Summers Brothers (Hiatus)
3 Attack Of The Beast
Notas iniciais
Após salvarmos Sammy fomos procurar um lugar para ficar. Acabamos encontrando um motelzinho barato e levemente confortável eu diria. Como tinha apenas uma cama eu acabei dormindo no sofá, se é que dava para dormir, por que o garoto não parava de falar, querendo saber sobre mim e Lorna.
Sinto meu rosto quente, minha pele esta um pouco molhada de suor. “Ah, odeio o inverno, estou com frio, aí me cubro de cobertas e acabo suando” penso comigo. Abro os olhos com dificuldade, a janela esta aberta e o sol bate bem no meu rosto. Bocejo extravagantemente e enfim me levanto do sofá. Olho para as camas e elas estão arrumadas. “ Onde aqueles dois foram parar?”. Abro a porta do quarto e saio para a rua. Olho para a loja de conveniência que tem ao lado da recepção do motel e os dois estão lá, comprando guloseimas. Caminho em direção deles quando ouço um gruído alto, como um animal que dor. Olho para os lados e não tem ninguém, presumo assim que veio de um dos quartos.
Agora se ouve um gemido mais baixo, mas parece vir do quarto ao lado. Caminho lentamente, tentando não fazer barulho sobre o chão de madeira, e tento expiar pela janela. Um uivo alto faz com que as madeiras tremem e o meu corpo também, apesar que eu acho que tremi de medo. Me escoro na parede ao lado da janela do vizinho, e percebo que estou mordendo os lábios. “Qualé, o que pode ter lá?” Me pergunto e então inclino minha cabeça em direção à janela. Pelo meu azar tem uma cortina que me impede de enxergar, mas eu abro um pouco a janela deixando uma brisa de vento entrar, balançando a cortina fina e branca. Minhas mãos tremem contra o meu corpo. Um homem grande, maior que a cama, musculoso do tipo que está a ponto de explodir, esta deitado nela se contorcendo de dor. Seu peito parece estar perfurado como uma peneira, mas parece que os buracos são de tiros. Seus rosto também esta manchado de sangue, deixando a barba em tom vermelho. Ele gruí outra vez, deixando a mostra dentes afiados na boca.
Apesar da aparência de dar medo, estava disposto a entrar ali e ajudar o cara. Estava até ouvir um som de metal. Olho procurando o que fez o som e vejo uma bala saindo do peito do homem. Em seguida o buraco se fecha, mas ele continua a gemer. ELE É UM MUTANTE TAMBÉM! Meu pensamento se vai e se ocupa por um grito mental, que só não o solto por estar mordendo os lábios. Sinto alguém tocar meu ombro e minhas pernas tremem. Olho pelo os cantos dos olhos e vejo os cabelos esverdeados da Lorna.
– O que estava espiando aí? – Diz ela, com um pacote de bolachas em uma mão e café na outra. – Parece que viu o Freddy Krueger.
Solto o ar que prendia lentamente. – É mais feio que o Freddy Krueger e é um mutante, e parece estar ferido. – Digo quase sussurrando.
– Então vamos ajudar. – Lorna já estava indo em direção a porta do quarto dele, mas eu a puxo pelo braço.
– Não, está louca? Nem o conhecemos.
– Eu te conheci ontem e já dormi no mesmo quarto que você apenas de camisola. – Diz ela, me deixando vermelho. Não tinha visto com o que ela tinha ido dormir.
– Mas ele parece perigoso. – Contesto.
– Nós também parecemos ser. Pega o café e a bolacha e deixa que eu cuido disso. – Ela me entrega as coisas e caminha até a porta. Vou atrás dela, apesar do medo eu estava com fome e por isso enfiei uma bolacha na boca e tomei um gole do café com leite.
Ela abre a porta e o homem esta sentado na beirada da cama. Ele não olha para nós, ele da uma cheirada no ar e depois sorri.
– Desculpa, mas você está machucado? – Pergunta ela.
– Sim, estou. – Ele finalmente vira o rosto, que é coberto pela barba e rugas, tem menos sangue agora, mas seu sorriso exibe as presas. – Estou com o coração partido, acho que você pode me ajudar, boneca.
– Estúpido. Nós também somos mutantes e queríamos ajudar. – Lorna diz já com raiva. Ele se levanta e da um passa a frente, eu dou um passo a atrás, mas ela continua no mesmo lugar e então eu volto ao seu lado.
Ele sorri novamente e passava a mão sobre as calças, exatamente naquele local. – Quer ver minha mutação, lindinha?
Lorna fica quieta por alguns segundos, sem resposta, mas depois se vira e acaba batendo em mim que estava logo atrás e diz. – Você sair daqui.
– Mas já tão cedo? – O mutante foi rápido e silencioso, já estava bem perto de nós, segurando o braço da minha amiga. Eu estava com medo e não sabia o que fazer e mal percebi ele me empurrar para fora do quarto e fechar a porta. Lorna solta um grito, mas percebo que é abafado, provável pela mão do monstro.
Bato com os punhos na porta, quero gritar por socorro, mas se aparecer uma multidão aqui será pior, por que somos mutantes.
– O Dente-de-Sabre aqui vai dar um trato na sua namoradinha, rapaz. – Diz o mutante de dentro do quarto. Ouço um som, parece que ele a jogou na cama.
Ela não é minha namorada, eu penso. O que estou fazendo? Respiro fundo e tento em acalmar, estico o braço, soltando uma rajada contra a porta. A rajada foi fraca, tinha a chance de machucar a Lorna, mas por sorte, a porta voo e bateu nas costas do tal Dente-de-Sabre. A porte se quebrou, mas ele nem se arranhou.
– Saia de cima dela, sua aberração! – Digo ao ver ele em cima dela, ela estava com as roupas rasgadas, mas não parecia estar machucada, apenas apavorada.
Eu o ataco desta vez com uma rajada de plasma mais forte. O quarto brilha sobre o tom de vermelho dos meus poderes e ouço o som do mutante se chocando contra a parede. Ele se levanta e balança a cabeça.
– Você bate feito uma bichinha. – Diz ele com um sorriso cafajeste estampado no rosto.
Sinto meu corpo se aquecer, meu poder se envolve como um casulo no meu corpo. Estou repleto de raiva e sem pensar direito, ou melhor, sem ao menos pensar. Parto para cima dele, mas aos socos. Acerto dois socos fortes em sua cara, que fazem meu punho ficar dolorido na hora, mas ele continua a sorrir. Dente-de-Sabre põem a mão no meu ombro e eu sinto suas garras perfurarem minha pele, mas eu não grito apesar da dor. Chuto a sua barriga, mas ele se move poucos sentimentos para trás e depois da um tapa em meu rosto, fazendo com que eu bata na parede ao lado.
Dizem que quando esta com adrenalina você não sente dor, eu acho que é mentira. Minha cabeça dói e eu me sinto tonto, quero me deitar ou vomitar. Caminho mancando em direção a ele, mas o vejo correndo até a mim e depois só sinto o soco no peito. O ar se esvai dos meus pulmões e eu cuspo sangue pela boca. O gostinho ruim, penso. Lorna deve estar deitada na cama ou pensando que não tem quem a salve, ou rindo de como eu sou patético.
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