Notas iniciais
Nos capítulos anteriores, a Fairy Tail recrutou sete novos membros. Contudo, um deles não apareceu na cerimônia de iniciação. Nathan, Misaki, Hana, Linnea e Juliiana montaram um novo time que, infelizmente, já ganhou a antipatia de Ricardo Strauss, o tagarela. Apesar disso, Ricardo revelou uma afeição por uma das novatas desse time, a Linnea. Ou melhor, Linnoia. Parece que Ricardo também foi aceito a um dos times já existentes, os Galanties. Leonardo Eucliffe, um dos membros desse time, foi muito simpático com Misaki, o que foi motivo para um conflito entre ela e Katharina, que se revelou muito possessiva em relação ao garoto.
E foi isso o que aconteceu em Summer Paradise (dessa vez eu acertei o nome ;*)
OBS¹: as cidades são inventadas;
OBS²: eu realmente tentei não mencionar marcas reais, mas meu instinto de consumista não conseguiu.

O trem que partira às dez horas da manhã de Magnólia para a cidade praiana Wettercliff gemia a quase um quilometro por hora.

Já se passara oito horas desde que os membros da Fairy Tail deixaram sua cidade. Muitos já não aguentavam mais a espera e se encontravam impacientes andando de lá para cá em seus vagões.

Assim que o trem parou, todos saíram o mais rápido possível, querendo finalmente poder sentir o cheiro da maresia e ouvir o barulho das ondas.

Bom, nem todos.

–Hana – Misaki disse em sua voz mais gentil. – Eu posso ajuda-la de alguma maneira?

A dragon slayer do fogo fez um movimento quase imperceptível com a cabeça, o que só a fez ficar mais enjoada.

Ser um dragon slayer tinha seus pontos positivos e negativos. O lado bom era aquele que todos conheciam: a força, o controle total de seu elemento e blá blá blá. Já o outro lado, bem, o humilhante enjoo de transportes.

Hana sentiu algo subir em sua garganta, mas ela forçou o conteúdo a voltar para dentro. Apesar de Hana querer morrer todas as vezes que subia em um trem, ela tinha o orgulho de falar que era a dragon slayer mais forte que conhecia quando o assunto era transportes. Para ela atingir seu estado de náusea absoluta, demorava no mínimo meia hora. O que a tornava melhor que seu pai, Natsu.

–Parece que você não é a única com problemas – Nathan comentou, enquanto abria a porta pesada do vagão.

No corredor do trem, três garotos estavam vomitando aparentemente tudo o que comeram no almoço. E no dia anterior.

Nojento, Nathan decidiu.

No entanto, não fora isso que chamara a atenção de Nathan. Ele estava observando o garoto loiro ao lado dos outros garotos enjoados, incentivando-os a serem homens. Ricardo Strauss.



**



O time X-Timeless desceu do trem com todo o estilo que conseguiu com seus corpos doloridos. Dana e Jo se apressaram a buscar suas malas, antes que a multidão em torno do bagageiro aumentasse.

Katharina ficou parada, tentando tirar da memória o cheiro rançoso e suarento do vagão que estivera minutos atrás. Ela foi seguida por uma séria Tris e um verde Ralf.

–Vocês estão bem? – Katharina perguntou contra sua vontade.

–Eu... estou... – Ralf tentou dizer, mas foi interrompido quando uma massa de vômito passou por sua garganta e encontrou o chão.

Katharina pulou para trás, tentando salvar seus caros sapatos jimmy choo da poça de vômito que seu amigo acabara de fazer.

–Patético – Tris murmurou para o irmão. Ela estava rígida e seus punhos fechados. Quem não a conhecesse, diria que ela estava irritada, pronta para bater em alguém, mas Katharina sabia que essa era a expressão de Tris quando ela estava tentando se controlar. – Eu vou contar para o Lily que você vomitou.

Lily, o exceed da família Redfox, treinara Tris e Ralf desde quando eles eram bem pequenos, para evitar o constrangimento que todos os Dragons Slayers tinham quando estavam em público: o enjoo.

Se Lily obteve sucesso? Talvez. Tris não havia vomitado nem mesmo uma vez nos últimos quatro meses, mas parecia que todas as células em seu corpo estavam morrendo lentamente, causando a ela uma morte extremamente dolorosa. Katharina não podia deixar de admirar a enorme força de vontade da amiga.

Já Ralf... bem, digamos que ele não tinha tanto auto controle quanto Tris.

–Por favor – o garoto gemeu -, não conte para o Lily.

Todas as vezes que Lily ficava sabendo sobre os vexames que um de seus queridos discípulos fazia, como digamos, vomitar na estação de trem, ele fazia com que o infeliz andasse mais vinte vezes no mesmo trem. Ele acreditava que quanto mais tempo eles passassem em movimento, mais imunes eles ficariam aos efeitos colaterais de seus maravilhosos poderes.

Quem diria que exceeds poderiam ser maus?

–Mas, e você, Kath? – Tris perguntou à amiga, já recuperando sua cor natural. – Você nem sofre de enjoos, mas está com uma cara pior que a minha. O que aconteceu?

