Sunshine Camp
1 Voltando para a casa
Notas iniciais
SavannahParker
Já se passava das nove da manhã quando finalmente avistei aquele velho portão de madeira, o coração acelerou e o sorriso brotou no rosto, há um bom tempo eu não sentia tanta felicidade assim.
Tentei abrir as correntes sem fazer um barulho sequer, todos deveriam estar correndo àquela hora com todos os preparativos, mas Barto, nosso velho labrador, já havia conseguido me jogar no chão antes mesmo que eu conseguisse colocar os pés para dentro.
– Ei negão, eu também senti a sua falta! – Disse, afagando-lhe as orelhas e recebendo, em troca, lambidas suficientes para molhar meu casaco todo.
– Pequena?! – Ouvi uma voz grossa ao fundo e, antes mesmo que eu pudesse levantar os olhos, Jamesjá me agarrara pela cintura e me levantava nos braços. – Como você não me avisou, sua babaca?! – Ralhou ele, enquanto me abraçava forte e ria. – Que saudades da minha irmãzinha!
– Eu também senti saudades, grandalhão. – Respondi, rindo, enquanto agarrava seu pescoço bem forte. Era tão bom estar em casa...
– Deixa só a mãe ver que você tá aqui... Ela vai pirar! – Comentou ele enquanto pegava minha mochila e me guiava pelo velho e conhecido hall.
Agachado ao lado do sofá, provavelmente limpando mais alguma arte do Barto, avistei mais um de meus morenos favoritos e, sem pensar duas vezes, pulei por cima dele, derrubando-o no chão.
– Mas o que... – Ele ia começar a reclamar, até que viu a dona da arte. – Mas não é possível... Sav!
Recebi mais um de meus abraços favoritos naquele momento, acompanhado pelas clássicas cócegas.
– Chris,para! Eu não consigo respirar... – Pedi pra ele, entre risos. Mas aquele bobalhão só parou quando mamãe apareceu.
– Mas que diabos está acontecendo, James?! Até parece que ganhou na loteria! – Mamãe vinha reclamando, mas Chris me largou a tempo de eu levantar e sair correndo dar um abraço na senhora de sorriso mais bonito que eu já vira.
– Savannah! – Gritou ela. – Minha filhota! Que saudades de você! Não avisou que viria, teria mandado seu irmão ir te buscar! Como você chegou aqui? Está tudo bem!? E suas malas?! Como foi a viagem!?
– Mamãe, mamãe... Deixa a menina respirar! – Chris ria atrás de mim.
– Era pra ser surpresa, ué... – Respondi. – As provas terminaram mais cedo... Mas cadê o papai e a América?
– Seu pai está arrumando a fogueira de recepção, os meninos vão chegar antes do almoço... – Mamãe disse.
– Que bom! E tem alguma equipe pra mim ainda? – Pedi, sorrindo.
– Acho importante dizer que sou um capitão mal, então nada de amolecer minha equipe! – James passou o braço pelo meu ombro e piscou, rindo.
– A América vai ficar com o Chris? É isso mesmo produção? – Brinquei.
– Pra você ver como os gêmeos estão evoluindo... – James riu mais.
– E só pra constar, nós vamos ganhar! – Disse Chris, logo atrás de nós.
– Isso é o que você pensa, cowboy! – Falei.
[...]
Depois de mais abraços e surpresas, papai estava ajudando mamãe na cozinha enquanto eu e os meninos fomos dar uma volta por aquele velho acampamento.
– Faz muito tempo, não? – Perguntou América, apontando a ponte do lago. James riu e eu apenas concordei.
– Lembra de quando a Sav caiu dali? Só dava pra ver esses cabelinhos escuros boiando... – Chris relembrava e ria.
– Bons tempos... – Comentei.
– Papai mudou a ordem dos chalés... – James me contou. – Agora a Tempestade é o chalé da direita e o Trovão da esquerda...
– Nós somos o que? – Perguntei.
– Trovões, é claro! – James piscou de leve.
– Ainda são seis pessoas, né? – Quis saber.
– Acho que sim... Mamãe queria aumentar, mas papai estava falando que é bem trabalhoso cuidar de muita gente. Sem falar que no final do verão tem o baile da família, aí não cabe todo mundo aqui... – Chris respondeu.
– Vai ser divertido! – América falou. – Pela primeira vez, desde o começo da faculdade, estamos todos aqui! Agora é só aproveitar!
– Agora que nossa coelhinha voltou... – Chris provocou.
– Para! – Pedi, fazendo careta. – Meus dentes não são mais tão grandes...
– Pensa pelo lado bom... Pelo menos você não era a girafinha da família... – James piscou pra mim, fazendo América dar um tapa no braço dele.
– E eu não sou mais tão alta e desengonçada, ok? – Reclamou ela.
Finalmente... Era bom estar em casa, era bom estar com a família, mas melhor ainda era saber que eu teria o verão inteiro ao lado daqueles bobalhões que eu costumo chamar de irmãos.
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