Subúrbia
1 Capítulo 01: Chapeuzinho Vermelho
Notas iniciais
> Jeon Jungkook e nem os outros personagens secundários (sendo eles, os outros meninos do Bangtan) não me pertencem. Porém os resto dos personagens originais, são da minha autoria.
> Esse imagine é feito de fã para fã. Não tem fins lucrativos e apenas estou aceitando críticas construtivas.
> É um universo alternativo, e vamos dizer que, eu sou tipo um "Deus" na fanfic. Isso quer dizer que, não importa se as informações sobre lobisomens dadas na fanfic estão erradas, eu quis desse jeito, e desse jeito vai ficar. Eu inventei esse mundo no imagine, portanto tudo aí é inventado e pode sim não condizer com o verdadeiro, principalmente sobre os lobisomens.
> Fanfic postada no Spirit Fanfics e no Wattpad também, tendo eu como a autora oficial.
> Você pode escolher o nome da personagem! Quando escrito "__________" é o momento em que você pode ler e/ou imaginar o nome que desejar colocar para a personagem.
Boa leitura à todos!
Ela disse para mim que amar era sofrer. Então, eu olhei para ela e disse que sofreria por ela. (Peter Pan).
S U B U R B I A
Desde a época antes de Cristo, a Terra era habitada por seres sobrenaturais. A lenda diz que eles são imortais e aos poucos transformavam vítimas em um de seus grupos. Vampiros, demônios, anjos, espíritos, sereias e lobisomens. Há quem diz que tudo isso é mito, apenas uma história para assustar crianças indefesas. Mas só quem acredita, podem vê-los.
A garotinha do capuz vermelho corria. Seus rápidos passos não deixavam que a mesma se afundasse na neve. Era manhã, a garota dos cabelos longos fora encarregada de trazer lenha para seu querido pai, doente. Aos cinco anos, foi afastada da cidade para a floresta, viver em uma espécie de tribo com seu pai, após a morte de sua mãe. Na madrugada, a mesma foi encontrada com o pescoço cortado; uma mordida. Desde então, a cidade entrara em alerta, de que há matilhas de lobisomens pelos arredores. E a mãe da pobre garotinha foi a primeira vítima de vários assassinatos.
Agora, ela vive em uma pequena casa de madeira, sem qualquer sinal de sua cidade ou de vida lá. A mesma dorme em um colchão velho, ao lado de uma chaminé construída pelo seu pai.
Poucas famílias moravam no pequeno vilarejo, não chegava a ser cem pessoas. E eles viviam meses naquele lugar escondido na floresta, escondidos, porém sabendo que os lobos haviam se mudado para a cidade; se alimentando das pessoas. Mas, sabiam que, nem todos tinham deixado a floresta. Uma vez por mês, o vilarejo era atacado por pelo menos três lobos. Os homens que antes eram treinados, conseguiam matá-los e se alimentavam da carne dos animais.
Enquanto isso, as mulheres protegiam suas crianças e davam suprimentos para os homens treinados. E assim viviam, esperando os ataques se cessarem.
A garota com a mão, coberta por uma luva preta gasta, abre a porta de madeira, e ao ranger da porta fez com que seu pai acordasse em um sono no colchão. Ela se aproxima rápido e deixa as lenhas na frente da chaminé, logo tirando o capuz de sua cabeça e, deixando a neve que estava pousada no capuz, cair no chão. Também tirou suas botas sujas de neve ao lado, e se ajoelhou na frente de seu pai. Colocou a mão sem luva em sua testa, podendo sentir a temperatura quente de seu corpo. A menina, agora, pegara cuidadosamente o braço de seu pai, coberto por um pano cheio de sangue, por conta de sua ferida. Ela tirou o pano, vendo a grande ferida exposta no braço de seu pai. Um lobo o atacara, dois dias atrás. Eles não podiam voltar para a cidade que estava sendo dominada por lobos, nada mais estava funcionando. E aos poucos, o tempo de vida vem diminuindo. A garotinha sabia que seu pai iria morrer, só não queria acreditar nisso.
Suspirou e então deitou ao lado de seu pai, que até agora, não ousou dizer uma palavra. Ele estava fraco demais, e iria morrer. A garota sentia uma dor no peito, seu pai era o único que restava ainda vivo, e se ele morresse agora, ela não seria cuidada por ninguém. Ela era nova demais.
Então, tentou dormir junto com seu pai, enquanto o fogo ainda estava aceso na chaminé ao lado do colchão.
