Superando o passado
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Pov Felicity
Nesse momento estou no trabalho que eu devia estar trabalhando, mas esse não é o caso. Já são quase cinco horas da tarde e eu não consigo me concentrar. Tenho que entregar um relatório até o final do expediente e eu nem comecei. A razão disso é Oliver Queen, eu não consigo parar de pensar na noite que tivemos e quão intenso foi tudo aquilo. Esse beijo não sai da minha cabeça e toda situação. Eu nunca me senti tão desejada em toda minha vida é uma sensação nova. Tirando Ray e Barry com quem eu tive algo curto e passageiro meus antigos relacionamentos foram todos caras babacas que queriam me exibir para suas famílias dizendo que tinham arrumado alguém descente na vida, quando na verdade pegavam a primeira vadia que aparecia na sua frente. Depois da minha situação com Oliver acho que minha sina é ficar com todos os meus amigos. Só faltava ele para terminar essa lista. Teve Cooper também eu cheguei a pensar que o amava, mas depois de um tempo ele começo a se juntar com o lado negro da força. Enquanto nosso grupo usava o conhecimento em TI para tentar melhorar o mundo ele começou com uma ambição fora do normal e sabotou algumas de nossas missões. Até que fui parar na cadeia por sua causa e isso foi à gota d’água. Foram os piores dias da minha vida, além de sofrer por ser presa injustamente sofri por saber que uma pessoa que eu acreditei que me amava me colocou atrás das grades. Nem sei que o que aconteceu com ele depois, espero que esteja apodrecendo na cadeia. Enfim, acho que todas essas decepções somado ao que sofri na infância me fizeram criar barreias caso alguém queria se aproximar. Oliver é uma das poucas pessoas que eu deixo ter um contato mais intimo. Não sei bem o porquê, mas assim que o conheci me senti segura ao seu lado mesmo sabendo do seu passado cafajeste no qual eu nunca aprovei.
Uma coisa é certa eu e Oliver já saímos da zona da amizade faz tempo é até difícil classificar o que temos. Esses beijos seguidos de provocações estão abalando minha sanidade. Droga eu não estou conseguindo manter o foco no trabalho, quando acho que vou começar alguma coisa lembranças da noite anterior invadem minha mente. Depois que chegamos do jantar fracassado da mansão Queen resolvi trabalhar nas minhas coisas pessoais. Já virou rotina passar algumas horas da madrugada em frente ao pc tentando investigar sobre as mensagens que venho recebendo. Geralmente coloco uma roupa confortável me sento na cama com o notebook e começo as pesquisas. As vezes levo alguma bebida para me manter acordada por mais tempo. Eram três horas da madrugada quando Oliver entra no meu quarto falando sobre Will. Eu quero muito me envolver com Oliver e me entregar a esse sentimento, mas esse episódio só me fez lembrar que minhas decisões agora não vão só impactar ele como também William. O pequeno ainda sofre bastante e se ele não aprovar uma aproximação minha com Oliver posso acabar o magoando. Eu não quero que Will sofra ainda mais ele não merece, tem que viver como uma criança. Sem preocupações, sem medo ou mágoas. Para isso ele tem que se sentir inserido na família, sei que só o tempo vai ajudar nisso, como já sofri quando criança e sei bem como funciona.
Olho para tela do computador e vejo um monte de palavras embaralhadas nas quais eu ainda não consegui decifrar. Boa parte das frases que da para formar não tem nexo algum. Tem alguma coisa nisso que não estou conseguindo ver.
--- E se eu trocar essa palavra aqui de posição, talvez faça algum sentido. Falo para mim mesma.
