Notas iniciais
BOA NOITE A TODOS!!!!!! ME DESCULPEM PELO ATRASO T.T Gente foi impossível postar essa semana, meu trabalho me consumiu todos os dias até as 21:00 horas, eu trabalho em um salão e tem dias que é impossível sair. Peço desculpas por isso e justamente para que nessa semana isso não aconteça novamente eu já vou avisar que a PRÓXIMA POSTAGEM vai ser no dia 05/10. Quero agradecer a todas as pessoas que tem acompanhado essa fic e deixado suas opiniões tão especiais, isso realmente faz toda a diferença na minha vida e eu estou amando essa participação. Neste capitulo vamos ter o tão esperando encontro com Steve Rogers e sua reação a essa surpresa, mas somente no próximo é que vamos por os pingos nos “IS”. Também vamos ter a apresentação de uma nova personagem e quero saber como vocês vão lidar com isso hehehehehe. Boa Leitura XOXO da Juh

AGORA

Café do Mike’s – Manhattan

Aquele dia não era como os outros, as ruas estavam manchadas com tons de cinza por toda a parte a chuva caia pesada na rua enquanto as pessoas do café podiam ver a agua escorrendo pelo vidro da janela na parte de dentro, o frio estava se aproximando e quando chovia ficava ainda mais evidente isso, havia algo de pesado no ar e Hannah sabia bem o que era, seu coração sabia e para sua tristeza não tinha como mudar aquela situação.

A SHIELD havia caído á algum tempo e sua participação que já era pequena se tornou ainda menor para sua segurança e segurança do soro. Sem que Tony soubesse, Hannah construiu uma base secreta no Canadá, lugar onde pediu a Fury que guardasse todas as coisas importantes para eles no agora e no futuro, incluindo a formula e o frasco contendo o ultimo vestígio do soro do Super Soldado. Sua única exigência com os diretores do que sobrou da SHIELD era o de sempre, Anthony Stark jamais deveria saber sobre aquela base, se soubesse iria se meter naquilo e as coisas poderiam ficar complicadas, ele jamais deveria ter uma ligação direta com ela, por isso a garota evitava ir até a casa do mesmo, muitas vezes quando precisava conversar ela mandava uma mensagem para ele marcando em um lugar que somente os dois conheciam, e sempre usavam um código, o mesmo que havia criado com Howard, a palavra chave era STAR. Quando o Mandarim surgiu alguns anos atrás Hannah queria muito ajudar, e quando Tony foi dado como morto pela mídia seu coração quase parou, mas depois Pepper telefonou dizendo que Tony havia mandado uma mensagem e ela sorriu, afinal, Tony era um Stark e jamais iria se entregar sem uma boa luta.

Os Laboratórios Genesis também estavam livres de qualquer ligação com a SHIELD, um trabalho de queima de arquivos longo e demorado, mas de grande importância para ela, ninguém podia saber sobre sua existência, o mundo ainda não estava preparado, a única chance de ter uma vida parcialmente feliz era ser um fantasma para o mundo ou assumir uma vida paralela como gostava de fazer, afinal, ninguém iria ligar a sua imagem de hoje com uma mulher que viveu nos anos 40. Ela tinha medo do que as pessoas podiam fazer, ela conhecia a história de Logan, ele demorou muito tempo para confiar realmente nela, mas durante os anos em que Hannah amadurecia seus poderes acabou construindo uma amizade verdadeira com aquele homem complicado e cheio de vícios.

Nos últimos dias ela esteve ao lado de Peggy Carter em seus momentos de delírio e sofrimento, não estava pensando em Bucky ou Tony ou qualquer outro problema que fosse, ela só tinha tempo para se dedicar a amiga já que Sharon, sua neta, tinha um trabalho imprevisível na SHIELD, assim como Steve, que mesmo estando presente na maioria das vezes ainda não era o suficiente para as necessidades daquela incrível mulher. A SHIELD caiu, mas havia muitos agentes prontos para proteger o país com suas vidas, incluindo o agente Coulson e sua equipe que estava fazendo um trabalho fabuloso em nome da organização. Diante disso, Hannah abriu espaço em sua vida para dedicar um tempo especial a Peggy, afinal, ela não poderia morrer de velhice, e isso a fazia uma ótima ouvinte.

Flash Back ON

Naquela manhã os enfermeiros ligaram dizendo que Peggy estava mais confusa do que nunca, naquele dia havia recebido a primeira visita de Steve Rogers, o homem por quem esperou toda uma vida. Ás vezes Hannah se perguntava se sua vida também seria assim, se no futuro seria apenas mais uma sombra de quem foi falando para qualquer desconhecido sobre um grande amor do passado.

