Stuck in his Past
10 I'm drowning in the sea of her Blue Eyes
Notas iniciais
ANTES
Primavera de 1980
Casa de Hannah Erskine – Manhattan
Howard havia entrado naquela casa algumas vezes, tanto para coisas boas como para momentos ruins, como no dia em que Erik surgir novamente na vida de Hannah a deixando em pedaços mais uma vez, ele já não era o simples lenhador que ela amou, talvez ele nunca mais voltasse a ser. Ele entrou pelos fundos sabendo exatamente onde encontraria a amiga, a jovem mulher mantinha uma paixão momentânea em relação á jardinagem, era mais um de seus hobbies para distrair a mente enquanto mantinha seus objetivos que (Na opinião de Howard) não passavam de uma tentativa suicida de morrer.
—O que vai fazer na semana que vem? – Disse Howard com seu sorriso de sempre fazendo Hannah rir debochada quando percebeu a presença do homem, ele como sempre muito elegante e cheio de charme, os anos simplesmente não existiam para ele. – Devia fazer um curso de massagem, já pensou nas possibilidades? – Ele sorriu malicioso fazendo a jovem curvar os lábios e erguer a sobrancelha.
—Howard, quando vai crescer? – Disse Hannah rindo alto para o amigo e se sujando de Terra, ela estava usando um macacão jeans de short curto, o que deixava suas belas pernas expostas para o homem admirar, coisa que Hannah já não se incomodava mais, com o tempo ela aprendeu que homens são idiotas e enquanto eles focam no seu decote você o tem na palma das mãos.
—Provavelmente nunca. – Howard esperou a amiga vir até ele para abraça-lo, ele podia sentir o cheiro de terra que estava por toda a parte, aquele cheiro de terra molhada quando chove e que trás uma sensação boa, naquele momento Hannah era essa sensação. – Preciso falar com você, Maria está com medo das suas pesquisas sobre a HIDRA, ela acha que se você encontrar aquele homem vai nos colocar em risco. – Disse Howard sem rodeios enquanto Hannah apenas franzia a testa de forma jocosa. – A lista de mortes só aumenta. Ninguém conseguiu detê-lo, o máximo que consegui fazer em nome da nossa amizade é tentar tirar o foco de Bucky Barnes e tentar transforma-lo numa espécie de fantasma justiceiro, algum tipo de mito ou lenda urbana, mas você sabe que isso não vai durar para sempre. Maria tem certeza de que é apenas uma questão de tempo para tudo ir á tona. – Howard deslizou suas mãos ao redor do corpo de Hannah que ainda mantinha a expressão séria e fechada.
—Não dou a mínima para o que Maria acha. – Hannah falou firme depois de algum tempo, ela sabia que Maria nunca havia gostado dela de fato, sabia que a mulher acreditava que ela era apenas mais uma das amantes do marido e que estava interessada apenas no dinheiro como todas as outras, aquilo era algo que Hannah odiava profundamente, ela pensou em se defender e dar sua opinião a Howard mais antes de falar qualquer outra coisa viu a silhueta de uma mulher entrando pelo mesmo caminho que Howard havia feito.
—Você diz isso porque não é mãe. – Maria falou com seus olhos expressivos e uma energia que percorria todo o seu ser. –E nunca passou pelo medo de ver um filho morto, eu estou cansada disso. – Maria nunca gostou como as coisas eram feitas até aquele momento, ela tinha conhecimento sobre a SHIELD e sobre o que Howard realmente fazia, mas tinha muitas desconfianças quando se tratava de Hannah.
—Maria, meu amor, eu disse para você esperar no carro. – Howard falou baixo se aproximando da esposa, Maria não sabia, mas aquele assunto sobre filhos era uma grande pedra em seu coração.
—Chega Howard. Eu não vou colocar Anthony em risco por culpa do passado amoroso dessa sua amante. – Um tapa. Um silêncio que pareceu uma eternidade, Hannah permaneceu olhando fundo nos olhos daquela mulher, havia lágrimas em ambos, as duas pareciam exaltadas igualmente, mas naquele momento começou a surgir um entendimento.
—Nunca mais. – Disse Hannah com seus lábios trêmulos e coração disparado. -Nunca mais diga isso. Não sou amante do seu marido, nunca fui, se Howard e eu tivemos alguma coisa foi antes de você, e nunca mais diga que não entendo, porque eu entendo sim, Anthony é tão precioso pra mim quanto é pra você. – Hannah falou séria enquanto Howard se sentia apavorado entre as duas leoas. –Isso não é sobre meu passado amoroso, isso é sobre lealdade. Aquele homem morreu por minha culpa, eu preciso salva-lo de si mesmo agora.
—Me desculpe. – Disse Maria apertando as mãos na aba do chapéu caro. –Eu perdi a cabeça, não devia ter falado essas coisas cruéis, é que estamos sendo ameaçados e...
—Maria?! – Howard não queria falar sobre aquilo para Hannah, sabia que a amiga tinha problemas demais, sofrimentos demais. Não precisava de mais aquele. – Por favor Maria, nós combinamos de não mencionar isso.
—Não Howard, ela precisa saber sobre os telefonemas, sobre as cartas, sobre tudo o que tem acontecido em volta da nossa família, essa busca dela vai acabar nos matando, quando esse homem surgir tudo vai desmoronar. – Disse Maria enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
—Está enganada, você não conhece aquele homem, ele é tudo o que restou de mim, de uma Hannah inocente, ele me viu de verdade, ele deu a vida por mim, nunca vi um homem fazer isso tão caridosamente antes. Ele é um herói. – Disse Hannah com os olhos cheios de lágrimas pensando em tudo o que Bucky significava para ela.
—Ele é um assassino Hannah. – Disse Maria já se recompondo, ela era uma mulher forte, conhecia os riscos mais não estava preparada para perder aqueles que amava no processo, principalmente seu pequeno Tony. – Todos nós vamos morrer, se não for pelas mãos dele será pelos tentáculos da HIDRA. – Maria tinha certeza que mais cedo ou mais tarde as coisas ficariam impossíveis e o perigo seria iminente, Howard amava Hannah demais para impedi-la, mas alguém precisava fazer isso antes que fosse tarde.
