Summer Paradise: A Nova Geração
12 Oh, o surfista!
Notas iniciais
Sinto muitíssimo pela demora para atualizar. Esse ano tem sido difícil para mim e a inspiração estava com dificuldade para aparecer >.< ,
Alguns leitores perceberam que eu embarquei em outros fandoms (Sherlock! *suspira*), mas quero deixar claro que não iriei abandonar aqui! Isto é, enquanto ainda exista alguém respirando que goste da fic não irei abandoná-la!
Bom, é isso. Espero que gostem desse capítulo. Ele está consideravelmente grande, foi a maneira que encontrei de me redimir;
–Vocês podem, por favor, calarem as bocas? – Bixlow grunhiu.
De alguma maneira, quando todos notaram a ausência de Katharina, a participante do time X-Timeless para a próxima luta, os membros do time dela e do time rival, os Galanties, acabaram no meio da arena repletos de berros e xingamentos que ninguém conseguia decifrar, mostrando aos espectadores o que era uma verdadeira bagunça à lá Fairy Tail.
–VOCÊS NÃO PRESTAM, BAKAS DO CARALHO! – O grito pertencia a Ralf Redfox ou talvez a Victor Albertino, era impossível dizer ao certo.
–EU VOU MASSACRAR VOCÊS! – Dessa vez era Tris a responsável pelo barulho.
–O DIREITO ESTÁ DO NOSSO LADO! – Victor; Com toda certeza esse era Victor.
E foi assim por talvez dez ou quinze minutos, não se sabe ao certo. Felizmente, os instrumentos utilizados para batalhar eram apenas palavras; Pelo menos até alguém ter a brilhante ideia de jogar um tênis que acertou justo a imperatriz das armaduras, Dana Scarlet.
–SEUS VAGABUNDOS, CRETINOS, IDIOTAS, INFANTIS E INCONVENIENTES – Dana gritou, sentindo claramente um galo se formando no canto em que sua testa fora atingida pelo tênis voador. – CALEM SUAS BOCAS ESTÚPIDAS!
Pois é, as Scarlets tinham o dom de atrair a atenção; E elas não tinham medo de usá-lo.
–Bom – Bixlow disse, assim que todos em um raio de dois quilómetros se calaram. – Obrigado, Dana. De novo.
–Mas, tudo isso é muito injusto – Tris apressadamente falou.
–Não tem nada de injusto, são as regras! – Victor respondeu-a.
–QUIETOS! – Dana disse novamente. Será que eles nunca entendiam?
Bixlow suspirou. Pirralhos egocêntricos.
–A meu ver, a Srta. Descontrolad—digo, a Srta. Dreyar não está presente.
–Demorou muito para perceber isso, foi? – Tris disse emburrada.
Bixlow olhou para ela de uma forma que deixava claro que se ele tivesse uma arma, ele certamente atiraria bem no centro dos olhos azuis dela.
Lógico, ela provavelmente teria comido a bala de metal antes disso, mas Bixlow não era tão inteligente para prever algo do tipo.
–O que? A Kath sumiu? – Jo disse pasma. – Como assim? Explica essa história direito!
Todos a olharam como se ela tivesse algum problema; e ela definitivamente tinha.
–Sim – Bixlow respondeu lentamente. – Esse tem sido o tópico da discussão até agora.
Jo assentiu.
–Agora todo barraco faz sentido – ela disse balançando a cabeça como se fosse tão sábia quanto um oráculo dos deuses.
Dana semicerrou os olhos. Se alguém fosse conduzir essa discussão teria de ser ela.
–A questão é; — ela disse mais calma – Katharina desapareceu.
Guga riu.
–Ela não desapareceu! – Ele exclamou sorrindo um sorrio típico dos modelos Calvin Klein. – No momento em que ela viu que eu seria o oponente dela, saiu correndo.
–Não fala assim da Kath! – Ralf gritou, cerrando os pulsos.
–A KATHARINA NUNCA FARIA ISSO, SEU COCÔ! – Sim, essa foi Tris. Só poderia ser Tris.
Guga gritou – não um grito de macho alfa, mas sim um grito desesperado; O tipo de grito que as pessoas gritavam quando uma Tris Redfox pulava em cima delas.
