Summer Paradise: A Nova Geração
9 O Amor não presta
-Você deveria usar isso – Katharina disse, jogando uma saia balone azul marinho na direção de Tris.
Agilmente, a loira agarrou a leve peça de roupa. O tecido parecia macio demais em seus dedos e excessivamente brilhante para seus olhos.
-E isto aqui – Dana acrescentou, lançando enormes saltos escuros.
-Ai – Tris resmungou, quando os sapatos se chocaram contra sua cabeça.
-Acho que ela deveria usar uma blusa preta – Dana disse, buscando a aprovação de suas amigas.
-Não – Katharina negou, procurando algo em seu armário. – Azul marinho e preto é uma combinação muito Yves Saint Laurent. Não sei se é essa a imagem que a Tris quer passar.
-Tem razão – Dana concordou, pensativa.
-Já sei! – Jo gritou de sua cama. – E se ela usasse minha camisa Armani rosa bebê?
A cabeça de Tris virava de um lado para o outro, tentando acompanhar tudo que suas amigas diziam – o que definitivamente não era uma tarefa fácil.
-Sim! – Dana e Katharina gritaram ao mesmo tempo.
Então, a cena mais estranha que Tris já vira passou diante de seus olhos. Jo e Katharina pularam descontroladamente enquanto Dana dizia algo sobre penteados de cabelo.
Para dizer a verdade, a loira mal ouvia. Tris estava ocupada demais perdida em seus próprios pensamentos.
Desde o dia anterior, quando o maldito Victor Albertino a convidara para um... deuses, era até difícil para Tris pensar na palavra... encontro, e ela acidentalmente aceitara, sua vida se tornara uma verdadeira loucura.
Acidentalmente porque, sinceramente, toda razão presente na mente da garota sumira na hora do pedido. Ela não soubera falar, ou até mesmo pensar. Por isso, quando Tris não negou o convite, Victor automaticamente apoderou-se do famoso ditado “quem cala consente”.
Desde então, Tris se sentia doente. Um pouco enjoada e zonza. Seus olhos azuis, mais arregalados que o normal, procuravam loucamente algo para focar a atenção, que constantemente voltava-se para o Dragon Slayer do vento.
-Ei – ela reclamou quando sentiu algo atingir o centro de sua testa.
Felizmente, Tris estava momentaneamente avoada, já que, em um dia normal, ela provavelmente teria feito muito mais do que dizer um simples “ei”.
-Você vai precisar disso – Jo disse com um sorriso malicioso estampando seu rosto.
Oh, não. Tris conhecia muito bem esse sorriso.
A garota olhou para o item recém lançado em sua direção. Era um pacotinho. Um pacotinho de –
-ISSO É UMA CAMISINHA? – Tris gritou, assustada.
As outras três garotas riram. Tris era tão inocentemente fofa às vezes.
-É sim, darling – Jo disse, a malícia banhando seu tom de voz. – A partir de hoje, você vai ficar familiarizada com ela.
O rosto de Tris foi possuído pelo mais puro vermelho vibrante, seu coração chocando-se fortemente contra seu peito.
-QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS? – Ela disse, levantando-se desesperadamente da cama. – EU... EU NÃO... EU NÃO VOU FAZER NADA DISSO.
-Calma, Tris – Dana disse, vagarosamente. – É só por precaução.
-PAREM! – Tris gritou de volta, marchando em direção à porta. – VOCÊS TÊM PROBLEMAS! EU NÃO VOU VESTIR UMA SAIA ESTÚPIDA. OU SAPATOS DA BARBIE.
-Ei – Katharina disse, ligeiramente ofendida.
-EU VOU IR COM MEUS JEANS RASGADOS E A MINHA CAMISETA DO LED ZEPPELIN – ela continuou, seu tom de voz ficando cada vez mais alto, se é que era possível. – E EU NÃO VOU TRANSAR!!!
Depois de sua incrível frase de efeito, dita com extrema convicção, Tris bateu a porta atrás dela, deixando suas amigas boquiabertas para trás.
-Acho que ela se irritou – Jo murmurou.
-Você acha? – Dana revirou os olhos.
Tudo parecia normal, isto é, tudo parecia normal para as garotas do X-Timeless, que já estavam acostumadas com chiliques rotineiros. Entretanto, o que ninguém percebeu foi que, na cama mais afastada do quarto, coberta da cabeça aos pés por uma pilha de cobertores, Yoga mordia o lábio, tentando com todas as suas forças não rir da bizarra cena que acabara de acontecer.
Mesmo que seus lábios desesperadamente se curvassem para cima, Yoga não podia deixar de notar algo vazio dentro de si. Ela pensava que se seu destino não tivesse sido tão cruel, talvez ela fosse uma dessas garotas; amparada, feliz e cheia de vida.
**
Bixlow finalmente saiu de seu demorado banho frio, pronto para se preparar para um novo dia de competições.
Ele não se orgulhava do que acabara de fazer no banheiro, porém, as cenas da novata em sua cama ainda o assombravam.
Deus, por que o corpo dela tinha de ser tão escultural? Tão convidativo?
E se ele não tivesse a expulsado na noite anterior? E se ele tivesse dado uma leve espionada por baixo da tão molhada toalha?
Foco. Bixlow precisava ter foco. A não ser que ele quisesse voltar correndo para o banheiro e tomar outro banho.
