Sub-Man, o Vingador

2 Capítulos 2 e 3


Capítulo 2

Do acaso, nasce um herói... E um vilão...

O tenente Luck Peterson foi encaminhado ainda naquela noite para o Hospital Metrostate, o maior e melhor de Metro City.

O chefe de polícia da cidade, Jeremias Farfield, acompanhara o tenente em tudo até ali. Ele estava extremamente preocupado, pois não queria perder o melhor homem do Departamento de Polícia.

Peterson foi encaminhado para a UTI e as suas chances de sobreviver eram mínimas. Jeremias ficou sentado quase a noite toda no corredor em frente ao quarto do tenente, às vezes levantando para observar o paciente, deitado numa cama e ligado a vários aparelhos de manutenção de vida.

Quando eram quatro horas da madrugada, um homem de jaleco e gravata sentou-se ao lado do chefe de polícia, dizendo:

– Eu lamento muito o ocorrido, chefe de polícia Farfield.

– Como sabe o meu nome?

– A Biocom não é uma corporação desatualizada. Nós já estamos, há doze anos, no ramo de medicamentos, há seis anos no de vacinas e mais recentemente entramos no negócio de armas biológicas.

– Esqueceu de falar que a Biocom praticamente controla esta cidade!

– Não seja grosseiro, chefe Farfield. Sou William McGregor, cientista e biólogo da Biocom.

– Era parente de Donald McGregor?

– Ele era meu meio-irmão.

– Compreendo...

– Chefe Farfield, eu sei que o tenente Luck Peterson é o melhor homem do Departamento de Polícia e sei que este não será o mesmo se ele morrer.

– O que quer dizer com isso?

– Eu quero dizer que nós temos os meios de fazer o tenente Peterson voltar à ativa mais rápido do que o senhor pensa.

– Besteira... – murmurou Jeremias, levantando-se e indo observar o tenente através da janela do quarto.

McGregor aproximou-se do chefe de polícia e disse:

– Nós temos os meios de recuperar completamente o tenente Peterson. A tecnologia da Biocom é muito mais avançada do que os equipamentos que são comprados pelo governo e fornecidos aos hospitais. Por isso mesmo nós temos uma rede particular destes...

– Como vocês podem curá-lo? – perguntou Jeremias, um pouco interessado.

– Já ouviu falar de criogenagem?

– Congelamento? – espantou-se o chefe de polícia.

– Exatamente.

– Mas como isso irá recuperá-lo?

– Enquanto ele estiver dentro de uma câmara de criogenagem em estado de hibernação biológica, nós adicionaremos nutrientes em seu corpo a cada minuto – explicou o biólogo, olhando para uma bela enfermeira que passou ao lado deles. – Entre o período de três semanas a um mês ele estará novinho em folha.

– Isso já foi testado?

– Claro. Foi um grande sucesso durante a ofensiva contra o Iraque.

– Quanto custa?

– Não importa! – disse o biólogo, abraçando Jeremias com um dos braços. – Vou lhe levar até a nossa seção neste hospital! Tudo poderá ser realizado aqui mesmo, sem problemas!

– Se você diz assim...

McGregor levou Jeremias até uma sala no subsolo do hospital, onde havia várias câmaras de criogenagem. Numa delas estava um garoto que tinha leucemia e permaneceria congelado até que a cura fosse descoberta. Jeremias indagou sobre o acidente no laboratório de Petroni. McGregor disse que o médico e Merezani, seu assistente, estavam desaparecidos desde a noite do ocorrido, ou seja, há três semanas.

Havia uma câmara de criogenagem vaga, onde foi colocado Peterson com a ajuda de dois funcionários da Biocom. Ao corpo congelado do tenente foram ligados quatro pequenos tubos, um em cada braço e cada perna, por onde os nutrientes entrariam e ganhariam a corrente sangüínea.

Logo amanheceu o dia e Jeremias lembrou-se de telefonar para o seu filho, Michael, que tinha um rancho no Novo México...

Uma bela mulher dirigia uma pick-up por uma pedregosa estrada do Novo México. Era Blenda Baker, assistente de advocacia em Santa Fé.

Examinando um mapa, Blenda tentava encontrar o rancho de cow-boys de seu velho amigo Michael Farfield, conhecido pelo pseudônimo de Jack Red Kid.

A assistente de advocacia queria que Michael, que outrora havia sido seu namorado, voltasse com ela para Metro City, cidade da costa leste onde haviam nascido.

Blenda pisou no acelerador, mas não havia jeito: o motor estava pifado. Depois de exclamar um palavrão, resolveu seguir a pé, pois o rancho de Farfield não estava longe de acordo com o mapa.