—Ele esteve aqui Hannah, ele estava tão lindo quanto no dia em que nos conhecemos. – Disse Peggy com lágrimas nos olhos focando uma foto sobre sua cabeceira, uma foto onde estava Howard com um grande sorriso, Steve com seu escudo e Hannah tímida ao lado de Howard e Peggy que segurava uma arma mostrando seu poder feminino estilo anos 40. Era uma bela foto.

—Fico feliz que conseguiu vê-lo novamente Peggy, eu sei o quanto isso é importante para você. – Disse Hannah abrindo um pouco mais as cortinas daquele quarto tão grande e justamente por isso tão vazio. –Vocês mereciam uma história mais bonita. – Hannah não percebeu que o próprio tom de voz ficou melancólico, mas Peggy sorriu com toda a sua serenidade.

—Você vai encontrar o seu soldado Hannah. – Disse a mulher segurando fortemente a mão de Hannah que á olhou um pouco surpresa. –Eu acredito nisso, sei que mais cedo ou mais tarde você vai ter a oportunidade de cumprir sua promessa, ás vezes uma promessa é tudo o que temos. – Disse Peggy com a voz quase inaudível.

—Acho que andei fazendo promessas demais. – Disse Hannah com um pequeno sorriso para a velha amiga enquanto ainda segurava a mão da mesma, ela estava constrangida por estar trazendo problemas naquele momento e Peggy percebia isso, as pessoas que vinham visita-la estavam sempre sorrindo, ou falando de coisas boas, ninguém falava sobre morte ou doenças, ninguém desabafava com ela, nem mesmo o menor dos problemas como uma batida de carro com um motorista desatento. Por isso ela amava Hannah e sua sinceridade.

—Promessas nunca são demais, se forem feitas com o coração. – Peggy sorriu e ficou em uma espécie de transe por alguns minutos, logo depois ela olhou para Hannah como se não soubesse quem ela era e por fim voltou para a realidade. –Sobre o que estávamos falando mesmo? – Disse a mulher com sua memoria tão danificada.

—Sobre como o dia está lindo lá fora, sobre como os jardins aqui são bem cuidados e sobre como eu vou convencer o seu médico a liberar passeios ao ar livre. – Disse Hannah com um sorriso travesso fazendo Peggy sorrir animada.

—Não acredito que isso seja capaz minha querida, eu já não consigo mais sair dessa cama, mas se quiser trazer uns bolinhos de chocolate eu agradeceria muito, sinto falta daquela cobertura perfeita do Joe’s. – Disse a mulher com um sorriso entusiasmado. – E não se esqueça Hannah, por mais que as coisas pareçam erradas, promessas nunca são demais.

Flash Back OFF

—Você está bem Hannah? – Disse a voz de uma jovem com longos cabelos negros presos por um lindo rabo de cavalo e olhos escuros como a noite, ela usava um uniforme escolar de uma escola particular muito conceituada, seu material estava em uma mochila com o símbolo do Capitão América e as cores azul, branco e vermelho por toda a parte, a mesma permanecia jogada no chão em sinal de descuido encontrado em qualquer adolescente comum e ela tomava um milk-shake de chocolate fazendo barulho e chamando a atenção das outras pessoas ao redor, ela tinha uns 14 anos e estava muito ansiosa para a chegada dos quinze, porque sabia que seu padrinho iria proporcionar a maior festa da história. – Está agindo de forma estranha desde cedo, o que aconteceu?

—Me ligaram da clinica. Peggy morreu nesta madrugada. – Disse Hannah tomando um gole do seu café com creme e forma tranquila enquanto a jovem a sua frente colocava a mão nos lábios chocada, ela sabia o peso daquela frase e sentiu uma dor imensa nascendo em seu coração, já havia feito visitas para Peggy nos últimos anos também, ela gostava do trabalho voluntário e fazia parte de alguns grupos em sua escola.

—Eu sinto tanto Hannah. – Disse a jovem segurando com força a mão da empresária que apenas sorriu tranquila. –Eu sinto mesmo, não sei o que faria se perdesse alguém que amo, não sei mesmo o que faria. – O copo de milk-shake começou a rodar como se fosse um rodamoinho de leite, assim como a chuva do lado de fora parecia estar congelada no tempo, Hannah olhou firme para a menina que compreendeu e respirou três vezes na tentativa de controlar os seus impulsos, ela ainda era muito jovem e não tinha total domínio sobre quem era.

—Eu sei disso Sammy, mas precisa se controlar está bem? Não podemos deixar que as pessoas comuns vejam nossas habilidades, o segredo de tudo estar dando certo é que sou um fantasma a muitos anos, e preciso continuar assim, agora respire e mantenha a calma. – Disse Hannah com a voz quase inaudível. — Eu sei que posso contar com você.