Todavia, o vilarejo todo escutou o barulho dos cavalos — também treinados pelos homens que aqui moravam. Em tempo de escassez de comida, os homens mais qualificados e preparados subiam nos cavalos e iam em busca para alimentar o povo sobrevivente. E sempre que os cavalos chamavam atenção e tentavam escapar de suas correntes, era porque se sentiam ameaçados. Ou quando lobos entravam em sua vila.
A garota se levanta assustada, e tremendo. Embora acostumada com os ataques, ela ainda temia ser a próxima levada. Seu pai também se levantou, meio sem jeito, e caminhou até a sua porta trancada.
Na porta, havia um olho mágico, já que a pequena casa não havia janelas. A garota coloca suas botas novamente e acompanha seu pai, mas na hora de chegar perto dele, seu outro braço a impediu de chegar perto.
— Estamos sendo atacados novamente. Não chegue perto, ____________. Eu preciso que você fique aqui e se esconda — seu pai diz desesperado e se vira, pegando uma espingarda.
— Mas pai você está machucado! — a garota tenta dizer mas seu pai a ignorou, logo saindo da casa.
O coração estava batendo acelerado, ela sentia mais medo de seu pai ser morto do que sua própria segurança. Seu pai era tudo, era a fé que restava na menina.
Ela começou a andar em círculos, e aos poucos que sentia medo, ouvia homens gritando e rugidos de lobos.
Ela ficava mais apreensiva e os minutos pareciam se rastejarem. E quando o fogo da chaminé se cessou, fazendo com que a casa ficasse escura, a garota resolveu tomar coragem e sair.
A visão do vilarejo em guerra era aterrorizante. Ela nunca vira as pessoas em guerra, principalmente contra lobos. De um lado, um lobo arrancava o braço de um homem, e do outro, o homem terminava de matar um lobo caído. A garota começa a vasculhar o lugar, procurando seu pai, e tentar avisá-lo que ele estava impossibilitado de lutar por causa de seu braço.
Mas já era tarde demais. Quando os olhos da garota cruzou com os do seu pai, ele já estava caído e um lobo partira para cima do pobre homem, acabando com sua vida. Ver a morte de seu pai era mais doloroso do que ela imaginava, e a vontade dela era que o lobo a levasse junto. Como ela iria ficar sem pai?
Com lágrimas nos olhos e com o coração apertado, ela correu em direção ao lobo que terminava de arrancar a carne do corpo morto no chão. Ela queria morrer também, a dor era insuportável demais.
— Ei! Eu estou aqui, me mate! —a garota grita e o lobo a olha de imediato. Os homens ao redor, estavam ocupados demais lutando contra outros lobos que não vira a situação perigosa em que ela estava. — Vamos, me mate! Me leva junto também.
Ela estende os braços, querendo se entregar para o lobo; se entregar para a morte. O lobo, estranhamente caminha em direção à menina. A garota fechou os olhos e se ajoelhou. Sua respiração estava descompassada e apesar de toda essa coragem, ela ainda era uma menina inocente e sentia medo por dentro. Ainda tiritando e com os braços abertos, ela abre os olhos e gritaria de susto se não fosse pelo medo que estava agora. O lobo dos olhos amarelados estava bem na sua frente e a encarava. O que ele estava fazendo? Por que não a matava logo?
O lobo, surpreendentemente, começou a fareja-la. Ela tentou se afastar um pouco mas o lobo voltou a encarar. E então, ela viu, bem no fundo de seus olhos amarelos e profundos.
— Jeongguk?
S U B U R B I A
Tempo atual
— Não! Por favor, não!
Abro os olhos rapidamente e sinto minha respiração descompassada. Uma gota de suor escorria em minha testa e percebo que estava tendo aquele mesmo pesadelo de semanas atrás. Quase todo dia era o mesmo pesadelo; meu pai sendo morto por um lobo, por...
— Jungkook? — seu nome escapa em meus lábios quando vejo o mesmo deitado ao meu lado.
Jungkook estava com o braço apoiado na cama, e sua mão segurava sua cabeça enquanto o seu corpo estava jogado para o meu lado. Ele estava vestido, com uma camisa vermelha e um casaco preto. Desde o momento que acordei do meu pesadelo, ele estava lá.
— Por quanto tempo está aqui? — pergunto um pouco assustada por não ter percebido a presença dele aqui antes.
— O suficiente pra saber que você teve aquele pesadelo de novo — diz baixinho, mas ele não parecia tão preocupado como das outras vezes.