Katharina suspirou. A garota pegou o braço da amiga e a puxou para longe de Ralf enquanto outra onda de vômito tomava conta de seu corpo.

–Uma novata infeliz – ela sussurrou. – Já está dando em cima do meu Leo.

Tris assentiu, ela já deveria ter esperado algo do tipo. O assunto “Leonardo Eucliffe” era complicado para Katharina e ela sinceramente preferia deixar essa parte do diálogo à Jo.

–Já? – Tris se surpreendeu. – Os novatos chegaram ontem!

Mesmo que Tris estivesse encorajando Katharina, ela sabia que as palavras de Kath eram provavelmente meias verdades. Pelo que Beatrice Redfox conhecia de Leonardo Eucliffe, era ele que provavelmente estava se oferecendo a novata e não o contrário.

Mas, claro, ela nunca diria isso à Katharina. Não que Katharina fosse acreditar nela, de qualquer jeito.

Como dito anteriormente, o assunto “Leonardo Eucliffe” era complicado.

–Eu sei – Katharina resmungou. – Mas tem mais.

Tris ergueu as sobrancelhas.

–O que? – Tris perguntou, tentando parecer interessada.

–Ela... – Katharina hesitou. – Essa novata é filha do Gray. Ela fez uns cubinhos de gelo decorativos para ele.

Katharina disse a última parte com desgosto, quase como se fosse ela vomitando no lugar de Ralf.

–E isso por acaso é crime? – Tris perguntou, não vendo mal algum em cubos decorativos.

–É sim – Katharina disse. – Quando comecei a treinar com a magia de gelo, os primeiros gelos que fiz eram em formatos decorativos. Mas, Gray ficou tão bravo. Ele me fez prometer nunca mais fazer nada do tipo.

Tris ergueu suas sobrancelhas.

–Por quê? – Ela perguntou, não entendendo porque Gray a proibiria de fazer cubos de gelo em formatos de desenho. – Por acaso você fez um cubo de gelo com formato de pênis?

Katharina deu uma cotovelada na amiga, mas não pôde deixar de rir.

–É claro que não – a morena disse. – Eu só fiz algumas rosas idiotas.

Tris franziu suas sobrancelhas. Que estranho. Por que Gray a proibiria de fazer gelos em formato de rosas?

–E, de qualquer maneira – Katharina continuou -, se aquele idiota do Leonardo quer cubos de gelo em formato de bichinhos, ou seja lá o que for, ele pode pedir para mim. Não a essas novatas.

Tris respirou fundo, já se sentindo melhor.

–Nós devemos pegar nossas malas – ela disse, tentando desviar o assunto.

O tema garotos não era um assunto seguro para Tris. Já malas pesadas? Com certeza.

Katharina bufou. Ela realmente teria que levar todas as suas malas sozinha até o hotel? Isso era tortura.

Vendo uma figura conhecida saindo do trem, Katharina sorriu. Uma ideia se formava em sua mente.

–Bixlow! – Ela gritou, chamando o mago. – Minhas malas não vão se carregar sozinhas!

Se Bixlow iria ser sua babá, ela iria tirar o maior proveito possível da situação.


**


Tris grunhiu.

Havia tantas malas cor de rosa no bagageiro que parecia que a barbie tivesse vomitado nele. Será que as garotas não conheciam outras cores?

Com muito esforço, ela conseguiu encontrar sua enorme mala preta com uma caveira na frente. Isso sim era uma mala de verdade.

Assim que sua mão encostara-se ao puxador de sua mala, outra mão pousou em cima dela.

–Oi – o garoto que colocara a mão sobre a dela disse.

Tris rapidamente pegou a mão do garoto e a jogou longe.

Victor Albertino estava sorrindo inabalado em sua direção.

Ele era lindo. Qualquer garota se derreteria por ele, mas Tris não era qualquer uma. Victor tinha cabelos castanhos perfeitos e uma pele impecável. Sua camisa azul profissionalmente passada ressaltava seus olhos, tão claros como o céu.

Tris bufou. Aquele garoto se produzia mais do que Jo e Katharina juntas.

–Você não deveria levar suas malas sozinhas – ele disse. – Deixe-me ajuda-la.

Tris fez uma careta e se segurou para não dar um soco no rosto arrumadinho do infeliz.

–Por acaso eu pareço fraca para você? – Ela rugiu e deu um passo na direção de Victor.

Victor Albertino era um dragon slayer dos céus, igual sua mãe Wendy. Ele também era um dos membros do time Galanties, para piorar o desprezo de Tris.

–Não – ele gaguejou. – Não... Não foi isso que eu quis dizer.

–Bom – Tris disse, pegando sua mala e passando-a propositalmente por cima dos pés de Victor.

Ele gemeu quando sentiu o peso da mala da garota, mas conseguiu murmurar um “até logo” para ela.

Desde que Tris se entendia por gente, Victor estava lá, colado aos seus pés, tornando seu mundo um lugar pior de se viver. Será que ele nunca a deixaria em paz?


**


–Chegamos! – Juliiana disse, toda feliz, jogando-se na sua cama de hotel.

Hana a seguiu para dentro do quarto, trazendo sua mala cor de rosa consigo.