Samantha Jones era uma mutante assim como Hannah, quando se conheceram no instituto, Sammy como Erskine gostava de chama-la, era apenas uma criança que havia sido abandonada pelos pais por ser “diferente”. Naquela época Hannah estava se sentindo muito só e com o apoio de Charles adotou a garota lhe dando um lar e um nome. A menina tinha o poder de controlar a agua e qualquer coisa líquida, o que tornava as duas uma forte equipe, já que Hannah era dona da eletricidade, uma combinação muito perigosa para os inimigos, além disso, Sammy era fã do grande Capitão América e seu maior sonho era encontra-lo pessoalmente um dia, uma das coisas que deixava ela furiosa por Hannah ter tanto medo de falar com ele.

—Acho melhor ir para a escola, hoje tenho uma prova horrível de matemática. – Disse a menina fazendo uma careta e Hannah riu. -E você vai precisar ir ao velório. – Disse a garota de forma séria e Hannah se orgulhou, Sammy era uma jovem de bons princípios e se não fosse por ela talvez as coisas não fossem as mesmas.

—Tem razão. – Hannah fez um gesto com a mão para o motorista que estava lendo jornal do lado de fora, ele também era um agente da SHIELD, foi indicado pelo próprio Fury quando Hannah pediu a ele alguém de confiança, claro que a primeira opção da mulher seria o Arqueiro, mas Clint era um agente de um nível muito superior, ele não podia ficar preso a ela e seus problemas, assim como Natasha. –Thomas, leve Sammy em segurança para o colégio, preciso resolver outros assuntos. – Disse a mulher para o homem que parecia um pouco preocupado.

—A senhora não prefere ir conosco? É mais seguro senhora Erskine. – Disse o homem encarando Hannah de uma forma que ela conhecia muito bem. –A senhora sabe os riscos que estavam enfrentando ultimamente. – Disse Thomas com uma expressão preocupada.

—Riscos? O que está acontecendo Hannah? – Disse Sammy enquanto guardava o celular dentro da mochila.

—Não é nada Sammy, apenas o de sempre. – Hannah falou erguendo uma sobrancelha e focando seu olhar em Thomas que entendeu que ela não queria que aquele assunto continuasse. -Não se preocupem comigo. Mantenha Sammy em segurança e depois me encontre no cemitério, vou precisar comprar flores antes e não quero fazer isso com plateia. – Disse Hannah de forma séria e um pouco triste, Sammy saiu de trás da mesa e abraçou fortemente a “irmã”, para todos do prédio e da vida de Hannah, Samantha era sua irmãzinha que estava morando com seus pais e estudando fora, após a morte dos Erskine em um acidente trágico de carro a menina veio morar com ela em New York. Essa era a versão oficial.

—Não tenha medo de encontrar o Capitão. – Disse Sammy enquanto permanecia abraçada a jovem e Hannah estremeceu, mas tentou disfarçar seus medos.

—Eu não tenho mais medo. – Mas ela sabia que aquilo era uma grande mentira.

(...)

Alguns Minutos mais tarde...

Hannah viu Sammy sendo levada em seu carro blindado para a escola. Ainda permaneceu por um tempo no café pensando em como iria dar continuidade aquela situação, ela precisava ir, não podia deixar as coisas como estavam, principalmente agora que ela sabia que Bucky estava tão perto. Ele havia sido de grande importância na queda da SHIELD alguns meses atrás, atacou Natasha e Steve e por pouco não os matou.

O taxi parecia não querer parar para ela naquele dia, e sem pensar direito Hannah resolveu ir andando até a Igreja, ela sabia bem onde ela ficava, assim também iria ter um pouco mais de tempo para pensar em sua situação atual, ela precisava de ajuda, isso era um fato, mas colocar Steve de volta em sua vida não era uma coisa que ela queria fazer. Alguém esbarrou nela brutamente, claro que para Hannah a dor era só uma questão de tempo, mas aquele homem distraído lhe chamou a atenção. Era um homem da HIDRA.

Sem perceber apertou os passos em direção á rua principal, ela sabia que a melhor forma de se sair bem daquilo sem ter que participar de um conflito era mantendo-se em publico. Mas não foi o que aconteceu, ela acabou sendo fechada por um carro preto que a obrigou a desviar para um beco sem saída, vários homens saíram do carro empurrando as pessoas que estavam no caminho e atirando na direção da empresária. Hannah arrancou os sapatos e atirou os mesmos nos homens isso iria lhe ajudar a correr melhor, correu descalça naquele chão frio até que não tinha mais para onde ir.

—O que vocês querem? – Hannah falou se virando para os homens com um olhar intimidador. –Estou ficando cansada disso. – Ela parecia debochar dos homens como se aquele grupo armado não fosse perigoso o suficiente e aquilo irritou o líder deles.