— Me desculpa, eu não queria ter esse pesadelo novamente. Eu sei que você...
— Não se preocupe pequena — Jungkook diz e depois força um sorriso, tirando um fio de meu cabelo na frente do rosto.
Me sentei na cama e penteei um pouco meus cabelos com as mãos. Eu e Jungkook éramos amigos há tempos — desde pequenos, pra falar a verdade. Eu, Jungkook e Jimin somos ainda amigos inseparáveis -, mas ainda sim, me sentia um pouco desconfortável perto de Jungkook.
E não era por ele ser um lobisomem. Quando descobri por meio de um descuido de Jimin, acabei vendo Jungkook se transformar em forma animal. Eu não queria acreditar no começo, não queria aceitar que todas aquelas histórias que ouvia antes de dormir, agora, eram reais. E que meu melhor amigo era um lobo, e eu não sabia antes.
Eu já tinha me acostumado, até então poder descobrir que Jimin também era um deles.
— Eu trouxe uma coisa para você — Jungkook se levanta e pega no chão alguma coisa. Depois, volta aonde estava.
Ele segurava um círculo, feito de galhos e, nas pontas, algumas penas brancas.
— Isso é...— pego de sua mão e começo a analisar, com cuidado.
— Filtro dos sonhos — Jungkook completa por mim e sinto seu olhar sobre mim enquanto eu olhava o filtro.
O olhei novamente e sorri.
— Obrigada. Eu não acredito muito nisso mas...
— Algum tempo atrás você também não acreditava em lobisomens — ele me interrompe e eu suspiro.
Coloco o filtro na escrivaninha ao lado de minha cama e depois acendo a luz do abajur para nos vermos melhor.
— Eu sei mas...eu sei que você é real, e eu acredito — falo e logo após, pouso minha mão em seu peitoral. Sorrio fraco, ele também sorri, mas logo fica sério
— Eu preciso de sua ajuda.
— Com o quê? — pergunto normalmente e ele se inclina mais para minha direção.
— Amanhã é lua cheia.
Por alguns segundos senti meu coração parar. Eu sabia muito bem, apesar de não ter aprendido muito sobre lobisomens, o que a lua cheia significava significava; e principalmente, o cio. Engulo seco e concordo, então Jungkook continua:
— E Jimin dessa vez não vai poder cuidar de mim, pois vai estar também.
Não consigo segurar e respiro fundo.
— Os dois? — pergunto novamente e ele balança a cabeça concordando. — Isso é possível?
— Não precisa ficar assustada — Kook tenta me confortar colocando sua mão em meu ombro, mas ainda sim, não me ajudou.
— Eu nunca presenciei esse tipo de...coisa — falei desajeitada. — Eu não sei o que fazer para te ajudar — Após dito, me levantei e comecei a andar em círculos.
— Jimin vai entrar três horas depois de mim — Jungkook começa se levantando também. — Então ele vai te deixar no meu trailer e explicar o que fazer, depois vai ir embora.
Concordei e coloquei meu dedo na frente da boca, pensando. Eu podia fazer isso. Apesar de tudo, Jungkook ainda é meu amigo e eu sei que ele não iria pedir isso para me ver assustada.
— Vai dar tudo certo, ____________ — Jungkook sorri e forço um sorriso também.
S U B U R B I A
Me espera do lado de fora do trailer. Não entre ainda.
Bloqueei o celular após ver a mensagem de Jimin e coloquei as mãos no bolso de minha jaqueta verde. O céu estava bem negro, e justamente hoje, estava mais frio do que os outros dias.
Avistei o trailer de Jungkook e continuei andando até a porta. O trailer todo estava escuro, mas eu sabia que ele está lá dentro.
Obedeci Jimin e fiquei parada em frente a porta do trailer. Olhei para o céu e vi as nuvens que cobriam a lua, mas, eu podia ver que ela estava cheia. Eu ainda estava com medo, eu sei que era Jungkook mas eu nunca acompanhei uma transformação, principalmente Jungkook no cio.
Vi Jimin correndo para perto onde estava e eu tirei as mãos do bolso. Ele segurava dois sacos marrons nas mãos. Ele me olhava preocupado.
— Segure isso — ele me entrega um dos sacos e sobe as escadas do trailer, logo, pegando as chaves para abrir-lo.
Por curiosidade, abri o saco, vendo um monte de carne em um pequeno pacote transparente.
— Não tem comida ai? — pergunto e ele entra no trailer, ligando as luzes amarelas.
