Notas iniciais
Ola pessoal, eu demorei mais de 3 dias para escrever esse capítulo. Acredito que por isso ficou tão grande. Caso prefiram menores é só comentar. Nesse temos o ponto de vista de Felicity e Oliver. Ambos acontecem simultaneamente, porém se juntam no final. Só lembrando que aqui todos são civis, então ele e ninguém tem poderes. Agora Oliver vai expor um pouco sua veia de herói. Espero que gostem e boa leitura. Nome de pessoas que quase não comentam ou nem comentaram ainda, mas estão acompanhando a fic. Agradeço a vocês também, espero que voltem a ativa e digam o que estão achando da fic. Little Queen lilita Ana bia NielliCris

Pov Felicity

Já estou há dois dias nesse inferno. Trabalhando sem parar, acho que o pior é saber que estou colaborando com coisas ilícitas. Eu nunca concordei com nada que venha desse lugar. Reviro-me incessantemente pela cama e sinto que estou novamente imersa em pesadelos.

Só que agora eu estou indo para o trabalho do meu pai. A Felicity pequena parece gostar do que está fazendo e se encontra alheia a tudo em sua volta. Várias pessoas trabalham na montagem de equipamentos que vão desde computadores até armas de fogo. O sorriso estampado no rosto da garotinha é o que mais me assusta, ela faz tudo como se estivesse brincando. Apesar de gostar do que faz sua feição está cansada como se não desse uma pausa há muito tempo. Suas pequenas mãozinhas apertam parafusos com uma rapidez incrível para uma criança, além de carregar cpus pesadas de um lugar para o outro. O esforço que ela faz é bem visível.

—-- Pai, porque não fui à escola hoje? Ouço a criança de o meu pesadelo perguntar.

—-- A Felicity a escola limita nosso aprendizado. Você mesmo me disse que está chato e que já sabe tudo. A vida pode nos ensinar muito mais. O homem fala orgulhoso de si mesmo.

—-- Não foi bem isso que eu quis dizer. Eu disse que escola está chata porque tem umas pessoas me importunando. Elas roubam meu lanche todo dia. A garotinha comenta com um semblante triste.

—-- Felicity é só ignorar esse povo, eles gostam é de atenção. Fique tranquila vindo trabalhar com o seu pai isso vai acabar. Só não se esqueça de que esse é um segredo nosso tudo bem?

—-- Tudo bem, não vou contar. Pai posso parar eu estou cansada e com fome. A Felicity criança fala esfregando os olhos, aparentemente estava com sono também.

—-- Termine pelo menos essa caixa, ai vamos para casa. Felicity continua mesmo contrariada, enquanto Noah conversa com um homem alto e forte. Depois de alguns minutos ele volta à mesa e torna a falar.

—-- Felicity vamos embora. Parece que vou para uma viajem sem volta. O homem fala com uma expressão dura no rosto que de certa forma a assustou.

Foi a partir desse momento que as coisas começaram a piorar. Meu corpo está suando bastante e meu coração se encontra acelerado. Um sentimento de angustia toma conta de mim e eu acordo assustada em um pulo só. Respiro com certa dificuldade e sinto a gola do macacão que estou utilizando me sufocar como se alguém estivesse me prendendo. Abro alguns botões e respiro fundo tentando voltar à normalidade. Pelo jeito eu participei de uma narração em terceira pessoa do meu próprio passado, tem como tudo isso ficar pior? Espero que não. Analisando com mais cautela, esse episódio que aconteceu apenas horas antes do meu outro pesadelo. Está tudo tão confuso e estranho.

—-- Droga, quando isso vai acabar. Eu não aguento mais. Falo sussurrando para mim mesma. Agora já não tenho muito controle sobre meus atos e algumas lágrimas escorrem pelo meu rosto. Passo minha mão sobre meus olhos e tento disfarçar meu choro. Eu quero tanto voltar para casa, sentir os braços de Oliver me aquecendo me sentir segura e protegida. Coloco meu óculos sobre o rosto e verifico as horas no relógio de parede. Faltam dez minutos para as seis. Mesmo com uma noite mal dormida dou uma ajeitada no cabelo e me arrumo para o trabalho, logo depois ouço um barulho de alguém batendo na porta. Abro a porta devagar olhando pela fresta quem é. Percebo ser o mesmo homem que fez a viagem comigo.

