Sub-Man, o Vingador
6 Capítulos 10 e 11
Capítulo 10
Até os super-heróis e supervilões sentem saudades... E angústia...
Naquela noite, Josh Remington continuava sua história em quadrinhos quando foi tomado por uma angústia sem igual. Suas lembranças, perturbadas por tantos acontecimentos, haviam sido cobertas pelas névoas do esquecimento e pelo pior sentimento que um homem pode ter: a culpa pela morte da mulher amada.
Sim, ele se lembrara de Sarah Spencer. Mulher meiga, simpática e bela. Morta por sua culpa... Mas também eram muitas as boas lembranças de quando namoravam e combatiam juntos o crime na violenta Metro City.
Talvez Josh nunca a esqueceria. Mesmo se casasse com mil modelos, elas não somariam a beleza interior que aquela policial possuía. Mesmo se casasse com Ana Newton, não seria a mesma coisa...
Se pudesse voltar no tempo... Isso era impossível, mas Josh sonhava com tal possibilidade... “A vida é injusta”, pensava ele. Mas, com nossos erros, sempre aprendemos mais e erramos menos, e isso é muito melhor do que voltar no tempo para corrigir os erros que já cometemos. Se a vida fosse assim, nós nunca olharíamos para o futuro, apenas para o passado...
Na manhã seguinte, no laboratório secreto do Doutor Toxinian, o Camaleão e Viúva-Negra, na mesma salinha em que o cientista mutante os havia recebido no dia anterior, saboreavam um café da manhã reforçado: moscas, besouros, gafanhotos, baratas e borboletas.
– Gostaram de seus aposentos? – perguntou Toxinian.
– Sim – respondeu Viúva-Negra. – Pude até me envolver num confortável casulo de teia.
– É muito bom ouvir isso. E o que estão achando do café da manhã?
– Delicioso! – respondeu o Camaleão. – Só faltam formigas!
– Há alguns anos, estudei os insetos e não há nessa família membro mais interessante do que a barata. Esse animal apresenta resistência surpreendente. Estudos comprovam que, num inverno nuclear, além dos microorganismos, a barata seria um dos poucos animais a sobreviver.
– E, além disso, elas são bem crocantes! – exclamou Viúva-Negra.
– Mudando de assunto, há mais algum mutante por aí além de nós? – perguntou o Camaleão.
– Sim, e isso, sinceramente, me preocupa – respondeu Toxinian. – Há um ex-policial que, devido a uma trapalhada de Merezani, adquiriu força fora do comum.
– Um ex-policial?
– Exatamente, e já está lutando contra o crime usando a identidade de “Sub-Man”.
– Aquele que aparece nos jornais todos os dias? – perguntou Viúva-Negra.
– Sim, e ele pode arruinar nossos planos.
– Você sabe qual é a identidade verdadeira dele?
– Não faço a mínima idéia, mas já estou investigando. Tudo o que sei é que era policial.
– Droga!
Nesse momento, Gary Colt entrou na sala e surpreendeu-se ao ver os dois mutantes:
– O que essas duas... Essas duas coisas... O que esses dois monstros fazem aqui?
– São meus hóspedes especiais.
– Vejo que já empregou minhas técnicas de mutação de DNA...
E, desconfiado, o doutor Colt retirou-se.
Enquanto isso, Josh Remington acordava após uma perturbada noite de sono. Para ele, só havia uma maneira de se livrar daquele medonho sentimento de culpa: fazer com que o assassino de Sarah, Thomas Kaine, pagasse pelo que fizera.
Como sempre, Ana Newton, antes de ir para o trabalho, fez uma rápida visita a Josh e prometeu fazer o possível para que sua história em quadrinhos fosse publicada. O ex-tenente da polícia agradeceu e voltou a continuar sua obra que, por sinal, estava ficando muito boa.
Logo anoiteceu. No Departamento de Polícia de Metro City, onde Jack Red Kid e seus comparsas estavam detidos, havia grande curiosidade. O chefe de polícia Farfield, acompanhado de alguns policias, finalmente descobriria a identidade verdadeira daquele “cow-boy mutante”.