Após caminhar cerca de um quilômetro, Blenda chegou à cidade-fantasma de Eldorado, local do “Rancho Jack Red Kid”, onde Michael divertia os poucos turistas da região com shows de montaria.

Havia alguns poucos turistas na única rua da antiga cidade do Velho Oeste. Após dar alguns passos, Blenda virou-se para um lado, de onde vinha o som de uma voz conhecida falando num microfone. Em cima de um antigo salão, surgiu então Michael Farfield, de chapéu e roupa de cow-boy representando Jack Red Kid, famoso herói daquela região. Ele exclamou:

– Venham, senhoras e senhores, moças e rapazes, meninas e meninos, pois o show vai começar!

– Você é uma figura mesmo, Michael Farfield... – murmurou Blenda, seguindo os turistas até um cercado de madeira, onde Farfield fazia suas apresentações.

Michael pulou de cima da construção e caiu em cima de seu cavalo. Pulando o cercado, chegou ao local onde fazia as apresentações antes dos espectadores.

Todos se acomodaram numa arquibancada de madeira dentro do cercado, após pagarem cinco dólares a um velho na entrada. Michael começou a pular alguns obstáculos com o cavalo, demonstrando muita habilidade. Após a exibição, todos bateram palmas, inclusive Blenda.

Os turistas foram embora e o velho, após entregar o dinheiro a Michael, que descia de seu cavalo, também partiu. Porém, Blenda continuou sentada na arquibancada, observando o ex-namorado dar água ao animal. Ao vê-la, Michael perguntou, sem lhe reconhecer:

– O que faz aí sentada, bela senhorita? O cow-boy Jack Red Kid já terminou o seu show!

– Não me reconhece, Michael?

Após olhar por um instante nos olhos da bela jovem de vinte e quatro anos, ele exclamou:

– Blenda! Há quanto tempo!

– Michael!

Blenda desceu da arquibancada e o abraçou. Michael perguntou:

– Como você me encontrou neste fim do mundo?

– Não foi difícil – riu Blenda. – Seu pai me deu um mapa que mostra a localização exata deste rancho.

– Ele ainda é o chefe de polícia?

– Sim.

– Parece que nada mudou...

– Como não? Eu não lhe vejo desde quando terminamos o colegial! Você mudou muito!

– Para melhor ou para pior?

– Para melhor, é claro!

– Você está linda.

– Obrigada – respondeu a assistente de advocacia, sorrindo.

– Venha comigo até a minha casa. Lá lhe contarei tudo o que fiz nos anos em que não nos vimos!

– Claro.

Os dois, de mãos dadas, seguiram na direção de uma casa de madeira que ficava um pouco à parte do resto da cidade-fantasma.

Em Metro City já era noite. A cidade era castigada por uma violenta tempestade.

No Hospital Metrostate, um indivíduo suspeito entra pela recepção e segue pelos corredores do prédio. Ele rapidamente olha pela janela do quarto onde estava Luck Peterson e, vendo que este não estava mais ali, desce o elevador de volta para a recepção e pergunta onde o tenente está.

A recepcionista, receosa, pois o indivíduo usava casaco e tinha o rosto completamente coberto pela sombra de um chapéu, perguntou quem desejava obter tal informação.

O indivíduo respondeu que era um médico da Biocom, Ralph Walker, e que estava ali para averiguar o estado do tenente Peterson.

A recepcionista, ingênua, informou que Peterson estava sendo mantido na seção da Biocom no prédio, que ficava no subsolo. O indivíduo desceu um bloco de escadas e logo ganhou a sala onde Peterson estava congelado, driblando os sistemas de segurança através de um pequeno aparelho.

O indivíduo se aproximou da câmara onde estava o tenente da polícia e, tirando do bolso duas cápsulas de vidro, contendo uma um líquido vermelho e a outra um líquido azul, pareceu indeciso.

Após um instante olhando para as cápsulas, guardou a vermelha e colocou a azul dentro do compartimento de nutrientes que estavam acelerando a recuperação de Luck através de um mecanismo parecido com um braço mecânico que era usado para inserir as cápsulas de nutrientes no moderno aparelho.

O indivíduo ficou observando a câmara: um líquido azul, diferente do marrom que corria pelos tubos ligados às veias de Luck, começou a penetrar em seu corpo, substituindo a adrenalina, coisa que os nutrientes não faziam.

O indivíduo saiu da sala rapidamente, após recuperar a cápsula, que voltou vazia. Todo aquele estranho líquido azul agora iniciava um processo que substituiria toda a produção de adrenalina do corpo de Luck pela produção daquela substância. Os efeitos finais eram desconhecidos.

