Summer Paradise: A Nova Geração

13 Showzinho de aberração


Notas iniciais
Bom, em primeiro lugar, sinto que preciso me desculpar mais uma vez pela demora para atualizar. Sorry. Eu demorei séculos e mais séculos escrevendo esse capítulo e apaguei mais da metade dele. Estava com medo de apresentar a nova personagem, Jennifer, da minha linda Luly. Agora, esse capítulo é dedicado as maravilhosas leitoras Katness, Absent, Shine Bright e Netuno que mandaram as quatro recomendações mais lindas da história do nyah para essa fic.

Também tem uma novidade. A capa da fic mudou - e continuará mudando em toda atualização. Cada vez com um personagem diferente como tema. Espero que gostem dessa ideia! ^^

Agora, querido leitores lindos, preciso da ajuda de vocês. O pobrezinho do Ralf não tem um love e isso é muito triste. Mandem suas opiniões. Quem vocês acham deveria ter o coração do Ralf? Pode ser qualquer personagem! Desde os que são solteiros até os que não são! Estou aberta a QUALQUER SUGESTÃO! Haha.

Boa leitura;

Finalmente.

Depois de tanto tempo de espera a hora finalmente chegara.

Tris se olhou no espelho. Seu estômago contorceu-se dolorosamente enquanto ela analisava sua imagem. Definitivamente, essa não era Tris Redfox.

-Você está linda – Dana cantarolou atrás dela.

Por algum motivo, Tris não acreditava nessas palavras.

-É impossível alguém ficar bem com uma saia azul balofante ridícula – Tris resmungou enquanto tocava o tecido delicado demais para seu gosto. – Eu pareço um balão azul!

Dana suspirou.

-Você consideraria passar um batom?

Lentamente, Tris semicerrou os olhos; sua expressão deixando claro que não era uma boa ideia provoca-la.

-Tudo bem – a ruiva disse derrotada. – Só estava perguntando.

Dana achava adorável a maneira como Tris ocasionalmente lançava olhares ansiosos para a porta. A herdeira Scarlet acreditava que sua amiga estava apreensiva com a chegada de Victor. No entanto, não era esse fator o responsável pela inquietação de Tris.

A loira estava esperando Katharina Dreyar passar pela porta e vê-la usando a saia que a maga do gelo especialmente escolhera para Tris vestir em seu encontro. Esse fora o melhor pedido de desculpas que a Dragon Slayer do Ferro conseguiu pensar. Afinal, Tris sabia o quanto havia sido grossa com Katharina mais cedo e – acreditem – ela gostava muito de Katharina para chegar ao ponto de vestir uma saia balofante.

-Pelo menos eu também estou usando minha camiseta do Led Zeppelin – ela suspirou. Entretanto, após raciocinar sobre o que havia dito, sobressaltou-se. – Ai meu Deus! E se o Victor não gostar de Led Zeppelin? Será que seria melhor eu trocar por uma camiseta do Nirvana?

Dana sorriu.

-Pensei que você não se importava – ela disse.

Tris arregalou os olhos.

-É claro que não me importo.

**

-E é assim que se faz um nó de gravata – Guga disse orgulhoso enquanto dava alguns tapinhas na costa do irmão.

Victor ergueu as sobrancelhas.

-Eu sei – ele respondeu. – Fui eu quem fez esse nó.

Guga revirou os olhos.

-Será que eu não posso ter um momento de irmão mais velho com você, heim? – Ele suspirou.

Dessa vez, foi Victor quem revirou os olhos.

-Nós somos gêmeos, idiota – ele retrucou.

Tão rápido quanto apareceu, o sorriso típico de Guga se desfez.

-Você acabou de me chamar de idiota? – Guga exclamou perplexo.

-Eu... eu – Victor engasgou.

Ele estava tão perplexo quanto o irmão. Victor normalmente não usava palavras sem um pingo de erudição como vocativo.

Ralf, que estava sentado em sua cama devorando um pacote de Cup Noodles crú, gargalhou.

