Notas iniciais
Eu acredito que demorei muito para voltar. O motivo é que tudo que escrevo ultimamente não to achando bom, inclusive esse capitulo não ficou totalmente a meu contento. Não sou boa para escrever certos tipos de cenas, por isso sugeri alguma co-autora anteriormente e o convite continua de pé. Esse é para dar um foco maior em William com um momento aqui e ali entre Oliver e Felicity. Espero não desapontar vocês e boa leitura.

Pov Oliver

Quando chego e sala de jantar percebo que a mesa já está ocupada com todos os convidados. Felicity não parece confortável com

a situação, dá para ver que está cumprindo mera formalidade. Faço um sinal para que ela me siga assim podemos conversar de forma mais reservada.

--- Está tudo bem Felicity? Você parece nervosa. Falo na forma mais tranquila que posso. Consigo perceber o quão distante está o olhar de Felicity.

--- Oliver eu não estou com vontade de me sentar a mesa.

--- Porque Felicity?

--- Eu não sei a conversa com Will mexeu muito comigo. Foi muito difícil não comparar a história dele com a minha. Quando ele me perguntou se eu ainda sinto falta do meu pai eu tive de me controlar muito para não chorar.

--- Eu juro que se eu soubesse dessa dificuldade em tratar do assunto não tinha lhe pedido para conversar com Will. Falo preocupado.

--- Fica tranquilo Oliver esses são problemas meus. De certa forma foi boa essa conversa para eu ver que ainda me importo com esse assunto que eu achei que estava enterrado.

--- Não Felicity seus problemas são meus também. Somos um time se lembra? Falei lhe abraçando. Só agora com os braços envolto em seu corpo percebo que ela treme de forma descontrolada e os músculos de seu corpo estão bem tensos. Fico bem chateado de saber que essa conversa pode ter lhe deixado triste. Olho com mais cautela para ela e observo que seus pelos estão arrepiados indicando estar com frio. Tento lhe dar o abraço mais acolhedor e apertado, passando assim a esquentá-la. Vejo-a pousar sua cabeça no meu peito e sussurrar com a voz rouca e aparentemente cansada.

--- Obrigada Oliver.

--- O que você acha de irmos para sua casa?

--- A ideia é boa, mas e o jantar da sua mãe?

--- Para falar a verdade nem eu estou com vontade de ficar posando de estátua para dona Moira. Você me espera no carro?

--- Claro. Só vou me despedir de Thea e da sua mãe e estou indo.

--- Ok eu vou buscar o William.

Quando chego ao meu quarto vejo William dormindo tranquilamente como se não houvesse problemas. O cabelo cumprido e a fisionomia desnutrida só reforçam minhas suspeitas de que ele está realmente largado e mal cuidado. Will dorme de uma forma totalmente encolhida como se estivesse se abraçando.

--- Ei William acorde. Nós vamos para casa da Felicity. Falo o cutucando de leve.

--- Que bom, eu não gostei muito dessa casa grande. Parece de filme assombrado.

--- Bem William a mansão não tem fantasmas, mas eu concordo que o clima aqui não é muito aconchegante. Podemos conversar um pouquinho antes de irmos?

--- Sobre o que? Ele fala baixinho.

--- Como foi sua conversa com Felicity?

--- Foi boa, sabia que ela é minha amiga agora? Fel gosta de jogar xadrez assim como eu e também lê histórias em quadrinhos. Will fala esboçando um enorme sorriso.

--- Poxa que legal, então compartilhamos a mesma amiga não é? Falei em tom de brincadeira.

--- Sim, mas isso é ruim?

--- De forma alguma, uma pessoa pode ter vários amigos em comum. O mais legal disso tudo é poder ter alguém para dividir momentos da nossa vida. Ter alguém em quem confiar sabe. Em minha opinião você não podia ter escolhido amiga melhor Felicity é muito leal e companheira.

--- Ela parece ser bem legal mesmo, eu nunca conheci um adulto que gostasse das mesmas coisas que eu. Ou que parasse para me escutar um pouco, a maioria pede para eu ficar em silêncio e me deixa por fora das conversas. Will fala um pouco entristecido.

--- Ei não precisa fica triste, acho que agora as coisas podem mudar. O que acha de ganhar mais um amigo?

--- Você está falando sério?

--- Sim, eu e você o que acha? Podemos fazer coisas de garoto. Eu também posso te ensinar um montão de coisas.

