Sua voz

17 Capítulo 17- O caminho reencontrado


Notas iniciais
Peço perdão pela demora, tive uma semana agitada. Boa leitura!

Então eu corri pelas ruas como se minha vida dependesse disso.

Eu não tinha nada comigo se não a vontade de reencontrá-lo e as chamadas indo para a caixa postal. A imagem indefesa e magoada de Sasuke era fácil em minha mente. Eu já tinha o visto uma vez assim, e sabia que, se tornasse a vê-lo, doeria muito mais do que naquela época.

Deus queira que não.

— Uma passagem, por favor. — Eu pedi em um ofego para a balconista escondida nos vidros fumês.

— Para qual destino? — Ela perguntou.

— Tóquio. — Comecei uma busca desesperada pela minha carteira dentro da bolsa bagunçada, o que me fez refletir que ser organizada muitas das vezes é um grande passo.

— Desculpe, senhora. Devido as fortes ventanias e chuvas, os voos foram temporariamente suspensos para essa região. — A mulher explicou. Me virei para o vidro, parando minha procura. Minhas mãos foram até o balcão, protestantes.

— Temporariamente até quando? — Eu exigi. — Eu preciso voar até lá. Não posso esperar!

— Não há previsões ainda, pedimos desculpa pelo transtorno. — Ela respondeu em seu profissional inabalável.

— Você não entende. — Eu me inclinei por cima do balcão. — Eu preciso voar para Tóquio para encontrar alguém. É importante, ele precisa de mim, antes que… Antes que seja tarde demais.

— Eu sinto muito.

— NÃO SENTE NÃO! — Eu gritei. — Você é só a porra de uma máquina robótica que repete as coisas!

— Senhora, por favor, retire-se ou eu vou chamar os seguranças.

Algumas pessoas da fila começaram um coral de vozes protestantes para mim.

Cristo. O que eu estava fazendo?

— Me desculpe. — Eu disse para ela, em um murmuro. — A culpa não é sua.

— Tudo bem. — Ela respondeu incerta.

— A culpa também não é minha, não é? — Eu perguntei. Uma lágrima escorreu por meu rosto e eu sorri, desnorteada. — Eu sinto muito, de verdade. Tenha um bom trabalho.

Eu me recolhi pela multidão reprovante, agarrada a minha bolsa. Um dia, quem sabe, eu me condenasse pela deselegância de gritar com alguém inocente em público. No entanto, eu só precisava de um café quente e minha cama.

No caminho, resolvi me sentar em uma praça. Com o celular no ouvido, observava os dois senhores jogando xadrez na mesa ao lado, enquanto uma criança escorregava até a areia e ria com seu tombo. O bipe da caixa de mensagem me fez lançar a coisa estípida para dentro da bolsa.

Não tinha jeito. Eu teria que esperar a regularização dos voos e praticar a tão difícil paciência.

Será que estavam muito longe de lançar aviões imune a algumas trovoadas e chuva? Eu poderia ordená-los a fazer tal coisa para facilitar a vida das pessoas, se pudesse. Grande governo capitalista e sem escrúpulos.

As nuvens estavam aos poucos escurecendo e se movendo por cima da cidade. Honestamente, eu não me importava se começasse a chover. Talvez assim me sentisse, mesmo que metaforicamente, livre do sentimento demolidor. Embora eu achasse impossível.

Os primeiros pingos caíram pouco depois dos senhores e a criança se retirar. Na sequência, a terra da praça escurecia.

Arqueei minha cabeça para trás para sentir as gotas. Com os olhos fechados, meu pensamento estava nele de novo. No astro do rock. Que bagunçou toda minha vida e me fez, mesmo de longe, dependente dele. Qualquer coisa, qualquer mísero detalhe, estava gravado em mim. E eu amava isso. Eu, estupidamente, amava isso.

A chuva a cima de mim parou, embora o barulho das gotas contra o chão continuasse. Abri meus olhos, um grande guarda-chuva me protegia.

Com o coração apertado, eu me virei para o dono dele.