O estranho personagem afastou-se do hospital num furgão da Biocom...

Numa base militar ultra-secreta no Novo México, um grupo de oficiais e cientistas testaria uma nova e poderosa arma nuclear.

O homem que chefiaria o teste, general Harry Albertson, estava dentro de uma casamata junto com o homem que havia projetado a arma, Eric Benton.

– Você tem certeza de que essa arma nuclear é mesmo eficiente? – perguntou o general.

– Sim – respondeu Benton. – A explosão é menor do que a causada pelas armas nucleares convencionais, mas ela espalha radiação por uma área muito maior.

– É a velha história: os danos materiais são mínimos, mas as perdas humanas dos inimigos são catastróficas... O Pentágono vai lhe dar muito dinheiro se o teste for um sucesso.

– Eu sei disso, mas uma coisa me preocupa...

– O quê?

– Há uma pequena cidade-fantasma na área do teste, e ela será completamente contaminada pela radiação. Aparentemente, ninguém mora lá, mas, às vezes, ela é visitada por turistas e...

– Não se preocupe! Algumas improváveis perdas civis não irão complicar a nossa vida... Além disso, o teste da arma é mais importante!

– Podemos iniciar o teste? – perguntou um soldado, entrando na casamata.

– Sim – respondeu o general. – Vamos começar.

Albertson e Benton destravaram o painel de controle do teste usando chaves especiais. Este último disse:

– Que os moradores daquela cidade nos perdoem... Iniciando seqüência de lançamento.

– Não se preocupe, Eric... – murmurou o general. – Eu tenho certeza de que não há ninguém naquela cidade-fantasma...

No silo onde estava a nova arma nuclear foi iniciada a seqüência de lançamento. Todo o equipamento estava pronto. Após alguns minutos, o míssil foi lançado, ao som de uma alta sirene, que soou durante um certo tempo...

Michael e Blenda estavam na sala da casa do primeiro, sentados em confortáveis poltronas, rindo enquanto um contava ao outro as histórias de que não tinham conhecimento...

De repente, ao longe, ouviu-se uma explosão, que levantou uma enorme nuvem de poeira sobre os montes que cercavam a cidade-fantasma. Indo averiguar o que ocorrera através de uma das janelas da casa, Blenda, ao ver uma grande nuvem em formato de cogumelo se erguer ao longe, exclamou, desesperada:

– Michael! Uma bomba atômica!

– O quê? – surpreendeu-se o filho de Jeremias Farfield, se aproximando para ver o que causara tanto espanto em Blenda.

Michael, após ver a assustadora nuvem, murmurou:

– Deus... Eles testaram uma arma nuclear...

– Mas isso não é proibido?

– Não, desde que o Congresso aprovou o Protocolo Miller!

– É mesmo... Será que corremos perigo?

– Creio que não... A explosão ocorreu bem longe daqui...

– Mesmo assim, estou preocupada...

O céu tornara-se rubro. O vento soprava forte, chegando a arrancar algumas tábuas das antiguíssimas construções da cidade-fantasma. Blenda, com medo, abraçou Michael, que começou a lhe acariciar.

– Estou com medo... – disse, com voz sumida, a assistente de advocacia.

– Não se preocupe, Blenda... Não se preocupe...

A casa começou a balançar. O vento continuava forte. Uma grande tempestade de areia se aproximava. Aquela cidade-fantasma provavelmente não agüentaria por muito tempo.

De repente, uma tábua se desprendeu do teto e atingiu as cabeças de Michael e Blenda, que desmaiaram imediatamente...

Capítulo 3

As conseqüências não tardam – nem para os heróis – ou vilões...

Luck Peterson acordou zonzo numa cama, dentro de um dos quartos da UTI do Hospital Metrostate.

Erguendo a cabeça, o tenente averiguou lentamente o quarto, com a visão um pouco embaçada devido ao efeito de alguns medicamentos. Através de uma janela de vidro que dava para um corredor, os movimentos de Peterson eram observados por Jeremias Farfield e William McGregor.

– Onde está Sarah? – perguntou em voz baixa, Peterson, com uma das mãos na cabeça.

– Ele acordou – murmurou McGregor. – Vamos entrar.

A porta do quarto abriu-se lentamente, sob o olhar confuso do tenente da polícia de Metro City. McGregor com os braços cruzados observava Peterson atentamente. Jeremias, fechando a porta do quarto, perguntou:

– Está se sentindo bem, Luck?

– Chefe... Onde estou? – perguntou Peterson, grogue.