—-- Me falaram que você é muito boa em TI. Vai trabalhar junto com Noah na melhora do nosso sistema de segurança. Quero tudo pronto até o final do dia.

Pera ai ele só pode estar de brincadeira, eu e ele juntos. Nem pensar, eu tenho que tentar argumentar. Não posso ter um parceiro de trabalho no qual eu detesto. E não dá para fazer um serviço desse em um dia só. Esse cara só pode estar de marcação comigo, desde que cheguei está tornando minha vida um inferno.

—-- Tem mesmo que ser com ele? Pergunto um tanto nervosa.

—-- Então a Barbie está incomodada? Ele falou se aproximando de mim com um sorriso presunçoso.

—-- De certa forma sim. Digo tentando desafiá-lo mantendo uma postura firme, mas no fundo estou com muito medo.

Se é que é possível ele se aproxima ainda mais com sua cara fechada. Só vejo ele cerrar os punhos e me analisar de cima a baixo. Nesse momento estou me sentindo despida com seu olhar. Ele dá umas voltas pelo quarto e depois esboça um sorriso arteiro. Diferente do sorriso que Oliver laça a mim como provocação esse está me dando medo e um grande frio na espinha.

—-- Barbie você é bem petulante sabia? Ele falou passando o polegar pela minha bochecha.

—-- Não. E meu nome não é esse. Digo engolindo em seco.

—-- É eu sei, mais é que adoro lhe provocar. Você fica ainda mais linda quando está bravinha sabia? Ele falou me roubando um beijo na bochecha que saiu mais próximo a boca do que eu imaginei. Quando dou por mim, uma de suas mãos está em minha cintura. E um olhar de desafio se instala no seu rosto.

—-- Tire suas mãos sujas de cima de mim. Falo de forma firme tentando afastar seu corpo do meu, porém ele é bem mais forte e mal se move de lugar.

—-- Bem senhorita Smoak sua posição não é das melhores. Sugiro que me respeite. Espero você no saguão em cinco minutos. Ele pronuncia para depois sair.

Não pode ser, tenho que sair logo desse lugar. Não aguento mais essa cara me humilhando, seu olhar me deixou claro que em uma próxima vez ele vai tentar bem mais que isso se eu o desafiar. Termino de me ajeitar e vou rumo ao local de trabalho e encontro quem eu mais temia. Noah está sentado de foram tranquila como se para ele tudo isso não fosse uma tortura. Depois de tanto tempo ter de encarar uma pessoa que um dia chamei de pai é muito estranho. Somos praticamente desconhecidos um para o outro, quando ele me viu pela última vez eu tinha acabado de completar cinco anos. O homem a minha frente não tem muito a ver com o que eu conheci no passado, agora ele esbanja um porte atlético e deixou a barba crescer além de ter os cabelos grisalhos. Sua feição tranquila em nada se comprada com o meu nervosismo. Passo alguns segundos o encarando e não consigo ver a mesma pessoa que conheci o tempo passou, mas perece que ele não se encaixa mais em minha vida. Dou um suspiro profundo afim de juntar os restos das minhas forças e quando dou por mim sinto ele me abraçar apertado. Suas mãos sobem apalpando meu rosto como se para certificar de que era eu mesma na sua frente. Continuo com minha cara fechada mostrando minha insatisfação com tudo isso, até que ouço ele começar a falar. Tudo está repulsivo de mais, como depois de tanto tempo ele vem invadir meu espeço pessoal.

—-- É você Felicity? Está tão diferente, como você cresceu. Ele comenta surpreso.

—-- Sim, sou eu. Digo de forma seca e curta. O meu desconforto com essa conversa é bem visível.

—-- Gostei de você loira, ficou mais amigável. Acho que vamos ter de trabalhar juntos. Ele comenta esboçando um sorriso.

