Summer Night
1 Capítulo 1
Ele estava bem ali, vindo em nossa direção. Minha respiração ficou presa em minha garganta e eu queria sair correndo dali.
— Olá, Minho oppa — Yoona o cumprimentou.
— Olá, Yoona — cumprimentou ele de volta. Ele olhou pra mim e meu coração deu um pulo —. Olá, Yuri — disse ele e as palavras não saiam da minha boca.
— Olá — respondi depois de ter respirado bem fundo e me acalmado.
Ele passou e eu soltei a respiração.
— Assim vão achar que você é mal educada, Yuri — repreendeu-me Yoona.
— Desculpa. Não foi por querer. Eu estava distraída — respondi. O que ela não sabia era que só com ele era assim. Só Minho despertava esse sentimento em mim.
Desde quando era assim? Estava indo tudo tão bem. Eu não sentia nada, não tinha interesse por ninguém. Como isso começou? Quando começou? Ou melhor, por que começou? Eu não queria isso. Estava com medo do que poderia acontecer caso alguém soubesse dos meus sentimentos, da reação que ele teria se soubesse.
— Yuri — ouvi meu treinador chamando —, estão todos te procurando. Precisamos falar com você — ele viu Yoona ao meu lado —. Se você quiser, pode vir também.
Acompanhamo-lo até a sala de reunião. Estava cheia. Estavam lá um diretor que já dirigiu alguns clipes nossos, o presidente da SM e algumas pessoas que ajudam na produção. Entramos, cumprimentamos a todos e nos sentamos. Logo depois, Minho apareceu na porta, cumprimentou a todos também e sentou de frente pra mim. Isso não estava me cheirando bem.
— Agora que estão todos aqui, podemos começar — disse nosso presidente —. A United Cube chamou muita atenção no MAMA 2011 com o beijo de Hyuna e Hyunseung. Acabamos perdendo um pouco da atenção do público e não podemos deixar que isso aconteça.
— Pensamos em um projeto com Yuri e Minho — disse o diretor —. Quando vocês cantaram “Summer Nights” e houve o “beijo”, tivemos a atenção de muita gente. Queremos gravar um clipe com essa música, com vocês dois, mas com cena de beijo.
— Nós dois? — perguntei eu — Por que não Yoona? Eles são muito mais próximos.
Eu estava parecendo uma mal educada, confesso, mas não sei se aguentaria a tudo aquilo.
— Porque reforçou a ideia do casal MinYul — respondeu o diretor — Tem que ser vocês. Minho já concordou, agora só falta você.
Olhei para Minho e ele estava de cabeça baixa.
— Vamos, Yuri — disse Yoona —. Uma coisa diferente pra você.
— Não sei — respondi eu —. Preciso pensar.
— Independentemente da sua resposta, você e Minho vão sair juntos e conversar a respeito disso. Minho sabe onde te levar — disse o presidente. Não queria isso, mas não podia negar.
Despedimo-nos e saímos da sala, eu, Minho e Yoona.
— Depois você me conta — sussurrou Yoona em meu ouvido. Eu ri e virei para acompanhar Minho.
Estávamos indo até o terraço da SM. Eu estava nervosa, minhas mãos tremiam um pouco.
— Eles disseram que teremos que jantar aqui — disse Minho quando chegamos —, mas temos que fazer nossa janta.
Olhei para o lado onde havia uma cozinha junto à churrasqueira. Na frente, havia uma mesa com pratos, talheres e copos preparados, só esperando serem cheios de comida e bebida.
Minho foi até a cozinha e começou a mexer em algumas sacolas.
— Venha me ajudar — chamou ele —. Não fique só olhando, senão não te deixarei comer — ele sorriu.
— Estou indo — respondi e dei um sorriso sem graça.
— O que vamos fazer? — perguntou ele.
— Não sei — respondi eu, pensativa —. Estou com vontade de comer sushi.