Jeremias e os policias logo ganharam o corredor onde ficava a cela em que Jack estava sendo mantido. O chefe de polícia quase teve um infarto ao reconhecer o filho:
– Michael! É você?
– Que ironia... – murmurou o cow-boy. – O pai prende o próprio filho...
– Mas pensei que estivesse no Novo México... Soube que Blenda morrera e fiquei preocupado...
– Não me lembre disso! – gritou Jack. – Eu a amava mais do que qualquer coisa!
– Por que fez isso tudo? O que deu em você?
– Dor! Muita dor! Dor pela perda de uma paixão!
– Mas você não pode descontar no mundo a sua dor!
– Posso sim, e ninguém vai me impedir!
Jack, num acesso de fúria, abriu uma enorme brecha entre as grades da cela com as mãos e escapou por uma janela, rápido como um raio.
– Devemos perseguí-lo? – perguntou um dos policias a Jeremias.
– Por enquanto, não – respondeu o chefe de polícia. – Ele precisa pensar no que fez...
Ainda naquela noite, Josh Remington recebeu uma inesperada visita em seu apartamento. Um homem de óculos escuros e terno perguntou se podia entrar. Era Ernest Adams. Josh o recebeu e lhe ofereceu café.
– O que deseja, senhor...
– Ernest Adams, FBI – respondeu a dificílima figurinha, lhe mostrando seu distintivo. – Estou investigando o assassinato de William Werner.
– O que tenho a ver com isso?
– O Programa de Proteção a Testemunhas me informou que o senhor é um ex-policial e poderia me informar algo sobre os estranhos acontecimentos que vêm ocorrendo na cidade.
– Informar o quê? Sou um pobre diabo que teme dia e noite a represália dos criminosos que mataram sua namorada...
– Um pobre diabo morando num apartamento como este... Não se vê coisas assim todos os dias!
– Lamento, mas não posso ajudar em nada.
– Compreendo... Desculpe tomar seu tempo...
Adams saiu silenciosamente, enquanto Josh, temeroso, tomava uma xícara de café...
Naquele momento, no Metrostate Park, Jack Red Kid, rápido como um raio, seguia sem rumo, desesperado.
O cow-boy mutante parou em frente à estátua de John Metrostate, fundador da cidade. Atordoado, começou a gritar o nome da amada sem parar.
– Por quê? – exclamou Jack. – Eu amava você, Blenda! Por que teve que ser assim?
– Porque sim! – respondeu Sub-Man, se aproximando. – Você tem que aceitar as coisas como são!
– Fique longe de mim! Você não compreende o que sinto!
– Compreendo sim. Já amei uma mulher...
– Saia daqui!
– Você tem que aceitar as coisas...
– Saia!
De repente, o chão se abriu e Jack caiu num grande e escuro buraco.
– Mas o quê? – surpreendeu-se Sub-Man.
– Você também vem! – exclamou uma sinistra voz vinda de dentro do buraco.
E, atraído por uma força muito grande, “Sub” também caiu no buraco.
Sub-Man acordou zonzo e atordoado. Sua cabeça doía. Estava numa espécie de cela.
– Onde estou? – perguntou-se o super-herói.
– Bem-vindo, Sub-Man! – saudou uma estranha voz. – Pronto para a festa?
– Que festa?
– Não é bem uma festa, e sim um espetáculo. Desde a Antigüidade o homem tem gosto pelo sangue alheio. Os romanos e seus espetáculos são um bom exemplo disso. Agora eu me divertirei com você. Faça-me sentir o espírito da coisa!
Súbito, a cela se abriu e “Sub” seguiu, temeroso, por um corredor, ganhando depois uma grande sala.
O local estava cheio de grandes teias de aranha. Admirado, o super-herói começou a contemplar o ambiente, quando sentiu que pisara em algo.
