Sua voz

12 Capítulo 12 - Um último aviso


Notas iniciais
Obrigada pelos bonitos comentários. :)







— Sakura, faça alguma coisa com sua vida. — Sasuke provocou.

— Estou fazendo. — Eu disse, brincando com a minha câmera, sentada no seu supino.

Seus punhos batendo no saco de pancadas, pow, pow, pow. Não é de se admirar que minha virilha estivesse sensível esta manhã, dado toda essa força. Ele usava apenas uma calça de moletom preta e tênis. Sob a iluminação brilhante, sua pele reluzia divinamente com todos os seus músculos lindos em exposição. As linhas do seu rosto tão distintas, o conjunto de seus lábios determinados, eu poderia ficar observando durante anos e nunca ficar entediada.

— Me observar socar o saco de pancadas não é fazer alguma coisa. — As mãos acalmaram e ele tomou respirações profundas.

— Eu estou tirando fotos de você também. — Eu levantei a nova câmera brilhante e cliquei em algumas demonstrações. — Você não se importa se eu tirar sua foto, não é?

— Não.

— Excelente. Você pode tirar toda a sua roupa para mim, por favor? Eu gostaria de tirar algumas fotos de nudez. — Ele me deu um olhar divetido. — É para fins artísticos, eu juro.

— Acho que não. — Ele desfez as tiras em suas luvas. Elas não eram plenamente luvas de boxe tradicionais, entretanto, menos volumosas.

— Eu vou fazer valer a pena. — Em um movimento, eu brinquei com o V do decote do meu suéter.

— Como? — Seus olhos escureceram com interesse.

Ah, a emoção de ter uma pequena quantidade de poder sexual sobre esse homem. Eu fiquei tonta de apenas pensar nisso, meus hormônios corriam como louco.

— Todos os tipos de formas. Eu quero que você saiba, eu posso ser muito criativa quando motivada. Você apenas tem que confiar em mim.

Ele caminhou em minha direção, todo lento e casual. Mas seus olhos contavam uma história diferente.

— Você está brincando comigo, Sakura?

— Não. — Eu abaixei a câmera. — Você me deixou te guiar ontem à noite. Não foi tão ruim, foi?

— Quando você me beijou?

— Sim.

Ele colocou seu rosto perto do meu.

— Quando você me fez deitar em cima de você?

— Isso também.

— Pensei que você não gostasse do meu suor. — Ele disse, me provocando. — Na verdade, eu me lembro de você dizendo muito isso, e me dizendo para tomar banho.

— Não use isso contra mim. Eu estava tentando resistir a você no momento, era uma questão de sobrevivência. — Eu gemi em desespero, a minha boca aguando pelo gosto dele.

Então, meu celular começou a tocar lá do outro lado da sala.

Sasuke correu e agarrou-o, verificando a tela.

— Quem é Kiba?

Pisquei assustada com a aparição do homem. Ele aguardou minha resposta enquanto o celular vibrava em sua mão.

— É um amigo da minha cidade natal. — Nós não tínhamos nos falado desde que eu tinha saído de casa. — Deixa para lá. Vou ligar para ele mais tarde.

Com um sorriso malicioso, ele bateu na tela e colocou o celular na orelha.

— Alô? — Ele atendeu. Meu rosto caiu, despencou. — Aqui é Sasuke Uchiha.— Ele fez uma pausa, escutando. — É isso mesmo, eu sou do o cantor da banda Suicide. — Outra pausa acompanhada por um sorriso maroto na minha direção. — Obrigado, não sabia que você era fã. — Mais uma vez ele ouviu. — Não acho que Sakura tenha saudade de você, nem que queira te reencontrar.

— Sasuke. Não. — Merda, merda, merda. Eu coloquei a câmera de lado e comecei o delicado processo de levar minhas pernas ao seu encontro, mancando pelo chão almofadado da área da academia. — Pare com isso.

O sacana deu um passo para trás, e depois outro, aumentando a distância entre nós.

Eu bufei.

— Ela não estará disponível nas próximas, hm, 789 horas.

Eu imitei uma lâmina deslizando na garganta, ainda pulando em direção a ele tão rápido quanto o pânico e uma bota imobilizadora permitiriam. Quando encurtei a distância, Sasuke deslizou um braço em volta da minha cintura, me impedindo de alcançá-lo. Eu me estiquei e me estiquei, mas minha altura medíocre estava firmemente contra mim.

