Substituíveis

1 Diário de Adam


Notas iniciais
Essa é minha primeira tentativa de uma original (tenho outras no começo, mas não vou postar[ainda]). Se gostou comente. Dependendo do interesse nos comentários eu posso criar uma continuação.

Dia cinco, Prisão.

Não sei quanto tempo ainda tenho de vida. Se eles nos acharem será o fim. Tenho duas opções: Salvar-nos ou salvar o mundo. Talvez eu me decida antes do fim desse diário. Quero me certificar de que se eu não fizer a escolha certa, alguém fará.

Depois da terceira guerra mundial a humanidade começou a ser extinta. Sempre pensei que seria como os dinossauros: Em uma hora existíamos, na outra não, mas não está sendo assim. Estamos sumindo aos poucos, ou melhor, sendo substituídos.

Ninguém imagina o que acontece no subsolo da cidade de Kronn. Eu mesmo só descobri isso há cinco dias, quando fui transportado para o limite da minha vida. De repente eu estava aqui, com lembranças confusas sobre tudo o que se passou nos meus 20 anos de vida. Não lembrava nem mesmo do meu nome. Agora me chamam por um número. Código 0382285. Entretanto não aceito ser um número, desde então me considero ‘Adam’.

Eles me mantêm em uma cela ao lado de outro como eu. Cuidam para que a gente não definhe. Pelo menos não antes da caçada. Os carcereiros só me passaram informações essenciais. Daqui a dois dias eu iria participar de um teste, então deveria dormir e me alimentar o suficiente. Os presidiários foram bem mais úteis. Eles me explicaram tudo que estava por vir.

Em dois dias eu e mais duas pessoas formaríamos uma equipe que enfrentariam seus próprios Doplers apostando a própria vida. Os Doplers são basicamente clones, só que melhores. Mais fortes, mais rápidos, mais inteligentes. Disseram-me que só deixam um de cada partir. Nem sei se me assustei mais com o fato de existir um clone meu, ou se foi porque eu teria que lutar comigo mesmo até a morte.

Passei o resto do dia discutindo sobre as regras desse teste. Para compensar nossa desvantagem, deixavam que cada um de nós escolhesse um item que poderia significar nossa sobrevivência. Na arena não tínhamos nenhum auxílio. Comida e abrigo eram por nossa conta. A qualquer momento um Dopler poderia pular em sua garganta e lhe estrangular usando as próprias mãos. Engoli em seco.

Naquela noite houve uma grande agitação nas celas. Alguém tinha fugido. Um fio de esperança surgiu em minha cabeça. Era possível fugir!

— Mantenham-se afastados das grades! — soou uma voz mecânica pelo corredor acima das sirenes de alarmes.

Paredes de vidro isolaram todas as celas e uma névoa verde cobriu o local. O silêncio voltou a reinar e tudo voltou a ser como era há segundos atrás. Alguns momentos depois dois guardas passaram pelo corredor arrastando um corpo vestido como eu. A esperança voltou a se apagar. Só podíamos sair daqui como vencedores ou como cadáveres.

***

Dia seis, Prisão.

Amanhã seria o teste. Vi algumas pessoas que conheci aqui serem levadas para o que chamam de arena. O dia delas tinha chegado. O meu estava muito próximo. Será que eu costumava praticar atividades físicas na minha antiga vida? Apesar de não estar acima do peso, meu corpo não passava confiança de aguentar correr por muito tempo. Fiz alguns movimentos com os braços e as pernas, mas parece que também não sabia técnicas de combate. Tinha que apostar em rastros de inteligência que me sobraram. Algumas fórmulas vagavam pela minha cabeça, além de memórias de páginas de livros e um pouco sobre a anatomia humana. Talvez eu tivesse sido um professor. Entretanto, isso não me animava. Um combate de vida ou morte não era lugar para um acadêmico.

— Número 0382285. Dirija-se ao centro de avaliação. — a voz mecânica falou.

