Stuck in his Past
6 Her face in my Memories
Notas iniciais
Pentágono – Washington
07 de Dezembro de 1967
18 anos depois...
O barulho do salto fino podia ser ouvido por todo o grande corredor, as pessoas que estavam passando com suas pranchetas e crachás de identificação saiam rápido do caminho, liberando o espaço para aquela mulher que caminhava determinada até a sala de serviços especiais que representava a nova organização atendendo pelo nome de SHIELD. Claro que aquela sala ainda era um improviso, a verdadeira base ainda estava sendo criada, mas Hannah não tinha tempo a perder e não podia deixar de atender aquele chamado. Depois de tudo o que ocorreu e a descoberta das atividades da HIDRA, Howard não perdeu tempo e em 1962 começou a reunir uma forte equipe para lutar contra essa ameaça, entre eles claro, estava Peggy Carter e sua determinação em punir aqueles que simbolizavam a morte do seu amigo e eterno herói, Steve Rogers, também havia sido chamado o Coronel Chester Phillips, mas conhecido como Phill, amigo de todos e outros soldados que marcaram aqueles anos difíceis como Dum Dum Dugan e seu icônico chapéu coco e G. W. Bridge, que foi escolhido para lidar com os assuntos mutantes, já que a humanidade havia sido apresentada a esse novo rosto humano.
Hannah também foi chamada para ajudar, só que sem envolvimento direto, ela assumiu uma divisão de pesquisas biológicas que envolviam o que sobrou do soro de seu pai e algumas pesquisas arquivadas. Ela e Howard passaram a trabalhar em conjunto logo depois da partida de Erik, que algum tempo depois foi visto pela mídia mundial criando problemas inimagináveis, sendo um deles a morte do Presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy em 1963, em Dallas, Texas, Erik foi preso em uma instalação especial depois desse ocorrido e Hannah não soube mais nada depois disso. Depois da grande decepção com seu amigo lenhador, Hannah se dedicou totalmente ao trabalho, e essa dedicação lhe trouxe novas esperanças, assim como também lhe trouxe a percepção de um novo poder mutante que estava se manifestando em suas mãos, infelizmente Erik não estava mais lá para ajudar.
—Muito bem. – Disse a jovem abrindo a porta sem rodeios. -Você me chamou até aqui e eu atrasei meu compromisso com Charles só para vir a Washington, então me diga, tem noticias dele? É verdade? Ele está vivo? – Hannah entrou despejando todas as perguntas possíveis em cima de Howard que orientava um de seus engenheiros, eles estavam trabalhando em uma possível base voadora para comportar toda a central de pesquisa e espionagem para agir fora da jurisdição do país, sendo orientada apenas pelos desejos da ONU.
—Bom dia pra você também Hannah. – Disse Howard fazendo um sinal para que o homem saísse da sala. O engenheiro olhou para a menina com um pequeno sorriso e depois lançou um pequeno olhar para Howard que sorriu de forma larga, Hannah revirou os olhos quando viu o amigo fazer isso, Howard adorava quando alguém tirava conclusões precipitadas sobre os dois, ele sabia o quanto isso deixava Hannah furiosa. As pessoas costumavam olhar de forma curiosa para Hannah, ela aparentava ser uma menina de 20 anos, mas sua personalidade mostrava uma confiança de alguém com mais de 30 facilmente. –Eu não tenho nada concreto, mas pedi para o Nicholas vir diretamente da Rússia com as informações e imagens que conseguimos de uma câmera de segurança. –Não sei se vai satisfazer o seu desejo diante dessa nova obsessão, mas garanto que vai ser bem esclarecedor.
—Não é uma obsessão Howard, eu jurei voltar, não posso virar as costas diante dessas evidencias, preciso fazer alguma coisa para concertar meu erro. – Disse Hannah de forma defensiva fazendo o amigo respirar fundo de forma cansada, não era a primeira vez que surgiam tais evidencias e no final sua direção não indicava caminho algum. –E me diz uma coisa, sério que você envolveu Fury nisso? – Hannah falou cruzando os braços se sentindo furiosa. –Howard, por Deus, esse assunto é muito intimo, eu não queria que outras pessoas fossem envolvidas.