Isso é tipo um jogo de substituir símbolos por letras só que nesse caso são palavras. Com isso se formando a seguinte frase: “Vejo que você conseguiu decifrar nossas mensagens, tudo isso foi para provar que você é quem procuramos. Não se preocupe um de nós vai entrar em contato com você ainda hoje.” Será que devo ficar alerta ou é só algum babaca anônimo da internet. Como eu já trabalhei com um grupo de hackers fazendo trabalhos ativistas, pode ser que alguém esteja querendo se vingar. Tudo isso é muito estranho visto que já se passou tanto tempo. A Felicity francamente você vai dar trela para uma pessoa que você nem conhece. Quer saber eu vou embora antes que meu chefe pergunte pelo tal relatório que eu nem fiz. Amanhã invento uma boa desculpa.
Acabo de ter uma excelente ideia que pode ajudar Will e se sentir mais a vontade e quem sabe perder um pouco da sua timidez. Um cachorro pode ser uma boa, ter essa convivência pode ajuda-lo nesse momento e eu acredito que ele vai gostar de ter um animal para brincar. Eu mesma tenho vontade de ter um, só que tenho medo de não cuidar muito bem. Já consegui matar até um vaso de plantas. Pego minha bolsa e vou rumo a um pet shop, porém logo na saída da empresa sinto um cara musculoso me prender em seus braços enquanto uma de suas mãos passa um pano contra o meu nariz. Ele é duas vezes a minha altura e a grossura do seu braço me assusta. No começo fico me debatendo, mas logo o brutamonte trata de me apertar ainda mais. Sinto com se meus ossos estivessem sendo quebrados com uma facilidade incrível. Eu estou sem fôlego algum e o homem é bem mais forte que eu. Sinto-me sufocada e estou com dificuldades para respirar, acho que vou apagar. Após alguns segundos presa inalo um odor muito forte, minha visão fica toda turva para logo ficar preta e desmaiar nos braços do desconhecido. Minha cabeça está latejando e provavelmente eu ganhei uma enxaqueca.
Abro os meus olhos devagar e sinto uma luz forte vinda de um celular fritando os meus olhos. O mesmo homem bombado está na minha frente com um sorriso maroto nos lábios, o que só faz minha raiva aumentar ainda mais. Observo com mais cautela minha situação e percebo que meus braços estão amarrados com um nó apertado que prende a circulação do sangue assim como minhas pernas. Minha cabeça ainda dói fortemente e a luz sobre meus olhos só os fazem arder mais que o normal se tornando bem difícil mante-lôs abertos. Meu corpo se encontra dolorido como se eu tivesse sido jogada como um saco de batatas na caçamba de um caminhão.
—-- Vejo que a madame acordou. O homem fala. Observo que sua voz é grossa e firme. Não parecia disposto a negociar.
—-- Para onde estou indo? Pergunto na tentativa de colher informações.
—-- Para uma ilha deserta bem longe da cidade. Você se lembra da sociedade Anonymous? Ele fala com um sorriso estampado no rosto.
—-- Pera ai, então eu estou sendo coagida a ir para uma ilha deserta onde se encontra uma base deles? Pergunto apenas para confirmar o que já sei.
—-- Isso mesmo, garota esperta você. Ele fala ironicamente.
Não pode ser, estou indo para um lugar que está diretamente ligado ao meu passado no qual eu jurei esquecer. Tem como o pesadelo ficar ainda pior. Eu tenho que arrumar uma forma de sair daqui antes de amanhecer. Se eu ao menos tivesse alguma chance, mas com esse cara na minha cola fica difícil.
—-- Eu quero sair daqui. Eu não fui consultada para saber se eu queria essa viagem. Falo agora um tanto alterada, minha irritação só aumenta. Começo a me debater na tentativa falha de me soltar das cordas.
—-- Se você não colaborar com nossa viagem eu vou te colocar para dormir de novo, o que acha princesa? Ele diz Sussurrando ao pé do ouvido e passando suas mãos sujas pelo meu rosto. Em seguida estrala os dedos em minha direção numa clara ameaça.