Entrei logo em seguida e ele pega de volta o saco em minha mão, depois jogando em cima do balcão da pequena cozinha. Fechei a porta do trailer e o procurei pela sala, que estava toda arrumada.
— Tem, mas não é o suficiente. Ele come demais, você sabe — Jimin fala sem me olhar, apenas arrumando a comida em cima da mesa.
— Quem? O lobisomem ou o Jungkook? — pergunto brincando.
— Os dois — Jimin solta uma pequena risada e depois de arrumar, olha para mim.
— Eu tenho que ir — ele olha para o relógio e depois se aproxima de mim. — Você sabe o que fazer né?
— Dar comida para ele quando ver que ele realmente precisa e caso ele se soltar, se esconder e ligar para você — repito as ordens que ele tinha me dado pelo celular e Jimin balança a cabeça afirmando.
Abro a porta do trailer para ele, que antes de sair, segura o meu braço e me olha, dessa vez sério.
— Quando um lobisomem está em cio....Ele fala coisas que vem primeiro em sua cabeça. Um lobisomem em cio fala coisas que sempre quis falar, independente se vai ferir a pessoa ou não. Então, ____________, não ligue para o que ele falar. Ele não tem consciência do que está dizendo.
Uma onda de nervosismo percorre o meu corpo e engulo seco. Jungkook sempre foi fofo comigo, eu não conseguiria nem imaginar ver ele alterado desse jeito.
Não falei nada para Jimin, que acena logo fechando a porta do trailer.
Silêncio. Não escutava nenhum som de nenhum lugar, nem no quarto de Jungkook. Comecei a andar perto da mesa de jantar, vendo aquele monte de carne e comida na mesa. Era uma refeição para uma família inteira.
Suspirei e andei para a cozinha, depois abrindo a porta da geladeira e vendo várias garrafas d´água abastecidas. Peguei uma e abri, tomando um gole. Eu precisava ver Jungkook, agora. A última coisa que tenho que ficar era nervosa. Não podia demonstrar fraqueza.
Deixei a garrafa em cima do balcão e entrei no pequeno corredor. Havia três portas, a direita eu sabia que era o quarto de visitas, onde o Jimin sempre ficava; a porta do meio era o quarto de Jungkook e a direta, um banheiro.
Respirei fundo e coloquei a mão na maçaneta gelada da porta do quarto dele. Eu posso fazer isso.
Abri a porta lentamente. O quarto estava tudo escuro e sua cama arrumada; o que era estranho pois ele nunca arrumava sua cama. Fechei a porta e andei até perto da cama. O quarto aparentava estar vazio.
— ____________?
Me virei rapidamente vendo Jungkook atrás de mim. Ele estava com apenas um shorts, e seu cabelo estava todo molhado, juntamente com seu corpo. Jungkook deixa a toalha em seu ombro e me olha um pouco confuso.
— J-Jungkook eu...
— Ainda não está na hora — Jungkook me interrompe, vendo que estava atrapalhada.
Sento devagar em sua cama. Eu não sabia o que dizer para ele. Era a primeira vez em todos os anos que eu me sentia totalmente incomodada com a presença de Jungkook. Ele também estava estranho. Deixou sua toalha em um canto do quarto e abriu o guarda-roupa, tirando alguma coisa de dentro. Acompanhei com o olhar, Jungkook tirar uma corrente enorme de metal.
— Pode me ajudar? — Kook pergunta e eu concordo, me levantando e pegando a corrente pesada de sua mão.
Eu estiquei a corrente pesada e, na outra ponta da corrente, ele esticava também. Depois, jogou no chão e se alongou, logo se encostando na parede. Jungkook esticou os dois braços e olhou para mim.
— Me prende — disse autoritário e eu peguei a corrente novamente.
Cheguei perto dele e enrolei parte da corrente na mão dele, e a outra parte da corrente na outra mão.
— Não vai machucar? — pergunto curiosa.
Jungkook solta uma pequena risada e balança negativamente com a cabeça.
— Isso ainda é pouco pra me machucar, pequena.
— Está se achando confiante demais — sorri e ele sorriu também.
— Você não viu nada.
Prendi a corrente nos dois suportes da parede, e Jungkook tentou escapar, para certificar-se de que estavam fortes o suficiente. Apertei mais um pouco e larguei a corrente, me afastando um pouco. Porém, eu ainda estava perto dele. Jungkook me olhou, e eu percebi que ele ainda estava normal, nada de alteração física ou comportamento estranho. Jungkook suspirou, parecendo derrotado.
