Superwholock - Os Suspeitos Incomuns
11 Regra nº 1: Nunca esqueça a água benta
Notas iniciais
Irene Adler checou o celular pela sexta vez nos últimos cinco minutos. Ela não tinha certeza do que estava esperando. Certamente não era um sms também. Olhou outra vez para a tela do celular quando ele vibrou em sua mão e suspirou fundo.
– O que faz você ter tanta certeza de que eu preciso de.. qualquer tarefa que você for me pedir? Sei que não está me ligando assim por acaso...– ela perguntou antes que ele dissesse qualquer coisa.
– Ah minha coisinha querida – a voz do outro lado da linha murmurou parecendo um gato preguiçoso descansando no sol – Do jeito que você andou se escondendo em Qatar, pegando um clientezinho qualquer e esperando que ninguém importante percebesse que você passava minutos olhando pro tique taque do relógio, entediada como uma bêbada velha – ele riu – É óbvio que você deve estar morrendo pra fazer algo importante.
Irene engoliu em seco. A maneira como ele disse morrendo não fez aquilo parecer com uma simples conversa nem mesmo como uma oferta. Foi mais como uma ordem. Então ela limpou a garganta e se recompôs.
– Essa insinuação era para me fazer sentir pior?
Silêncio do outro lado.
Irene respirou fundo. Santo Pai. – O que posso fazer por você hoje Sr. Moriarty? – perguntou, esperando que ele não ouvisse o tremor em sua voz mesmo sabendo que ele provavelmente já tinha notado.
Ela pode ouvir seu sorriso de cobra do outro lado da linha. — Pegue uma caneta, gata.
Em menos de três horas, com apenas três documentos falsos, duas identidades roubadas, e um passaporte, ela não só voltou á Londres. Ela estava de volta em grande estilo.
É. Moriarty certamente sabia como tratar uma dama. Mesmo que ela nunca tenha visto pessoalmente o cara, ele parecia saber exatamente o tipo que faz cócegas em suas fantasias; como closets preenchidos com roupas de última moda, a melhor lingerie, e as jóias mais caras.
E, em seguida, ela recebeu uma segunda ligação.
– Diz pro cliente que não vai ser mais necessário — disse, pintando as unhas dos pés de vermelho — Eu trabalho melhor sozinha.
– Ainda não é a sua querida assistente — disse Moriarty. Ele parecia distraído. Talvez por causa do som constante de máquinas pesadas no fundo. – O cliente insiste. “É Seguro!” ele diz. — a julgar pelo seu tom de voz, ele estava bastante contente com a situação em que ela estava.
Irene terminou de soprar as unhas e começou a passar o esmalte outra vez. — Não há nada a ser feito sobre isso, eu acho — ela suspirou. — Mas não deve ser um problema muito grande porque...bem — ela sorriu. — Eu gosto de dar ordens.
– Hum e eu acredito que você não é de misturar negócios e prazer ... — seu tom ficou vazio de repente . – Curiosidade gata ... como diz o ditado. Aprendemos a nossa lição ... não é?
Irene se inclinou para trás. Sua boca fechada numa linha fina. -Tudo bem. — disse, quase num sussurro. Ela esperou, prendeu a respiração para ouvir a resposta dele. Ela esperou como se tivesse passado horas até que finalmente a linha do outro lado se desconectou.
E agora ali estava ela, sentada com um café na mão, esperando para entrar em contato com o tal cliente, aparentemente um associado de Moriarty. Pelo menos o trabalho poderia valer á pena. E isso apenas se ela não podesse perdê-lo na primeira oportunidade. Ou na segunda. Porque não havia nada mais repugnante do que um homem com privilégios, especialmente considerando que a palavra privilégio geralmente parecia colocar ela e seu corpo na equação.
Ela suspirou e brincou com a borda de um guardanapo, parecendo entediada enquanto mantinha vigilância constante pelo tal homem. Tinha um senhor gordo em um terno — graças a Deus ele estava andando para o outro lado da cafeteria — e outro cara barbudo que veio para o estabelecimento claramente consciente disso, mas ele passou por sua mesa e deslizou para um assento em frente a uma mulher que era muito jovem para ser sua esposa. Ele manteve as mãos debaixo da mesa enquanto puxava a aliança de casamento, guardando-a no bolso. Irene deu um pequeno bufo, revirou os olhos e voltou a brincar com o guardanapo. Homens.