—-- Tudo bem eu ajudo, prometo não tentar mais nada. Falo engolindo em seco. Agora que sei que estou indo para Anonymous caiu à ficha do real perigo que estou correndo. Eu achei que eles nunca fossem me achar ou até mesmo querer me procurar. Imaginei que tivessem pessoas mais interessantes para eles procurarem.
Olho em volta novamente e percebo que estou mesmo na caçamba de um caminhão e que outra pessoa está dirigindo. Fico alguns segundos em um silêncio ameaçador. O cara não tira o olho do celular enquanto eu fico de lado sem saber o que fazer. Um medo se instala no meu corpo e a vontade se chorar já é grande. Seguro-me ao máximo deixando apenas que algumas lágrimas escorram pelo meu corpo, eu não quero dar motivos para ele fazer algo mais contra mim. Começo a pensar nas pessoas que podem sentir a minha falta e instintivamente penso em Oliver. Um grande aperto se faz em meu peito e vejo o quão tola eu fui por não admitir logo meus sentimentos. Uma saudade imensa invade meu corpo eu sinto tanta falta dele, me sinto tão segura em seus braços. Sinto falta do Will também que já se tornou um grande amigo. Acho que nunca me senti tão sozinha e impotente.
—-- O que vocês querem comigo? Pergunto sem esconder minha indignação.
—-- Sabe Felicity, tem uma hora em nossas vidas que temos que pagar pelos nossos erros. E bem sua hora chegou. Ele falou esboçando um sorriso forçado.
—-- Como você sabe meu nome? Pergunto levemente irritada.
—-- Somos a sociedade Anonymous não tem nada a seu respeito que não saibamos. Ele comenta parecendo óbvio.
—-- É verdade tinha me esquecido.
—-- Sabemos do seu grupo de ativistas. Aliás, você tem uma ficha bem suja em senhorita Smoak combina bem com a ficha do famoso Dad. Depois desse comentário sua risada se torna despretensiosa.
—-- Pera ai Dad é o nickname que Noah Kttler usava na internet. Agora tudo faz sentido.
—-- Mais conhecido como seu pai. Não estou certo?
—-- Falando de forma biológica sim, mas eu não o considero mais meu pai. Nessa hora um aperto bem maior toma conta do meu peito. E me lembro de forma vivida de meus pesadelos. Como pode depois de tudo o que passei ele ainda está tentando entrar em contato comigo. Como pode ele ser tão babaca de me procurar depois de todos esses anos.
—-- Se lembra dessa regra bem simples? Uma vez na Anonymous sempre na Anonymous?
—-- Não. Aonde mesmo que você quer chegar com isso?
Essa conversa está me cansando e parece que não vai a lugar algum. Estou ficando louca eu quero sair logo daqui voltar para casa e abraçar meus meninos. Admitir para Oliver que eu o quero para sempre em minha vida. Quero poder estar envolta em seus braços me sentir segura e protegida. Estou tendo a chance de criar uma família novamente e não posso deixar essa oportunidade escapar. Às vezes eu sou tão teimosa que não entendo. Oliver mudou e para melhor, ele já provou que pode ser o homem da minha vida. Eu estou sempre complicando as coisas, não sei como ele ainda não desistiu de mim. Agora nessa situação eu nem sei se vou vê-lo de novo, se vou poder me declarar de forma honesta e dizer tudo o que sinto. Depois de mais alguns minutos no silêncio o homem torna a falar.
—-- Você pode ter se escondido por um tempo, mas sempre foi uma de nós.
—-- Nunca que eu vou me comparar a vocês. Falo quase cuspindo as palavras em sua cara.
—-- Hum, então quer dizer que a Barbie morde. Ele fala se aproximando agora eu já posso sentir seu hálito forte de bebida.
—-- Não toca em mim seu brutamonte acéfalo.
