Sua voz
16 Capítulo 16 - O dom de se importar
Notas iniciais
Paparazzis estavam por todos os lados e ao redor do prédio. Seguranças, naquele dia, tiveram que isolar o estacionamento e algumas entradas perante o tumulto. Quando Sasuke Uchiha chegou, foi escoltado pela multidão misturada com protestantes e fãs. Ele olhou ao redor, coisas ruins estavam sendo proferidas.
— Apenas siga. — O segurança disse em suas costas, algumas pessoas conseguiram passar a barreira e puxaram um pedaço de sua jaqueta.
— Você é um lixo!
Alguém disse no meio dos gritos.
— Continue. — O homem rosnou quando os pés do cantor fraquejaram. Ele passou pelas portas automáticas do estúdio de gravação, finalmente. O pátio interno estava vazio. Alguns policiais próximos ao elevador, onde entrou sem rodeios.
A sala de reunião estava fechada. Do final do corredor e indo a sua direção, Sasuke sentia a testa suar frio. Ele esfregou as mãos na calça, determinação precisava ultrapassar o receio.
A poucos metros, a porta foi aberta antes.
O produtor e gerente da banda, Orochimaru, e seu assistente sempre prestativo e presente Kabuto, acabavam de deixar a sala. Itachi e Naruto saíram atrás deles com pressa, seus olhares escureceram ao ver Sasuke.
— Ele chegou. — Naruto disse. — Por favor, vamos voltar lá para dentro e resolver isso com mais esclarecimento.
— O que está acontecendo? — Sasuke perguntou. O gerente continuava parado. A mala em sua mão e a feição fechada.
— O contrato está quebrado. — Disse.
Seu estômago afundou. Ele se aproximou.
— Eu espero que você esteja satisfeito, Uchiha. — Gaara saiu da sala e passou por ele, esbarrando em seus ombros com força.
— Espera! Vamos negociar. Nós podemos fazer isso?
— Não tem mais nada a ser negociado. — Orochimaru respondeu. — Você tornou a situação um tremendo caos e acredite, eu fiz muito para não te levarem preso durante a turnê. Nós descemos, despencamos, essas pessoas que estão lá fora, são as mesmas que torceram por você no início. Elas estão fartas, Uchiha. Assim como eu.
— Não faz isso, por favor.
— Você disse que melhoria a sua imagem com Mei Terumi ao seu lado.
— E eu vou. — Ele disse, lábios trêmulos. — Estou fazendo isso e...
— Está? — A voz do gerente cortou a dele com uma lâmina afiada. — Eu acho que não. Essa mulher só arruinou ainda mais a sua carreira se fazendo de vítima na frente das câmeras.
— C-como assim?
Foi Itachi quem respondeu, porém.
— Você foi ver Sakura em Nemuro. — Ele disse. Os olhos do irmão mais novo estavam em desespero, rodavam e rodavam, pego pela notícia.
— Paparazzis flagraram isso. — Gaara rosnou de longe. — Seu estúpido! Você acha que essa modelo fresca ficaria quieta com a fama de traída?
— Hey, cara, pega leve. — Naruto apontou para o parceiro de banda.
— Vocês foram proibidos por seis países. O governo não querem suas presenças nem por todo o dinheiro oferecido. Francamente, é só uma questão de tempo até a banda afundar. — Orochimaru disse. Consertou seu terno de linho cinza e lançou um último olhar reprovador para o cantor. — Sua única saída era restaurar sua imagem com a queridinha da mídia e você fodeu isso também.
— Tem que existir uma outra forma. — Sasuke implorou. — Eu vou agora mesmo falar com Mei e nós vamos resolver isso.
— É isso que você espera? — Uma risada de rancor de Orochimaru. — O mundo inteiro está repercutindo sobre suas fotos com aquela… Mulherzinha.
— Sakura. O nome dela é Sakura.
— Sasuke, hey. — Naruto tocou seu ombro. — Não é uma boa hora para defendê-la. — Ele sussurrou.