–Ai, meu Deus! – Victor disse assustado. – Alguém pode tirar a Tris de cima do meu irmão?
Pela primeira vez naquela manhã, Ralf olhou diretamente para o Dragon Slayer do Vento, seu sangue fervendo com o mesmo ódio que ele sentiu mais cedo.
–Não toque no nome da minha irmã! – Ralf gritou apontando para Tris. – Quem você pensa que é para estar dormindo com ela, Victor-Cretino-Albertino?
Bixlow suspirou.
Pirralhos.
**
–Wow – Misaki exclamou pasma. – Isso tudo realmente aconteceu?
–Parece que não – Hana disse lentamente. – Céus, isso é tudo tão... Nathan, qual é a palavra?
Misaki sorriu. Desde quando Hana pedia para Nathan completar suas frases?
–Nathan? – Hana tentou novamente.
–Hum? – O garoto perguntou, sendo arrancado de seus pensamentos.
–Está tudo bem? – Misaki perguntou, preocupada com o amigo. Normalmente Nathan não era tão distante.
–Vocês acreditariam se eu dissesse que – ele começou, mas não elaborou.
Hana e Misaki olharam desconfiadas uma para a outra.
–O que? – Misaki perguntou, percebendo que Hana não teria coragem de perguntar.
–Eu sei onde a Katharina está – Nathan disse vagarosamente.
Misaki sorriu, encorajando-o. Isso era bom, não era? Significava que a garota simplesmente não desaparecera.
–No depósito – ele continuou. – Foi onde eu a deixei.
O autor Miguel Cervantes uma vez afirmou que “são sempre desatinadas as vinganças por ciúme”. Bom, se ele estiver certo, Nathan deveria se cuidar, já que Hana não parecia nada feliz com a escolha de palavras do coitado.
–Como assim “foi onde eu a deixei”? – A Dragon Slayer rugiu.
Por mais que Nathan estivesse fervendo em pensamentos, ele não deixaria de gargalhar enquanto via sua garota se morder de ciúmes dele.
–Nathan Prior – Hana disse, uma aura negra crescendo ao seu redor. – Por que infernos você deixaria Katharina Dreyar em um depósito?
–Oh, meu Deus! – Misaki exclamou. – Você não a matou e largou o corpo em um depósito, não é?
–Eu – Nathan tentou dizer.
–Você matou a menina?! – Hana exclamou, encarando-o de cima. – Como você pôde? Eu pensei que você –
–HANA! – Nathan gritou. – Pelo amor de Deus, você pode ser bonitinha, mais é terrivelmente assustadora. E, Misaki – ele continuou, voltando-se para a amiga. – Pare de incentivar a Hana a ter pensamentos psicóticos; A mente dela já é perturbadora demais sem a sua ajuda.
–Você acabou de chamar a minha mente de perturbadora?! – Hana vociferou.
Nathan suspirou.
Mulheres.
**
–Agora que pelo menos algumas pessoas estão me ouvindo – Bixlow disse cansado. Deuses, esses imbecis acabavam com ele. – Eu vou dar a palavra final sobre o assunto da luta de hoje.
Mesmo reclamando duzentos por cento de seu tempo, Bixlow também tinha que admitir que ele até apreciava estar “no comando” dos fedelhos. Bem, em primeiro lugar, ele podia chamá-los de fedelhos, pirralhos ou qualquer outra coisa que ele gostasse. Não só isso, mas ele também tinha a liberdade de dizer coisas como “dar a palavra final” e “sou o responsável” sem parecer um tremendo idiota – ou pelo menos ele pensava assim.
–Bixlow, só eu e Dana estamos te ouvindo – Guga disse em seu típico tom debochado.
“Eu e Dana”.
Dana não sabia como deveria se sentir em relação a essas palavras vindas da boca dele. Sua razão dizia que ela deveria ser completamente indiferente – afinal, ele não merecia um pingo de preocupação dela – mas, todo o resto de si gritava em agonia. Como ele podia se referir a eles dois de uma maneira tão casual depois de tudo? Como ele conseguia?
Bixlow cruzou os braços.
–Sim, e?
Guga deu de ombros.
–É só que você disse “algumas pessoas” e... são só duas pessoas – Ele disse, levantando a mão para coçar a sua cabeça.
