Eu sabia bem como morar sozinha, estava completando exatamente oito meses em que eu estava nessa situação e não sentia a menor vontade de voltar a morar com meu pai. Não havia sentido em querer sentir o cheio de café e graxa novamente. Meu pai com certeza iria me ligar hoje dizendo o quão orgulhoso estava por eu ter aguentado mais um mês e eu diria que ele era um ótimo pai e a conversa acabaria, caso meu belo amigo Ashton estivesse ao meu lado gritaria o resultado do último jogo que ele havia visto e o telefone terminaria em suas mãos. Era um dia um tanto quanto previsível e isso me matava, eu queria que algo de novo acontecesse.

Sem querer pensar mais nisso, coloquei o copo vazio dentro da pia, passei as costas na mão pela boca e sai de minha mini cozinha indo ao meu quarto pegar minha bolsa para sair. Hoje eu não teria aula, o que me daria tempo para comprar umas coisinhas para casa, como: travesseiros e cobertores. Eu havia levado alguns de casa, os que eu usava, mas já estavam velhos e eu estava com um dinheirinho sobrando. Enquanto trancava a porta de meu apartamento disquei o número de Ashton.

– Fala.

– To saindo, não quero você aqui em casa, está tudo arrumadinho. — deixei claro o que desejava enquanto descia as escadas. O som de meus tênis no chão, não me irritavam mais depois de tanto tempo.

– Ah qual foi? Minha mãe está querendo que eu ajude uma amiga dela numa merda por aí, só tenho a sua casa como refúgio. — ele parecia sonolento, ou seja, ele estava me enganando.

– Ashton não tenta me enganar, eu sei que você estava dormindo. — escuto sua risada rouca e sorrio. — Sério, está tudo arrumadinho, não venha para cá.

– Você está me expulsando?

– Não tem como se você nem está aqui.

– Você queria que eu estivesse não é?

– Isso não vem ao caso, mas, por favor, diga que vai fazer o que eu estou pedindo. — disse a ele, enquanto já descia a rua.

– Onde você está indo? Quanto barulho. — reclamou. Ri alto, enquanto uma senhora me olhava assustada e eu sussurrava desculpas para ela. — Loren, anda me diz. — sua voz estava mais agitada, acho que eu o tinha feito acordar.

– Eu te disse ontem, logo eu to voltando, relaxa cara. — eu disse rindo, decidindo se gastava dinheiro para o ônibus para uma distância de quatro quadras. — Você acha que aquela loja de roupa de cama é longe demais para mim?

– Loren eu pedi para você esperar. Eu disse que queria ir com você. — som de algo caindo no chão. — Onde você está?

– Para que? Eu só vou comprar uns cobertores. — parei roendo a unha do indicador. Eu não imaginava que ele queria tanto fazer isso.

– Você está brincando comigo? Onde você está? — porta batendo e passos fortes. Comecei a rir. — Loren anda.

– Eu to na esquina da minha rua seu panaca.

– Falou, me dá dois minutos. — por um segundo eu achei que ele fosse desligar, mas não, ele continuou na linha deixando com que eu acompanhasse todo o seu percusso em cima de uma long até onde eu estava. Não me preocupei em chamá-lo, apenas deixei que ele chegasse.

Logo avistei o garoto loiro com o cabelo desalinhado por conta de meus cortes, ele dizia que apenas eu e sua mãe podíamos cortar seu lindo cabelo, mas ele também sabia o quão ruim ficava quando eu terminava, porém ele simplesmente não se importava.

– Da próxima, eu te mato. — disse-me ele, beijando-me no canto da boca como todas as vezes. — Quando eu disse que queria fazer isso, era sério.

– Tudo bem, desculpa aí. — sorri para ele, passando os dedos por sua camisa azul toda amassada. — Vamos logo, quero terminar com isso.

Com o pé, Ashton ergueu a long segurando-a pela beirada, enquanto com a outra mão segurava a minha. Ele tinha essa mania, ele dizia que quando se é amigo necessita-se de um pouco de contato. Fora que, os contatos deles sempre eram diretos demais, porém, eu já estava perdida com ele fazia tempo e não havia como mudar isso.

