Notas iniciais
Heeey, todo sábado é dia de novo capítulo kkk. Espero que gostem :D

Ok, agora deveria ser a parte em que eu digo que isso tudo está indo rápido demais e rebobino um pouco a fita para introduzir minha vida e meus amigos. Não gosto disso. Então falarei somente o básico. Meu nome é Eliot, tenho 20 anos, como já havia falado anteriormente, curso o quinto período de psicologia em uma faculdade federal perto de casa. Não tenho muitos amigos, não sou muito próximo a família, não gosto de estabelecer muitas relações de nenhum gênero. Depressivo? Talvez. Antissocial? Também. Eficiente? Com certeza. Vocês nunca imaginariam o quanto relações e ligações com pessoas atrapalham o rendimento de praticamente tudo na sua vida. Se sua primeira impressão de mim foi que eu sou o nerd antissocial meio arrogante da minha sala de faculdade porque não fico com o CR abaixo de 9, você acertou.

Acordei com uma mescla de ressaca e três horas de academia. Estava enjoado e com dores em todas as partes possíveis do meu corpo. Olhei para o lado e percebi que estava em uma espécie de cela, na minha frente as portas eram feitas por grandes barras de metal separadas entre si. Infelizmente, acredito que não seriam parte de uma prisão eficiente. As barras eram muito distantes umas das outras e poderia apostar que um urso polar passaria por entre elas com facilidade. Além do mais, a “cela” era muito cumprida, deveria ter uns 10 metros de altura e era iluminada somente pela luz externa.

– Bom dia – A voz feminina vinha do meu lado – Como se sente? – Tinha mais alguém no projeto de presídio para dinossauros.

Virei-me para a direção em que a voz estava vindo. Avistei uma mulher morena sentada com olhos verdes vidrados em mim.

– Não acredito que tenha tido o melhor dos sonhos – Disse para ela em tom irônico. Ela arregalou os olhos e sorriu.

— Não são muitos que acordam com senso de humor – retrucou – Bom, de qualquer forma, melhor dormir mais um pouco. – Ouvi um estalar de dedos. Adormeci.

Quando despertei pela segunda vez os olhos verdes estavam ainda mais próximos. Ela estava sentada ao meu lado me encarando fixamente. Tomei um susto, mas me controlei.

— Olhando assim soa até um tanto romântico – ironizei – Seria uma pena se eu tivesse sido sequestrado e mantido em cativeiro em uma jaula tamanho jumbo. – Ela apenas continuou olhando para mim.

Aliás, não reparei quando acordei pela primeira vez, mas ela era incrivelmente linda. Seu corpo era perfeitamente desenhado e seu rosto tinha traços bem definidos e retilíneos. Sua boca era pequena, mas proporcional ao seu nariz. Seu cabelo era liso e sua franja se arrastava suavemente ao redor de seus olhos. No contraste entre o castanho do cabelo e o esmeralda profundo do olhar eu via adrenalina, açúcar e ácido.

— Acho que nem todas as sequestradoras são românticas – Disse ela – Assim como nem todos os sequestrados são PhD em ironia.

O choque de realidade finalmente viera. Levantei rapidamente e tentei correr por entre as barras de metal. A mulher fez um gesto. Caí no chão. Enquanto caia no chão, as memórias voltavam em minha mente. O ônibus, o tempo, o rapaz do qual apenas me lembrava da gravata. “Olá meu novo puppy, você acredita em magia? ”. As peças do quebra cabeça começaram a se juntar.

– O que eu estou fazendo aqui? – Minha cara já havia se transformado tantas vezes. Nostalgia, nervosismo, medo, confusão, tudo parecia muito recente e muito forte. – Quem é você? – A mulher continuava me encarando com uma expressão calma.

— Com relação a primeira pergunta, se continuar se estressando da maneira que está agora, está morrendo. – Disse ela com uma estranha seriedade na voz. – Sobre a segunda, meu nome é Sarah. E antes que eu te explique exatamente quem eu sou, acho que seria melhor eu te explicar exatamente quem você é.

Ela esperou até eu me acalmar, o que era algo que exigia bastante paciência. Fiquei rodando de um lado para o outro tentando colocar tudo em ordem por mim mesmo. Não tive muito sucesso. Finalmente minha cara mudou de agonia para uma mescla de aceitação e impotência. Sentei de frente para ela e esperei que começasse a falar.

— Primeiramente, isso não é um sequestro. – Disse ela. – Estou apenas salvando sua vida. Em segundo lugar, e ainda mais importante, você acredita em magia?