Dana bufou. Ela até podia se sentir desconfortável na presença dele, mas não perderia sua atitude por nada nesse mundo.
–Idiota, “duas pessoas” se classificam como “algumas pessoas” – Dana disse, sua voz repleta de impaciência.
Guga inclinou sua cabeça suavemente para poder olhá-la melhor. Deuses, os olhos dele continuavam com a mesma cor castanha intensa de sempre, ela não pode deixar de reparar.
–Eu sei – ele disse. – Mas, não é muito comum chamar só duas pessoas de “algumas pessoas”, entendeu?
Dana semicerrou os olhos.
–Não importa se é comum – ela disse, colocando os braços na fina cintura. – Está correto. É o que importa.
–Mas –
–Ei, vocês realmente vão começar a brigar por causa disso? – Bixlow disse irritado com o rumo “ping pong” que a conversa estava tomando.
Guga olhou a maga com o canto do olho, um sorriso se formando em seus lábios – um sorriso que Dana bem sabia o que significava: “é como nos velhos tempos”.
Entretanto, ela discordava. Nada era como nos velhos tempos.
–Desculpe, Bixlow – Dana disse em um dos raros momentos em que admitia que estava errada. Bem, ela não estava errada, Guga estava. No entanto, ela sabia que isso era irrelevante no momento. – Não só por isso, mas pelo comportamento lastimável do meu time.
Oh, sim, o time dela.
Afirmar que o X-Timeless não estava em seu auge era o mais óbvio fato que o mundo já conheceu. Primeiro tinha Katharina que desaparecera. Depois tinha Ralf e Tris que por alguma razão desconhecida que envolvia as palavras “pare de transar com a minha irmã”, “você não tem direito sobre a minha vida”, “sou muito novo para ter sobrinhos” e coisas do tipo começaram a brigar entre si. E, se já não fosse o bastante, havia ainda Jo que estava ocupada demais cantando um surfista. Dessa forma, Dana era a única integrante do time capaz de resolver com Bixlow a situação inicial que desencadeara todos os outros problemas.
Felizmente, os Galanties também não estavam em seus melhores dias. Ricardo estava na enfermaria e Victor ficara preso no meio do conflito dos irmãos Redfox. Leonardo não estava em nenhum lugar visível, deixando Guga também como o único responsável por seu time.
–Tudo bem – Bixlow disse. – Pelo menos vocês estão me ouvindo, então já posso dar a palavra final. O ponto é dos Galanties. Agora, se vocês não se importam eu vou almoçar.
–ISSO! – Guga comemorou.
–O QUÊ? – Dana disse pasma. – Você não pode –
Dana Scarlet nunca interrompe suas frases. Isto é, ela nunca interrompe suas frases quando está em seu juízo perfeito. No entanto, quando Guga Laggiano pousa sua mão em cima da dela, ela definitivamente não se encontra em seu juízo perfeito.
–Relaxa, Dana – Ele disse em um tom baixo e sedutor. – Eu posso te dar um prêmio de consolação se você quiser.
Ela arregalou os olhos, certamente ela deveria dar a ele uma retórica digna das Scarlets, não é?
–Não enche, Guga – ela grunhiu e caminhou apressadamente para longe dele.
**
–Agora que tudo está esclarecido – Nathan disse vagarosamente. – Vocês entenderam que eu não matei a Katharina, só estou ajudando-a em um plano alienado para conquistar o Leo?
–Aham – Misaki concordou. Agora sim, tudo fazia sentido.
–Que garotinha baixa! – Hana disse exasperada. – Que tipo de pessoa faz um plano como esse? Ela parece mentalmente instável.
–Eu sei! – Misaki concordou. – Se lembra de como ela falou comigo no trem? Esse plano só prova a insanidade dela!
Nathan pigarreou.
–O plano foi ideia minha – ele disse baixinho, na esperança de que elas fossem ignora-los.
Não funcionou.
–Depois a minha mente que é perturbadora – Hana murmurou, claramente julgando-o.
Misaki sorriu e afastou uma mecha de cabelo do rosto.
–Que fofos! – Ela cantarolou. – Vocês são tão perfeitos que combinam até mesmo na mente perturbadora!
