Surpresas
15 Nascimento
Ciborgue e Mutano caminhavam de um lado para o outro enquanto esperavam do lado de fora. Faziam isso há uma meia hora e estavam começando a se irritar.
“O que será que tá acontecendo lá dentro?”
“Não tá sabendo não, ela está tendo um bebê!” Ciborgue respondia como se fosse óbvio. Mas logo viu a amiga de cabelos roxos aparecer pela porta semiaberta. Suas mãos estavam um pouco sujas de sangue e logo foram limpas com a toalha que trazia consigo.
“Rae, e aí?”
“Ela está pronta pra dar a luz, mas não pára de chamar por Robin. Mutano, quero que você tente se comunicar com ele de qualquer maneira!”
“Robin? Ele tá brincando de pega-pega com Penumbra e até agora não voltou!”
“Eu sei! Por isso quero que você diga pra ele vir aqui, rápido!” Estelar deu um berro forte. A dor era tanta que seus olhos se iluminaram num verde intenso. “Preciso voltar. Façam de tudo pra convencer o Robin! Ela precisa vê-lo”
Ravena voltou para o quarto e fechou a porta num baque. Ciborgue e Mutano ficaram se entreolhando por alguns momentos.
“Você ouviu a Ravena. É melhor se apressar!”
“Droga... sempre fico com a parte mais difícil...” Mutano pegou seu comunicador do bolso e apertou um botão. “Tomara que ele pelo menos escute!”
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Robin corria atrás do rapaz que voava no grande pássaro negro. Penumbra apenas ria. Para ele, os esforços do herói eram inúteis.
“Por que insiste? Nunca vai me pegar!”
“Tem certeza?” Ele lançou dois discos congeladores que explodiram na frente do garoto. Este acabou perdeu o controle e caiu no asfalto, percebendo que não podia mais se mover. De todo o seu corpo, somente a cabeça continuava móvel. O resto estava congelado.
“Não! Meus poderes...”
“Não pode controla-los? É, eu sei, você tinha comentado antes. Disse que seus poderes eram frágeis. Só pode controlar as sombras com muita concentração. Além disso, elas precisam achar você, o gelo impede que isso aconteça.”
“Muito bem. Mas agora que me pegou, o que vai fazer?!” Penumbra tinha um tom de desafio na voz.
“Vai pagar pelo que fez. Você enfrentou o herói errado!”
“Tá bravo só porque quase matei sua namoradinha. Hum... é um bom motivo. Mas pelas histórias que ouvi de você, sei nunca machucaria alguém. Mesmo se tratando de um inimigo.”
A raiva de Robin começava a aumentar. Penumbra queria que ele perdesse o controle de qualquer forma.
“Você deve ter medo, e por isso não ataca. Talvez não seja tão valente como os outros pensam...”
“Chega!” Robin fechou o punho direito e o direcionou para o rosto do rapaz. Não conseguia mais se controlar. Queria soca-lo até que perdesse a consciência. Com certeza faria isso agora se um som não o interrompesse. “Raios. O comunicador!”
Ele abriu o aparelho e viu Mutano pela tela.
“Cara, onde você tá? Precisamos de você aqui!”
“Não posso ajudar vocês agora! Penumbra está nas minhas mãos e não vou deixa-lo escapar!!”
“Peraí, não é a gente que precisa de ajuda. É a Estelar!!”
“O quê?!”
“Isso que você ouviu! Ela tá em trabalho de parto agora e não pára de chamar por você!”
Robin estava com raiva. Ouvir aquilo o fez lembrar de que Estelar estava grávida de outro, segundo ele, e de como ficara mal por ela tê-lo deixado.
“Se precisa tanto de ajuda então peça pro pai dessa criança!”
“E o que acha que eu tô fazendo agora?!”
“Como é?”
“Escuta, ela precisa de você aqui. Espero que faça a coisa certa...”
A imagem de Mutano desapareceu. Robin não tinha entendido muito o que ele quis dizer com aquilo. Mas já tinha em mente o que fazer. Porém, quando ia se virar para Penumbra, ele tinha desaparecido.
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“Vamos, Estelar, força!”
“Não consigo, não mais...” Ela parecia ter esgotado todas as forças que possuía. Estava exausta. Prestes a desmaiar talvez. Para Estelar, aquilo poderia ser considerado uma tortura, pois parecia não ter fim e sequer uma pausa para tantas dores.
“Precisa conseguir. Já posso vê-lo!” Ravena tinha medo que a amiga estivesse certa. Tinha gastado tudo naqueles longos minutos.
Nesse instante, a porta da enfermaria se abriu. Estelar mal podia acreditar no que via.
“Robin, você veio.”
“Claro, não te deixaria numa situação dessas.” Ele segurou sua mão direita. “Não se preocupe, vai dar tudo certo.”
Por um momento, Estelar esqueceu das dores. Prestava atenção no rapaz ao seu lado. Há muito tempo não viu aquele sorriso. O sorriso que lhe dava tanta confiança e tranqüilidade, não importava a gravidade da situação.
Mas uma forte contração a fez voltar para a realidade. Tanto que seus olhos se iluminaram uma segunda vez. Robin se assustou com isso, pois pelo que via, ela parecia ter sofrido demais enquanto insistia na busca por Penumbra.
“Robin, dê apoio a ela. Só assim criará forças o suficiente.”
Ele obedeceu Ravena. Ficou por trás da maca segurando as mãos da tamaraniana enquanto esta se recostava em seu peito. A partir daí, as dores ficaram ainda mais intensas e fortes. Nada comparáveis com as anteriores.
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Mutano andava de um lado para o outro, repetidamente. Ciborgue estava sentado ao lado da porta, já que estava cansado de tanto andar.
“Cara, quer parar? Está me deixando ainda mais nervoso!!”
“Não posso Ci, eu to preocupado!”
“Nunca pensei que se preocuparia tanto com um filho de outro casal...”
“Mas estou. Caso não se lembre a gente fez uma aposta valendo tudo! Vai que eu perco!”
“Você SEMPRE perde...”
“Não dessa vez!!”
Eles se calaram e voltaram a fazer o mesmo de antes. Mutano andava e Ciborgue suspirava no seu canto aborrecedor. O tédio e o nervosismo estavam se tornando uma coisa monótona. Somente alguns gemidos de Estelar dentro da enfermaria interrompiam o silêncio.
Mas de repente, um terceiro berro foi ouvido, encerrando qualquer outro ruído vindo de dentro daquele quarto. O silêncio durou alguns segundos antes de ser interrompido novamente. Mas dessa vez não foi por qualquer grito ou som semelhante. Foi por um choro, choro leve de um recém-nascido.
Estelar tinha desmaiado. Havia dado tudo de si naquele parto.Robin então a deitou lentamente sobre a maca e ficou observando Ravena enrolar o bebê numa toalha esterilizada. Ele não parava de chorar. Era incrível como algo tão pequeno poderia ter um pulmão tão forte. O bebê só parou quando a empata o colocou ao lado da mãe.
“As duas vão ficar bem. Não se preocupe...”
“Duas?”
“Sim, é uma menina.” Ravena olhava para elas, esboçando um pequeno sorriso. “Eu vou dar a notícia pros outros. Se quiser continuar aqui...”
Ele acenou afirmativamente com a cabeça e se voltou para Estelar. Estava feliz em ver que tudo estava bem.
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