— Ouviu a voz dela? — Ele riu. — Não, você está equivocado. Sakura está trabalhando porque agora ela é uma pessoa muito ocupada e reconhecida. Ela não tem mais tanto tempo livre, então acho que você deveria ligar para ela na próxima vida.

— Chega! — Eu soquei seu peito, tentando escalar nele para me aproximar. Mas meus dedos deslizaram sobre seus ombros suados e escorregadios. — Me dê o celular. — Eu rosnei.

A voz de Kiba parecia pequena, muito longe. Eu não conseguia distinguir as palavras. Seu tom, entretanto, mostrava bem, toda a agitação e chateação além da crença. Me senti mal por isso.

— Me dê agora! — Ele me ignorou. — Sasuke! — Frustração borbulhava, eu dei um tapa no seu rosto (eu sei, eu não deveria ter, mas eu fiz). Ele teve uma reação imediata. Ele fez uma careta para mim, então me bateu bem forte na bunda em troca. Eu gritei, minha nádega oscilou em chamas.

— Não faça isso de novo, Sakura. — Ele disse.

— Me dê o celular, porra! — Agarrei-o pelo braço, com a fúria me deixando agitada e inquieta.

— Eu já disse que Sakura não está aqui, ok? — Ele disse no celular, com voz firme. — É apenas uma mulher com o mesmo nome que eu contratei para tomar conta dos meus… Gostos.

Sasuke me entregou o celular e tudo que eu ouvi foram os bipes de uma linha encerrada.

— Porque você fez isso?

— Não me bata outra vez.

— Sinto muito. — Eu ajustei o meu queixo no seu peito, olhando para o seu rosto impecável. Suas mãos se estabeleceram em minha cintura e ele franziu o cenho. Talvez agora ele me empurrasse para longe, reclamasse o seu espaço pessoal e parasse com toda essa tolice sentimental sensível. Mas ele não o fez. — Minha bunda está ardendo. — Eu disse, apenas para começar uma conversa.

— Bom. Você vai me dizer porque ele te ligou?

— Eu honestamente não sei. — E estava sendo verdadeira. — Se você tivesse deixado eu falar, saberia.

— Ele disse que estava com saudades. — Sasuke me olhou sério. Eu abri um pouco os olhos.

— Ele foi um grande amigo.

Sasuke ficou em silêncio. Seus braços me deixaram.

— Vocês tiveram algo?

Não sei porque, mas eu hesitei em respondê-lo.

— Então?

— Sim. — Minha garganta secou porque responder aquilo me pareceu muito errado.

Ele assentiu duramente.

— O quê? Uma noite? Um dia? Um ano? Então ele não é seu amigo. — Seu tom acusador me fez recuar.

— Sasuke…

— Responda. Eu não estou brigando, nem discutindo, eu só quero saber. — Como se sua expressão e timbre não fossem o suficiente.

— Ele foi meu namorado.

— Entendi. Você vai ligar pra ele de novo? — Ele perguntou.

— Eu não sei.

— Deveria ligar. — Sua voz partiu a minha. — Quem sabe você não sinta saudade dele também?

Ele de alguns passos, recolhendo sua blusa e a garrafa de água. Eu o olhei, incrédula.

— Espera, o que é isso? — Permaneci no mesmo lugar, o olhando. — Você está com ciúme porque meu ex-namorado ligou para o meu celular?

— Claro que não. — Ele riu. — Não seja ridícula. Nós não temos nada. É só sexo, lembra? Você ainda pode fazer o que quiser e isso também vale para mim. Não podemos evitar conhecer ou reencontrar pessoas. Uma hora ou outra isso vai acontecer. — E então ele andou até a porta e saiu.







Sasuke estava me observando. Eu podia sentir seus olhos em mim do outro lado da sala. Apesar de ser prazeroso, estava me incomodando depois do que aconteceu há duas horas.

Por mais que ele dissesse que tudo estava bem, eu sabia que não estava. Também não seria eu quem ficaria correndo e tentando apaziguar as coisas. Peguei meu celular e verifiquei o número de Kiba e apesar da curiosidade de saber o porque dele ter me procurado, eu não retornei a ligação.