O engraçado era que na mente distorcida da garota, Misaki realmente acreditava que aquilo era um elogio.
Hana revirou os olhos.
–Mas – ela disse, voltando-se a Nathan -, eu não entendo. Por que você tem essa obsessão pelo Gildarts? Você está fazendo um capricho idiota dessa garota simplesmente para saber onde ele está. Por quê?
Nathan desviou seu olhar. Ele não queria que ninguém soubesse, não é o tipo de coisa que as pessoas deveriam saber logo de cara.
–Não importa – ele suspirou. – Venham, vocês tem razão, esse plano é estúpido. Vamos tirar o pobre Leonardo do depósito, a Katharina deve te-lo comido vivo.
**
–Merda! – Leonardo gritou se jogando contra a porta. – Estamos presos!
–O quê?! – Katharina disse, a surpresa exagerada presente em sua voz.
Ela assistiu divertida ao Leonardo chutar, bater, empurrar e esmurrar a porta diversas vezes sem obter sucesso algum em abri-la. Segundo Nathan, a porta nem mesmo se moveria.
–Droga – Leonardo murmurou.
Tão rápido como um raio cruzando o céu, uma ideia brilhante apareceu na mente dele.
–Rajada do drag –
–PARA! – Katharina gritou, se agarrando ao braço do loiro. – Você quer me matar? Um golpe seu e eu frito feito batata! É isso o que você quer? Que eu pareça uma batata?
Cerrando os pulsos com uma força sobre-humana, Leonardo parecia derrotado. Sim, Katharina estava certa, com toda certeza ela se machucaria se ele usasse o seu poder – e mesmo que ela precisasse de um bronzeado, isso seria errado.
–Você poderia atacar – ele disse calmamente.
Os olhos de Katharina se esbugalharam. Nathan não havia dito nada sobre usar magia contra a porta. E se ela se abrisse?
–O que? – Ela perguntou incerta, tentando pensar em algo.
–Ataque a porta – Leonardo disse lentamente. – Jogue, não sei, um ice make contra ela ou algo que magos do gelo fazem.
Katharina levantou uma sobrancelha.
–Você não tem medo que eu o machuque? – Ela perguntou inclinando a cabeça, um sorriso divertido brincando em seus lábios.
–É claro que não – ele gargalhou.
Muito rápida e sincera foi a resposta dele, Katharina percebeu. Ele realmente acreditava que ela não poderia feri-lo, que ela era fraca.
A garganta dela queimou e algo que poucas pessoas já viram cruzou a expressão dela: tristeza, talvez?
–Eu não quis – Leonardo tentou quando percebeu o erro que acabara de cometer.
Ela fez um gesto com a mão que evidentemente dizia para ele nem se importar em tentar consertar; O dano já estava feito.
–Kath, eu –
–Eu poderia derrota-lo, sabe? – Katharina o interrompeu. – Se eu realmente quisesse.
Por algum motivo, Leonardo se recordou da luta que eles tiveram na competição mago classe S do ano anterior. Ele realmente se sentia como se na época ela estivesse se segurando quando lutava.
–Tenho certeza que sim – ele murmurou e passou um braço pela cintura dela.
Não, ele não acreditava em suas palavras, mas diria qualquer coisa para ver o olhar mesquinho de Katharina de novo.
Ela permitiu que os braços de Leonardo a envolvessem e, por mais que ela ainda estivesse ressentida, deixou que seu corpo relaxasse contra o dele; Afinal, ele era Leonardo, seu príncipe e futuro marido.
–Leo? – Ela disse, sua voz mais suave.
–Huh?
–Lembra do seu primeiro dia na Fairy Tail? – Ela perguntou, piscando algumas vezes.
Ele riu.
–Como eu poderia esquecer? – Leonardo respondeu. – Seu pai me assustou tanto que quase me caguei.
Ok, Katharina preferia fingir que não ouviu a última parte.
–Lembra do que você falou no jantar?
Ele assentiu, incerto sobre onde ela estava querendo chegar.
–Eu agradeci à guilda por me receber – ele disse lentamente -, por me tirar da Sabertooth.