–Alguém pode me dar uma ajudinha? – Misaki gemeu na entrada do cômodo.

A garota estava carregando nada mais e nada menos do que cinco malas enormes com o emblema Louis Vuitton. Gray deveria ter gastado uma fortuna com os preparativos de Misaki para a viagem.

–Quem mandou você trazer noventa malas? – Juliiana disse de sua cama, divertindo-se com a visão de sua irmã mais nova sofrendo.

–São só cinco! – Misaki se defendeu. – Eu sou uma garota normal que não fica andando pelada por aí, que nem você! Por isso, eu preciso de roupas, ok?

–Eu não ando pelada! – Juliiana disse enquanto tentava não afundar em seus travesseiros. – Ando de biquíni. É bem diferente.

–Garotas – Hana gemeu. – Parem de brigar. Olhem em volta, nós temos esse quarto magnífico só para nós!

Hana estava certa. Só havia uma palavra para descrever o quarto: luxo. O piso era feito de porcelanato e vários móveis eram de mármore verdadeiro. A distância entre o teto e o chão deveria ser aproximadamente quatro metros e uma janela enorme exibia o mar.

As seis camas do quarto eram tamanho casal e, apesar de nenhuma delas saberem, Katharina fizera questão de escolher um hotel que tivesse lençóis egípcios.

Que exagero, Juliiana pensou. Contudo, a garota de cabelos azuis não pôde deixar de relaxar no conforto de sua cama.

–Nós ficaremos com esse quarto enorme sozinhas? – Hana perguntou.

–Eu não sei – Misaki respondeu. – O folheto que me entregaram na semana passada disse que esse quarto seria apenas das garotas novatas, então sim.

–YAY! – Hana disse e pulou em sua cama.

A Fairy Tail havia reservado quatro quartos. Um para as garotas monitoras e outro para as garotas novatas. Como os meninos eram minoria, eles iriam ficar todos no mesmo quarto, não sendo divididos em monitores e não-monitores. Já o último quarto era uma suíte reservada para o Bixlow. Laxus fora generoso o suficiente para deixa-lo ter seu próprio quarto.

–Que pena que o Nathan não pode ficar com a gente – Hana disse e olhou para o mar.

–Tenho certeza que ele vai sobreviver – Linnea murmurou.

Ela estivera tão quieta esse tempo todo que as outras garotas quase se esqueceram de que ela também estava presente.

Linnea escolhera a cama da parede, com o objetivo de ter a maior privacidade possível. Ela estava deitada com um travesseiro cobrindo sua cabeça.

Para a infelicidade de Hana, havia uma regra muito rígida que dizia que os garotos não podiam em hipótese alguma entrar nos quartos femininos. O mesmo se aplicava às garotas em relação ao dormitório masculino.


**


–Estou acabado – Leonardo Eucliffe gemeu assim que entrou em seu quarto. – Estou me sentindo quase como no dia em que tomamos tanto ecstasy que meu cérebro torrou.

Guga Laggiano, seu companheiro de time, o seguiu para dentro do quarto.

–Bons tempos – ele disse, jogando suas coisas no chão. – Cara, eu também estou acabado. Os transportes são um verdadeiro cú.

–Você poderia, por favor, usar um vocabulário menos vulgar, Guga? – Victor Albertino repreendeu o irmão.

–O que aconteceu? – Ricardo Strauss perguntou, juntando-se a eles.

Agora os Galanties estavam completos.

Leonardo, Guga, Victor e Ricardo eram os integrantes do tão famoso time. Guga e Victor eram irmãos gêmeos, mas não podiam ser mais diferentes. Leonardo, desde que largara a Sabertooth e entrara para a Fairy Tail, era o melhor amigo dos irmãos. Já Ricardo... Bem, Ricardo parecia um perdido que não sabia onde se metera.

–Ricardo, meu garoto, – Guga sorriu -, você não quer fazer o favor de buscar três sorvetes para nós?

–Claro! – Ricardo também sorriu, animado por poder fazer algo para seus novos melhores amigos. – Vocês querem do que?

Assim que os garotos fizeram seus pedidos, Ricardo saiu todo contente em busca de um sorveteiro. Victor Albertino fora o único que teve a decência de recusar o sorvete, recusando-se fazer de Ricardo seu empregado.

–Vocês realmente só o aceitaram no time para abusar do coitado? – Victor perguntou incrédulo.

Leonardo deu de ombros e Guga riu.

–O cara praticamente se ofereceu para ser nossa vadiazinha – Guga falou ao irmão.

–Vocês são nojentos – Victor disse e começou a arrumar suas coisas.

–Não vejo a hora de ir à praia! – Guga disse, ignorando completamente o irmão. – Vocês acham que as garotas fazem topless aqui?

Leonardo riu.

–Mas e a tal de Kelly? – Ele perguntou a Guga. – Vocês não estão mais juntos?

Guga suspirou e afundou em sua cama.

–Não – ele disse, espreguiçando-se. – A gente terminou um dia desses.

–Por quê? – Leonardo perguntou. – Ela estava caidinha por você.

–Eu sei – Guga sorriu e jogou seu cabelo castanho levemente encaracolado para trás. – Todas estão. Mas, por acaso, quando nós estávamos transando eu errei o nome dela. Ops.