--- Poxa esse dia não podia ter acabado melhor. Agora tenho dois amigos. Ele falou me dando um abraço apertado. Como eu estava esperando por esse momento. Sentir Will tão perto de mim, como se nada pudesse nos separar.

Eu não podia estar mais feliz, a tática que Felicity sugeriu funcionou. Agora conquistei a amizade de Will, claro que tudo ainda é muito recente e superficial, porém já é um começo. Eu tenho pensado em tantas coisas que posso fazer com ele. Em como recuperar o tempo perdido. Quando olho para ele me da um aperto no coração, vendo a forma como ele se encontra. Não me lembra uma criança que geralmente tem muita energia para gastar sendo alegre e espontânea. Chegando ao carro coloco Will no banco de trás e me sento também, mais certo do que nunca que estou fazendo a escolha certa. Até que minha mãe decida parar com essa neura de controlar tudo na vida de Will não vai ser saudável ele morar em um ambiente assim. Felicity da partida no carro e assim vamos rumo a seu apartamento. De longe vejo Will distraído com a paisagem lá fora, mas seu olhar está distante ele parece bem nervoso. Foram muitas mudanças em sua vida em tão pouco tempo. Depois de alguns minutos de silêncio resolvo iniciar uma conversa.

--- Felicity porque você falou que Will te lembra um amigo? Ou foi só uma maneira de iniciar a conversa? Pergunto curioso.

--- Ele me lembrou do Ray quando criança. Ela fala respirando fundo e seu olhar profundo indica que está resgatando uma história antiga.

--- Hum..... porque exatamente? Perguntei tentando não me lembrar da forma embaraçosa na qual eu o conheci. Felicity respira fundo e continua a falar.

--- Ray era exatamente dessa forma, largado. Seus pais viviam trabalhando e por isso lhe davam só o mínimo de atenção. Tem também a personalidade de Will, muito similar com do Ray pequeno. Falar com o tom de voz baixo e contido, não olhar diretamente nos olhos das pessoas em uma conversa, corpo contraído e tenso sempre na defensiva. Pela nossa conversa deduzi que ele deve ter dificuldades de se comunicar e falar em público por isso não tem amigos da sua idade. São algumas características de extrema timidez. Ray era exatamente dessa forma, me lembro bem de como demorei para ganhar sua confiança. Sem falar nos gostos pessoais pelos hobbies são todos iguais.

—-- Isso tudo é ruim não é? Falo um pouco nervoso pensando na resposta.

—-- Olha falando como alguém que já sofreu com isso na vida e ainda tem alguns problemas até hoje, eu digo que sim. Ter essa personalidade não é lá muito fácil você fica extremamente vulnerável a ser alvo de zoação de todo tipo na escola. Era por isso que Ray sofria bullying, por ser diferente e não se encaixar nos padrões. Para sociedade um garoto tem que ser travesso, gostar de futebol, luta e ser desbocado e ele era totalmente o oposto. Fora que a vida social não fica nada fácil, conforme vamos envelhecendo e a vida vai te cobrando as coisas só vão piorando.

—-- Você sabe que eu não sei muito bem sobre o assunto, já que sou bem extrovertido. Eu nunca imaginei tantas dificuldades não deve ser nada fácil, mas o que podemos fazer para ajudar Will?

—-- Olha Oliver eu não sou nenhuma profissional do ramo da psicologia. O que eu lhe falei foi com base em experiência de vida o melhor é procurar pela Sara ela vai saber cuidar disso melhor que nós.

—-- Você tem razão, mas deve ter alguma forma de lidarmos com Will sem o assustar não acha?

—-- Sim, a melhor forma de lidar com esse tipo de personalidade é dar espaço e não pressionar a pessoa. Elas só fazem as coisas quando sentem seguras e jamais em hipótese alguma a exponha em público.

Acho que essa definição se encaixa bem na minha relação com Felicity, dar espaço, sentir que o terreno é seguro de certa forma ela ainda não superou totalmente sua timidez que para mim lhe deixa ainda mais fofa. Eu gosto dela do jeitinho que é não mudaria nada. Tudo isso só a faz ser ainda mais especial. Às vezes fico imaginando como não parei para pensar nisso antes, em como Felicity é a mulher da minha vida eu negligenciava isso achando que outra pessoa seria a melhor opção. A grande maioria das mulheres que conheci são totalmente fúteis e acham que são o centro do universo, nenhuma me trata como Felicity, nenhuma ouve meus problemas, cuida de mim e me deixa perdido sem saber o fazer.