Fabrica abandonada – Em algum lugar de New York
DIAS ATUAIS – MOMENTOS ANTES...
—Me perdoa.
—Engraçado. – Disse Bucky hipnotizado pela imagem de Hannah, ele deixou um pequeno sorriso surgir, sorriso esse que já não conhecia mais. – Achei que quando nos encontrássemos de novo seria o momento em que você se tornaria a senhora Barnes. – Disse o soldado deixando sua imagem de assassino guardada nas profundezas de sua alma, naquele momento só existia o homem, o herói e foi pensando nesse herói que Hannah correu para abraçar o homem por quem dedicou todos os dias de sua vida. Ele era sua missão, ele era o seu destino.
Sem se importar com Steve ou Sam que não sabiam ao certo o que fazer, Hannah se jogou sobre os braços de Bucky entrelaçando suas pernas ao redor do corpo do homem, ela colocou suas mãos na face dele e olhava para a profundeza daquele mar azul sem conseguir dizer uma única palavra se quer, então fez a única coisa que faria sentido. Ou não faria sentido nenhum.
Ela o beijou como se fosse á menina de 20 anos ansiosa por vê-lo novamente, ela o beijou como devia ter feito a mais de 60 anos atrás.
—Sei que vocês vão ter muito tempo para falar sobre os últimos anos, mas Bucky é um homem procurado, não podemos ficar aqui. – Sam sabia que o casal não estava nem um pouco preocupado com detalhes naquele momento, afinal, eles passaram décadas afastados e tinham uma ligação muito forte, mas os rádios da policia estavam enviando mensagens a todos falando sobre um criminoso perigoso que estava á solta pela cidade, era obvio que Steve não pensava dessa forma e Sam sabia disso, mas Bucky não era mais o velho amigo de antes, por mais que agora se lembrava de algumas coisas, ainda sim não era o suficiente para se redimir de todos os seus pecados.
—Precisamos resolver isso. Bucky não pode continuar sendo caçado dessa forma, ele precisa ser ouvido por Fury, tenho certeza que com a influência dele, vamos conseguir consertar alguns erros. – Disse Steve olhando ao redor, era possível escutar o barulho de viaturas circulando ao redor do velho prédio. – Todas as coisas que ele fez foi por controle da mente, eu mesmo vi isso quando a HIDRA se manifestou na SHIELD, quando lutei com ele sabia que não estava enfrentando o verdadeiro Bucky Barnes.
-Eu entendo isso Steve, sei que ele é seu amigo e sei que está preocupado assim como Hannah estava, mas vai ser muito difícil encontrar o apoio do governo nesse momento, principalmente quando todos estão tão furiosos com o que aconteceu em Wakanda. – Sam falou tenso se lembrando da explosão causada por Wanda alguns dias atrás, o que desencadeou uma certa desconfiança do governo nos Vingadores.
—Wanda é só uma criança, ela é como Samantha, ou até mesmo como Hannah, elas tem grandes poderes e pouco controle, claro que com o tempo Hannah aprendeu a se dominar e é justamente isso que vamos passar para Wanda. Eu tenho fé nela. – Steve falou seguro e Sam sentiu orgulho do amigo, ele sempre iria ver o melhor das pessoas.
—Se alguém nos encontrar será o fim, é melhor deixarmos a conversa para depois, precisamos levar seu amigo para um lugar seguro e voltar para a Torre. Ninguém vai nos apoiar se formos pegos ajudando o criminoso. – Sam falou um pouco tenso, ele olhou para o casal que parecia tentar se encontrar através dos olhares, era estranho, como se os anos 40 estivesse batendo na porta.
—Bucky não é um criminoso. – Steve falou firme encarando o amigo que entendia o sentimento de companheirismo do Capitão, mas sabia que aquilo podia ser um erro de julgamento. –Eu vou provar isso.
—Se você está dizendo, não sou eu que vou discutir. – Disse Sam encarando Steve que estava muito feliz pelo amigo e por Hannah também, mas que sabia o tamanho do risco que corriam. –Precisamos encontrar um lugar seguro e Tony não pode saber sobre isso tão cedo. – Ao mencionar o nome de Tony, Sam conseguiu fazer com que Hannah o olhasse por um instante, ela sabia como seria difícil explicar tudo aquilo ao seu Stark.
—Tem razão. – Era difícil para Steve aceitar aquilo, afinal depois de alguns anos ele havia aprendido a tolerar Tony e suas excentricidades, eram amigos agora, e ele não queria mudar aquilo, mas sabia que a situação atual podia fazer isso com eles. -Tony não pode descobrir nada ainda, nós temos muitos fatores para abordar antes de revelar o paradeiro do Soldado Invernal para ele. – Steve falou enquanto o amigo se aproximava segurando em seu ombro com a mão humana.
—Não me chame mais assim. Eu não sou mais esse homem. E sobre os últimos acontecimentos em Wakanda, bem, eu não estive lá, tentei focar a minha vida nos acontecimentos daquele dia em que nos encontramos, estou tentando voltar a ser eu mesmo. – Disse Bucky com um olhar muito mais próximo do seu verdadeiro “EU”.
—Você nunca foi esse homem Bucky, eu sempre acreditei que iria encontrar você novamente. As coisas que vivemos naquele bosque frio, os momentos de dor e medo, é complicado para algumas pessoas compreenderem, mas nós éramos tudo o que havia restado de esperança para o outro. – Disse Hannah ao se lembrar das suas horas de terror ao lado daquele homem que havia feito de tudo para salva-la. – Eu sei o homem que você é de verdade e vou fazer o mundo ver isso também. Mas precisamos de um lugar seguro para conversar e com certeza não é essa fabrica velha. – Ela falou sorrindo e Steve se sentiu feliz por saber o quanto seu amigo estava bem agora, Hannah era uma mulher dedicada.
—Não se preocupem. Eu sei exatamente para onde vamos. – Disse Steve enquanto o mundo de Hannah ainda era o azul profundo daqueles olhos tão desejados.