–VOCÊ É NOJENTO – Victor Albertino gritou ao irmão.

–Você é que não sabe de nada – Guga disse.

–E você por acaso sabe? – Victor respondeu. – Você não sabe nem mesmo o nome da sua namorada.

–Ex-namorada – Guga corrigiu. – Agora, eu vou é pegar geral. E você, Leo?

O garoto loiro deu de ombros. A verdade era que ele também achava Guga um pouco nojento.

–Sei lá – ele respondeu. – Tem uma novata bonitinha.

–UHHHHH – Guga provocou.

–Tanto faz – Leonardo disse, afastando o cabelo de seu rosto.

–Mas, e a sua preciosa Katharina? – Guga disse em um péssimo sotaque russo.

Leonardo grunhiu.

–Ela não é minha preciosa – ele disse, jogando um travesseiro na direção de Guga. – Ela não é minha nada. Eu nunca me envolveria com uma menininha de merda que nem ela.

Guga assentiu.

–Ela é gostosinha, mas parece do tipo que na hora H não vai abrir as pernas – ele disse, mas logo se calou quando a porta do quarto abriu.

Ralf Redfox entrou com sua mala tamanho grande no quarto. Guga o encarou com desprezo, mas não disse nada. Os dois nunca se deram bem.

Victor Albertino lançou ao irmão um olhar que dizia claramente “pare de falar da Katharina ou Ralf vai acabar com você”. Ralf e Katharina não só eram do mesmo time, mas também eram amigos desde sempre. Ele certamente acabaria com a raça desses garotos se soubesse sobre o que eles estiveram falando.

–Oi – Ralf disse a Victor, ignorando completamente os outros garotos.

–Oi – Victor respondeu.

Ele e Victor não eram amigos exatamente. Bom, os únicos amigos de Ralf eram as garotas de seu time. Porém, Victor e Ralf eram civilizados um com o outro e isso era suficiente.

Ralf escolheu a cama ao lado da de Victor e sorriu ao garoto.

–Você trouxe seu creme de mulherzinha? – Ele perguntou a Victor, brincando.

–Se chama hidratante corporal – Victor revidou, mas também sorriu.



**


–Você não está no comando – Katharina fez questão de lembrar Bixlow quando eles entravam no restaurante reservado à Fairy Tail.

Todos os membros foram convocados ao restaurante do hotel para ouvir os anúncios dos monitores. A maioria já estava presente, comendo seu delicioso jantar.

–Mesmo que você não goste, Katharina – o mago respondeu irritado a ela. – Seu pai me colocou no comando. Então, eu estou sim.

–Não está – Katharina negou. – Eu aposto que você não consegue nem mesmo dar o discurso de boas vindas para os membros da guilda.

Tris, Dana, Jo e Ralf, os outros membros do X-Timeless, riram com isso, para piorar o humor de Bixlow.

–Galera — Bixlow disse ao pessoal, levantando-se de sua cadeira decidido.

O tom de voz que ele usara era profundo e alto, mas, por incrível que pareça, ele não obteve efeito algum no salão. Sua voz fora perdida no meio do ruído das conversas dos outros membros da guilda.

Nervoso, Bixlow olhou de volta para Katharina.

Katharina 1 X Bixlow 0

A garota estava com um sorriso metido estampado no rosto. Um sorriso extremamente parecido com o de seu pai. Ela estava se divertindo com aquilo, Bixlow percebeu. Que infernos, aquela maldita garota estava se divertindo em vê-lo fazer papel de idiota.

Por um segundo, ele não se importou que ela fosse filha de um de seus melhores amigos, ele queria a matar por metê-lo naquela situação lastimável.

Entretanto, Bixlow não queria dar a ela o doce gostinho da vitória. Ele forçou um sorriso, tão falso quanto o dela, e voltou a encarar a plateia.

–Galera! — ele tentou mais uma vez, sua voz amplificada. — Fairy Tail!

Nada. Que inferno. Aquele povo malcriado não dava a mínima para o pobre do Bixlow. Ele pôde ouvir Tris gargalhar atrás dele e Katharina a acompanhar.

–CALEM SUAS ESTÚPIDAS BOCAS! – Uma voz extremamente mais alta e dolorosa ecoou pelo enorme salão.

Dana. Dana Scarlet.

Bixlow olhou agradecido para a ruiva e voltou a se sentar. Dana resolvera tomar uma atitude, uma vez que percebera que o pobre coitado do Bixlow não iria fazer nenhum progresso nas mãos maléficas de Tris e Kath.

–Não foi tão difícil assim — Tris cochichou para ele, fazendo-o querer matá-la também.

–Bom dia — Dana cumprimentou. — Eu sou a Dana Scarlet para aqueles que não me conhecem e –

–Espera — um garoto levantou a mão.

Em sua mesa, Linnea arfou. O quão irritante esse cara poderia ser?

Dana mordeu seu lábio inferior. Ela odiava ser interrompida, mas não iria perder a paciência tão facilmente.

–Sim, Ricardo? — Ela perguntou ao loiro.

