Super-Protetores da Paz: A Busca pela Lesma do Mar

2 Vamos à praia, Jintan! Vai ser o melhor verão de todos!


CAPITULO DOIS

Naquela manhã, os pássaros insistiam em cantar em um tom agudo, repetindo o mesmo ritmo irritante. Jinta Yadomi repousava em seu quarto, sobre o colchão velho, encarando o teto branco com a expressão cansada de quem passara a noite em claro.

“Quando ela não está comigo, minha mente está com ela” a frase soou. Não soube se emitiu o som de sua voz rouca em um sussurro, ou se teria sido apenas mais um pensamento.

Desviando o olhar do gesso branco para a janela à sua direita e fazendo sua cabeça deslizar sutilmente pelo travesseiro recoberto pela fronha de algodão, o garoto solta um suspiro melancólico ao fitar além do vidro a simpática árvore de Sakura, cujas raízes se esgueiravam pelo solo do jardim da casa. A árvore de estrutura delicada, porém resistente contava com uma única flor para torná-la bela.

Com uma leve brisa, esta última flor, pequena, quase branca, era arrancada do restante do caule, dançando pelo ar como se fosse livre da gravidade. O vento a guiava naquela valsa suave, até que a flor pousa no para-peito da janela de Jinta.

Vendo que o tronco não tinha mais flores cor-de-rosa para adornar-se, o jovem sorri.

“Estamos sozinhos juntos” pensou, erguendo-se após se apoiar sobre os cotovelos.

— É oficialmente... o verão –Disse para si, em tom alto que ecoou pelo quarto junto com o ranger dos ossos das juntas de seus dedos.

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A água fria causava ao rapaz arrepios, mas a louça dentro da pia já estava para findar. Como um adolescente e um adulto que trabalha o dia inteiro poderiam sujar tantos pratos? Colocando-os no escorredor, enxugou as mãos em um pano amassado que permanecia comumente apoiado no fogão, seguindo para a sala.

Entediado, a voz da garota de cabelos brancos invadiu sua mente em um timbre animado:

Jintan! Anime-se, é verão”. Ela sorria em sua mente, era possível identificar pela forma como suas palavras eram entoadas. “Vamos para a praia!”.

Ele fechou os olhos, e neste instante uma brisa passou pelo interior do cômodo, lançando os fios negros do cabelo do garoto para trás.

“Por que me atormenta assim?” perguntou sério, sem saber se falava sozinho ou com ela, entretanto, o canto de sua boca demonstrava vontade de pôr-se para cima.

Não fale desse jeito”, protestou a jovem voz, um pouco infantilizada. Agora, passos descalços soavam como se a menina sapateasse sobre o chão de madeira por ansiedade.

Apenas vá embora”, pediu.

Vamos nos encontrar logo, não se preocupe” a felicidade em sua voz ainda era eminente, porém Meiko Honma parecia mais calma. Estava mais perto dele, o coração acelerado do rapaz, com forte pulsação, indicava isso. “Agora, vá atender seu pai”.

Jinta quase abriu os olhos, mas os fechou ainda mais, com medo que esta ilusão acabasse. “Do que está falando?”, questionou.

Sem resposta sonora. Mas uma sensação levemente quente foi sentida em sua bochecha esquerda, o que fez com que ele, involuntariamente, abrisse os olhos de forma abrupta.

Teve a impressão de ver um borrão branco, mas a visão turva daquele que precisava de óculos poderia lhe ter pregado uma peça. Não fazia diferença afinal de contas. De repente, o telefone tocou. Uma, duas, três vezes, e estava prestes a tocar pela quarta quando ele o atendeu.

— Alô?

— Filho, bom dia! –A voz estava intercalada por suspiros de uma respiração ritmada- Tenho uma notícia ótima!

— Hm –Jinta não demonstrou interesse, optou por deixar que o velho pai dissesse tudo, encostando-se em um móvel de madeira próximo.

— Vamos viajar! Recebi o salário deste mês adiantado e, na festa da empresa, ganhei num sorteio cinco dias em um hotel de luxo no litoral!

— Não me diga que vamos...

— À praia! – Atsushi Yadomi interrompeu o filho.

O coração do menor voltou a acelerar. “Menma sabia disso”, pensou impressionado.

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Ao cair da noite, logo que chegou do trabalho, o sr. Yadomi lançou um envelope sonre a mesa de madeira, posicionada no centro da sala.

— “Parabéns” – Jinta começa a ler a carta, após se abaixar, ficando de cócoras – “Você e mais um acompanhante acabam de ganhar um pacote de cinco dias com café da manhã incluso no Hotel Peace” – Ao concluir a breve leitura em voz alta, o garoto deixa a folha sobre a mesa, virando-se para o familiar– Onde fica isso?

— É em um lugar que está tomando conhecimento recentemente, apareceu nos jornais algumas vezes. Chama-se... – Fez uma breve pausa na tentativa falha de recordar-se do nome.

—... Oshiooshi –Murmurou o mais novo, após ler, no verso do envelope, o endereço do hotel.

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