—-- Felicity eu quero lhe agradecer pela ajuda. Abrigar-me assim de última hora em sua casa e ainda com uma criança. Falei colocando uma mão em seu ombro, logo a sinto dar uma leve relaxada.

—-- Ei, Oliver está tudo bem. Amigos são para essas coisas e Will é um garoto muito tranquilo não da trabalho algum.

—-- Eu estou falando sério, sua tática de ir aos poucos conversando com William deu certo. Ele aceitou ser meu amigo, acho que dei o primeiro passo.

—-- Eu fico feliz Oliver, William vai precisar de todo apoio necessário. Eu fico imaginando como esses meses foram pesados para uma criança. Ele estava praticamente sozinho.

—-- De certa fora Will é um guerreiro. Quero muito compensar toda falta que fizesse tempo todo, mas ai me lembro que a mãe dele vai ser outro buraco em sua vida. Falo meio entristecido.

—-- Sei que tudo isso é muita novidade, mas eu acho que você deva ir aos poucos se encaixado na vida dele, sem pressão sabe. Crianças são mais sensíveis e Will com essa personalidade só tende ser ainda mais emotivo. Ele só vai se abrir para você quando se sentir a vontade entende? Agora quanto à mãe dele só o tempo dirá como ele vai lidar com tudo isso.

—-- Como pode Felicity? Você tem uma forma tão sutil e sensata de resolver as coisas. Vendo o jeito como você conversou com Will de igual para com ele, sem em nenhum momento se colocar acima dele foi muito generoso de sua parte. Eu achei tão nobre essa atitude, você leva jeito com crianças. Falo de forma sincera expondo tudo que estou sentido nesse momento.

—-- Que isso Oliver, assim você me deixa sem graça. Eu só fiz minha parte.

Mal sabe ela, que fez muito mais que nosso combinado. Ela ajudou Will nesse inicio tão conturbado de sua nova vida. Olho para Felicity que está com sua atenção no movimento da rua. Seu rosto está bem rosado e seu olhar desviando de mim, eu daria tudo só para poder sentir o calor que suas bochechas estão emitindo agora. Felicity está me ajudando sem pedir nada em troca, me abrigando em sua casa com um filho que até uns dias atrás eu nem sabia a existência. Assim fica cada vez mais difícil não me sentir atraído por ela. Felicity tem um coração tão puro e generoso, parece que sempre cabe mais uma pessoa dentro dele. Agora ela abriu espaço para Will e isso me deixou muito feliz, ela o recebeu de braços abertos. Com todo isso às vezes ela se esquece de si mesma e fica um pouco abandonada como foi essa semana que passou. Ainda não esqueci que ela me esconde algo e vem trabalhando demasiadamente em algo que não é relativo à empresa. Felicity estaciona o carro, em seguida acordo Will que acabou por dormir no meio do caminho. Assim que entro em seu apartamento o mesmo sentimento de aconchego e família invade meu corpo. Com Will não foi diferente o vejo dar uma suspirada profunda e esboçar um sorriso tímido. Sentindo tantas coisas boas vejo que escolhi o lugar certo para eu e Will passarmos nossa primeira noite juntos. Quem visse de longe pode até pensar que somos uma família feliz de comercial de comida, o que está um pouco longe de acontecer e me da uma leve desanimada.

Pov Felicity

Fiquei relativamente surpresa quando Oliver sugeriu dormir em minha casa, até porque agora sua vida não se resume só a ele tem que pensar em Will também. Fiquei muito triste por saber que Oliver brigou com sua mãe de novo, sei que ela tem um gênio forte só que Moira é avó de Will. Eu percebo que Oliver não está preparado para cuidar de uma criança, mas seu interesse em aprender coisas novas é visível uma pena sua mãe não lhe dar créditos por isso. Se bem a conheço ela vai fazer alguma coisa para chamar atenção do filho e impor sua vontade. Começo a preparar o colchão onde eles vão dormir no quarto sobressalente que é bem mais simples que qualquer cômodo da mansão. Aqui Oliver não vai ter as mesmas regalias, empregados, porém eu espero que ele seja bem recebido e que seja confortável.