Setas verdes brilharam no chão e as grades da minha cela subiram. Nenhum guarda veio me acompanhas, mas isso não me deu confiança para fugir. A névoa podia me pegar também. Segui as setas até uma área mais iluminada que a zona da prisão. Passei por uma porta automática e entrei em um cômodo totalmente branco. Não havia nada nem ninguém ali.

— Por favor, fique no círculo azul. — assim que a voz terminou de falar, um círculo brilhou no centro da sala com luz neon.

Quando fiquei de pé no local indicado, pulsos de luz azul começaram a subir, como argolas brilhantes que envolviam todo o meu corpo.

— Insira o braço direito na abertura próxima da porta e retorne a seus aposentos. — ordenou a voz mecânica.

Fiz o que ela mandou. Tinha um buraco na parede pouco maior que o meu punho. Inseri meu braço até o cotovelo e a abertura diminuiu até que eu não pudesse mais tirá-lo. Algo começou a queimar minha pele. Tentei sair, mas o meu braço estava preso.

A tortura terminou e eu puxei meu braço. As marcas, que ainda fumegavam em minha pele, diziam:

COD – 0382285

Atributos físicos: 47

Atributos mentais: 83

Voltei pra minha cela e tentei dormir, o que era extremamente difícil com o braço em carne viva.

— Olha só! Ele é um “Cabeça”! — gritou um homem ao lado de minha cela.

— Só quero que ele não fique na minha equipe — respondeu outro.

— Espero que eu fique com mais dois “Corpos”. Com uma equipe toda de Corpos podemos vencer. — falou uma mulher mais ao fundo do corredor.

Não precisava ser um gênio para relacionar os termos aos atributos que apareceram no meu braço.

Realmente não parecia bom formar uma equipe com um Cabeça, já que os Corpos eram melhores em lutas corpo-a-corpo. Não sei qual era o critério para formar as equipes, mas se fosse escolha dos membros eu estaria fora das melhores.

***

Dia sete, Arena.

Nem acredito que tudo aconteceu tão rápido. Minhas mãos ainda tremem em pensar nisso. Conseguimos um lugar seguro para passar a noite, então resolvi escrever o que possam ser as últimas páginas desse diário.

Estava assustado, como qualquer um fica ao saber de sua iminente morte. Com um guarda em cada lado, ia em direção à arena. Não tinha para onde correr, não tinha lugar para se esconder. Sentia-me um boi indo para o abate.

No final do corredor (e das minhas orações) entrei em uma sala redonda. Outras duas portas se abriram e delas saíram os outros dois prisioneiros que compartilham de meu destino. Na nossa frente estava uma enorme mesa. Sobre ela descansavam os mais variados objetos, desde uma vara de pescar até um jarro de flores.

— Escolham apenas um objeto. — ordenou a voz vinda de autofalantes. Não era a mesma voz de antes, parecia mais... Humana.

A mulher ruiva da minha direita foi a primeira a ir à mesa. Ela voltou com uma faca de cozinha. A faca não foi feita para matar, mas era a coisa mais parecida com uma arma que tinha na mesa.

Em seguida foi minha vez. Não fazia ideia do que escolher. Não tinha nada que pudesse me dar vantagem em uma luta corpo-a-corpo...

— É isso! — pensei.

Escolhi um pequeno isqueiro de prata e voltei para o meu lugar.

O último da nossa equipe, um homem alto de cabelos negros desgrenhados, pegou uma garrafa de uísque. Não tenho certeza se ele realmente pensou na possibilidade de usar os cacos de vidro da garrafa como objetos de ataque. Algo nele me fez perceber que seu interesse era o conteúdo, e não a embalagem.

A mesa começou a descer e o chão se fechou. Não restaram nem sinais de que uma mesa tivesse estado ali. Os guardas nos empurraram para o lado oposto da sala onde uma porta maior se abria.

A porta se fechou assim que a atravessamos. Uma densa floresta estava a nossa frente.

— É o seguinte, vocês servem como isca e eu mato quantos eu puder. — falou a mulher jogando a faca de uma mão para outra.