—Precisamos trocar de roupas também, um homem com asas e um cara parecendo o 4 de julho ambulante não vai ser o melhor disfarce do momento. – Disse Sam fazendo Hannah rir.
—Engraçado, pensei que o piadista fosse o Stark. – Steve falou encarando o amigo que riu animado.
—Infelizmente isso é culpa da convivência. – Disse o Falcão com um sorriso cheio de esperança que era exatamente o que todos ali precisavam no momento.
AGORA
Apartamento de Steve Rogers – Brooklin
A luz de um outdoor entrava pela janela do décimo quinto andar em um prédio secundário no Brooklin. Ali era um lugar bom para se viver por mais que fosse simples, foi tudo o que Steve conseguiu com o dinheiro que tinha, ele não queria pedir nada a Tony, então aceitou o apartamento de Fury por considerar um pagamento pelos seus serviços prestados a SHIELD.
Os imóveis estavam superfaturados principalmente por questões de seguro imobiliário, agora com guerras por toda New York ninguém mais queria correr o risco de ficar sem casa. O Brooklin estava subindo seus aluguéis assim como Manhattan e Hell’s Kitchen. Hannah não tinha problemas com dinheiro, por isso mantinha sua cobertura em Los Angeles e tantas outras que ela nem sequer frequentava, no fundo, se mudar para a Torre não ia ser nenhum sacrifício, ela já era acostumada a não ficar em um lugar por muito tempo.
—Quer café? – Disse Bucky olhando para Hannah que mantinha o olhar perdido pela janela, as duvidas rondavam sua mente em uma velocidade fora do normal. Ela precisava saber sobre a morte de Howard.
—Sim. Obrigada. – Disse enquanto o homem ligava a maquina de café sobre o balcão da cozinha, ele sorriu discreto percebendo que Steve estava se atualizando aos poucos, mas seu maior medo ainda eram as sombras que pairavam em sua mente.
Hannah ainda podia se lembrar da expressão de medo no rosto do taxista que os levou até aquele bairro, Steve tinha um plano, eles iriam ficar no apartamento antigo dele até a poeira baixar, depois Hannah iria falar com Tony sobre os acontecimentos e só depois de convencê-lo é que iriam levar Bucky para a Torre, era de grande importância que Tony concordasse com aquilo.
“-Está tudo bem com ele?” — Disse o motorista com uma expressão de confusão e medo, até porque no seu rádio passava uma reportagem falando sobre uma perseguição perto dos prédios abandonados justamente naquela área em que ele estava, e os policiais mencionavam o quanto era importante colaborar com a justiça.
“-Está sim, só estamos indo para uma festa a fantasia.”— Hannah respondeu com um bom humor que ela própria desconhecia, fazia tantos anos que ela não sorria espontaneamente que aquilo á deixava muito surpresa. Ela pagou um bom dinheiro a ele para não mencionar o homem com braço metálico caso alguém perguntasse.
“-A senhora tem certeza de que está tudo bem?”— O homem ainda insistiu no momento em que todos os outros desceram e ficou apenas Hannah dentro do taxi.
“-As coisas finalmente estão bem meu senhor, não se preocupe comigo, vai ficar tudo bem.”— Ela falou pegando as notas de cem dólares e entregando a ele. “-E ah, me faça um favor, não acredite em tudo que ouve por ai, a mídia nem sempre diz a verdade, precisamos aprender a pensar por nós mesmos.”— Falou sorrindo e descendo do carro em direção ao prédio de Steve.
—Aqui. Espero que goste. – Disse Bucky entregando o café para Hannah que gostou das xicaras dos anos 40, provavelmente aquilo devia ser presente de alguma fã, afinal quem pensa na decoração da louça? Mulheres, CLARO. Talvez aquilo fosse presente de Sharon, afinal ela morou ao lado de Steve durante um bom tempo, vigiando, aprendendo, controlando. Era óbvio que aquilo devia ter o dedo dela.
—Não me deixe esquecer, de perguntar ao Rogers sobre essa louça. – Disse Hannah com um sorriso divertido analisando a xicara e seus detalhes.
—Mais de 60 anos depois e você quer conversar sobre a louça? – Bucky falou com um sorriso divertido.
—Mais de 60 anos e você me ofereceu um café. – Hannah falou colocando a xicara sobre uma pequena mesa de canto. –Você sabe que não estou aqui para tomar uma xicara de café. – Ela falou mordendo os lábios de forma discreta enquanto mantinha os olhos focados no velho radio ao lado de uma vitrola. Sem pedir permissão ela ligou e procurou alguma coisa para ouvir, na 90,3 estava tocando Florence and the Machine, Never Let Me Go, e Hannah foi obrigada a fechar os olhos e sentir aquela musica percorrer o seu interior.
Looking up from underneath
Fractured moonlight on the sea
Reflections still look the same to me
As before I went under
And it's peaceful in the deep
Cathedral where you cannot breathe
No need to pray, no need to speak
Now I am under all
And it's breaking over me
A thousand miles onto the sea bed
I found the place to rest my head
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
A música falava sobre se perder em um oceano, sobre se afundar no mar, nos sentimentos, e era exatamente o que estava acontecendo com ela, era como se estivesse fechando a conta do seu passado e começando a beber um novo futuro. Por um momento Hannah pensou sobre sua vida e sobre todos os homens que estiveram nela e que marcaram de alguma força.
Ela se lembrou de Howard e seu charme irritante.
—Esta falando serio senhor Stark? — Hannah deu alguns passos na direção do homem que sorriu largamente sentindo que estava ganhando a atenção da mulher.
—Muito serio, eu gostava muito de seu pai e não sou um homem tão ruim quanto pensa. — Howard falou dando alguns passos na direção da moça percebendo que Hannah se afastou um pouco, ela não ia ser tola de deixa-lo tão perto assim.
—Não penso isso senhor Stark, só aprendi a não confiar em homens com belos ternos e muito charme. — Ela falou com um sorriso discreto, o que fez Howard sorrir ainda mais.
—Então você me acha charmoso? — Disse o homem convencido.