—Você sabe o que queremos, estamos aqui para concluir nosso objetivo. Nosso líder deseja ter uma conversinha com a senhora. – Disse o homem com o mesmo tom de deboche que Hannah havia usado, ela sabia que não teria tempo para pedir ajuda, alguns meses atrás ela ainda conseguiu entrar em contato com Tony quando tentaram invadir a casa dela, o que impediria que a mesma usasse seus poderes, já que ela mora em um prédio, poderia acabar machucando inocentes. Tony sempre esteve ao seu lado nos momentos difíceis, mas ela não queria mais envolve-lo nisso, havia tirado o soro do super soldado da casa dele justamente para protege-lo e ficar chamando o bilionário toda vez que a HIDRA surgisse não era o seu desejo.

—Ok rapazes. – Disse com a voz um pouco ofegante fazendo uma analise de quantos homens estavam ali presentes e o que iria fazer para derruba-los. -Vamos dançar. – Ela sorriu elevando seu corpo no ar com a ajuda de algumas caixas no chão e o apoio das escadas de incêndio acertando em cheio o rosto do primeiro homem que se aproximava, depois dando um mortal usando o próprio peso arremessou outro dos soldados sobre sua cabeça fazendo o mesmo cair dentro do latão de lixo.

—Acha que é invencível? Mas você não é. – Disse um dos homens com um sorriso sombrio. –Dominic mandou lembranças. – Ao dizer aquilo Hannah ficou em choque, aproveitando aquele momento de desligamento o soldado atirou com tudo o que tinha na jovem, somente quando a dor foi insuportável é que Hannah despertou junto com suas lembranças sendo tomada por uma raiva descontrolada.

—Nunca mais. Nunca mais diga esse nome na minha presença. – A dor se misturou com um poder fora do normal, ela nunca chegou a controlar toda a sua força, sabia que tinha dois dons poderosos, regeneração e controle da eletricidade, o que a tornava muito poderosa, mas Hannah não gostava de usar isso principalmente dentro da cidade, não queria trazer problemas a Charles e ao seu Instituto. –Você me mandou um recado, agora ouça a minha resposta. – Hannah sentiu a corrente elétrica percorrer seu corpo baleado, seu corpo vibrava com a intensidade do poder, no mesmo instante as balas saíram pela força da sua regeneração, com o tempo aprendeu a se regenerar como Logan, as balas não eram mais suficientes para deixa-la em coma. Rápida, enquanto os homens tentavam se aproximar para mais disparos, Hannah deixou seu poder fluir até seus braços, alguns tentaram atirar, só que ela não permitiu, e sem pensar duas vezes eletrocutou a todos com uma descarga tão poderosa que queimou seus corpos até transformar a todos em cinzas.

O cheiro dos corpos queimados iria atrair os curiosos então ela não pensou duas vezes até correr para outro beco, teria que agir com cuidado, mas depois do que havia ouvido nada mais tinha sentido, ela realmente precisava da ajuda de Steve Rogers, só ele e os Vingadores seriam capazes de proteger a ela e sua irmãzinha adotada.

Torre dos Vingadores – New York

Steve havia tido uma conversa complicada com Tony sobre essa nova lei, sobre controlar a força dos Vingadores com a mão do Governo, ele sabia o quanto isso poderia ser problemático e tinha medo do que o futuro poderia reservar a eles. Wanda também estava muito chateada, desde os acontecimentos em Wakanda ela não conseguia dormir direito, sem falar que Tony tinha proibido a mesma de sair e isso a deixava frustrada. A mídia estava em cima dos Avengers e o momento não era bom, justamente quando a HIDRA estava mostrando suas garras novamente eles se encontravam sobre o julgamento de todos, sem falar na ameaça constante de Soldado Invernal, que Tony não conseguia aceitar, mesmo sabendo dos sentimentos de Hannah e Steve em relação ao mesmo, ainda sim, Tony não conseguia perdoar as maldades que o mesmo havia feito, e isso porque ele nem sabia de tudo.

Logo após aquela conversa desagradável Steve foi até a janela blindada refletir sobre tudo aquilo, ele permaneceu ali por alguns momentos em silencio vendo o sol tímido querendo sair por de trás das nuvens que já não estavam mais tão carregadas quanto pela manhã, tudo parecia confuso, ele queria muito que as coisas fossem mais simples, como eram antes e naquele momento seu telefone tocou. Ele respondeu poucas palavras e ficou em silencio, não disse nada, apenas sentiu uma dor que ele já carregava no peito a muito tempo.

—Aconteceu alguma coisa? – Disse Natasha encarando aqueles olhos azuis cheios de mistério e dor, por alguma razão misteriosa ela sabia o motivo.

—Avise o Stark que eu tenho um compromisso agora. Talvez eu não volte mais hoje. – Steve falou com os olhos brilhantes e Natasha sabia o motivo, ela queria muito abraçar aquele homem, mas não teve coragem, no fundo ela não se sentia digna para isso. A única coisa que Natasha conseguiu fazer foi sorrir e acenar com a cabeça positivamente, ela iria avisar Tony, mas não apenas ele.