— Sei. — disse o homem ironicamente. — Ai você mata seu Dopler e está livre.

— Até que isso não seria uma má ideia.

— Calma, eu tenho uma plano. — disse tentando evitar uma separação da equipe antes mesmo de termos uma chance contra os Doplers. — Esses itens não são para combater os clones, são para nos manter vivos.

— Oh, é claro! É conveniente que você pense assim, afinal não tem chances em combate. — falou o homem com a garrafa na mão. — Eles colocam sempre um cabeça na equipe para não ser uma disputa justa, e é isso que os faz ganhar.

Avaliei o que ele disse e vi certo sentindo nisso. Estamos lutando com nossas versões melhoradas, mas se pelo menos um da equipe não for um corpo eles podem mirar seus ataques em mim e logo terão vantagem numérica. Não, não posso pensar nisso!

— Não! Isso não é só sobre combate, temos que criar estratégias também para ter vantagem. Por exemplo, poderíamos usar os cacos de vidro da garrafa para criar lanças e...

— E nada! Pelo menos vou aproveitar a última bebida. Só vão ter essa garrafa quando eu acabar ou quando eu estiver morto! — o homem me interrompeu.

Como se esperassem a deixa, os Doplers surpreenderam-nos pulando das árvores. Cada um foi ao encontro de seu correspondente. O homem estava sobrepujado pelo seu clone, que estava encima de sua barriga o esmurrando na cara. As duas mulheres lutavam de igual para igual, sendo que a real usava sua faca como uma espada, atacando a outra que desviava de golpe após golpe.

Eu não era como eles. Tinha dado uma rápida olhada nos braços deles e notei que ambos eram corpos. Eu era o único cabeça da equipe mesmo. Afastei-me da zona de batalha entrando um pouco mais na floresta. Meu clone me acompanhou de perto. Jogava nele algumas pedras que encontrava no caminho, mas não adiantava. Seus reflexos eram bons demais para deixa-lo ser atingido por simples pedras.

A corrida estava me desgastando muito. Entretanto, o falso ‘eu’ não esboçava o mínimo cansaço. Olhava para trás de vez em quando e em uma dessas olhadas acabei me distraindo e tropeçando em um galho.

— Idiota, agora vou morrer por causa de um galho! — pensei.

O Dopler vinha em minha direção com um sorriso sarcástico. Ele sabia que tinha ganhado na hora que eu me distanciei dos outros. Eu era um alvo fácil.

— Isso vai ser fácil. — ouvir uma ameaça de mim mesmo era estranhamente assustador.

Antes que ele me pegasse, algo o atingiu na cabeça. Quando ele olhou para trás viu a mulher segurando uma pedra. Por um momento fui esquecido enquanto ele avançava em direção à ela. Instintivamente agarrei a pedra mais próxima e acertei-o. Ele virou-se para mim novamente e foi acertado mais uma vez pela mulher. Reconhecendo a desvantagem, ele correu para o outro lado da floresta irritado.

— Temos que sair daqui o mais rápido possível. O amigo dele pode estar próximo. — disse a mulher, vindo em minha direção. Notei que a faca dela estava suja com sangue.

— O que aconteceu lá atrás? Onde está o outro cara? — perguntei.

— Ele não teve tanta sorte quanto eu. Meu clone era bom em combate, mas eu sabia exatamente onde ataca-la. Um pequeno corte no pescoço foi o bastante para ela sangrar até a morte. — sei que era uma batalha de vida ou morte, mesmo assim ela me pareceu fria demais.

Não falamos mais nada, apenas corremos floresta adentro buscando um lugar menos perigoso para passar a noite. Decidimos ficar em uma caverna que encontramos, pois assim os Doplers só poderiam nos atacar pela frente. O isqueiro foi útil para acendermos uma fogueira.

— Você acha que temos alguma chance contra eles? — atiçava o fogo com um graveto.

— Não em combate direto. Os atributos daquele idiota eram maiores que os meus e veja no que deu.