Mas então ela olhou para cima e congelou bem onde estava sentada. No mesmo instante, reajustou-se, mascarando sua linguagem corporal, mas incapaz de tirar os olhos da mulher. Ela era jovem, mas não mais que cinco anos mais jovem do que Irene. Tinha um rico cabelo caramelado, que descia pelos ombros em cachos soltos para enquadrar o rosto em forma de coração e olhos bastante azuis. Usava um vestido cinzento envolvido em torno de seu corpo, deixando pouco da cintura para cima e descendo até os joelhos; mostrando as pernas o suficiente para manter o interesse de qualquer um.
Irene não pôde deixar de sorrir e rir de si mesma enquanto olhava as pernas da outra mulher. As coisas que ela gostaria de fazer com alguém tão em forma ...
E então o inesperado...
A jovem olhou diretamente para Irene e começou a caminhar em direção a ela. Irene não se moveu, simplesmente inclinou a cabeça e olhou para trás. Não fazia nenhum sentido recuar agora. Ela claramente tinha sido capturada . Recostou-se na cadeira, descruzou as pernas e alisou sua saia. Pensou rapidamente em sete desculpas possíveis e três maneiras de convidar a mulher para seu apartamento, abriu a boca para falar, quando as coisas tornaram-se ainda mais interessantes.
A mulher estendeu a mão para ela, um sorriso puxando os cantos de sua boca. Um rapido flash de dentes muito brancos apareceu e então ela falou. — Irene Adler, eu presumo.
Irene sentiu seu rosto reagir sem a sua permissão e rapidamente a surpresa reinou em sua expressão. — Você presumiu corretamente. — disse ela, apertando a mão dela, em seguida, apontando para a cadeira na sua frente – Uh me desculpe. É que eu não estava esperando-
– Uma mulher? — Disse ela, ainda sorrindo.
Irene não pôde deixar de sorrir também. — Irônico, não é?- disse, enquanto a observava escorregar no assento. — Passei toda a tarde me preparando para lidar com qualquer gonorréia ambulante, e ...- Irene riu. — Bem, vamos apenas dizer que eu estou muito feliz em te conhecer. Hm,acho que esqueci o seu nome..?
– Bela Talbot — disse ela, colocando um tornozelo atrás do outro.
– E ... — Irene olhou para o celular de novo, depois de volta para Bela. – Qual é exatamente a sua especialidade, Bela?
– Eu adquiriro itens raros para uma clientela seleta, — ela imediatamente respondeu. Sua expressão mudou um pouco, mas o sorriso permaneceu. — Ou melhor ... eu costumava fazer isso. Atualmente trabalho exclusivamente com um cliente.
– Hm,um cavalheiro chamado Crowley, segundo me foi dito, — disse Irene. Ela hesitou por um momento antes de acrescentar: Você não soa particularmente satisfeita com a situação.
Bela olhou para cima através de cílios escuros. — Não, isso é ... — Ela limpou a garganta. — O senhor Crowley só me presenteou com uma ... oportunidade rara. Eu não poderia estar inteiramente satisfeita com os termos do meu ... — Ela disse a próxima palavra em voz baixa, quase hesitante a falar em voz alta. — Contrato, mas ...- Ela forçou um sorriso. — Poderia ser muito pior do que trabalhar para Anthony J. Crowley ... acredite em mim.
Irene decidiu não pressionar muito e mudou o assunto. — Bem, mudando de assunto, então ... Eu suponho que você tenha sido informada sobre o objeto que Sr. Crowley quer que nós procuremos.
– Não em minimos detalhes, mas sim — disse Bela. — Eu sei disso.
Irene assentiu, começando a escrever notas em seu telefone. — E o Museu Britânico?, — Perguntou Irene. — Você está familiarizado com o sistema dele?
– Não muito, eu tenho medo na verdade — Bela admitiu. — Eu não estive lá desde que eu era uma garotinha.- depois do olhar de Irene, ela acrescentou: E eu não gastei muito do meu tempo no exterior. Os americanos parecem ser mais ... gananciosos, como um todo.
Irene sorriu e olhou de volta para seu telefone. — Sério? Eu devo estar no país errado então. Bem, eu tenho algumas mark-ups e coisas sememlhantes no meu apartamento. – Ela piscou — A menos que seja cedo demais para te chamar...
Bela sorriu. Ela desenrolou o guardanapo, colocando os talheres para um lado e depois alisando o guardanapo sobre o colo. — Que tal você me comprar o almoço primeiro ... depois a gente conversa.