**
-Vocês ainda não estão se falando? – Hana suspirou cansada enquanto procurava algo descente para vestir em seu armário.
Deuses, como esse hotel era perfeito. Havia até mesmo um armário para cada garota.
Mesmo não encarando as irmãs Fullbuster diretamente, Hana teve certeza que elas se mexeram desconfortavelmente em suas camas.
-Misaki é tão infantil – Juliiana reclamou, encostando-se em seu travesseiro.
-Como é que é? – Misaki retrucou, sentindo o sangue fluir rapidamente em suas veias. – Você que é uma invejosa ridícula.
-Eu –
-Garotas, parem! – Hana pediu. – Por favor, vocês têm que acabar com essa briguinha idiota.
Juliiana cruzou os braços, mal humorada, olhando de canto para Misaki, que parecia ocupada demais enrolando uma mecha de seu longo cabelo.
-Vocês são irmãs, pelo amor de Deus – Hana continuou, tentando forçar o juízo para dentro da cabeça das garotas. – Vocês devem se respeitar!
-Eu não respeito rivais no amor, Hana-chan – Misaki disse ainda com a mecha de cabelo roxo enrolado em seu indicador.
-Mike é meu – Juliiana disse firmemente. – Eu o vi primeiro.
Misaki se levantou, pronta para ataca-la fisicamente de novo. Se Bixlow não tivesse as separado no dia anterior, a filha mais nova de Gray tinha certeza de que teria ganhado a luta.
-Eu o amo – Misaki disse, cerrando os punhos.
-Você não era apaixonada pelo pai dele, heim? – Juliiana a lembrou.
Misaki corou. Lyon. Bem, ela ainda gostava de Lyon Vastia. Afinal, como não gostar? No entanto, agora ela tinha uma versão mais jovem e alcançável do mago do gelo.
-Não é a mesma coisa – Misaki lutou para não mostrar a língua para sua irmã estúpida.
Hana suspirou.
-Já estou vendo que vocês não vão me escutar, não é? – A Dragon Slayer disse pensativa. – Então só há uma coisa a ser feita.
As duas se entreolharam, não acreditando que haveria uma solução para esse problema.
Hana sorriu, um lado diabólico que ela não conhecia aparecendo em seus pensamentos.
-Vocês vão competir por ele – a garota do cabelo róseo disse.
**
Ainda era cedo. Muito cedo, por sinal. Entretanto, era como se algo guiasse os passos de Linnea.
A morena caminhava em silêncio, mais pálida do que o normal, pelos silenciosos corredores do hotel. Ela sabia exatamente onde deveria ir, e, apesar de não ter certeza sobre o que faria uma vez que chegasse onde queria, a maga ainda assim continuava seu caminho.
Se ela parasse para pensar por dois segundos, perceberia que o que estava fazendo era imprudente. Porém, para dizer a verdade, Linnea nunca se importara com isso.
A maga das sombras hesitou quando chegou. Empurrando lentamente a enorme porta branca, Linnea se forçou a dar alguns passos para frente.
-Bom dia – um garoto atrás do balcão a cumprimentou sorrindo. – Posso ajuda-la?
Linnea sentiu suas palmas suando consideravelmente. Merda, por que ela estava assim?
-Hum – ela ponderou alguns instantes sobre o que deveria dizer. – Você trabalha aqui?
Mesmo não sendo sua intenção, o tom de voz da garota soou terrivelmente incrédulo. Todavia, ninguém poderia culpa-la. Aquele garoto parecia ter sua idade.
Ele sorriu.
-Sim – ele concordou. – Sou o enfermeiro noturno. Mas pode me chamar de Jeremy.
-Ah – Linnea respondeu incerta. – A última vez que estive aqui encontrei a enfermeira Joan.
-Daqui a pouco trocaremos de turno – ele continuou e só então ela notou as enormes olheiras sob os olhos do garoto. – Se você quiser esperar a Joan...
-Ah, não – Linnea se atrapalhou. – Eu queria... bem, eu, na verdade...
-Veio ver o loiro? – Jeremy arriscou.
Linnea timidamente assentiu, sentindo seu coração palpitar.
-Como você sabe? – a maga perguntou mais na defensiva do que deveria.
O enfermeiro sorriu despreocupadamente.
-Ele é o único paciente aqui – Jeremy disse, levando a mão ao seu devidamente arrumado cabelo. – Você pode não acreditar, mas é raro alguém ficar doente na praia.
Linnea quase sorriu. Mesmo não o conhecendo direito, ela sabia que era bem a cara de Ricardo Strauss ser um o único paciente de uma enfermaria tão grande como esta.
Notas finais
Bom, o Jeremy, o enfermeiro, provavelmente não vai participar da história. Eu só precisei encaixá-lo nesse capítulo para homenagear o Jeremy Gilbert, de The Vampire Diaries, minha série preferida, porque ele MORREU D:
SÉRIO, CW, SUA PRODUTORA INCOPETENTE, TEM QUE MATAR MEUS PERSONAGENS LINDOS, É? Jeremyyyy D:
Bom, enfim... obrigada por acompanharem.
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Beijos;
Wine ;*
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PS NETUNO, SUA LINDA! Obrigada pela recomendação mais que perfeita e pelo comentário extraordinário na fic da Mira *__* Sério, eu te adoro garota ;*
PS² - Sejam mais que bem vindos três leitores novos!
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