—-- Não é possível, como pode você estar feliz aqui dentro. Parece que mesmo depois de tanto tempo você continua sendo usado, não cresceu nada dentro da organização. Falo soltando tudo de uma vez. Como pode conversar comigo ignorando tudo o que passou.

—-- Você tem razão eu sou um fracassado. No final das contas eu nunca alcancei meus sonhos. Olha Felicity eu já tentei sair daqui algumas vezes, mas não deu certo. Estar contra eles é muito pior. Eles machucam quem nós amamos e nos fazem pagar caro por isso.

—-- Tudo começou com você. Não deveria ter entrando nessa vida e por sua causa eu estou aqui. A culpa é toda sua. Falo agora gritando, já não consigo esconder minhas lágrimas. Eu não sabia que ter essa conversa fosse me doer tanto. Eu só quero me isolar e ficar sozinha. Não quero mais ouvir mentiras vindo de uma pessoa que me abandonou.

—-- Eu reconheço que errei filha, mas agora a vida está nos dando uma nova chance de começar tudo do zero. Ele fala se aproximando.

—-- Fica longe de mim, eu mal te conheço. Porque entrou nessa vida? Porque fez a minha mãe sofrer tanto? Agora eu já não vejo escapatória para essa conversa e me sento sem olhar diretamente em seus olhos.

—-- Felicity antes de arrumar esse emprego, eu trabalhava em um lugar miserável. Mal dava para levar comida para casa, o que eu mais queria era poder dar uma vida melhor para vocês duas. Quando me falaram dessa vaga comentaram ser temporário, mas na verdade eu fui enganado e aqui estou hoje. Ele fala com os olhos marejados. Noah parecia cansado e triste ao mesmo tempo.

Droga e eu meu fraco em tentar ver as coisas boas das pessoas. Não posso ceder tão fácil, não depois de tudo que passei. Só que do nada me bate uma saudade dos velhos tempos. Eu sinto tanta falta da minha família, estou a tanto tempo sem eles. Pena que nos perdemos eu acho que não tem mais volta. Minha mãe mentiu para mim e de certa forma acobertou meu pai. Não sei se ela tinha uma esperança que ele fosse mudar. Eu quero muito reconstruir minha família, mas não dessa forma com mentiras e mágoas do passado. Eu deveria ser mais presente na vida da minha mãe, tenho que ter mais flexível. De certa forma eu também errei bastante. Só que eu me sinto um tanto perdida, sem saber o que fazer.

—-- Isso não justifica ter se aliado com bandidos. E ainda levou sua filha nisso, depois de anos eu descobri que trabalhei para criminosos. Eu não me orgulho disso.

—-- Hoje eu vejo que errei, eu fiquei muito animado quando vi que minha garotinha gostava das mesmas coisas que eu. Eu via um futuro brilhante para você. Como você tinha problemas para se encaixar na escola achei que o trabalho seria uma boa.

—-- Eu me inspirava em você, nas coisas que fazia. Passar o meu tempo ao lado do meu pai era o que eu mais gostava, porém ai do nada você disse que tinha de partir para nunca mais voltar. Sei que não deveria ligar, mas eu era muito pequena. De certa forma isso marcou muito a minha vida. Depois que se foi mamãe se fechou bastante e com isso passei a ficar mais tempo sozinha e isolada. Eu demorei muito para superar sua perda, achei que não me afetava mais. Só que agora toda essa dor e raiva estão voltando de novo. Falo não escondendo mais as lágrimas.

—-- Felicity eu não peço que me aceite de novo na sua vida, quero apenas que me perdoe. Eu fui um babaca, perdi as mulheres mais importantes da minha vida. Tudo porque eu fui ambicioso demais, quando já tinha duas joias raras na minha vida. Ele fala sentando-se ao meu lado. Em seguida sinto seu polegar passar pelo meu rosto tentando secar minhas lágrimas. Eu estou cansada de mais para discutir e decido ficar calada. Sinto que ele tentar depositar todo carinho nesse contato, porém não me sinto muito segura em deixar tudo isso evoluir.

—-- Noah eu não sei se estou muito afim de um contato muito próximo agora. É tudo muito estranho para mim, eu cheguei a pensar que nunca mais o veria.