Irene sorriu. Em um toque, ela fechou o telefone dela e colocou no canto da mesa. — Concordo.
***
Algum tempo depois, John chamou o grupo para se juntar na cozinha. Havia duas grandes páginas presas à parede vazia da cozinha e ele estava ocupado instruindo-os todos sobre a próxima "missão".
– Cara você tem certeza de que ele era um doutor?- Sam murmurou para Sherlock.
O moreno apenas sorriu.
– Agora, sobre quem vai pra onde — John continuou, se virando para encarar os outros. — Eu acho que seria melhor dividir os Winchesters. Dessa forma, cada grupo tem alguém que...vocês sabem... já deu de cara com um demônios antes.
Sam e Dean se entreolharam, mas não disseram nada.
– Agora, como Dean deixou claro antes , — John continuou, — ele preferiu não ir com o Doutor, o que é bom. Isso coloca Sam no meio. No entanto, considerando que o Doutor não vai levar nehuma arma de qualquer espécie, achei que era melhor que eu acompanhasse ele e Sam. Fornecer um suporte adicional sabe? Isso significa que você e Sherlock vão juntos para a outra localização.
– Oq-Eu tenho que ir com ele? – Dean fez uma careta.
Sherlock suspirou. — O sentimento é mútuo.
John deu a ambos uma olhada. – Bom, Sherlock sabe o caminho de volta e você Dean tem muito mais experiencia demoniaca , certo? Além disso, lembrem-se ... isso não é uma tentativa de infiltração, é só uma observação. Se parecer que tem demônios de qualquer tipo lá, então vamos informar a TARDIS e nós vamos decidir o que fazer a partir daí. Então não tem essa de heroísmo, e é bom não fazer nada precipitado e estúpido. Ok Sherlock?
Sherlock bufou. — Quando é que eu fiz algo precipitado e estúpido?
John suspirou e não tentou insistir no assunto. – Otimo. Vamos fazer o que temos que fazer.
Essa foi à deixa para o Doutor sorrir e gritar um longo "Allons-y!"
***
Dean e Sherlock sairam da TARDIS e pularam sobre o cascalho. Ambos observaram a TARDIS desaparecer na frente deles com aquele barulho que lembrava a turbina de um avião com o qual estavam ficando tão acostumados. Dean respirou fundo, colocando sua arma na parte de trás da calça. — Ok, então é esse estacionamento?
– Um bloco a partir daqui, — Sherlock disse, apontando. – Lá . Vê?
– É eu vejo, — o loiro murmurou, pegando a mochila e então agarrou o ombro de Sherlock. — Hey, hey, whoa, calma lá parceiro — disse ele. — Antes mesmo de chegar perto desse lugar, eu preciso saber se você vai seguir minha liderança.
– Enquanto a sua liderança for sensata... — disse Sherlock.
– O que é que isso quer dizer?
– Isso significa que, — ele demorou, — que a partir daqui eu posso pegar dois carros de polícia e uma fita isolante. Algo está acontecendo aqui. E nós precisamos dessas coisas pra entrar.
– Ué eu pensei que nós estávamos apenas observando. — Dean murmurou. — Esse era o plano, certo?
– Me diz uma coisa Dean, — Sherlock disse, verificando a arma que tinha escondido no bolso interno de seu casaco, — Quantas vezes na sua vida você realmente soube entrar de cabeça num plano sem saber porque ele foi planejado? Ah claro, sem falar quantas vezes você realmente seguiu o plano em si .
Os lábios de Dean se franziram. — E o que você tá sugerindo?
Sherlock deu de ombros e colocou a arma de volta em seu casaco. — Não é uma grande coisa, se trata apenas de observar. Mas de um outro modo.
Dean não poderia deixar de sorrir. — Você sabe, essa pode não ter sido a melhor ideia... mas nós dois vamos juntos.
– Talvez não, talvez sim, — Sherlock concordou.
Dean deu um suspiro e de uma só vez, os dois soltaram uma risada baixa. – Ok então Sherly. Vamos fazer isso.
***
O Doutor estacionou a TARDIS e então mudou quando John observou como estranha a caixa azul parecia parada ali , finalmente terminando estacionada em algum lugar atrás de um pequeno canteiro de obras um pouco além do estacionamento.
– Parece abandonado — disse John.
– Mais uma razão para estar sob a nossa guarda — Sam murmurou.
– Sim, bem, — o médico disse, olhando para sua TARDIS uma última vez. — Vamos tentar não ficar muito nervosos, okay?
