente abalados com o que acontecera. Natasha se aproximou do loiro e seus olhos se encontraram, sentiu seu coração doer só de ver o quão chateado ele estava, queria abraçá-lo com força e dizer que tudo ficaria bem, mesmo sabendo não ser verdade.
— O Stark está lá fora — Clint apontou na direção do Quinjet pousado há alguns metros da entrada do hospital. — Se preparem, porque a coisa lá fora tá feia.
O arqueiro abriu as portas e o som dos gritos revoltados dos cidadãos de Wakanda eram ouvidos, vindos de todos os lados. A polícia fazia uma barreira para tentar conter a multidão enfurecida que culpava os Vingadores por todas aquelas mortes, porém os heróis precisariam passar rápido para saírem logo dali.
Natasha tomou a dianteira, segurando a mão de Steve e puxando-o as pressas na direção do jato. Se esquivou quando algo parecido com uma garrafa passou perto de sua cabeça, pensando em como queria pegar o desgraçado que havia jogado o objeto e enchê-lo de socos. Ela se virou para trás para olhar Steve, bem no momento em que uma pedra de tamanho médio atingiu a testa do loiro, fazendo-o parar de andar e virar o rosto para o lado. A espiã percebeu, no entanto, que ele não ficara com raiva como ela, parecia achar que merecia aquilo.
— Entrem, rápido — Natasha indagou, empurrando os amigos para dentro do Quinjet e entrando por último.
Sam e Clint se jogaram nas poltronas mais próximas e deram longos suspiros de cansaço. Wanda ficou ao lado do painel principal, não parecendo estar disposta a conversar com ninguém. Nat fechou a porta do jato e Tony decolou, ativando o piloto automático e se virando em sua cadeira na direção de Steve e da ruiva.
— Pode me explicar que merda foi aquela? — o bilionário gritou, se levantando, porém não conseguindo se aproximar do Capitão.
— Fica longe dele! — Natasha se colocou entre os dois e empurrou Stark para longe. — Não quero você falando uma palavra sobre isso, estamos todos putos e cansados, não precisamos do seu sermão. Nem conseguiu chegar a tempo no local do acidente, não pode falar nada do Steve!
As palavras dela formaram uma tensão que era difícil de ser ignorada, até pelos heróis que queriam ficar fora da situação. Tony bufou e virou as costas para ela, voltando a se sentar na cadeira do piloto. Natasha respirou fundo e segurou a mão de Rogers, o puxando para o outro lado do jato onde havia um pequeno espaço privado. Quando finalmente estavam a sós, a heroína deu uma olhada na testa dele, vendo que a pedra não o havia ferido, só deixando um pouco de terra no local.
— Desculpa — ela murmurou, passando o dedão sobre a testa do maior e recebendo um olhar confuso dele.
— Pelo quê?
— Eu falei um palavrão, — ela conseguiu dar um leve sorriso de canto, descendo a mão pela lateral do rosto dele até seu ombro. — Achei que ia me dar uma bronca e cortar meu discurso.
Ela percebeu que ele tentou sorrir, pelo menos para deixá-la saber que tudo estava bem, porém não conseguiu. Nada estava bem, e não ficaria bem dali pra frente. Ambos tinham plena consciência disso.
— Se eu tivesse impedido que ele ativasse as bombas...
— Não quero ouvir você falando sobre isso também — ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele e encostou suas testas, deixando as pontas dos seus narizes se tocando. — Não há nada que você poderia ter feito, quase morreu tentando impedi-lo e poderia ter sido um desastre bem maior se você e a Wanda não estivessem lá.
Steve levou suas mãos à cintura da ruiva, deixando o pequeno espaço em que estavam ficar silencioso por alguns segundos, sem mover um músculo.
— Vamos dar um jeito — ela sussurrou, puxando-o para mais perto e o abraçando com força. — E se não dermos, vou continuar do seu lado.
§
Algo na sede da SHIELD durante aquela semana que se passou depois do incidente em Wakanda parecia diferente, ele pensou, o lugar parecia frio. Não tinha notícias de Stark ou dos outros Vingadores, Maria havia mandado todos para seus respectivos cantos até a poeira baixar. Clint voltara para ficar com sua família, então apenas Steve e Natasha continuaram a ir para a base da agência de espionagem todos os dias.
Se não fosse por ela, o soldado tinha certeza de que não teria conseguido seguir em frente depois daquela falha. Romanoff não havia mentido, ficara ao seu lado durante a maior parte do tempo, sempre tentando levantar o astral do herói e o levando para lugares novos na tentativa de fazê-lo se esquecer da tragédia. Ele sabia que não esqueceria, mas adorava passar aquele tempo com a ruiva, e vê-lo mais contente, ou pelo menos fingindo estar, a deixava mais feliz.