-Só pode ser influência da minha irmã – Ralf disse de boca cheia.

Victor sorriu, com esse pensamento. Tris era uma má influência; e ele gostava disso.

-A conversa não chegou no lado fracassado do quarto – Guga disse irritado. Ele definitivamente não suportava Ralf Redfox.

Ralf bufou. O Dragon Slayer do Ferro jogaria farelo de Cup Noodles em baixo do travesseiro de Guga quando ele não tivesse olhando.

-Queridos, cheguei! – Alguém anunciou, abrindo a porta do quarto.

Não.

Todos no quarto ficaram paralisados. Alguns de felicidade e outros... bem, nem tanto.

-Rickinho! Meu boy! – Guga cumprimentou o recém chegado. – Quer embrulhar um pacote para mim?

-O menino mal chegou e você já está abusando dele – Victor desaprovou. – E aí, Ricardo? Pensei que você nunca mais sairia da enfermaria.

-Opa! – Ricardo sorriu e fez dancinha. – Guga! Vitinho!

-Merda – Ralf sussurrou. – Lá se vão minhas noites de sono...

**

-Você vai ficar bem – Kano sussurrou delicadamente enquanto afastava uma mecha de cabelo do rosto de Jo.

Felizmente, elas conseguiram chegar até a enfermaria, onde Jo instantaneamente desmaiara em uma cama qualquer. Todavia, como nada poderia ser perfeito, o garoto rude ainda estava acompanhando-as e analisando Kano de perto.

-Não encoste nela – ele ordenou.

Os olhos de Kano se encheram de lágrimas. Ela queria gritar, dizer que esse garoto a confundiu com alguém – ou talvez ele estivesse mais drogado do que a própria Jo. Entretanto, ela já fizera isso, e, ainda assim, o garoto a perturbava. Ele assustava-a.

-Eu não fiz nada – ela murmurou novamente, desesperada. – Por favor, me deixe em paz.

Kano se encolheu quando viu o ódio cruzar as feições dele. Se esse garoto que ela mal sabia quem era resolvesse ataca-la fisicamente, Kano saberia como se defender. Contudo, algo nele fazia-a tremer de medo – e Kano não se considerava uma pessoa medrosa.

Nunca havia passado pela mente dela que os membros da Fairy Tail eram tão grosseiros. Afinal, ela só conhecia Jo, que ocasionalmente visitava a Blue Pegasus, e era extremamente simpática e avoada para ser real. No entanto, esse garoto parecia exalar maldade.

-Se você tentar de alguma maneira — o garoto continuou – fazer mal para mim ou qualquer membro da minha guilda, eu juro que te mato.

Kano arregalou os olhos. Algo a dizia que ele não estava brincando.

-Afinal, o que fez com a filha de Gildarts? – Ele interrogou-a. – O mesmo que fazia com os capturados? Ou melhor, por que atacar Jo? Por pura diversão ou por que eles mandaram?

-Eu... – Kano engasgou – eu...

-O que? – O loiro disse aproximando-se perigosamente. – Por que está aqui? É por minha causa? Eles mandaram-na me punir?

-Eu juro – Kano disse em uma voz dolorosamente esganiçada. – Não fiz nada. Por favor –

-O que está acontecendo aqui? – Uma voz que Kano tanto conhecia e idolatrava indagou.

O garoto desviou o olhar dela, sua expressão se suavizando automaticamente. Contudo, Kano ainda podia praticamente sentir o ódio exalando de sua essência.

-Nada, sr. Ichyia – O loiro sorriu, cumprimentando o homem acompanhado de uma esbelta garota. – Só estava dizendo a Maddie que ela já está livre para ir.

-Maddie? – O nome saiu ruidosamente pela garganta de Kano.

A garota ao lado de Ichyia gargalhou. Seu longo e cacheado cabelo loiro descia em belas ondas até seu bem avantajado quadril, que mal era coberto por um justo vestido verde.

-Leonardo, – ela riu – você está bem? Está é a Kano. Não Maddie.

