Sua voz

4 Capítulo 4 - Sem alternativas para escolher a verdade


Notas iniciais
Estou muito feliz com esses comentários lindos. Obrigada pelo empurrão suas lindas.







— Você quer parar? — Sasuke parou no meio das flexões, suor pingando de seu rosto bonito. — Isso me incomoda, porra.

— Humm? — Eu respondi calmamente, sentada no balcão preto-e-branco de mármore italiano da cozinha.

— Está com os olhos fixos em mim a mais de seis minutos.

— Não, eu estou organizando o seu e-mail. Uma coisa completamente diferente. — Eu ergui meu olhar de seu corpo quente (em todos os sentidos da palavra) e retornei para o laptop. — Ah, ouça. “Garota de lingerie” lhe enviou um e-mail. Ela ainda anexou um vídeo dela balançando os peitos.

— Exclua.

— Não quer ouvir o que ela diz no vídeo, pelo menos?

— Ela é uma completa estranha que está usando seu corpo para chamar minha atenção. O que seria importante nisso? — Ele retomou a fazer flexões. — Essa mulher não vai dizer nada que eu preciso ouvir, exclua.

Lá fora, um relâmpago iluminou o céu, fazendo-me saltar. O estrondo do trovão veio em seguida.

— Esse foi perto. — Murmurei assustada, o vendo continuar, independentemente da natureza se exibindo. — Algumas de suas fãs são bem criativas, não?

Um grunhido.

Apertei o botão de excluir em seguida. Tchau, garota de lingerie. Não foi desta vez. Meus olhos, automaticamente, devo citar, voltaram para o homem ocupado no chão da cozinha. O problema com as flexões estavam dentro do jeito que praticamente imitavam o ato sexual. Todo o suor, esforço, para cima e para baixo da região pélvica. Era desagradável, não deveria ser permitido. Além disso, eu realmente precisava ficar com alguém, só para eliminar esse tipo de pensamento pervertido. Talvez eu tivesse atingido os limites da depravação física e eu estava faminta por um toque. Deus, eu esperava que fosse isso.

Será que ele não perceberia o quão sexy era e o mal que causava as pessoas alheias fazendo aquele tipo de coisa?

Cruzei as pernas, apertando minhas coxas. O suor escureceu o fino algodão de sua camisa sem manga e o tecido se prendeu a ele delineando cada músculo. Cara, ele tinha um monte deles, seus braços, por exemplo...

— Sakura!

— O quê?

— Pare com isso.

Minha boca se fechou. Fui pega mais uma vergonhosamente vez.

— Você está me olhando o tempo todo e isso é assustador. Não tente negar.

Oh Deus, ele estava certo.

Observava-o constantemente, eu não conseguia me conter. E quando eu não podia vê-lo, eu pensava sobre ele. Principalmente sobre como eu não queria sentir nada por ele, mas isso ainda contava. Estava enlouquecendo. Na verdade, eu já tinha enlouquecido desde o funeral, quando vi uma parte dele a qual eu não deveria ver. Meu coração estúpido chacoalhou como se tivesse vida própria. Todos os sentimentos bobos por ele estavam crescendo a cada dia, espremendo cada último vestígio do meu senso.

Isso não podia continuar.

Eu não podia passar por isso novamente.

— Eu tenho que ir. — Eu murmurei. A ideia de deixá-lo era como ter meu coração cavado com um garfo de plástico, mas o que eu podia fazer?

Ele fez uma pausa.

— O quê?

— Eu estou cansada e fiquei com você durante toda semana. Acha que lidar com seus e-mails de fãs é fácil?

— Ninguém te pediu para lidar com os meus e-mails de fãs. Você começou a fazer isso sozinha.

— Bem, eu não posso simplesmente segui-lo o dia todo sem fazer nada. Eu preciso de estimulação mental também. Quero dar um passeio sozinha. Tomar um sorvete, ver os pombos na praça, qualquer coisa.

Com um som exasperado, Sasuke se levantou do chão e esticou o corpo. Aposto que ele era incrível na cama.

Não, esqueça isso. Ele soava mais como um parceiro egoísta, muito ocupado olhando para o espelho no teto, admirando-se com o pênis na mão.

Pequenas linhas apareceram entre suas sobrancelhas.

— Explique-me como você pode estar tão cansada se não tem feito nada?

— Esse é o problema. Cansaço mental também conta.