–Você é a filha da Erza e do Jellal, não é? — Ricardo Strauss perguntou, ainda com seu braço musculoso para cima.

–Você sabe que sim — ela respondeu. — Nós nos conhecemos desde sempre.

–Eu sei — Ricardo continuou. — Mas é que eu sempre tive uma dúvida.

Dana levantou suas duas sobrancelhas e cruzou os braços. Pelo jeito, esse assunto iria longe.

–Que dúvida?

–Bem — Ricardo começou -, se você é filha do Jellal, você não teria que se chamar Dana Fernandes em vez de Dana Scarlet? Porque, veja bem, normalmente os filhos –

–CALA A BOCA!

Dana arregalou seus olhos e, sem pensar duas vezes, caminhou em direção à mesa dos Galanties e chutou a cabeça de Ricardo, que desmaiou segundos depois.

–Alguém mais tem alguma dúvida? — Dana perguntou em um tom de voz ameaçador.

Todos na guilda, incluindo seus companheiros de time e Bixlow, balançaram suas cabeças freneticamente. Ninguém, absolutamente ninguém, tinha coragem de provocar Dana quando ela estava dessa maneira... irritadiça.

–Bom — Dana disse. Ela fechou seus olhos e quando os abriu novamente, um sorriso voltara ao seu rosto. – Como estava dizendo, eu sou a Dana Scarlet e eu serei uma das monitoras que vocês terão nessa viagem. As outras –

–Mas, o que exatamenteé essa viagem? — Misaki não pôde deixar de perguntar.

A expressão de Dana fechara-se novamente. Ela encarou a garota de cabelos violetas, fazendo Misaki se sentir menor a cada segundo.

–Desculpa — Misaki gemeu, afundando em sua cadeira.

–Como eu estava dizendo — Dana continuou, seu tom de voz se elevando — e se alguém me interromper de novo, eu juro que esse alguém nunca mais vai ver o nascer do sol, eu sou a Dana Scarlet. Eu vou ser uma das monitoras que vocês terão nessa viagem. Uma pergunta que muitos de vocês devem estar se perguntando é: o que é essa viagem? Então, vou explicar. A Fairy Tail –

–Por que você me bateu?– Um bem atordoado Ricardo perguntou, acordando de seu transe.

–AHHH– Dana gritou, perdendo qualquer senso de razão. — JÁ CHEGA.

Todos prenderam a respiração. Ricardo com certeza, sem dúvida alguma, perderia sua vida aqui e agora.

O pobre Bixlow estava pensando na melhor maneira de contar ao mestre que um dos novatos de sua guilda fora assassinado sob sua supervisão. Bixlow até pôde imaginar a expressão de Laxus. Ele seria expulso da guilda. Ou pior, Laxus poderia tirar sua vida.

Contudo, um milagre dos céus aconteceu. O tão inocente filho de Elfman Strauss, Ricardo, teria a chance de viver.

Dana, enlouquecida, não avançara para cima de Ricardo, mas sim de uma janela. Ela precisava fugir daqueles ingratos. Ela saltou para fora e, sem hesitar, continuou sua rota de fuga.

Todos no salão ficaram novamente boquiabertos, não acreditando na mensagem que seus olhos capitavam.

Ricardo definitivamente era um garoto de muita sorte.


**


–Por acaso, alguém sabe se aquela garota vai ficar bem? – Nathan perguntou às garotas de sua mesa.

–Quem? Dana? – Juliiana perguntou enquanto tomava um gole de seu suco. Quando Nathan assentiu, ela continuou. – Lógico que vai. Ela é assim mesmo.

–Essa guilda é mesmo de loucos – Nathan disse, ainda assustado com a perda de controle que a ruiva, Dana Scarlet, tivera mais cedo.

Bom, depois que Dana teve sua crise e pulou pela janela, Bixlow tomou seu lugar, explicando tudo sobre a viagem.

Pela primeira vez, o mestre da Fairy Tail resolveu mandar todos os jovens para um hotel, com o objetivo de fazer os novos integrantes se adaptarem a guilda. Contudo, não só os novatos foram nesta viagem, mas também os integrantes mais antigos, como os Galanties e o X-Timeless.

Eles, segundo Bixlow, seriam monitores. Portanto, eram responsáveis por fiscalizar os novos membros e, caso um dos novatos tivesse algum problema, era a obrigação dos monitores o ajudar.

Já o caso de Bixlow era um pouco mais complexo. Ele, na verdade, era um monitor dos monitores. Portanto, era responsável por cuidar de absolutamente tudo e todos. Contudo, ele não parecia estar tão contente com seu cargo.

Bixlow também explicou sobre a rotina que os jovens teriam no hotel. Basicamente, a missão deles era se divertir. A guilda havia pago as refeições principais: café da manhã, almoço e jantar. Porém, se eles quisessem comer fora desse período, ou em qualquer outro restaurante, teriam que pagar por isso. O mesmo valia para o centro de compras ao lado do hotel. Se eles quisessem comprar algo, teriam que pagar.

Por outro lado, todas as atividades oferecidas pelo hotel: o jet ski, a piscina, a praia, as salas de jogos e ginástica, entre outras, já estavam incluídas no preço do hotel, portanto já estavam pagas também.