Era como eu pensava. Se o único intuito fosse treinar o combate dos Doplers estávamos lutando em uma arena aberta. Não teria essa floresta para nos escondermos e nem os itens que podemos pegar. Uma luta ao estilo dos gladiadores seria o bastante. Mas quem organizou isso tudo nos deu uma chance para tentarmos sobrepuja-los usando técnicas mais elaboradas. Esse combate era estratégico e não físico.

— Temos que criar armadilhas antes que eles nos encontrem. Temos que estar prontos para quando eles chegarem.

— E o que sugere? — ela perguntou em meio a um bocejo.

— Durma. Revezaremos. Eu pego o primeiro turno, depois é a sua vez.

Ela tentou reclamar, mas o cansaço a venceu.

Peguei a faca dela e apertei-a entre minhas mãos. Enquanto eu corria sozinho pela floresta, aceitava minha morte relutantemente. Agora é diferente. Não é só a minha vida que está em minhas mãos.

***

Dia oito, Arena.

— Cadê você? — ouvi a mulher gritar.

— Aqui! Um pouco mais pra dentro da caverna.

Estava tão concentrado na nova descoberta, que mal notei a sua aproximação.

— O que é isso? — disse ela atrás de mim.

— Parecem ser registros de outros humanos que estiveram aqui. Tem muita coisa aqui. Acho que isso é tudo o que os humanos aprenderam sobre os Doplers ao longo de todos os combates anteriores. — A mulher roubou a faca de minha mão e a pressionou em minha garganta. — O que?

— Oh, me desculpe por ter lhe enganado, mas tínhamos que encontrar essa caverna. Só humanos encontram essa caverna porque só eles precisam de abrigo. Os caçadores não precisam de esconderijos.

— Do que você está falando?

— Ora, você é um cabeça. Pense!

Como pude baixar a guarda e cair em um truque velho como esse. Estava lidando com clones.

— Você é uma Dopler! Eu fui muito idiota.

— Mas até que você foi bem útil. Já que aqui dentro é o único lugar que não temos câmeras, nunca iriamos saber o que os humanos descobriram sobre nós. Tínhamos apenas os dados de batalha. — comecei a rir. — Do que está rindo? Você já está praticamente morto.

— É isso que nos faz ter uma chance de derrota-los. — mesmo ela estando atrás de mim percebi que ela começou a ficar confusa. — Vocês se acham superiores em todos os aspectos. Isso pra vocês é apenas um jogo, mas pra nós é a sobrevivência. E quando lutamos por nossa sobrevivência mostramos do que realmente somos capazes.

— É um belo discurso para um cadáver. Podemos escrever isso em seu túmulo. — foi a vez da mulher rir.

— Sabia que essas informações podem ser de extrema importância? Tipo, esse código de colapso dos Doplers...

Vi que a mão dela começou a tremer e senti a faca se pressionar contra a minha garganta. Segurei o pulso dela e comecei a falar uma sequencia de números que tinha visto na parede. A força diminuiu e ela caiu no chão.

Não tinha tempo para me preocupar com o que acabara de acontecer. Anotei rapidamente todas as informações da caverna nas últimas páginas do diário, peguei a faca do chão e corri até a entrada da arena.

Encontrei os dois corpos que foram meus companheiros de equipe. Não havia tempo para remorso. Peguei a garrafa da mão do cadáver do homem. Por sorte ele nem tinha começado a beber o conteúdo e ela também não tinha sido quebrada na luta.

Montei a armadilha no meio da floresta e estava voltando para a caverna quando dei de cara com os outros Doplers. Dei meia volta e corri para a armadilha. Não podia usar o código, não aqui fora. Eles não podiam saber que tínhamos conhecimento de algo tão poderoso. Minha chance era a armadilha.

Quando chegamos ao alvo atirei a faca em uma corda que tinha feito com fibras de folhas de coqueiro. A outra extremidade da corda, que foi presa ao coquetel molotov improvisado (A garrafa de uísque e um pedaço de minha camisa acesa com o isqueiro), voou direto no rosto do clone do outro homem. Vendo meu clone vir em minha direção fez eu me lembrar de que ainda não tinha acabado a batalha. Um dos Doplers tinha sido incinerado, mas o outro estava em perfeito estado para me matar.