— Que tipo de magia? – Aquela pergunta já estava começando a me irritar. – Magia na qual os coelhos saem da cartola ou magia que literalmente para o tempo? Porque sinceramente, não acreditava na segunda, mas parece que tenho provas bastantes consistentes.

—Então você lembra do acidente de três dias atrás? Isso já me poupa bastante esforço.

— Três dias!?

— E algumas horas, para ser precisa. A sua iniciação foi bastante.... Espere, deixe-me ir por partes. No mundo em que vivemos, existem bilhões de pessoas. Cada pessoa tem sua própria maneira de sentir o mundo, comunicar-se, relacionar-se com outras pessoas, e assim por diante. Isso, acredite se quiser, é magia também.

Estava começando a me sentir em uma aula da faculdade. Já havia ouvido isso tudo anteriormente, porém nunca levei a palavra magia em um sentido tão literal como agora.

— Tudo bem. – Não estava tudo bem. Não estava entendendo merda nenhuma. – Então o simples fato de falar é magia? E como exatamente que falar faz o tempo parar? Ou estalar os dedos faz as pessoas caírem no chão? Não faz sentido algum!

— Não, mas é assim que funciona. E você já viu demonstrações disso. Hipnólogos, alguns mágicos e até mesmo alguns psiquiatras fazem isso o tempo todo. Claro que eles não descobriram o real potencial do que fazem, mas fazem todo o tempo.

— E qual seria o completo potencial do que você faz?

— Você já pôde experimentar por si próprio. Parar o tempo, evitar catástrofes, salvar vidas. Há quem diga que é possível até voltar no tempo, embora nunca tenha sido provado.

O dia estava acabando e a enorme prisão estava ficando escura. Sarah olhou para cima e uma pequena orbe branca começou a cintilar acima de nós. Eu definitivamente estava maluco.

— Ok, isso é um bom truque. – Disse eu genuinamente impressionado. – Agora, por que exatamente eu estou aqui? Existe algum programa de controle para pessoas que param o tempo?

— Na verdade, se formos colocar nessa perspectiva, está mais para um programa de “salve a vida de uma pessoa inexperiente” – Disse ela – Mas se você me deixasse terminar.... – Ela esperou alguma objeção, porém não a fiz, então prosseguiu falando. – Como disse, nem todas as pessoas conseguem explorar completamente todo o potencial do que fazem e, por isso, acabam também não sendo expostas a todos os efeitos. Imagine que você é surdo e vive sentado em uma cadeira com um fone de ouvido no último volume tocando algum tipo de heavy metal. Você não ouve nada, mas caso deixasse de ser surdo, provavelmente o som do fone seria prejudicial a você. O mesmo acontece com a magia, a partir do momento em que você é iniciado – Ia perguntar o que era uma iniciação, porém ela fez um sinal de espere com as mãos – é como se você ganhasse um novo sentido. Você fica exposto a todo o tipo de magia que existe no mundo. Inclusive a sua. E acredite, isso pode ser extremamente perigoso.

Inclinei a cabeça e tentei com todas as forças sentir ou escutar alguma coisa diferente. Nada. Nem um sussurro. Será que não teria sido um engano? Ou pior, será que eu estava alucinando?

— Não é tão fácil assim. – Disse ela.

— Você consegue ler minha mente?

— Consigo ver sua cara de idiota tentando sentir alguma coisa. – Esse comentário foi realmente ofensivo, mas decidi relevar. – A iniciação é apenas um momento extremo. Seu corpo estava armazenando muita energia e precisava jogá-la em algum lugar. Isso aconteceu durante 20 anos, não pense que subitamente você começará a ouvir magia cantando e parando o tempo por aí. – Acho que minha cara de decepcionado estava meio visível, pois ela soltou um sorriso quieto. – Sem contar o fato de que estamos isolados. Como você pode perceber, isso não foi projetado para ser uma prisão, mas sim, um local de isolamento. Nenhuma magia exterior pode passar por aqui, assim como nenhuma magia daqui pode passar para o exterior. É uma sala de treinamento.

— Ainda não sei se acredito exatamente em qualquer coisa do que você diz.

— Ninguém pediu para que acreditasse. – Ela levantou e colocou a mão em minha testa. – Porém, não posso deixar de tentar prova-lo.

Não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas se aquilo era verdade, e eu realmente estava em uma sala de treinamento, ele estava prestes a começar!

Notas finais
Olá mais uma vez... Gente, sei que dá preguiça, mas seria muito bom se me mandassem comentários dizendo os pontos positivos e negativos da fic. 40/50 pessoas leram ela e não falaram nada :( Bom, obrigado desde já e sábado sai novo capítulo. Sayo :D