— Sushi? — ele sorriu — Boa ideia. E de sobremesa...?
— Morangos cobertos de chocolate? — eu sugeri. Ele sorriu.
— Então vamos começar — disse ele.
Comecei a lavar o arroz enquanto ele preparava os ingredientes. Olhei para ele. Não estava tão difícil como achei que seria. Era natural estar com ele. Minho estava com o cabelo curto e preto, do jeito que eu gostava, e tão lindo.
— Sou tão lindo assim? — perguntou ele, sorrindo.
— Eu só... gosto do seu cabelo assim — respondi, sentindo minha face corar.
— Meu cabelo ressaltou meu charme, não é? — perguntou ele — Estou irresistível, não estou? — ele riu quando eu joguei água nele.
— Não seja tão convencido.
— Vai jogar água em mim mesmo? — perguntou ele, vindo em minha direção — Tudo bem então — ele apertou a torneira no local onde sai água, fazendo a água espirrar toda em mim.
— Minho — reclamei eu. Nós estávamos molhados e rindo.
— Vamos continuar — disse ele —, senão passaremos fome hoje.
Terminamos de fazer os sushis e começamos a derreter o chocolate para cobrir os morangos.
Minho pegou uma colher e mergulhou no chocolate, passou o dedo na colher e melecou meu rosto de chocolate.
— Depois você reclama da água — reclamei eu. Peguei outra colher e fiz a mesma coisa com ele, mas ele desviou —. Minho, não é justo!
— Não é justo eu deixar você me sujar com chocolate tão fácil — disse ele e comecei a encará-lo —. Você estava distraída, então é justo.
— Vou te mostrar o que é justo — dei um passo para colocar a colher em seu rosto e aconteceu tudo muito rápido. Pisei em algo escorregadio ao mesmo tempo em que ele segurava minha mão para impedir que eu o sujasse e segurava minha cintura, impedindo-me de cair.
Parei de respirar, ele também. Estávamos cara a cara, muito próximos um do outro. Conseguia ouvir seu coração bater e sentir seu perfume. Era o perfume que ele sempre usava e eu amava. Lembrei-me de quando ele me abraçou para o “beijo” há um ano. Naquela época eu não sentia nada, mas agora, com ele tão perto de mim, meu coração estava acelerado e devia bater duas vezes a cada segundo. Sentia o coração dele batendo no mesmo ritmo que o meu e nossos rostos começaram o corar. A mão dele, que segurava meu braço, começou a afrouxar. Aproveitei a oportunidade e encostei a colher com chocolate em seu rosto.
— Justiça feita — sorri e corri para escapar enquanto ele vinha com a colher dele atrás de mim.
— Volta aqui — dizia Minho —. Isso não foi justo.
Prendi meu cabelo rapidamente em um coque enquanto ele ainda não me alcançava, mas acabei dando tempo o suficiente para ele vir me abraçar por trás e começar a sujar meu rosto. Fiquei sobressaltada quando ele me abraçou e bati a colher em seu rosto.
— Ai! — exclamou ele.
— Desculpa, desculpa, desculpa — disse sem parar —. Foi sem querer. Desculpa.
— Se não queria se sujar, era só ter falado — disse ele —. Não precisava me bater — ele sorriu.
— Machucou? — perguntei.
— Não — respondeu ele —. Estou bem — ele riu e passou o dedo coberto de chocolate em meu nariz —. Vamos nos limpar e terminar as coisas. Estou ficando com fome e você também deve estar.
— Sim, é melhor — ouvimos nossos estômagos roncarem e rimos.
Fomos até a cozinha e terminamos a sobremesa. Colocamos as coisas na mesa e Minho puxou uma cadeira.
— Sente-se — disse ele, indicando a cadeira.
— Você vai tirar a cadeira quando eu for sentar — acusei-o.
— Não sou tão mal assim — Minho riu —. Venha, pode se sentar.