-Sim! – Ichyia exclamou, aproximando-se do delicado corpo de Kano em uma tentativa de abraça-la. – Ela é a Kano. A mais fofa menininha que o mundo já viu.

-Ichyia-sama... – Kano gemeu.

-Ela não é linda? – Ichyia perguntou, brincando com as chiquinhas que partiam perfeitamente o cabelo de Kano.

Ela se encolheu, no entanto, não pôde deixar de sentir certo conforto com a presença de um dos membros mais poderosos e respeitáveis de sua guilda, bem como de sua melhor amiga.

Leonardo semicerrou os olhos, aparentemente em um movimento que somente Kano percebeu.

-Linda, realmente – ele concordou entredentes.

-Não tanto quanto eu, não é? – A garota loira voltou a dizer. – Eu bem me lembro o quanto você dizia que eu era linda uns tempos atrás.

Leonardo sorriu, dessa vez até mesmo com os olhos.

-Jennifer – ele disse. – Eu também me lembro de quando você me trocou pelo meu melhor amigo. Sem ressentimentos.

Jennifer Hathaway. Puta de natureza.

-Que bom – ela disse, colocando a mão sobre o ombro dele. – Ressentimentos não prestam. A propósito, onde está Guga?

-Oh meus parfums! – Ichyia exclamou de repente. – Aquela é a minha Jo deitada ali?

Kano respirou lentamente, só percebendo neste momento que estivera prendendo sua respiração. Aparentemente ela fora esquecida por todos, inclusive esse tal de Leonardo macabro.

**

Por mais que fosse verão e os dias parecessem mais longos, Misaki não conseguia deixar de pensar que o céu estava mais escuro e sombrio do que o normal.

A maga do gelo simplesmente não conseguia compreender como as coisas poderiam mudar tão drasticamente do dia para a noite – ou melhor, da hora do almoço até o café da tarde.

Algo fez com que seu sangue parecesse correr mais frio e um arrepio percorresse sua espinha enquanto os acontecimentos de mais cedo voltavam à mente da garota.

“-Isso é sério? – Misaki disse pasma. – Wow. Nunca pensei que simples moléculas poderiam reagir dessa maneira em um acelerador! A cinética ficaria –

-Eu sei! – Key concordou, feliz por ter encontrado alguém que ouvisse suas ideias malucas. – Se eu conseguisse alterar a cinética do sistema –

-Misaki! – a voz de Juliiana gritou, interrompendo o garoto que imediatamente calou-se.

-Ju-chan! – Misaki sorriu, esquecendo-se completamente de que ainda travava uma guerra amorosa mortal com sua irmã. – Você não tem a menor noção sobre o que o Key pensou! Ele –

-Nós vamos embora – Juliiana anunciou.”

Era como se um nó se formasse na garganta dela. As palavras de Juliiana tecnicamente eram inofensivas. Entretanto, a maneira como ela as pronunciou fazia com que tudo subisse à cabeça de Misaki – fazia-a querer gritar em meio a suas memórias.

“-Não estou entendendo – Misaki disse, assim que ela e Juliiana alcançaram Nathan e Hana. – Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

-Se partirmos ainda hoje podemos chegar à ilha em um prazo de cinco dias, talvez – Nathan disse. – Tudo depende do tempo.

Em outras palavras, Misaki fora completamente ignorada.

-Como você sabe de tudo isso? – Hana perguntou. No entanto, ao invés de questionamento, sua voz expressava encantamento.

-Espera, — Misaki tentou novamente – que ilha?

-Como vocês têm certeza sobre as coordenadas? – Juliiana perguntou. – Pelo o que entendi, a informação de vocês é meio vaga.

Nathan balançou a cabeça.

-Não temos – ele admitiu.

Misaki levantou uma sobrancelha. Absolutamente nada do que eles diziam fazia sentido.

-Sobre o que vocês estão falando? – Ela tentou mais uma vez, jogando seu leve cabelo para trás da orelha.

