Summer Paradise: A Nova Geração
15 Meu destino está aqui
Notas iniciais
Nada como um bom e velho videogame para acalmar os nervos do monitor-mor da Fairy Tail.
-Morre, desgraçado – Bixlow amaldiçoou sob sua respiração assim que um homem armado do jogo apareceu na tela.
O mago tinha certeza de que a essa hora da noite Freed estaria em uma boate gay se pegando com o primeiro intelectual que se parecesse com Laxus. Este, por outro lado, estaria enterrado sob uma pilha de papeis – já que, desde que se tornara mestre da guilda, Laxus não sabia fazer outra coisa. Portanto, Bixlow se considerava o mais sortudo entre os três.
Lógico, seria ótimo ter uma namorada ou algo parecido. Entretanto, mulheres não se sentiam muito atraídas por homens vestidos em roupões com um controle de videogame nas mãos.
Mulheres eram estranhas, de qualquer forma.
- Bixlow – uma voz masculina disse.
Bixlow arregalou os olhos.
- Bixlow!
- Morre! – Bixlow gritou, apertando loucamente os botões. – Morre, maldito inimigo! Como sabe meu nome?
- Bixlow!
Dessa vez, a humilde tela de cem polegadas se apagou.
- Você pode, por favor, me ouvir agora? – A mesma voz disse.
Levemente envergonhado, Bixlow ergueu os olhos e encontrou uma das pestes que ele supostamente deveria estar cuidando.
- Ah, — Bixlow pigarreou. – Leonardo. Já não deveria estar dormindo? Acho que já passou do toque de recolher.
O garoto não pareceu se importar com o comentário de Bixlow. Sua expressão mantinha-se dura.
- Leia isso – o loiro disse, jogando-lhe um bilhete.
Agilmente, Bixlow pegou o pedaço de papel. Piscando algumas vezes, seus olhos rapidamente se ajustaram à caligrafia fina.
Vou ficar fora por uns tempos. Talvez eu volte. Talvez não. Dana, por favor, tome conta das minhas botas que não couberam na mala. Por tudo que é mais sagrado, não deixe a Jo vesti-las em algum tipo de fantasia sexual com alguém.
K.
- Por favor, — Bixlow murmurou, relendo o texto. – Por favor, não me diga que esse K é de... é de... Fudeu, o Laxus vai me matar.
Leonardo revirou os olhos.
- Não podemos deixar o Laxus descobrir – Bixlow disse rapidamente, andando de um lado para o outro. – Se o Laxus descobrir...
- Bixlow! – Leonardo disse perdendo a paciência. O garoto chacoalhou o mago com força, tentando trazê-lo de volta. – Nós precisamos fazer alguma coisa!
Bixlow assentiu.
- É verdade – ele disse. – Precisamos fazer alguma coisa. Menos contar ao Laxus. Onde você encontrou isso, rapaz?
- Eu... – Leonardo disse hesitante.
O que ele diria? Ah, umas garotas da nossa própria guilda que estavam assaltando o quarto da filha do mestre encontraram e me entregaram.
- Encontrei no quarto dela – disse por fim.
Semicerrando os olhos, Bixlow encarou desconfiado o garoto.
- Você sabe que garotos não podem frequentar os cômodos das garotas, não é?
Novamente, Leonardo revirou os olhos.
- Pensei ter visto a novata em seu quarto outro dia – ele caçoou.
**
Dizem que as pessoas enlouquecem na cadeia. Yoga certamente estava enlouquecendo, mas não divido ao ambiente em si, mas sim pelos protestos de Katharina.
- Você sabe quem eu sou? – A morena gritava ao guarda que acabara de trancá-las em uma cela. – Meu pai vai acabar com você. Vai esmagar você, insolente! Vai fritar você!
- Não iria prendê-las se a sua amiga não tivesse tentado usar a magia dela em mim – o guarda disse. – Só iria dá-las uma advertência por terem roubado. Porém, agora as duas irão ficar aí por três dias.
- Três dias?! – Katharina arfou preocupada.
- Ou paguem a fiança – o guarda disse, rindo maliciosamente. – Duvido que consigam. Não tinham nem mesmo dinheiro para pagar um lanche. Quem diriam mil e novecentos jewels!
- Chame o meu pai! – Katharina ordenou. – Ele vai acabar com essa espelunca que chamam de polícia.
