Stupid Boy
3 Suze's Bar
– Loren me ajuda, eu preciso de você. — ouvi a voz de Ashton do outro lado da linha, ele estava quase que em pânico. Sorri ao perceber que era quarta, ou seja, o dia em que o avô arrogante de Ashton ia visitar a família.
– Do que você precisa meu anjo. — eu sorria, enquanto Cato lambia minha coxa.
– Larga de deboche, vem aqui em casa diz para minha mãe que você precisa da minha ajuda, urgente. Loren faz isso. — gargalhei, enquanto eu ouvia Ashton bufando. — Loren!
– Ashton! Venha aqui, seu avô já está chegando e você ainda não me ajudou em nada! — ouvi a mãe dele gritando do outro lado da linha, eu sorria que nem uma idiota.
– Loren?!
– Passa o telefone para sua mãe. — pedi, Ashton exclamou um monte de palavrão, expondo suas emoções. Ri alto, enquanto eu ouvia o barulho da mudança de pessoas do outro lado da linha.
– Dona Jamie? — chamei, enquanto coçava a cabeça de Cato.
– Loren amor, quanto tempo! Estou sentindo saudades, não veio mais nos visitar! — ela dizia isso quase que aos berros. Ri baixinho.
– Um dia eu vou, pode deixar. Dona Jaime a senhora podia deixar o Ashton vir aqui em casa? Eu preciso que ele venha aqui para me ajudar a trocar o chuveiro. — lembrando que: Ashton não sabia nem trocar uma lâmpada imagine um chuveiro.
– Mas meu pai está vindo, o Ash precisa ficar... — eu odiava quando chamavam o Ashton de Ash. Argh.
– Por favor, eu preciso tomar banho, a senhora não quer que eu durma suja, certo? — fiz voz de menina fofa, mesmo que eu não fosse uma.
– Tive uma ideia querida! Venha para cá, melhor! Ashton vai te buscar, traga roupa, você jantará conosco! — ah não, não! Não isso não!
– Ah que nada! Vou ligar para o meu pai e...
– Loren não me faça essa desfeita! Estou esperando por você! Beijo! — e o som da chamada sendo desligada. Olhei para Cato que me encarava.
– O que eu faço?! — perguntei mesmo olhando para ele a pergunta era para mim mesma. Cato arranhou minha coxa pulando da cama. — Obrigada amigão.
Pulei da cama, pegando minha bolsa marrom de franjas vendo que estava vazia poderia usá-la. Abri as portas do meu guarda-roupa, procurei com os olhos o que usar. O avô de Ashton era extremamente chato com vestimenta e isso não me ajudava em nada. O visor de meu celular se iluminou e pude ler a mensagem de Ashton que dizia: "Use vestido, nada de salto e traga um casaco, vamos fugir disso."
Sinto dizer que, eu estava sorrindo que nem uma babaca, tipo aquelas meninas apaixonadíssimas que só pensam no garoto da vida delas, que depois de dois meses vai comer a garota e vai deixar ela de lado. Minha visão do amor chega a ser profunda como os escritos de Shakespeare.
Evitei pensar demais, puxei um vestido preto, curto, rodado e com o corte de um coração nas costas, peguei meu vans branco receando usá-lo, deixei o tênis para lá e peguei um mocassim preto simples. A bolsa não tinha nada demais, mas eu ia lá me preocupar com isso!
"Estou aqui embaixo, trouxe o carro." outra mensagem de Ashton. Coloquei tudo na bolsa, junto com uma bolsinha de maquiagem, coloquei meu celular dentro junto com minha carteira. Mandei um beijo para Cato que nem ligou. Fechei a porta, descendo as escadas rápido para ir ao encontro de Ashton.
O carro preto da mãe de Ashton estava parado bem em frente, corri ate lá abrindo a porta. Dei de cara com um Ashton muito puto, fechei a porta e esperei que ele saísse do lugar, mas o carro continuou no mesmo lugar. Ele estava com a cabeça encostada no banco de olhos fechados, parecia dormir se você ignorasse a mandíbula trancada e o modo como ele tinha as mãos em punho.
– Ashton. — chamei, mas ele nao se moveu, larguei a bolsa no chão, segurando a mão dele. — Ashton, eu tentei. — ele abriu os olhos me encarando de uma forma que fazia com que eu corasse e tentasse desviar o olhar. Mas ele só ficaria mais puto, se eu desviasse o olhar.
– Eu odeio aquele velho. — ele disse me olhando, procurando alguma coisa nos meus olhos, esperando que achasse alguma coisa que o acalmasse, como se eu pudesse apagar qualquer raiva que estive dentro dele agora.
– E eu amo você, vamos lá, a gente vai, participa e depois fugimos. — um sorriso surgiu no canto de seus lábios, me fazendo sorrir junto. — Eu estou vindo pela fuga. — algo perpassou nos olhos de Ashton, algo quente que iluminou todo o meu corpo.
Ashton se aproximou, ficando apenas um centímetro de meu rosto. Sorri para ele, que me encarava. Ashton beijou o canto de minha boca, mas estava mais próximo do meio de meus lábios. Segurei um suspiro, enquanto o via se afastar.