Fui até lá e sentei-me. Minho parecia um perfeito cavalheiro, o que me fez ficar mais encantada e remexer algo dentro de mim. Ele se sentou de frente para mim e começamos a comer.
— Você não quer mesmo fazer o clipe comigo? — perguntou ele. Parecia chateado.
— Não é isso — respondi eu, um pouco sem graça —. Não sabia que você tinha aceitado a oferta. Achei que ficaria mais a vontade com Yoona. Ela é tão próxima de todo mundo, você também. Achei que seria melhor se fossem vocês dois — “E meus sentimentos por você não ficariam maiores. Eu não iria pensar em você com mais frequência, se isso for possível” pensei nas palavras que não verbalizaria.
— Devemos ser mais próximos então? — perguntou ele, sorrindo.
— Como assim? — perguntei, esforçando-me para não gaguejar.
— Para fazermos o clipe mais traquilamente — respondeu ele —. Você vai fazer, não é? Então, devemos nos aproximar?
— Sim, acho que vou fazer — respondi eu —, mas nos aproximar... — hesitei — como assim?
— Você está falando meio formal hoje — disse Minho —. Relaxe. Pode conversar informalmente comigo.
— Tudo bem — respondi —. Só falar mais informal então?
— Não — ele riu —. Agora, tente me chamar de oppa.
— O que? — perguntei eu, assustada.
— Vamos — disse ele —. Chame-me de oppa. Minho oppa — ele tentou imitar minha voz e eu ri.
— Não vou te chamar de oppa — disse eu.
— Senão me chamar de oppa, não vai ganhar morango — ameaçou-me ele.
— Você não está sendo justo de novo — reclamei eu —. Eu ajudei a fazer.
— Vai me chamar de oppa? — perguntou ele.
— Não — respondi, fazendo bico.
— Vou comer sozinho — disse ele, pegando os morangos e comendo.
— Minho — reclamei.
— Minho o que? — perguntou ele.
— Minho bobo! — exclamei eu.
— Agora é que você não ganha — disse ele. Virei a cara pra ele, emburrada —. Você fica tão linda quando está irritada — disse ele e senti meu rosto corar. Olhei para ele e parecia ter ficado sem graça também —. Ah — ele fez um gesto com um morango para eu abrir a boca. Abri a boca, ele tirou o morango e comeu.
— Não quero mais também — disse eu.
— Eu não ia te dar mesmo — disse ele —. Yuri — chamou-me ele. Eu olhei e ele enfiou um morango em minha boca.
— Como você é grosso — disse eu após ter conseguido engolir o morango.
Ele pegou um morango e fez o gesto para eu abrir a boca novamente. Abri meio relutante e ele colocou gentilmente. Pegou um guardanapo e limpou o canto de minha boca que havia sujado de chocolate.
— Melhorou assim? — perguntou ele.
— Sim — respondi com vergonha. Parecia que ele adorava fazer coisas que me deixasse sem graça.
— Então nós dois vamos fazer esse clipe, certo? — pergunto Minho — Nós já fizemos tantas coisas juntos antes.
“Mas eu não sentia nada disso por você”, pensei.
— Tudo bem — respondi —. Vamos fazer juntos.
Terminamos de comer e já estava escuro quando terminamos de arrumar as coisas no terraço. Liguei para Yoona, mas ela já havia voltado para o nosso apartamento.
— Eu te levo até sua casa — disse Minho.
— Não precisa — respondi eu —. Posso ligar pro motorista vir me pegar.
— Deixa disso — disse ele —. Eu te levo — ele colocou o braço sobre meus ombros e foi me levando gentilmente até seu carro. Sentia meu coração palpitar rapidamente e minhas mãos ficando tremulas.
Quando chegamos ao estacionamento da SM, comecei a ficar com frio e lembrei que deixei minha blusa na sala de ensaios.