— Hey. — Sasori sussurrou. — Você está bem?

Eu assenti lentamente. Minha mente traidora me pregando peças de uma ilusão dolorosa.

— Você está toda molhada… — Ele sentou ao meu lado no banco, ainda com o guarda-chuva suspenso. — Está com frio?

— Não. — Meu lábio estremeceu, demostrando o oposto.

— Segure isso. — Ele pediu, me entregando o cabo. Depois tirou seu sobretudo de lã e colocou sobre meus ombros. A camiseta de mangas cumpridas vermelha que ele ficou, era da cor de seus cabelos.

— Porque está aqui? — Eu murmurei.

— Eu trabalho a um quarteirão. Mas acho que essa pergunta deveria ser minha. — Seus olhos me sondavam, inquietos. — Pode pegar um resfriado, sabia?

— Vou ficar bem.

— Sei que não sou a pessoa apropriada para ter qualquer tipo de conversa com você. Por isso, me deixe ao menos te levar em casa?

— Eu posso pegar um táxi...

— Sakura. — Sasori segurou meu ombro. — O meu carro está a alguns metros. Eu vou buscá-lo e você vai ficar bem aqui me esperando, certo?

— Tudo bem.

— Fique com isso. — Ele disse, se referindo ao guarda-chuva. Depois correu pela garoa.

Abracei meu corpo com força. O que diabos eu estava pensando quando decidi me molhar em pleno outono? Ah, claro, em Sasuke. Minha mente não tinha mais espaço para qualquer outra coisa quando isso acontecia.

Em poucos minutos e um Daihatsu Mira preto parou próximo a calçada. Sasori me encontrou no caminho até o carro e abriu a porta carona para que eu entrasse. Sabe a sensação de inutilidade? Eu estava sentindo ela e não era por causa do cavalheirismo do melhor amigo de Deidara.

Reservado da forma que era, Sasori me levou até em casa sem perguntar nada a respeito.

— Fiquei com o casaco. — Foi tudo o que disse quando parou o carro.

— Não, precis...

— Está tudo bem. Sério. — Ele interrompeu, segurando minha mão que se desfazia dos botões.

Eu parei e assenti.

Fui para fora do carro e mantive a porta em minhas mãos.

— Hey, Sasori.

Ele abandonou a chave da ignição para me olhar.

— Não conte nada a Konan e Deidara. Não quero preocupá-los.

— Você tem a minha palavra. — Ele sorriu.

— Obrigada. — Eu retribuí e fechei a porta.

Dei o melhor para não inundar o tapete ou ouviria de minha mãe o quanto aquela peça foi cara. Me livrei dos sapatos encharcados, depois o casaco de Sasori. Eu teria cuidado com ele e o lavaria para devolvê-lo. Percebi que tinha sido ingrata com o homem. Se não fosse por ele, ainda estaria perdida pelas ruas e ensopada.

Eu ignorei o silêncio da casa e fui para o meu quarto. Precisava me livrar daquelas roupas molhadas ou pegaria mesmo um resfriado. Abri a porta e tateei a parede até encontrar o interruptor. A luz, no entanto, me mostrou muito mais do que meus livros e cama.

No que parecia um sonho, a imagem de Sasuke sentado a minha cama com os braços apoiados nos joelhos e olhar fixo em mim continuou intacta mesmo depois de piscar meus olhos.

— O que…

Ele levantou sobre seu calcanhar.

— Sakura, eu sei que você não quer me ver e nem ouvir o que eu tenho a dizer, mas…

Suas palavras foram bruscamente interrompidas quando me choquei contra seu peito.

Deus.

Ele estava ali. E não demorou para retribuir meu abraço. O que acabou com todo o frio que as roupas úmidas ainda me faziam sentir.

— Você não me odeia? — Perguntou ele, com a voz meio arrastada e suave acima de mim. Ignorei suas palavras porque precisava imensamente tê-lo pressionado em mim por muito mais tempo. — Porque você está molhada?