— Se é cansaço mental, vá tirar uma soneca e saia da minha frente com sua esquisitice. — Ele olhou para mim como se eu fosse um alienígena.

— Tudo bem. — Finalizei a aba e fechei o laptop. — Eu vou.

Me coloquei de pé sobre seu olhar e parei os pés ao passar por ele, algo estava errado.

Cheirei o ar. Havia um cheiro persistente de fumaça estranha na sala sob o almíscar de suor de Sasuke e os restos de sua colônia. Eu pensei que minha imaginação devia estar pregando peças em mim, mas não.

— O que é? — Ele perguntou quando virei o rosto em sua direção.

— Tem cheiro de cigarro. — Eu disse, andando para perto. — Ele está vindo de você.

Ele afastou dois passos.

— Não sei do que você está falando.

— Ele também está vindo de sua jaqueta. — Apontei. A peça estava descansando sobre a cadeira e eu imediatamente a capturei em minhas mãos. Ele crispou os lábios, os olhos subitamente cautelosos.

— Sakura...

— Você começou a fumar de novo, não é?

— Não preciso da sua permissão. Eu posso fazer o que eu gosto.

— Então por que fez isso escondido?

Ele apertou os olhos.

— Porque não é da sua conta.

— Tente de novo, amigo. Você e sua saúde são exatamente da minha conta. Estou sendo paga pra isso, lembra?

Com a mão estendida, Sasuke tentou pegar a jaqueta, mas eu desvencilhei-a. Apertei o casaco contra o meu peito, vasculhando os bolsos com uma mão. Ele não começou a fazer isso a muito tempo, ou eu teria percebido. Talvez hoje pela manhã quando saiu para correr.

— Me dê. — Ele disse, puxando a manga.

Eu saquei a caixa de papelão dourada do bolso lateral e a segurei fora do alcance dele.

— Não mais, Sasuke. Você trabalhou tão duro para ficar saudável, não vai perder o controle agora.

— O que você pensa que está fazendo? — Ele jogou a jaqueta de lado, irritado. Seu cabelo úmido pendurado em seu rosto, os olhos faiscando de fúria. — É a porra de um cigarro. Apenas isso. Me dê, Sakura.

— Você sabe que não deveria fumar. É por isso que parece tão culpado.

— Eu não pareço culpado. — Ele disse, com a voz lacônica e o rosto culpado se alastrando. — Eu sou um homem crescido e repito, isso não é da sua conta.

— Eu me preocupo com você. — Eu rapidamente corri de volta para longe dele, colocando um espaço entre mim e o astro do rock irritado. A grande e agradável mesa de cozinha de oito lugares fez uma barricada perfeita. Embora uma cerca elétrica teria sido melhor, dado o olhar em seu rosto.

— Você começou de novo por alguma razão. — Eu disse. — Você sente a carência de usar essas coisas quando está aborrecido. O que houve?

— Me devolva. — Ele estendeu sua mão de longe, seus lábios pressionados.

— Você fez a escolha de parar de usá-los meses atrás, não é? Por que você fez isso, Sasuke? Fala!

Ele se recusou a responder. Em vez disso, se moveu lentamente para a esquerda. Por isso, é claro, me movi para a direita, mantendo a mesma distância.

— Sakura. — Ele disse em voz baixa e controlada. — Eu não estou a fim de sair nesse frio para comprar a porcaria de outro maço. Por isso, você vai me devolver este e ficar fora de onde não lhe diz respeito.

— Não.

— Isso é uma ordem, Sakura. Me dê!

Será que ele realmente ainda achava que ordens funcionavam comigo? Pelo conjunto firme de sua mandíbula, eu imaginei que sim. Ilusão louca da parte dele.

— Vamos chegar a um acordo, ok? — Eu disse, puxando uma cadeira para fora. — Acho que devemos sentar e conversar sobre isso como adultos. Discutir os prós e contras, e certificar que você está fazendo uma decisão consciente. Eu juro que, decidindo sobre, não vou te importunar.

Suas mãos segurou extremamente encosto da cadeira na frente dele e então a puxou. Faltava muito pouco para quebrá-la.

— Claro. Nós podemos fazer isso. — Seu tom falsamente compreensivo me fez querer rir, mas eu não o fiz.

— Obrigada. Muito maduro da sua parte.

Lentamente, ele sentou-se na cadeira e fez um gesto para que eu fizesse o mesmo. As veias de seu pescoço e braços se destacaram contra a pele. Por favor, como se ele não estivesse pronto para atacar! Ele provavelmente pensava que eu era uma idiota.