-Esperem! – Hana exclamou de repente. – Vocês não estão se esquecendo de uma coisa super importante? Dinheiro. Nós não temos nenhum tustão. A única razão pela qual não morremos de fome é porque a comida aqui é gratuita. Como vocês esperam ir a uma ilha sem dinheiro algum?

Juliiana assentiu.

-É verdade – a primogênita Fullbuster concordou. – Nathan, a não ser que você tenha economias gordas nós não iremos conseguir nem mesmo sair da cidade.

Misaki gemeu de frustração. O que estava acontecendo? Por que eles estavam falando sobre sair da cidade?

-Gente – Misaki disse, implorando que eles a escutassem.

-Isso não é problema – Nathan sorriu torto. – Bem, eu já falei com a Linnea e nossas economias conseguem pagar uma viagem de trem para todos.

Juliiana semicerrou os olhos.

-Viagem de trem? – Ela disse incrédula. – Mas como você espera que nós cheguemos a uma ilha com um trem?

-Eu não tinha terminado – Nathan repreendeu-a. – Nós vamos pegar um trem. É só isso que nosso dinheiro permite. Mas –

-Mas? – Hana insistiu.

-Mas nós vamos precisar de mais dinheiro – ele continuou. – E eu sei como conseguir.

Misaki suspirou. Ela já não entendia mais nada, se é que em algum momento entendeu. Enrolando com força uma mecha de cabelo azul em torno de seu dedo, ela encarava os três amigos.

-Nós vamos roubar – Nathan disse como se fosse o fato mais obvio do mundo.”

**

-Dá para parar de me seguir? – Katharina disse frustrada enquanto lutava com sua mala cor de rosa choque – nada chamativa, por sinal.

-Faça-me parar – Yoga disse sorrindo como uma modelo de Malibú.

Katharina grunhiu.

As pessoas ao redor não podiam deixar de olhar a cena bizarra que elas provocavam. Uma garota com a expressão emburrada carregava uma mala que era quase de seu próprio tamanho e ocasionalmente tropeçava no próprio sapato quando o vento fazia seu longo cabelo castanho entrar em seu campo de visão. Por sua vez, ela era seguida por outra que parecia se divertir tanto quanto os espectadores quando a garota da frente tropeçava, e, ao contrário da colega, não demonstrava esforço algum para andar no tão esburacado calçadão.

-Acho melhor você passar um protetor – Yoga comentou. – Seu rosto branquelo vai ficar mais vermelho do que um pimentão.

Mais uma vez, Katharina grunhiu.

-Me deixe em paz!

**

-Está tudo bem, Kano? – Jennifer perguntou a amiga assim que elas saíram da enfermaria. – Parece que você viu um fantasma.

Kano assentiu, mesmo sabendo que era uma mentira. Se até Jennifer Hathaway, que vivia centrada em seu próprio mundo, estava perguntando se ela estava bem, Kano deveria estar realmente mal.

Entretanto, por pior que aquele loiro psicopata da Fairy Tail a fizesse se sentir, a maga não podia deixar de pensar nas coisas que ele havia dito.

-Estou bem – ela disse fracamente. – Jen, de onde você conhece esse Leonardo?

Jennifer sorriu.

-Ah, então tudo isso é por causa do Leo? – Ela riu e passou o braço em torno dos ombros de Kano. – Minha bonequinha finalmente está apaixonada? Que kawaii!

Kano se encolheu.

-Não – Ela rapidamente negou, sentindo suas bochechas corarem. – Não é nada disso.

-Ah, Kano linda! – Jennifer a abraçou para mais junto de si. – Não precisa se sentir envergonhada. Toda flor desabrocha uma hora.

-Não é isso, Jen – Kano tentou, mas ela sabia que era inútil.

-Conheci o Leo há uns três anos atrás – Jennifer contou. – Ou talvez, ele me conheceu. Se apaixonou por mim a primeira vista, é claro.

Kano lutou contra sua vontade de revirar os olhos. Jen era tão... Jen.