--- Bem Oliver arruei o quarto para vocês não é como na mansão, mas da para o gasto.

--- Felicity você sabe que eu não ligo mais para essas coisas luxuosas. Já lhe falei algumas vezes que esse clima familiar e de aconchego vale muito mais que qualquer coisa que venha da mansão ainda mais da minha mãe. Ele fala se aproximando de mim. Vejo seu rosto se fechar ao mencionar sua mãe.

--- Oliver você não devia conversar com sua mãe? Sei que não sou um exemplo muito bom quando se fala em família, mas Will tem uma avó.

--- Nem pensar, minha mãe se mostrou uma completa tirana. Felicity o clima lá ai ficar muito pesado e eu acho que Will já sofreu o bastante não acha?

--- Verdade você tem razão. Falo respirando fundo. Ficamos alguns segundos em silêncio um olhando diretamente nos olhos do outro. Desde o jantar não tivemos um momento a sós para conversar melhor. Eu agradeço por isso, pois com tudo que ocorreu não tive muito tempo para pensar em mim. Eu estou inclinada a dar uma chance para nós, mas agora com a chegada de Will minha decisão não vai impactar somente Oliver tenho que ter cautela e paciência com tudo.

--- Felicity eu acho que não te agradeci da melhor forma por todo o apoio que você vem me dando. Se eu precisar ficar aqui mais tempo que o necessário pode ter certeza que vou ajudar nas despesas e também na limpeza e organização. Ele fala acariciando minha bochecha de leve. Sinto um calor reconfortante vindo dele e uma vontade enorme de dormir abraçada a Olie novamente se instala em meu corpo. Controle-se Felicity esse não é um bom momento e Oliver tem de dar atenção a Will.

--- Porque você deve se controlar Felicity? Olie pergunta curioso.

--- Falei um pouco alto demais não é? Eu e minha boca. Disse corando mais do que queria, a como eu desejo poder controlar meu corpo pena que isso não é possível.

--- Sim, mas fica tranquila vou fingir que não ouvi. Ele disse dando um sorriso de lado.

William ficou esse momento sentado distraído olhando para o quarto devia estar reconhecendo o cômodo. O vejo levantar letamente seu rosto me olhado timidamente. Suas bochechas estão coradas e deu até vontade de apertá-las, porém eu sei que ele não vai gostar muito. Suas mãozinhas estão entrelaçadas indicando seu nervosismo.

--- Fel posso te pedir uma coisa? Ele fala bem baixinho com a voz em um fio. Aproximo-me dele igualando nossa altura e prossigo nossa conversa.

--- Claro que sim Will, sinta-se em casa. Falo bagunçando seu cabelo tentando descontrair um pouco o momento. Observo William respirar fundo com o toque e dar um mínimo sorriso. Assim que me afasto vejo os olhos de Will começarem a marejar, ele engole o choro e continua a falar.

--- Minha mãe sempre preparava um leitinho quente com biscoitos para mim antes de eu dormir. Você pode fazer também? Ele fala desviando o olhar. Will esfrega os olhos na tentativa falha de esconder o choro. Agora seu rosto já se encontra molhado e ele está bem envergonhado.

--- Ei Will está tudo bem eu faço com o maior prazer. Vejo ele me olhar de lado um pouco nervoso meio sem saber o que fazer, Will olha para Oliver em busca de alguma resposta. Olie dá uma piscada para Will meio que o encorajando a fazer algo. Fico feliz por presenciar esse momento de cumplicidade só deles. Depois de alguns segundos William torna a falar.

--- Fel posso me deitar no seu colo? Ele fala ainda mais baixo que da outra vez se é que isso é possível. Fico surpresa com o pedido e aceito de bom grado. Assim que indiquei com a mão para que ele subisse sinto dois bracinhos me apertando com força e o rosto de Will enterrado em meu peito. Vejo-o desabar a chorar, o que só me deixa mais apreensiva e com o coração apertado. Nunca me imaginei nessa situação com uma criança que tenha tanto carinho por mim e que queira dividi-lo comigo. Nunca pensei que esse pequeno pudesse me fazer sentir tantas coisas ao mesmo tempo, é como ter a obrigação de estar sempre pronta para lhe proteger. Eu não sei bem o que é, estou descobrindo um sentimento novo dentro de mim. Faço um carinho de leve no cabelo de Will e observo que pouco a pouco ele vai se acalmando e se acomodando mais em meus braços. Até que sua cabeça que antes estava em meu peito, sobe ficando paralela ao meu pescoço. Sinto sua respiração ficar mais leve e suas pequenas mãozinhas brincam descontraidamente com o colar que está em meu pescoço. William deve estar sentindo muita falta de sua mãe ainda mais agora na hora de dormir, que é onde as crianças mais sentem dificuldades. Estou emocionada em saber que Will me escolheu para seu porto seguro nesse momento de extrema tristeza. Acho que estou começando a me apegar por esse pequeno ele é a coisa fofa e lida que eu já vi e não merece tanto sofrimento.