—Ele acabou de receber o aviso, aposto que foi a sem sal da Sharon. – Assim que Steve saiu ela pegou o celular e fez a única coisa que poderia fazer. –Ele está indo para a igreja e parece arrasado.

—Eu já soube que ele vai estar lá. – Disse a voz de Hannah do outro lado da linha um pouco ofegante, ela parecia cansada e nervosa. — Mesmo assim obrigada por ligar. – Hannah estava sentindo seu estomago querendo sair pela boca, agora seria inevitável, ela realmente teria que encontrar Steve.

—Você esta bem? Sua voz esta um pouco estranha. – Natasha não era tola, ela sabia muito bem como essas coisas funcionavam. Hannah sempre gostou de passar uma imagem serena, não fazia parte da sua personalidade aquela agressividade toda na voz.

—Acabei de sofrer um ataque da HIDRA, levei alguns tiros, oito para ser exata, por sorte eles não eram bons de mira e não acertaram minha cabeça, só entro em coma quando alguém acerta a cabeça, droga, acabei de perder meu vestido preto favorito. – Hannah falou enquanto passava um dedo pelo buraco da bala, em seu corpo não havia mais ferimentos, apenas a pele que mantinha um tom rosado em cada marca, mas em poucos minutos não haveria mais nada. -Mas não foi só isso.

—O que aconteceu Hannah? – Natasha estava sentindo que havia algo muito pior nessa história, e se alguma coisa era capaz de deixar Hannah tão desorientada então ela também deveria ter medo.

—Dominic. – Disse a jovem fazendo um grande momento de silencio, como se pronunciar aquele nome fosse suficiente para trazer todo o sofrimento á tona. -Foi um ataque orquestrado por Dominic, eu não sei o que está acontecendo mais vou descobrir.

—Hannah você está afastada da diretoria da SHIELD á muito tempo, não sabe quem é confiável e quem não é mais. – Natasha sabia que a SHIELD não podia mais ajudar com pesquisas desse nível, ela era a única pessoa viva que conhecia o segredo de Hannah em relação ao passado e sobre o que aconteceu naquela tarde sobre a neve onde Dominic destruiu a vida de Erskine, ela era a única que sabia, porque também compartilhava de sofrimentos parecidos e quando encontrou Hannah viu na mulher uma grande amiga, uma irmã, alguém que se importava realmente com ela. -Deixe que eu cuide disso.

—Nath, eu não posso envolver você nessa história, se Dominic realmente estiver vivo estamos todos em perigo, talvez ele tenha feito uso da tecnologia que criou o Super Soldado para não morrer, e se isso for real eu só posso dizer que estamos em estado de alerta. – Hannah já estava correndo em direção ao taxi e a ligação não estava muito boa, mas Natasha ouviu o desespero na voz da amiga.

—Fale com Rogers. – Disse Natasha mordendo os lábios logo após dizer essas palavras, ela sabia o quanto Hannah havia lutado para não ver o soldado logo que ele voltou do mundo dos mortos. -Você precisa da ajuda dele.

—Porque todos ficam me dizendo isso? – Hannah deixou uma risada fraca escapar enquanto o taxi parava para ela com um olhar de espanto, as roupas dela estavam manchadas de sangue e a marca das balas estava por toda a parte. –É uma fantasia para uma festa. – Disse a mulher para o motorista que parecia um pouco mais aliviado e Hannah podia jurar que ouviu os risos de Natasha do outro lado da linha. –Eu não entendo porque todo mundo quer que eu vá atrás dele. Juro que não.

—Porque é o certo Hannah. Steve já sofreu demais achando que todos de sua vida estão mortos, ele acabou de receber a noticia mais triste da vida dele. – Natasha se lembrou daqueles olhos azuis cheios de tristeza e sentiu um aperto no peito impossível de esquecer, havia uma dor ali sem tamanho. -Tinha que ver a expressão de sofrimento, ele é um homem corajoso Hannah, mas muito solitário. Tem que falar com ele, não pode mais fugir. – Natasha sabia que quando Hannah surgisse tudo seria explicado e compreendido e até mesmo Bucky Barnes que andava sorrateiro por ai iria retornar, era só uma questão de tempo.

—Tem razão, não posso mais adiar isso. – Hannah respirou fundo tentando manter a calma. –Não adianta eu ficar lutando contra isso. – Ela passou o endereço para o taxista que não quis nem ao menos contar uma de suas fabulosas histórias para distrair os turistas, ele simplesmente ficou em silencio enquanto aquela mulher jovem e estranha seguia em direção a igreja principal da cidade.