-Nós ficamos algumas vezes e tal, nada sério – Jennifer contou. – Ele não era bom o suficiente para mim... Muito responsável. Seguro demais. Foi então que eu conheci Guga. Aquele garoto que estou sempre mencionando.

-Guga? – Kano perguntou. – Você nunca mencionou nenhum Guga.

-Nunca? Tem certeza? – Jennifer pareceu surpresa. – Que estranho. Enfim, eu conheci Guga. E ele também se apaixonou perdidamente por mim.

-Sei... – Kano disse, sabendo que mais da metade do que Jennifer dizia deveria ser descartado.

-Só que a namorada dele – Jennifer gemeu. – Mulherzinha chata ela, viu? Uma tal de Dana. Extremamente invejosa e recalcada.

Kano realmente revirou os olhos dessa vez. Ela sabia que não obteria nenhuma informação relevante sobre o garoto grosseiro que a ameaçara mais cedo de Jennifer.

-A propósito, — Kano disse em uma clara tentativa de mudar de assunto. – Por que você estava na enfermaria?

A expressão de Jennifer se fechou.

-Ainda tenho que fazer tratamento de sífilis, acredita? — Ela disse incrédula.

Jennifer...

Kano suspirou. Ela só podia pensar em uma pessoa que poderia ajuda-la a descobrir mais sobre esse garoto. Seu irmão, Luke. A maga só não tinha a menor ideia por onde ele andava.

**

“-Roubar? – as três garotas disseram em uníssono.

-Você está louco? – Hana perguntou.

Nathan revirou os olhos.

-Gente, eu trabalhei em um circo por dois anos – ele disse calmamente. – Como vocês acham que eu conseguia dinheiro para comer?

-Você assaltava as pessoas? – Hana arfou.

-Não! – Nathan apressadamente disse. – Isso seria errado. Eu só roubava quando elas não estavam vendo.

-Nathan! – Hana repreendeu-o.

Juliiana sorriu.

-Então, quem vamos roubar? – Ela perguntou. – Bixlow?

-Juliiana! – Misaki exclamou. Ela não tinha a menor ideia sobre o que eles estavam planejando e muito menos qual era o motivo macabro por trás desses planos; mas havia alguns limites que Misaki não estava disposta a ultrapassar.

-Cala a boca, Misaki – Juliiana disse, sem qualquer sinal de arrependimento.

Misaki mordeu os lábios. Ela não estava gostando de nada daquilo.

-Não seria inteligente roubar Bixlow – Nathan disse. – Precisamos de presas mais fáceis.

Hana se arrepiou.

-Você fala como se fosse um gênio do crime – ela disse lentamente.

Nathan piscou para ela, sem se importar em parecer um protagonista de filme de faroeste.

-Isso é porque eu sou.

Juliiana grunhiu.

-Galera, — ela disse impaciente – se nós vamos sair ainda hoje, precisamos parar de flertar.

Nathan assentiu.

-Tem razão – ele concordou. – Como eu estava dizendo, precisamos de presas fáceis. E com dinheiro, muito dinheiro.

-Vocês enlouqueceram, é? – Misaki perguntou.

Novamente, ela foi ignorada.

-Dana Scarlet. Katharina Dreyar. Yoga Ambrose. Tris Redfox. – Nathan disse os nomes apressadamente. – Elas são nossas presas.

Hana arregalou os olhos.

-Essas são as presas fáceis?

-Ok – Misaki disse. – Vocês realmente enlouqueceram.

-Acreditem, — Nathan disse exibindo uma autoconfiança sobre-humana – de acordo com os meus planos, elas são as presas fáceis. E possuem dinheiro. Já viu quantos cupcakes Dana compra? Agora, Hana e Juliiana, vocês precisam encontrar Linnea no dormitório. Ela já sabe o que fazer. Eu vou ver o que consigo tirar de Ralf e Guga.

Dito isso, o moreno começou a caminhar a passos largos, lançando olhares frenéticos ao relógio.