--- Felicity eu sei que ainda tem uma ferida aberta, mas eu só peço que pense com carinho no que te pedi. Eu não sou uma pessoa má, eu só cometi erros na vida. Estou disposto a mudar, talvez só precise de ajuda. Ele fala fazendo um carinho de leve em minha mão. Esboço um sorriso sem graça com o seu gesto e desvio meu olhar do dele. Eu não me sinto muito confortável com essa aproximação, de certa forma meu coração pede por mais cautela. Eu tenho medo de que tudo isso não dure muito, a última coisa que eu quero é sair machucada disso tudo.

Eu estou prestes a responder e dar um ponto final a essa conversa, quando o homem fortão veio a nosso encontro. Seu semblante fechado e cara de bravo demonstram sua insatisfação com alguma coisa.

--- Foi você não Barbie? Ele veio irritado em minha direção me puxando pela gola do macacão.

--- Eu o que? Pergunto sem entender nada, minha voz sai falha pela falta de ar.

--- Ei tira suas mãos dela seu babaca. Vejo Noah tentar dar um soco nele, o cara apenas segura sua mão e o olha de lado. Deu para ver como ele é superior no corpo a corpo devido a sua estatura e peso.

--- E ai velhote achou mesmo que ia me acertar? Acho que a idade vem chegando. E quanto a você loirinha tenho um ótimo castigo para pessoas fofoqueiras. Ele disse me apertando ainda mais, agora meu rosto está ficando roxo. Foi você que chamou a polícia? Ele pergunta extremamente irritado, quando dou por mim ele bate no meu rosto com força. Sinto minha face arder por completo. Em seguida ouço um barulho de algo caindo no chão, quando abro meus olhos percebo ser meu óculos. Minha visão ficou turva e agora tudo está embasado.

--- Eles estão a caminho sabia? Ninguém fazia ideia da nossa localização até você chegar. Coincidência não? Sabe qual é o castigo que costumamos usar para pessoas assim? Ele fala fincando suas unhas em meu pescoço.

--- Não. Juro que não contei nada sobre minha localização, estou sem contato com as pessoas. Digo engolindo o choro.

--- Então alguém deu falta sua e agora conseguiu te achar. Só que vai ter uma surpresinha quando te encontrar. Esse velho vai morrer junto com você. Dois inúteis. O velho imprestável e a fofoqueira. Uma pena porque eu gostei de você. Nem deu tempo de tirar uma lasquinha. Ele comenta esboçando um sorriso cafajeste.

Respiro fundo tentando não pensar na minha possível morte. Bem no fundo eu estou torcendo para que Ray tenha conseguido encontrar alguma informação minha que leve até essa ilha deserta. Ele é o único capaz de entender os códigos e encontrar a localização, porém Oliver junto com a polícia são os únicos capazes nos tirar das garras desse grupo. Será que são eles que estão mesmo vindo para cá?

--- Pronto agora os dois podem ficar sossegados. Estão devidamente amarrados nesse tronco e amordaçados. Vai ser uma morte bem rápida, olha só que bom não vão sentir nada. E os outros trabalhadores vão juntos. Apenas a diretoria vai escapar. Deviam ter pensado em colaborar um pouco mais, quem sabe não estavam conosco. Temos muitos planos para o futuro. Ele comenta dando uma risada maligna digna de vilões de filmes infantis.

Olho para Noah que está amarrado em um tronco do meu lado, eu pude notar nos seus olhos o seu sofrimento. Não sei pelo passado ou por me levar a morte junto com ele. Eu podia estar soando egoísta agora, mas tanto meu coração quanto minha mente estão sendo atraídos para Oliver. Como fui tola e medrosa todo esse tempo em não assumir meus sentimentos. O máximo que eu poderia levar é um belo de um não. Eu sinto tanto a sua falta, dormir em seu peito largo e me sentir segura. Seu cheiro tão familiar. Sinto falta de estar com ele em minha casa quase como uma família. Sua presença seu cuidado e seu carinho tudo isso só demonstra o quanto ele mudou. Como eu queria poder ter uma conversa final com ele, e expor tudo o que sinto. Falar sobre meus medos e sobre como ele me dá esperança nessa vida. Não posso esquecer do pequeno Will que já considero tanto, como ele está reagindo a tudo o que está acontecendo. Sinto uma dor sufocante no coração por tudo que fiz de errado e por fazer meus meninos passarem por tudo isso. Eu sou mesmo um fracasso, talvez tenha chego a hora de pagar pelos meus erros.

