Sunshine Camp
6 Quartel general
Notas iniciais
Charlotte Jones
Caminhamos por uma trilha meio escondida, próxima ao chalé de entrada, com América e Chris à nossa frente, aparentemente estávamos indo para os dormitórios.
Estava distraída, olhando para todos os lados, admirando a paisagem, quando esbarrei em um dos meninos da minha equipe.
–Nossa, desculpa! – Falei, apressada.
– Ei, não olha por onde anda?! – Reclamou o garoto.
– Calma aí, foi sem querer. – Respondi, um tanto surpresa com a grosseria. – Desculpa!
– Tudo bem... – O garoto respirou fundo, colocou as mãos nos bolsos e continuou a caminhar.
Meio distraída ainda, sorri quando notei que o tal garoto parecia andar mais devagar, ao meu lado.
– Sou Charlotte Jones. – Falei meio baixo e por um tempo achei que ele não tivesse ouvido.
– Justin Cook. – Ele respondeu. Sua voz era baixa e rouca.
– Enfim chegamos! – Ouvi América à nossa frente. – Sejam bem vindos ao chalé mais badalado de Sunshine Camp!
Olhei na direção que a loira havia apontado e me surpreendi: diferentemente do que eu imaginava, o chalé era grande, como uma pequena casa na floresta. Era todo de madeira, rústico, com uma escadinha pequena e uma varandinha com cerca de madeira ao redor dela toda.
Ainda no gramado em frente ao chalé tinha uma plaquinha com o nome Tempestades escrito.
– E então... Não é a coisa mais deliciosa do mundo? – América perguntou, alguns minutos depois. Eu não havia me dado conta do tempo que tinha levado admirando o lugar e, olhando para as pessoas à minha volta, reparei que eu não tinha sido a única.
– Bom galera, vamos parar de babar e entrar! – Chris apressou todo mundo, que parecia andar mais devagar para apreciar o lado de fora.
Assim que entrei, encontrei-me numa sala não muito grande, mas confortável. Dois sofás pretos, um de frente para o outro, separados por uma mesinha de centro com um lindo vaso de flores em cima. Um tapete felpudo que me fez ter vontade de ficar descalça ocupava a maior parte do cômodo e, na parede de frente para a porta, uma janela grande, com cortinas brancas, que deixava à vista o nascer do sol e o oceano. Por último, havia um pequeno frigobar no canto, ao lado de uma estante bonita.
– Meninos para o lado direito, meninas para o esquerdo! – Chris falou mais alto, tentando calar os burburinhos.
Havia uma porta de cada lado da sala, América foi para um lado e Chris pro outro. Eu e as demais meninas acompanhamos a loira.
– Agradeçam por serem da equipe com menos meninas, assim sobra mais espaço no quarto. – Brincou a monitora.
O quarto era grande até, tinham quatro camas, duas na parede à esquerda e as outras duas na parede à direita. No meio do quarto tinha outro tapete como o da sala, só que este era rosa, combinando com as colchas das camas. Todos os móveis, paredes e pisos eram de madeira. Ao lado de cada cama tinha uma mesinha de cabeceira com um abajur pequeno e delicado.
– Confortável, não? – América perguntou, sorrindo.
– Mas são quatro camas... – A garota morena, Ivvy, eu acho, falou.
– E vocês acham que eu vou dormir onde? – América perguntou.
– Achei que... Bom... Que você tivesse um quarto separado, sei lá... – A menina respondeu, meio contrangida.
– Sou tão jovem quanto você, mocinha! – Nossa monitora falou em um tom de reprovação, mas engraçado.
Todas rimos um pouco e América nos deu dez minutos para nos organizarmos, depois nos encontraríamos na sala. Vi em qual das camas minhas malas haviam sido abandonadas e sentei-me alguns minutos, vi que as meninas fizeram o mesmo. Em seguida, percebi uma porta de correr de frente para a porta pela qual entramos, e deduzi que fosse o banheiro.
Por pouco não acertei!
Assim que abri a porta, vi um corredor meio largo com algumas prateleiras, uma espécie de closet e, dentro desse corredor, a porta para o banheiro. Pelo menos teremos mais privacidade, pensei. Curiosa como sou, fui fazer uma visitinha para o último cômodo que restava e descobri-o mais espaçoso do que eu imaginava. Tinha uma cortina escura entre o box e o resto do banheiro, de modo que poderíamos tomar banho e deixar que as outras meninas também o usassem.
– Ei, acho que temos que ir pra sala! – Ouvi a voz da mesma menina me chamando.
– Ah, obrigada! – Disse assim que cheguei ao quarto. – Sou Charlotte.
– Eu sou Ivvy. E essa belezinha aqui é a Abbie! – Ivvy respondeu, fazendo uma careta para a ruiva, que mostrou a língua para ela. Que vontade de apertar a tal Abbie! Ela era tão fofa!