— Cale a boca. — Eu respondi. Sasuke encostou a cabeça no topo da minha, me apertando mais forte. Era doce, forte. Inexplicável.

Quando me afastei, meus olhos rodavam por seu rosto, como se para verificar se era ele mesmo.

— Eu devo dizer alguma coisa? — Ele perguntou um pouco incerto.

— Não. Agora não. — Eu o beijei. Imediatamente, suas grandes mãos vieram para o meu rosto no intuito de chocar nossas línguas. Meus olhos se fecharam e minha boca se abriu. O sabor dele tomou conta de mim. O sabor de menta e o deslize da língua contra a minha. Tudo pareceu se encaixar, mesmo sem explicação. Ele girou nossos corpos e me colocou na cama. Sasuke amparou meu crânio com a mão, me erguendo contra o seu rosto. O peso do corpo dele estava mantido pelo outro braço ao lado. Eu continuaria deitada feliz e contente por horas com ele em cima de mim, o cheiro quente da pele dele me deixando inebriada. Seu quadril manteve minhas pernas abertas. Minha mente estava nevoada, nada surgia ali se não o prazer de tê-lo de novo. Deus, como eu senti falta daquele toque. Sequer uma vez interrompemos o beijo. Minhas pernas o envolveram pela cintura e minhas mãos se curvaram nos ombros dele. Nada nunca antes foi tão bom. Meu desejo por ele aumentou e se incendiou, espalhando-se por todo o meu corpo. As pernas se apertaram ao redor dele, os músculos queimando. Eu não conseguia me aproximar o suficiente. Quanta frustração. A boca dele se moveu pelo meu maxilar e desceu pelo pescoço, acendendo-me por dentro. Ele mordeu e lambeu, encontrando pontos sensíveis atrás da orelha e na curva do pescoço. Lugares que eu nem sabia que existiam.

— Eu senti tanto sua falta. — Ele disse com voz rouca contra minha pele. Sasuke ergueu o rosto devagar, uma mão por trás da minhas costas e a outra em minha cabeça.

— Sasuke... — Tentei trazê-lo para mim novamente.

— Ei. — Ele se afastou apenas o bastante para me fitar nos olhos. Suas pupilas estavam enormes. — Eu estava preparado para se recepcionado com socos e pontapés e não isso.

Eu ofeguei, tentando o controle de meus pulmões.

— Você soube de algo? — Sasuke perguntou, me encarando.

Me ajeitei na cama, ele elevou o corpo e nós dois nos sentamos no colchão, de frente para o outro. Ok, eu deveria ter feito tudo diferente e inciado uma conversa. Mas quem poderia me julgar?

— Eu soube o suficiente.

— Mesmo?

— Sim, mas gostaria de ouvir a verdadeira história de você. Sei que não deve ter sido fácil. — Eu soei compreensiva, passando uma mão por meu lábio que ardia um pouco. — O fato de ter saído da banda tem algo ligado a Mei Terumi?

Sasuke inspirou.

— Ela acha que você a traiu comigo. — Falar da mulher, me deixou um pouco amarga. Mas havia algo maior do que meus ciúmes no momento. — Eu vi a entrevista dela em rede nacional sobre você. Foi horrível.

— Sim. — Ele passou uma mão pela franja bagunçada em seu rosto e crispou os lábios. Deus, era difícil pra ele.

— Acha melhor conversarmos depois? — Eu me arrastei para mais perto, ansiando em tocá-lo. Não poderia permitir que ele afundasse diante dos meus olhos de novo.

— Eu fiz toda a coisa errada de novo.

Eu assenti, segurando sua mão. Sasuke entrelaçou nossos dedos, parecendo angustiado enquanto pensava nas palavras.

— Magoei os caras, mas desta vez tive a decência de fazer algo por eles. Eu saí da banda porque se não ela acabaria. — Confessou ele, encarando nossas mãos. — E sobre Mei, você está pronta?

Quando ele me olhou, eu engoli minha saliva e toda a mágoa e dei um rápido aceno com a cabeça. Era praticamente impossível ficar zangada quando ele me olhava daquele jeito.