--- Até nunca mais otários, quando eu apertar esse botão aqui uma bomba de larga escala vai colocar esse prédio abaixo. Tudo vai ser implodido. Tem gasolina espalhada por toda parte, de toda forma vão morrer carbonizados.

Mentalizo uma oração em minha mente, só me preparando para o pior. Facho os olhos e tento não pensar no que está por vir. Do nada ouço um barulho muito forte e vejo toda estrutura ruir aos poucos e as chamas subirem de nível rapidamente. Tudo está pegando fogo e algumas placas de concreto caem com rapidez. Sinto meu corpo paralisar totalmente e por estar amarrada, não consigo fazer movimento algum. Após alguns segundos sinto uma pancada brusca na cabeça, minha visão ficou preta eu já não tenho mais controle sobre nada.

Pov Oliver

Nesse exato momento estou tentando convencer o delegado de que toda a história do sumiço de Felicity não é fruto da minha cabeça. Já se passaram dois dias eu estou a ponto de cometer uma loucura, como ele pode negligenciar uma denúncia desse porte. O meu sangue está fervendo estou quase cometendo um desacato a autoridade, sorte dele que Dig está comigo se não já tinha partido para ignorância. Ray está ao meu lado e também tenta argumentar com o delegado usando seus termos técnicos e conhecimento sobre a tal organização.

--- Eu peço desculpas a todos vocês, mas não vou mover recursos da polícia para um caso infundado como esse. Ainda mais vindo do idiota do Oliver. Nosso tempo e dinheiro são muito preciosos. Ele fala na maior cara de pau.

--- Quantas vezes eu vou ter que falar que eu não matei Laurel. Foi tudo um acidente. Digo me alterando. Depois de dois dias discutindo com ele sem sucesso algum, meu plano b é pegar a moto e eu mesmo fazer o serviço que devia ser deles. Sei que pode ser arriscado, mas é bem melhor do que esperar por esses babacas da polícia.

--- Fala isso para lápide quem tem o nome dela cravado. A culpa é sua e chegou sua hora de sofrer também Oliver. Você é só um playboy metido a besta. Ele fala cuspindo as palavras.

--- Quer saber pode deixar que eu resolvo sozinho, não preciso do seu ego falido. Solto da forma mais ácida possível.

Se ele quer me provocar eu também sei jogar a altura. Quentin sempre quis ser do alto escalão da polícia, mas devido a alguns erros na carreira é considerado um fracassado e isso é o que mais abala seu ego. Eu não posso perder tempo, sabe-se lá o que está acontecendo com Felicity. Eu não quero nem pensar. A sorte é que Thea está cuidando de Will para mim, senão eu já tinha enlouquecido de vez.

--- Se você sair da cidade se considere um homem preso Oliver. Quentin fala me ameaçando. Seu olhar é extremamente hostil e ele não parece disposto a ceder o seu lado.

--- Então tente me pegar. Falo soltando um sorriso desafiador. Estou prestes a sair da delegacia quando sinto uma mão pousar no meu ombro esquerdo e percebo ser Dig. Como sempre ele é a pessoa mais equilibrada em situações de grande stress.

--- Oliver não tome nenhuma atitude precipitada e de cabeça quente pode ser ainda pior. Você tem que pensar em Will e na Felicity. Dig diz tentando me tranquilizar.

--- Eu estou cansado de discutir com ele Dig, não posso esperar mais tempo. Falo impaciente.

--- Acho que temos que entrar em um acordo, não cavalheiros? Dig fala olhando para nós de forma inquisidora. Ele estava sendo o mediador dessa conversa.