Igreja Principal de New York

Hello, it's me
I was wondering if after all these years
You'd like to meet, to go over everything
They say that time's supposed to heal ya
But I ain't done much healing

Hello, can you hear me?
I'm in california dreaming about who we used to be
When we were younger and free
I've forgotten how it felt before the world fell at our feet

There's such a difference between us
And a million miles

Hello from the other side
I must've called a thousand times to tell you
I'm sorry, for everything that I've done
But when I call you never seem to be home

Hello from the outside
At least I can say that I've tried to tell you
I'm sorry, for breaking your heart
But it don't matter, it clearly doesn't tear you apart anymore

No radio do taxi tocava Hello da cantora Adele, Hannah adorava ela, sua forma melódica de evolver com suas canções o coração das pessoas, sua voz transformava a tristeza que sentia em poesia pura, era a melhor forma de lidar com a dor da perda. Fazia dez minutos que o taxi havia chegado ao seu destino, mas ela não sabia ao certo como continuar, estava diante de um dos momentos mais difíceis da sua vida depois da morte de Howard e Maria Stark. Não havia conseguido comprar as flores que tanto queria, só havia levado os seus sentimentos e amizade em relação aquela mulher maravilhosa que tanto fez por ela no passado.

—Vai descer moça? – Disse o taxista preocupado, ele não queria afrontar uma pessoa de luto, mas não podia ficar ali parado perdendo as suas corridas, sem falar que ás vestimentas de Hanaah estava dando medo.

—Sim. Desculpe. – Disse Hannah pegando uma nota de 100 dólares e entregando ao homem que sorriu satisfeito, aquele dinheiro cobria todos os minutos parados ali. –Pode ficar com o troco, obrigada pela paciência. – Disse a jovem com um ar triste descendo do carro e atravessando a rua em direção á igreja.

Hannah caminhou pela longa calçada de pedras que circulava a igreja, elas mostravam o caminho para as escadas de mármore e também para os jardins laterais, era uma linda construção adornada com obras barrocas e passava aquela sensação de humildade para os pecadores. Ela não entrou, primeiro porque não se sentia digna da presença de Deus, segundo por respeitar a religião de sua mãe e terceiro porque havia muitos fotógrafos do lado de dentro e aquilo não era uma boa ideia.

Ela ficou parada do lado de fora tentando não ser vista, por um momento pensou em entrar, em dar uma banana para a sociedade e fazer sua homenagem da forma que desejava, mas além de não estava vestida pra isso e também não podia confrontar Steve dentro da casa de Deus, e lá estava ele, bonito como sempre, bem vestido, com aquela postura de sério e preocupado, sentado na primeira fileira de bancos, olhando fixo para Sharon Carter que lia um discurso em nome de sua avó.

—Deixe os homens rotularem você como quiserem. Se somente você, dentre toda a nação, decidir tomar um caminho que seja certo perante as suas convicções, você cumpriu o seu dever para consigo e para com o seu País. Levante a cabeça, pois você não tem nada do que se envergonhar. – Disse a jovem encarando todos os presentes com olhar fixo, havia uma dor nela tão grande que Hannah quase conseguiu sentir na pele, Sharon não era a preferida dela, sinceramente ela conhecia outros netos de Peggy que conquistaram muito mais o seu coração, mas talvez aquela implicância fosse por ciúmes, não era um motivo muito nobre, de fato, mas Hannah sempre teve Peggy como uma amiga, irmã e mãe com o passar dos anos e quando via Sharon e sua aproximavam com a mesma ficava se sentindo deslocada, até porque um de seus segredos era o fato de não poder ter filhos, o estupro tirou isso dela. – Não importa o que a imprensa diga. Não importa o que os políticos ou as multidões digam. Não importa se o País inteiro diz que a coisa errada é a correta. Repúblicas são fundadas em um princípio acima de todos: A exigência de que nos temos que defender aquilo em que acreditamos, não importa quais sejam as consequências. – Disse a mulher encarando Rogers que mantinha um olhar orgulhoso e Hannah percebeu aquilo, talvez no fundo ele visse naquela menina um pouco de sua Peggy, o que no fundo não era uma coisa muito positiva. -Quando o povo, a imprensa ou o mundo disser para que você sair de onde está, é seu dever se plantar como uma árvore à beira do rio da verdade e dizer para o mundo: Movam-se vocês! – Disse por fim fazendo todos se levantarem e aplaudirem de forma contida, aquilo não era um discurso politico, era sobre como você enfrenta seus problemas. Sharon lançou um olhar para Steve, um olhar que dizia muita coisa, podia ser “obrigado”, “estou esperando você”, “estou perdida”, “preciso de você”, e coisas do tipo, mas no fundo Hannah sabia bem o que aquilo significava e ela não sabia se concordava ou não.