—Não seja abusado. — Hannah falou sentindo as maçãs do rosto totalmente coradas, esse era um problema da sua pele branca, qualquer coisa mostrada o seu constrangimento.
Aquele foi o primeiro momento em que tivera uma conversa franca com Howard e percebeu que apesar do ego exorbitante, ele também tinha um bom coração. Talvez seja isso que tanto a cative quando se trata de Tony Stark, ele tem a mesma personalidade charmosa e abusiva do pai.
Ela se lembrou de Erik Lehnsherr e da dor de um passado.
—Steve está morto, Bucky está morto, eu não pude mudar isso, eles morreram por mim e não vou achar isso justo nunca.
—Um homem deve escolher por quem deseja morrer. – Erik falou colocando seu copo sobre a mesa e depois a garrafa, ele deu alguns passos na direção de Hannah que estremeceu, ele pegou o copo de suas mãos e também colocou junto ao outro. –Só não pode escolher quem deve morrer por ele. – Erik pensou em dar as costas a Hannah naquele momento e partir, ele tinha uma vingança para cumprir, tinha que honrar o juramento que fez em nome das almas de seus pais. Shaw iria pagar por toda a dor, mas não podia envolver Hannah nisso.
Mas seus olhos cruzaram com os dela, ele sentiu o desejo queimando ali, sentiu a presença da espera daqueles que amam e não podia deixa-la sem mostrar que ela também era capaz de amar sem temer o amor.
Ele se aproximou sem dizer nada e colocou as mãos ao redor do rosto da jovem, lentamente ele abaixou o próprio rosto até tocar o nariz dela sentindo sua respiração enquanto ela sentia seu perfume amadeirado com um toque de hortelã, uma coisa que parecia estar impregnada nele. Aquele cheiro que poucos homens têm. A sensação de uma força superior.
—Magnus...eu...
—Não importa o que aconteça no futuro, eu só quero que saiba, que mesmo que eu cometa todos os erros do mundo eu nunca serei uma ameaça para você, jure que não vai ter medo de mim.
Aquele foi o momento em que ela entregou seu coração, mente e corpo pela primeira vez, foi o momento em que resolveu confiar em um homem e se entregou a paixão verdadeira, infelizmente Erik não era um homem feito para o amor e sim, para a vingança.
E por ultimo se lembrou de Bucky, e de sua força nos momentos de dúvida.
—Você é uma mulher incrível, conheci poucas mulheres assim. — Bucky falou com um pequeno sorriso. -Howard tem muita sorte em ter você. — Bucky falou honesto, mas Hannah apertou os lábios de forma desgostosa. Estava cansada. Cansada de todo mundo naquela maldita base pensar que ela não passava de uma “acompanhante” de Howard.
—Até você pensa assim? Qual o problema de todos? — Hannah falou irritada mexendo no fogo para que o mesmo não apagasse. — Eu não tenho nada com Howard Stark, somos aliados comerciais, eu apenas aceitei um convite para aquela festa estupida, não sou uma das garotas dele. — Hannah odiava ser comparada as mulheres que amavam Howard pela conta bancária e não pelo coração que tinha.
—Me desculpe. Só achei que uma garota fina como você não iria se envolver com homens como eu. — O soldado falou tossindo um pouco e Hannah percebeu que ele estava com febre, sem dizer nada ela rasgou a parte de baixo do vestido usando o foro que era mais grosso, com os pedaços de pano fez curativos por todo o braço, mas ela sabia que ele não tinha mais salvação, aquele braço ia ser amputado.
—Eu admiro homens como você. — Ela falou baixo olhando diretamente para os olhos dele que ganharam um brilho especial. -Vamos ficar bem, eu prometo. — Hannah se aproximou de Bucky e deitou ao seu lado, o homem ficou um pouco admirado com o gesto, depois ficou comovido, ela estava usando seu calor para mantê—lo vivo. Hannah sentia o coração batendo fortemente e seu rosto ficando corado, era a primeira vez que ela se deitava ao lado de um homem para dormir, nunca teve tempo para namorados, sua vida era acompanhar os trabalhos do pai e aprender a cultura americana, não tinha muitos amigos por ser imigrante, ninguém queria ser amigo da alemã filha do homem que trabalhou para Hitler.
—Se sobrevivermos a isso, quero que se case comigo.
Hannah sorriu com aquelas lembranças, foi naquele momento que percebeu o quanto precisava daquele soldado vivo, foi ali, bem ali, no meio da dor, do sangue e da neve que cobria seus corpos, foi naquele momento em que ela entendeu o quanto sua vida estava entrelaçada a dele. Um jamais poderia existir sem o outro, não depois de tudo o que passaram.
And the arms of the ocean are carrying me
And all this devotion was rushing out of me
And the crushes are heaven for a sinner like me
But the arms of the ocean delivered me
Though the pressure's hard to take
It's the only way I can escape
It seems a heavy choice to make
But now I am under all
And it's breaking over me
A thousand miles onto the sea bed
I found the place to rest my head
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
—Você está bonita. – Disse Bucky olhando ao redor vendo o pequeno apartamento do amigo e em todas as coisas antigas que ele conseguiu reunir, provavelmente aquilo foi arranjado com a ajuda de Fury ou possivelmente Tony, talvez não, talvez ele mesmo teria conseguido reunir tudo com muito esforço e dedicação, como sempre fez. – Digo. Muito mais bonita do que antes, naquelas circunstancias. – Ao dizer aquilo Bucky percebeu o quanto era triste o passado deles.
—Obrigada. – Hannah não sabia como agir, ela esperou por tanto tempo aquele momento e agora não sabia ao certo o que fazer, era confuso, apenas manteve sua cabeça focada na musica e no cheiro de café fresco que ainda vinha da cozinha. –Eu tinha tantas coisas para perguntar a você. Tanto coisas importantes como coisas banais. – Disse Hannah mordendo os lábios mais uma vez sentindo seu coração bater tão rápido que era como se ele fosse sair pela boca. –Queria perguntar sobre Howard. – Silêncio. –Queria que me falasse sobre os homens que encontraram você naquele dia, se você sabe alguma coisa sobre eles ou se apenas o maldito do Dominic tomou o soro para permanecer jovem, mas não sei como continuar essa conversa. – Disse a jovem com um sorriso tímido e ao mesmo tempo confuso, fazendo os olhos de Bucky brilhar em sua direção pelo clarão dos letreiros do lado de fora.