Averiguando a situação, viu que esmagara uma asquerosa viúva-negra, que, estatelada no chão, jazia numa poça de estranho sangue roxo. Sub-Man, então, olhou para o teto da sala e viu um grande casulo, para onde seguiam centenas de aranhas rapidamente. Estas o cobriram, abrindo-o aos poucos.
De dentro do casulo surgiu a asquerosa mulher-aranha, ou seja, Viúva-Negra, que, com uma agilidade incrível, saltou em cima de “Sub” e o encurralou com suas peludas pernas.
– Quem é você? – perguntou, desesperado, o super-herói.
– Seu pior pesadelo!
Capítulo 11
Começa a batalha final.
Jack Red Kid, confuso, seguia sem rumo pelos corredores do laboratório.
De repente, uma porta se abriu e o mutante não acreditou no que viu: Blenda Baker, presa a uma cadeira de ferro, chorava de felicidade.
– Blenda! – exclamou Jack. – Você está viva!
– Sim, querido! – respondeu a mutante, chorando. – É você mesmo?
– Sim, sou eu – respondeu o cow-boy, acariciando o rosto da ex-namorada. – Eu não acredito... Que felicidade!
– A vida foi justa conosco...
– Fiz muita coisa errada... Não mereço isto...
– Vamos sair daqui, Michael! Um louco comanda este lugar!
– Então vamos!
Jack libertou Blenda empregando sua força fora do comum e os dois logo desapareceram dali.
Enquanto isso, Sub-Man via-se encurralado pela aracnídea namorada de Thomas Kaine.
– Largue-me, coisa nojenta! – exclamou o super-herói.
– Não quer um beijo?
– Dispenso beijos de aranhas, principalmente de viúvas-negras!
– Ninguém me trata assim!
“Sub” logo estava preso numa grande teia de aranha. Viúva-Negra preparava-se para aniquilar o herói de uma vez por todas.
– A Dona Aranha subiu pela parede... – começou a cantarolar uma voz que “Sub” conhecia.
– Quem está cantarolando? – perguntou a mutante, virando-se na direção da voz.
– Mas veio a chuva... – continuou a voz.
– Quem está cantarolando? – perguntou Sub-Man.
– E a derrubou! – terminou a voz em tom de ironia.
Ouviu-se três disparos e Viúva-Negra logo agonizava no chão da sala, fulminada por três balas radioativas disparadas pelo revólver de Jack Red Kid.
– Jack? – estranhou “Sub”. – Por que me salvou?
– Não tenho mais nenhum motivo para ser mau – respondeu o cow-boy. – Descobri que meu amor está vivo.
– E quem é o seu amor?
– Muito prazer – saudou Blenda Baker. – Chamo-me Blenda.
– O prazer é todo meu! Chamo-me Sub-Man!
Nisso, Viúva-Negra, que agonizava numa poça de sangue roxo, foi coberta por centenas de viúvas-negras, que devoraram seu corpo em pouco mais de um minuto. Após o banquete, as aranhas desapareceram por um buraco num dos cantos da sala.
– Sinistro... – murmurou Jack.
– Hei! – exclamou Blenda. – Estou vendo Toxinian!
– Onde e quem é esse cara? – perguntou “Sub”.
– Posso vê-lo através de uma das paredes – respondeu a mutante. – Bem que ele disse que minha visão sofreria mutações...
– Quem é Toxinian? – perguntou Jack.
– Não importa! Nós temos que detê-lo e encontrar meu pai!
– Seu pai está aqui? – perguntou Jack, cada vez mais confuso.
– É uma longa história...
– Eu detenho esse tal de Toxinian e vocês encontram o pai de Blenda – disse “Sub”. – Vamos logo com isso!
Sub-Man, libertando-se da teia, saiu da sala por um lado, enquanto Jack e Blenda saíram pelo outro.
Ganhando uma espécie de passarela que se estendia por um abismo onde havia um grande gerador de energia, “Sub” foi atingido no tórax por uma espécie de ácido.
– Quem está aí? – perguntou o super-herói.
– Peterson!
– Kaine? É você?
– Sim!
– Apareça!