–Você não viu nada ainda – Hana sorriu e afastou uma mecha de seu longo cabelo rosa de seu rosto.

Era quase impossível acreditar que os cinco só haviam se conhecido no dia anterior. A maneira como eles conversavam parecia que eles foram amigos suas vidas inteiras.

–Com licença – um garçom do hotel disse, aproximando-se da mesa deles.

Por um instante, todos congelaram, temendo que o funcionário fosse os expulsar do lugar por eles estarem fazendo muito barulho. Contudo, logo se livraram desse pensamento, afinal, o salão estava repleto de membros da Fairy Tail. O barulho vinha de todos os lugares possíveis.

–Sim? – Nathan se viu forçado a perguntar, sendo o único homem do grupo.

O garçom sorriu.

–O cavalheiro da mesa à esquerda me pediu para entregar isso à senhorita – ele disse.

Pela primeira vez, eles notaram que havia uma rosa vermelha na mão esquerda do garçom. Todos fizeram uma expressão que claramente dizia algo como “por acaso esse cara bebeu?!” que só foi intensificada quando a rosa foi entregue à Linnea.

–Eu? – Ela perguntou com uma voz aguda. – Isso é para mim?

Se a situação não fosse tão bizarra, seus colegas de time com certeza estariam fazendo piadinhas por Linnea ter perdido sua compostura pela primeira vez.

–Sim – O garçom sorriu.

–O senhor tem certeza? – Nathan não pôde deixar de perguntar, o que lhe rendeu um belo chute dado por Linnea.

–Sim, senhor – o garçom assentiu. – Tenho certeza.

–Quem me mandou isso? – Linnea perguntou, olhando incrédula para o garçom.

–O senhor que está na mesa ao lado – o garçom indicou a mesa. – O loiro.

Os cinco olharam instantaneamente para a mesa indicada.

Existem pessoas que acreditam que tudo o que fazemos, um dia, irá voltar para nós mesmos. Se isso fosse verdade, Linnea não tinha a menor ideia do que fizera de tão ruim em seu passado para merecer tamanha infelicidade do destino.

Ela nem sabia por que havia perguntado quem enviara a rosa. Era obvio. A mesa indicada pelo garçom era a mesa dos Galanties. E, obviamente, Ricardo Strauss estava lá.

Nathan começou a rir como nunca rira antes. Ele logo foi seguido por Misaki, Juliiana e Hana que se juntaram a ele na gargalhada.

O garçom os lançou um olhar reprovador.

–Não há nada de errado quando um cavalheiro presenteia uma dama – ele disse antes de se retirar.

O comentário teve o efeito oposto que o garçom desejara. Ele só havia feito com que gargalhadas se intensificassem. Nathan bateu na mesa três vezes, tentando se controlar. Misaki, que estivera bebendo seu suco, fez tudo o que pôde para não engasgar, e, infelizmente, não obteve sucesso.

–Eu vou acabar com a raça daquele desgraçado – Linnea rugiu.

Ela se levantou com seu corpo inteiro tenso. Suas mãos estavam fechadas, prontas para darem um soco, se precisasse. Seus passos eram tão pesados quanto os de um soldado pronto para matar.

–Lin-san! – Hana tentou impedir a amiga, mas já era tarde demais.

–Vocês acham que nós deveríamos fazer algo? – Misaki perguntou. – Eu acho que ela vai mata-lo.

–Não – Juliiana negou, recuperando-se das longas risadas.

–Não o que? – Misaki perguntou. – Você não acha que ela vai mata-lo?

–Acho – Juliiana disse. – Mas, não acho que devemos impedi-la. Qualquer coisa, nós podemos alegar que ela é mentalmente instável para o conselho, assim ela não vai parar na prisão.

Todos a encararam como se ela estivesse comendo o cérebro de uma criancinha.

–Eu já mencionei que o pessoal dessa guilda é doido? – Nathan disse, mais para ele mesmo do que para os outros.

Juliiana deu de ombros e logo voltou a jantar seu delicioso hambúrguer.

–Pelo menos ela ganhou flores – Hana disse, sentindo um pingo de inveja da amiga.

Nathan olhou para a garota e sorriu.

–Você quer flores? – Ele perguntou, erguendo sua sobrancelha.

A garota ficou mais vermelha do que nunca. O que ela estivera pensando em reclamar dessa maneira? Agora ela parecia uma bobona para Nathan.

–Ahn – ela soltou um gemido estrangulado.


**


–Qual é o seu problema?! – Linnea grunhiu, jogando a rosa que ganhara com toda força que tinha em Ricardo.

Felizmente para o loiro, todos os espinhos haviam sido retirados e apenas as pétalas tocaram seu rosto.

Ele olhou assustado na direção que fora atacado, pronto para quebrar os ossos de seu atacante.

Quando ele viu que era Linnea, Ricardo se conteve e limitou-se a encará-la como se ela estivesse se drogando.

–Você enlouqueceu, Linnoia? – Ele perguntou atordoado.

Ricardo, não muito feliz, largara o X-bacon que ele estivera saboreando segundos atrás e concentrou toda sua atenção na garota ao seu lado.