- Uma semana, agora – o guarda disse, seu cabelo grisalho deixando-o sombrio. – Por tentativa de agressão e desacato à autoridade.
- O quê? – Katharina gruinhiu. – Yoga, diga a este homem que ele não pode fazer isso.
- Ele pode sim – Yoga disse indiferente, olhando suas unhas.
- Urgh – Katharina gemeu. – Meu pai é Laxus Dreyar. Ele vai arruinar a sua vida.
- Sei... – o policial disse cômico enquanto se afastava. – E minha mãe é Mirajane Strauss. Francamente, seu eu ganhasse um jewel toda vez que escuto que alguém é filho do Laxus...
Katharina bufou e se virou para Yoga.
- Sua estúpida, você realmente tinha que tentar atacar o homem –
Ela abruptamente parou de falar quando percebeu que ela e Yoga não estavam sozinhas.
Dois garotos, um incrivelmente alto e magrelo, enquanto o outro baixo e barrigudo, olhavam-na com cautela. Uma garota baixa, de cabelos castanhos quebradiços e emaranhados, posicionava-se entre os dois.
- Oi, — a menina disse, sua voz anormalmente aguda e seus dentes amarelados, como se ela não os higienizasse a dias. – Meu nome é Bruna. Esses são meus namorados, os Eduardos. Os dois se chamam Eduardo, legal, né?
Katharina arregalou os olhos.
- Yoga me tire daqui agora! – a maga do gelo cochichou. – Por favor.
- Não posso fazer nada – Yoga disse. – As celas daqui são a prova de magia. Mas, não se preocupe, já fui presa antes. Não é tão ruim quanto parece.
- Essas pessoas me assustam – Katharina admitiu lentamente. – Parece que elas nunca ouviram a palavra higiene.
Yoga deu de ombros.
- Com licença, — a menina que se chamava Bruna engatinhou até parar diante delas. – Posso lamber a perna de vocês? Parecem macias.
- Adoro pernas macias – Um dos namorados de Bruna, Eduardo magrelo, comentou.
- Eu também – o Eduardo gordo concordou.
Yoga semicerrou os olhos e fez um barulho que se parecia, simultaneamente, com um rosnado e um latido. Assustados com o som, o trio se afastou rapidamente, encarando-a com medo.
- Por que eu tenho que passar hidratante importado das montanhas do sul todas as noites antes de dormir? – Katharina se lamentou. – Pessoas como eles querem lambe-la.
Cansada, Yoga revirou os olhos.
- Não é com eles que você tem que se preocupar – A maga disse, passando a mão por seu cabelo violeta. – São inofensivos. Já aquele garoto, não para de olhar para você. É como se uma aura estranha emanasse dele.
Katharina olhou na direção que Yoga apontava e notou um garoto que não tinha visto antes. Ele parecia pálido a fraca luz amarela da cela, mas a intensidade de sua expressão deixava claro que ninguém deveria se atrever a mexer com ele. Katharina se encolheu, sentindo-se frágil sob o olhar dele. Era como se ela fosse um suculento pedaço de carne e ele um pitbull faminto.
- Eu quero a Tris e a Dana – Ela murmurou, desejando mais do que nunca a proteção de suas heroínas.
Em um raro gesto de solidariedade por parte de Yoga, ela colocou a mão sobre o ombro de Katharina.
- Ele não pode fazer nada aqui, ninguém consegue usar magia nessa cela – ela disse calma.
Katharina balançou sua cabeça, sentindo-se zonza com os acontecimentos do dia.
- Eu estou presa – ela disse incrédula. – Eu, Katharina Dreyar, estou presa.
Yoga riu, sentindo-se leve pela primeira vez em muito tempo.
**
- Nós temos que ir, galera – Nathan disse com um tom de comando. – Já estamos com problemas. Misaki já nos fez o favor de contar ao Leonardo que nós assaltamos as meninas do X-Timeless.
- Ele não vai contar para ninguém! – Misaki fez questão de acrescentar. – É sério. Podemos confiar nele. E mais, nós precisávamos entregar a alguém o bilhete da Katharina que a Ju-chan encontrou no quarto.
- Prefiro não correr nenhum risco – ele disse, suspirando.
- Então, vamos logo – Juliiana disse. – Todos já pegaram suas coisas?