Minha respiração acelerou a adrenalina estava em meu sangue.

Não importava qual conversa tivéssemos, eu sei que não conseguiria impedi-lo de fazer o que quer. Eu sabia disso. Mas minha fé não podia ser doutrinada, logo eu esperava conseguir fazê-lo parar de qualquer jeito.

— Ok. — Eu fingi começar a baixar a bunda sobre a cadeira. — Obrigada por ter concordado em conversar comigo, Sasuke.

Seus lábios se esticaram em um sorriso forçado.

— Claro, Sakura. Faço tudo para manter a paz entre nós.

— Isso é tão meigo. — Eu sorri.

E então, saí correndo.

Adrenalina passou por mim e minhas pernas estavam bombeando em tremura. Eu iria para o final do corredor me esconderia no banheiro até dar um fim naquele maldito maço. Porém a desvantagem entre nossa distância estava a seu favor, Sasuke estava me alcançando assustadoramente rápido. Dado que ele gostava de corrida e eu gostava de tortas, isso era de se esperar.

A campainha da porta da frente da casa ecoou. Ninguém se importou, no entanto. Estava ocupada me afundando com as batidas do meu coração acelerado as batidas dos passos pesados de Sasuke atrás de mim. Agarrei a maçaneta da porta do banheiro, que inutilmente estava fechada e tão perto faltou para entrar, até que os braços grossos dele enrolou ao redor da minha cintura, me puxando para trás. Mas eu resisti, tentando me livrar e com a agitação nossos corpos caíram no chão frio de madeira, o maço de cigarros deslizou pelo chão, parando a metros.

Mais uma vez a campainha tocou.

Meu cabelo tinha escapado do coque, caindo no meu rosto em um emaranhado. Nós nos entreolhamos, mal percebi a posição desconfortável que estava sobre ele, e então escapei, engatinhando em direção ao maço novamente. Sasuke pôs fim a isso simplesmente colocando o seu peso monstruoso em cima de mim, prendendo-me de barriga para baixo. Seus músculos o faziam ter aproximadamente o mesmo peso de um filhote de elefante.

Uma risada vitoriosa saiu de sua boca.

— Saia de cima de mim! — Eu gritei, contorcendo embaixo dele.

— Você vai desistir disso? — Sua respiração era quente contra a minha orelha, o comprimento do seu corpo pressionado contra minhas costas. Minha bunda acidentalmente esfregou contra sua virilha e ah, santo inferno. A onda de calor varreu direto através de mim. Minha mente pervertida e traidora escolheu o pior horário para agir.

Droga. Então, eu estava excitada.

— Nunca!

— Competir comigo? Sério? — Dedos suados envolveram meu pulso, segurando-o contra o chão e sua mão livre tentou ir a diante, mas ainda não conseguia alcançar a caixa. Algo endureceu contra meu traseiro, mas pensei ser coisa da minha imaginação aguçada. Tinha de ser isso. — Você está sendo ridícula.

— Ah, e você não está? — Eu ofegava, meus mamilos pressionados contra o chão.

— Sakura...

Alguém bateu forte a porta da frente. Huh, isso é certo, tínhamos um visitante do lado de fora esperando no meio da tempestade. Tudo isso enquanto lutávamos de uma maneira pseudo sexual no corredor principal.

Chaves tilintaram e em seguida passos, nos fazendo entrar em alerta e olhar para o hall de entrada. Itachi Uchiha apareceu em nosso campo de visão e rapidamente nos encontrou. Ele franziu a testa para nós.

— O que... — Ele começou a dizer, com os olhos abertos — ...Vocês estão fazendo?

— Nada demais. — Eu bati meus dedos de unhas curtas contra o chão, coloquei minha cabeça em minha mão. — Sempre tive inveja de golpes pessoais e pedi para Sasuke em ensinar alguns.

— Certo. Ótimo.

Apesar de não parecer exatamente convencido, Itachi assentiu lentamente. Seu corpo inteiro estava molhado e os cabelos pingavam, fazendo algumas pocinhas em seus pés.

Nas minhas costas, Sasuke bufou.

— Ela estava agindo como uma louca sobre algo, tive que pará-la.

— Ah é mesmo? Então... — Eu interrompi minha explicação, me remexendo. — Pode sair de cima de mim logo?