— Você não precisa fazer isso por mim, pode ir embora. Eu sei que está com medo — Jungkook diz baixinho.
— Eu não vou te deixar, eu estou aqui com você — passei minha mão em seu rosto, fazendo ele levantar a cabeça e olhar para mim. Por enquanto, totalmente inocente.
Eu estava fazendo isso por ele, porque independente do que aconteça, ele sempre cuidou de mim. Era a minha vez de cuidar dele.
— Sabia que você fica bonita dormindo? — Jungkook diz e eu rio um pouco.
— Ninguém fica bonito dormindo — falo, ainda rindo e ele abre um sorriso.
— Você fica.
Sorri e olhei para o chão, vendo uma fita vermelha. Dei alguns passos para trás e antes que pudesse ficar do outro lado da "linha", Jungkook tenta pegar em meu braço mas a corrente o impede. O olhei assustada e ele suspirou.
— Fica, por favor — ele pede e me seguro para não sorrir novamente.
— É melhor não...mas eu estou aqui, só vou ficar atrás dessa linha — aponto para o chão e ele revira os olhos.
— Essa linha é ridícula. Jimin só quis colocar porque sabe que eu não consigo passar preso à essas correntes — Jungkook reclama.
— Não é isso, é só questão de segurança.
— Você sabe que eu não iria te machucar, não é _____________? Eu jamais iria te machucar — Jungkook diz de forma convincente e eu sorrio.
— Eu sei.
Jungkook consegue pegar em minha mão, e sinto o gelo que ela estava. Com o dedão, ele começa a fazer carinho na palma de minha mão. Suspirei com seu toque e ele me puxa mais pra perto, fazendo com o meu corpo colidisse com o seu. Depois, sua mão vai para o meu rosto e começa a puxá-lo mais pra perto.
— Jungkook — tentei impedir mas seus lábios já estavam nos meus.
Eu podia sair correndo, me afastar por causa do meu namorado, mas eu estava totalmente imersa naquele momento. Eu não sabia se era efeito de lobisomem, mas eu me sentia totalmente atraída e conectada com Jungkook. Seus lábios moviam lentamente nos meus e o beijo era total harmonioso. Até que Jungkook morde meu lábio inferior e começa a arder; e eu podia sentir que começara a sangrar. Tentei me afastar mas ele impede trazendo mais para perto dele. Sentia seus dedos apertarem minhas costas agressivamente.
— Jungkook...— me afastei rapidamente e coloquei a mão na boca. Vi o sangue escorrer em meus dedos.
Estava ofegante e recuei mais para trás; para o outro lado da linha. O olhei e vi que estava me encarando. Eu não conseguia identificar a expressão em seu rosto, mas ele me olhava intercalando para ver o sangue e meu rosto.
— Por que se afastou? — ele pergunta.
— Você...mordeu muito forte — falo tentando não gaguejar.
— Se você quiser eu posso fazer outra coisa muito forte — ele sorri e rapidamente olhei na janela.
As nuvens estava saindo da frente da lua e agora ela estava exposta, iluminando toda a cidade.
— Você é linda sabia? — Jungkook me desperta e eu o olho tensa. — Desde quando éramos pequenos, toda vez que você mostrava a língua para mim com raiva eu imaginava o que ela podia fazer em meu corpo.
— J-Jungkook? — dou mais alguns passos para trás, ate bater na borda da cama e me sento, olhando para o chão.
Quando um lobisomem está se transformando....Ele fala coisas que vem primeiro em sua cabeça. Um lobisomem transformado fala coisas que sempre quis falar, independente se vai ferir a pessoa ou não. Então, ____________, não ligue para o que ele falar. Ele não tem consciência do que está dizendo.
Tudo o que ele dizer é mentira, ______________. É mentira.
— Olha pra mim — Jungkook diz e eu obedeço.
Ele estava começando a suar. Sua respiração estava pesada e podia ver o peito dele subindo e descendo.
— Você está com medo, ____________? — Jungkook proliferou enquanto arfava cada vez mais alto. Eu podia ver seu suor escorrer em sua testa e percorrer pelo seu peitoral todo descoberto. Ele jogou sua franja para o lado e sorriu maliciosamente.
— Eu não estou — disse, porém, não podia negar que estava tensa com aquela cena.
— Então cruze a linha pequena, eu prometo não te morder — Jungkook sorri mostrando seus dentes caninos totalmente afiados. Neguei com a cabeça e o mesmo riu baixinho — Qual é, vai me dizer que não gostaria de ser fodida por um lobisomem?