— Preciso voltar — disse eu —. Esqueci minha blusa — virei para voltar ao elevador quando senti uma blusa sobre meus ombros.
— Amanhã você pega — disse Minho —. Já está tarde.
— Mas você vai passar frio.
— Não estou com frio — respondeu ele, sorrindo —. Vamos — ele abriu a porta do carro para mim e depois entrou no carro.
A blusa tinha cheiro do perfume dele. Era tão bom. Eu estava me sentindo uma tola, mas Minho estava despertando sentimentos novos em mim, mesmo eu não querendo isso.
— Pode ficar com a blusa — ele disse assim que chegamos ao meu apartamento —. Amanhã você me devolve.
— Não, mas...
— Nada de mas — interrompeu-me ele —. Amanhã você me devolve — ele sorriu. Saiu do carro e abriu a porta para mim.
— Obrigada — agradeci, sorrindo.
— Obrigada o que? — perguntou ele e logo entendia que ele ainda queria que eu o chamasse de oppa.
— Obrigada, Minho bobo — respondi eu, rindo.
— Você ainda vai me chamar de oppa — disse ele —. Eu sei disso.
— Nos seus sonhos — eu sorri.
— Nos seus também — ele encostou o dedo na ponta do meu nariz —. Entre — disse ele —. Está frio. Boa noite e sonhe comigo — ele riu quando mostrei a língua pra ele.
Cheguei ao apartamento com a blusa de Minho. Fui para meu quarto, tomei um banho e sentei em minha cama, secando o cabelo com a toalha.
— Conte-me tudo — disse Yoona, entrando no quarto —. Todas estão comentando quando te viram chegando, ainda mais com a blusa de Minho.
— Não aconteceu nada demais — respondi eu, rindo. Yoona sentou-se ao meu lado e contei cada detalhe.
— Como não aconteceu nada demais? — perguntou Yoona após eu ter terminado de contar a ela — Ele até está te pedindo para chamá-lo de oppa.
— Vai ver ele só está querendo se sentir o mais querido de todas as meninas — respondi eu, pensativa —. Ele é gentil e amigável com todos mesmo.
— Não sei. Acho que não — disse ela —. Ele nunca tratou ninguém assim do jeito que você falou que te tratou — Yoona fez uma pausa e continuou —. Ah, Doojoon está te procurando. Até ligou pra mim pra falar com você.
— Vou ligar pra ele — respondi, deixando de lado a conversa sobre Minho.
Doojoon e eu havíamos nos tornado muito próximos, como se fossemos melhores amigos, irmãos, há algum tempo. Ele me ouvia falar sobre tudo e eu o ouvia também.
Peguei meu celular e disquei o numero dele.
— Yuri? — atendeu ele com voz de sono.
— Desculpa. Eu te acordei? — perguntei.
— Não — respondeu ele —. Que bom que você ligou. Estava te procurando.
— Sim, Yoona falou. O que foi?
— O que aconteceu? — perguntou ele — Você e Minho... — ele hesitou — Eu estava passando pela SM quando vi vocês dois sozinhos dentro de um carro.
— Não foi nada disso, oppa — eu ri e comecei a explicar a ele toda a história.
— Achei que você estava com ele e nem tinha me contado — ele riu.
— Não. Foi só por trabalho mesmo — disse eu —. Eu te contaria. Você é meu melhor amigo.
— É bom mesmo que me conte — disse ele. Conseguia imaginar o sorriso brincalhão em seu rosto —. Está tarde. É melhor irmos dormir. Boa noite, Yuri.
— Boa noite, oppa — respondi e desligamos o telefone.
— Acalmou seu amigo? — perguntou Yoona, rindo.
— Sim — respondi e joguei uma almofada nela —. Vou dormir. Amanhã tenho que ir cedo pra SM — fiz um beicinho.
— Eu também tenho — Yoona imitou meu beicinho e nós rimos.
Desligamos as luzes e dormimos.
Fale com o autor