— Foi um acordo. — Sasuke disse. Minhas sobrancelhas se arrastaram para o céu.

— Acordo?

— Sim. Quando você foi embora, eu perdi o meu caminho. Tudo ficou sem sentido e direção e eu não aceitei o quanto precisava de você.

Dei o meu melhor para esconder meu deleite. Ver o homem que você ama dizer algo tão impactante quando sua linha de raciocínio era o total oposto, pode ser mais profundo do que você imagina.

— Comecei a fazer todas aquelas coisas que deixei de fazer para esquecer que você me deixou. Fiquei perdido. Quando dei por mim, meu comportamento tinha prejudicado a banda também. — Ele inspirou fundo e fez uma pausa. Eu apenas o olhei, com os olhos cheios ao imaginar tudo. Foi perturbador. — Bom, você consegue imaginar o resto?

— Acho que sim. — Eu respondi incerta. — Você procurou Mei Terumi para se divertir?

— Não, Sakura. — Seu tom foi de repreensão. — O gerente me propôs o acordo.

Alívio me tomou muito rápido. Deus sabe que eu não aguentaria ouvir caso fosse por vontade própria, mesmo que até aqui eu tenha pensado exatamente isso.

— Então ele propôs que você fosse se divertir com Mei Terumi?

— Você é idiota?

Dei de ombros.

— Se eu fingisse ter um relacionamento com a atriz queridinha de Las Vegas, isso salvaria minha imagem e consequentemente a da banda. — Sasuke explicou.

— O que foi muito mais profundo, pois vocês iriam se casar. — Minha voz em um misto irônico e acusador.

— Foi uma jogada de marketing. — Ele disse obviamente. Eu estreitei o olhar. Especulações ou não, os contatos foram reais. — E nós só agíamos assim em público. — Como se magicamente lesse meus pensamentos, Sasuke prosseguiu.

— Mesmo? — Eu o olhei, quase derretida. Quase. Isso é, ainda havia uma avalanche de coisas pendurada em minha cabeça. — Então porque ela ficou tão arrasada quando flagrou nossas fotos? É uma reação bastante suspeita para alguém que sabia estar em um relacionamento combinado.

Sasuke grunhiu em descrença.

— Você acha mesmo que ela ficaria como a traída diante das câmeras?

Eu pisquei, considerando sua resposta. Às vezes o mundo famoso pode ter muitos pontos cruciais a qual nós, meros seres humildes, não consideramos. — Ela é uma atriz, Sakura. É obvio que ela não aceitaria sair por baixo.

— E então jogou tudo em cima de você. — Eu disse, pesarosa.

Sasuke assentiu.

— Eu sinto muito.

— Não sinta. Mei Terumi é uma grande vadia.

Eu concordei com um breve sorriso. Agora, com as coisas resolvidas, diga-se de passagem, não parecia existir nada que nos impedisse de nos beijarmos. Existia?

Dado ao olhar de Sasuke, acho que não foi a única a pensar isso.

— Mais alguma coisa? — Ele se aproximou de mim lentamente, me entorpecendo com seu cheiro.

Assenti, não confiando em mim mesma para falar.

— O que é? — Sasuke beijou meu queixo, mas manteve o corpo longe. O que foi péssimo.

— Você ainda não pediu desculpa por ter me mandando embora. — Eu respondi, fraca. Como se eu ainda sentisse algo negativo em relação a ele depois de todo esse esclarecimento.

Ele riu de uma maneira que provocava coisas estranhas em mim.

— Certo. Acho que sei um outro modo de me desculpar que você vai gostar bastante.

— Como? — Sussurrei, presa em seus lábios cada vez mais próximos.

— Porque não me beija para descobrir?

Sem hesitação, obedeci, encaixando minha boca na dele. Escorregando a língua entre seus lábios e me perdendo por completo mais uma vez. Ele gemeu, as mãos me enlaçando com força ao seu encontro. Nossos corpos se embolaram novamente, caindo sobre o colchão, comigo por cima dele, desta vez. O ato fez com que minha cabeça colidisse com a sua e nós dois choramos.