Em seguida, Itachi percebeu o maço de cigarros a seus pés. Merda. As rugas na sua testa eram muito numerosas para contar. Com a ponta da bota, ele chutou-os para nós. Como um relâmpago, Sasuke o pegou. Droga, ele venceu.

— Você começou a fumar novamente, Sasuke? — A voz do irmão expressou grande desgosto e decepção. Cada centímetro do Uchiha ficou tenso.

— Eles são meus. — Eu disse.

— Eu não sabia que você fumava. — O Uchiha mais velho suavizou a expressão. O peso colossal de Sasuke desapareceu de cima de mim. Antes que eu pudesse me voltar para uma posição ereta, ele me agarrou por baixo dos braços e me colocou de pé, como se eu não tivesse a capacidade de me levantar sozinha.

— O que você veio fazer aqui? — Sasuke perguntou friamente.

— Eu tenho tentado falar com você durante toda a semana. — Seu irmão respondeu, desconcertado.

— Estive ocupado.

— Certo.

Eles não se olhavam diretamente. Isso era péssimo. Me lembrei das palavras que Itachi lançou no dia do funeral, quando a mãe interveio, e sei que de alguma forma, elas haviam machucado Sasuke. Por isso ele tinha evitado o irmão mais velho por tanto tempo.

— Que bom que você veio. — Eu intervi no silêncio. — Como está Ino?

— Bem. Obrigado. — Itachi assentiu.

— Estamos ocupados agora. — Sasuke deu passos até a porta, a mantendo aberta. — Eu converso com você outra hora. — Ele disse com desdém, nem mesmo olhando para o irmão.

Meu coração apertou.

— Outra hora. — Sua voz firme ecoou pela sala. O silêncio que se seguiu foi horrível.

— Não faça isso. — Eu me aproximei dele, mantendo a voz baixa. — Vocês dois deveriam conversar.

— Está tudo bem, Sakura. — Itachi coçou a cabeça, me deu um olhar levemente envergonhado. A água pingava de sua jaqueta, ele provavelmente estava com frio. — Vamos conversar quando ele estiver pronto.

Com a mandíbula apertada, Sasuke olhou para mim, sem dizer nada.

Sem outra palavra o mais velho dos Uchihas saiu pela porta, voltando para a tempestade. A porta foi fechada com força.

— Vá atrás dele. Agora. — Minha voz saiu cortante.

Ele deu as costas para mim, dando alguns passos até o meio da sala.

— Fique quieta.

— Não. Você só tem um irmão e ele é um cara muito legal... — Eu disse, as palavras se recusando a serem prendidas em minha garganta. — Ele estava errado em dizer o que ele disse pra você naquele dia, e eu sei que te machucou. Mas, Sasuke, ele sabe disso também e se arrepende muito. Isso está comendo-o por dentro, dá para ver nos olhos dele.

— Nós não vamos falar sobre isso.

— Irmãos fazem esse tipo de coisa. Uma família que se ama, briga, discute, se desentende. Mas no final, ela se perdoa.. É isso que importa. — Eu agarrei o braço dele. — Sasuke?

Ele puxou-o de minhas mãos.

— Será que você pode parar?

— Todo mundo comete erros em algum momento. Mas nem todos têm a bondade de se arrepender e se desculpar, como Itachi está fazendo. Pra ele é importante pelo fato de te amar. Ele está sendo maduro, você não!

— Entendi, então você está do lado dele agora também? — Ele olhou para mim duramente. — Itachi sempre foi o menino bonito com o coração mole. As garotas o amam. Mas você tem que saber que ele já tem dona, Sakura. Ele não vai aceitar te foder.

— Oh, por favor! — Eu empurrei-o com força no peito, fazendo-o balançar de volta um passo. — Você existe? Não seja patético! Estou apenas preocupada com você e como acabou ferido na semana passada, se preocupando com isso e sentindo falta dele. Itachi estava errado, mas ele sabe disso. E tudo que você faz é dispensá-lo por manter esse maldito orgulho! Isso ainda vai te deixar sozinho, Sasuke, e você vai se arrepender muito de não ter feito o mínimo pelas pessoas que te amam.

E dito isso, virei as costas, indignada demais para continuar tentando algo. Bati a porta do meu quarto com força e me joguei contra o colchão. Minha compaixão por Itachi me engolia, mas eu precisava saber separar e não armazenar aquela preocupação que não deveria ser minha.