Ao longo do dia, me virei com Ashton em meu encalço. Nós dois estávamos no último ano do ensino médio, nós dois não tínhamos aula hoje, ou seja, Ashton não sairia de meu lado nem se a Megan Fox quisesse dar para ele. Bem, talvez sim... Que seja. Compramos travesseiros e dois cobertores, um azul que Ashton disse que era para ele e um bege que eu achei a coisa mais fofa de todo o universo. Depois passamos numa feirinha que havia perto de minha casa e compramos umas frutas, voltamos para o meu apartamento e permanecemos lá.

Mais ou menos, ás sete da noite meu pai ligou.

– Oi pai. — eu disse a ele, enquanto atendia ao celular e beliscava a perna de Ashton com os dedos do pé. — Como o senhor está?

– Bem querida e você? Meu parabéns por mais um mês, estou orgulhoso. — ele disse enquanto eu seguia mentalmente e Ashton desenhava com os lábios. — Ash está aí? — eu odiava quando meu pai chamava Ashton assim, deixava o garoto parecendo uma menina.

– Sim, está papai. — passei o celular para o garoto enquanto ele sorria de lado e me beijava na bochecha. Revirei os olhos e fui até a cozinha. Procurei por algo para comer. Achando um saco de biscoito murcho que ainda estava na validade. Ouvi a porta de entrada bater, não me preocupei, Ashton devia estar procurando por sinal. — Legal, é hoje que eles morrem pendurados no celular.

Sentei em cima da pia, comendo o biscoito enquanto pensava em qualquer bobeira, amanhã teria aula e eu já havia feito todos os exercícios que haviam me passado. Estava em dia, então era apenas enfrentar mais um dia de ensino médio.

– Puta que merda! — a voz de Ashton rompeu o silêncio por mais que ele tenha tentado não dizer alto. Larguei o pacote em cima da pia, caminhando até a sala, onde o garoto se debatia com algo em suas mãos, essas que não podia ver já que ele estava de costas.

Meu celular no chão, estava com a tela acesa e a ligação tinha sido desligada. Peguei o aparelho do chão chegando perto do menino.

– Ei, você está bem? — eu disse, com som de divertimento na voz mesmo que não soubesse o que ele estava escondendo. — Que você está escondendo aí? — ele soltou uma mão e depois voltou para a luta. — Ashton! — puxei o pelo braço, virando seu corpo para mim. Dando de cara com dois pares de olhos, um verde e outro azul. — Espera, isso é...?

– Olha, espera! Era para ser surpresa, mas essa merda de pelos não estava me ajudando e... — seus olhos azuis me olharam pedindo desculpas. — É seu presente. — disse-me erguendo as mãos para mim, enquanto eu pegava o bichano pequenino e laranja um tanto exaltado.

– Que amor Ash! — naquele momento me permiti ser gay com ele, abraçando-o com apenas um braço. Olhei para o gatinho, coçando suas orelhas e notando que estava se acalmando. — Qual o nome?

– Não sei. — disse-me ele. — É seu filho, dê a ele o nome que quiser.

– Você é o pai. — eu disse distraída com os olhos verdes do bichinho em meu colo.

– A mãe não me avisou sobre isso. — disse-me sorrindo de lado. — Podemos fazer outro, se você quiser...

– Meu Deus! — ri alto, quase que escandalosamente. — Não seja estúpido! Eu não quero você na minha cama! — ri mais alto.

– Você pode até que não. — disse ele, sorrindo e dando uma volta caminhando para o sofá. — Mas eu quero você na minha. — corei bruscamente, olhando para o gato em meu colo. Sem pensar muito joguei o bichinho em seu colo.

– Preciso de ar. — disse a ele, enquanto tomava o rumo de meu quarto.

Eu não sabia porque, mas Ashton abalava todo o meu emocional com pequenas coisas e eu certamente não ia cair em seu papo de malandro. Não precisa ser mais uma garota na lista. Ele só era um garoto estúpido com palavras estúpidas.

Que naquele momento fez as minhas pernas bambearem.