Hana e Linnea assentiram. Misaki segurou firme as alças de sua mala, como se dessa forma ela pudesse deixar de sentir que estava fazendo algo errado. Ela não queria ir. Algo dentro dela a dizia para ficar.
Bobagem, Misaki pensou. Por que ela não iria à primeira missão extraoficial de seu time?
Eles começaram a andar rápido e sistematicamente, quase sincronizados. Como se pudesse sentir a ansiedade de Misaki, Hana colocou sua mão sobre a dela, tentando camuflar sua própria insegurança. Pessoas que passavam pelo grupo nem imaginavam que eles estavam prestes a se desafiarem em uma aventura quase suicida.
- Ei, Linnoia! – Uma voz conhecida gritou, aproximando-se – Já provou esse sorvete de laranja? Tem gosto de Laranja! – O sorriso no rosto de Ricardo se desfez quando ele notou as malas na mão da garota. – Você vai embora?
Imperceptivelmente, Linnea torceu um pouco sua boca, não entendendo porque algo dentro de si parecia derreter dolorosamente.
- Linnea, vamos – Juliiana disse.
- Nosso tempo está se esgotando – Nathan complementou.
- Você fica quieto, Nathaniel – Ricardo disse bravo, e voltou a olhar para Linnea. – Você vai mesmo embora?
- Eu... – Ela pigarreou, recuperando sua confiança. – É claro que não! Não vou embora!
- Não? – Hana perguntou, sentindo-se perdida.
- Quero dizer, — Linnea gesticulou com a cabeça, tentando pensar claramente – eu vou sim.
- Por quê? – Ricardo perguntou, seus grandes e redondos olhos pareciam estar enchendo de lágrimas. – Eu não quero que você vá.
Automaticamente, ela encarou-o. Era como se todas as sombras que a perseguiam tivessem a abandonado. Ela estava sozinha sob o olhar do patético, mas ainda assim lindo em sua própria maneira, Ricardo Strauss.
- Você não precisa ir se não quiser – Nathan disse carinhosamente, entendendo melhor do que a amiga o dilema que ela passava.
- Eu... – Linnea disse incerta. Por que ela não sabia o que fazer?
- EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ IR! – Ricardo gritou e lançou-se sobre ela. Seus incrivelmente musculosos braços cercando-a pela fina cintura.
Pela primeira vez, Linnea sorriu. Um sorriso tímido, mas inocente.
- Tchau, Lin-chan – Nathan disse. – Veremos você depois.
- Tchau – Hana disse sorrindo, sabendo que essa seria a escolha que deixaria Linnea feliz.
- Não vão ter nenhum filho até a gente voltar! – Juliiana comentou, andando depressa.
Misaki sorriu para Linnea, que parecia em extrema êxtase para responder a qualquer um deles.
Ela sentiu a brisa balançar seus cabelos roxos enquanto deixava a amiga para trás e seguia o grupo. Misaki queria poder dizer que as lágrimas que se formavam em seu rosto eram fruto do vento que a incomodava, ou, até mesmo, que eram lágrimas de felicidade por Linnea, mas ela sabia que isso seria mentira.
Misaki estava prestes a chorar de inveja. Porque nenhum príncipe encantado, mesmo na forma de Ricardo Strauss, estava-a impedindo de ir. Ela queria chorar porque ela havia dito a Leonardo que partiria a um cenário perigoso e ele não estava aqui para impedi-la. Leonardo não estava aqui e Misaki simplesmente não podia suportar isso. O que era bobagem, já que ela amava Mike.
Ela não queria partir.
- Nós temos que andar depressa – Nathan disse. – Vamos caminhar pela praia, acredito que seja o caminho mais rápido.
- Eu não vou – Misaki disse, interrompendo seus passos.
- O quê? – Nathan esbugalhou os olhos.
- Deixe de besteiras, Misaki – Juliiana reclamou. – Temos que deixar essa cidade logo. Já pensou no que vai acontecer quando Dana e Tris se derem conta de que as roubamos?
Misaki tremeu e deixou suas malas caírem aos seus pés.
- Eu não vou – ela repetiu. – Não quero ir.
- Misaki! – Juliiana repreendeu-a.
- Por quê? – Hana perguntou, sua voz suave.
A maga teve dificuldade em engolir.
- Meu coração está me dizendo para ficar – ela disse com a voz fraca, como se as palavras doessem.