-Meu Deus – Hana murmurou. – O que mais eu não sei sobre meu namorado?

Juliiana sorriu.

-Vamos encontrar Linnea.

-Esperem – Misaki disse. – O que eu faço? O que está acontecendo? Por que ninguém me diz nada?

Juliiana bufou.

-Pare de nos atrasar, Misaki! Vai fazer suas malas ou qualquer coisinha assim.”

Misaki não foi fazer suas malas.

Em vez disso, ela estava sentada em um banco no calçadão olhando para o mar. Como seu time, seus melhores amigos, se atreveram a trata-la daquela forma? Como sua própria irmã a tratara como um... incomodo?

Ela queria chorar, mas as lágrimas não estavam se formando. Lógico, seria estupidez chorar. Afinal, ela mal sabia o que estava acontecendo. Só fora notificada de que partiria com seu time dentro de algumas horas rumo a alguma ilha.

Por que ninguém a contava nada? Por acaso ela não era importante o suficiente para saber?

-Posso me sentar aqui? – Uma voz profunda interrompeu seus pensamentos – assim como seus batimentos cardíacos.

-Hum, claro – Misaki murmurou depois de um momento de hesitação.

Inconscientemente, a maga do gelo se endireitou. Ela mal percebera que estivera sentada com suas pernas abertas e corpo torto – uma posição que ela definitivamente não queria que o tão esbelto recém chegado a visse.

Leonardo Eucliffe sorriu.

-Sabe, — ele disse vagarosamente – eu venho aqui para pensar.

Misaki apressadamente caçou uma mecha de cabelo com o indicador – seu plano de controle para qualquer situação em que ela não estivesse cem por cento no controle.

-Hum... – ela murmurou. – Você quer que eu vá embora? Tudo bem, se eu estiver atrapalhando seus pensamentos –

-Não! – Leonardo apressadamente disse. – Não foi isso o que quis dizer. Desculpe, devo ter me expressado mal.

Misaki negou.

-Desculpe, eu devo ter entendido mal.

Ela olhou diretamente para ele e, por um segundo, era como se Misaki estivesse se derretendo sob os olhos verdes dele – uma sensação parecida com a que ela teve na viagem de trem.

Leonardo riu.

-Sem problemas – ele disse.

Um silêncio que parecia incomodar somente Misaki tomou conta deles e tudo que a maga do gelo fez foi procurar manter sua respiração estável.

-Você já se sentiu como se os fantasmas do seu passado estivessem te caçando? – Leonardo disse de repente. – Como se, por mais que você tente fugir, eles te encontram?

Misaki parou para pensar nas palavras dele.

-Na verdade, — ela disse lentamente, porém sinceramente. – Não.

Leonardo olhou de relance para ela.

-Obrigado pela sinceridade – ele sorriu um de seus famosos sorrisos. – Agora eu pareço um louco.

A maga instantaneamente arregalou os olhos.

-Desculpe... – ela murmurou.

O sorriso de Leonardo aumentou.

-Você não precisa se desculpar por tudo, sabia?

Sem perceber, Misaki corou.

-Desculpe – ela disse.

Leonardo riu algo próximo de uma gargalhada e, assim que percebeu o que disse, Misaki não demorou a se juntar a ele. Era uma sincronia de risadas naturais – que iluminavam os cantos que o resto de sol não atingia.

-Está tudo bem? – Leonardo perguntou quando o silêncio dominou novamente. – Você parece um pouco perturbada.

-Eu – Misaki não elaborou. – Perturbada?

-Desculpe – dessa vez foi Leonardo quem disse a palavra. – Não é da minha conta.

Misaki encheu seus pulmões do ar quente que a praia exalava e balançou a cabeça.

-Nada está bem – ela murmurou.

**

As tradicionais três batidas na porta do quarto fizeram com que Tris pulasse de sua cadeira.

-Eu atendo o Victor! – Dana anunciou.

-Não – Tris disse. – Eu vou atender! Você pode fazer alguma coisa estupida como falar com ele!