O que poucas pessoas sabiam era que Leonardo era filho de Sting Eucliffe, o mestre da Sabertooth. Laxus uma vez contou a Katharina que a Sabertooth já foi uma guilda como a Fairy Tail, décadas atrás, antes de se tornar uma guilda das trevas.
Leonardo não se orgulhava de suas origens, portanto preferia que as pessoas não tocassem no assunto.
–E o que mais? – Katharina insistiu.
Ele franziu as sobrancelhas.
–Não sei – ele admitiu.
Katharina fechou os olhos; Ela se recordava perfeitamente, afinal, aquela fora a noite em que ela se apaixonou por Leonardo.
–Você disse que iria fazer a Fairy Tail se orgulhar – ela disse. – Que se dedicaria tanto que um dia seria o rei daquele lugar.
Ele riu.
–Eu disse isso mesmo? — Ele murmurou. – Eu só tinha treze anos, não sabia do que estava falando.
–Acho que você conseguiu, sabe? – Katharina continuou como se ele não tivesse dito nada. – Quero dizer, acho que você é o rei da Fairy Tail.
–Acho que seu pai discordaria – ele respondeu.
Algo o tocava todas as vezes que ele conversava com Katharina – ela fazia-o sentir como se ele fosse... especial. Lógico, ele não podia deixar de ler as entrelinhas nas falas dela. Ela poderia considera-lo rei, desde que ela fosse a rainha.
Em outras palavras, Katharina poderia ser louca, mas ele definitivamente se sentia bem em meio à louquice dela.
Se alguém o dissesse algumas horas atrás que Bixlow o chamaria em um depósito e que ele acabaria preso com Katharina Dreyar, ele não teria acreditado.
Porque era impossível de se acreditar, Leonardo percebeu.
Seu corpo enrijeceu e ele se afastou dela.
–Bixlow nunca me chamou aqui, não é? – Ele disse, sua voz fria.
Katharina arregalou os olhos, surpresa com a mudança de comportamento dele.
–O quê? Eu –
–Você é a mesma de sempre! – Leonardo a interrompeu. – Eu deveria ter percebido! Como eu fui burro!
–Leonardo! – Katharina o reprendeu.
–Cala a boca! – Ele gritou. – Você não percebe o quão patética é com esses joguinhos infantis?
Parecia que Katharina havia visto um fantasma graças a sua expressão tomada pela perplexidade.
–Cala a boca você! – Ela respondeu. – Ninguém, absolutamente ninguém, fala comigo desse modo!
Leonardo riu uma risada sem humor algum.
–Evidentemente alguém precisa – ele respondeu. – Porque você não percebe o quão patética está sendo! Katharina, entenda de uma vez por todas que eu não gosto de você.
–Cala a boca! – Ela gritou, sentindo as lágrimas se formando em seus olhos.
–É a verdade! – Leonardo continuou. – Escuta –
–Não Leonardo, você me escute! – Ela gritou. – Eu não aguento mais! Você acha que é fácil ser eu? Em todos esses anos eu vi você flertando com cada garota da guilda, até as minhas melhores amigas, todo mundo menos eu! E não venha me dizer que –
–Katharina, pare de falar, pelo amor de Deus! – Ele gritou também. – Talvez tenha um motivo para eu nunca ter chamado você para sair ou whatever.
–Talvez tenha mesmo! – Ela disse, sentindo uma lágrima escorrer por sua bochecha esquerda. – Talvez você tenha um tumor cerebral ou retardo mental.
Ele grunhiu.
–É exatamente isso que eu quero dizer! – Ele continuou. – Você é tão ridícula. Eu não quero uma garota tão patética como minha namorada.
Katharina bateu palmas, sentindo o sangue subir para sua cabeça.
–Ah, sim, parabéns – ela disse ironicamente. – E exatamente para não ter uma namorada patética, você convidou a ridícula da novata branquela e nariguda para um encontro! Realmente, muito inteligente da sua parte.
–Pelo menos ela não é tão ridícula a ponto de me trancar em um depósito! – Leonardo disse.
Se dependesse de Katharina, essa discussão iria longe, uma vez que ela ainda tinha vários argumentos para jogar em Leonardo. Entretanto, bem neste instante a porta foi aberta bruscamente.
–Opa – Nathan disse, tentando ignorar o fato constrangedor de ter pegado os dois em um momento como esse. – E aí, galera?