—Nick é um homem discreto, ele vai ser o líder da nossa SHIELD, eu preciso confiar nele Hannah, e você também deve. – Howard foi até um pequeno armário com portas de vidro e retirou uma garrafa de Whisky de lá, a menina ergueu uma sobrancelha para o amigo que não parecia nem um pouco incomodado com o fato de estar bebendo dentro do Pentágono.- Eu sei que é demais pedir isso, mas se alguém pode desvendar esse mito de Soldado Invernal, é o Fury.
—Fico feliz em ver que confia tanto assim em mim senhor Stark. – Disse um homem alto e moreno, com algumas cicatrizes no rosto, perto do seu tapa olho, um pouco mais estilizado do que os comuns, provavelmente era presente de Howard. Nick Fury era um homem de poucos amigos e muitos mistérios, ele sempre foi conhecido por ser o melhor espião do governo Americano e por isso estava envolvido com a criação da SHIELD. –Mas, como um homem vivido, tenho que lhe dar um conselho. – Disse o homem se voltando para Hannah e abrindo um lindo sorriso. -Devemos sempre manter os dois olhos abertos.
—Você trouxe as informações? – Disse Hannah erguendo uma sobrancelha e mantendo o olhar focado nas pastas pretas na mão do homem. –Howard disse que posso confiar em você, me diga, até onde ele está certo? – Hannah fitou o homem que parecia um pouco surpreso, ele ficou sério por um momento mais acabou sorrindo depois.
—E quem seria você nessa história? Howard me disse que esses documentos eram para uma pessoa envolvida nos acontecimentos de 42, eu esperava um soldado com mais de 40 anos e não a dona dos laboratórios Genesis. – Disse Fury um pouco desconfiado, era obvio que ele sabia quem Hannah era, mas gostava de ouvir a resposta das próprias pessoas, essa sempre foi a melhor forma de obter a verdade. – É a noiva misteriosa de Howard? Fiquei sabendo por Phill que vamos ter um casamento bilionário para ir. – Fury falou animado como sempre fazendo uma brincadeira, Howard sorriu sem humor bebendo mais uma dose de seu whisky, no fundo ele não estava nem um pouco animado com a história do casamento, Hannah apenas apertou os lábios de uma forma revoltada, ela odiava o fato de Howard deixar as pessoas pensar esse tipo de coisa sobre os dois, gostava dele, mas não dessa forma.
—Em primeiro lugar isso não é da sua conta nem de ninguém, em segundo lugar Deus me livrou desse problema, já tenho os meus. – Hannah falou encarando o homem com os braços cruzados e uma expressão fria. –E em terceiro lugar não posso bagunçar minha vida ainda mais. – Hannah falou séria encarando o espião que gostou da franqueza daquela menina com rosto inocente.
—Ela diz isso mais no fundo me ama. – Howard falou indo até Hannah e abraçando a menina lateralmente dando um tapa em sua bunda fazendo a mesma dar um pulo para á frente em choque, ela odiava quando Howard ultrapassava os limites da etiqueta com ela. -Essa é Hannah Erskine, minha parceira comercial e grande amiga, infelizmente ela não aceitou se casar comigo, então fui obrigado a pedir Maria em casamento. – Disse Howard para Fury que sabia daquele acordo entre empresários que Edward, pai de Howard, queria tanto que acontecesse. –E se existe uma pessoa envolvida nos nossos projetos, essa pessoa é Hannah. Nós temos uma parceria á muitos anos.
—Howard, poupe o seu amigo das nossas intimidades e vamos logo ao que interessa. Os papeis, por favor. – Hannah estendeu a mão na direção de Fury que relutou um pouco, porém Howard assentiu com a cabeça e o agente foi obrigado a ceder, ele entregou um dossiê com todas as informações necessárias sobre a possível existência do Soldado Invernal.
Hannah se sentou em uma cadeira enquanto suas mãos trêmulas abriam a pasta o mais rápido possível, ela tinha medo, medo do que estava por vir mais não podia desistir agora, não agora que estava tão perto da verdade. Ela respirou fundo, naquele momento seus pensamentos foram para o ultimo momento ao lado de seu amigo, ela leu o primeiro registro, logo no inicio o relatório do soldado soviético deixava bem claro a existência de um homem com grandes habilidades.
