Summer
2 Cap. 1 - O último dia de aula.
Notas iniciais
Narrado por Hannah Prior.
Manhattan, NY, 7:40 AM
Sexta-feira-Ultimo de de aula
Eu gostava do modo como a Easy High School era agitada, mas não do modo como nesta manhã eu estava entre os assuntos dos alunos muito mais do que a própria viagem de formatura de semana que vem.
Eu passava pelos corredores com Ray e algumas pessoas viravam-se só para me ver abraçada com ele, sorrindo. Eu gostava de como me sentia feliz ao lado dele mas aquela atenção toda me deixava vermelha de vergonha. Era como se dominássemos a atenção de toda a escola, do tipo “Olha, é Hannah, aquela do Jornal Da Escola, e Ray, o capitão do time de futebol!”. Ainda mais depois de ontem, a noite em que o The Foxes ganhou o campeonato regional de Manhattan, as garotas me olhavam de cima a baixo com inveja de mim por namorar um capitão de time de futebol que ainda fez o time ganhar o campeonato.
–Estão olhando para nós. — sussurrou ele enquanto atravessávamos o corredor.
–Eu percebi — respondi. -Não gosto de tanta atenção assim…
–Ganhamos o campeonato, gata, você deveria se sentir feliz por mim!
–Estou feliz, Ray! Muito feliz! Mas o problema é que as pessoas realmente não param de olhar para nós!
–Adoro ser o centro das atenções, gata! — diz beijando minha testa.
Bufo, o garoto é assim desde que me entendo por gente, o tipo de pessoa que diz: “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.
Ele me leva em direção ao grupinho de garotos másculos, altos e bonitos, aqueles que parecem brilhar mais que o próprio sol, os jogadores do The Foxes. Já decorei o nome da maioria, então cumprimento rapidamente cada um e depois volto a ficar abraçada com Ray. Os garotos falam sobre futebol, claro, a partida que os fez ganhar o campeonato em que Ray fez o ponto da vitória. Ainda me pergunto se ele combinou com os jogadores que iria fazer o ponto final só para que todos os espectadores o elogiassem no término do jogo ou foi realmente sorte que a bola tenha caído bem em suas mãos. O ego forte de Ray permite convencer qualquer um de qualquer coisa não importe o que seje, então não duvido que tenha combinado que faria o tal ultimo ponto.
De repente, sinto alguém me puxar para trás pela barra da jaqueta. Viro-me assustada.
–Será que a senhora está ocupada de mais falando sobre futebol com os jogadores ou teria um tempinho para conversar comigo também? — Margo diz.
–Oi Margo! É claro que sim! — digo enquanto me afasto dos garotos. Eu e Margo encostamos na parede. — Anciosa para a viagem?
–E como! Porém, ninguém hoje parece sequer se lembrar dela, todos concentrados em falar da vitória do The Foxes.
–Eu sei, Margo. — abaixo a voz. — As pessoas não param de olhar para mim quando estou com Ray...
–Ninguém mandou conquistar o capitão do time de futebol americano! Agora aguenta a fama, querida! — ela ri.
Olho para meu cobiçado namorado, rindo e gesticulando com os amigos, se sentindo o máximo no meio daquela roda social. Penso em como é diferente de mim, em como ele vê as pessoas de maneira diferente de mim, em como se comporta e em como os outros se comportam na sua presença, uma verdadeira disputa para ver quem é o mais “bacana”.
–Ray é completamente diferente de mim…
–Concordo nisso, mas acho que você deveria…- e então ela se interrompe. Olha para os lados com cara de assustada.
–Oque foi?
–Espera. -diz.- Oque é aquilo? — aponta para longe ao nosso lado esquerdo.
Olho naquela direção e vejo um rebuliço de pessoas gritando e pulando, formando uma roda em volta de alguma coisa ou alguma pessoa.
–Vamos lá ver!
Corremos em direção ao tumulto, aviadas por saber do que se trata. Abrimos caminho entre as pessoas até que podemos ter uma visão completa da situação.
–Ah...não! — digo. — É Savanah!
–De novo?! — Margo se espanta.
Savanah está gritando com uma garota loira (que se eu não estiver enganada, é uma lider de torcida do The Foxes). As duas discutem como loucas, dizendo:
Savanah: -Queria que você tivesse caído de bunda no chão Ana, quem sabe assim ela não mucha um pouco e para de chamar tanta atenção!
Ana (a líder de torcida): — Você tem inveja que sua bunda é mais reta que tábua, Savanah, enquanto a minha bunda é perfeitamente notável!
Savanah cai na risada.
Savanah: — Realmente, ela é perfeitamente notável!
Ana (a líder de torcida): — Cala a boca! Volta pro galinheiro, garota!
Savanah: — Vou mesmo, pelo menos lá é mais limpo que o seu curral, amor!
Resolvo que é hora de interferir antes que alguém saia sem um braço ou uma perna de lá. Dou cautelosamente alguns passos pra frente e puxo o braço de Savanah.
–Vamos, já chega! — digo bem devagar, tomando cuidado para não irritar ainda mais a garota.
Pela primeira vez, Savanah me obedece e sai devagar da briga, todos nos encaram. Observo seu rosto, poderia dizer que a qualquer instante explodiria de raiva, corado de um vermelho vívido.