As horas foram se passando, arrastando, e meu sono parecia estar do outro lado do mundo. Minha mente me enchendo de decisões, determinações, de atitudes que eu deveria tomar.

Rolei sobre minhas costas e olhei para o teto. Permaneci tão inquieta e sem sono como nas últimas quatro horas. Com um gemido frustrado, joguei as cobertas e encarei o relógio marcando duas e cinco. Fique de pé farta de lutar contra meu próprio sistema. Me arrastei descendo as escadas. A luz inconstante veio de dentro da sala, jogando sombras em toda a parede. Tigres estavam rugindo silenciosamente e vagando pela savana dourada na tela grande da TV. Sasuke jazia desmaiado no sofá, dormindo. As linhas de seu belo rosto não eram tão determinadas e duras em repouso. No entanto, elas pareciam mais suaves de alguma forma sem a rabugice. Seus longos cílios escuros estavam contra seu rosto e seus lábios estavam um pouco separados. Eles pareciam tão macios. Um sentimento, uma sensação trabalhou o seu caminho acima do fundo do meu ventre, espalhando através de mim até que ela vibrou em meus dedos. Era o que ele me causava. A raiva que pensei ter já não existia mais. Eu queria conhecê-lo, até a última coisinha sobre ele e queria que ele me conhecesse. Eu queria ser uma parte real de sua vida, e não apenas sua assistente. Ser a pessoa que ele confidenciasse mesmo seus pensamentos mais sombrios, a pessoa que ele confiava.

Loucura.

Já notou como o mundo parece diferente nas altas horas da manhã, quando você não consegue dormir? Meus sentimentos por Sasuke não estavam desaparecendo. Eu fui uma tola por imaginar que estariam, vivendo em sua casa e respirando o mesmo ar que ele. Eles não iriam embora tão cedo.

E isso estava se tornando cada vez mais perigoso. Eu costumava ser vazia, sem preocupações, com a mente livre e desprovida, mas agora me sentia sempre carregada de todos os sentimentos e emoções possíveis. Como uma bomba-relógio e tudo o que tem nela.

Eu não poderia ter outro coração partido. Especialmente quando eu sabia que isso aconteceria, como no caso de Sasuke Uchiha. Ele precisava de mim para ser apenas alguém disposto a fazer o combinado, não uma imbecil apaixonada derretendo com olhos sonhadores para ele. Ele já tinha fãs o suficiente para isso. Sentia que estava aos poucos perdendo minha força de fazer o que me fora mandado, e trabalhando com minha parte emotiva em relação a sua vida pessoal.

Respirei fundo, voltando meus passos. Se ao menos eu não sentisse como se estivesse sendo lentamente cortada com a ideia de deixá-lo seria mais fácil tomar uma atitude. Excessivamente macabro e dramático, mas é a verdade.

Depois, uma vez que eu tivesse arrumado alguém realmente eficiente para me substituir, talvez eu me sentasse em uma praia em algum lugar e aproveitaria do meu sossego. Deitar minha cabeça no travesseiro sem ter que me preocupar com o dia seguinte. Quem sabe com essa experiência as coisas em minha vida não passem a dar mais certo?

Os pés de Sasuke estavam agrupados, os braços pressionados contra o peito. Ele devia estar com frio. Ainda mais com aqueles trajes tão finos. Peguei um par de mantas no armário, coloquei uma sobre seus pés e espalhei a outra sobre ele. O material de lã fina caiu cobrindo de seus pés a seu ombro.

— Melhor. — Eu sussurrei.

— Bem melhor. — Ele sussurrou de volta, abrindo os olhos.

Me recuperando do pequeno susto, dei um sorriso pequeno e me sentei no sofá ao lado. — A vida linda dos leões te deixou assim tão entendiado?

— Eu acabei dormindo. Você me acordou batendo os pés ao descer as escadas. — Ele sentou-se em câmera lenta, esfregando a cabeça. Seu cabelo escuro esticado em todas as direções. A televisão fazia sombras em seu rosto. — Que horas são?

— Apenas duas e meia.

— O que você ainda está fazendo acordada?

Dei de ombros.

— Não consegui dormir. Às vezes eu simplesmente não consigo fazer minha cabeça estúpida desligar.

Um aceno de cabeça e um bocejo.

— Tenho certeza que podemos encontrar algo melhor do que um documentário sobre a natureza para assistir.

— Você não tem que me fazer companhia. — Eu disse. — Vá para a cama, eu vou ficar bem.