--- Felicity acho que Will precisa muito desse momento, vou deixar vocês um pouco juntinhos enquanto eu preparo o lanchinho dele. Oliver sugere.

--- Tudo bem você já sabe onde ficam as coisas. Falei corando levemente, não imaginei que Oliver fosse levar essa reação de Will tão naturalmente. Na verdade em nenhum momento ele barrou uma aproximação dele comigo. Eu só achei que Oliver ia preferir que William se envolvesse primeiro com sua família de sangue e não comigo, mas parece que não se importa em nada com isso.

--- Felicity eu imagino o que está pensando agora. Eu confio incondicionalmente em você, por isso quero que Will tenha um contato mais íntimo primeiro com você do que com a minha mãe. Enquanto minha mãe não voltar a pensar de forma eloquente acho vai ser o melhor. Ela fala para em seguida ir rumo a cozinha.

Fico alguns segundos pensando no que Oliver falou. Não consigo acreditar no que ele disse é como uma confirmação de que ele está realmente mudando. A forma preocupada e o zelo que ele está demonstrando com Will só me demonstram como ele está amadurecendo como pessoa. Quando o conheci ele jamais cogitaria passar sequer uma hora ao lado de uma criança imagina ser pai, tudo isso envolve muita responsabilidade. Ele não parece mais com medo, mas sim determinado e isso está me deixando cada vez mais orgulhosa de Oliver, talvez ele seja o homem certo para entrar em minha vida. Eu sei que estou dificultando as coisas, mas tenho que pensar em todas coisas que isso envolve. No caso tenho meus problemas pessoais e tem o Will agora, não sei devo os envolver nisso. Enquanto estou nessa divagação dentro da minha cabeça sinto uma pequena mãozinha fazer uma leve carícia em minha bochecha, volto meu olhar para baixo e me deparo com Will sorrindo timidamente para mim enquanto me afaga. Seu toque tão carinhoso nesse gesto sincero só pode ter vindo de uma criança o que só faz aquecer ainda mais meu coração.

--- Você está bem Fel? Quer que eu saía do seu colo? Eu fiz algo de errado? Ele faz várias perguntas um tanto nervoso. Will abaixa a cabeça dando uma leve corada. William é muito criança bem diferente e é isso que o torna tão especial. Percebo que ele tem uma personalidade mais frágil e sensível. Algumas atitudes tendem a machucar pessoas assim com mais facilidade, todo cuidado é pouco na hora ser mais duro. Outra coisa que reparei é como ele se cobra por certas coisas, estou adorando estar com ele junto a mim e mesmo assim ele acha que não deveria estar aqui.

--- Ei William está tudo bem, você não fez nada de errado. Eu só estou pensando não é nada demais.

--- Fel, eu não quero dormir sozinho estou com medo. Ele fala me apertando ainda mais ameaçando chorar novamente.

--- Ei, Will você não precisa se preocupar Oliver vai estar com você. Falo acariciando novamente o seu cabelo. Will dá uma breve suspirada e apoia novamente sua cabeça no meu ombro se aninhando ao meu colo. Só então percebo o quão carente ele se encontra, ter ficado durante três meses praticamente sozinho não deve ter sido nada fácil. A ausência de cuidado em alguém tão pequenino ainda faz muita falta.

Oliver adentra ao quarto com um copo de leite e biscoitos. Não demora muito para ele ir correndo em direção a Oliver. Will abraça suas pernas e inicia a falar.

--- Obrigado Olie está muito gostoso. Ele fala comendo um pedaço do biscoito agora sem cerimônia alguma um fato um tanto raro. Talvez esteja ficando familiarizado com o ambiente.

--- Que bom que gostou, afinal não participamos do jantar na mansão. Oliver comenta.

