Sublime Amor.
21 Serenade.
Notas iniciais

"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós."
– Paulo Coelho.
No dia seguinte, o Pack tinha me convidado para um piquenique no parque da cidade. Parece que iria acontecer um show, ou alguma coisa assim. Derek disse que não poderia ir, pois tinha assuntos a tratar.
O que diabos ele tem pra fazer, que não pode ir num show comigo e com meus amigos?
Não vai ser a mesma coisa sem ele lá me fazendo a companhia.
Eu nunca mais vi o Pack depois daquele sequestro. Vai ser legal tê-los comigo, fazendo alguma coisa, como antigamente.
Depois que comecei a me relacionar com Derek, minha vida mudou completamente. É como se meu mundo tivesse virado de ponta a cabeça.
Mas eu até que gosto.
Me levantei da cama rapidamente, antes que eu perdesse a coragem. Tomei um banho rápido, lavando cada canto do meu corpo lentamente. Imaginando como se fosse o Derek me esfregando...
Hum... Melhor não imaginar, se não eu não saio de casa hoje.
Coloquei uma blusa branca e a primeira bermuda que achei no guarda-roupa. Calcei um tênis, e penteei o cabelo tentando ficar apresentável. Quando ia descendo as escadas, tomei um susto e tropecei, quase tacando a cabeça no chão.
O Pack inteiro estava na minha sala. Todos. Andando de um lado pro outro, reclamando, carregando cestas, panos e outras coisas.
Eu passei tanto tempo separado deles, que já tinha esquecido um dos nossos poucos costumes.
– Pensei que você nunca iria descer. Minha beleza já está cansada de esperar. — Lydia dizia, olhando as unhas.
Que saudades eu senti disso.
Discutimos por longos dez minutos quem iria com quem no carro, até que nos dividimos, e todos concordamos. Colocamos todas as cestas e coisas no carro, e começamos a dirigir. Dava pra ouvir os gritos, as cantorias e as músicas saindo do rádio em ambos os carros. Passávamos pela rua, e chamávamos a atenção de todos.
Como antigamente.
O mal humor já tinha ido embora, e eu estava feliz.
Eu tinha meus amigos. Minha vida está normal novamente.
*
Chegando lá, tinha um palco enorme. Tipo, enorme mesmo. Tinha até bateria e guitarra posicionados. Alguns caras tiravam notas, e se preparavam para o show.
– Vocês sabem quem vai cantar? — Perguntei.
– Eu não faço a mínima ideia. — Allison respondeu, sorrindo. E todos responderam que também não sabiam.
Mas que inúteis. Quero ver se for um cara com voz de frango quase estourando meus tímpanos cantando RBD.
Puta merda, de onde eu tirei RBD?
Ah, para. Foram bons tempos.
Eu e o Pack conversamos sobre tudo. Ríamos, nos divertíamos, e jogávamos comida uns nos outros. Eles nem sequer mencionaram o sequestro, e isso me fez muito feliz.
Minha vida não precisa se resumir a isso.
E não vai.
*
Depois de alguns minutos, muitas bebidas, piadas e pães e bolos voando um na cara do outro, percebemos uma movimentação no palco.
Virei meu rosto para olhar o que estava acontecendo, e eu não pude acreditar.
Era Derek.
Era Derek encima do palco, com sua típica jaqueta de couro, sua maldita calça preta apertada, e seu coturno e camiseta branca que reluzia a luz do sol, trazendo uma atenção bem dada aos seus pelos do peito.
Era Derek. Andando lentamente, sem jeito, quase caindo no chão pelo palco, parando de frente para o microfone.
Ele parecia procurar alguém na multidão, e meu coração parou por alguns instantes quando seus olhos focaram nos meus. Ele sorriu, abertamente, limpou a garganta e começou a falar:
– Esse negócio tá pegando? — Ele falou, batendo no microfone sem jeito. Soltei uma gargalhada alta, chamando a atenção de algumas pessoas ao redor.
– Há um tempo atrás, bom, não muito tempo atrás. Mas depende do que se pode considerar muito tempo atrás. Quer dizer, eu não acho que é tempo de mais. — Derek parou e suspirou.
– Me desculpem. Eu estou meio nervoso. — Ele parou mais uma vez, respirou fundo, e coçou a nuca.
– Há um tempo atrás, meu Camaro deu ruim. Quer dizer, eu não queria perder minha bebê, e nem queria consertá-la. Então eu levei numa oficina. E foi a melhor decisão que eu já tomei na vida. — Ele pausou, e olhou diretamente nos meus olhos. — Eu conheci o amor da minha vida. E ele tá sentado bem ali. — Ele apontou pra mim.