– Você está na UTI do Hospital Metrostate – respondeu McGregor, fitando o tenente. – E, para ser franco, você dormiu um bocado...

– Quem é o cara de jaleco? – perguntou Peterson a Jeremias, apontando para McGregor.

– Ele é William McGregor, cientista e biólogo da Biocom – respondeu o chefe de polícia.

Peterson observou McGregor por um instante e, virando a cabeça lentamente, perguntou a Jeremias:

– O que ele faz aqui?

– Você participou de um experimento – respondeu Jeremias, um tanto temeroso. – Ele está supervisionando tudo e...

– Você me entregou para os crápulas da Biocom? – exclamou Peterson, revoltado. – Eles usam seres humanos como cobaias para todo tipo de experiências!

– Cobaias não, senhor Peterson – corrigiu McGregor. – São voluntários!

– Não me faça rir... Vocês ainda estão com aquele projeto que tem como objetivo criar um soldado invencível?

– O senhor se refere ao “Projeto Ares”. Sim, esse projeto está em pleno desenvolvimento.

– E ele ainda tem coragem de admitir...

– Luck, por favor, acalme-se! – interferiu Jeremias, se aproximando.

Luck Peterson fitava McGregor, que ainda se encontrava de braços cruzados. Jeremias pegou a prancheta que informava o estado do tenente: estava realmente novo em folha. Poderia voltar à ativa a qualquer momento.

Uma bela enfermeira passou rebolando pelo corredor e McGregor virou-se para observá-la, ainda de braços cruzados. Peterson, após fitar Jeremias por alguns instantes, perguntou:

– O que vocês fizeram comigo?

– Você foi congelado – respondeu Jeremias. – O objetivo desse experimento era que você se recuperasse o mais rápido possível, e tudo correu perfeitamente!

– Quanto tempo fiquei congelado?

– Três semanas – respondeu Jeremias, circulando pelo quarto. – Sua recuperação foi bem rápida.

McGregor, após dar uma piscada para a bela enfermeira que passara novamente rebolando pelo corredor, disse:

– Vamos verificar se a memória dele está boa... Quem é o presidente dos Estados Unidos?

– Roger Jackson – respondeu Peterson. – Manda outra!

– Quanto é sete vezes sete?

– Quarenta e nove.

– Bom. Soletre “Paralelepípedo”.

– P-a-r-a-l-e-l-e-p-í-p-e-d-o.

– Ótimo. A memória dele está OK.

McGregor, chamando a mesma bela enfermeira que passara rebolando pelo corredor, pediu que ela tirasse Peterson da cama, pois ele já recebera alta. Pouco depois, os três estavam conversando numa mesa do refeitório, com o tenente já vestido adequadamente.

– Nós entramos em contato com o Programa de Proteção a Testemunhas – disse Jeremias. – Você ainda não sabe, mas Thomas Kaine sobreviveu àquela noite...

– Kaine sobreviveu? – surpreendeu-se Luck.

– Sim, e por esse motivo nós tememos por sua vida, pois ele pode querer vingança. O governo dará uma nova identidade a você, Luck.

– Deus... E onde está Kaine?

– Ele está internado no Hospital Silver, junto com Ângela Thompson, que também sobreviveu. O estado dele é bem pior do que aquele em que você se encontrava... Logo que ele receber alta, será mandado para a Prisão de Segurança Máxima Metrostate, nos limites da cidade.

– Afinal de contas, o que você quer de mim, Jeremias?

– Você é um dos melhores tiras que o Departamento já teve, Luck. O que eu quero é que você volte à ativa o mais rápido possível!

– E se eu não quiser mais ser um policial?

– Do que está falando?

– Sarah está morta, não?

Jeremias inicialmente pareceu ignorar a pergunta, mas, após um instante de silêncio, respondeu, de cabeça baixa:

– Sim, Luck... Eu sinto muito... Ela era uma bela jovem, filha do promotor John Spencer... A família dela está desesperada... Foi uma grande perda...

– Foi tudo por minha culpa! Se eu não tivesse dado uma de herói, ela estaria viva!

– Não foi sua culpa, e sim de Thomas Kaine!

– Mas eu provoquei tudo! A culpa é toda minha!

– Não fale assim...

– Eu não vou mais voltar à ativa, entendeu? Eu não sou mais um policial! Não trabalho mais para o Departamento!

– Mas esta cidade depende de você!

– Eu não quero nem saber! – exclamou Luck, se levantando e saindo rapidamente.

Jeremias olhou para a cara de McGregor por um instante. Depois o chefe de polícia levantou-se e correu para alcançar Luck.

McGregor, sozinho, pediu um sanduíche, pois estava com fome.