– O que devemos esperar?- John perguntou quando eles começaram á andar em direção ao prédio de concreto. – Quero dizer, se tiver demônios?
Sam começou a vasculhar na mochila que descansava em seu quadril. — Bem, em primeiro lugar ...- Ele pegou duas garrafas plásticas de água, jogando uma para o Doutor — que a apanhou com uma mão e outra para John, que se atrapalhou um momento antes de pegar de uma vez.
– Hã, garrafas de água?, — perguntou John achando que o Winchester mais novo estava fazendo alguma espécie de pegadinha.
– Agua benta, — disse Sam. — É como ácido para demônios. Ah, espera, — ele disse rapidamente quando o Doutor levantou uma das sobrancelhas — o que eu quero dizer é ... ela realmente não queima ou derrete a sua pele, ela apenas ... sabe ... dá umas picadas no demônio. Olha ... não há nenhuma maneira de saber o que é um humano e o que é um demônio a menos que você jogue isso. Então, só ... – ele fez uma breve imitação de como jogar a água. — Se eles forem demônios ... corra como o flash. Se eles estiverem bem, então só sobra a parte em que você é estranho e esquisito.
– Certo, porque eu não entendi isso o suficiente, — John resmungou. Ele acenou para Sam. — Eu vou ir pro lado leste do prédio. Você pega o oeste. Doutor, você está comigo. Vamos fazer isso rápido.
– John,- o Doutor repreendeu provocando. — Você quase soou como se não confiasse que Sherlock pudesse ficar longe de problemas.
– Isso é porque eu não confio nele para ficar longe de problemas -, John suspirou.
***
– Esperem um momento.
– Alguma coisa errada, Oficial? -, Perguntou Sherlock, ele e Dean parando na frente dos dois policiais
– Eu tenho medo, não podemos deixá-los aqui,- disse o homem da polícia. — O lugar esta fora dos limites agora. Totalmente condenado .
– Que é exatamente por isso que estamos aqui-, disse Sherlock, enfiando a mão no bolso e sacando um distintivo. — Inspector Doyle de Saúde e Segurança. Esse é o meu assistente, Sr. Conan. Viemos para examinar a rede de gás.
O oficial olhou para Dean, então de volta para Sherlock e o distintivo. — Desculpe senhor, mas não fomos avisados para esperar ninguém...
Sherlock revirou os olhos. — Você realmente quer falar com meu superior? Porque eu prometo pra você, ele vai ficar irado. Ainda mais se essas redes de gás não forem adequadamente tratadas nas próximas ... — ele deu uma olhada no relógio. — Três horas. Me diz, você quer explicar por que três quarteirões da cidade entraram em erupção, devido à sua aparente negligência? Não? Então eu vou estar agradecendo a você se puder sair do nosso caminho.
O oficial estava em movimento antes de Sherlock tivesse terminado de pronunciar a frase. — Certo, é claro ... não quero nenhum problema em- Mas que porra f..?! — O policial olhou para os sapatos e as calças, agora encharcadas com a água que Dean tinha derramado sobre ele.
Sherlock agarrou Dean e empurrou-o em direção ao estacionamento. – Perdoe meu assistente. Terrivelmente desajeitado. Eu estou sempre procurando por um substituto, mas isso inclui os cortes no pagamento e etc, se é que você me entende.
– Claro, tudo bem, seja o que for, só ... — O policial gesticulou para que eles fossem logo.
– Ótimo. Tenham uma esplêndida tarde -, disse Sherlock, dando um largo sorriso por cima do ombro. No momento em que ele se virou, o sorriso desapareceu. –Idiotas.
Dean esperou até que eles estivessem fora do alcance dos policiais, então, perguntou: Onde que diabos você conseguiu esse distintivo?
– Eu não consegui, — disse Sherlock, segurando o invólucro de couro. — Papel psíquico. Mostra tudo o que eu quero que eles vejam.
Dean olhou de lado. — Não é do Doc? — seus olhos se arregalaram. – Puta merda você roubou isso do Doutor ?!
– Ele estava sendo irritante- disse Sherlock.
– Sim, nesse caso... — Dean riu. — Lembre-me de nunca te dar nos nervos.
– Tarde demais para isso -, disse Sherlock. — Infelizmente, não tem nada de interessante sobre você no momento.
Dean piscou. — Eu não sei se eu devia ficar com raiva ou impressionado.