Na mesma hora, todas as pessoas presentes no parque se viraram para mim. Eu não tinha onde enfiar minha cara, minhas bochechas estavam coradas, e eu estava morto de vergonha. Porém, mesmo assim, sorri abertamente, acenando para uma velhinha que me olhava e suspirava.
– Eu gostaria de dizer que eu amo você. Mesmo eu dizendo isso todos os dias, e mesmo você já estando cansado de ouvir. Eu amo você. Eu amo você com todas as minhas forças. Eu amo você inexplicavelmente, intensamente e completamente. Eu amo você que chega dói aqui dentro. — Ele apontou para o próprio peito.
Meus olhos ardiam, e ficavam embaçados com as lágrimas turvando minha visão. Eram lágrimas de emoção, então eu as deixei rolar.
– Eu resolvi cantar pra você. Espero que minha voz não seja tão ruim assim, e que você goste.
Derek pausou por alguns instantes, e meu queixo foi no chão. Eu estava nervoso, tremia e soava. Allison percebeu, e pegou na minha mão, a alisando, tentando me tranquilizar.
O toque começou, primeiro da guitarra, e eu reconheci de cara. Era a música Heaven do Bryan Adams. Uma das minhas preferidas.
Tão cheia de significados.
Derek pulou o primeiro verso, já que não tinha nada haver com a gente, e começou a cantar calmamente.
And Baby you're all that I want
When you're lyin' here in my arms
I'm findin' it hard to believe
We're in heaven
And love is all that I need
And I found it there in your heart
It isn't too hard to see
We're in heaven
Oh — once in your life you find someone
Who will turn your world around
Bring you up when you're feelin' down
Now nothin' could change what you mean to me
Oh there's lots that I could say
But just hold me now
Cause our love will light the way
And Baby you're all that I want
When you're lyin' here in my arms
I'm findin' it hard to believe
We're in heaven
And love is all that I need
And I found it there in your heart
It isn't too hard to see
We're in heaven
I've been waitin' for so long
For somethin' to arrive
For love to come along
Now our dreams are comin' true
Through the good times and the bad
Ya — I'll be standin' there by you
And Baby you're all that I want
When you're lyin' here in my arms
I'm findin' it hard to believe
We're in heaven
And love is all that I need
And I found it there in your heart
It isn't too hard to see
We're in heaven.
Ele olhava diretamente para os meus olhos enquanto cantava. A voz dele era perfeita. Uma mistura de rouquidão com suavidade. Me fazia ver Deus e voltar pra Terra. Era simplesmente perfeita!
Quando ele acabou, meus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, e minha voz estava embargada.
Todos no local estouraram em palmas. Eu podia ouvir alguns "Parabéns!" "Vocês formam um casal lindo!" Felicidades!". Mas Derek não se importava, e nem eu. Só olhávamos um para o outro, como se estivéssemos presos em nosso mundo particular.
Quando enfim, a salva de palmas se cessaram, Derek se aproximou do microfone de novo.
– Como diz um livro chato e triste que você me forçou a ler: "Nós tivemos uma eternidade em nossos dias numerados. Você não sabe o quanto sou grato pelo nosso pequeno infinito." E foi isso que tivemos. Nós tivemos uma eternidade em nossos poucos dias vividos. Porém, Stiles, foram os melhores dias da minha vida. E eu só tenho a te agradecer. Te agradecer por ser essa pessoa extremamente simpática, amorosa e linda. Por me aturar mesmo quando eu estou na TPMacho, como você chama. Por me apoiar, e estar sempre do meu lado quando o mundo parece se fechar e querer me sufocar. Por pegar na minha mão, olhar no fundo dos meus olhos e me transmitir carinho. Me fazer se sentir amado. — Ele pausou, longamente, com lágrimas nos olhos. E por fim, disse:
– Você aceita se casar comigo?
Eu simplesmente me engasguei com o ar. Quer dizer, como alguém pode se engasgar com o ar? Pois é, eu me engasguei.
Ele estava mesmo me pedindo em casamento? Na frente de todas aquelas pessoas?
Ele fez?
Ele fez.
Levantei correndo, e atravessei a multidão. Subi rapidamente no palco, o agarrei pela cintura e o beijei.
Sem me importar se tinha outras pessoas olhando. Sem me importar com o tempo, o espaço, a gravidade ou a poluição do ar que está cada vez mais grave hoje em dia. O beijei, como se o mundo fosse acabar amanhã, como se fosse haver um dilúvio, como se toda a raça humana fosse ser extinta.
O beijei, transmitindo todo meu amor, carinho, e afeto. Também minha felicidade, por ter um homem perfeito como ele na minha vida.
E por fim, eu disse:
– Sim, eu aceito.
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