— Deve haver algo muito interessante no céu para você encará-lo dessa maneira, nunca me olhou com tanta intensidade — ele sorriu ao ouvir a voz de Natasha ao seu lado. — Antes que pergunte, sim, sou ciumenta.
— Só estava sem nada melhor para fazer — Steve virou o rosto na direção da ruiva, observando-a enquanto encarava as nuvens claras através do vidro da janela.
— A Maria pediu para ficarmos aqui até terem notícias de Washington — ela recebeu o silêncio como resposta. — Vou precisar dar uma fugida para resolver um assunto, mas vou voltar em menos de meia hora.
Ele ainda a encarava quando a agente virou o rosto, o que fez com que seus olhos se encontrassem.
— Vai se comportar enquanto eu estiver fora? — ela levou uma das mãos ao peito forte do soldado, o acariciando por cima do uniforme.
— Vou tentar — Steve segurou a mão da heroína e a trouxe até perto de seus lábios, depositando um beijo suave nas costas da mesma.
Natasha piscou para ele antes de se virar e sair do andar parcialmente vazio. Rogers passou mais algum tempo olhando a cidade e o céu até decidir ir procurar algo para se distrair até que a ruiva voltasse. Ele andava pelo corredor até o elevador quando viu dois agentes virem em sua direção.
— Capitão Rogers, a Comandante Hill deseja vê-lo — um dele disse. Steve não entendeu o motivo para Maria querer falar com ele, mas já era algo para mantê-lo ocupado.
Sem hesitar, acompanhou os dois para o último andar do prédio, para a sala que antes era a de Fury e agora pertencia a morena por ordens do Diretor.
— Capitão — ela se levantou de sua cadeira quando o viu entrar, acompanhado pelos outros agentes.
— Comandante Hill — Steve não deixou transparecer, porém achou estranho os dois homens ainda estarem na sala.
— Como deve saber, a Lei de Registro de Super Humanos voltou a ser discutida pelo congresso depois do ocorrido em Wakanda, — ele permaneceu calado, mantendo os olhos na morena a sua frente. — Bom, ela acabou de passar pelo Senado e entrará em vigor em duas semanas. Então o chamei aqui para deixarmos tudo bem claro.
Ele trincou o maxilar, controlando a vontade enorme de sair da sala e socar a parede.
— O que quer dizer com isso?
— Stark disse que você poderia ser um problema, me pediu para te convencer a deixar essa bobagem de "liberdade cívica" pra lá e aceitar a lei — ela parecia muito segura do que falava, mostrando concordar plenamente com o bilionário nesse assunto. — Já estamos atrasados, existem muitos heróis no mundo e todos precisarão estar registrados até lá ou serão presos. Precisamos de alguém como você para...
— Ficou maluca se achou, por um segundo, que eu concordaria em ajudá-los com isso — Steve disse, entredentes. — Está tentando me convencer a prender heróis que salvaram centenas de vidas caso eles não concordem com essa lei?
— Estou tentando fazer isso da maneira mais fácil, Capitão — ela elevou o tom de voz.
Ele não precisou se virar para saber que mais homens e mulheres armados entravam na sala.
— Abaixem suas armas — Steve dirigiu-se ao círculo de agentes que se formara ao redor dele.
— O Capitão não tem mais autoridade nenhuma aqui — Hill cruzou os braços, irritada com a teimosia dele. — Não me obrigue a fazer isso, Rogers
— Não me responsabilizo pelo que acontecerá aqui se vocês não abaixarem as armas — repetiu, ignorando a comandante.
— Tranquilizantes a postos — Hill ordenou, ouvindo o som das armas sendo engatilhadas.
Steve permaneceu estático, nenhum músculo foi movido por um longo tempo, até ele tirar seu escudo das costas a uma velocidade absurda e lançá-lo na direção dos agentes ao seu redor. O objeto de vibranium acertou a maioria deles, mas o Capitão precisou dar um colamento para longe da mira dos outros que começaram a atirar em sua direção. Assim que recuperou seu escudo, começou a desviar os dardos tranquilizantes com ele e a acertar golpes não tão brutos nos agentes. derrubando um por um conforme se aproximava da porta.
Correu para fora da sala no segundo seguinte, passando pelo corredor direto para as escadas e descendo o mais rápido possível. Ouviu, então, um alarme soar e a voz de Maria ecoar por todos os cantos da SHIELD a um volume ensurdecedor:
— Comandante Hill para todas as unidades, detenham o Capitão América. Repito: Detenham o Capitão América!