–Hum, oi – Uma Misaki que não sabia onde enfiar a cara disse. – Então, as pessoas estão procurando por você Katharina.
–É – Hana assentiu.
Bem, esses três definitivamente deveriam ganhar o trófeu cara de pau do ano.
Leonardo respirou fundo e levou as duas mãos a cabeça, tentando pensar mais claramente.
–SAI DAQUI LEONARDO! – Katharina gritou o grito mais agudo e alto de sua vida. – EU TE ODEIO!
–Eu vou mesmo! – Ele disse antes de passar pela porta e encontrar o sol ofuscante.
Katharina soluçou, tudo que ela queria era desmoronar. Como as coisas poderiam acontecer exatamente o oposto do que ela desejava?
–Ei, Kath? – Nathan disse, agindo como se a garota não parecesse o verdadeiro retrato da Amy Winehouse. – Você tinha me prometido que diria onde o Gildarts está, lembra?
Hana olhou-o como se ele fosse louco por estar sendo tão insensível, mas ele realmente precisava saber.
Katharina riu, ou talvez fosse um choro, era impossível dizer.
–E depois eu sou a patética – ela murmurou. Por um segundo Katharina pensou em estapear esse infeliz e ir embora, deixando-o sem resposta. Porém, ao contrário do que muitos acreditam, Katharina Dreyar cumpria suas promessas. – Nas colinas do mar Penstruous. Em algum lugar perto de Atlanta. É tudo que eu sei.
Ela começou a andar a passos largos, querendo se distanciar o máximo possível daquele lugar, mas Nathan não estava satisfeito.
–Espera, Atlanta não é uma cidade perdida? – Ele perguntou, mas Katharina já estava longe.
–Que simpático – Misaki disse. – Gente, acho que vou dar uma volta, quem sabe eu não encontro o Mike-sama por aí.
–Tá bom – Hana assentiu. – A gente se vê depois.
Quando Misaki saíra do campo de visão dela, Hana bateu com toda sua força no ombro de Nathan.
–Ai! – Ele reclamou enquanto esfregava o lugar que Hana batera.
–Como você pôde ser tão grosso, Nathan? Como? – Ela disse incrédula. – Cadê a sua sensibilidade?
–Desculpa – ele disse sinceramente. – Eu realmente precisava da informação.
Hana balançou a cabeça.
–De que adianta saber onde Gildarts está, heim?
Ele bufou.
–Você não entende – ele disse cansado.
–Então me explica! – Hana pediu. – Não me deixe de fora. Nathan, eu te amo.
–Ele é meu pai.
**
–Já deu para entender que eu não transei com a sua irmã? – Victor disse cansado, enquanto olhava para Ralf. – Não que eu não queira é claro – ele disse apressadamente olhando para Tris. – Não, espera, não foi isso que eu quis dizer, é só que você é linda, Tris.
Tris revirou os olhos.
–E não que isso seja da sua conta, Ralf-intrometido – ela resmungou.
Ralf assentiu. Seus pensamentos estavam mais lentos que o normal graças ao soco que Victor dera nele há alguns minutos.
Bem, ninguém podia culpa-lo, Ralf tentou ataca-lo primeiro. O soco foi apenas legítima defesa. Para dizer a verdade, Ralf até gostou de apanhar – não que ele fosse masoquista ou algo do tipo – ele apenas gostou de ver que Victor era forte o suficiente para proteger Tris.
–Cara, eu tenho dó de você – Ralf disse, passando um braço ao redor dos ombros de Victor. – Ela não é nada fácil de se aguentar. Se vocês casarem logo, talvez ela pare de roubar minha Nutella do armário.
–Ei! – Tris disse indignada.
–Eu sei, já deu para perceber que ela não é fácil – Victor assentiu.
–Ei! – Tris voltou a dizer. – Eu ainda estou aqui!
**
Misaki estava caminhando em direção à sorveteria. No calor dessa cidade, sorvete era a única salvação para uma maga do gelo como ela.
Presa em um dilema relacionado à que sabor ela deveria pedir, a garota notou um conhecido sentado em um banco do calçadão que separava o hotel da praia.