--- Como isso é possível se ele não abre uma brecha? Digo apontando para Quentin.

--- Tudo bem, vocês venceram. Vamos prosseguir com a investigação, mas sob as minhas condições. Quentin fala resignado.

--- Apesar de termos nossas desavenças é a vida de uma pessoa que está em risco. Nessa hora uso meu último argumento.

--- Pensando melhor, vocês tem razão. Estou deixando de lado o código de ética da profissão por um capricho pessoal.

--- Nesse pendrive aqui contém algumas informações de localização e descrição sobre e organização, pode ser de grande ajuda. Ray comenta entregando um envelope ao delegado.

--- As regras serão as seguintes. Eu vou com vocês e mais dois policias. Utilizamos uma vã equipada da polícia e nada mais. Não posso fazer muito alarde sobre o caso, porque estou passando esse na frente de muitos outros estamos entendidos? Só mais uma coisa, obedeçam o líder aqui. Quentin fala apontando para si mesmo.

Depois de muita discussão e resistência por parte de Quentin, estamos agora dentro da vã indo rumo a essa ilha deserta. Ray permanece no computador nos guiando e fornecendo informações importantes. Um dos policias está dirigindo a vã junto com outro comparsa que está ao seu lado no banco da frente. Quentin está no banco de trás junto comigo e Dig. Ele está com sua cara fachada e permanece em silêncio o tempo todo. Prefiro dessa forma sinto que se ele abrir aboca ainda vou lhe sentar a porrada. Dig está posicionado exatamente a minha frente, observo ele se acomodar melhor e iniciar uma conversa.

--- Oliver está tudo bem? Ele pergunta um tanto receoso.

--- Não sei Dig. Eu não confio muito em Quentin. De certa forma temo que ele queira sabotar nossa missão.

--- Tente se acalmar e pensar em Felicity, ela precisa de nós agora.

--- Você tem razão, mas eu temo que o pior tenha acontecido. De certa forma demoramos demais para tomar alguma atitude.

--- Vai dar tudo certo Oliver. No final das contas estamos todos aqui para lhe ajudar. Dig fala me abraçando, coisa não muito comum já que ele não é muito dado a demonstrações de afeto. Quando estou com Dig sinto que além de um grande amigo ele é um irmão que nunca tive. Sempre me colocando na linha e me ajudando quando preciso.

--- Obrigado Dig, suas palavras são sempre sabias. Falo retribuindo com um meio sorriso.

Dou uma olhada de relance para o computador de Ray que contém algumas imagens de satélites e do nada aparece uma área completamente em chamas. Fico curioso para saber do que se trata, vai ver estar rolando algum incêndio florestal.

--- Ray o que é esse ponto vermelho em chamas no meio do mapa? Pergunto interessado

--- É o nosso destino. Ele fala meio temeroso. Sua voz não sai muito firme.

--- O que isso quer dizer de fato? Perguntei com medo de sua resposta.

--- Oliver parece que houve uma explosão no lugar e está tudo pegando fogo. Sei lá as vezes eles estão apagando o rastro e já fugiram.

--- A Felicity pode estar lá dentro, temos que acelerar mais a vã.

A estrada não é das melhores e está cheia de buracos por isso a vã sacoleja bastante nos impedindo de ganhar mais velocidade. A minha vontade é de saltar do carro agora e continuar o trajeto correndo.

--- Oliver eu peço que tenha paciência, mas a algumas horas atrás eu consegui invadir as câmeras de segurança deles e capitei um pedaço das imagens momentos antes da explosão.

--- Então dá o play logo Ray. Falo ansioso.

Tudo começa com um cara bem alto e musculoso amarrando Felicity e um outro homem de meia idade em um troco. Seu pronunciamento era de como ia mata-los e a todos no local. Do nada ocorre uma grande explosão e câmera desliga, tudo fica preto e acaba o vídeo.

--- Não, não pode ser. Felicity não pode ter morrido. Digo com muita raiva socando o vidro da vã. Algumas lágrimas quentes escorrem queimando minha face.

--- Oliver não temos como ter certeza de nada. Dig menciona.