– Sabia que você fugiria comigo, Loren.
(Alguns minutos depois)
– Já estamos jantando e essa menina ainda não me disse seu nome. — o avô de Ashton fez esse comentário, da cabeceira da mesa.
– O nome dela é Loren. — respondeu Ashton por mim, sorri para o senhor. Ashton segurava minha mão por debaixo da mesa e quando eu tinha que usá-la, ele postava a mão em meu joelho.
Se Ashton estava calmo era porque ele estava ali, me segurando de qualquer forma, para que pudesse ter controle de alguma coisa. E eu ficava imensamente feliz de ajudá-lo. Mas minha coluna estava passando por um momento de gigantes arrepios.
Ainda permanecemos na mesa por uma hora, todos haviam acabado de comer, porém o avô de Ashton fazia o favor de prender todos a mesa. Quando era mais ou menos, nove da noite, saímos da mesa para que ficássemos mais quarenta minutos enrolados na conversa chata do senhor, e após longos minutos nos vimos livres.
Ashton dispensou despedidas, apenas correu para fora da casa me arrastando junto com ele. Minha bolsa fazia barulho sobre meu ombro, enquanto corríamos para o carro. O garoto abriu a porta do passageiro me fazendo entrar e depois fechou a mesma. Tomou seu lugar e uns segundos depois ele já arrancava.
Enquanto ele dirigia até nosso destino eu ia de estação em estação de rádio, mas chegamos ao nosso destino e não ouvimos nada além dos trechos de quando eu parava em uma. Os casais de amigos de histórias inventadas sempre tem um lugar apenas deles, sempre é a casinha abandonada, o terraço de um prédio muito alto, um canto na praia, um parque ou uma casa na árvore, mas não é bem assim. Nosso lugar era um bar, o primeiro bar que eu fora com Ashton. O primeiro bar que eu tinha enchido a cara e ele me levara para casa aos risos. Era ali, que íamos, porque ninguém nos conhecia além de Suze, a dona.
Chegamos no local, era um bar largo, mas estreito. Tinha um letreiro em néon que dizia "Suze's Bar". Pelas janelas podíamos ver as mesas e as cadeiras, as várias pessoas que já estavam por lá, entramos no local, mandei um beijo para Suze que acenou para nós.
– Já estava sentindo falta dos enormes peitos dela. — Ashton sussurrou para mim, enquanto eu gargalhava olhando disfarçadamente para os peitos de plástico de Suze.
– Você é nojento. — ri, quando Suze passou a língua pelos lábios olhado para Ashton, ele apenas postou as duas mãos em minha cintura, apertando-a com uma força que me fez olhar para ele. O garoto sorriu para mim, beijando meu ombro. Seguimos para uma mesa no final, onde eu sentei no canto da mesa encostada na janela e ele ao meu lado. Pedimos quatro garrafas de cerveja, duas para cada um. Mas não paramos por aí, bebemos cinco! Não estávamos bêbados só um pouco de exaltados, mas estávamos aos berros.
– Aquele velho de pau molhe!
– Aquele puto que não tem o que fazer!
Riamos que nem dois retardados, ele batia na mesa e eu tombava a cabeça para trás em meio as gargalhadas. Nós contagiávamos as outras pessoas que quando olhavam para gente, riam junto conosco enquanto perdíamos em nossas idiotices. Notei que Suze conversava com uma das garçonetes que também nos conhecia, olhava para nós e cochichavam. Até que ela se aproximou, pedindo nossa atenção, mas não paramos de rir, suspirávamos tentando não rir.
– Ashton amor, você está me devendo uma aposta. — sabia que ela ia fazer isso, Ashton sorria para ela, esperando que ela continuasse. — Bem, eu aposto vinte pratas que você beija a Loren agora.
Tudo parou. Minha garganta queimava por causa do álcool e eu via tudo um pouco rodando, ela me encarava com aqueles olhos azuis, com aquele cabelo loiro laranja.
– O que você me diz? Posso apostar até 60 pratas. — ela mordeu os lábios, Ashton apertava minha coxa por debaixo da mesa, enquanto eu tentava pensar com clareza.
– Loren, escuta. — ele apertou minha coxa com mais força. — Já ajuda no teu apartamento, que você acha?
Olhei indignada para ele.
– Topa? — perguntou Suze, segurando o dinheiro entre os dedos.
– Loren, olha para mim. — eu estava confusa, segui meu olhar para ele que estava tão próximo que a ponta de seu nariz tocava no meu, seus olhos me engolindo sem dó nem piedade. Com o outro braço ele apertou minha cintura contra seu corpo, me fazendo arfar. Eu o encarava, sentindo o cheiro de seu perfume tão perto, ele fechou os olhos se aproximando.
– Não quero um beijo seu desse jeito. — eu disse com a voz mais intacta que eu podia imaginar, ele abriu os olhos assustado, enquanto eu despejava a última gota de consciência sobre ele. Seu aperto em minha coxa afrouxou como o na minha cintura.
– Lo...
– Depois a gente conversa. — sai do local o mais rápido possível, peguei um táxi e fui para casa.
Com o cheiro de Ashton empregando em meu corpo, de ponta a ponta.
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