—-- E pelo visto xinga também. Você vai fazer o que hen? Sua situação não é nada favorável. Agora ele fala se sentando ao meu lado com o sorriso mais presunçoso que eu já vi. Um frio percorre minha espinha e meu corpo trava. Ela está colado a mim eu não sei quais são suas intenções. Assim que ele levanta as mãos eu contraio meu corpo em um impulso e fecho meus olhos só esperando o que vem a seguir. Meu coração está bem acelerado e a adrenalina toma conta do momento.
—-- Ei, calminha ai. Eu só vou desamarrar os seus pés para que possa andar. Nós já chegamos, viu como a viagem foi rápida? Abro os olhos devagar e me deparo com ele rindo mais que o normal. Para ele tudo isso não deve passar de uma brincadeira babaca.
Ao sair do caminhão percebo o quão isolada é essa ilha. Tudo isso só prova que as chances de alguém me achar são quase inexistentes. A base deles se encontra em um galpão abandonado, dava para ouvir alguns barulhos de máquinas vindo de lá. Vejo que homens armados fazem ronda em volta do hangar e muitas câmeras espalhadas por todo lugar. Assim que eu entro no pátio me deparo com uma grande linha de produção de equipamentos eletrônicos. Agora me lembro bem, que uma das coisas que eles fazem é utilizar mão de obra escrava. O cara foi me guiando até a porta de um cubículo quando torna a falar:
—-- Esse aqui é seu quarto. Você tem direito a uma refeição por dia e três mudas de roupas. Deve acordar as seis e dormir a meia-noite em ponto. Vai trabalhar na montagem de equipamentos eletrônicos desde a hora que acorda até a hora de se deitar. São apenas meia hora de almoço e quinze minutos de banho. O banheiro fica no final do corredor. Ganhe nossa confiança para conquistar mais regalias. Nada de comunicação com o ambiente externo. Estamos entendidos senhorita Smoak?
—-- Sim, senhor. Respondo de forma mecânica.
Olho em volta e percebo como o quarto é pequeno. Tendo apenas uma cama e uma cômoda. A decoração do quarto é bem simples e enfadonha, da para ver que não foi gasto muito com mobília. A parede branca com a pintura mal acabada e o chão de cimento frio só reforçam como tudo é bem rústico. Observo a muda de roupa na minha frente, todas as peças são uns macacões na cor preta e sem graça. Dou uma analisada melhor e vejo que são de um número bem cima do que eu costumo usar. Sento-me na cama encostada na parede e começo a chorar de forma descontrolada. Meu coração está apertado e eu me sinto tão sozinha. A dor e o medo que eu sinto é tão grande que não consigo parar chorar. Eu sei que tentei encobrir meus erros e agora parece que eles voltaram para me assombrar. Só que me lembro bem de Ray ter pago minha fiança pelos meus crimes cibernéticos. Eu to perdida pela primeira vez não faço ideia do que fazer. Essa hora meu óculos está todo molhado e meus olhos inchados. Um sentimento de fracasso percorre meu corpo. É exatamente assim que eu me sinto, fugi durante tanto tempo dos problemas do passado e cá estou eu tendo que encarar meus traumas. O pior de tudo é saber que Noah Kuttler está no mesmo lugar que eu e foi o responsável por tudo isso. Eu não tenho coragem de encará-lo, não uma pessoa que causou tanta dor e sofrimento para eu e minha mãe. Só eu sei quantas vezes flagrei minha mãe chorando pelos cantos. É claro que uma hora seguimos em frente, mas eu sei que bem lá no fundo que ela ainda guarda muitas magoas do passado assim como eu. Fico um tempo ainda nessa posição até que durmo de cansaço e de tanto chorar.