—Eu também não sei. – O homem se aproximou lentamente diminuindo o espaço que existia entre eles, o pequeno apartamento parecia muito maior do que realmente era. –Acho que não precisamos de palavras. – Bucky segurou as mãos da jovem e encarou seus olhos azuis cheios de lágrimas. Porque as palavras são dolorosas demais, existe coisas no meu passado que tenho vergonha de contar, eu não queria ser esse homem. – Disse Bucky olhando para as próprias mãos por alguns minutos como se pudesse ver o sangue que havia nelas. –Eu morri. Naquela tarde enquanto você corria para salvar sua vida, eu morri, senti a vida me deixando, senti que tinha cumprido meu objetivo, então ouvi um tiro a distancia, sabia que era você. – Bucky foi encontrado desacordado pelos membros da HIDRA, mas sua mente ainda estava presente em algum lugar, ele ouviu os disparos contra Hannah e ouviu as risadas dos homens quando voltaram contando o que Dominic havia feito. –Eu queria forças para lutar, eu queria correr até você e dizer que tudo aquilo foi um pesadelo, eu queria ter protegido você, esse era o meu dever.
Mas Bucky não conseguiu dizer mais nada, em meio ás lágrimas Hannah se jogou sobre ele como havia feito antes e o beijou violentamente, seus lábios colados tirando o folego dos dois, suas línguas deslizando entre si como uma dança erótica, tudo se encaminhando para algo além da compreensão, ela queria senti-lo com urgência, ela queria gritar ao mundo o quanto pertencia a ele, o homem mais integro que havia conhecido, mesmo sendo dono de um passado tão sombrio.
And the arms of the ocean are carrying me
And all this devotion was rushing out of me
And the crushes are heaven for a sinner like me
But the arms of the ocean delivered me
And it's over
And I'm goin' under
But I'm not givin' up
I'm just givin' in
Oh, slipping underneath
Oh, so cold but so sweet
In the arms of the ocean, so sweet and so cold
And all this devotion, I never knew it all
And the crushes are heaven for a sinner released
And the arms of the ocean delivered me
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
Delivered me
—Tem certeza que quer levar isso adiante? Não tive tempo de lhe contar nada sobre mim, sobre as coisas que fiz. – Disse Bucky com a voz rouca enquanto Hannah lhe beijava o pescoço e desabotoava a camisa com facilidade. –Não quero me aproveitar de você, não agora, não assim, quero que tenha tempo para pensar sobre tudo. Sobre quem eu sou. – Bucky segurou Hannah pelos ombros encarando os olhos dela que revelavam um desejo ardente, ele estremeceu naquele momento sentindo a força que vinha dela e quando a mesma sorriu maliciosamente foi quase como ter um orgasmo.
—Nesse momento eu é que estou me aproveitando de você. – Disse Hannah rindo diabólica e voltando a abrir a camisa dele, agora descendo suas mãos para o cinto da calça. –Somos ferrados Bucky, eu e você temos passados horríveis, fizemos coisas horríveis, e estamos traumatizados de várias formas. Não podemos esperar por uma cura para só então nos unirmos como um casal que esperou a vida toda e muitas outras para isso. – Disse a mulher jogando o cinto dele longe. -Eu já esperei por tempo demais. – Hannah tirou os sapatos e o vestido revelando uma lingerie preta rendada, sem perder tempo Bucky retirou a blusa de frio que escondia o braço metálico e a camisa que Hannah havia desabotoado e jogou sobre o sofá. Naquele momento Hannah viu como o corpo de Bucky tinha cicatrizes, ela parou por um minuto enquanto tocava em cada ferimento antigo, principalmente perto do braço amputado, era muito triste saber que tudo aquilo havia acontecido por sua culpa.
Mas Bucky a beijou firmemente trazendo sua mente para o momento atual, eles foram retirando suas peças de roupa e espalhando por toda a sala até que Bucky ergueu Hannah com seus braços e a encaixou em volta de sua cintura levando á mesma de encontro com a parede da cozinha.
Eles não se separaram um minuto enquanto Bucky encaixava seu membro de uma só vez no corpo quente de Hannah que gemia de prazer como nunca pensou ser capaz, ele mordeu um de seus seios deslizando sua língua pela ponta do bico deixando-o entumecido e fazendo Hannah contrair ainda mais os músculos devido aos espasmos prazerosos que esses toques lhe causavam, Bucky retirava seu membro deslizando pelas paredes umedecidas da mulher que parecia enlouquecer com seus movimentos. Durante todos os anos de espera ela havia feito sexo com pouquíssimos homens, foram mais de 60 anos e menos de 5 homens, ela sempre foi uma mulher discreta mais ali, naquele momento ela não conseguia esconder o que sentia, e a cada movimento frenético urrava de prazer sem se importar com a vizinhança de Steve.
Os dois chegaram juntos ao orgasmo que rendeu um trinco na parede da cozinha onde Hannah estava pressionada, o casal riu com aquilo enquanto Hannah permanecia deitada nos braços de Bucky sentindo o calor de seu corpo e o suor que escorria pelo mesmo. Ela estava nua, frágil, mas sentia-se totalmente protegida. A musica estava no fim, mas a noite deles estava só no começo.
—Eu acho que te amo. – Disse baixinho para o homem que sorriu.
—Eu te amo desde o momento em que você segurou minha mão naquela caverna para não me deixar morrer sozinho. – Disse Bucky enchendo os olhos de Hannah com lágrimas, mas ele era o primeiro que lhe dava lágrimas de felicidade.
