Surpresas Da Vida
21 Fix you.
Notas iniciais
----------//----------
Então, eu queria dedicar esse capítulo para a leitora Tamy SR, que me deixou um review maravilhoso que me fez chorar. Obrigado Tamy, espero que goste ;)
----------//----------
Oiee kkk Esse cap ja estava pronto, então eu só revisei ele e aqui está ^^
Enjoy ;D
DEAN’S P.O.V.
Quando eu vi o caixão aberto na pequena sala, eu paralisei. Não chorava, não me mexia, apenas sentia uma forte dor crescer no meu peito. Senti mãos pesadas nos meus ombros. Era John Warner, pai do Sam.
O encarei com os olhos tristes e ele lançou um sorriso sofrido para mim. Me puxou para um abraço. Eu não sabia o que fazer quando ele começou a passar a mão nas minhas costas, me reconfortando. Ele perdeu a esposa, Mary, seu primeiro e único amor durante o parto do único e amado filho. Ele estava sozinho. Acabara de perder a única pessoa importante que restara na sua vida. Ele estava sem ninguém, não havia sobrado nada para ele se apoiar e não desmoronar. E, mesmo assim ele estava tentando me consolar. Era realmente um homem com um coração muito puro e bondoso. Mesmo estando sofrendo, tenta garantir que todos à sua volta estivessem bem. Sam puxou ao pai.
When you try your best, but you don't succeed
(Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso)
When you get what you want, but not what you need
(Quando você consegue o que você quer, mas não o que você precisa)
When you feel so tired, but you can't sleep
(Quando você se sente tão cansado, mas não consegue dormir)
Stuck in reverse
(Preso em marcha ré)
Ele separou o abraço, me olhando nos olhos. Eu queria chorar. Queria fazer alguma coisa, mas eu não conseguia. Sorri levemente, agradecendo-o pelo abraço e lhe lancei um olhar de solidariedade. Eu vi que John não estava só mal por dentro. Por fora ele estava acabado. Tinha profundas olheiras em baixo dos olhos inchados, por causa do choro e já não fazia a barba há dias.
Com um aceno de cabeça me despedi dele e andei até aonde o caixão se encontrava. O olhei, ele parecia tão sereno. Parecia estar apenas dormindo. Ele estava lindo. Usava uma camisa azul celeste, com os dois primeiros botões abertos, calça e sapatos pretos e sociais. O cabelo estava repartido ao meio e colocado para trás da orelha.
Segurei sua mão. Ela estava tão gelada. Uma lágrima solitária escorreu por meu rosto, molhando a camisa de Sam. Não me importei e continuei olhando para o belo moreno que estava bem à minha frente. Passei a mão por seu rosto, lhe fazendo um carinho, quando avistei algo de um brilho dourado em seu pescoço.
And the tears come streaming down your face
(E as lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto)
When you lose something you can't replace
(Quando você perde alguma coisa que não consegue substituir)
When you love someone, but it goes to waste
(Quando você ama alguém, mas é desperdiçado)
Could it be worse?
(Poderia ser pior?)
Ele usava a corrente que eu dei para ele. Levei minha mão instantaneamente à minha corrente, apertando-a contra o meu peito e comecei a chorar.
Senti uma mão forte em meu ombro. Me virei e me deparei com um par de olhos extremamente azuis, me olhando solidariamente...
CASTIEL’S P.O.V.
Eu entrei na pequena sala com os olhos inchados. Não sei se vou conseguir fazer isso. Acho que não vou conseguir. Preciso de uma ajuda, de um ombro, de uma mão... Mas eu vou fazer sem a ajuda de ninguém. Porque a única pessoa que poderia me ajudar agora é o que mais precisa de consolo. Dean.
Como o Sam pôde fazer isso? Esconder uma doença, nos deixar no escuro e ainda me dizer que sabia dos meus sentimentos pelo Dean e que era para eu ficar com ele e cuidar dele...
