Sublime Amor.
9 Friends.
Notas iniciais
"O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas amar tudo que você tem!"
– George Carlin
Tivemos metade das provas na segunda-feira, e teríamos a outra metade na terça-feira. Tudo ocorreu naturalmente, todos fizeram a prova relaxados, pois como disse, tínhamos estudado bastante no dia anterior. Precisávamos de notas, precisávamos estudar bastante. Eu não sabia ainda que faculdade iria cursar, se iria de fato fazer faculdade. São muitas questões não-resolvidas. O nosso "pack", como gostamos de chamar, estava meio separado. Fazia tempo que nos não fazíamos algo juntos, além de estudar. Então eu tive uma ideia.
– Que tal filme hoje na minha casa? As 20h. — Falei.
– Por mim está ótimo. — Danny disse.
– Por mim também. — Lydia disse.
– Conte com a gente. — Jackson disse por fim, e Allison e Scott concordaram.
– Hei, Scott, vamos lá pra casa jogar vídeo-game? Tenho umas coisas pra conversar com você. — Falei apreensivo. Preciso de respostas, quem melhor que meu melhor amigo pra isso?
– Claro, vamos.
O trajeto de volta pra minha casa foi tenso, nenhum de nós falavam nada. Quando chegamos, começamos a jogar Mortal Kombat, nosso jogo preferido, ate que Scott deu pausa no jogo.
– Você engravidou alguém? — Scott perguntou.
– O que? Você está louco? — Perguntei com espanto.
– Então o que houve cara? Você tá caladão o o tempo todo, e você não é de ficar calado. — Scott disse.
– Então, eu conheci um cara... — Comecei a falar apreensivo. — Ele se chama Derek. E eu acho que estou apaixonado por ele Scott. Digo, eu ate transei com o cara...
– Opa, opa, opa, opa, pera ai, volta a fita. Você finalmente perdeu a virgindade? — Scott sorria.
– Sim, com um homem. Eu perdi a virgindade com um homem e estou apaixonado por um homem. — Falei com os olhos arregalados.
– Cara, você perdeu a virgindade! Aleluia, aleluia, aleluia. — Scott começou a cantar com as mãos pro alto olhando pro céu.
– COM UM HOMEM! Você não ta me entendendo cara? Volta pra Terra! — Falei irritado.
– Calma, parceiro. O que tem haver você gostar de um homem ou não? Somos todos seres humanos, certo? Você continuará sendo meu amigo magricela e chato, só que agora não-virgem. — Scott sorriu.
– Obrigado cara. Sua opinião é importante pra mim. Eu estou pensando em chamá-lo pro filme. — Falei.
– Chama, vai ser legal. Agora vamos jogar, pelo amor de Deus, estávamos na parte boa.
*
Eu estava tremendo de nervoso. Finalmente eu apresentaria o Derek pros meus amigos, isso, claro, se Derek aceitar ir ver o filme. Cheguei em sua casa, estacionei, sai do carro tremendo mais ainda e toquei a campanhinha, me segurei pra não correr e sair voando dali. Derek atendeu com uma calça de moletom cinza caindo de sua cintura, aparentemente sem cueca, gostoso que só o inferno.
– Isso é jeito de atender a porta? Com essa roupa? — Falei com cara feia.
– Desencana. O que foi? — Derek perguntou encostando na parede de lado e cruzando os braços, ficando mais gostoso do que já estava, se é que isso e possível.
– Então... Eu e o pack vamos...
– Pack? — Derek parecia confuso.
– Sim, pack. O pessoal, Lydia, Scott, Allison, Danny e Jackson. É assim que nos chamamos, "O Pack" — Falei explicando sem paciência. — Então... Nós vamos ver filme, e eu achei que seria legal você vir.
– Claro. Espera só eu trocar de roupa? Não vou demorar muito. — Derek disse.
– Ok. — Falei indiferente.
Derek me olhou com uma expressão confusa e adentrou a casa. Cinco minutos depois ele estava vindo, não me surpreendi quando o vi com seu "uniforme". Jaqueta de couro, regata branca, calça jeans escura e coturno. Meio óbvio.
Caminhamos até meu jipe e fomos ate o meio do caminho em silêncio. De repente Derek se revoltou e começou a falar.
– Você vai dizer, nesse exato momento, o que diabos está acontecendo. E isso não é um pedido. — Derek disse com cara de bunda.
– Eu contei sobre nós dois para o Scott... E acho que já esta na hora de assumirmos, pelo menos para os meus amigos. — Falei sorrindo nervoso.
– Ah sim... E o que Scott disse? — Derek parecia mais calmo.
– Nada. Ele só quer me ver feliz. — Sorri com a ideia.
– Que bom.
O clima ficou bem mais leve, ate que eu lembrei de uma coisa e meti o pé no freio. Derek voou pra frente, batendo com a cara no vidro do carro.
– PUTA QUE PARIU STILES! VOCÊ ESTA LOUCO? QUER NOS MATAR? PORRA GAROTO O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA? PUTA QUE PARIU! SOU MUITO NOVO PRA MORRER, NÃO FAZ ISSO CARA. — Derek parecia afobado.
O olhei por alguns segundos e comecei a gargalhar descontroladamente. Era engraçada a cara que ele fazia quando estava nervoso. Ri até não ter mais ar e se formar pequenas gotículas de lágrimas em meus olhos.
– Eu lembrei que esqueci de alugar os filmes. — Falei com calma
– E só por isso precisa nos matar? Porra, Stiles! Dê meia volta e vamos alugar logo esses malditos filmes. — Derek ainda parecia bastante nervoso.
Por fim, alugamos O Massacre da Serra Elétrica, Todo Mundo em Pânico 4, O Mundo Mágico de Oz (sim, somos criançonas) e um outro de terror com a capa estranha.
Chegamos na minha casa com várias sacolas, contendo os DVD'S e algumas coisas para comer. Forramos o chão com cobertores, e fizemos pipoca e brigadeiro. Bom, na verdade, eu fiz. Derek é um desastre na cozinha. Consegue queimar até água.
Dez minutos depois ouvi um barulho na porta. Era o Pack entrando na minha casa sem nem tocar a campainha. Esse era um costume normal entre nós.
Fiz as apresentações e todos gostaram do Derek. Não falei que ele é meu... companheiro. Somente Scott sabe. Não tive coragem de contar assim, de uma hora pra outra.
Cada um deitou em algum espaço dos cobertores — que haviam muitos, a propósito. — Deitei ao lado de Derek, obviamente, e começamos a assistir os filmes. Derek estava impaciente com alguma coisa, eu podia sentir. Só não sabia ainda o que era. Ate que ele pegou suavemente meu queixo e ergueu minha cabeça, fazendo eu olhar pra ele. Derek encostou seus lábios nos meus e, por alguns segundos, eu sentia que só havia nós dois naquela sala. Quando por fim o beijo terminou, o silêncio foi estabelecido no local. Todos nos olhavam, e eu fiquei vermelho de vergonha. Enterrei meu rosto no pescoço de Derek, e ele sorriu.
Antes que pudêssemos abrir a boca pra dizer alguma coisa, todo o Pack começou a gritar e pular. Falando coisas como "Aleluia" "Stiles saiu da seca" "Já tava na hora brother, não aguentava mais sua chatice". Derek e eu nos limitamos a sorrir.
Paramos de assistir o filme e começamos a conversar, todos sentados rindo e interagindo. Eu deitado entre as pernas de Derek, e o pessoal sentado em uma rodinha. Contamos como nos conhecemos, como ficamos e como assumimos. O resto da noite passou, e eu finalmente me sentia completo.
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