Mais tarde, eu estava feliz de ter sido libertada da temida bota imobilizadora. Meu tornozelo ainda doía um pouco. Mas eu sobreviveria.

A água da banheira já estava morna, e eu ainda estava mergulhada. Tanto em pensamentos, quanto na água avermelhada de essência chinesa. Com somente uma mão para fora, busquei o celular na pratilheira ao lado. Droga, eu queria saber o porque daquela ligação e isso me perturbava.

Kiba Inuzuka foi alguém importante em minha vida. Lembrar dele era como ter em mim duas partes divididas. A parte da raiva e a parte da gratidão. Mas tenho certeza que deixei claro quanto a nosso relacionamento quando decidi ir embora da cidade. Principalmente após a traição que ele me deixou de presente. Francamente, eu já estava tão farta de tudo que parti e nem se quer olhei para trás. A ponto final é, que eu não retornaria essa ligação nem agora e nem nunca. Gostaria de ter contato isso a Sasuke antes de seu surto maluco.

Me enrolei no roupão branco e sequei meus cabelos.

Não queria encher minha mente com mais problemas. Pelo menos por hoje eu me daria essa folga. Ligar para Kakashi de repente ficou em última posição. Quando voltei para meu quarto, Sasuke estava sentado em minha cama. Cotovelos em cima de seus joelhos, maxilar apertado e olhos firmes no chão. Quando ele levantou o rosto, eu prendi a respiração.

Parecia atordoado.

Ele apenas me observava com cautela, sem se mover.

— Você precisa de alguma coisa? — Eu perguntei para o silêncio. Amarrei a corda solta do meu roupão, incapaz de conseguir agir naturalmente. A indiferença não funcionava diante de Sasuke. Ele conseguia quebrar qualquer modo de defesa que eu ativasse contra ele.

— Sim. — Ele me encarou por um longo momento. — Os caras chegaram para finalizar o projeto.

— Eu pensei que fariam isso na semana que vem.

— Eles adiaram. A turnê também foi adiada, então… — Ele suspirou. — O ponto, é que nós temos que nos preparar logo. O gerente ligou e disse que nós já descansamos bastante, que é hora de começarmos a agir.

Engoli a seco. Às vezes a imagem de um Sasuke famoso e mundialmente conhecido sumia de minha mente.

— E o que você quer que eu faça? — Apesar de tudo, mantive minha postura séria.

— Quero que você desça para combinar com Ino e Hinata sobre os detalhes. Tem alguns e-mails para checar também.. — Ele respondeu.

Sem hesitar, eu assenti.

— Eu desço em alguns minutos. — Eu disse.

Ele deu um sorriso fraco e se levantou da cama.

— Ótimo.

Fui até meu armário, mesmo sobre o olhar dele. Eu daria o meu máximo para agir naturalmente pelo menos nisso. O som de seus passos me deixaram aguçada. Eu esperava que ele fosse passar pela porta e deixar outra bagunça, mas seu calor surgiu em minhas costas.

— Não me odeie, Sakura. — Ele sussurrou em minha nuca. — Você quer estar com raiva de mim quando eu faço coisas estúpidas, tudo bem. Mas nunca me odeie. Eu não conseguiria viver com isso, não de você.

Eu encarei a madeira brilhante do armário com o coração em choque. E em meus olhos, o início de uma quentura se acumulava. Mordi meu lábio, me recompondo antes de virar de frente para ele.

Encarar seus olhos tão sensíveis foi algo totalmente desarmante.

— Sasuke… — Murmurei. Meus dedos foram de encontro a sua bochecha em um ato necessitado. — Eu nunca poderia te odiar.

— Promete?

— Eu prometo. — E era verdade. Ele me deixava frustrada e irritada todo o maldito momento. Não havia nenhuma possibilidade de que eu alguma vez pudesse me obrigar a odiá-lo, no entanto. Eu embalava seu rosto em minhas mãos. Ele era tão precioso para mim, mas ele parecia tão sozinho, perdido e assustado como uma criança. — Isso nunca vai acontecer.

