Notas iniciais
Um capítulo meio descontraído que eu amei escrever, a propósito. Enjoy.

"Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira."

– Pablo Neruda.

No dia seguinte, acordei com uma tremenda vontade de me mandar daquele hospital. Era chato, monótono, e eu nem tinha minhas revistinhas do Batman pra passar o tempo. Eram 08:00 horas da manhã, e eu só pensava em levantar daquela cama pra fazer alguma coisa.

A agulha que entrava no meu pulso era chata e incomodava. Também tinha vários troços amarrados pra não sair, e estava apertando. Tentei afrouxar o máximo que pude, mas estava colado. Bufei de raiva.

– Já está com raiva da vida? Que rápido você. — Tomei um susto, quase caindo da cama.

– Derek Hale, você precisa parar com esse negócio de dar susto nas pessoas. Assim eu não passo dos 30! — Passei a mão no peito, encenando uma cara de desprezo.

– Fiquei preocupado. — Derek falou. Meu coração derreteu igual manteiga.

– Eu também. — Falei com a voz por um fio. — Derek, depois de tudo... Depois de tudo, você ainda quer ficar comigo? — Perguntei, com medo da resposta.

Derek ficou em silêncio por alguns segundos, e meu coração despencou até o estômago.

– Stiles... — Derek fez uma pausa. — Eu quero ficar com você pra sempre. Eu quero ficar com você por toda minha vida. Quero casar, ter filhos e envelhecer ao seu lado. Quero morar com você, dividindo um espaço só nosso. Eu quero ter uma aliança com seu nome, e uma conta bancária conjunta também. Eu quero segurar sua mão e acariciar enquanto vemos filmes no cinema. Eu quero te pegar pela cintura e te beijar como se nunca mais fôssemos respirar. — Ele fez uma pausa mais uma vez. — Eu te amo, Stiles. Não é aquele maldito que vai mudar isso. Nem ele, nem ninguém. Eu te amo.

Lágrimas pesadas caíram sobre o meu rosto. Como é possível amar tanto uma pessoa assim e não morrer aos poucos?

Peguei no rosto do Derek delicadamente, e o beijei. O beijo mais lento, mais puro, apaixonado e ao mesmo tempo, tão cheio de desejos que eu já dei na minha vida.

Derramei naquele beijo todo meu amor e minha alegria. Era reconfortante pro meu coração tê-lo ali comigo, do meu lado.

– Eu amo você. Para sempre. — Falei sussurrando no ouvido dele, enquanto o abraçava.

*

– Você tem certeza que tá bem? Não tá doendo nada? — Meu pai perguntava, enquanto segurava meu braço, como se eu fosse cair e desabar a qualquer momento.

– Pai, eu não tô aleijado. — Falei irritado, no impulso. Me arrependi na hora que vi a cara triste que ele fez.

– Desculpa coroa. É que eu quero deixar isso pra lá. Esquece. Eu não vou quebrar a qualquer momento. — Falei calmo, o abraçando.

– Eu sei. É bom te ter de volta. — Meu pai sorriu pra mim, mostrando todos os seus extremamente brancos dentes. Sorri de volta.

– Eu não esqueci do jantar hoje a noite, hein! Não esqueça de lembrar ao Derek que eu sei usar uma arma. — Meu pai falou fingindo uma cara séria, assim que adentramos nossa sala de estar.

– Pode deixar, coroa. — Soltei uma gargalhada baixa. — Não vou esquecer.

*

– Ele disse que sabe usar uma arma? Bom, isso já era de se esperar. Mas, tomara que ele não saiba usar uma faca também. Quero ficar com o pequeno Derek até meu túmulo. — Derek falou, do outro lado da linha. Tentei segurar uma risada, falhei terrivelmente. Conclusão: eu fiquei parecendo uma iguana com problemas respiratórios.

– Pequeno Derek? Você não tinha um nome melhor? — Falei sem ar, rindo. — E, bem... de pequeno não tem nada.

– Para de falar essas coisas. Não me excite por telefone, Stilinski. Isso não é legal. Você não vai pro céu. — Derek falou, sorrindo.

Era bom que as coisas estivessem tão leves entre a gente. Depois de tudo o que aconteceu, eu tive medo do Derek não querer mais nada comigo, não me achar mais digno. Um pouco desse medo se foi quando ele se declarou para mim no Hospital, mas... Ainda restava um pouco desse medo chato.

– As 19h30? — Derek perguntou, me tirando dos meus pensamentos.

– Sim, Sr. Hale.

*

As 19h eu já tinha tomado banho e trocado todas as ataduras do meu corpo. Não eram muitos, mas eram chatinhos de se limpar. Alguns arranhões aqui, uns roxos ali. Daqui a uns 5 dias eu já estaria novinho em folha.

Eu ainda estava um pouco com medo. Era o primeiro jantar entre mim e o Derek com o consentimento do meu pai.

Foi preciso eu quase ir sentar no colo do capeta pro meu pai aceitar meu namoro com Derek.