Todos começaram a sair da igreja enquanto o cortejo para o cemitério começava a ser organizado. Sharon ficou para os últimos detalhes, mas Steve não queria ser incomodado pelos repórteres, todos estavam ansiosos para saber como ele estava se sentindo em relação á morte do seu grande amor, ele odiava isso e por isso, se levantou e saiu pela porta dos fundos sem que ninguém visse, bom, pelo menos era o que ele havia pensado.

—Você? – Disse o homem chocado encarando aquela visão do passado. –Como pode ser você? – Hannah parada ali de pé diante dos seus olhos, longos cabelos loiros e o mesmo olhar de antes, a garota pela qual havia arriscado a vida de seus amigos, ali estava ela, viva, com a aparência de um fantasma, cheia de coisas para dizer. –Não pode ser. – Por um momento Steve pensou estar sendo assombrado.

—Diamantes são eternos. – Disse com um sorriso fraco que na opinião de Rogers lembrava o mesmo sorriso de Howard. –Eu evitei esse momento o máximo que pude, mas não vou poder continuar fazendo isso. – Ela mordeu os lábios, Steve era uma lembrança boa e confusa do seu próprio passado, ele foi muito querido e admirado por seu pai, Abraham, Rogers era o assunto nas refeições, nas viagens, nos momentos de descanso, ela sabia mais sobre Rogers e do projeto do super soldado do que qualquer outro cientista.

—O que aconteceu naquele dia? – Steve deu um passo a frente mais Hannah se afastou, ela começou a andar na direção do grande jardim da Igreja onde havia uma estátua de São Miguel Arcanjo bem no centro com sua espada voltada para o demônio, era obvio que ele iria querer uma explicação sobre o que havia acontecido naquele dia, como ela pode ser tola de pensar que ele daria mais tempo a ela, já havia passado décadas demais. – Hannah?! O que aconteceu lá, você me deve uma explicação daquele dia. Hannah!!! – Steve apertou o passo atrás da jovem e a segurou firme pelo braço fazendo a mesma parar e encara-lo dentro dos olhos, eles estavam próximos e Steve podia sentir naquele olhar inundado por lágrimas uma mistura de raiva, dor, rancor e tristeza.

—Coisas que eu jamais irei dizer em voz alta. – Disse Hannah puxando o braço de volta com toda a sua dignidade. — Por décadas eu escondi aqueles acontecimentos do mundo e quero que permaneça dessa forma. – Hannah sabia que não era justo com ele, Rogers tinha o direito de saber a verdade, ninguém nunca entendeu como as coisas puderam acabar daquela forma, mas ela não conseguia pensar em Dominic, todas as vezes que tentou foi tomada por uma dor forte demais, ela só conseguiu contar a história toda, duas vezes e nas duas acabou medicada com doses fortíssimas de calmantes.

—Hannah, Bucky se tornou um monstro por culpa daqueles acontecimentos. ELE ERA MEU MELHOR AMIGO. – Gritou Steve se sentindo aquele soldado tímido e solitário, aquele garoto que perdeu os pais e o melhor amigo e que foi obrigado a voltar em um futuro distante totalmente só.

—NÃO FOI CULPA MINHA. – Gritou ela tentando explicar mais sentindo o ar faltar em seus pulmões. -EU NÃO PUDE VOLTAR. AQUELE HOMEM SURGIU ELE... Ele fez coisas, ele fez coisas que nunca vou esquecer. – Hannah urrou em um misto de dor e nojo esfregando as mãos pelo corpo como se houvesse veneno em sua pele, Steve percebeu o quanto ela estava transtornada, ele não podia culpa-la, ela era só uma menina de 20 anos na época, uma dama dos anos 40, como poderia lutar? Como poderia ter feito alguma coisa? Ele se sentiu envergonhado, não devia jogar sua frustração nela, por muito tempo pensou estar sozinho no futuro, e a morte havia se encarregado de levar Peggy, mas agora Bucky estava de volta e Hannah estava de volta, era como ter uma nova chance mesmo estando em um tempo diferente.

—Eu sinto muito por não ter salvado você. – Steve diminuiu o espaço até eles e abraçou Hannah com força, com uma força que a impedia de se afastar e ela deixou toda a sua frustração aflorar. Ela socou o peito do homem enquanto chorava desesperadamente, suas lágrimas molharam o peito dele, aquele era o momento mais difícil de sua vida.

—Eu sinto muito por ter obrigado você e seus soldados a irem atrás de mim. – Hannah falou quando seus soluços diminuíram. –Se eu tivesse morrido naquele cativeiro nada disso teria acontecido.

—Não diga isso nunca mais. Não foi uma obrigação Hannah, você era nossa amiga. – Steve falou ainda com a jovem em seus braços, Hannah estava com vergonha de olhar o soldado nos olhos, mas Steve estava tranquilo, seu choque inicial havia passado e a única coisa que ele podia fazer no momento era acariciar os cabelos de Hannah esperando por sua melhora.