De certa forma era o que eu queria não era? Eu o queria para mim. Cuidar dele, protegê-lo, consolá-lo como eu sempre fiz... Mas dessa vez as coisas são diferentes. É o Sam dentro do caixão de madeira situado no fim da pequena sala. É o Sam que está deitado, inconsciente, lá dentro. Não sei se eu vou conseguir fazer isso.
Dou alguns passos para dentro da salinha. Olho para as pessoas sentadas e chorando ou consolando alguém. Não há muita gente, a final eu cheguei cedo hoje. Sinto alguém me abraçar, me pegando de surpresa. Demoro alguns segundos para perceber que era John, o pai de Sam.
– Sinto muito – consigo dizer baixinho.
– Está tudo bem — John disse, separando o abraço.
Algumas lágrimas desciam de seus olhos. Ele se virou para o caixão e depois para mim.
– Ele era um bom garoto – John sorriu sofridamente e secou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
– É. Ele era sim – Devolvi o sorriso e coloquei uma mão em seu ombro – Você deve ter orgulho dele.
– Eu tenho. E muito – Ele sorriu mais abertamente – Deve ser difícil para vocês. Eu sinto muito, mas ele... – John pigarreou – Ele não me deixou contar...
– Está tudo bem – Olhei fundo em seus olhos escuros – Nós entendemos.
– Que bom, meu filho – John sorriu e passou a mão em meus cabelos, bagunçando-os.
Se desviou de mim e caminhou até a porta, cumprimentando uma mulher que acabara de chegar.
Pobre homem. Não consigo imaginar o sofrimento que ele passou desde a morte de Mary. Mas mesmo assim ele continua a cuidar e consolar os outros. Ele era bom, gentil e amável. Sam era exatamente como ele.
Ele era como um pai para mim. Sempre foi. É difícil vê-lo sofrer desse jeito.
Olhei novamente para o fim da pequena sala. Ao lado do caixão estava um homem loiro e alto. Usava uma calça social e sapatos pretos e uma camisa branca listrada. Era o meu Dean.
Ele estava com uma das mãos solta ao lado do corpo e a outra repousava dentro do caixão. Ele estava imóvel. Não movia um músculo se quer. Caminhei até ele e coloquei uma mão em seu ombro. Ele se virou para mim, me encarando com os olhos verdes inchados e uma expressão sofrida. Eu o olhei com solidariedade e o puxei para um abraço.
Lights will guide you home
(Luzes te guiarão até em casa)
And ignite your bones
(E aquecerão seus ossos)
And I will try, to fix you
(E eu tentarei de consertar)
Com o canto do olho, consegui ver o meu melhor amigo, que jaz inconsciente dentro do caixão de madeira escura. Algumas lágrimas escorreram de meus olhos e senti Dean soluçar em meus braços. Um desespero cresceu em meu peito e chorei com Dean, abraçando-o mais forte.
– Ele se foi, Cas – Disse entre os soluços que escapavam de sua boca perfeita – O meu Sammy se foi...
–Shhh... – Passei a mão em seus cabelos, tentando consolá-lo. Separei o abraço, mas mantive a minha mão em seu ombro – Ele não se foi – Tentei conter meu desespero ao vê-lo desse jeito – Não de verdade.
– Ele se foi sim. Eu o perdi, Castiel. Como eu não percebi? – Dean olhou para o corpo de Sam – Eu sou tão estúpido! Como eu não... – Não conseguiu terminar a frase, começando a chorar instantaneamente e colocou as mãos no rosto.
– Pode parar, Dean! Não foi culpa sua, não tinha como você saber... Você não é estúpido! O Sam que não te contou. Como você pode dizer isto?
Dean balançou a cabeça negativamente, olhando em meus olhos.
– Eu não sei – Ele desviou o olhar do meu.
Dean levou sua mão até o seu colar, apertando-o com força. Fechou os olhos e respirou fundo. Quando abriu os olhos, se pôs a andar, saindo da sala. Contra todos os meus instintos, o deixei ir. Ele precisa de um tempo sozinho...
