Submarine
1 .prefácio.
O cheiro enjoativo do oceano se aprofundava em meu olfato, a água salgada molhava meus pés enquanto o sol subia aos poucos no horizonte, sempre me disseram que não se deve sair de noite, afinal, é na escuridão que os monstros se escondem, mas eu sempre fui contra isso, mantenho este costume de sair de madrugada ir á praia e deitar na areia úmida e gelada.
Pode ser perigoso aos olhos de alguns mas para mim, é a coisa mais bonita do mundo.
Eu não gosto de pegar sol e muito menos de sentir a pele pegajosa após um mergulho, e isso me fez procurar um meio de aproveitar o oceano e seu frescor, morar em uma cidadezinha de interior costeira me faz bem na maioria das vezes, e sair em uma madrugada em plena praia e observar o sol nascer é totalmente maravilhoso.
Estou cansada desse monologo entediante, prazer, meu nome é Melusine, sim, Melusine, "uma personagem da lenda e folclore europeus, um espírito feminino das águas doces em rios e fontes sagradas", segundo a internet.
Enfim, voltando á realidade:
Aos poucos a água consegue chegar aos meus joelhos, molhando minha bermuda jeans e um pouco de minha camisa branca larga.
A água gelada me incomoda um pouco, mas logo me acostumo com a sensação.
Eu provavelmente poderia ficar ali por muito tempo porém uma voz conhecida me chamou de volta para a realidade, me viro e encontro minha melhor amiga Gyo sentada na areia e acenando com seus braços de cor alva, aceno de volta e corro até ela.
—O que estava fazendo?você ficou ali por um longo tempo.
Me sentei ao lado dela tentando pensar um motivo para meu demorado monologo comigo mesma.
—Eu não sei.
—Ah,claro.
Disse ela parecendo acostumada com minha aleatoridade.
—Gyo, você deveria estar em casa, sabe...não precisa me acompanhar nessas escapadas loucas.
—Não tem problema, no final. Sou sua única amiga mesmo.
Suspirei e concentrei minhas forças em me levantar e caminhar até as bicicletas que se mantinham em uma pequena colina sem a areia que provavelmente afundaria elas.
Esperei ela subir em sua própia bicicleta para começar a pedalar o mais rápido possível.
Em breve uma ronda policial passaria por ali e não seria nada divertido ser enquadrada em uma madrugada enquanto eu não levava comigo nenhum documento.
Deixei Gyo em sua casa, que convenientemente fica na mesma direção de minha casa.
Pulei o portão da casa branca que tinha o privilegio de chamar de "minha" e escalei um pouco até chegar no meu quarto no segundo andar, consegui entrar dando um pequeno susto no meu cachorro que dormia sobre a cama.
Deitei e esperei minha mente mergulhar em um mundo tranquilizador.
"Volte para nós novamente".
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