— Essa é a minha decisão final. Não importa o que digam ou tentem, não vai mudar. — O gerente esclareceu. Depois se virou para Sasuke, que parecia assolado. — Você cavou seu próprio fracasso. E o mais triste, e saber que você foi egoísta o suficiente para levar seus amigos junto.
— Não. Por favor. — Sasuke sussurrou. Ele se colocou de joelhos diante do homem. Gaara e Itachi olharam assustados.
— Qual é, Sasuke, levante. — Naruto tentou trazê-lo para cima.
— Por favor. Eu imploro. Não deixe essa banda. — Seu corpo se curvou sobre os joelhos, ignorando as mãos que o puxavam, lágrimas encontraram o chão.
— Levante-se. Não seja patético. — Orochimaru reprovou. Kabuto mexeu em seu óculos e pigarreou. A situação era desconfortável até para ele. O homem diante deles era o mesmo de semanas atrás, montado em sua glória e menosprezando todos a volta. A lição era simples: o mundo girou. Rápido demais, nesse caso.
— Não existe nada que eu possa fazer? Qualquer maldita coisa.
Itachi retraiu o rosto, Gaara cruzou os braços, observando a distância.
Uma pausa longa.
— Existe uma única coisa a se fazer. Porém acho que não estará no seu alcance. Não acho que você iria se sacrificar tanto. — Orochimaru olhou para os outros caras, que começaram o fitar apreensivos. Uma faísca de esperança em cada um acendeu.
Sasuke ergueu o rosto até encarar o homem. Ele estava pouco se fodendo para humilhação naquele momento.
— O que é? — Perguntou. — O que eu posso fazer? Vamos, me diga.
— Saia da banda. — A resposta foi como uma estaca lançada direto em seu coração.
— Chega disso. — Itachi veio a frente. Naruto o segurou.
— Essa é uma decisão do Sasuke. — Ele disse.
Os barulhos de gritos histéricos e protestantes ao lado de fora vagou por, pelo menos, meio minuto até que o astro do rock superasse o choque.
— Se eu sair… Você vai continuar com eles?
— Eu me comprometo a trazer a banda de volta a ala saudável. Sem você, fica mais fácil reverter esse quadro.
— Certo.
— Então você aceita? — Kabuto reagiu surpreso. Logo seu ombro foi empurrado para o lado e um Naruto sério substituiu-o.
— Não. Ele não aceita porra nenhuma.
— Você pirou, Uchiha? — Gaara se colocou ao lado do baterista. Por último, o irmão mais velho tampou a visão do gerente.
— Nós não somos a Suicide sem você.
— Foda-se se você fez merdas, xingou e polemizou. Já passamos por isso antes, podemos passar de novo. — Naruto sorriu e estendeu a mão.
Os olhos de Sasuke estavam cheios. Um cãozinho assustado e acuado seria perfeito para descrevê-lo. Ele aceitou a ajuda para se levantar, ainda sob o olhar do gerente e seu assistente.
— Você não pode sair. Nós não somos apenas uma banda. Somos sua família. — Gaara tocou seu ombro. — Você mesmo disse isso.
Os lábios de Sasuke se curvaram em um sorriso reconfortante. Era bom não ser odiado por eles quando deveria ser. Aqueles caras, eles eram realmente fantásticos.
— Obrigado. Eu nunca vou me esquecer disso. — Ele disse. A voz firme. — Mas eu não vou fazê-los passar por isso. Se eu ficar, agirei como o Sasuke egoísta, eu não sou mais ele. Agora eu me importo com vocês e com a banda.
O sorriso de todos eles morreram.
— Sasuke… — Itachi tentou.
— Está tudo bem, irmão. Estou feliz em ajudar. — Então ele se virou para o gerente, que esperava. Até o próprio ficara mexido com toda a cena. A amizade era algo lindo. — Orochimaru, me procure nas próximas 24 horas para acertamos a minha demissão.
— Certo. — O homem concordou prontamente após um pigarro.
— Por favor, escolham um vocalista tão bom quanto eu, ok?
— Sasuke, porra, pare com isso! — Naruto explodiu.