Pov Oliver
Nesse momento estou no apartamento de Felicity com Tommy. Ando de um lado para outro sem parar, com se isso clareasse minhas ideias. Para minha sorte William está brincando e alheio a qualquer acontecimento fora da normalidade. Já são meia-noite e nada de Felicity chegar em casa. A minha preocupação começou quando deu cinco minutos amais do horário que ela costuma chegar em casa. Eu preparei um jantar como forma de agradecimento por tudo o que ela está fazendo por mim. Depois de um dia cheio no trabalho só queria que ela relaxasse e pudesse passar um tempo comigo e Will todos juntos. Assim que dei por sua falta liguei para meu melhor amigo a fim de lhe pedir ajuda. Nesse momento estamos ambos sentados no sofá e eu não consigo raciocinar direito, só fico pensando no que pode estar acontecendo a ela. Felicity estava claramente me escondendo algo, porque ela tem que ser tão teimosa e orgulhosa. Eu podia ter ajudado.
—-- Você não acha que Felicity ficou até mais tarde na empresa? Tommy fala dando uma sugestão.
—-- Tommy essa hora a QC já fechou faz tempo. Tem alguma coisa mais séria nisso.
—-- Acho que você vai ter que ligar para o Ray. Depois de você ele é quem mais tem ligação com a Felicity.
—-- Droga eu não gosto dessa ideia. Ray pode ser amigo de Fel, mas eu não confio nele.
—-- Oliver você só fica assim porque ele a conhece há mais tempo. Ray não é uma ameaça. Ou você e Felicity se acertaram? O que eu considero um milagre ai ta batendo uns ciúmes de leve.
—-- Tommy vamos focar no que é sério. Vou ligar para ele já que estou sem opções. Falo totalmente irritado. Sei que às vezes banco o macho alfa, mas é para proteger Felicity. Tudo na melhor das intenções.
Pego o celular e rapidamente procuro o telefone do Ray em minha agenda de contatos. Aperto para fazer a ligação um pouco resignado. Tommy tem razão eu tenho ciúmes da relação entre eles, porém agora tenho que pensar de forma prática e objetiva. Respiro fundo reunindo coragem de pedir ajuda a ele, não gosto muito quando não consigo resolver meus problemas sozinho.
—-- Alô Ray. Você está podendo falar um pouquinho, é sobre Felicity.
—-- Aconteceu alguma coisa com ela? Ele pergunta com tom preocupado.
—-- Sim, Felicity não voltou até agora do trabalho. Quero saber se você tem alguma noticia dela.
—-- Eu não sei de nada. Olha Oliver ela me pediu para guardar segredo, mas devido à situação acho que não posso esconder.
—-- Do que você está falando? Conta logo. Pergunto de forma eufórica, meu coração está pulsando acelerado.
—-- É melhor eu te explicar pessoalmente. Até porque eu vou ter que investigar as coisas dela para confirmar minhas suspeitas.
—-- Tudo bem eu fico te esperando. Falo rapidamente para em seguida encerrar a ligação.
O que será que ela contou a ele e não a mim. Eu achei que Felicity confiasse em mim. Isso me deixa um pouco magoado, Felicity anda guardando segredos bem quando eu digo que não deve haver isso entre nós. Enquanto eu tento lhe provar posso lhe apoiar em tudo.
--- Parece que você já se resolveu. Fico feliz que você tenha abaixado seu ego e pedido ajuda do Ray. Eu tenho que ir Olie, mas lhe desejo boa sorte. Tommy fala me abraçando.
--- Obrigado Tommy, por sempre escutar os meus problemas. Acho que mais alguém está mudando. Falo tirando onda com ele.
--- O meu motivo é mesmo que o seu, alguém enlaçou meu coração. Ele fala dando uma picadela.
Tommy sendo Tommy. Eu fico muito feliz que ele também esteja largando a vida boemia. Seu pai se foi, mas o que ele mais queria era ver seu filho tomar jeito na vida. Agora sim Tommy está honrando sua memória. Depois que ele vai embora os minutos que se passam parecem uma eternidade. Eu sinto como se cada minuto que não estou tratando do sumiço de Felicity, minhas chances vão diminuindo. O fato de eu não saber o que está acontecendo me deixa louco. Minha vontade é de pegar a moto e sair por ai sem rumo a sua procura, mas de que adianta se não tenho pista alguma. Enquanto fico nesses devaneios ouço o barulho da campainha tocar, rapidamente saio da minha posição e vou abrindo a porta. Aqui está a pessoa que eu jamais pensei que algum dia fosse precisar que me ajude com alguma coisa. Ainda mais se tratando de uma pessoa na qual dividimos a amizade.