Sasuke fechou os olhos e exalou forte. Ele esfregou o rosto contra a minha mão, cócegas suaves em minha palma, fazendo minha pele formigar. Estiquei-me na ponta dos pés e ele encaixou seus lábios firmemente nos meus. Sua língua entrou em minha boca, buscando a minha. O gosto dele, a sensação familiar de seu corpo contra o meu, era tudo tão perfeito.

Ele fazia me sentir completa como se eu não precisasse de mais nada.

Sasuke me beijou devagar e molhado no que só poderia ser descrito como um minucioso ataque frontal sensual. Sua boca conquistando da melhor maneira possível. Toda a sua preocupação apenas alimentou a fome, eu acho, ele parecia insaciável. Suas mãos deslizaram em cima de mim, acariciando meu rosto e pescoço, tocando minhas curvas por cima do roupão. A minha pele ganhou vida sob os seus dedos.

— Você me perdoa? — Ele perguntou, arrastando beijos quentes no meu pescoço.

— Sim. Mas não faça isso de novo. E não pare de me beijar.

— Entendi. Deixe-me pedir desculpas corretamente. — Mãos fortes seguravam a minha bunda, apertando-me contra sua ereção.

— Sasuke. — O comprimento duro dele firmemente pressionado na minha barriga me incitava. Mas foi as palavras que fizeram meu sangue esquentar. A mão passou para dentro do roupão e sem demora seus dedos alcançaram a região molhada entre minhas pernas, a alisando, me estremecendo.

— O seu cheiro, o seu gosto, eu amo tudo sobre comer você. — Ele murmurou. Você nunca será capaz de entender o que era ouvir tais coisas de alguém como ele e tudo o que isso poderia causar.

— Ama? — A confusão dentro de mim se misturou com o sentimento e excitação, me fazendo arfar. Sasuke assentiu lentamente, com os lábios molhados percorrendo meu pescoço, e, merda, porque ele estava demorando tanto para me tocar?

Apertei minhas pernas firmemente juntas. O estado da minha calcinha era uma vergonha. Me fazia escorregadia e necessitada, sem sequer me tocar abaixo da cintura. Lábios úmidos quentes esfregaram contra o meu pescoço. Essa afeição dele, eu nunca tinha conhecido o gosto dela. Minha cabeça nadava com a alegria e as palavras mais perturbadoras se levantaram e cresceram dentro de mim, até que ficaram presas na minha garganta. E elas ainda empurravam e empurravam o seu caminho para fora de mim com uma intenção impensada e idiota. Eu tentei impedi-las, porque eu sabia melhor, eu realmente sabia. Mas elas vomitaram da minha alma torturada e apaixonada enquanto meu cérebro observava com horror total e absoluto.

— Eu amo você, Sasuke.

Silêncio.

Um silêncio de morte absoluto.

O homem em meus braços congelou, até a sua respiração vacilou.

— Quero dizer, não que isso seja importante ou qualquer coisa. — Minha boca, eu queria matá-la lenta e dolorosamente em muitas e variadas maneiras. Nós estávamos em um bom lugar, no momento, e eu tinha que ir e destruir, pressionando por mais. — Você não tem que dizer nada. Na verdade, você não deveria, seria melhor se você não fizesse, e nós vamos continuar exatamente como estamos e fingir que isso nunca aconteceu, ok? Porque nós estamos indo muito bem, muito bem, e eu realmente não quero que mude nada.

Mãos agarraram meus braços e ele me afastou um pouco. Todos os instintos me disseram para me abaixar e procurar proteção, correr. Aconteça o que acontecer, eu não deveria ter olhado para seu rosto. Porque estava pálido e cansado, e seus olhos estavam vagamente apavorados.

— Você me ama?

— Sasuke...

Ele olhou para mim como se eu fosse uma estranha para ele, desconhecida e indesejada em todos os sentidos que importavam.

— Sakura, não. Você não pode. Isso é...

— Não, eu sei. Está tudo bem. — Naquele momento, eu estava morta de todas as maneiras que importavam. Meus pulmões só não tinham percebido isso ainda.

Da porta do quarto, um rosnado e latido. Pequenas unhas arranharam as minhas meias pretas, rasgando-as além do reparo.

— Hey, Sasuke Junior. — Eu peguei o cachorrinho preto e branco no colo. Ele era a distração perfeita para o meu coração despedaçado. — Eu não te vi aqui. Você veio com seu dono?

