Suplício
4 A Aflição de Estela
— filha foi ela, eu sei que foi ela – dizia Estela. Ela não queria chorar diante da filha para que ela não ficasse ainda mais fragilizada, ela tinha que ser forte por sua filha.
— é óbvio que foi ela, é coincidência demais ela estar lá no mesmo dia em que eu fui presa – respondeu Sônia incrédula.
— e a cara que ela fez eu fiquei apavorada, dava pra ver que ela estava feliz, ela estava satisfeita, dava pra notar na cara demoníaca dela que ela estava feliz com alguma coisa. Mas como nós vamos fazer pra que investiguem ela por isso? — Estela estava aflita demais, ela temia pela filha.
— ainda mais com um advogado que não acredita em mim, eu estou ferrada – disse Sônia e então uma lágrima escorreu em seu rosto – e a Paulinha? Como tá a minha pequena?
— eu não expliquei nada pra ela, eu disse que você está com um problema que vai resolver logo e assim que der você volta pra casa. E você como você está minha filha? Como está a sua cabeça com essa situação toda?
— estou indo sabe mãe, eu sou forte, não sei por quanto tempo ainda ficarei em pé, mas por enquanto eu aguento. O advogado vai me trazer a resposta hoje sobre o habeas corpus, tomara que ele tenha uma notícia boa.
As duas conversaram por mais alguns minutos quando foi anunciado que o advogado havia chegado com Pedro e então eles foram conversar com ela. Entrou apenas o advogado, Pedro não entrou e o advogado trouxe más notícias.
— eu odeio ter que dizer isso mas a juíz entendeu que devido a sua relação com o Pedro você teria condições de fugir do julgamento, então ele não concedeu o habeas corpus Sônia, eu sinto muito mas você vai ter que aguardar presa.
Sônia então pediu que o advogado saísse e pediu que Pedro entrasse para falar com ela.
— oi Sônia, como você está? Como estão tratando você aqui? — Perguntou Pedro com a cabeça baixa.
— olha nos meus olhos pra falar comigo Pedro – disse ela em um tom firme.
Pedro então levantou a cabeça e olhou fixamente nos olhos de Sônia.
— eu vou te pedir só uma vez e se você mentir eu vou saber. Você acredita na minha inocência Pedro?
Silêncio.
— vou encarar esse silêncio como uma resposta.
— eu te amo e quero muito acreditar em você Sônia, mas poxa, se coloca no meu lugar, como é que você explica que aquilo foi para dentro da tua bolsa?
Sônia não conseguia acreditar no que ela acabara de ouvir.
— em segundo algum te passou pela cabeça desconfiar das pessoas que manusearam a minha mala no aeroporto, gente que você não conhece, você acha mais fácil acreditar que fui eu, a mulher que você dizia amar, a mulher que você sabe que é trabalhadora e que nunca aceitou nada de mão beijada de ninguém?
— sim Sônia, me passou tudo isso pela cabeça, mas que motivo alguém teria?
— por que você não pergunta pra Laura? Engraçado que ela tem motivos e condições de fazer isso comigo, justo eu que peguei vocês dois seminus na cama e nem por um segundo desconfiei de você, já você faz exatamente o contrário.
Silêncio. Pedro começou a digerir tudo aquilo e era um fato: Sônia nunca nem se quer por um segundo desconfiado dele e ele começou a sentir-se culpado por pensar que ela poderia ter feito aquilo.
— você pode sair por favor? Eu vou te pedir um último favor, dispensa esse advogado que eu vou pedir um defensor público.
— mas por que isso? — Pedro ficou assustado.
— eu não posso ser defendido por alguém que não acredita em mim. Você pode sair daqui por favor e pedir pra que a minha mãe entre novamente?
Pedro ficou chocado, mas ele entendia de onde vinha a reação de Sônia. Ele então saiu com a cabeça baixa.
Estela conversou mais com Sônia e depois foi para casa, quando lá chegou, Paula estava inquieta.
— vovó, quando a minha mãe vai voltar?
— logo meu amor, logo logo ela volta pra gente – disse Estela calmamente ao abraçar a neta – e eu já sei como eu vou fazer pra que isso aconteça.
No dia seguinte, Estela acordou cedo e levou Paula para a escola e foi para o banco para falar com Padro.