DEAN’S P.O.V.
– Pode parar, Dean! Não foi culpa sua, não tinha como você saber... Você não é estúpido! O Sam que não te contou. Como você pode dizer isto?
Balancei a cabeça negativamente, olhando nos olhos azuis solidários de Castiel.
– Eu não sei – Por algum motivo, desviei os olhos de Castiel e encarei o chão.
Eu sentia os olhos de Castiel em cima de mim e isso estava me sufocando. Levei uma mão até o meu colar e o apertei com força. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando me acalmar. Abri os olhos e saí da sala sem olhar para Castiel. Eu precisava de um tempo sozinho.
And high up above or down below
(E bem lá no alto ou bem lá em baixo)
When you're too in love to let it go
(Quando você está apaixonado demais para esquecer)
But if you never try, you'll never know
(Mas se você nunca tentar, nunca vai saber)
Just what you're worth.
(O quanto você vale)
Achei estranho o Castiel não estar me seguindo, mas isso é uma coisa boa. Fui até o lado de fora, observando as árvores e sentindo minhas lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Uma brisa fresca soprou em meu rosto e fechei os olhos por um momento. Olhei para o céu e comecei a chorar de novo.
– Como pôde? – Eu disse baixinho, ainda olhando para cima – Como pôde esconder uma coisa dessas de mim? Você não achou que eu gostaria de saber, Sam? O que eu vou fazer sem você? Sabe... Você era muito especial para mim. Ainda é. Mas eu simplesmente não consigo suportar o fato de você ter mentido para mim. Escondido de mim que você estava sofrendo... Era pra gente ser um casal, lembra? Confiança e sinceridade, além do amor. Você devia ter me contado. Todos têm segredos, mas eu achei que você me contasse tudo. Ou pelo menos que você me contaria algo grande desse jeito. O que mais você escondeu de mim, Sam?
Me sentei em uma pedra e sequei um pouco das minhas lágrimas. Olhei para o céu novamente.
Lights will guide you home
(Luzes te guiarão até em casa)
And ignite your bones
(E aquecerão seus ossos)
And I will try, to fix you
(E eu tentarei de consertar)
– Agora eu estou aqui sozinho, sentado em uma pedra e falando com o nada... Eu sinto a sua falta, Sam. Muito mesmo… Como pôde?
Fiquei sentado, encarando o vazio. Eu não queria fazer nada. Não queria pensar em nada... Mas o rosto de Sam rondava a minha mente. Eu não sabia o que estava sentindo. Acho que não estava sentindo nada. Estava vazio por dentro. Eu queria sentir raiva do Sam por não ter me contado, queria ficar triste pelo senhor Warner e pelo Castiel. Queria sentir o desespero me invadir... Era para eu estar sentindo alguma coisa, certo?
– Eu te amo – Olhei para o céu, uma última vez e andei até a pequena salinha.
Fiquei parado na porta, observando Castiel conversar com o senhor Warner. Ele tentava sorrir, mas falhava miseravelmente.
CASTIEL’S P.O.V.
Falar com John sempre me alegrou, mas não hoje. Esse homem que sempre fora um pai para mim parecia tão distante, tão triste, acabado. Não sei como ele ainda está de pé.
Tento sorrir, mas sinto que não está dando muito certo. Droga. Não consigo nem fingir um sorriso, imagina quando eu tiver que consolar o Dean...
Tears stream down your face
(Lágrimas escorrem por seu rosto)
When you lose something you cannot replace
(Quando você perde algo que não consegue substituir)
Tears stream down your face
(Lágrimas escorrem por seu rosto)
And I...
(E eu…)
Quando eu olhei para a porta lá estava ele... Com sua camisa clara e mãos nos bolsos de sua calça social. Seus olhos estavam em mim, um pouco menos inchados. Ele lançou um sorriso para mim e saiu da sala novamente...
And I will try, to fix you…
(E eu tentarei de consertar...)
Continua...
Notas finais
Beijackles e Padakisses ♥
Fale com o autor