— Você não entende?! — Sasuke gritou de volta. Todos se alarmaram. — Não tem jeito! Acabou! Se eu continuar, o nosso sonho vai morrer. Eu não vou permitir. Não depois de tudo o que passamos. Não por minha culpa. — Doía mais do que o esperado pronunciar a sua causa. Mas o que ele poderia fazer?
— Não importa! Nós vam...
— Você fez uma promessa pra sua mãe.
Naruto parou.
— A banda não pode acabar. Você precisa lançar a canção que fez pra ela nesse próximo álbum. Cumpra a porra da sua promessa. — Ele olhou para Itachi e Gaara que estavam igualmente atordoados. — E vocês, eu não estou indo embora de suas vidas. Eu estou fazendo um grande favor, então parem de agir como se isso fosse o fim do mundo. Eu odeio esses seus rostos tristes por mim. Vão todos se foder.
Sasuke virou as costas e retomou seu caminho de volta para o elevador.
— Eu espero que saiba o que está fazendo. — Itachi disse em seu tom cauteloso. Viu o irmão acenar e sumir pelas escadas de incêndio. Os seguranças rapidamente o seguiram.
♫
Por Sakura.
O café estava cheio naquela tarde. Muitos murmúrios, vozes e trabalho. Eu parei no canto do balcão para verificar os pedidos e suspirei quando não tinha nenhum. Finalmente um pouco de descanso.
— Hey, Sakura. — Deidara cutucou meu braço por trás do caixa. — Você vai com a gente hoje? Sasori me ligou cobrando sua resposta.
— Se eu conseguir sobreviver até mais tarde…
Ele deu um sorriso.
— É, hoje está bem agitado. — Os olhos azuis cobriram as mesas cheias. — Faz um tempo que eu não via o café assim.
— Hm.
— Então? — Ele voltou a me olhar. — Vai com a gente?
— Pode ser. É uma festa universitária, certo?
— Com muitas bebidas e músicas.
— Me parece interessante. — Eu fingi pensar. Meu ânimo não estava em alta, no entanto. Eu sinceramente preferiria deitar em minha cama e assistir algum filme de romance clichê.
— Te parece interessante? Essa é a maior celebração da cidade. Você não sabia? Festas dadas por faculdades tendem a ser uma das mais marcantes!
— É mesmo?
Uma careta.
— Eu odeio quando você usa esse tom de indiferença comigo.
— Foi mal.
— Mesa 12, Sakura! — Konan gritou lá de dentro e depositou uma bandeja com três cafés na divisória. Eu rapidamente as peguei e servi um grupo de adolescentes que conversavam incessantemente.
— Com licença. — Nenhuma delas pareciam notar minha presença.
— Eu quero morrer! Juro! — Uma delas disse. Depois mostrou o celular para as duas que se debruçaram sobre a mesa, quase derrubando a xícara. Um som meio abafado começou a tocar e logo depois um arranjo de guitarra. Oh, eu conhecia bem aquele solo. Mas me recusei dar a devida atenção. Logo depois, a voz de Sasuke soou cantando. Um tiro certeiro em meu peito. — Olha, ele não é perfeito?
Sim, ele é. Meu consciente traidor vibrou.
Eu estreitei meus olhos. Já era tarde demais, estava ligada a conversa. Demorei mais do que o normal para servir a última xícara só para ouvir mais.
— Eu vou parar de ouvir a banda. — Outra garota choramingou.
— Ahhh, cara! Porque que isso está acontecendo? É a pior bomba do século!
Eu tentava assimilar as frases, mas não conseguia chegar a uma dedução.
— Você sabe que foi merecido, não é? Mesmo gostando muito do Sasuke, tenho que admitir que ter traído a Mei foi repugnante.
Traição?
A decepção correu por mim tão rápido que eu quase xinguei. Eu abri minha boca, mas nada saiu. Se tinha uma coisa que eu deveria prezar era aquele emprego. Sr. Tomoyo fora bem claro ao dizer que “não poderíamos puxar assuntos com os clientes, a menos que ele o faça” o que não era o caso. E porque também eu deveria ser forte e passar por cima disso.