— dona Estela, está tudo bem? — disse Pedro ao chegar e encontrar ela a esperando em sua sala.
— não, está tudo péssimo – respondeu ela seca.
— olha, só eu sei que a Sônia pediu pra trocar de advogado ontem mas eu vou continuar pagando, hoje mesmo eu vou chamar um advogado novo pra… — a fala de Pedro foi interrompida.
— hoje mesmo eu vou na defensoria pra arrumar um advogado novo pra minha filha, isso não é mais assunto seu, o que eu preciso de você é outra coisa.
— por favor dona Estela, vamos conversar, isso não pode ficar… — ele foi interrompido novamente.
— eu preciso do endereço da Laura, sua ex namorada.
— pra quê dona Estela? — Pedro ficou sem entender nada.
— eu preciso falar com ela, eu tenho outros modos de encontrá-la, com a sua ajuda ficará mais fácil, mas se você não me ajudar e vai levar menos tempo, tempo que eu não tenho para perder.
— tá bem – Pedro pegou um pedaço e papel e uma caneta e anotou o endereço e deu para Estela – mas cuidado com o que você vai fazer Estela. Dependendo o que a senhora fizer, isso poderá complicar muito a Sônia.
— obrigada pela ajuda Pedro – ela pegou o papel e virou-se e foi caminhando em direção a porta, então ela parou e virou-se pra ele novamente – a Sônia pediu que não vá mais vê-la pois ela não vai mais receber você.
Estela saiu sem ouvir se Pedro tinha algo a dizer. Ela então pegou um táxi e foi até o endereço que lhe fora dado. Chegando lá, era uma mansão enorme de portões brancos, ela então tocou o interfone.
— posso ajudar? — perguntou uma voz feminina.
— eu poderia falar com a Laura? — perguntou Estela.
— quem gostaria?
— eu me chamo Estela. Diga a ela que ela não me conhece mas que é muito importante o que tenho pra falar com ela.
— só um instante.
Estela não tinha esperança alguma de que Laura a receberia, mas o que ela não sabia é que Laura é tão debochada que não perderia a chance de tripudiar em cima da mãe de sua rival.
— pode subir – disse a voz feminina do outro lado, para o espanto de Estela.
Quando Estela entrou ela levou um susto. Ela nunca havia estado em uma casa tão grande.
— queria falar comigo? — disse Laura entrando na sala onde Estela havia sido conduzia para esperar.
— mas você já é rica – disse Estela com estranheza no rosto – eu achei que você queria ficar com o Pedro por ser uma oportunista, mas você já é rica.
— como é? — perguntou Laura que estava segurando o riso.
— eu sou a mãe da Sônia.
— eu sei exatamente quem você é.
— você já é rica, então porque tanta maldade com a minha filha?
— e você está me acusando do que exatamente? — perguntou Laura.
— eu te vi aquele dia no aeroporto, eu sei que foste tu quem armou pra minha filha ser presa!
— cuidado com o peso de suas palavras, você está dentro da minha casa.
— eu não vim aqui pra brigar nem nada, eu vim pra te implorar como uma mãe. Eu sei que minha filha não fez nada e você também sabe.
— volto a dizer minha senhora, não faço ideia do que a senhora está falando – a expressão cínica de Laura deixava Estela com muito ódio, mas ela conseguia se manter.
— Sônia terminou tudo com o Pedro, ela não quer mais falar com ele pois ele não acreditou na inocência da minha filha, ou seja, ele está livre pra você, você não pode ser tão má assim, deixar a minha filha ir pra cadeia por um crime que ela não cometeu.
— a minha senhora, você vai me desculpar mas eu realmente não sei do que a senhora está falando. Se a sua filha é uma traficante você não pode culpar os outros pelos erros dela, você vai me desculpar.
Estela então perdeu o controle e deu um tapa na cara de Laura.
— você lava essa boca pra falar da minha filha, ainda mais sendo que foste tu quem armou isso pra ela! — gritou Estela.
— você sai da minha casa agora ou eu vou te meter na cadeia junto com a tua filha – gritou Laura – chama a segurança Celina, chama a segurança pra tirar essa mulher daqui – gritou para a empregada.
Estela foi levada para fora da casa.
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