---- Você viu assim como eu as imagens. Como eu pude ser tão tolo. Esse vídeo é de quanto tempo Ray?

--- São de quinze minutos atrás. É bem recente e estamos a exatos cem metros do local.

A vã para bruscamente em frente ao local atingido. Só consigo ver o fogo consumindo toda uma parte da estrutura que está prestes a ceder por completo e outra que já explodiu.

--- Vamos elaborar um plano para tentar encontrar Felicity em meio aos escombros. Quentin comenta tomando a frente da situação. Como sei que nesse caso todo tempo é precioso, não hesito em desafiá-lo.

--- Fiquem vocês ai pensando em algo enquanto eu vou correr e tentar salvar Felicity, se é que ainda tenho chances. A culpa é toda sua Quentin. Falo de forma grosseira e com toda raiva instalada no meu corpo e acabo por lhe dar um belo soco no nariz. Logo em seguida vejo algumas gotas de sangue escorrendo pelo seu rosto.

--- Mantenha a calma Oliver brigar não vai nos levar a nada. Eu vou com você, acho que vai precisar de ajuda. Dig fala me puxando para fora vã. Dessa vez nem ele aguentou as regras chatas de Quentin.

--- Eu dou cobertura a vocês fiquem tranquilos. Vou dando todo posicionamento. Levem esses rádios. Comentou Ray. No final das contas a ajuda dele está sendo mais útil que a de Quentin.

Respiro fundo antes de adentrar no local. Seguro com força o rádio em minha mão sabendo que meu guia pode ser a única salvação de Felicity. Olho com cautela para o ambiente e vejo toda estrutura que sobrou da explosão ser consumida pelas chamas. Algumas partes já caem pelo chão nos fazendo desviar de sermos atingidos. O ar está totalmente contaminado por um gás toxico gerado pela combustão, o que dificulta bastante a nossa respiração.

--- Ray você está na escuta? Pergunto de forma clara e precisa.

--- Sim. Estou utilizando um drone para capitar imagens aéreas da região. Sigam para esquerda parece que a estrutura desse lado está mais estável.

Vou andando devagar tomando o máximo de cuidado com a parte do teto que sede rapidamente. Olhando em volta com mais precisão não consigo visualizar nenhuma pessoa o que me deixa ainda mais nervoso.

--- Ray você consegue avistar alguma pessoa? Pergunto ansioso.

--- Nada por enquanto, porém eu fiz uma avaliação rápida do local. Se vocês não saírem daí em menos de dez minutos o prédio todo vai ruir e podem não sobreviver.

Droga agora é como se fosse uma bomba relógio. Ando mais alguns passos e piso em algo duro, ouço um pequeno barulho vindo chão. Desço meu olhar para verificar o que é e me deparo com o óculos de Felicity. Me agacho afim de certificar que era mesmo dela. E com isso um sentimento repentino de perda invade meu coração. Ele se encontra um pouco danificado, porém é mesmo da minha loira favorita. Guardo com cuidado o objeto no meu bolso. Ando mais alguns passos até me deparar com uma pilha de escombros, algo que está destoando do ambiente. O fogo está rodeando todo local indicando como já tinha consumido uma parte da pilha de destroços. Reúno toda minha força juntamente com Dig para poder retirar o excesso de lixo e coisas inúteis. Quando estou quase na metade encontro o rosto de Felicity em meio a todo esse caos. Posso ver ele todo chamuscado, sua bochecha contém um corte bem profundo que não para de expelir sangue. Assim que consigo retirar mais uma parte do amontoado dos escombros coloco minha mão sobre seu coração para me certificar que ainda está batendo. Sinto algumas batidas bem fracas e descompassadas. O espaçamento entre uma batida e outra é bem grande o que me deixa extremamente preocupado. Olho para o lado e vejo que Dig conseguiu libertar o homem que apareceu no vídeo. A situação dele não é muito diferente da de Felicity.