— Sua cabeça é terrivelmente dura. — Sasuke disse, esfregando a testa.

— Se eu tivesse moleira seria melhor pra você, sr. cabeça-macia?

A risada que ele soltou arrepiou todos os pelos do meu corpo. Fiquei paralisada, em uma mistura de admiração e encanto.

— Consegue sentir isso? — Ele levou minha mão sobre seu coração, que pulsava forte.

— Sim.

— É o que você faz comigo.

Eu conseguia sentir a nossa ligação, a necessidade premente de estar com ele. Nada mais importava. Havia o lado físico, a maneira como ele me subia à cabeça mais rápido do que qualquer outra coisa no mundo. O cheiro maravilhoso dele, sua beleza estonteante, cada palavra que saía de sua boca. Mas eu queria mais do que isso. Queria ouvir sua voz, ouvi-lo falando sobre tudo e sobre nada. Discutir coisas banais e no final, nos entenderíamos com beijos e piadas.

A outra mão subiu para minha nuca, aproximando a minha boca da dele. Beijar Sasuke era jogar querosene naquela mistura dentro de mim. Ele enfiou a língua dentro da minha boca e afagou a minha, antes de mexer com meus dentes e lábios. Dedos começaram a acariciar meu seio, provocando coisas maravilhosas e me fazendo arfar. Deus, o calor da pele dele era divina. Movimentei-me sobre ele, buscando mais, precisando de mais. A mão abandonou meu seio para seguir para as costas, pressionando-me contra ele. Ele estava rijo. Eu sentia através das camadas dos jeans.

O beijou parou quando Sasuke puxou minha camisa a passou por minha cabeça. Logo depois fazendo o mesmo com a sua.

— Preciso de você. Agora. — Ele disse, parecendo desesperado. Empurrou meu corpo para o lado para tirar as calças e depois veio para o meu zíper.

— Eu devo ficar preocupada? — Perguntei, recebendo um olhar divertido e malicioso em troca. Minha calça foi puxada até o pé, onde Sasuke aplicou um beijo, e depois lançada por qualquer parte do meu quarto.

— Eu acho que você deve.

Eu sorri. Sentindo a excitação pulsar em minha virilha ao ver seu belo corpo descoberto. E a satisfação lutando contra a vergonha de tê-lo deslizando minha calcinha de algodão, enquanto seus olhos estavam concentrados em mim como se eu fosse a melhor coisa que já viu.

Meu sangue ferveu, a umidade entre minhas pernas deixava clara o quanto era recíproco. Sasuke veio para mim, agora estávamos nus e entregues. Nossos beijos eram ávidos, famintos. A boca cálida se moveu sobre meu maxilar e queixo, depois, pelo pescoço, até os seios, onde ele parou e sugou. Tudo dentro de mim ficou tenso.

— Isso, assim — Murmurei, o trazendo para mim enquanto meus dedos enrolavam em seus fios macios. — Sasuke…

Ele se afastou e me fitou, os olhos dilatados. Tão afetado quanto eu. Ainda bem que eu não era a única arfando. Uma de suas mãos que me estimulavam desceu para o meio de minhas pernas, eu me contorci.

— Você gosta disso?

— Sim… — Eu gemi, apertando qualquer parte do corpo dele que estivesse a meu alcance. Ele deslizou um, dois, três dedos para dentro de mim e eu só consegui gemer mais alto. Como se uma mistura potente de hormônios estivesse me atravessando à velocidade da luz.

Cerrei os olhos, sem forças para vê-lo me assistir.

— Porque você é tão quente? — Sua boca veio em meu ouvido, os dedos nunca paravam. — Você não faz ideia do quanto pensei em te tocar assim.

— Isso, isso — Eu arqueei minhas costas contra o colchão, mas o peso dele me impediu de me erguer.

— Do quando te desejei.

Senti-me acender por dentro. A junção de sua voz rouca com todas aquelas palavras estavam me tirando do eixo.