--- Pode entrar Ray. Fique a vontade. Falei tentando ser cordial.
--- Obrigado. Eu agradeço por estar deixando nossas desavenças de lado para ajudar Felicity.
--- O assunto é importante. O que você tem a dizer?
Ray senta no sofá e carrega um pendrive em mãos. Algo me diz que essa história tem a ver com o trabalho dela. Isso não está me cheirando nada bem. Até onde sei Felicity sempre trabalhou honestamente o que me faz ficar imaginando o que pode ser.
--- Oliver não sei se você sabe, mas Felicity vem recebendo mensagens suspeitas há algum tempo. Todas são criptografadas no mais alto nível.
Agora está tudo fazendo sentido. As noites sem dormir, a quantidade de café que ela estava tomando. Tudo isso para aguentar mais a sobrecarga de trabalho. Fel não merece nada disso, logo ela uma pessoa com o coração tão puro.
--- Ela não me contou nada. Essa hora uma angustia toma conta de mim.
--- Aquele dia que você encontrou comigo aqui eu estava tentando lhe ajudar a descobrir o remetente. Oliver sabe quando somos crianças e nosso pai nos leva até o trabalho dele para conhecermos?
--- Sim, me lembro do dia que meu pai me levou na QC. O que tem de mais nisso? Pergunto confuso.
--- Felicity também fez uma visita, só que o trabalho do pai dela não é nada convencional. Na época Fel tinha cinco anos foi alguns meses antes dele abandonar o lar. Ele convidou a filha para conhecer seu trabalho. No caso Noah cuidava da área técnica de computadores de uma sociedade chamada Anonymous. Um dos maiores grupos de hackers e cyber terrorismo do mundo. O lema deles é obter dinheiro a qualquer custo fazendo coisas boas ou não. Já com essa idade Felicity tinha certo envolvimento com tecnologia. Seu pai desde cedo percebendo que ela era curiosa para tais coisas lhe ensinou muito nessa área. Ela visitou seu trabalho uma vez e gostou bastante, tanto que pediu para voltar no dia seguinte. Só que Fel era pequena e não sabia no que estava se metendo. Seu pai foi quem agiu de má fé pelo menos é o que eu acredito. Acabou que ela passou a ir lá com certa frequência. Seu pai a colocou para montar computadores, de início ela só passava à tarde lá, mas com o tempo Fel começou a faltar na escola para trabalhar. Tudo isso sem sua mãe saber, era tipo um segredo entre eles. Se pensarmos friamente tudo isso não passava de exploração do trabalho infantil. O problema é que algo aconteceu o que não sabemos o que é e Noah teve que abandonar a cidade e a família. Só que o grupo tem um lema entre eles, uma vez que a pessoa conhece a sociedade Anonymous você não pode sair mais. Em resumo o pai dela é um criminoso e de forma intencional ou não Felicity participou de alguma forma.
--- Nossa eu nunca poderia imaginar uma coisa dessas. Então é por isso que ela não gosta de falar sobre sua família. Fel teve mesmo uma infância conturbada e difícil, por isso é tão cautelosa com William. Digo impressionado com toda essa história. É muita informação para assimilar tudo de uma vez.
--- Sim, Felicity tem vergonha do seu pai. E durante boa parte da sua vida ela achou que seu pai tinha trocado sua mãe por outra mulher, quando na verdade ele estava na vida do crime. Donna sabia de tudo, e decidiu mentir para filha. Por isso Fel e ela não se falam muito. Depois que Felicity cresceu e descobriu tudo ficou muito triste e magoada. Ela disse que até podia suportar uma possível traição, mas ter um pai criminoso era fim do mundo. Isso tudo resultou em sua fase rebelde na faculdade, onde ela só queria ser rude e descontar no mundo todos os seus problemas. Sei que pode ser um choque, porque a Felicity que conhecemos hoje bem diferente.