– Então, o oficial, — Sherlock disse, olhando para a frente. — Suponho que sua reação ao esguicho de água benta significa que ele estava 100% normal.
– Sim, mas eu não verifiquei o parceiro dele — disse Dean. – Pode me chamar de paranóico, mas eu vou ficar observando ele como um falcão.
– Você não vai fazer nada do tipo -, disse Sherlock.
– Por que não?
– Por favor, — ele disse, revirando os olhos. — Se você está tentando ser esperto e fazer parecer como se estivesse suposto á estar em algum lugar, a última coisa a fazer é continuar olhando para as pessoas como se você fosse suspeito.
– Oh não me diga, sr gênio da lâmpada magica — Dean retrucou. — Eu não tô falando como se tivesse de andar atrás, olhar para ele e fazer gestos ameaçadores. Eu só tô dizendo que se ele aparecer no edifício enquanto nós estamos procurando, eu vou me jogar na frente dele e banhar sua bunda com água benta. — Ele deu a Sherlock um olhar de soslaio. — Você realmente não achou que eu fosse tão estúpido, né?
Sherlock devolveu o olhar com uma única sobrancelha levantada. -Você está perguntando minha honesta opinião, ou isso é retórico?
–Cala a boca.
***
– Como estavam as coisas do seu lado? — perguntou John.
– Tudo totalmente limpo, — Sam suspirou. -Nem uma pegada sequer.
– Nada do nosso lado também, — John murmurou, olhando ao redor do estacionamento vazio. — Acho que ninguém estaciona aqui há anos. — Ele virou duas vezes para olhar sobre seu ombro. — O que você acha , Doutor? Voltar para a TARDIS? Reagrupar? — Quando ele não respondeu, John repetiu, — Hm, Doutor?
– Muito arrumado, esse lugar, — ele murmurou de um jeito meio solene , caminhando ao longo da parede que se erguia no meio da estrutura.
– É — Sam disse com uma risada, — Ele tá abandonado.
– Nnnope — o Doutor disse, chutando a parede com o pé. — Não, lugares abandonados são aqueles onde você geralmente encontra um monte de garrafas de vidro e lixo e sujeira carregada pelo vento. Maços de cigarro deviam estar espalhados em todo o lugar , certo? Mas aqui....nem umzinho. Isso não parece um pouco estranho pra vocês?
John e Sam trocaram um olhar. — Mas, hm ... nós já checamos tudo — disse John categoricamente. — Perímetro, pisos superiores, o lote inteiro-
– Não é bem assim que eu quero dizer ... — O Doutor deu de ombros, empurrando de lado uma grande e pesada placa de madeira. — A maior parte dele, mas ... Ele puxou a chave de fenda sônica, apontando-a para as vigas de aço que sustentavam a argamassa da parede. Houve um baque pesado e a parede deslizou para um lado para revelar uma escada de ferro que levava para baixo, para o subsolo. O Doutor olhou para Sam e John, sorrindo como um bobo . – Olhem isso! Mais coisa pra checar ! Isso é brilhante, muito mesmo. — Ele deu um pulo e começou a caminhar para a escada. – Vocês vão vir ou não ?
– Tem certeza que é uma boa idéia? — , perguntou Sam — Talvez devêssemos voltar? Pegar Dean e Sherlock, antes qu-
–Hey vocês!
Os três se viraram para ver um segurança andando na direção deles com lanterna na mão.
– Droga, — John murmurou, certificando-se de que sua arma estava escondida no bolso da jaqueta.
– Isso aqui é uma propriedade privada! -, O guarda gritou. Caminhando em direção a Sam e John. — Vocês não tem permissão para estar aqui!
– Olha, só estamos aqui por causa do meu vizinho que tinha desaparecido, — disse Sam, apontando para John.
– Isso — disse John, continuando de onde Sam parou. — Ele e os rapazes da escola às vezes vêm aqui, chutar uma bola de futebol e tudo. Nós não o vemos desde que ele disse que estava hospedado na casa de um de seus amigos na noite passada. Então, a mãe dele, eu e meus amigos estamos andando pelos quarteirões para encontrar os amigos dele e perguntar-
O segurança estava balançando a cabeça. — Bem, eu vou ter de lhe pedir para ir-
– Se importa se verificarmos o porão primeiro ?, — perguntou o Doutor, apontando o polegar para as escadas.