— Acho que não posso mais esconder o quanto você me fascina. — Sua língua tocou o lóbulo de minha orelha e mordiscou-a.

— Merda. — Eu murmurei, descontrolada. O polegar esfregou meu clitóris sensível, e meus olhos se reviraram dentro das órbitas. Tão perto. A força que se avolumava era inacreditável. Espetacular. Meu corpo acabaria explodindo e virando pó, dissolvendo-se em átomos, quando aquilo chegasse ao fim. Se ele parasse, eu choraria. Choraria e imploraria. E talvez o mataria. Ainda bem que ele não parou. Cheguei ao clímax gemendo, todos os músculos se retesando. Flutuei, o corpo inerte, quase saciada para sempre. Quase. Quando voltei a abrir os olhos, Sasuke ainda me encarava e abria a embalagem do preservativo com os dentes. Eu mal tinha recuperado o fôlego quando ele se ergueu sobre mim, movendo-se entre minhas pernas.

— Devo me preocupar? — Ele disse, com um sorriso de satisfação perante a meu estado. Um aceno negativo foi só o que consegui fazer. Ele suportou todo o seu peso nos cotovelos, o corpo me pressionando na cama. Notei que ele gostava de usar seu tamanho a nosso favor. Funcionava. Por certo, não havia nada de entediante, nem de claustrofóbico naquela posição. Deitada debaixo dele, sentindo o calor da sua pele contra a minha, era mágico. E não poderia existir dúvidas de quanto ele queria aquilo. Fiquei deitada, esperando que ele me penetrasse, olhando fundo em seus olhos.

Ele sorriu fraco e encostou nossas testas.

E então, se encaixou e me penetrou.

Eu deveria dedicar tudo somente a sentir cada centímetro dele deslizar para dentro de mim, mas minha mente, a grande traidora, me trouxe pensamentos amargos. Péssima hora. Por isso, não consegui relaxar. Arfei, as coxas apertando-o no quadril.

— Ei. – Sasuke disse. Seu olhar escureceu mais e a mandíbula dele estava tensa. A pele úmida reluzia na luz acima. — Tudo bem?

— Você vai embora de novo? — Minha voz soou trêmula até para os meus ouvidos.

— Não, nunca. — Ele respondeu, assolado.

Eu dei um lento aceno, engolindo meu choro.

— Isso não vai mais acontecer. Eu não vou te deixar de novo, não importa o que aconteça.

Algumas lágrimas despencaram pela lateral do meu rosto, encontrando o travesseiro abaixo de minha cabeça. Sasuke tentou se levantar, mas eu não deixei.

— Continue. — Eu pedi. — Por favor.

— Tem certeza?

— Sim.

Eu busquei sua cabeça e o beijei, pressionando a língua na boca dele, precisando dele. Com cuidado, ele se moveu, penetrando-me totalmente agora. Sua mão desceu de minha cintura até minha coxa. Ele me puxou ao seu encontro e entrou mais, movendo-se até que eu o absorvesse por completo. O alívio do meu peito e os corpos quentes, unidos um ao outro, me trouxe de volta a segurança. Meus braços estavam tão firmes ao redor da cabeça dele, agarrando-o, que não entendi como ele ainda conseguia respirar. De algum modo, ele conseguiu virar o rosto o suficiente para me beijar no pescoço, lamber minha pele e subir, por meu maxilar até a boca.

— Você é tão gostosa… — Ele gemeu. — Não, você é mais do que isso. É maravilhosa.

Nós nos encaixávamos, em grande parte. E estávamos mesmo fazendo aquilo, a nossa façanha. Aquilo sim era estar próximo de alguém. Não havia como estar fisicamente mais próximo do que aquilo.

Rapidamente, o doce calor, aquela sensação de pressão crescente, me enlouquecia. Sasuke cuidou de tudo com atenção, beijando-me longa e ternamente. Penetrando-me de um modo que só provocava prazer. Ele foi incrível, observando-me atentamente, captando minhas reações ante tudo o que fazia. Isso me fez comparar nossas outras vezes e ter a sensação que ele sentia algo muito forte também. Eu gostava de pensar assim.