- Pensei que nós éramos um time! – Juliiana exclamou irritada.
- Nós somos! – Misaki se apressou a dizer. – Sempre seremos. Eu amo vocês, de verdade. Mas acho que meu destino está aqui.
Misaki buscou conforto no olhar de Nathan, que parecia ser o mais experiente e compreensivo do grupo. Ele sorriu.
- Espero que encontre seu pai – ela murmurou.
- Eu vou – ele assentiu.
- Desejo a vocês toda a sorte e –
Misaki não conseguiu completar sua frase, porque Juliiana enterrou seu rosto no peito da irmã.
- Não quero que você vá – Juliiana sussurrou. – Vou sentir sua falta, sua monte de lixo.
Um sorriso dominou a expressão de Misaki ao ouvir, provavelmente, as palavras mais doces que a irmã diria durante sua vida inteira.
- Vou sentir sua falta também – Misaki levou a mão as bochechas para enxugar as lágrimas.
- Você não vai desistir, não é? – Nathan sussurrou para namorada. — Não sei se eu conseguiria sem você, Hana.
Hana sorriu.
- Nunca vou abandonar você – ela disse séria. – Eu não suportaria viver se fizesse isso.
Nathan assentiu, visivelmente mais calmo.
- Ju-chan, nós temos que ir – ele disse, impedindo as irmãs Fullbuster de continuarem sua despedida.
- Não é um adeus – Misaki disse, tentando sorrir. – Vamos nos ver em breve.
- Pode apostar – Juliiana respondeu.
**
- Albertino, o perdedor – Key disse em um tom de zombaria.
- Muito engraçado, pateta – Victor revirou os olhos. – Esse ano as coisas irão mudar.
- Ah, é? – Key riu. – Eu duvido. Meu robô está imbatível.
- O meu está melhor. E, a propósito, você fede.
- Você é quem fede – Key respondeu. – Você fede tanto que nem o Dobby de Harry Potter iria querer ganhar uma meia sua!
Victor pareceu ofendido.
- Seu fedor é tamanho que é o motivo pelo qual o Voldemort não tem nariz!
Tris ergueu uma sobrancelha enquanto assistia aos dois garotos trocarem insultos de nerds.
- Você está entendendo algo? – Kano perguntou à loira.
- Não – a dragon slayer admitiu. – Vamos gritar “briga, briga, briga”?
Kano olhou espantada para ela.
- Foi só uma sugestão – Tris deu de ombros.
- Por que seu namorado está tão nervoso? – Kano perguntou.
- Victor não é meu namorado – Tris rapidamente disse, corando.
**
- Ei, Blue Pegasus, você já pode sair – o guarda disse, destrancando a cela.
Embora Katharina invejasse o garoto que saía livre, ela não podia deixar de se sentir aliviada. Ela não gostava da maneira como ele olhara para ela o tempo todo, como se ela fosse objeto de análise.
Agora que ela tinha uma visão melhor dele, Katharina pôde ver a grande marca da Blue Pegasus tatuada em azul marinho no braço direito do rapaz. Isso significava que ele a deveria ser inofensivo, certo?
- Acho que minha bunda vai achatar se eu ficar sentada nesse chão por mais tempo – Katharina murmurou para Yoga.
- Vai sentar nas camas junto com o trio pegador, então – a maga respondeu.
Katharina olhou na direção das camas, que pareciam baratas e duras demais, e sentiu uma repentina vontade de vomitar quando percebeu que a menina, a tal de Bruna, estava beijando um dos garotos, enquanto o outro lambia seu pé.
- Illl, que nojo!
**
- Eu sinto muito pelo o que você acabou de presenciar – Victor disse, realmente soando arrependido.
- Nah, que é isso – Tris deu de ombros. – Foi até bom, sabe.
- Como assim?
- Ah, sei lá – ela disse, desviando os olhos enquanto eles caminhavam em direção aos quartos. – É bom saber que você tem um rival, já que você é tão legalzinho com todo mundo. Quando você estava brigando com aquele carinha você estava... estava...
- Ela está tentando dizer sexy – Dana completou, um sorriso enorme estampando o seu rosto.
Tris corou instantaneamente.
- Onde vocês estavam? – Victor perguntou acusatoriamente para o irmão e Dana.
- Maninho, nós estávamos – Guga tentou dizer, mas Dana o interrompeu.