– Na verdade, sim, eu me importo, — o homem retrucou. — Agora, vocês todos tem que vir comigo, ou eu-
John esteve fingindo beber sua garrafa de água durante toda a conversa, escolhendo aquele exato momento para acidentalmente se atrapalhar com a garrafa e derrubar tudo no segurança. Antes que ele pudesse sequer murmurar um pedido de desculpas, ele estava olhando para algo que deveria ter sido impossível.
Os olhos do homem tinham ficado pretos como carvão. Preto sólido. Nada de branco, nada de pupilas, apenas.. preto. E ele estava cambaleando para trás, gritando. A água ferveu quando fez contato com sua pele, soltando pequenas e espessas nuvens de fumaça no ar enquanto o homem arranhava seu rosto. John quase deixou cair a garrafa no chão quando Sam a agarrou, jogando o resto da agua no homem e empurrando loiro para o lado do Doutor.
– CORRAM! VÃO, VÃO!!
E então o instinto tomou conta. Anos de treinamento militar e disciplina e ele estava correndo na direção do Doutor que estava conduzindo ambos na direção da porta que dava para o porão. As longas pernas de Sam o levou mais rápido e ele abaixou-se para a escada pouco antes de John, e o Doutor correu atrás deles.
John olhou para trás apenas uma vez para ver o oficial lutando, a pele ainda fumegando e seus gritos ecoando no estacionamento, até que o tom dos gritos virou um estrondo monótono. O Doutor empurrou John para fora do caminho, correndo para um painel na parede e apontando sua chave de fenda sônica para ele. — Vamos , vamos ...
O segurança já estava de pé novamente. Havia uma arma em suas mãos. Uma bala ricocheteou na parede da escada, levando Sam e John á se protegerem.
–Jesus! — John engasgou.
Sam estava respirando com dificuldade, deixando cair o saco no chão e tirando sua espingarda. — Doutor!
– Espera! Espera — Ele gritou. — Quase consegui!
O oficial estava correndo agora. Um outro tiro, desta vez acertando na parede no extremo da sala escura.
– Doutor! — Sam gritou.
– Quase ... — O painel acendeu. — CONSEGUI!
A porta fez o mesmo barulho, deslizando a fechadura com um baque pesado.
John engasgou novamente, pressionando as duas mãos contra seu rosto quando ele caiu contra a parede, deslizando no chão.
O Doutor jogou a chave de fenda no ar, observando-a girar e em seguida, deixando cair de volta na sua mão, sorrindo. – Nem precisou disso- Ele apontou para a espingarda. — Você pode colocar de lado agora.
John olhou entre os dedos, ainda balançando a cabeça. Quando Sam deu um passo na sua direção, ele olhou para o rapaz alto. — Isso foi ... e-ele era um-
– Demônio, — ele murmurou. — É. Ele estendeu a mão para John, que olhou para o chão um minuto antes de pegar a mão de Sam e deixando-o puxá-lo de pé. — Precisamos voltar para a TARDIS.
– Cerrrto — o Doutor murmurou coçando atrás da nuca – Sabe, eu hã ... talvez tenha selado a entrada.
– Você talvez tenha selado? — Sam repetiu franzindo o cenho .
– Eu não estou recebendo sinal aqui embaixo, — disse John, com um celular na mão, levantando o objeto até o teto. Ele ficou andando num círculo ao redor da sala. -Gente, eu não tô recebendo sinalização.
Sam olhou para o Doutor. – Maravillha. — ele resmungou. -Então ... o que vamos fazer a-
– A única coisa que podemos fazer, nesse momento, — o Doutor disse olhando em volta – Continuar andando.
– Continuar and- Sam apontou para uma outra porta na extremidade distante do porão — Pode ter um bocado de demônios lá cara.
– Super emocionante, né?, — ele sorriu.
Sam piscou. — Hã, não. Não é nada emocionante.
– Um pouquinho emocionante,- John sussurrou em um tom um pouco histérico, mas não parecia que ele tinha a intenção de expressar o pensamento em voz alta.
– Certo, talvez vocês não estejam entendendo a situação,- disse Sam, mantendo seu nível de voz.
– Nnnope, — disse o médico. — Não a compreensão, só ... — Ele apontou para a porta agora bloqueada. — Não há outras opções.
Sam deixou escapar um longo suspiro. Ele virou-se para John. – Tem outra ideia melhor?
– Nenhuma outra maldita idéia,- John murmurou, empurrando o telefone de volta no bolso.
Sam olhou para o Doutor. — Você sabe se alguma coisa ou alguém poderia estar lá esperando por nós?
– Ah sim, — o Doutor sorriu.
