Suicídio
1 Os Meios Para o Fim
Suicido-me. De minhas ideias, de meus amores, de meus sonhos e da pessoa que eu era. Sangro em silêncio minhas lamúrias tétricas que me levaram até aqui. Suicido-me, pura e simplesmente, porque a tristeza rasga e corta assim como as lâminas afiadas em meus pensamentos. Assim como as lâminas por si só. Zombam, machucam, laceram. Despedaçam-me enquanto a insanidade e a desesperança escorrem pelas paredes de minha mente, e a vontade roubada há tempos não aparece mais por aqui.
“Patético”, eles dizem. Sem forças, abandonado. Uma falsa felicidade achada no álcool amargo, cantando para garrafas vazias espalhadas ao meu redor. Exagerado, jogado aos seus pés. Quebrado, machucado.
“Sozinho”, eles sussurram perversamente nas minhas horas mais sombrias. “Sim, eu estou”, respondo agora, finalmente, em meu último momento de lucidez.
Drogo-me. Suicido-me. Despeço-me.
Não importa.
Adeus.
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