Delivered me
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
And it's over
And I'm goin' under
But I'm not givin' up
I'm just givin' in
Oh, slipping underneath
Oh, so cold but so sweet
Torre dos Vingadores – New York
Sammy estava olhando para o seu novo quarto, ela tinha começado seu dia como todos os outros e em um minuto sua vida estava totalmente diferente. Ela havia sido convidada para uma festa por Peter Parker o seu crush pessoal e realizado um sonho, e agora estava olhando para o novo quarto que ficava simplesmente na Torre dos Vingadores, sinceramente ela ainda não havia decidido o que era mais incrível. Quando chegou ali foi recebida por Wanda e Visão que foram muito gentis, Steve não estava e aquilo só a deixou mais ansiosa, ele era o seu herói favorito, mas Wanda falou que ele estava em uma “missão” com Hannah e o Falcão.
—Eles saíram correndo mais cedo. O senhor Stark acha que eles estão indo atrás do Soldado Invernal, porque ele era amigo do Rogers no passado e de Hannah também. – Disse Wanda para a menina que parecia entender aquilo tudo, por vezes ouviu pedaços de conversas de Hannah com Charles falando sobre seu passado.
—Sim. Eu já sabia disso, mas Hannah não gosta muito de falar sobre o passado dela, normalmente nós conversamos sobre os novos projetos dos laboratórios Genesis e sobre a nossa viagem para o Caribe. – Disse Sammy enquanto Visão tentava fazer um milk-shake de chocolate.
—Vocês namoram? – Disse Sammy para Wanda que regalou os olhos tentando não se constranger ou explodir alguma coisa diante daquela pergunta 100% invasiva, mas sua tentativa de se controlar foi por agua abaixo no momento em que o copo do liquidificador explodiu na cara de Visão espalhando milk-shake por toda a cozinha. –Desculpe, acho que falei demais.
—Tudo bem, eu acho. É que não costumo falar sobre essas coisas, eu só tive um irmão e nossos assuntos não eram tão legais. – Disse Wanda tentando limpar o rosto de Visão que ainda parecia confuso sobre o que tinha acontecido.
—Bom, agora eu vou morar aqui com a Hannah e podemos falar sobre garotos. – Disse Sammy rindo enquanto tentava ajudar lavando o copo do liquidificador.
—Porque mulheres precisam falar sobre garotos entre si? – Disse Visão com uma expressão confusa deixando Wanda constrangida.
—Você não precisa saber sobre isso Visão. É melhor focar no milk-shake. – Wanda falou rindo enquanto sentia o cheiro doce de chocolate vindo do homem que ainda parecia confuso, aquilo deixou Sammy feliz, era misterioso, mas em pouco tempo ela já se sentia em casa.
Sammy estava muito feliz por ter sido levada para a Torre, normalmente seu dia é repleto de atividades chatas, e uma tarde sozinha vendo TV, o máximo de companhia que consegue é quando Thomas resolve jogar banco imobiliário com ela, uma atividade quase impossível de se presenciar, já que ele é muito profissional. Naquele momento ela se lembrou de um acontecimento estranho quando ainda estava saindo da escola, um homem velho, usando um casaco marrom e um chapéu igualmente escuro olhando profundamente para ela, por mais que parecesse estranho, aquele homem tinha alguma coisa familiar.
—Está tudo bem aqui? – Disse Tony surgindo na porta com um jeito meio desajeitado, ele não era acostumado a falar com adolescentes, muito menos a morar com um deles. –Suas coisas pessoais vão vir ainda hoje, eu pedi para o Happy cuidar de tudo. – Nós temos TV paga, internet e uma sala de jogos, também temos quadras e academia para treino, mas não acho que você faça o estilo esportiva. – Disse o homem com um sorriso de deboche e Sammy atirou uma das almofadas da cama nele.
—Pensei que o Happy cuidasse da segurança. O que vocês estão realmente escondendo? – Sammy falou um pouco desconfiada, ela sabia que havia alguma coisa errada ali e Tony sorriu por ver a sagacidade dela.
—Quando Hannah resolveu adotar você eu fiquei preocupado, ela disse que vocês já tinham uma afinidade, e que tudo o que faltava eram apenas os papeis. – Tony falou se lembrando do dia em que Hannah descobriu que não poderia engravidar e resolveu compartilhar aquilo com ele, afinal, ele era o representante de Howard no coração dela. –No começo eu achei burrice, digo, por que você coloca o seu nome em alguém que não é nada seu? – Tony falou totalmente sem tato como sempre fazia, mas ao invés de ficar magoada Sammy apenas revirou os olhos e riu, fazendo o mesmo rir junto. –Então você veio, e você gostava de Rock pesado e carros antigos, você gostava de fazer amigos e tirar fotos engraçadas, você gostava de salvar pessoas. – Disse Tony com orgulho na voz enquanto se sentava ao lado de Sammy em sua cama.
—Tony, o que está acontecendo de verdade? – Sammy perguntou com a voz preocupada. –Eu sei que Hannah está passando por momentos complicados, foi por isso que pedi a ela que retomasse a amizade com o senhor Rogers. Mas nunca imaginei que as coisas estivessem tão ruins. – Sammy sabia um pouco sobre os problemas de Hannah, mas ela sentia que a amiga era no fundo um poço de muitos segredos.
—Existem pessoas no passado de Hannah que voltaram para nos assombrar, eu sei que você sabe de algumas histórias, mas o que precisa saber é que vamos proteger você de todo o mau. – Tony falou acariciando os cabelos de Sammy dando um beijo em sua testa.
—Eu sei que vai Tony, você é um ótimo Padrinho. – Sammy falou abraçando lateralmente o homem que sorriu, ele sempre sentiu falta do amor verdadeiro de uma família, mas quando estava na presença de Hannah ou Samantha ele conseguia sentir isso, elas o amavam de verdade.
—Sinceramente essa é uma cena que não se vê todo dia. – Natasha falou surgindo na porta com os braços cruzados e muita atitude. –E ai Sammy como vai o seu treino de defesa pessoal? – Natasha era responsável pelo treinamento de Sammy depois que a mesma deixou o Instituto Xavier, lá o responsável por isso era o Logan e até hoje Sammy não sabia quem era mais exigente.