–Qual o motivo da briga dessa vez? — Margo pergunta a Savanah quando nos afastamos da confusão. Paramos na frente da sala 17, a ultima sala do corredor e sem dúvidas a parte mais vazia da escola, ali ninguem permanece ao não ser quando o sinal bate e as aulas começam, coisa que ainda demoraria a acontecer.
–Ana, uma puta líder de torcida, deu em cima do Éric! — diz Savanah. Eu e Margo bufamos, os barracos de nossa amiga sempre tem um único motivo: Éric, seu namorado. Porque desta vez seria diferente? — Ela passou a mão na bunda dele e disse sensualmente em seu ouvido: “Hum gatinho, é durinha hen!”
Eu e Margo caímos na risada.
–Ah! É bacana rir da desgraça das pessoas! — grita Savanah, irritada batendo o pé com força no chão.
–Caramba Savanah, agora quando eu ver o Éric vou apertar a bunda dele para ver se é durinha mesmo! — Margo tirra o sarro.
–Margo, se fosse tão durinha assim, eu apertaria ela toda vez que o visse, acredite em mim! — Savanah diz revirando os olhos.
Eu rio. — É mole então?
–Não, que mole oque! Suas idiotas, vamos parar de falar sobre a sustância da bunda do meu namorado, por favor!
Ficamos ali conversando por muito tempo. Falamos sobre a vigem de formatura e o quanto estamos ansiosas, diferente de todo mundo, não abrimos a boca uma única vez para dirigir alguma palavra a vitória do The Foxes, oque me alivia profundamente.
Digo que não quero entrar na faculdade porque automaticamente perderei o posto de escritora do Jornal Da Escola, já que estarei me mudando do colégio.
–Isso é um problema sério, Hannah, sei o quanto o Jornal é importante pra você! — Savanah fala.
–Cogito a possibilidade de pedir para a diretora que eu, mesmo mudando de colégio, continue escrevendo para a escola, mas aposto que ela me dará um não na cara dura.
–Sem dúvidas!
Gostaria de continuar conversando, mas o sinal para inicio das aulas sooa e os alunos começam a entrar nas salas de aula..
–Vejo vocês na saída. — digo.
Então cada uma entra em sua respectiva sala para ouvir pela última vez nossos professores do Ensino Médio, a última vez que somos torturados.
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Na saída me despeço de alguns dos meus amigos que não irão conosco para a viagem de formatura. Penso em como é difícil deixar para trás pessoas que você conheceu por tanto tempo, conviveu por tanto tempo, que se tornaram realmente especiais pra você.
–Você vai para a casa de Éric agora? — me pergunta Oliver enquanto saimos juntos da sala de aula.
Oliver é meu visinho desde que temos 5 anos, quando ele se mudou para a casa ao lado da minha. Eu tinha vagas lembranças de nós dois sentados na beira da sarjeta na frente da minha casa brincando de jogo da velha desenhando-o no chão com pedrinhas, pulando amarelinha e brincando de pega-pega. Me lembrava da franja que tinha que balançava para um lado e pro outro quando ele corria, da blusa verde que era sua favorita, que colocava todos os dias até ficar tão fedida que sua mãe o obrigava tirar. Mas também me lembrava de quando crescemos, entramos em escolas diferentes e nunca mais nos falamos.
Até o Ensino Médio, quando Oliver começou a conversar comigo novamente porque entrou no colégo Easy e caiu na mesma sala que eu, reestabelecendo nossa amizade.
–Porque? Oque tem na casa do Éric hoje? — o pergunto.
–Ah, ele vai pedir a Savanah em casamento.
–OQUE?! — grito alto o suficiente para o corredor inteiro olhar para a minha cara.
–Fala baixo, garota! — me cutuca.- É eu sei, por essa ninguém esperava. Você sabe, converso muito com Éric, ele me disse que vai para uma faculdade diferente da de Savanah e de fato vão ficar muito tempo longe um do outro. Éric não quer casar agora exatamente, o pedido é só para firmar o namoro, ele tem muito medo de que Savanah ache outro cara na faculdade dela e o deixe.
Eu rio, entendo perfeitamente o garoto. Desde que Savanah descobriu o quanto sexo é divertido não á outra coisa no mundo que queira ao não ser “fazer”, duvido muito que se ela fosse para outra faculdade e ficasse muito tempo sem ter qualquer contato físico com o namorado, não sairia agarrando o primeiro cara que aparecesse na sua frente.
–Acho que eu entendo Éric. — digo com um sorriso malicioso no rosto.
–É, eu também! — ri Oliver.
–Mas ela vai assustar com o pedido!
–Muito!
–Então eu vou, claro!- afirmo. — Sabe se Ray irá? Ele também sabe do pedido?
–Não, ninguém além de nós sabe, todos acham que é só mais uma noite de música na garagem de Éric. Mas não sei se Ray vai, não nos falamos mais.
Tenho que citar uma coisa, Ray e Oliver tiveram uma briga terrível á alguns tempos atrás. Meu namorado saiu com o nariz quebrado e meu melhor amigo com o olho roxo, tudo por causa...de mim. Digo, Ray é expressamente ciumento e acha que eu e Oliver temos um caso, coisa que nunca vai acontecer.
–Ah! Tudo bem, falarei com ele.
–Nos vemos na garagem da B.S.N, então?
–Claro! — falo — Até mais!
Então ele me beija na testa e vai em bora.
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