–Se estou enlouquecendo? – A garota disse, perdendo sua paciência. – Você é o louco aqui. E pela última estupida vez, É LINNEA!

Linnea agarrou o máximo que pôde do cabelo de Ricardo e puxou-o para trás. O garoto gemeu de dor, resmungando algo sobre Linnea, ou melhor, Linnoia, estar louca.

–Hum – outro garoto da mesa se intrometeu -, Linnea?

A concentração de Linnea foi arrancada da mini tortura que ela estava fazendo em Ricardo, fazendo-a notar que os dois não estavam sozinhos.

Três pares de olhos os encaravam. Dois deles estavam extremamente assustados, olhando-a como se ela fosse uma psicopata que fugira do hospício. Já o outro, encarava-a com divertimento em seus olhos verdes. Como se ele estivesse assistindo a uma apresentação de circo exótica e original.

–O que? – A garota rugiu, ainda segurando o tufo de cabelo de Ricardo, que não parava de gemer nem por um segundo.

–Fui eu quem mandou a flor – o garoto disse com um sorriso digno de um modelo profissional.

Oh, merda.

Linnea soltou imediatamente o cabelo de Ricardo, que fez um som esganado e rapidamente levou suas mãos à cabeça, massageando-a.

O que ela fizera?

Olhando melhor para o garoto que se manifestara, seus olhos se arregalaram. Ele estava usando uma camiseta simples e branca com um corte V. Ainda zonza com a situação, Linnea nem percebera que aquela camiseta parecia ter sido feita especialmente para o garoto, valorizando todos os seus pontos positivos – que pareciam ser muitos.

–Deixe eu me apresentar – o garoto disse, levantando-se de sua cadeira e caminhando até ela. – Meu nome é Leonardo. Leonardo Eucliffe.

Espera, não fora ele quem conversara com Misaki?

O loiro delicadamente segurou a mão dela e a beijou ternamente.

Essa não. Linnea estava ferrada.


**


O que muitas pessoas não sabiam ainda era que ao lado da recepção do hotel havia um bar um tanto quanto charmoso e aconchegante.

A decoração era um pouco escura, baseada em tons de marrom e vermelho. Alguns lustres no estilo colonial iluminavam o local, deixando o ambiente perfeito para um encontro. Katharina iria trazer Leonardo aqui depois, ela decidiu.

Todavia, o mais importante não era a decoração ou o fato de Bixlow, Jo e Katharina verem finalmente um coquetel descente. Não. O que era importante era a ruiva sentada ao balcão.

–Dana! – Jo disse e correu para abraçar a amiga.

–Graças aos céus você está aqui – Bixlow disse e sentou-se em um banco ao lado de Dana. Seu corpo já estava pesado e tudo o que ele queria era uma boa noite de sono. E talvez alguns coquetéis. – Esse trabalho está sendo mais cansativo do que Laxus disse que seria.

–Ninguém está o prendendo aqui, Bixlow – Katharina lembrou seu monitor-babá.

Ele soltou uma risada seca.

–É sempre bom saber o quanto sou querido – ele disse sarcasticamente enquanto coçava sua cabeça. – Mas, você está enganada, meu docinho. Seu papai está me prendendo aqui. Você tem alguma ideia do que ele faz com quem o desobedece?

Katharina fez beicinho. Bixlow tinha um argumento válido.

Katharina 1 X Bixlow 1

–Eu só queria que Freed pudesse ter vindo – ele resmungou.

–Você está bem, Dana? – Jo perguntou à amiga, ignorando a guerra fria que estava acontecendo entre Kath e Bixlow. – Ficamos preocupados quando você pulou a janela.

Dana deu de ombros.

–Eu estou bem – a ruiva disse. – Eu só precisava de um desses – ela disse e apontou para o cupcake em suas mãos. – Aqui é o único lugar do hotel que encontrei essas divindades.

Jo arqueou levemente a sobrancelha.

–Você não tem que pagar a parte por eles? – ela perguntou.

–Talvez.

Neste momento, Jo soube que sua querida amiga, Dana Scarlet, acabaria indo à falência até o final do verão por comprar tantos cupcakes.

–Afinal, onde estão o Ralf e a Tris? – Dana perguntou.

–Não sei – Jo disse despreocupada. – Brigando em algum lugar.

–Garotas – Bixlow disse enquanto bebia seu coquetel. -, está ficando tarde. Por que vocês não vão para a cama e –

As três o olharam como se uma segunda cabeça tivesse crescido nele. Bixlou calou-se depois disso. Ele não fora feito para essa tarefa. Estúpido Freed e sua gripe de última hora. Ele deveria estar neste inferno, não o pobre Bixlow.

–Eu soube que a Blue Pegasus e a Lamia Scale também se hospedarão nesse hotel – Jo disse sorrindo, quebrando o silêncio desconfortável.

Jo odiava silêncios. Ela precisava quebra-los.

Dana semicerrou seus olhos e encarou a amiga, querendo estrangula-la.

–É – Bixlow concordou, não tendo a menor noção da tensão que se passava entre Dana e Jo.