—Ah, eu não sou muito boa com lutas Nath. – Disse a menina mostrando uma expressão de desgosto surgir no rosto. –Acho melhor focar nos meus poderes. – Disse balançando a mão e fazendo a agua do jarro de flores flutuar no ar até sair pela janela.
—Acho que você devia ir falar com a Wanda, ela estava procurando você, acho que quer trocar algumas dicas sobre essa coisa de poderes e quer fazer mais perguntas sobre o Instituto Xavier. – Natasha falou séria e Sammy não discutiu, na verdade ela sentia que Romanoff queria ficar sozinha com Tony.
—Então, o que está acontecendo. – Tony falou sem rodeios ficando de pé e encarando a ruiva com uma expressão fria.
—Barton foi atrás deles. – Disse Natasha que havia pedido maiores informações ao Arqueiro, ela sabia que Tony iria mandar seus robôs atrás de Bucky e para evitar que uma lutar desastrosa acontecesse, ela teve a brilhante idéia de “ajuda-lo” com as informações, só que no caso ela estava apenas passando o que considerava necessário. -Estão perseguindo o Soldado Invernal pela cidade, e acho que Hannah não vai voltar tão cedo pra casa.
—Eu não confio nele, sei que pode ser precipitado, mas alguma coisa me diz que vamos ter muitos problemas por culpa desse cara. – Disse Tony passando a mão pelos cabelos e andando até a janela mais próxima, ele sabia que as coisas podiam ficar muito pior.
“Senhor Stark, a senhorita Potts está no seu escritório para falar sobre as Indústrias Stark e deseja a sua presença imediatamente já que o senhor não compareceu em nenhuma das reuniões solicitadas anteriormente ela se sentiu no direito de vir até aqui.” – Disse a voz de Sexta-Feira, a nova interface de Tony depois das mudanças de JARVIS, já que a voz do amigo agora pertencia ao Visão.
—Boa sorte Tony. Sei que as coisas não estão nada fáceis entre vocês. – Disse Natasha indo até o amigo e colocando sua mão sobre o ombro do mesmo que sorriu um pouco amargo. –Isso que aconteceu não foi por causa da Erskine foi? – Natasha falou com uma expressão séria, mas Tony se afastou sem encarar seus olhos.
—Minha vida sexual não é da sua conta mamãe. Agora se quiser fazer parte dela nós podemos conversar mais tarde. – Tony falou enquanto andava em direção á porta ainda cheio de charme, Natasha apenas balançou a cabeça sorrindo, Tony era um homem fascinante, qualquer mulher iria querer estar ao seu lado, mas todas sabiam que mais cedo ou mais tarde as coisas sempre terminavam mal.
—Não seja canalha Tony, eu já tenho problemas demais na minha vida, não preciso de mais um, chega de ruivas na sua vida. – Natasha falou e Tony apenas riu alto enquanto se encaminhava para o encontro com Pepper, já fazia alguns meses que eles não se falavam pessoalmente, tudo aquilo pelo fato dele continuar sendo um Vingador e querer atuar como o homem de ferro.
“Deveríamos ter uma vida só nossa Tony.”
“Minha vida é ser um herói agora e isso sempre vai nos perseguir.”
Tony sabia que ser o Homem de Ferro iria lhe trazer coisas maravilhosas, mas muitos problemas também, ele precisava de uma mulher forte que compreendesse isso e que estivesse pronta para lutar ao seu lado, infelizmente Pepper não era essa mulher, ele precisava de muito mais, e talvez, algumas garrafas de whisky para compensar.
Torre dos Vingadores – New York
05:35 da Madrugada
Hannah não sabia o que havia acontecido com Sam e Steve, provavelmente eles deviam ter ido comer em algum lugar exatamente como ela fez, quando parecia tranquilo, Hannah desceu até um restaurante japonês que ficava próximo e aproveitou para refletir sobre tudo enquanto esperava sua comida, ela não podia aparecer em qualquer lugar naquele momento ao lado de Bucky. Quando olhou no celular viu que havia mensagens de Sammy e Tony, provavelmente estavam furiosos com ela, conhecia bem as manias de controle do bilionário e os dramas emocionais da adolescente. Sem falar que também havia recebido mensagens de Barton, ele não era tolo, ao contrario, era um dos melhores agentes da SHIELD assim como Natasha.
“Sei que encontrou o Soldado Invernal, seja lá o que tenha em mente tome cuidado, não sabemos ainda do que ele é capaz, eu confio em você e no seu julgamento, mas precisa tomar cuidado nesse momento.” – Clint falou em sua mensagem de voz, ele parecia muito apreensivo e cansado, Hannah tinha certeza que ele devia ter seguido o grupo enquanto acontecia a perseguição entre as construções de New York. “Você sabe que sempre vai ser um alvo para eles, não dê bobeira.” – Ela sabia que ele tinha razão, não podia dar bobeira, até mesmo naquele momento, comendo seus legumes salteados com shoyu e macarrão, até mesmo ali corria perigo.
No meio da madrugada Hannah resolveu voltar para a Torre, sabia que Sammy iria estar cheia de perguntas sobre tudo o que estava acontecendo e precisava lhe dar alguma satisfação, ela merecia saber o porquê, sua vida estava mudando tanto.
“Thomas me trouxe direto para a Torre, ele disse que nossas coisas vão vir amanhã.” – Dizia uma das mensagens que recebeu da garota. “O que está acontecendo Hannah? Estamos correndo algum tipo de perigo?” – O que ela devia dizer diante disso?
Ela fechou os olhos respirando fundo enquanto caminhava pelos bairros da cidade em direção ao taxi mais próximo, ela pensava em tudo o que tinha acontecido naquele apartamento e em como esperou por aquilo. Uma das coisas mais difíceis foi deixar aquele homem lá, naquele apartamento sozinho, mas antes de sair ela ligou para Steve que realmente havia ido comer alguma coisa, ela riu imaginando ele e Sam do lado de fora fingindo que não sabiam o que estava acontecendo no apartamento á cima.
Depois disso Natasha mandou uma mensagem de alerta para Hannah sobre como Tony estava se comportando desde sua saída misteriosa com Steve.