Ele finalmente chegou ao primeiro andar, mas encontrou vários agentes já esperando por ele. O soldado usou seu escudo para desviar as balas que vieram em sua direção e correu para tentar se afastar, indo na direção da janela mais próxima. Um tiro passou de raspão em sua perna, ele percebeu que precisaria encontrar outro caminho.
Virou a esquerda e entrou numa sala bem iluminada, ouvindo a correria do lado de fora. Porém o que fez seu sangue gelar, foi sentir uma arma sendo apontada para suas costas.
— Se vira devagar — ele reconheceu a voz.
— Sharon? — o soldado olhou por cima do ombro e fez como ela disse. — O que faz aqui?
— Esse é o banheiro feminino, tem sorte por eu estar aqui sozinha! — a loira sussurrou, baixando sua arma quando percebeu que o herói não era uma ameaça. — O que você fez dessa vez?
— Nada! Tem que acreditar em mim, preciso sair daqui — Steve a encarou com seus olhos azuis, quase implorando para a agente.
Carter assentiu rapidamente, abrindo a porta para garantir que a área estava limpa e fazendo sinal para ele passar.
— Tem uma porta de saída seguindo por esse corredor, mas as câmeras vão pegar você. Seja rápido! — a loira sussurrou, olhando para Steve.
— Obrigado, Sharon — ele pôs a mão no ombro da agente, recebendo um sorriso como resposta.
— Tome cuidado, e me avise se sobreviver — dizendo isso, ela correu para o lado oposto do corredor.
Steve seguiu pelo caminho que ela falou o mais rápido possível, passando pela porta e vendo alguns agentes correndo em sua direção. Por ser mais rápido, conseguiu uma vantagem, porém não viu quando um carro preto acelerou e o atropelou.
O soldado caiu no chão com um leve gemido de dor, se preparando para correr novamente, só que parando ao ver Natasha sair do carro, furiosa.
— Mas que porra foi essa, Rogers?!
— Olha a língua, Romanoff — ele se colocou de pé e entrou no carro.
— Consertei o carro há dois dias e já tem um amassado nele, posso xingar o quanto eu quiser! — ela o sentiu puxá-la para dentro do automóvel.
— Dirige! — o loiro viu alguns agentes apontando suas armas na direção do carro e começando a atirar. Por sorte os vidros do automóvel eram blindados.
— O que está acontecendo? Me explica agora! — a ruiva acelerou e dirigiu para longe da SHIELD.
— A lei foi aprovada — Steve bufou, passando a mão no rosto. — Maria tentou fazer com que eu me registrasse e os ajudasse a prender os rebeldes.
— E você recusou?
— Deveria ter aceitado?
— Não sabe mentir para ganhar tempo? Era só dizer “Claro que vou ajudar, me chamem quando precisarem” e então fugir sem uma chuva de tiros atrás de você!
— Eu estava com raiva, e não posso mentir sobre algo tão sério! — ele jogou seu escudo para o banco de trás, segurando-se na porta quando a espiã dirigiu mais rapidamente.
Ele viu um envelope em cima do painel e o segurou.
— O que é isso? — ele perguntou.
Natasha não diria que eram informações sobre seu próximo alvo e que havia acabado de encontrar Yelena, então preferiu continuar a discussão.
— Não muda de assunto — ela jogou o envelope no banco de trás. — Você vai ligar para a Hill e dizer que mudou de ideia.
— Você está mesmo brigando comigo porque não menti?
— Estamos brigando porque a pessoa com quem eu mais me preocupo no mundo acabou de virar um dos mais procurados da SHIELD — ela entrou na garagem do prédio e estacionou o carro, pegando seu celular para hackear as câmeras de segurança, pois agora Stark usaria toda a sua tecnologia para encontrar Steve.
— Logo nossos amigos, aqueles que se recusarem a revelarem suas identidades secretas para protegerem quem amam, também se tornarão fugitivos, Natasha — o loiro encostou a cabeça na poltrona. — Não podemos deixar isso acontecer.
— O que pretende fazer? — ela se virou para ele, encontrando seus olhos azuis a espera de uma resposta.
— Não pretendo desistir, se é isso o que você está sugerindo.
— Eu não quero que você desista dos seus princípios ou seja lá o que isso for, eu só... — a ruiva soltou um longo suspiro e fechou os olhos por alguns segundos. — Nós não sabemos se essa lei pode ser benéfica para a população. Os heróis serão mais bem treinados, irão ser supervisionados pelo governo e pela SHIELD.
Ele evitou contato visual com ela, sua expressão era pensativa, como se analisasse as palavras dela.