—Ainda sou. – Disse a jovem com um pequeno sorriso.

—Soube do Bucky? – Steve falou com cuidado, ele não sabia o quanto aquela mulher sabia dos últimos acontecimentos.

—Sim. Fiquei sabendo que ele quase matou você. – Disse a mulher se afastando dos braços protetores do homem e virando de costas numa tentativa de limpar a maquiagem que deveria estar horrível. – Também fiquei sabendo de outras coisas cruéis.

—Mas ele também me salvou, seja lá o que fizeram com ele está perdendo a força, nós vamos conseguir traze-lo de volta. – Steve tinha um tom de esperança na voz, uma esperança que Hannah havia deixado enterrada a muito tempo, desde a morte de Howard e Maria.

—Eu fiz uma promessa a ele e não vou quebra-la. – Hannah falou com um pequeno sorriso se virando para o soldado que pode finalmente ver o quanto ela era bonita, já que no passado, Hannah não gostava muito de se aproximar dos soldados.

—Eu acredito em promessas. – Steve falou com um sorriso confiante colocando sua mão pesada no ombro de Hannah e ela sentiu o peso daquelas palavras em um misto de alivio e angustia.

—Peggy também acreditava. – Houve um momento de silencio onde eles permaneceram quietos apenas ouvindo o barulho dos pássaros que habitavam as arvores do jardim. – Eu estou em perigo, não posso mais ficar na minha casa, preciso de um lugar mais seguro, um lugar onde possa manter minha irmã em segurança.

—Irmã? – Disse o soldado um pouco confuso diante daquela informação, ele não sabia que Hannah tinha uma irmã. – Nunca soube disso antes.

—Eu adotei uma criança como eu. – Hannah falou fazendo uma pequena pausa. -Com habilidades especiais, passei alguns anos no Instituto Xavier tentando aprender a conviver com isso. – Ela disse olhando para aqueles jardins floridos e se lembrando dos jardins do Instituto, lá ela foi muito feliz também, mas tinha medo de levar até seus amigos uma guerra que não era deles.

“-Não devia ficar fugindo desse jeito guria, vai acabar fugindo de si mesma.” – Disse a voz de Logan em sua mente, ele era um mutante como ela, com um poder de regeneração fortíssimo, e assim como ela, ele havia sido perseguido por uma organização que desejava usa-lo em pesquisas, no caso dela a busca era por outras coisas, mas ainda sim ela compreendia o sofrimento dele.Logan foi muito importante em sua vida, um dos poucos homens com quem ela teve alguma coisa, afinal ela estava viva a mais de 80 anos e não tinha compromisso com ningué. Howard sempre foi o amigo que ela precisou, e nada mais, e Erik desapareceu no tempo, jamais retornou, mesmo depois de sua fuga, o que só deixou as coisas claras para Hannah.

—Tony já sabe de tudo não é? – Disse Steve com um pequeno sorriso de quem começava a compreender muita coisa, provavelmente as missões solo de Tony deviam ter algum envolvimento com Hannah, e por um momento ele chegou a pensar que Tony só estava querendo se divertir como antes.

—Sim. E ele também está em perigo, nós precisamos encontrar Bucky primeiro que a HIDRA, e precisamos limpar o controle mental que eles tem sobre ele, só assim eu vou ficar mais segura. – Disse Hannah pensando em todas as coisas que poderia dar errado se Bucky se voltasse contra eles. -Quero que saiba que para mim a vida de Anthony Stark é prioridade, eu devo isso a Howard, então seja lá o que venha a acontecer quero que me prometa que vamos mantê-lo em segurança.

—Não se preocupe Hannah, eu também gosto de Tony tanto quanto você. Não pretendo colocar a vida dele em risco. – Steve falou sério e Hannah sabia que era verdade. -Vamos para o enterro primeiro, Peggy merece essa ultima homenagem, depois vamos para a Torre, é melhor que todos saibam o que está acontecendo e quem é você, só vão protegê-la se puderem confiar nas suas palavras e depois, bem, depois vamos atrás de Bucky. – Disse Steve como um bom líder faria e Hannah percebeu o quanto sentia falta daquilo.

—Vamos trazer Bucky de volta. – Disse a jovem sentindo mais uma vez a esperança correr em suas veias.

Notas finais
OMG OMG OMG OMG Steve encontrou Hannah, como lidar com isso?????????? Será que Tony vai aceitar essa ida de Hannah para a Torre????? Natasha já conhecia Hannah, elas dividem segredos do passado, será que houve confissões secretas ai??????????? E esse possível passado com Logan? Ele realmente aconteceu????? E a pergunta crucial, SAMANTHA, SAMMY SAMMY SAMMYZINHA, o que vocês acharam dessa garota cheia de atitude e maturidade??????? Quero saber de tudo, não escondam nada...