--- E você Oliver não quer comer alguma coisa? Pergunto solicita.

--- Depois da conversa com a minha mãe eu perdi o apetite. Felicity eu gostaria de falar com você a sós se não se importa.

Estranho um pouco o fato, mas resolvo ceder mesmo sabendo que o assunto pode ser um tanto particular. Fico próxima a Will e igualo nossa altura novamente.

--- Will fica aqui um pouquinho, só vou ter uma conversa rápida com Oliver tudo bem? Falei lhe dando um beijo na bochecha. Logos em seguida sinto elas esquentarem mais que o normal.

--- Tudo bem eu vou ficar tomando o meu lanche. Só não demorem muito.

Fui para sala com Oliver e confesso um tanto curiosa e nervosa por essa conversa. Ele podia querer falar sobre nós ou algo sobre o Will e não queria que ele escutasse. Vai saber nesse momento inúmeras coisas estão passando pela minha cabeça.

--- O que foi Oliver, está tudo bem? Pergunto da forma mais calma que consigo.

--- Minha mãe já sentiu minha ausência. Ele fala aparentemente furioso andando de um lado para outro pisando fundo. Parece até que vai fazer um buraco no chão.

--- Como assim Olie do que você está falando?

--- Está no site oficial da empresa para quem quiser ver. Ele fala me mostrando o celular.

--- Oliver Queen é afastado do cargo de Ceo temporariamente pelo corpo de acionistas. Leio em voz alta.

--- Você está vendo, ela está claramente tentando me provocar. Não aceitou o fato deu ter saído de casa com William. Porque será que minha mãe me afronta tanto? Ele fala bravo, mas no fundo eu sinto um tom de tristeza no meio.

--- Se você é o Ceo ela pode fazer isso mesmo?

--- Pode sim, ela é a acionista majoritária. Agora eu estou oficialmente desempregado e com uma criança para cuidar. Acho que minha vida não tem como piorar.

--- Sua Mãe precisa de tempo para assimilar tudo isso Olie. Talvez essa decisão nem dure muito tempo, você a conhece muito bem. Vai dar tudo certo. Falei na tentativa de o acalmar.

--- Pera ai você está defendendo ela e sua atitude babaca? Minha mãe está claramente sendo a mesma pessoa de sempre controladora e autoritária. E você está do lado dela. Oliver fala aumentando o tom de voz apontando o dedo para mim como se eu fosse a culapada por tudo isso.

--- Oliver eu não estou no lado de ninguém, só estou tentando pensar de forma racional.

--- Pense em mim Fel. Em como eu me sinto tendo meus sentimentos ignorados pela minha própria mãe.

Eu estou assustada, Oliver nunca elevou seu tom de voz comigo ele está realmente alterado.

--- Oliver se acalme isso não vai fazer bem para ninguém e você pode acabar descontando no Will. Isso não vai levar a nada. Falo me aproximando dele.

--- Felicity eu estou sem emprego, como vou falar para Will que o pai dele está na sarjeta. Eu sou um fracassado, minha tentativa de mudar e me tornar responsável deu errado. Acho que no fundo eu só adormeci o velho Oliver aqui dentro.

--- Olie não diga mais uma coisa dessas, jamais duvide de si mesmo. Eu acompanhei sua mudança de perto e sei o quanto você evoluiu e eu me orgulho muito disso. Depois dessa sua decisão nossa amizade se fortaleceu ainda mais. Sei que fica triste porque sua mãe não reconhece seu esforço, mas não se esqueça de quem está sempre do seu lado. Falo fazendo um tímido carinho no seu rosto.

--- Me desculpe Felicity as vezes eu sou meio babaca. Não devia ter gritado com você, eu não estou em dia muito bom. Eu preciso tanto de você do seu toque do seu carinho só isso pode me acalmar. Ele fala olhando diretamente para mim.

Vejo ele se aproximar consideravelmente de mim e fazer com que eu fixe meu olhar nele. Percebo que Olie está mesmo nervoso seu olhar está profundo e seu corpo se encontra bem tenso.

--- Olie você está nervoso, não faça nada que depois o faça se arrepender.

--- A minha única vontade agora é de lhe beijar. Ele fala descaradamente me fazendo corar violentamente. Olie passa sua mão por minha bochecha e torna a falar.