— O mundo mudou, Steve, não podemos mais ter pessoas fazendo o que querem quando querem, as leis foram feitas para impor limites e é disso o que precisamos depois do Ultron e de Wakanda. O Stark está apoiando essa causa porque sabe que errou feio — Natasha pensou muito antes de dizer suas próximas palavras. — Eu não vou passar a mão na sua cabeça e dizer que você também não errou, você sabe que sim, então não julgue o Tony por tentar consertar essa bagunça que vocês dois causaram.
Ela esperava o silêncio, porém o viu erguer o olhar do painel para ela.
— Então você vai simplesmente desistir assim, tão facilmente? — havia decepção na voz do maior, e isso a fez se arrepender profundamente de ter dito aquelas coisas.
— Se não podemos ter limites, não seremos melhores do que os criminosos que enfrentamos.
Steve não respondeu dessa vez, apenas abriu a porta do carro e saiu do veículo. Natasha sentiu vontade de bater com a própria cabeça no volante, pois sabia que havia ferrado tudo. A verdade era que ela não ligava para essa lei estúpida, não faria a menor diferença na vida dela, pois sempre fora uma espiã. Por toda a sua vida havia trabalhado para alguém, por que seria diferente agora? Mas ele, o homem mais teimoso do mundo, não aceitaria aquilo de jeito nenhum. Ele pensava em como isso afetaria aos outros antes de si mesmo, ela queria ser tão altruísta assim.
Com um grunhido de irritação e derrota, Romanoff pegou o envelope no banco de trás, saiu do carro e o seguiu, indo para o elevador e acompanhando o loiro para dentro do mesmo. Houve um longo período de silêncio até eles chegarem no apartamento, Nat sentou-se em uma ponta do sofá e ele na outra, deixando um grande espaço os separando. Ela esperou quase dez minutos até ambos terem esfriado a cabeça para deslizar um pouco para o lado, se aproximando dele.
Esperou, percebendo que ele não se mexera nem a impedira de chegar mais perto, então podia avançar um pouco mais. Ele a observou com sua visão periférica conforme deslizava lentamente sobre o sofá até seus ombros se encostarem.
— Me perdoa, — Natasha mordeu levemente o lábio inferior, olhando para a TV desligada a frente deles e evitando o olhar do soldado. — Não devia ter falado aquelas coisas, você não merece ouvir lição de moral de alguém como eu. Já fiz muita besteira na vida pra te julgar agora.
Steve virou o rosto na direção de Natasha e baixou os olhos para as mãos da ruiva, segurando uma delas e entrelaçando seus dedos antes de falar.
— Não precisa se desculpar, eu fui mesmo um idiota — surpresa com as palavras, Romanoff o encarou com a testa franzida. — Fiquei tão indignado que não pensei duas vezes antes de confrontar a Hill, deveria ter pensado antes de fazer o que fiz.
— Eu não quero que desista, Rogers. Se desistisse não seria o Capitão América que eu conheço, mas quer mesmo resolver isso na força bruta? — ela virou mais seu corpo para ele, mantendo suas mãos juntas em seu colo. — Por que não esperamos as coisas se acalmarem? O registro só se torna obrigatório daqui duas semanas, podemos ver como essa lei irá repercutir no país e chegar a conclusão se ela é boa ou ruim.
Aquela não era uma má ideia, era na verdade o certo a se fazer, e não sair por aí batendo em agentes da SHIELD ou em Tony, ele realmente precisava se acalmar para fazer tudo com clareza e não tomar decisões precipitadas.
— Acho que você tem razão — Steve deu um meio sorriso.
— Quando vai aprender que eu sempre tenho razão? — o sorriso dela fez qualquer tensão que houvesse entre eles desaparecer em segundos. — Então... Agora que não está mais bravo comigo, posso ganhar um beijo?
Steve não conseguiu segurar uma risada. Ele realmente não conseguia ficar chateado com ela por muito tempo, a ruiva sabia disso.
— Não sei se você está merecendo — ele brincou e arqueou uma sobrancelha, vendo-a se aproximar ainda mais e deixar sua boca próxima a dele.
— Eu sei que não mereço um cara como você — ela mal terminou a frase e ele já havia unido seus lábios em um beijo de tirar o fôlego.
Há um mês ela nunca pensaria que ele poderia beijar com tanta intensidade, mas ignorou a surpresa e correspondeu da mesma forma. Eles se separaram quando ficaram sem fôlego, ele acariciando a bochecha dela com seu polegar e ela depositando alguns beijos pequenos na dele.
— Eu te amo — ele sussurrou, perto da orelha da espiã.
Natasha abriu os olhos e se afastou o bastante para poder olhar para ele.
— O quê? — ela só podia ter ouvido mal, pensou.
Steve sorriu, penteando uma mexa de cabelo para trás da orelha da ruiva.
— Eu disse que te amo, Natasha Romanoff.
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