Minha ideia era atingir os dois com o coquetel molotov, mas já imaginava que seria extremamente difícil acertar os dois de uma vez só. A última solução agora era chegar à caverna.

Quando ele me viu encurralado no fim da caverna ele riu. Mais um exemplo do ego gigantesco dos Doplers. O corpo dele caiu inerte assim que eu terminei de falar o código de colapso.

Sentei-me aliviado e passei alguns minutos refletindo sobre tudo o que tinha acontecido. Usei alguns desses minutos para atualizar o diário. Agora vinha a parte mais difícil.

***

Dia nove, Fuga.

O quarto que estou é muito melhor do que qualquer lugar que eu tenha lembrança. Também é aquela imensidão de branco, característica desse lugar que nos mantêm prisioneiros, mas não era vazio como os outros cômodos. Havia uma cama e uma mesa repleta de comida e alguns quadros com rostos de pessoas.

Assim que saí da arena dois guardas me trouxeram para cá. Aproveitei o lugar para dormir e comer. Quando acordei estava diante de uma estranha figura. Era um pouco mais alta do que eu e parecia um fantasma. Ele era praticamente um lençol flutuante, mas tinha algo brilhava em uma tênue luz azul por baixo. Uma mão envolta no pano branco tocou minha testa e eu vi imagens totalmente aleatórias.

Primeiro vi estrelas, planetas, galáxias e pequenos pontos luminosos que se moviam rapidamente no escuro plano de fundo do universo. Depois vi feixes de luz levando pessoas para estranhos discos gigantescos que pairavam no céu. Vi mesas, como macas de hospitais, onde essas pessoas ficavam rodeadas de criaturas como essa que está na minha frente.

— Isso é uma experiência de vocês? — estava tudo confuso, mas essa era a única explicação. — O que querem com tudo isso?

O bem da terra. Ouvia uma voz que não era minha, diretamente no meu cérebro. Vocês tiveram sua vez na terra, mas estão a matando. Os Doplers são a cura.

Meu lado racional me fez concordar com ele, mas meu lado humano queria salvar a minha espécie.

— Não vamos nos render tão fácil. Nem todos são pragas para o planeta. Humanos são voláteis. Sempre estamos dispostos a mudar, basta o incentivo certo.

Empurrei a criatura e saí correndo para a zona das prisões. Escrevi esse final enquanto encontrava as celas. Quero dizer a aquele que ficar com esse diário que há uma maneira de sermos livres, mas a criatura me alertou sobre a verdadeira situação. Você terá que decidir o que fazer daqui pra frente sozinho. Espero que faça escolhas mais certas do que eu mesmo faria.

***

“Os pulmões de Adam começaram a se encher daquela névoa esverdeava enquanto ele se deslocava pelo corredor em direção às celas. Ele sabia que não tinha muito tempo, tinha que chegar antes que as paredes de vidro selassem as grades.

Cada inspiração queimava seus pulmões com o vapor venenoso, mas ele tinha um motivo maior para prosseguir do que apenas se preocupar com sua vida. Tinha que entregar o diário, que nesses nove dias tivera tanto cuidado em esconder, a alguém. Chegando ao bloco da prisão correu para a última cela que ainda estava aberta. A parede de vidro subia lentamente e na fresta que restava ele lançou o diário. Uma mulher com cachos acobreados e pele morena agarrou o aglomerado de páginas junto ao peito e assistiu o homem dar seus últimos suspiros sem poder fazer nada.

O número 0382285 se apoiou de costas na parede de uma cela e sorriu. Um estranho gesto para alguém que acabava de deixar uma mulher viúva e uma garotinha, de sete anos, órfã.”

Notas finais
E ai? Gostou? Comente sua opinião, crítica ou sugestão. Sou todo ouvidos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!