Subjetivo - Desafio Sherlolly
1 Tic-tac.
Notas iniciais
O dia acordou preguiçoso. O frio se tornava mais gostoso debaixo da proteção das cobertas que guardava o calor que emanava do corpo de Molly. O despertador do celular já tocava na comoda ao lado da cama, mas era ignorado pela garota. Seus pensamentos estavam tão longe, tão longe quanto o dono deles.
E seus olhos? Ah seus olhos.
Só de lembrar deles sentia acender dentro de si um calor inexplicável. Talvez não tão inexplicável.
Lentamente ela se desfez do lençol. Precisava ir a escola.
Um gatilho.
De repente sentiu crescer em seu interior uma vontade absurda de ir o mais rápido possível. Tic, tic, tac.
O tempo não queria mais passar. Começa a apertar o coração. A hora de ver os olhos chegou, e agora?
Ela o observava mais uma vez. Mas ele manteve-se em seu lugar de sempre. Escorado a porta da sua sala, ficava o intervalo inteiro apenas observando.
As mesmas pessoas, os mesmos tipos de comportamento. Tão previsíveis. Embora um em especial era recebido bem. O dela. Molly. Apenas Molly. Sempre Molly.
Suas formas de agir o deixavam sentir algo diferente. Seu jeito introvertido, mas tão claro. Explicito, Tão gracioso — meigo, agradável, leve — Molly.
Quando ela notou que ele a observava, já era tarde demais, foi pega por aqueles olhos e mesmo não querendo se deixar levar, foi arrastada junto a correnteza, perdida em meio a neblina que cobria o mar do qual gostaria de se jogar.
Tic, tic, tac.
O intervalo terminou, a aula seguinte seria vaga, sendo assim, Molly preferiu ir a biblioteca. Perdida em meio a livros, em uma mesa próxima estava ele, Sherlock.
Sher-lo-ck. Gostava de pronunciar em voz baixa. Parecia divertido dizer seu nome sem medo ou vergonha. Mal pode perceber quando ele parou de olhá-la, porque ela já havia desviado o olhar, e já não estava no mesmo lugar.
Se levantou, indo até onde ele estava sentado antes, e sentando no lugar, viu como era fácil observar de onde ela estava. Será?
Notou também a lixeira sob a mesa. Havia apenas uma folha de caderno amassada. Será que era dele? Será que havia algum problema? Não.
Ela pegou antes que alguém a visse.
Molly suspirou, Sentia seu coração bater mais rápido pelas lembranças que lhe saiam a mente por aquelas palavras. Como se estivesse em um universo paralelo, Sentia-se diferente, sentia em sua alma, um misto de sensações que a levava ao êxtase. Será?
Olhou para a porta do local que não era tão longe de onde estava e pode ver um vulto. Era ele, o jovem Sherlock.
Talvez Molly devesse tentar ser mais que invisível.
Deixou o papel sobre a mesa e seguiu atrás de seu sonho. No qual podia se ler claramente as seguintes palavras:
Non ti scordar di me
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