Sam passou as duas mãos sobre o rosto. -Tudo bem. Tudo bem , vamos lá...você primeiro.
– Brilhante, — o Doutor disse, correndo em direção à porta.
John e Sam trocaram um olhar.
– Eu tenho um mau pressentimento sobre isso, — John murmurou.
Sam balançou a cabeça, quase para si mesmo. — Você e eu. — disse ele.
***
Sherlock virou-se ao som de passos. — Você encontrou alguma coisa?
– Nada — Dean disse, brilhando a lanterna ao redor do estacionamento. -E eu chequei duas vezes.
– Eu também, — disse Sherlock.
– Acha que nós chegamos no fim da linha aqui?
Sherlock olhou em volta da garagem, para as longas sombras sobre os corredores escuros de cimento. – Me preocupa que esse seja o caso, mas ...
Dean franziu a testa. -Mas o quê?
Sherlock deu-lhe um olhar de soslaio. -Eu não consigo me livrar dessa sensação de que não estamos sozinhos aqui.
Dean sorriu. — Você tá nervoso, Sherly?
Sherlock revirou os olhos. — É isso Dean Winchester, é por isso que ninguém confia em você. — antes que Dean pudesse responder, Sherlock estava andando em direção de onde tinham vindo. -Bem, não há nada a ser feito aqui. Talvez seja melhor voltarmos ao ponto de encontro.
O tempo para um retorno mal-humorado tinha ido e vindo, então Dean apenas se arrastou atrás de Sherlock. Ele talvez tenha tirado sarro do detetive, mas ele podia sentir isso também. Uma coisa na espreita como se algo observasse os dois, esperando por alguma coisa. Era como se ele pudesse sentir um olho na parte de trás de sua cabeça; sentir algo agarrar a sua garganta com mãos fortes e frias. Estava bem atrás dele, mais perto agora. Alcançando. Os dedos transformaram-se em garras afiadas, movendo-se para arrancar-lhe o pescoço, e-
Dean se virou, piscando para o estacionamento vazio. Apenas poeira , silêncio e um saco de Ruffles arrastando no vento.
– Dean?
Ele se virou novamente. — Oque?
Sherlock estava olhando esquisito para ele. — Eu disse, você vem?
Dean esfregou distraidamente o seu pescoço, olhando para trás uma última vez antes de seguir Sherlock para fora do estacionamento. -Sim ... eu... já tô indo.- e então ele olhou para trás outra vez antes de balançar a cabeça e rir. — Vocês britânicos têm uma senso meio bagunçado sobre design.
–Como assim?
– Vocês não acham que anjos são um pouco demais pra um estacionamento?
– Que anjos?
Dean virou, apontando. –Aqueles bem al.... — ele franziu o cenho. Alguns segundos antes havia estado duas estátuas de anjo na frente e no centro da fachada do estacionamento, agora não tinha mais nada. As sobrancelhas de Dean subiram. — Uow.
– O Quê?!
Dean olhou por mais um momento, em seguida, virou-se com um encolher de ombros. – Talvez esteja começando á ver coisas.
– Agora, quem é a pessoa nervosa? — Sherlock olhou de lado.
– Fofo — ,Dean murmurou, batendo no ombro de Sherlock com sua lanterna. -Olha, vamos voltar para o ponto de encontro. Se não encontramos nada até agora ... Eu nem quero saber o que Sammy e os outros estão procurando.
***
– Tá limpo.
John desviou para o corredor atrás de Sam, a arma na mão. Ele fez um gesto em direção à parede do corredor, e Sam balançou a cabeça, pressionando as costas contra a parede que beirava a outra sala e deslizando até que ele estava quase chegando na porta. John andou novamente em direção à porta, a arma levantada quando ele entrou na sala. Seu olhar varreu de canto a canto, até o teto, em seguida, para o chão. Ele analisou atráves dele e então murmurou, — Limpo.
Sam deu um passo ao lado dele, a espingarda nas mãos, o Doutor atrás do dois. John olhou para Sam. — Isso é estranho, você não acha?
– Nos aproveitamos do “vamos lá”, pra nada? — Sam soltou um suspiro, baixando a espingarda. -Doutor, sério?
O Doutor havia pegado celular em cima de uma mesa e tinha colocado um par de óculos para examiná-lo. Ele puxou a chave de fenda sônica e apontou-a para o objeto. Tudo de uma vez, as imagens e as mensagens começaram a aparecer rapidamente na tela. Deu uma olhada nele sem piscar, em seguida, abaixou o celular – Isso é dela. O alienígena que estamos procurando, esse é o telefone dela.