- Comendo biscoitos – Dana rapidamente disse, lançando a Guga um olhar que dizia claramente que ela não queria detalhes de sua vida intima espalhados.
- É – Guga assentiu, — e que biscoito gostoso.
- Muito bom – Dana concordou.
Os dois sorriram abobados um para o outro.
- Vocês são estranhos, — Tris revirou os olhos.
- Então, quer dizer que meu irmãozinho caçula brigou com alguém, loirinha?
- Nós somos irmãos gêmeos, Guga – Victor disse cansado. – Pare de agir como se você fosse mais velho.
- E não me chame de loirinha – Tris acrescentou.
- Tá, tanto faz – Dana disse. – Mas vocês não precisam ser tão rudes com o Guga.
Tris ergueu as sobrancelhas.
- Desde quando você o defende?
Dana engasgou.
- Eu não defendi porcaria nenhuma – Ela respondeu.
- O idiota do Key disse que iria ganhar na competição de robôs esse ano – Victor disse. – Ingênuo...
- Ah, você ainda brinca com robôs? – Guga perguntou. – Pensei que já tivesse parado.
- Brincar de robôs? – Tris perguntou. – Não entendi.
Victor suspirou.
- Não é “brincar de robôs” – ele disse. – É muito mais. É uma competição séria que participo todo ano. Tenho que construir um robô, elaborar um design e prepara-lo para a batalha contra outros robôs.
- Que demais! – Tris disse admirada.
- Você realmente acha isso? – Victor perguntou incrédulo.
- É lógico! Posso ajudá-lo esse ano?
Guga balançou a cabeça em reprovação.
- Ela é tão estranha quanto ele – Guga sussurrou no ouvido de Dana, causando arrepios.
**
- Competição de robôs? – Kano disse admirada, após Key ter esclarecido a razão da discussão. – Que incrível!
- Eu sei, — Key sorriu. Ele estava em sua área, esbanjava confiança. – Sou o campeão há três anos consecutivos.
- Parabéns – Kano sorriu. – Você deve ser muito inteligente mesmo.
- Quando eu era criança, dedicava-me somente a isso – ele deu de ombros. – Não tive uma infância como você e as pessoas normais. Vocês deveriam brincar e fazer amigos o tempo todo. Bem, eu não.
Um calafrio percorreu o corpo de Kano.
- Eu disse algo de errado? – Key perguntou quando notou a expressão da menina.
Ela sacudiu a cabeça.
- Não é isso – ela disse lentamente. – Eu só... não tive infância.
- O que quer dizer?
- Não me lembro de nada – ela tremeu. – Sofri um acidente uns anos atrás e perdi minha memória. Se não fosse por meu irmão, Luke, provavelmente estaria morta.
Key arregalou os olhos, ele não esperara uma bomba dessas.
- Eu sinto muito – ele disse, sem saber ao certo o que mais dizer.
- Tudo bem, — Kano forçou um sorriso. – Agora eu e meu irmão estamos felizes na Blue Pegasus. Você tem que conhecê-lo, Luke é incrível! Só gostaria de saber onde ele está...
**
A porta da cela se abriu novamente, fazendo Yoga se encolher com o barulho. Por tudo que era mais sagrado, ela odiava o ruído que aquela porta fazia.
- Pagaram sua fiança, patricinha – o guarda de cabelos grisalhos disse a Katharina.
- O quê? – Ela perguntou atordoada.
Como assim? Quem teria gastado tanto dinheiro para tirá-la da cadeia? Será que o pessoal da Fairy Tail descobrira onde ela estava e agora ela voltaria ao hotel para tomar um banho de banheira bem quentinho?
- Vamos, Yoga – Kath disse animada.
- Ela não – o guarda disse, sua voz autoritária. – Só você.
- Como assim? – Katharina indagou. — Ah, não importa. Vou sair daqui e mandar o Bixlow te buscar hoje mesmo, Yoga. Tudo vai ocorrer como em uma comédia romântica para vocês dois.
Yoga arregalou os olhos, não devido às palavras de Katharina, mas sim porque entendeu o que estava acontecendo.
- Katharina, tome cuidado – ela disse baixo, de maneira que só a garota poderia ouvir. – Acho que aquele garoto da Blue Pegasus foi quem pagou sua fiança.
Notas finais
Beijos,
Wine;
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