Ele pegou um cobertor sobressalente e jogou no meu colo.

— Quando eu acordo assim não consigo voltar a dormir tão facilmente.

— Desculpe por ter te acordado. Passa o controle?

Ele riu sombriamente.

— Sakura, Sakura. Você deveria se envergonhar. Eu estou meio acordado, não louco. Você não vai encostar nesse controle. — Ele puxou o objeto para si e eu sorri.

— Não custa nada tentar.

Ele só me deu um meio sorriso com um pequeno traço de uma covinha. Na verdade, foi mais um meio sorriso com uma pitada de diversão. Seria um dos arrependimentos da minha vida eu nunca ter visto ele rir de verdade. Aposto que era letal de todas as formas.

Nós não conversamos muito. A última coisa que eu me lembro era de estar espalhada no meio do sofá grande, assistindo algum filme em preto-e-branco antigo legal sobre gângsteres nos anos 40. E então acordei na minha própria cama, na manhã seguinte, cuidadosamente colocada. Sasuke, obviamente, me levara para o quarto.

Saber que estive em seus braços, mesmo que adormecida, me aqueceu. Eu precisava mesmo tomar uma decisão, ou acabaria ferrando tudo.

— Sakura!

Minha cabeça disparou, a caneca de café saltou das minhas mãos. Líquido quente derramou sobre meus dedos, quase pingando no teclado do laptop.

— Merda.

Sasuke veio batendo passos pesados pelas escadas externas de fora e esmurrou a porta ao abri-la.

— Onde você está? — Gritou da sala.

— Na cozinha! — Peguei um pano de prato, esfregando minha pele rosada.

— Que porra é essa? — Ele rugiu, caminhando até o cômodo, pingando de suor.

Eu suspirei como apenas o sofredor pode fazer e mantive minha calma.

— Que porra é essa, o que, Sasuke?

Outro conjunto de passos pesados seguiu por trás do Uchiha em questão. Gaara, o baixista, veio à tona. Ele estava igualmente suado. Ambos provavelmente estavam correndo com seus moletons que custavam metade do mundo.

— Olá, Gaara. — Eu acenei com a mão e o mesmo me deu seu cumprimento habitual com o queixo. Mas espere, isso era um sorriso persistente em seus lábios? Ele se encostou na parede e cruzou os braços, como se esperasse algo acontecer.

E já estava acontecendo ao julgar pelo olhar massacrante do Uchiha.

O que quer que estava acontecendo aqui, eu já não estava gostando.

Sasuke jogou seu celular de última geração em cima do balcão da cozinha na minha frente.

— Por que diabos eu tenho um tal de... — Ele pegou o celular novamente para ler algo na tela. — Matsui Lee realmente ansioso para se encontrar comigo sobre o novo cargo de assistente?

Meu estômago esfriou.

— Ah. Isso.

— Sim. Isso.

— Eu estava esperando o momento certo para ter essa conversa. — Limpei a garganta, fechando a tela do laptop.

Com as sobrancelhas apertadas, Sasuke apoiou as mãos no balcão.

— Vamos tê-la agora.

— Bem, eu decidi deixar o emprego. — Eu disse, segurando minha cabeça erguida e falando agradável e claramente, num tom simpático e profissional. Só gostaria de ter praticado uma e outra vez no chuveiro, na cama, no banheiro, em qualquer lugar para quando chegasse esse momento. — Não que eu não tenha valorizado o tempo que passamos juntos, mas eu sinto que estou pronta para seguir em frente com novos desafios. Matsui é quem eu sugiro que você contrate como meu substituto. Ele tem formação em aconselhamento, mas é...

— Você está se demitindo? — Ele me interrompeu.

Nunca tinha sido tão difícil encontrar seus olhos.

— Sim, Sasuke. Eu estou.

— Você organizou tudo isso pelas minhas costas. — Não era uma pergunta, era uma declaração, e ele estava muito irritado com isso. Seu olhar frio habitual olhou a mesa abaixo de suas mãos e depois para mim novamente. Balancei a cabeça, arrepios ergueram todos os pelos da minha pele. — Quando?

— Quando eu organizei, ou quando eu saio?

Ele não responderia aquilo, então resolvi responder as duas, só por precaução.