Enquanto eu ainda me preocupava com seu estado na noite anterior, ele se divertia e causava ainda mais problema.
— Moça? — Alguém cutucou minha mão, que parou no ar com a última xícara enquanto meu cérebro relutava sobre tudo.
— Oh, desculpe. — Eu coloquei o pratinho sobre a mesa e me retirei rapidamente.
Mesmo não querendo estar por dentro do assunto Sasuke Uchiha, eles viam até a mim. A vida não é muito justa quando você precisa dela. Ou ela só quer que você se torne forte e supere a dor no nível mais difícil. Depois disso tudo, eu provavelmente viraria um robô sem sentimentos.
— Sakura, psiu! — Eu olhei para o balcão e Konan estava sobre ele, elétrica.
— O que houve? — Me aproximei.
— Você precisa vir comigo. Agora. — Ela disse agarrando minha mão e me puxando para a sala interna. A TV estava ligada e eu conhecia muito bem a pessoa que estava falando nela.
Mei Terumi tinha uma coleção de microfones e gravadores de todos os tipos a sua volta. Flash, perguntas, ela estava calma e parecia no controle da situação.
— Ser traída é sempre difícil. — A bela mulher colocou uma mexa de seu cabelo ruivo atrás da orelha e suspirou. — Mas nada que nós, mulheres, não estamos acostumadas, não é? — Um sorriso forçado.
— Você sabe quem é a mulher? — A jornalista perguntou sem perder seu tempo.
— Sim. Era sua antiga assistente. Não cabe a mim revelar o nome, pelo bem dessa… Garota. — Sua voz se arrastou ao completar a última palavra, mostrando nojo. Neste momento, a tela foi cortada para mostrar uma foto minha e de Sasuke saindo da pizzaria, depois ele entrando em minha casa. — Mas cada um age como quer. As consequências, porém, faz parte.
— Espera. Aquela era você? — Deidara perguntou da porta, mas eu estava chocada demais para responder algo.
— Entendo. E sobre o cantor sair da banda por vontade própria? O que você tem a dizer, Mei? — A jornalista continuou.
— Hm… Sobre isso. — Os olhos dela desviaram-se da câmera por poucos segundos. — Acho que foi uma atitude inteligente a se fazer. Ele se mostrou digno pelo menos uma vez na sua vida. A saída dele é essencial para que a Suicide reconquiste os fãs.
— Cristo. — Eu tampei minha boca. Era inacreditável. Konan pousou uma mão em meu ombro silenciosamente.
— E sobre o governo de outros países terem proibido a banda de tocar, o que você diz?
— Isso já não está a meu alcance. Desculpem. — Mei sorriu para todos e acenou, começando andar em direção a seu carro, com a ajuda de seguranças.
— Só mais uma palavra, Mei. Por favor!
A apresentadora entrou em cena, falando sobre outra notícia bombástica de um ator e sua briga em público com a ex-esposa e eu continuei sentada, estática. Parecia um mar em cima de mim me cobrindo aos poucos. Meu pensamento voou para Sasuke e meu peito apertou.
— Sakura? — Konan murmurou ao meu lado.
— Eu preciso de vocês. — Me levantei, um pouco atordoada. Os dois me olharam confusos. — Podem cobrir meu turno hoje e amanhã?
Desfiz o laço do meu avental e o joguei para Deidara.
— Claro. Mas, o que você pretende fazer? — Konan perguntou, me seguindo para os armários pessoais. Catei minha bolsa e me desfiz da blusa do uniforme.
— Eu não sei. — Eu ajeitei o cachecol em meu pescoço. — Mas preciso fazer algo.
— Você sabe que pode se machucar de novo, não sabe? — Deidara perguntou. Eles me seguiram até a saída.
— Sei. — Eu parei com a porta nas mãos. — Mas Sasuke está muito mais machucado do que eu agora.
E então pela calçada com toda pressa que minhas pernas permitiram.
— Peçam desculpa para o sr. Tomoyo por mim. Eu amo vocês!
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