— É melhor descermos logo. — Sasuke estudava a parede oposta com grande ardor. Eu acho que qualquer coisa era melhor do que olhar para mim e minhas bagunçadas e loucas emoções. Tão constrangedor.

— Sim. Mas antes eu preciso colocar uma roupa, bom, seria estranho chegar só de roupão. — Eu disse com um sorriso fraco e olhei para fora. Eu não poderia encará-lo.

— Certo. — Sasuke colocou as mãos no bolso e saiu, levando a porta atrás de si.

O suspiro que soltei foi o mais doloroso de todos. O que diabos eu estava pensando? O que eu, honestamente, esperava ouvir em troca?

Uma lágrima teimosa desceu por um dos meus olhos, mas eu a peguei no meio do caminho enquanto colocava um conjunto de moletom escuro. Do canto, o cãozinho me encarava com sua língua de fora e a energia de querer se divertir. Depois de um rabo-de-cavalo e um leve pó de arroz, fui até ele e carreguei pelas escadas.

— Filho. — Naruto chamou o cão assim que o avistou em meus braços. — Eu estava me perguntando onde você estava.

— Ele foi me buscar como um bom integrante que é. — Entreguei o bebê de pelo para seu pai.

Os olhos azuis de Naruto me fitaram de perto. Isso era péssimo.

— Seus lábios estão anormalmente inchados e seu pescoço vermelho. O que diabos você estava fazendo com meu filho?

— Nada. — Eu disse, recuando um passo. Essa era a última porcaria que eu precisava.

Ele segurou o cachorro na frente de seu rosto.

— Sasuke Junior, diga para o papai, onde essa pessoa má te tocou?

— Nós não fizemos nada. — Eu virei para Sasuke, mas ele estava muito ocupado em mexer em alguns papéis, distante e distante.

— Ele está traumatizado! Basta olhar para ele. — Naruto levantou o filhote de cachorro para todos verem. Deliciando-se com a atenção, o cãozinho balançou o rabo e latiu alto duas vezes.

— Aqui, me dê ele. — Hinata agarrou o cão com cuidado das mãos do namorado. — Ele não está traumatizado. E você pare de mexer com a Sakura. Isso não tem graça.

— Será que eu não posso quebrar o clima de tensão pelo menos uma vez sem ser repreendido? — Tristemente, Naruto colocou o lábio inferior para fora. — Olha a sua volta. — Ele apontou para o canto mais destacado, em direção a Gaara que estava sentado e mantinha os olhos em qualquer lugar menos em nós. — Gaara está se excluindo e fazendo jus a sua aparência de garoto-rebelde-que-não-tem-amigos. Sasuke, eu nem sei o que diabos ele está fazendo organizando aquelas folhas de ofício em branco. Itachi e Ino provavelmente brigaram já que não estão de mãos dadas.

Itachi o lançou um olhar irritado e Ino apenas ajeitou uma mexa do cabelo dourado atrás de sua orelha.

— Naruto. — Hinata murmurou, respirando fundo. — Você pode, somente hoje, não ser tão desnecessário? Todos nós temos um grande projeto pela frente e precisamos começar.

Ela ficou de pé e olhou para todos com uma atenção amigável.

— E então, gente?

— Hinata está certa. — Ino tomou a frente, puxando sua bolsa de couro para o colo e tirando seu laptop de lá. — Vamos começar com isso logo, eu tenho um compromisso mais tarde.

A movimentação finalmente começou. Gaara pulou de sua cadeira e foi em direção ao corredor. Em alguma hora antes de tudo isso acabar, eu me aproximaria dele novamente e me desculparia. Oh sim, eu precisava disso.

Naruto puxou a namorada pela cintura e a beijou antes de começar a levar as guitarras para o estúdio improvisado. Depois Hinata, depois Ino.

— Onde está o Zabuza? — Itachi olhou em volta. — Precisamos dele para verificar as datas e confirmá-las.

— Vou ligar para ele agora mesmo. — Eu me prontifiquei.

— Eu já liguei. Está na caixa postal desde cedo. — O mais velho dos Uchihas franziu o rosto. — Seria muito te pedir para ir até ele?

— Claro que não. — Eu respondi. — É naquele mesmo apartamento?