Era impossível dizer como ela conseguiu perceber o garoto por trás do enorme livro que ele segurava. Ou talvez ela o reconheceu exatamente por causa do livro que ele segurava: A Arte das Partículas.
–Key? – Misaki perguntou incerta.
O garoto levantou a cabeça, refletindo um pouco do brilho do sol nas lentes de seus óculos.
–Estou atrapalhando? – Ela perguntou.
Ele balançou a cabeça freneticamente, e ela entendeu isso como um convite para se sentar ao seu lado.
–Mike não está aqui – ele disse apressadamente. – A última vez que eu o vi foi com a sua irmã.
Se Key tivesse jogado seu grosso livro bem no centro da testa de Misaki não teria doído tanto.
–Você gosta dele, não é? – Key perguntou.
Ela forçou um sorriso.
–Está tão óbvio assim?
Lentamente, Key fechou seu livro, nem se incomodando em marcar a página.
–Talvez não – ele confessou. – Sou um bom observador, noto coisas que as pessoas geralmente deixam passar.
Misaki assentiu. Key a intrigava. Ele podia parecer inocente, mas por trás de seus olhos era praticamente possível ver um poço de sabedoria.
–Mike é um cara legal – ele continuou, incerto sobre o que deveria dizer.
–Vocês são amigos há muito tempo? – Misaki perguntou.
–Três anos – Key disse. – Desde que entrei na Lamia Scale. Ele me ajudou a me enturmar com o pessoal da guilda e eu o ajudei com os problemas que ele enfrentava com o pai dele. Desde então somos melhores amigos.
Misaki levantou as sobrancelhas.
–Lyon? – Ela perguntou surpresa. – Mike tinha problemas com o Lyon?
Key levou a mão à testa.
–Eu não deveria ter dito nada – ele se reprendeu. – Esqueça o que eu disse.
–Mas –
Misaki achou melhor não insistir. A pequena parte de seu cérebro que era movida pela razão a mandou ficar quieta.
–Possoperguntarumacoisa? – Key disse em uma velocidade sobrenatural.
–Desculpe, não entendi.
Ele suspirou.
–Posso perguntar uma coisa? – Key repetiu, dessa vez de maneira compreensível.
–Lógico – Ela sorriu.
–Qual o nome da garota morena da sua guilda? – Ele perguntou, lutando para manter sua respiração calma.
Misaki inclinou a cabeça.
–Você pode ser mais especifico? – Ela pediu.
–A garota cujos cabelos vão até pouco abaixo do ombro. Mede 1,62, com talvez um centímetro de margem de erro. A voz tende a oscilar um pouquinho quando ela fala, mas minimamente, coisa que acho que só eu reparei. Usa óculos da marca Ray Ban branco. As solas das sandálias estão ligeiramente gastas, mas parecem ser desta estação, o que indica que talvez ela faça caminhadas ou dance. Então, qual é o nome dela?
Misaki ficou boquiaberta. Quando ela pediu que ele fosse mais preciso, ela não estava pedindo para ele dar a ficha cientifica inteira da garota.
–Espera – Misaki disse lentamente, — Você está falando da Jo Clive?
**
Derrotada.
Era assim que Katharina Dreyar se sentia.
Também tinha patética. Ela se sentia muito patética.
Felizmente, as lágrimas já haviam parado de descer.
Tudo que ela desejava no momento era um banho quente para esquecer seus problemas. Para esquecer... Leonardo Eucliffe. Permanentemente, desta vez.
Katharina lentamente abriu a porta de seu quarto. Tudo que ela esperava era que seu rosto não mostrasse que ela passara a última hora chorando feito um bebê. Isso seria humilhante mesmo na frente de suas amigas.
–Oi – Katharina disse, assim que viu Tris deitada em sua cama, jogando uma pequena bolinha para o alto.
Yoga também estava lá, mas não era como se Katharina fosse cumprimenta-la.
–“Oi” – Tris disse, levantando-se de sua cama. – É isso o que você tem para dizer?
A maga do gelo ergueu uma sobrancelha.
–“Olá” soa melhor por acaso? – Ela perguntou, feliz por Tris não ter notado as lágrimas em seu rosto.
Rímeis a prova d’água eram realmente mágicos.