--- Sim é difícil pensar em Fel sendo rude ou grosseira. Logo ela é sempre tão meiga e dócil. Bem como ela era apenas uma criança não tem como ela ser presa correto?
Aliás, como pode um pai envolver sua filha na vida do crime e ainda expor a tantas horas de trabalho, quando uma criança devia estar brincando, estudando e sendo feliz. É bem difícil não odiar uma pessoa assim.
--- Não, porque na faculdade criamos um grupo que trabalhou com mesmo serviço do Anonymous, porém de maneira independente e claro no lado bom da força. Só que para realizamos algumas boas ações por consequência coisas ruins aconteceram. A falta de experiência nos fez cometer alguns erros. Felicity conseguiu encobrir a maioria das nossas ações, mas esse grupo pode ter encontrado alguma coisa e estar usando contra ela.
--- Você acha que estão usando ela para trabalhar de maneira escrava novamente?
--- É bem provável. Aqui nesse pendrive eu tenho algumas informações que podem ser úteis, mas vou precisar do notebook dela também. Oliver temos que acionar a polícia sozinhos não temos chance alguma.
--- Legal não sei se você sabe, mas o delegado da cidade não vai com a minha cara porque ele acha que eu matei a filha dele.
--- Essa é nossa única chance ele vai ter de nos ouvir. Felicity corre perigo Oliver todo tempo que temos é precioso.
Nessa hora olho para lado vejo Will que provavelmente tinha escutado parte da conversa. Ele esta de pijamas abraçando seu ursinho com força. Will se encontra com os cabelos bagunçados e uma expressão triste no rosto. Seus olhos estão claramente marejados, seu corpo treme sem parar. Will olha em minha direção abaixa a cabeça e sai chorando ainda mais rumo ao quarto. Droga não era para ele ter ouvido nada disso, logo agora que ele tinha conseguido se distrair um tempinho.
--- Ei Will. Falo indo em sua direção.
Assim que vejo a situação meu coração se aperta ainda mais. William se encontra encolhido na cama abraçando os seus joelhos. Sento-me ao seu lado respiro fundo e torno a falar.
--- William o que está acontecendo?
--- Aconteceu alguma coisa com Fel né? Outra pessoa que eu gosto e simplesmente me abandona. Ele fala soluçando.
--- Sim Will estou com um problema, mas isso é papo de adulto. Eu vou resolver tudo prometo. Felicity não te abandou Will ela só não vai passar a noite em casa. Digo depositando um beijo em sua testa.
--- Oliver você acha que ela vai demorar a voltar?
--- Sinceramente eu não sei Will. Não posso mentir.
--- Eu gosto dela. Quando estou com Fel eu sinto a dor que tenho diminuir, é como se eu não me sentisse mais abandonado. Eu sinto falta do colo dela e do seu cafuné também. Ele fala agora com a bochechas bem coradas.
--- Eu não tenho a delicadeza dela, mas posso ceder um espaço se você quiser o que acha?
--- Sim, eu também gosto muito de você. Não precisa ter ciúmes.
--- É bem difícil concorrer com ela. Digo esboçando sorriso de leve.
Will se deita em meu colo apoiando sua cabeça em meu ombro. Sua mão segura minha com força como se eu fosse abandoná-lo. Ver essa reação que ele teve ao saber de Felicity só prova como ele está apegado a ela. Will está bem abalado e frágil o que só me deixa ainda mais preocupado. Tenho que pedir ajuda para Thea cuidar dele para mim enquanto vou atrás de Felicity. Não sei como ele pode reagir na presença de outra pessoa. Só espero que tudo termine bem e passe de forma bem rápida.
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