— Não, eu não vou — me levanto. — Você não sabe o que está falando, eu sei que é mentira.
Jungkook solta uma pequena risada.
— Eu nunca menti pra você, e não seria agora que mentiria. Não passa pela tua cabeça que eu sempre gostei de você? — Jungkook diz e eu engulo seco. Jungkook sempre foi doce comigo, sempre me mimava e cuidava de mim. Eu pensei que tudo isso era porquê éramos amigos. — É errado pensar em você pelada agora?
Minha respiração começou a ficar descontrolada e eu me segurava para não sair correndo. Era muita informação na minha cabeça, e medo, medo do meu próprio melhor amigo onde eu passei anos ao lado do mesmo.
Virei-me para trás. Eu não queria ver o estado dele, não era o meu Jungkook.
— Vai me dar as costas? Olhe para mim!
Assustada, me viro de novo me deparando com seus grandes olhos amarelados e seu corpo todo suava. Seus grandes olhos amarelos me olhavam intensamente e sua boca estava entre aberta, mas podia ver seus caninos afiados.
— Cruze a linha, _____________. Eu te farei delirar— Jungkook sorri malicioso e eu nego novamente com a cabeça. — Vamos, _____________, eu te mostrarei como é prazeroso ir pra cama com um lobisomem.
E então saí correndo, não aguentando as palavras que saíam da boca de Jungkook. Fechei a porta e me encostei na mesma do lado de fora.
— Eu já disse que não te machuco! Merda, _________, volta aqui — escuto Jungkook gritar e fecho os olhos.
Rapidamente peguei meu celular no bolso e começo a digitar o número do celular de Jimin. Eu simplesmente estava desesperada e não parava de tiritar. Eu precisava de ajuda, precisava ir embora daqui antes que desate a chorar. Jungkook assim me assustava, e eu estava com muito medo. Levantei e coloquei o celular na orelha esperando Jimin atender. Ele precisa atender.
Abri a porta do trailer e recebi um vento gelado. Ar, era o que eu precisava. Liguei uma, duas e três vezes mas nada de Jimin atender. O que eu faria agora?
Voltei para dentro e percebi que alguma coisa estava errada. Jungkook estava em silêncio e isso me intrigava. Fechei a porta do trailer e encarei a porta de seu quarto fechada. O que ele estava fazendo agora?
Guardei o celular no bolso e continuei encarando a porta fechada. Até que a parede que separava a sala de seu quarto começou a tremer. Jungkook devia estar se contorcendo e socando a parede, pois agora sons de alguma coisa se colidindo ecoava no trailer. E o pior era que estava funcionando. A parede de um trailer é fraca demais, e estava sendo totalmente destruída por Jungkook. Resolvi agir quando vi que rachaduras começavam a se formar na parede. Corri para dentro de seu quarto.
— Para, para com isso! — falo e paro de andar quando percebo que quase ia atravessar a linha.
Ele olha para o chão, vendo meus pés perto da fita vermelha.
— Continue, _________. Vem — Jungkook insiste.
Pensei que suas mãos estariam sangrando por tanto bater forte na parede, mas era evidente que uma dor dessas não afetaria um lobisomem. Seus músculos estavam a mostra e suas veias quase se saltando. Ele tinha usado quase toda sua força e agora suava tanto que parecia ter tomado mais um banho.
Não falo nada por alguns instantes e nem ele. Jungkook me encarava um pouco sério e acabei vendo seus olhos amarelos ganharem mais cor; elas estavam totalmente brilhantes e eu me podia me hipnotizar fácil.
— O que você vai fazer comigo? — pergunto insegura.
— Eu vou te dar amor, carinho, tudo o que o babaca do seu namorado nunca te deu.
— Não fala assim dele — digo baixinho.
E por mais doloroso que seja, era verdade.
— Ele é um idiota, ____________. Eu sou melhor que ele. Eu posso cuidar de você, dar o amor que você merece — suas palavras pareciam tão sérias que eu sentia que era verdade. — Eu jamais vou te machucar.
Ele estende o braço e abre sua mão, podendo assim ver suas unhas enormes e afiadas. E então fiz talvez a pior decisão de minha vida: eu segurei a mão de Jungkook.
Jungkook me puxa e me faz atravessar a linha. Com nossos rostos quase colados, eu encarava seus olhos amarelos sobre mim.
— Agora tira as correntes pra mim.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
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