-Oh meu Deus, Tris! – Dana exclamou. – Tem alguma coisa verde no seu dente!

-O QUÊ?! – Tris gritou e foi correndo para o banheiro.

-Amadora – Dana sorriu.

Por que as pessoas não entendiam que quando Dana Scarlet queria fazer algo ela realmente iria fazer? Mesmo que esse algo fosse uma coisa tão banal como abrir a porta.

-Olá, Victor! – A ruiva sorriu enquanto abria a porta. – Tris está se prepar –

Poucas coisas deixavam Dana Scarlet sem fala. Ou talvez fosse melhor reformular essa frase para uma como, por exemplo: apenas uma pessoa deixava Dana Scarlet sem frase: Guga.

-E aí? – Guga cumprimentou-a, nem mesmo tentando disfarçar que olhava as curvas dela com mais intensidade e entusiasmo do que as regras sociais ditavam que era apropriado.

-Huh – Dana tentou loucamente dizer algo, mas as palavras simplesmente não vinham.

-Ele insistiu em vir – Victor disse se desculpando. – Onde está Tris?

-Estou aqui – Tris disse. Sua voz, apesar de parecer forçadamente confiante, falhou.

Victor arregalou os olhos terrivelmente azuis.

-Você está usando uma saia? – Ele perguntou incrédulo.

Ela corou.

-Eu... Sabia que estava ridícula, vou –

-Não! – Victor disse, corando também. – Ridícula nunca. Eu diria esplendida.

Talvez pessoas normais apenas sorrissem com um comentário desses; mas Tris Redfox não era normal. Ela precisava retrucar.

-E você parece... um cara – Ela disse, seu rosto apoderando-se da cor rosa.

Guga revirou os olhos.

-Entrega o presente a ela – ele cochichou no ouvido de Victor que pareceu acordar para o mundo.

-Eu tenho... – Victor disse sem jeito. – Tenho um presente para você, Tris.

Tris congelou. Deuses, ele estava se aproximando. Por que ele estava se aproximando?

Victor pigarreou.

-É um colar – ele disse. – Estava na vitrine de uma joalheria aqui perto. Assim que vi, lembrei-me de você. É um símbolo de uma lenda da Romênia.

Lentamente, Tris analisou o pingente preso ao colar. Não era nada delicado, do tipo que ela jogaria fora ou doaria para Katharina. Era rústico e até mesmo badass. Preto e simples.

-O que significa? – Ela perguntou.

Victor pigarreou novamente. Por que sua voz parecia não obedecê-lo?

-Significa “guardiã”, protetora – ele disse. – Na hora em que vi pensei em você. Já que, bem, você está sempre protegendo seus amigos.

O coração de Tris parecia que estava galopando em uma corrida do jockey.

-Espera – ela disse. – Tem algo escrito nele.

Victor corou.

-Bem, essa foi a parte que eu personalizei.

Tris olhou-o diretamente e ele realmente pensou que fosse desmaiar.

-O que está escrito? – Ela perguntou.

-As letras “VA” – ele admitiu.

-De Victor Albertino – Guga se intrometeu, esclarecendo o obvio.

Tris corou. Ela definitivamente não usaria esse colar.

-Isso não é meio machista? – Dana também comentou. – Quero dizer, você está colocando uma coleira na minha amiga, Victor? Marcando seu território?

-Como é que é?! – Tris exclamou.

-Não! – Victor apressadamente disse. – Não é nada disso. Só coloquei minhas iniciais para você saber que eu também estou te protegendo.

Tris ergueu as sobrancelhas.

-Não preciso de proteção.

Desesperadamente, Victor mordeu os lábios.

-Todos precisamos de proteção, não é, Dana? – Guga disse, em uma tentativa de ajudar o irmão.

Dana olhou irritada para ele.

-Eu não preciso – ela disse.

-Eu estou tentando salvar um encontro aqui – Guga sussurrou.

A herdeira Scarlet assentiu.

