Suicide Girl
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Mais um dia sozinha. Não estava aguentando mais nada... Sempre pensando que poderia ter evitado a morte deles, que foi tudo minha culpa... As pessoas me olham como se eu fosse uma... Uma... Assassina.
Flashback
Eu e Ingrid vamos sair hoje, mas vai ter uma festa lá na casa da minha vó, com toda minha família, e eu não estou muito afim de ir não... Peguei o telefone e liguei para Jess, o irmão de Ingrid.
—Oi, Jess, posso falar com sua irmã um pouco?
—Claro, já te passo ela. — Disse ele, enquanto chamava sua irmã aos berros. — Já to indo, calma, calma. — Disse ela, o volume não estava alto, então ela não tinha pego o telefone ainda.
—Ingrid? — Falei.
—E aí? Vai hoje? O Zaian vai! Vocês podem se pegar a noite toda! Vamos... — Disse ela, empolgadíssima.
—Não sei não... Acho que vou ir com meus pais sabe... Está nevando muito lá fora. — Era inverno, virada do ano novo.
—Que isso! Todo mundo vai, a virada vai ser da hora! Não deixe a neve te intimidar!
—Não é só a neve, são meus pais. Eles não vão me deixar ir! — Disse, choramingando.
—Deixa disso garota! Arruma um jeito. Beijos, te amo e te espero lá. — Disse ela, minha melhor amiga, desligando o telefone na minha cara. E eu trouxa, ri da situação.
Então, na hora de ir para casa da minha vó, disse para meus pais e minha irmãzinha:
—Gente, vou logo em seguida de vocês, tenho que resolver umas coisas aqui no meu notebook.
—Ok minha filha, mas lembre-se, se passar das onze e você não chegar, toda família vem com o ônibus de natal dos Addams — Nosso sobrenome — e vamos fazer você passar o maior mico! — Disse meu pai, rindo.
Eles me deram um beijo na bochecha e saíram. Eu, botei um vestido vermelho, um salto branco, me maquiei e fui para festa.
Eram 3 da manhã, quando recebo uma ligação:
—Alô, senhorita Hanna Addams?
—Sim, quem é?
—Aqui é o policial Daniel Xavier. Você é parente de Melinda Addams, Jéssica Addams e João Addams?
—Sim, por que, aconteceu algo? — Achei que poderia ser meu pai que chamou a policia para me procurar, mas por que ligar?
—Eles... bom é... — Meu Deus, por que estou sentindo meu coração gelar? — Eles faleceram, com sua família dentro de um ônibus. — Comecei a soluçar e a chorar muito.
—C-como? Como isso aconteceu? — Disse, gaguejando de nervosa. Era culpa minha, meu pai falou sério sobre o ônibus.
—Eles pegaram um atalho pela ponte no fim da cidade, como tinha parado de nevar, e começou a derreter o gelo... A pista estava muito escorregadia... — Tentou dizer. — O ônibus caiu da ponte e eles faleceram... Não tem nenhum sobrevivente. Sinto muito. —-------------------------------------------------------
Foi minha culpa, tinha ido ao enterro, a casa ficava muito sozinha sem minha irmãzinha Melinda gritado .e correndo para lá e para cá, sem meus pai brigando por motivos bobos... Sentei e comecei a chorar baixinho.
A Tv estava ligada, e começou a reportagem sobre minha família. Eu a desliguei. Estava decidida, iria morrer, e ia ser agora. Tomei 4 comprimidos de paracetamol e mais 4 de dorflex.
Me senti tonta, mas não a ponto de morrer de overdose. Queria sentir dor, queria sentir a mesma por que eles sentiram. Peguei três rosas vermelhas e segurei com a mão esquerda, furando, para ver se sentia alguma dor. Era pouca, mas valia a pena.
Antes de partir, deixei uma carta para minha melhor amiga Ingrid.
Antes que pense que foi tua culpa: Não, não foi. Ingrid, eu te amo, e não foi sua culpa pela morte dos meus pais, e muito menos pelo meu suicídio. Eu estou mais feliz aqui em cima, estou com minha família. Se alguém deve se sentir culpada sou eu, por ir aquela festa e não der valor ao mais precioso: Minha família.
Vou te dar uma lição, e espero que preste bastante atenção... Não espere para perder seus pais, não espere para abraça-los, nunca troque uma festinha por uma festa ou comemoração em família. Acredite, não espere perder para depois dar valor. Não quero que seja igual a mim, e nem que se prenda a minha morte. Arranje amigos, pode curtir algumas, não é proibido! Mas SEMPRE, SEMPRE priorize sua família!
Eu te amo, nunca se esqueça
Hanna Addams
Larguei o papel e a caneta na cama, com nome da Ingrid em cima. Peguei a minha lâmina, minha aliada nas coisas ruins, cortei meus pulsos e caí no chão. Nos últimos segundos de vida, dei um sorriso e pensei: 'Agora estou com vocês.'
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