–Você poderia pedir desculpas! – Tris gritou. – Francamente, Katharina, você podia pelo menos fingir que está um pouco arrependida em ter abandonado o seu time hoje mais cedo! Você podia, eu não sei! VOCÊ ME DECEPCIONA!
Essas foram as últimas palavras da loira antes de ela marchar para fora do quarto.
Katharina mordeu seu lábio inferior com força. Era demais. Até mesmo Tris a achava patética.
Ela não aguentava mais ficar naquele lugar.
–Ei, o que você está fazendo?! – Yoga perguntou desviando o olhar de sua revista quando ouviu Katharina pegar sua mala no guarda-roupa.
–O que parece que eu estou fazendo? – Ela respondeu mal humorada. – Eu vou embora.
Yoga se levantou. Ela não sabia exatamente porque, mas uma corrente de adrenalina atravessou seu corpo.
–Só por que sua amiguinha foi indelicada com você? – Ela disse em uma vozinha aguda. – Own, tadinha da princesinha Dreyar.
Katharina balançou a cabeça.
–Você não tem a menor ideia sobre o que está falando – ela disse irritada, colocando o máximo volume de roupas que conseguia na pequena mala de mão.
–Talvez eu não tenha – Yoga admitiu.
Katharina revirou os olhos. A última coisa que ela queria no momento era ouvir os comentários inúteis de Yoga Ambrose.
Assim que fechou sua mala, Katharina coletou todas as pulseiras que deixara em seu criado-mudo e andou decididamente em direção à porta.
–Espera, – Yoga disse. – Eu vou com você.
–O quê?! – Katharina disse pasma.
Felizmente, Yoga nem havia desfeito sua mala. A preguiça era uma dádiva às vezes.
–É – ela confirmou. – Eu vou ter que salvar esse seu traseiro uma hora e, além disso, tem alguém que vai ficar bem irritadinho em saber da nossa ausência.
Katharina grunhiu. Por que seus planos nunca davam certo?
**
–Jo! – Alguém disse agarrando Jo pelo braço. – Jo! Você está bem?
Jo começou a rir; Ela não conseguia evitar.
–Jo! – Era uma voz de garota.
–Quem está aí? – Jo perguntou se sentindo um pouco tonta. – Dana é você?
Mais um ataque histérico de risadas atravessou o corpo de Jo.
–Não, é a Kano – a garota respondeu enquanto segurava Jo com precisão. – Jo, você está bem?
–Oh, Kano, minha darling! – Jo respondeu ainda rindo. – Eu estou ótima! E você? Como vai o povo da Blue Pegasus, minha honey?
Algo estava definitivamente errado. Jo estava agindo de forma estranha, até mesmo nos padrões “Jo de ser”. Kano temia que se a soltasse, Jo iria cair direto no chão.
–Jo, tem certeza de que está tudo bem? – Ela perguntou assustada. – Eu vi aquele surfista dando algo para você tomar e –
–Oh, o surfista! – Jo exclamou, enquanto ria. – Aquele surfista sabe pegar uma onda, se é que você me entende, Kano, hihihihi.
Ela realmente disse “hihihihi”?
–Huh... Acho que eu não entendo – Kano respondeu olhando freneticamente para os lados a procura de ajuda. – Jo, eu acho melhor você ir para a enfermaria.
–Eu acho que não... – Jo disse rindo e tentando se soltar de Kano. – Acho que devemos cantar na chuva! Wiiiieeeee!
Ai meu Deus, por que esse tipo de coisa acontecia justo com Kano?
–Não está chovendo, Jo – a garota murmurou a beira do desespero.
–Ah, que peninha – Jo disse e começou a gemer.
Ai Céus, por quê?
–O que você está fazendo aqui? – Kano ouviu alguém dizer atrás de si.
Ela olhou para trás ao mesmo tempo em que segurava Jo. Um garoto loiro estava parado, olhando-a de cima a baixo, sua expressão séria.
–Hum, você pode me ajudar? – Kano disse assim que viu a marca da Fairy Tail no braço dele. – A Jo tomou algo e –
–Vá embora! – O garoto gritou. – Eu já disse que eu nunca mais quero me envolver com gente do seu tipo!
Notas finais
Obrigada a todos que comentam, vocês são incríveis!
Beijos,
Wine;
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