— Nos últimos dois dias decidi. Mais duas semanas pretendo ficar, se você quiser, claro. — Eu respondi suave. — Pensei em passar alguns dias adaptando Matsui antes de sair, certificando-me que tudo estará bem. É claro que há outros candidatos, é sua escolha contratá-lo ou não.

— Muito atencioso de sua parte. — Ele ironizou.

— Mas você terá que encontrar alguém para me substituir, certo?

— Quando você ia me contar, Sakura?

— Em breve. — Mantive minha postura inabalável. — Este fim de semana... Em algum momento, eu daria o aviso prévio, eu juro.

Cor impregnou no rosto de Sasuke. Limpei a garganta.

— Voltando à experiência anterior de Matsui, que eu acho que é importante notar que, ao contrário de mim, ele realmente tem experiência profissional e qua...

— Não.

Eu pisquei, parando de falar.

— O quê?

— Não. Você não vai desistir.

— Ah, sim. Eu vou. — Ele balançou a cabeça apenas uma vez, mas foi uma agitação feroz, brutal mesmo. — Eu sou uma assistente, Sasuke. Nem isso, na verdade. O fato é que eu nunca deveria ter aceitado esse trabalho em primeiro lugar. Não tenho nada a oferecer se não verificadas em seus e-mails ou avisá-lo coisas que você facilmente pode saber.

— Eu acho que estou em melhor posição para tomar essa decisão. Isso é ridículo, o que é que você quer que eu diga?

Dei de ombros, surpresa com sua resposta.

— Adeus, eu acho. E se você não se importar, uma carta de recomendação seria bom.

Por um momento ele não disse nada, apenas deixou sua cabeça cair para trás para que ele pudesse olhar para o teto. Os músculos de seu pescoço eram grossos, as veias rígidas sob a pele.

— Qual é a verdadeira questão aqui? Você quer mais dinheiro?

— Não. — Respondi afetada. — Você está me pagando o suficiente. Não que eu esteja me voluntariando para uma diminuição.

— Então o quê? — Seu olhar impaciente parou em mim novamente, os olhos escuros e penetrantes. Eles eram lindos, mas raramente serenos.

— Por que você quer tanto que eu fique? — Eu joguei minhas mãos sobre a mesa, as juntando. Essa pergunta eu não ocultaria. — A maioria dos dias você mal me tolera. Na semana passada, você parou de falar completamente e apenas resmungou para mim por três dias. De repente, você parece que não pode suportar que nós fiquemos separados? O que é isso?

Gaara riu.

— Ela tem um ponto. — O ruivo parecia estar se divertindo.

— Porque você ainda está aqui, Gaara? — Sasuke rosnou, sem tirar os olhos de mim.

— Certo. Divirtam-se, crianças. — O homem caminhou em diante, não particularmente se preocupando em esconder o sorriso e nos deixou.

— Eu só... Eu estava um pouco aborrecido na semana passada. — Ele cruzou os braços e disse com pressa. — Mas não tinha nada a ver com você.

— Não, claro que não. Mas eu tenho que viver com você. Então, quando você entra nesses humores, isso me afeta.

Sua carranca aumentou.

— Não que você me deva carinho. — Eu balancei minha cabeça. Os motivos não eram aqueles, eu estava apenas tentando simular uma verdade. — Esta decisão é apenas sobre mim. É hora de eu seguir em frente.

A mandíbula de Sasuke apertou.

— Eu não gosto de mudanças.

— Vamos tornar a transferência o mais semelhante possível. Eu deveria contratar uma mulher parecida comigo, então?

— Eu estou acostumado a estar perto de você. Nós nos damos bem. Por que diabos eu deveria ter que passar por todas as dificuldades de adestrar alguém novo só porque você enlouqueceu e resolveu fazer algo novo e provavelmente sem nenhuma importância?

Minha boca se abriu, mas não saiu nada. Eu estava oficialmente estupefata. Foi bastante decepcionante ouvi-lo me desmerecer, nem sei porque suas palavras ainda me atingiam. Ou melhor, eu sabia e por isso estava determinada a me afastar. Este era Sasuke em toda a sua glória, egoísta pra caralho e sem um único escrúpulo social nele.

— E então? — Ele vociferou quando eu levei muito tempo para responder, puxou o moletom vermelho pela cabeça e usou para limpar o rosto.

— Minhas razões são pessoais, não te interessam. Talvez não para você, mas é importante para mim.

Ele olhou para o lado, seus lábios desenhados amplamente em uma expressão verdadeiramente ofendida. Tinha qualquer homem, alguma vez, sido tão mal tratado no mundo? Não, eu acho que não, de acordo com aquela cara.