– O que estão achando de tudo isso?! – Perguntei, me referindo ao quarto.
– É lindo! – Abbie respondeu.
– Nunca imaginei estar em um lugar desses! – Ivvy falou, com os olhos brilhando.
– O acampamento mal começou e as madames já atrasam!? – Ouvimos a voz de Chris do lado de fora da porta.
– Calma aí moço! – Respondi, abrindo a porta e saindo com as garotas, todos já estavam na sala.
Brandon Iniesta Sweeger
Estávamos todos reunidos na sala quando as meninas entraram. Chris já havia nos apresentado nosso quarto e eu já tinha aproveitado pra jogar minhas roupas num canto qualquer. Os meninos eram até que bem legais, não tinha conversado muito com eles, pra ser sincero alguns pareciam mais fechados, mas fazer o que, né?
– Então pessoal... – Começou Chris, andando de um lado para o outro, quando todos já estavam acomodados na sala. – Meu pai deixou algumas outras informações pra passar pra vocês, nada muito emocionante...
– Onze provas. – América leu no papel.
– Isso! São onze provas ao longo do verão. – Chris explicou. – Algumas delas vão ser marcadas antes, vocês saberão que prova vai ser e onde vai ser. Nessas provas vocês devem estar extremamente preparados, porque devemos garantir a vitória no que sabemos para podermos nos preocupar um pouco menos com as provas surpresas. Ok?
Todos assentiram.
– Comportamento. – América leu.
– Bom, devemos lembrar que comportamento é uma coisa importante. – Chris prosseguiu. – Não só pela equipe, mas também para si próprio. Quer dizer...
América pigarreou e Chris olhou para ela.
– Prova final. – América falou, apontando para o papel.
– Isso! Então, no final do acampamento, cada equipe deve apresentar uma prova de finalização, a número onze. Pode ser uma apresentação, um número, um projeto... Enfim, é a equipe quem decide o que vai ser e como vai ser. Nessa prova, conta a criatividade e o espírito de equipe. – Chris informou. – No final também terão prêmios para o melhor acampante em diversos aspectos, como o que se destacou em provas, o com maior espírito de equipe, e, por último, como todas essas boiolagens... Terá o rei e rainha do acampamento, que serão coroados no Baile de Verão, no último dia de vocês aqui...
Makaria Bawrning
Reunião. Tem coisa mais chata?!
Savannah e James estavam de pé na sala minúscula do nosso chalé falando e falando sobre provas, preparação, prêmios e bailes... Todos pareciam prestar atenção, animados com a ideia de receberem uma coroa de plástico ou uma faixa de tecido como prêmio, patético.
Estava distraída com a minha unha, que por mais que eu lixasse, não ficava do jeito que eu queria...
– Senhorita... ? – Ouvi alguém me chamando e levantei a cabeça. James me olhava com um ar mal humorado. – Você pode, por favor, prestar atenção? Ou pelo menos fingir que presta?!
Revirei os olhos e cruzei os braços, fitando-o e incentivando-o a continuar.
– Então... Outra coisa importante que consta aqui são os treinamentos. Eu e Savannah conversamos e concordamos que, para estarmos preparados para as provas surpresas, devemos treinar coisas básicas, como natação, escalada e corrida, ok? – James perguntou.
– Sem falar no trabalho em equipe, galera. – Savannah completou, sorrindo. Meu Deus, essa menina era sorridente demais! – Vamos fazer vários treinamentos em equipe pra vocês poderem tanto se conhecer quanto aprenderem a confiar um pouco mais uns nos outros, ok?!
Todos assentiram, até que um garoto levantou a mão.
– Como funcionam essas “provas surpresas”? – Perguntou ele. Era Emerson, o garoto gatinho que parecia interessante.
– Ah sim. – James assentiu. – Ninguém sabe quando ou como vão acontecer, nem mesmo nós monitores... Em algum momento aleatório, às vezes até no meio da madrugada, a sirene toca e todos devem correr para o jardim em frente ao lago. Lá receberemos as informações do que devemos fazer...
– Como assim? De pijama mesmo!? – Perguntei.
– Exatamente. – Savannah falou. – Por isso é bom dormirem com algo maior que suas roupas íntimas.
– Pode nos contar como foi uma dessas provas?! – A menina com sotaque engraçado, Clarice, pediu.
– Uhm... – James coçou o queixo, pensando. – Uma vez a sirene tocou por volta das três da manhã. Era um dos dias mais quentes de verão. Aí quando chegamos em frente ao lago, tinham dois botes parados. Um por vez de cada equipe tinha que entrar no bote e ir até o centro do lago, onde tinha uma boia com diversas bandeiras amarradas. A prova acabava quando todos da equipe pegassem a bandeira.
– E os monitores? – Damon perguntou. Ele parecia bem tímido e estava sentado ao lado de Clarice.