— Aquele que você foi recrutada como assistente. — Ele sorriu. — Obrigado, Sakura. É de grande ajuda.

O homem se afastou até que sobrasse eu e o cantor ironicamente mudo.

Eu o olhei e seu rosto estava vago.

Aguentar aquilo de repente pareceu impossível. Me ferir, eu estava começando a sentir medo disso. Desta vez, no entanto, eu não tive forças para inciar uma nova conversa ou quebrar o maldito clima. Peguei meu celular, fui até a porta e a fechei pelo lado de fora. Segundos depois, passos estavam me seguindo pelo hall.

— O que você está fazendo? — Perguntei sem parar meus passos.

— Te levando.

— Não precisa.

— Você não sabe onde é o apartamento do Zabuza. — Ele disse com a voz obvia. E ele estava certo. Talvez eu tenha pego essa missão apenas com o intuito de me afastar, no entanto, minha cabeça não estava pensando direito. Mas eu não o deixaria tirar meu espaço de resistência.

— Eu não quero que você vá. — Eu disse firme.

Nós deslizamos para o elevador, levando o silêncio para o térreo. Nenhum de nós dissemos uma palavra. Do lado de fora, uma espécie de garoa muito fria estava caindo. Encolhi-me mais fundo em meu moletom, me preparando para enfrentar o clima.

— Sakura... — Ele disse, segurando meu braço, me impedindo de sair.

— Sinto muito. — Eu enrijeci sob seu toque. De repente a dor que tentei esconder até ali me fez fraca. Eu quis chorar e abraçá-lo, mas era mais que aceitável entender que Sasuke não era o meu refúgio. Talvez eu o dele. A imensidão de injustiça que isso tomava era algo assustador a ser discutido. Puxei meu braço de sua mão e me afastei, mas não consegui estabelecer a distante entre nós.

Doía tanto que eu mal conseguia respirar.

— Eu não posso. — Eu disse. Sabia que ele estaria atrás de mim ouvindo. — Precisamos parar.

— Não, não precisamos. — Seus passos se aproximaram e eu me virei para evitar contato físico.

— Nós precisamos parar. — Eu repeti. — Isso não está funcionando para mim. Eu não consigo bloqueá-lo. Eu não posso fingir que não sinto coisas por você. Eu não fui feita dessa forma.

— Nós estamos bem. Eu juro que estamos bem. — Suas mãos correram sobre meus braços, minhas costas, me puxando. Eu o queria, tudo dele, desesperadamente. Seu toque tornou impossível de resistir. Mas eu tive medo. Pela primeira e terrível vez, eu tive medo. — Está tudo bem.

— Não, Sasuke. Não está. — O empurrei pelo peito. Meus olhos ardiam, lágrimas imploravam para descer.

— Sakura, você não pode fazer isso comigo.

— E eu posso fazer isso comigo? — Eu perguntei dolorosamente. Ele não respondeu. Tive certeza que, naquele momento, ele percebeu o quanto eu estava ferida. — É justo nós nos envolvermos de todas as formas possíveis, tanto física, quanto emocionalmente e depois você me fazer se sentir apenas um objeto que não pode ter sentimento? Eu não consigo mais pensar o que eu deveria fazer ou dizer. A todo momento, estou me privando de deslizar e acabar te incomodando de alguma forma em relação ao que sinto, mas não percebi o quanto isso está me matando. — Ele abriu a boca uma ou duas vezes, mas nada saiu. Então eu ofeguei, minhas lágrimas fizeram seu caminho até o fim de minhas bochechas e eu falhei. — Eu estou com medo, Sasuke. Estou com medo de que você me fira de novo. Com palavras, com gestos, com olhar, qualquer maldita merda que você faça.

Um arrepio percorreu meu corpo inteiro enquanto as palavras se perdiam. Os olhos do astro de rock a minha frente ganharam intensidade e congelaram bem diante de mim. Ele me encarou por um longo tempo e eu quis, mais do que nunca, que ele me abraçasse forte e arrancasse tudo isso. Em alguma parte profunda de mim eu sabia que era isso que eu precisava. Era tudo que eu precisava e então eu poderia seguir.

O homem mais bonito que eu já conheci, no entanto, me deu suas costas e me deixou.