— Eu tomei minha decisão. — Eu disse.

— Eu vou te pagar vinte por cento a mais.

— Você estava ouvindo? Isto não é sobre o dinheiro.

— Cinquenta por cento.

Eu bufei.

— Sasuke...

— Chega disso. Eu dobro o preço! Esqueça essa ideia, não vamos falar sobre isso de novo, entendeu? Agora eu tenho coisas para fazer. — Ele deu as costas.

— Espera! — Gritei.

Sasuke se virou, sem piscar. Hostilidade parecia escorrer de seus próprios poros.

— Estou indo embora.

— Por quê? — Ele perguntou, com os dentes cerrados. — Vamos lá, você me deve uma explicação, Sakura.

Lá fora começou a chover, as pesadas nuvens cinzentas finalmente desabaram. E Sasuke ainda esperava. Eu apertei meus olhos fechados diante dele. Ah merda, eu não podia. Eu simplesmente não podia. Não estava acontecendo como o planejado.

— Eu sei que não somos melhores amigos, mas eu pensei que nós nos dávamos bem. — Ele continuou.

— Nós nos damos. Eu acho.

— Então?

— Eu não sou certa para esse trabalho. — Meus olhos ainda estavam fechados.

— Olhe para mim.

Abri um olho, ele parecia razoavelmente calmo. Seus braços cruzados, camisa suada colada ao peito, ele não parecia mais irritado. Então abri o outro olho também. Corajoso da minha parte, eu sei.

— Ao contrário dos outros companheiros de sobriedade, você não me irrita completamente. — Ele disse.

— Eu sei que sou única. — Eu ri sozinha. Não que fosse particularmente engraçado. — Certo! Por que você está lutando tanto sobre isso?

— Porque a gravadora e os caras ainda gostariam de ter alguém por perto para manter um olho nas coisas que faço. Eu concordo que não é uma ideia completamente ruim, já que você evita grande parte do problema. — Ele disse. — Eu não preciso de você me aconselhando e mexendo com a minha cabeça, me dando a sua versão de qualquer merda filosófica sobre isto. Eu só preciso que você esteja aqui. É assim tão difícil?

— Não é. Mas isso não explica por que você está tão obcecado que essa pessoa seja eu.

— Olha, você é basicamente a melhor que já esteve nesse cargo, ok? Outra pessoa pode ser muito pior. Eu não vou arriscar. Você tem que ficar.

Suas palavras pareciam convincentes. Mas eu ainda esperava algo a mais, inutilmente.

— Espera aí, você por acaso está com medo de mim ou algo do tipo? — Ele perguntou, em um tom surpreso. — Têm medo que eu dê uma daquelas crises novamente?

— Eu pareço estar com medo? — O encarei, entediada.

— Ótimo. Você nunca esteve em perigo físico comigo, Sakura. Jamais.

— Eu sei.

— Você sabe? Entendo que eu assustei você. — Ele dizia, meio agitado. — Eu sei que destruí aquele quarto, mas eu nunca iria...

— Não é sobre isso. — Interrompi.

— Então qual é o problema?

Eu desviei o olhar, a mente lutando por uma mentira plausível. Deve haver algo que eu poderia usar, deixá-lo pensar que eu estava fisicamente com medo dele não era sustentável. Ele tinha problemas mais do que suficiente para enganá-lo com isso.

— Então é isso mesmo?

— Não! — Afirmei forte. — Realmente não é. Entendo que você estava em um momento ruim naquele dia.

— Então o quê? O que você precisa, um pedido de desculpas? — A irritação encheu seus olhos. — Pelo amor de Deus. Sinto muito, está bem?

— Não é isso...

— Sakura! Merda. — Ele fez um barulho de pura exasperação. — Por quê?

As palavras ficaram presas na minha garganta. Eu poderia ter me engasgado com elas, que era, provavelmente, um destino melhor do que deixá-las sair, considerando todas as coisas. A tensão enrolou dentro de mim, enorme e horrível. Se pelo menos eu pudesse ter desaparecido no ar...

— POR QUÊ? — Ele gritou, o som ecoando pela sala.

— Porque eu me apaixonei por você, droga! Não grite!

Silêncio.

Mais silêncio.

A sobrancelha de Sasuke fora se juntando as poucos até que ele ficasse extremamente incrédulo.