– Ah então, boa pergunta! – Savannah falou. – Em provas já marcadas, os monitores servem como guia. Nós não participamos da prova, apenas treinamos vocês e ficamos lá na hora pra ajudar com dicas e essas coisas. Já em provas surpresa, os monitores podem ser “substitutos” dos acampantes. Por exemplo, para quem não sabe nadar e for uma prova que inclua isso, um de nós pode substituir um de vocês. Mas apenas um de vocês pode ser substituído por um de nós, não mais que isso.
– E no caso de alguém se machucar antes de alguma prova marcada? – A menina de sobrenome russo perguntou. Não me lembrava do nome dela ainda, mas tanto faz.
– Em casos assim, um de nós pode ficar no lugar de vocês. – Savannah explicou. – Mas são casos excepcionais e o médico do acampamento tem que comprovar que vocês não podem fazer a prova mesmo. Se for um machucado pequeno, como um cortinho ou uma dor de cabeça, isso não acontece.
– Mais alguma pergunta? – James perguntou depois que todos ficaram em silêncio por um tempinho.
– Quando vai ser a primeira prova? – Olívia, a garota ao lado de Clarice, perguntou.
– Ainda não foi marcada, eu acho... – Savannah respondeu, indecisa, olhando para o irmão, que assentiu.
– O que nos faz acreditar que a primeira prova será uma prova surpresa! – James completou. – Então estejam preparados!
– E... Quando começamos a treinar? – Willian se animou. Deus que me livre, minha vontade era de afogar aquele menino no lago depois dessa pergunta.
– Uhm... Vejo que estão animados! – James brincou. – Amanhã as seis e meia da manhã quero todos de pé pra uma corrida antes do café da manhã, ok?
– VOCÊ TÁ LOUCO?! – Gritei sem pensar.
– Algum problema, senhorita?! – James sorriu de lado.
– Ninguém acorda às seis e meia da manhã.
– É, você tem razão... Acho bom a senhorita colocar o despertador para meia hora antes se não quiser se atrasar. Seis e meia todos já deverão estar vestidos em frente ao chalé, sem atrasos. – James respondeu. Ele era o próximo na minha lista de afogamentos. Babaca.
Thomas L’Amberg
Dadas as devidas instruções, Chris nos liberou para dar uma volta pelo acampamento e conhecer melhor o lugar. Assim que saí do chalé das Tempestades, que era de frente para o dos Trovões, vi que os outros monitores também pareciam ter liberado sua equipe, pois alguns acampantes saíam do chalé.
– Thomas, não é? – Ouvi alguém me chamando e virei para trás. Era um garoto da minha equipe, Brandon.
– Isso aí, Brandon, não é? – Perguntei e o garoto assentiu.
– E aí, o que achou de tudo?
– Você tá brincando? É sensacional! – Respondi.
– Estou louco pra começarem as provas. – Admitiu.
– Eu também! Fico imaginando que loucura vamos ter que fazer por aí...
– Acho que vai ser divertido! – Comentou.
– Também acho, só não sou o maior fã de surpresas...
– Ah, qual é! – Brandon deu um soco de leve no meu braço, rindo. – Surpresas são as melhores.
– Espero que tenha razão então! – Falei.
Continuamos a conversar, Brandon era um cara legal e, diferentemente do que muitos imaginavam, ele parecia não gostar muito de falar sobre música ou sua carreira.
– Quero esquecer um pouco o mundo lá fora. – Admitiu ele. – Tentar ser um cara comum...
– Deve ser cansativo... Digo, as pessoas sabendo tudo da sua vida e te infernizando por isso... – Comentei.
– Pode apostar que é...
– Mas deve ter seus pontos positivos, sei lá, garotas?! – Brinquei.
– Ah, com certeza! – Ele riu. – Mas chega uma hora que cansa de ter milhões de garotas ao redor que só se interessam pela sua fama... E é bem mais difícil saber se elas estão interessadas por você ou pelo que você pode proporcionar a elas...
– Uhm... Faz sentido.
Estávamos próximos ao lago quando vimos duas garotas conversando sob uma mesa de piquenique, debaixo de uma árvore.
– Vamos até lá. – Brandon chamou.
– Fazer o que?! – Perguntei.
– Conhecer gente nova, ué! – Respondeu ele, rindo.
Clarice Coelho
– Eu não quero nem pensar em acordar às seis amanhã! – Reclamou Via, me fazendo rir. Realmente, seria cansativo.
– Ei, podemos nos sentar por aqui?! – Perguntou um garoto, aproximando-se de nós.
– C-claro! – Via engasgou um pouco.
– Sou Brandon, esse é o Thomas! – O garoto se apresentou e apontou seu amigo, parado logo atrás.
– Sou Clarice, essa é a Olívia. – Falei.
– Trovões? – Perguntou o tal Thomas.
– Tempestades? – Perguntei de volta, sorrindo.
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