Retiro o resto das coisas que cobriam seu corpo e só agora posso ter a dimensão real dos seus ferimentos. Felicity se encontra com algumas queimaduras sobre o corpo e parece que está com o braço fraturado e cortado, fora um galo bem grande que está em sua testa a deixando inchada. Desamarro a corda que está envolta do seu corpo e tiro o pano que prende sua boca. Depois tiro minha camiseta para servir de curativo improvisado, envolvo com todo cuidado seu braço e faço um nó apertado executando assim um torniquete. O sangue continua a cair, porém agora o com menos intensidade. Vejo ela respirar com certa dificuldade como se o ar fosse escasso. Felicity já está a tempo demais inalando essa fumaça. Carrego ela em meu colo com um pouco de dificuldade devido as condições do ambiente. Olho para Dig que pede ajuda de Quentin para poder carregar o homem já que ele tem a nossa estatura. Ando alguns pequenos passos desviando das chamas, quando ouço Felicity tossir profundamente e abrir os olhos devagar. Sua mão está apoiada sobre meu peito nu e posso sentir o quão gelado está seu corpo. Seus olhos reviram freneticamente tentando assimilar a situação.

—-- Oliver eu só quero que você saiba uma coisa. Ela fala com certa dificuldade.

—-- Felicity não diz nada, você está muito fraca.

—-- Eu te amo Oliver Jonas Queen. Ouço ela sussurrar com o resto de suas forças e fechar os olhos. Meu corpo se arrepia por completo, da vez que eu mencionei que a amava ela apenas concordou. Só que agora ela tomou essa atitude. Sei que tudo o que está acontecendo é pela adrenalina do momento, mas eu espero ouvir essa frase de novo saindo da boca dela. Ainda posso sentir sua pulsação, porém vejo que ela desmaia. Meu coração se aperta ainda mais vendo todo sofrimento que ela está passando.

Estou bem próximo à saída, quando observo uma explosão que por pouco não me pega. Sinto a temperatura do local se elevar cada vez mais. Meu corpo está suando bastante e mesmo desmaiada eu posso notar a mão de Felicity segurar o meu peito com firmeza. Sinto suas unhas fincadas em minha pele, como se eu fosse abandoná-la. Deposito um beijo suave em sua testa e falo na esperança que ela possa ouvir.

—-- Nós vamos sair dessa Fel. Você é a mulher mais forte que eu conheço. Nisso eu corro com rapidez para fora e vejo mais uma grande parte do local ceder. Corro para vã e deito Felicity no banco de trás. Quando olho novamente seu estado fico imaginando como ela sobreviveu a tudo isso. Felicity é mesmo uma guerreira. Olho para frente e vejo Quentin e Dig carregando o tal homem, logo que saem do galpão em chamas ocorre uma grande explosão que coloca tudo abaixo por definitivo. Eles correm o mais rápido possível e entram na vã.

—-- Pé na tábua, depois vocês vão atrás dos bandidos. Temos que correr o mais rápido possível para o hospital. Vou indicar um atalho que encontrei a você. Ray fala para o motorista.

—-- Dig, muito obrigado por não desistir de mim. Falo apertando sua mão.

—-- Que isso Oliver amigos são para essas coisas. Ele fala suspirando aliviado.

—-- Ei Quentin. Quero agradecer a você também Apesar de tudo você me ajudou e arriscou seu emprego por nós.

—-- Não se acostuma Oliver, foi só dessa vez. Porém você se mostrou outra pessoa Oliver, vejo que madureceu bastante. Ele fala esboçando um sorriso descontraído.

—-- Não está faltando mais alguém nesse momento de agradecimento? Ray pergunta.

—-- Claro Ray, você foi de extrema ajuda. Nos guiou com maestria, eu peço desculpas por ter sido um babaca contigo. Falo lhe dando um aperto de mão ainda sim apertado o fazendo me olhar desconfiado. Solto uma risada e olho em sua direção. Ray é mesmo muito engraçado.

Com isso vamos me direção ao hospital. Ainda correndo nossos riscos.

Notas finais
E ai o que achou? Qual é sua parte favorita? Deixe seu comentário para que eu possa melhorar isso é muito importante. Se gostou bastante, favorite a fic para que mais pessoas consigam encontra-lá. Obrigada a todos :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.