Puta que pariu hein, Xerife.

Meu pai disse para mim que não iria ter necessidade de eu cozinhar. O que eu agradeci aos céus. A última coisa que eu quero agora é cozinhar mil legumes diferentes e raciocinar o sal, gordura e tempero.

Que Deus me perdoe, mas eu quero que meu pai traga algo bem gorduroso, salgado, grande e cheio de massa. Eu vou comer até não ter mais estômago.

Adeus vida cruel.

Okay, eu devo estar parecendo um retardado mental. É que é pra disfarçar a ansiedade. Não liguem.

Ou liguem.

Ou façam o que quiserem, porque o Derek acabou de tocar a campainha.

Desci igual um furacão, igual a primeira vez que jantamos. — aquele desastre total, se lembram? -

Quando abri a porta, lá estava ele. Com uma camisa social azul mais colada que nós todos, realçando bem seus músculos. Uma calça cinza, e um sapato social.

Em uma mão tinha um buquê de rosas, e no outro uma torta. A mesma torta que ele trouxe da primeira vez que veio até minha casa.

Abri um sorriso que ia do norte até o sul.

– Boa noite, baby. — Derek sorria para mim. O sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha existência nessa Terra abençoada por Deus e climatizada pelo capeta. Porque, convenhamos, aqui faz um calor do cacete.

Acho que eu estou desviando do caminho. Desculpe.

– Você está lindo. — Falei meio abobalhado.

– Querido, eu sou lindo. Nasci lindo, vou viver lindo, vou morrer lindo. Minha lápide vai ser a mais linda do cemitério inteiro. Não, da cidade inteira. — Derek fez uma pausa. Amor próprio é tudo, não é? — Vai me convidar pra entrar ou vai ficar admirando a vista?

– Entre, Sr. Dono-do-Mundo-Exalando-Testosterona. — Falei fazendo uma reverência meio atrapalhada. Ele gargalhou baixinho.

– É pra você. — Me entregou o buquê. — E isso... Bom, é pro seu pai. — Derek falou meio sem jeito. Meu coração inchou de alegria.

– São lindas, Der. Obrigada.

Fomos nos aproximando devagar, e quando nossos lábios iam se selar, ouvidos um pigarro baixinho.

Droga.

Dupla droga.

– Eu realmente não sei o que vocês fazem. E na verdade, nem quero saber. Mas não façam na minha frente, por favor. Poupe-me dos detalhes. — Meu pai falava olhando para o Derek, que estava mais vermelho que morango maduro.

– Vou por as flores lá no meu quarto. Já volto. — Falei subindo as escadas rapidamente, querendo sair dali e me enfiar no buraco mais profundo do universo.

*

Estávamos sentados a mesa, comendo pizza. Sim, mundo maravilhoso! PIZZA!

P-I-Z-Z-A!

Uma deliciosa, gordurosa, cheia de queijo pizza.

– Estou feliz que você tenha o Derek, Stiles. — Meu pai falou, enquanto comia um pedaço da pizza.

Derek engasgou e começou a tossir violentamente, ficando vermelho.

– Se você ficar vermelho mais uma vez, eu te levo ao hospital. Homem, não me assuste. — Falei em direção ao Derek. — E eu também estou feliz, pai.

– Tenho um presente pra vocês. Mais pra um pedido de desculpas, na verdade. Mas ainda sim, um presente. — Meu pai falou olhando para nós dois.

– E o que seria? — Perguntei, confuso. Eu não via nenhum embrulho nem nada perto dele.

De repente, ele depositou uma chave minúscula e prateada no centro da mesa.

Puta merda. Era a chave de uma casa!

*

– Pai, o senhor não pode nos dar uma casa! — Falei com a voz elevada. Onde esse coroa bateu a cabeça?

– Um apartamento. — Ele me corrigiu. — Tanto posso, como quero, e já dei. Se você recusar, eu taco fogo no seu jipe.

– John, não precisava. — Derek finalmente abriu a boca pra falar alguma coisa.

– Precisava sim. Não quero não, talvez, pai, John, não precisa, e nada dessas coisas. Vocês vão pegar essa chave, vão entrar no apartamento de vocês — Que já está mobiliado, a propósito. Vocês podem me agradecer em outra vida. — e desfrutarem do que a vida tem a oferecer. Vocês se encontraram, e não foi por um acaso. Vocês são feitos um pro outro. E eu digo isso porque eu vejo. Stiles, você é meu filho. Eu não deixaria você ter envolvimento com alguém se eu não visse que é verdadeiro. Stiles ama Derek, Derek ama Stiles. — Meu pai falou, sem respirar entre as frases.

Lágrimas brotavam do meu rosto.

Levantei, caminhei até meu pai e o abracei. Colei meu rosto molhado pelas lágrimas de felicidade entre a curva de seu pescoço.

– Eu amo você, coroa.

Notas finais
E aí? O que vocês acharam amores da minha vida? Estão gostando? Posso melhorar? E o John... Finalmenteeee! Comentem, por favor! Amo vocês, kids.