Por fim, agarrei-me a ele e cheguei ao ápice. Tudo de mais gostoso explodiu dentro de mim, quente, brilhante, perfeito. Tanto por dentro quanto sobre mim, a pele dele grudada na minha. Balbuciei seu nome e ele se pressionou com força contra mim. Quando ele gemeu, seu corpo inteiro estremeceu. Enterrou a cabeça em meu pescoço, a respiração aquecendo minha pele. Seus olhos se abriram. Seu peito arfava, ele se esforçava para captar mais ar. Depois de um instante, rolou para o lado do colchão e eu fiz o mesmo, me deitando ao seu lado.

— Foi bom pra você? — Ele perguntou.

Aproximei-me, à procura do calor do seu corpo. Ele passou um braço sobre minha cintura, arrastando-me para perto. Deixando-me imaginar que era sua. Nossos rostos estavam a uma mão de distância.

— Foi. Você é um homem de muitos talentos.

Ele sorriu.

— Está usando sua ironia?

— Não, claro que não. — Eu roubei um rápido beijo. — Você sabe que é maravilhoso.

— É, eu sei.

Nós ficamos um pouco em silêncio, recuperando o ar e encarando meu teto manchado por alguma filtração do andar de cima.

— Isso me fez pensar em algo. — Sasuke olhou para o meu rosto. — Sobre aquela vez no beco, nós não usamos…

— Eu tomei a pílula. — Eu assegurei, orgulhosa de mim mesma. — Ou você acha que eu vou querer um protótipo de egocentrismo saindo de dentro de mim?

— Isso foi cruel. E assustador. — Ele fez uma careta.

— Sim, assustador. — Eu dei um sorriso. Meus olhos pesavam com o carinho que seus dedos faziam em minha espinha. Sim, agora eu estava completa de novo.

— Ei. — A voz de Sasuke veio um pouco longe. — Está tudo bem eu dormir aqui hoje?

— Você está preparado para enfrentar meus pais pela manhã?

Ele fez uma pausa.

— Acho que sim.

— Então não há problema algum.

— Hn.

Eu bocejei.

— Boa noite. — Ele desejou, encostando a cabeça na minha.

— Você também está cansado?

— Eu viajei por horas e depois esperei por horas. Foi cansativo.

— Entendi.

— Porque chegou molhada? — Ele perguntou depois de um tempo. Eu pisquei, sonolenta.

— Porque fui para o aeroporto voar atrás de você.

— Sério? — Ele se esgueiro para me olhar.

— Mas os voos estavam suspensos. — Eu disse. Tendo em mente que foi o melhor imprevisto ocorrido. Sem dúvidas, eu levaria um buquê de rosas para a balconista em breve.

— Que bom que voltou para casa. — Sasuke me apertou um pouco. Mais um pouco de silêncio. — De quem era aquele carro que te trouxe?

— O que? — Eu abri meus olhos.

— O carro que te trouxe.

— Foi um amigo.

— Aquele do cabelo vermelho? — Perguntou, interessado.

— Uhum. — Eu respondi arrastadamente. Eu poderia amar aquele homem e tudo que existia nele, mas tudo que eu queria no momento, era dormir, e ele não estava colaborando.

— Sakura?

— O que é agora? — Eu murmurei, impaciente. Encolhido, Sasuke apontou para o teto.

— Você pode apagar a luz? Não consigo dormir com ela.

Eu não escondi minha insatisfação. Me levantei e toquei o maldito interruptor.

Adeus luz. E em breve, adeus Sasuke.

Me acomodei ao seu lado, ele me abraçou novamente.

— Bem melhor.

Dessa vez, eu mantive meus olhos abertos.

— Sa…

— Mais uma palavra e você vai dormir com o cachorro.

— Tudo bem, desculpe. — Ele disse. — Boa noite.

— Boa.

Tive certeza que dormi sorrindo.

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