“Ele está um pouco fora de si hoje, acho que está com ciúmes, só é arrogante demais para admitir isso, mesmo assim, tome cuidado, nós sabemos o quanto Tony é influente, e não vamos querer que ele fique contra nós, principalmente no momento em que descobrir a verdade.” – Disse Natasha e Hannah franziu o cenho preocupada, quando Tony descobrisse a verdade ele talvez não fosse capaz de perdoar. “Sei que você e Fury chantagearam muitas pessoas para que ninguém falasse a verdade para ele, mas isso não vai durar pra sempre.”
Depois daquela mensagem Hannah se sentiu ainda mais culpada, ela nunca quis trazer problemas para Tony, ele era a lembrança mais bonita que possuía de Howard, por algum tempo ela pensou que ambos poderiam ter um “relacionamento amigável” sem rótulos, sem pressão, apenas dois amigos que transam ás vezes, e realmente funcionou por um tempo, até Tony se interessar verdadeiramente por Pepper. Foi a primeira vez que Hannah perdeu um homem para outra mulher e não para a morte, ela até podia ter ficado magoada, mas ela sabia que Tony merecia a chance de ter um relacionamento de verdade, e quem sabe ter filhos no futuro. E filhos era uma coisa que Hannah jamais poderia ter, o estupro violento de Dominic destruiu seu útero e isso não teve salvação.
—Isso são horas de chegar mocinha? – Disse Tony com a voz cheia de autoridade por alguma razão no momento em que a porta do elevador se abriu revelando uma garota de 19 anos com uma expressão travessa e um semblante de felicidade misturado ao seu cabelo bagunçado e maquiagem borrada, qualquer um com menos experiência iria adivinhar que ela vinha de uma noite com muito sexo e amor, e foi exatamente o que Tony pensou, e ele não era um garoto sem experiência, era um homem acostumado com aquele tipo de cena, só que normalmente era ele que chegava em casa com os sapatos nas mãos para não acordar os pais. Logo Hannah percebeu que ele havia bebido muito mais do que devia.
—Tony está parecendo meu pai. – Disse Hannah rindo com aquela expressão séria dele, um homem bonito, em seu terno caro, o paletó jogado sobre o balcão da cozinha, a gravata levemente afrouxada, os cabelos bagunçados e a camisa branca com as mangas dobradas até a altura do cotovelo, Tony era um homem muito charmoso, muito mais do que Howard foi um dia e Hannah sorriu ao vê-lo deixar aquilo sorriso lindo brincar em seus lábios, um sorriso torto que significava muitas coisas. — Ainda sou mais velha que você, não tem o direito de me criticar. Não quando você não é exemplo de caráter. – Hannah falou jogando os sapatos em um canto no chão ao lado da poltrona vermelha sorrindo de forma desafiadora para o bilionário, ela tinha razão e ele sabia disso.
—Você e eu á dois anos atrás nós estávamos bem acima de criticas pessoais. – Disse Tony ainda mais charmoso e convencido e Hannah apenas revirou os olhos, ela odiava quando ele fazia isso. — Bem, mas é claro que você sabe disso. – Disse o homem com um sorriso arrogante enquanto bebia mais um copo de whisky.
—Nós não temos um relacionamento Tony. Nossos amigos nem ao menos sabem sobre o que aconteceu. – Disse Hannah enquanto ouvia o elevador fechando a porta lentamente atrás dela como se estivesse fugindo daquela conversa.
—Não estou cobrando nada, nem estou pedindo para ser a minha garota, afinal, isso não faz o meu estilo. – Tony sorriu indo em direção da cozinha enquanto era seguido por Hannah, ela percebeu que havia mais de três garrafas vazias ali. – O que estou querendo dizer é que você precisa tomar cuidado com as pessoas que trás para essa casa. – Tony ergueu os olhos frios para a jovem que parecia irritada, por um momento ela viu a expressão julgadora de Howard como nos velhos tempos.
—Foi um erro Tony. – Ela falou se aproximando do homem e retirando o copo de whisky da mão do mesmo. -Você é minha responsabilidade, eu não devia ter me aproximado tanto quando as coisas ficaram complicadas. Eu devia ter ficado no meu canto, mas quando pensei que você havia morrido por culpa daquele maldito Mandarim, eu perdi a cabeça, mais foi só uma noite, pensei que estava claro sobre isso.
—Algumas coisas não estão claras o suficiente. – Disse Tony se aproximando de Hannah com um olhar que ela conhecia bem. – Você faz parte das Indústrias Stark Hannah, nós temos um acordo, somos sócios, somos amigos. Não quero ver as coisas ficando confusas.
—Pensei que amasse Pepper. – Hannah falou seca encarando o homem que estava fitando-a como no passado, ele estava um pouco perdido, ela sabia que isso era culpa de Pepper, a ruiva o abandonou no momento em que ele mais precisava, no momento em que suas crises de estresse estavam tomando uma proporção fora de tamanho.
—Pensei que fosse honesta. Você me esconde coisas Hannah, você aprendeu isso com meu pai, que outras coisas você aprendeu com ele? – Tony apertou o rosto de Hannah com as mãos e lhe deu um beijo rápido, mas ela se afastou o suficiente para encarar os olhos do bilionário.
—Acho que chega de whisky pra você amigo. Bebeu mais do que devia hoje e eu tive um dia muito longo. – Hannah sabia que por um lado Tony tinha razão, ela sabia sobre a morte de Howard, sabia que o verdadeiro assassino foi o Soldado Invernal, e não tinha coragem de contar isso a ele, como dizer que o seu Bucky havia matado seu melhor amigo? Como dizer ao filho do homem que fez de tudo por ela que seu “namorado” havia tirado tudo dele, pai, mãe, tudo.
—Eu sei que você estava com ele, sei que Steve vai proteger o amigo congelado, mas quando as coisas ficarem perigosas e nossos inimigos surgirem, não diga que não avisei. – Tony falou saindo em direção as escadas enquanto Hannah ficava ali na cozinha com seus pensamentos perdidos, ela tomou o resto do whisky que havia no copo e sentiu um arrepio percorrer seu corpo, alguma coisa estava mesmo para acontecer.
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