Michael Farfield acordou extremamente atordoado. Sua casa havia se tornado um amontoado de tábuas de madeira e pó.

Ao ver Blenda caída, Michael tentou reanimá-la. Percebendo que a assistente de advocacia não respirava, o filho de Jeremias Farfield desesperou-se. O coração de Blenda batia muito devagar. Estava morrendo.

– Blenda! – exclamou Michael. – Por favor, não morra! Eu te amo...

– Eu também te amo... – respondeu Blenda, num último sopro de vida.

Blenda Baker morrera nos braços de Michael Farfield. Este último começou a bater a cabeça no chão sem parar, gritando “Por quê?”.

De repente, Michel foi tomado por uma sensação estranha. Com um estranho brilho verde nos olhos, o filho de Jeremias Farfield tomou o corpo de Blenda em seus braços e o colocou na parte de trás da pick-up da assistente de advocacia, que estava parada perto da cidade-fantasma, completamente destruída.

Depois, Michael foi até o local onde estava seu cavalo, morto. Um estranho líquido verde escorria de sua boca. No chão, Michael encontrou um revólver e o pegou, carregando-o com seis balas. Depois, o filho de Jeremias Farfield, tomado por enorme fúria, partiu na pick-up de Blenda na direção de Metro City...

Um furgão da Biocom parou nas proximidades do Hospital Silver, e de dentro dele saiu um vulto que usava chapéu, óculos escuros e casaco.

O vulto entrou no hospital e na recepção perguntou por Thomas Kaine e Ângela Thompson. A recepcionista, ingênua, informou que eles estavam no quarto onze da UTI.

O vulto desceu por um elevador até o subsolo do hospital, onde ficava a UTI. Sem nenhuma dificuldade, o estranho personagem entrou no quarto onze, onde, em camas cercadas de aparelhos, estavam Kaine e Thompson.

O vulto, então, tirou de um dos bolsos do casaco duas seringas, uma contendo um líquido verde e a outra um líquido roxo.

Aproximando-se da cama de Kaine, o vulto injetou o líquido verde da primeira seringa numa das veias do braço esquerdo do criminoso, murmurando:

– Este DNA de camaleão do Novo México contaminado por radiação dará conta do recado...

Depois, se aproximando da cama de Thompson, o vulto injetou o líquido roxo da segunda seringa numa das veias do braço direito da criminosa, murmurando:

– Ah, cara Ângela... Este DNA de viúva-negra mutante foi preparado especialmente para você...

Após terminar a tarefa, o vulto saiu rapidamente da UTI e do hospital, partindo no furgão da Biocom...

Naquela mesma noite, no bairro chinês de Metro City, um carro preto parou na frente de um dos vários restaurantes chineses da região. De dentro dele saiu Luck Peterson, com as mãos dentro dos bolsos da calça jeans que usava, entrando no restaurante sem pressa.

Quando Luck abriu a porta de vidro do restaurante para entrar, a maçaneta quebrou, sem que o tenente da polícia empregasse muita força. Um dos funcionários do estabelecimento veio averiguar o que ocorrera.

– Desculpe-me senhor – disse Luck, envergonhado. – Eu estou desconhecendo minha própria força!

– Não esquente a cabeça, senhor! – respondeu o funcionário, indo averiguar o dano na porta.

– OK...

Luck, olhando para os lados, logo encontrou a mesa em que estavam Jeremias e um homem de terno e óculos escuros.

O tenente aproximou-se e sentou, murmurando:

– Este lugar é uma espelunca... Viu como as maçanetas deles são vagabundas?

– Este é Antony Simon, do Programa de Proteção a Testemunhas – apresentou Jeremias. – Ele lhe providenciará uma nova identidade.

– Muito prazer! – saudou Luck, apertando uma das mãos do federal.

– Deus! – exclamou Simon, segurando a mão que Luck apertara. – Você quase a quebrou...

– Estou dizendo: desconheço a minha força desde que acordei na UTI do hospital!

– Vamos ao que interessa – disse Jeremias. – Já que você não quer mais ser policial, o que gostaria de fazer?

Após gastar cerca de dois minutos pensando, Peterson respondeu:

– Eu sempre quis escrever histórias em quadrinhos...

– Ótimo – exclamou Antony. – Nós providenciaremos tudo!

– Como me chamarei? – perguntou Luck, curioso.

– O que acha de Josh Remington?

– Josh Remington... Gostei!

– OK. Como já disse, providenciaremos tudo!

Jeremias havia pedido macarrão, e logo um garçom veio com três caixas contendo o alimento, que o grupo começou a degustar através de pauzinhos.

Continua...