–Como pode ter certeza?,- Perguntou John.
O Doutor ergueu o celular novamente – Isso foi ligado apenas por cerca de duas semanas, algumas mensagens, imagens, uma mensagem de voz do patrão-
– É esse um dos grandes chefões?, — Perguntou Sam. — Um dos grandes que estamos procurando..?
Ele balançou a cabeça. -Não sei. Eu não penso assim na verdade. Essa não parece ser a atitude de alguém que quer ganhar dinheiro ou promover um plano. É mais como se ela estivesse tentando se encaixar.
–O Quê? Se encaixar ? , John repetiu. – Você quer dizer tipo ...tentando se tornar um ser humano qualquer e fingindo ser livre e normal?
– Beeem eu não diria isso, — disse o Doutor , colocando o celular no bolso da jaqueta. — Não é fácil ser um ser humano, muito menos fingir ser um. Esse mundo é enorme e ao mesmo tempo muito, muito pequeno, e depois ainda tem toda aquela coisa sobre a evolução humana e, claro, todas essas emoções e sentimentos! E tabus sociais e-
– Eu pensei que estávamos caçando criminosos perigosos, — disse Sam.
O Doutor olhou para cima, puxando os óculos. — Primeiro, não estamos caçando ninguém. Nós estamos só observando eles. Segundo ... — Ele deu de ombros. — Devem ser perigosos, sim. É, provavelmente são, mas ... — Ele balançou a cabeça. – A justiça nem sempre é justa. Quantas vezes você já viu humanos mandados pra prisões mesmo sendo inocentes? — O Doutor sorriu. — Os seres humanos certamente não são corruptos o tempo todo, Sam Winchester. E essa espécie alienígena também não.
– Você acha que ela ainda está aqui? — John perguntou quando o Doutor continuou bisbilhotando os vários itens sobre a mesa. — Talvez nós não estejamos encontrando nada, porque eles já seguiram em frente.
– E deixar tudo isso para trás?, — o Doutor agitou o telefone no rosto de John. — Não. Não, quem quer que esses demônios sejam, eles são muito espertos. Inteligentes demais para deixar provas pra trás. Pelo menos evidências como ess ... Olá, o que temos aqui?! — usando sua chave de fenda sônica, o Doutor pegou um colar. Era o mesmo que o Sam tinha visto ele pegar do outro alienígena. O primeiro que eles encontraram.
O queixo de Sam caiu. — Ah, é aquela coisinha!
– Yep, — o ele disse, olhando ao redor da pequena sala. — É a coisinha. Mas onde está o dono?
– Se eles pegaram o colar dela, devem saber que ela não é humana, — disse John. — Até agora, eles provavelmente descobriram que ela deve ser alienígena.
O Doutor empurrou sua mandíbula pra frente com um suspiro. -Ah, eu acho que eles sabiam com antecedência, — murmurou. — Isso é muito inteligente. Tudo isso. O que você acha, Sam?
– Sei lá — , disse o moreno. – O que demônios iriam querer com um alien tá além do meu entendimento.
John fez uma careta, encolhendo os ombros. — Talvez eles estejam curiosos.
– É eu pensei nisso. — Sam disse, concordando. — Mas se fosse só isso, então ... por toda a precaução? Por que aquela toda coisa planejada no apartamento dela? — ele suspirou. — Não sei ... isso realmente tá me estranhando pra caramba. Seja o que for, você sabe que não pode ser coisa boa.
John assentiu para si mesmo. — Certo ... bem ... o que quer que seja a situação, o plano permanece o mesmo. Nós encontramos os fugitivos, levamos de volta pro Justicarn, e ... — John olhou para trás de Sam na sala agora vazia. Ele franziu a testa. -Doutor? — No mesmo instante, ele estava do outro lado da sala, inclinando-se para o corredor de onde eles tinham vindo. — Doutor ?!
– Você só pode estar brincando comigo — Sam murmurou, em voz baixa, em seguida, gritou: Doc!. A palavra ecoou pelos corredores que eles ainda tinham que explorar, e nos cantos mais além. -Droga.
John estava balançando a cabeça quando ele puxou a arma das calças novamente. — Vire as costas por dois segundos e...
–É como cuidar de um bebê, — Sam resmungou.
– Não , — John murmurou, inclinando a pistola. — É como estar com Sherlock.
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