--- Adoro lhe ver corada fica ainda mais bela. Felicity está muito difícil ficar tão próximo a você e ao mesmo tempo tão longe. É tentador demais. Não consigo resistir.

--- Oliver eu não acho que esse deva ser o rumo da conversa. Eu não.....

Está difícil achar as palavras certas para falar e a dificuldade de concatenar as ideias é visível. Olie levanta meu rosto lentamente sem perder o foco em mim, seu sorriso travesso só indica suas intenções nada singelas. Respiro fundo na tentativa de tentar raciocinar um pouco, quando sinto seus lábios tocarem os meus de forma delicada. Uma de suas mãos estão apoiadas em minha cintura demonstrando posse. Quando ele pede para aprofundar um pouco o momento eu dou uma leve recuada. Eu tenho que ser sincera com Oliver, não posso deixar as coisas correrem sem expor tudo de forma clara.

—-- Me desculpe Felicity eu não devia ter lhe beijado. Foi tudo sem pensar.

—-- Não Oliver o problema sou eu. Ainda não tive tempo de pensar naquele assunto. Eu quero que tudo ocorra de forma clara e honesta. Eu preciso de um pouquinho mais de tempo, não quero ser um entrave entre você e William. Acho que agora é o momento de você dar atenção para ele e estreitar sua relação.

—-- Felicity como você pode ser tão generosa e pensar no bem de William primeiro? Você realmente vale ouro, como eu nunca enxerguei isso antes? Ele fala me olhando admirado, logo em seguida sinto minhas bochechas esquentarem consideravelmente. Desvio o olhara do seu um pouco envergonhada.

—-- Oliver eu conversei com Will e senti que nesse momento ele precisa muito de você eu não posso e nem devo competir com isso. Com tempo as coisas vão se ajeitando e acontecendo de forma natural.

—-- Felicity eu te amo. Oliver fala de forma clara o que fez meu coração pulsar acelerado. Eu nunca tinha ouvido isso sair da boca dele não sendo direcionado a sua irmã.

—-- Eu também Oliver. Você é um homem completo e maduro acho que conseguiu sua transformação só não sabe disso ainda. Falo lhe dando um beijo na bochecha. Logo em seguida vou em direção ao quarto de Will. Vejo William distraído brincando com alguma coisa, parecia já ter terminado seu lanche.

—-- Fel olha só meu ursinho. Ele fala animado.

—-- Poxa que legal, qual é o nome dele? Pergunto puxando assunto.

—-- Bilu ele é meu melhor amigo assim como você e o Oliver. Eu durmo com ele todas as noite.

—-- Falando nisso está na hora de dormir não acham? O dia hoje foi meio cheio.

—-- Felicity tem razão Will. De boa noite para ela e vamos para cama.

—-- Boa noite Fel, durma bem. O Bilu também quer te dar boa noite. Ele fala dando um pequeno sorriso.

—-- Como ele é gentil Will, gostei do seu amigo. Falo entrando na brincadeira.

William deita no colchão abraçado com seu ursinho ambos encolhidos debaixo da coberta. Seus olhinhos já se encontram bem pesados e vejo que ele luta contra o sono.

—-- Boa noite meninos. Falo beijando o topo da cabeça dos dois deixando Olie por último. Com isso sinto ele me prender junto ao seu corpo e falar ao pé do ouvido.

—-- Tenha bons sonhos Felicity, sei que não anda a dormir bem. Qualquer coisa pode vir dormir conosco não é Will? Olie pergunta me provocando. Vejo um sorriso desafiador em seu rosto. Ele não perde uma oportunidade. Poxa golpe baixo de sua parte perguntar justo ao pequeno, logo agora que estou me apegando a ele.

—-- Seria demais eu ai adorar ter duas pessoas para abraçar. Ele fala com um sorriso espontâneo.

—-- Eu agradeço meninos, mas vocês precisam de um pouco de privacidade. Amanhã temos mais tempo para conversar.

Sendo assim visto uma roupa confortável pego meu notebook e inicio meus outros trabalhos. Ainda tenho muito o que fazer.

Notas finais
E ai o que achou? Qual sua parte favorita? Pessoalmente eu tive dificuldades para encontrar a melhor forma de escrever esse capitulo. Aceito sugestões e opiniões. Alguém sabe de onde vem a referência do ursinho Bilu? Só uma dica, fez parte da infância de algumas pessoas.