Katharina e Bixlow começaram a conversar sobre essas guildas e como elas influenciavam a Fairy Tail. Apesar de elas serem aliadas da guilda deles, não era segredo para ninguém de que havia uma pequena competitividade entre as três guildas.

Dana, por outro lado, chutara Jo.

–Aii – a morena gemeu. – Qual é seu problema?

–Sua idiota – Dana disse e beliscou a amiga. – Eu pensei que você tinha terminado com ele, Jo!

Jo rapidamente entendeu o que Dana estava falando. Há alguns meses, Jo namorara um homem mais velho do que ela, um membro da Blue Pegasus. Ela confidenciara esse segredo a Dana e logo percebera o erro que cometera.

Dana fora totalmente contra, dizendo que o homem só a estava usando. Ela até mesmo forçara Jo a terminar com ele, ameaçando contar sobre o relacionamento ao pai dela, Gildarts, que não gostaria nada da ideia. Porém, Dana agora sentia que Jo mentira e não terminara com ele coisa nenhuma.

–Eu terminei com ele, Dana – Jo cochichou a amiga. – Como você tinha dito para eu fazer.

Dana suspirou.

–Jo – a ruiva começou a falar lentamente -, eu vi o modo como você falou sobre a Blue Pegasus e o brilho em seus olhos. Você não terminou coisa nenhuma.

–Terminei sim – Jo assegurou à amiga. – Mas, isso não quer dizer que eu o esqueci. Eu –

Seja lá o que Jo fosse dizer, ela fora interrompida por uma voz aguda vinda atrás delas. Jo suspirou em alívio, ela estava salva por enquanto.

–Por acaso – a voz disse -, ninguém vai levar minhas malas ao meu quarto?

Os quatro se viraram na direção do som e encontraram uma garota parada na entrada do bar. A primeira coisa que eles notaram foi o seu cabelo violeta que levemente ondulava nas pontas e destacava-se por cima de sua jaqueta jeans branca.

A garota não falara em um tom irritado e nem mesmo brincalhão. Não. Ela estava séria.

–Por acaso – Dana disse ecoando as primeiras palavras da recém chegada, séria também -, quem é você?

–Yoga Ambrose – ela respondeu.

Yoga sorriu, mas não um sorriso caloroso que dizia “vamos ser amigos”. Pelo contrário, um sorriso que dizia algo como “como você se atreveu a falar comigo?”. Ela ajeitou sua saia pregueada que parecia ter custado três vezes o valor da diária do hotel que eles estavam.

–A garota que faltou na cerimônia de iniciação – Jo disse surpresa, lembrando-se da ocasião.

–O quê?! – Yoga disse, olhando a garota da cabeça aos pés. – Vocês não esperavam que eu fosse a um churrasquinho de esquina, não é?

Todos ficaram boquiabertos. Quem era aquela garota afinal?

–Desculpe – Bixlow falou pela primeira vez -, mas você não foi à cerimônia, então automaticamente não entrou para a guilda.

Por um instante, o sorriso de Yoga oscilou, mas tão rápido quanto isso aconteceu, a garota voltou a sorrir seu mesmo sorriso de escarnio.

–É mesmo? – Ela disse jogando seu longo cabelo para trás do ombro. – Bom, então a perda é de vocês.

–Não! – Katharina riu. – Não escute Bixlow. Ele não sabe o que está falando a maioria das vezes. É lógico que você foi aceita.

–Mas... – Bixlow começou – ela não foi à cerimônia e o seu pai falou –

–Meu pai não está aqui, está? – Katharina disse encarando Bixlow firmemente. – E, na ausência dele, eu sou a responsável por tomar as decisões.

A expressão de Bixlow mostrava claramente que ele não estava acompanhando a lógica da garota.

–Eu não acho que é bem assim que funciona – ele disse. – Eu acho –

–Bixlow, já demorou demais – Katharina o interrompeu. – Leve as malas dela para o quarto das monitoras.

–O que? – Jo disse surpresa. – Para o nosso quarto?

–Ela tem que ir para o quarto das novatas! – Bixlow exclamou.

–Não – Katharina negou. – Eu a quero no nosso quarto. Tem uma cama sobrando, de qualquer jeito.

Yoga soltou uma risada sem emoção.

–E por que eu iria querer ficar no seu quarto? – ela perguntou a garota que parecia estar no comando daquele lugar.

–Porque nós somos as únicas que temos álcool – foi a simples resposta de Katharina.


Notas finais
E aí? O que acharam desse capítulo?
Eu acho que esse foi um capítulo de grandes surpresas, não é mesmo? Quem diria que a Linnea já iria torturar o Ricardo?
Bom, aparentemente, os meus capítulos acabam sempre maiores do que eu planejo...
Mudando de assunto, eu queria perguntar algo muito importante, que pode mudar o destino da fic para sempre *dramática*: vocês querem hentai nos próximos capítulos?
Por favor, respondam essa pergunta com um sim ou um não, porque eu tomarei a decisão pelo voto da maioria.
Bom, acho que é só isso ^^
Deixem um review se tiverem tempo e tenham um bom dia!
Beijos;
Wine ;*
PS. Eu sei que o resuminho no começo está horrível o.O'