-Ah, sim – ela disse em um tom irônico. – É verdade, todos precisamos de proteção. Agora, dá para vestir esse colar logo na Tris? Quero ficar sozinha.

Victor assentiu e, com as mãos tremulas, aproximou-se do pescoço da Dragon Slayer do Ferro.

-Ei – Guga sussurrou novamente, de modo que só Dana poderia ouvi-lo, e tocou levemente o braço dela.

A maga se afastou, sentindo um choque a dominar.

-Não me toque – ela ordenou.

-Calma aí – Guga disse. – Só estou tentando dizer que nós precisamos ir com eles.

-O quê? – Dana perguntou pasma.

-Sim – Guga assentiu. – Eles não vão sobreviver sem a nossa ajuda. Olha só – ele inclinou a cabeça em direção ao mais novo casal da guilda.

Victor lutava bravamente contra o fecho do colar e Tris dobrava tanto seu pescoço que, sem dúvida alguma, teria um torcicolo depois.

-Eles mal conseguem colocar um colar – Guga continuou. – Imagine o que eles vão fazer durante uma hora inteira!

Dana suspirou.

-Você tem razão – ela admitiu. – Mas não estou vestida para sair!

Guga deu de ombros.

-Você pode se reequipar em uma armadura sexy – ele disse naturalmente. – Você sabe o quanto eu me excito com suas armaduras sexys.

-Eu só estou indo por causa da Tris! – Dana fez questão de lembra-lo. – Vou vestir um vestido, ok?

Guga sorriu.

-Tanto faz – ele disse. – Você não vai querer ficar com suas roupas por muito tempo se eu estiver por perto.

Dana cerrou os punhos.

**

-Não consigo mais andar! – Katharina gemeu se atirando contra uma árvore. – Illl, a grama está molhada!

Yoga revirou os olhos.

-Já? – Ela disse, mas não parecia muito relutante em se sentar ao lado da garota. – Ainda faltam oito quilômetros para a estação de trem.

Katharina gemeu mais uma vez.

-Por que está reclamando tanto? – Yoga perguntou. – Você caminhou toda essa distância para chegar ao hotel.

-Não – Katharina negou, enquanto alcançava sua garrafinha de água. Cor de rosa, é claro. – Pegamos um trem especial que já está desativado.

-Que bosta – Yoga cantarolou erguendo as sobrancelhas. Para ser sincera, aparentemente, ela só queria irritar Katharina.

-É – a maga do gelo concordou. – E, mesmo assim, Tris carregou minha mala e Ralf e Dana me arrastaram.

-Eles parecem... – Yoga hesitou – gostar de você.

Katharina sorriu.

-É.

-Por que você fugiu?

-Não é da sua conta – Katharina respondeu.

-Sabe o que eu penso? – Yoga perguntou sem realmente esperar por uma resposta. – Eu penso que você é uma idiota. Está fugindo por um simples capricho, esperando que um de seus amiguinhos venha te resgatar. Isso é patético.

Patético.

Katharina não podia ouvir essa palavra. Ainda não.

-E sabe o que eu penso? – Ela disse, jogando seu longo cabelo para trás. – Eu penso que você é mais patética ainda. Você pensa que eu não sei o verdadeiro motivo de você estar me seguindo? Ninguém fala com você, Yoga. Você é uma esquisitona. Não tem amigos. E depois daquele showzinho de aberração que você estrelou com o novato, ninguém, absolutamente ninguém, vai querer interagir com você. Sou a única pessoa que olha na sua cara. Isso te faz mais patética.

Showzinho de aberração.

Dessa vez, era Yoga quem não podia ouvir. Porém, ao contrário de Katharina, a expressão não fez seu sangue subir à cabeça. Pelo contrário, era como se alguém tivesse a esfaqueado.

Pela primeira vez, Yoga Ambrose provou ser humana. Havia lágrimas em seus olhos, contrastando com seu vívido cabelo violeta.

-Yoga, eu – Katharina tentou.

-Não – A maga disse. – Você me deixe em paz agora.

Notas finais
Espero que tenham gostado!