“Sub”, atingido por algo pelas costas, tombou sobre a passarela, notando que um vulto transparente passava ao seu lado.
– Apareça! – exclamou, furioso, o super-herói. – Nós temos alguns assuntos inacabados!
– Impertinente! Sua namorada não era lá grande coisa...
O vulto tentou atingir “Sub”, mas este último foi mais rápido e desviou-se.
– Virou um fantasma? – perguntou o super-herói.
– Não – respondeu o vulto transparente, livrando-se da camuflagem e revelando ser o Camaleão. – Transformei-me no mais ágil dos répteis.
– Um camaleão!
– Exatamente!
O criminoso mutante deu uma rabada em “Sub”, que tombou novamente sobre a plataforma.
– Pronto para morrer? – perguntou o réptil.
– Nunca!
Levantando-se rapidamente, o super-herói acertou o Camaleão com uma seqüência de quatro socos, que acabou por derrubar o réptil da plataforma.
– Adeus, assassino... – murmurou Sub-Man, enquanto o mutante despencava no abismo.
Seguindo em frente, “Sub” ganhou uma ampla sala circular, onde, no centro, Toxinian, preso a vários tubos por onde fluíam gases tóxicos liberados por vários tanques, parecia flutuar.
– Você é Toxinian? – perguntou Sub-Man.
– Você chegou cedo... – respondeu o cientista mutante, com sua voz abafada pela máscara de gás. – Apesar das lutas terem sido breves, você me proporcionou entretenimento de qualidade indiscutível...
– Você estava me assistindo?
– Sim.
– Acabei com todos os seus capangas mutantes! Agora é a sua vez! Mas, afinal de contas, quem é você?
– O homem que destruirá a humanidade.
– Você tem motivos para isso?
– Sim, e muitos. Sou um revolucionário, um homem que quer mudanças.
– Você é um louco. Perdeu a mulher que amava, não?
– Exatamente. Desde os primórdios da humanidade, as mulheres vêm destruindo a vida dos homens. Adão e Eva, Sansão e Dalila, César e Cleópatra... Exemplos de como as mulheres são traiçoeiras...
– Você não pode destruir a humanidade!
– Posso fazer o que quiser!
Nisso, toda a atmosfera da sala foi tomada por um gás extremamente tóxico. “Sub”, tossindo, tentou em vão se aproximar de Toxinian.
– Este é o T-9, um gás altamente tóxico por mim mesmo criado – explicou Toxinian. – Ele ataca qualquer tipo de mutante, menos eu e meu assistente.
– É bom saber disso! – exclamou uma voz em tom irônico.
Toxinian tombou atingido por três disparos de uma pistola calibre 45 que pertencia a Ernest Adams.
– Adams! – exclamou “Sub”.
– Olá, mutante!
Acionando um interruptor, Adams fez com que o T-9 fosse substituído por oxigênio.
Sub-Man, após ter recuperado suas forças, se aproximou do agonizante Toxinian e, num movimento rápido, arrancou sua máscara de gás...
O rosto do mutante, deformado, tornava impossível reconhecer o doutor Mário Petroni.
– Vamos sair daqui! – exclamou Adams. – Eu vi uma bomba e creio que tudo isto explodirá!
– Então vamos logo!
– Espere um minuto... – murmurou o federal, se aproximando de um cofre. – O que haverá dentro deste cofre?
– Eu posso abri-lo!
Sem empregar muita força, “Sub” abriu o cofre, onde havia planos de uma espécie de máquina.
– São os planos da “Máquina” – disse Adams, pegando-os. – Isto deve ser entregue ao doutor Gary Colt!
– Vamos sair daqui!
Os dois saíram, enquanto o corpo de Toxinian parecia derreter...
Logo os dois heróis encontram Jack e Blenda, que traziam consigo o doutor Colt. Os cinco, então, fugiram rapidamente por um túnel que terminava no farol abandonado às margens do rio Silver.
Quando já estavam na superfície, ouviu-se uma grande explosão, que destruiu apenas o laboratório subterrâneo de Toxinian...
Continua...
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