“Nossa missão de reconhecimento foi interrompida pela presença de um homem com habilidades sobre-humanas e um braço de metal lhe dando uma vantagem imensa sobre nós, não tinha como fugir, meu pelotão lutou bravamente, mas fomos derrotados, ele parecia familiar, mas ninguém soube dizer quem realmente era, alguns diziam que era um fantasma, outros que era um robô ou algo do tipo, mas na minha opinião ele é um homem muito bem treinado.”
Logo abaixo dessa frase havia um retrato falado feito em carvão por um artista local, e apesar da péssima qualidade da imagem Hannah reconheceu imediatamente aquele olhar triste, olhar que ela passou a reconhecer no pouco tempo em que ficaram juntos naquela caverna, aqueles cabelos negros e aquela boca expressiva. Aquilo a fez se lembrar do pedido de casamento de Bucky em um momento de grande emoção entre eles, jamais esqueceria aquelas palavras e o quanto havia se aproximado dele em tão pouco tempo.
—Se sobrevivermos a isso, quero que se case comigo. – Bucky falou sério arrancando um sorriso de Hannah, ela gostava do jeito divertido dele. –Vai ser a senhora Barnes e vamos ter muitos filhos. – O soldado falou olhando para o teto tentando se distrair com aquele pensamento enquanto Hannah não sabia dizer se ele estava bem ou delirando. Hannah sorriu pensando na proposta do soldado, era a primeira vez que um homem a tratava assim, havia uma ligação entre eles. Por fim, venceu sua timidez e segurou a mão do rapaz com força, não sabia se ele iria sobreviver até a chagada da manhã, mas não iria deixa-lo morrer sozinho, estava ali e ficaria até o fim.
—É ele. – Disse com a voz quase inaudível, suas mãos tremulas mal conseguiam segurar os papeis e Fury percebeu que as luzes começaram a piscar freneticamente. –É ele Howard. – Hannah esqueceu por um minuto que Fury estava na sala e se jogou sobre o amigo que tanto fez por ela, ambos ficaram abraçados enquanto ela chorava, não podia acreditar que Bucky estava vivo e isso tirava o seu auto controle habitual revelando um pouco seus poderes mutantes que com o passar dos anos haviam desenvolvido para um outro nível. Eletricidade. –Vou montar uma equipe de busca, não vou perder essa oportunidade, eu fiz um juramento, eu jurei que iria retornar, ele já esperou tempo demais Howard, só Deus sabe o que aqueles malditos fizeram a ele, preciso resolver isso o quanto antes Howard, preciso me redimir. – Aquele era o milagre pelo qual rezou todos esses anos.
—Calma. Calma, você está perdendo o controle, lembre-se do que Charles te ensinou nesses últimos anos. – Disse Howard trazendo Hannah para a realidade que só então percebeu as luzes piscando ao seu redor. -Não se preocupe com isso agora Hannah, precisa manter a calma. Vamos voltar para á Califórnia primeiro, e depois vou entrar em contato com os melhores homens, eles vão se encarregar de tudo. Agora você precisa manter a cabeça no lugar e concluir sua agenda de compromissos. – Howard falou calmo tentando controlar a onda de emoções que despertou dentro da garota, mas Hannah tinha um compromisso com Charles antes de pegar outro avião e ir para o Canadá, precisava conversar com ele sobre seu treinamento, desde que conseguiu descobrir a ligação de Erik com Charles, Hannah sempre se manteve próxima, e quando seu poder elétrico começou a surgir, o professor foi o primeiro a oferecer ajuda para controlar aquele dom.
—Desculpe atrapalhar a comemoração, mas será que eu poderia falar com Howard em particular? Por favor? – Disse Fury mantendo a discrição em relação ao que havia acabado de ver e Hannah não questionou, ela pegou todos os arquivos e saiu muito feliz dizendo alguma coisa sobre preparar o voo de volta deles para Malibu. –Howard precisa tomar muito cuidado. – Fury colocou a perna esquerda sobre a cadeira na qual, minutos antes Hannah estava sentada e sem cerimonias retirou uma parte do documento que havia ocultado da garota. –Você vai ver que nessa parte do dossiê o soldado que sobreviveu relata a violência do inimigo, e como o suposto Bucky Barnes matou eficientemente todos os membros da equipe americana sem pesar duas vezes. Ele não reconhece os soldados americanos.
—Isso significa que ele não vai reconhecer Hannah também e vai machucar ela, ou pelo menos tentar. –Disse Howard preocupado com o que poderia acontecer. Desde o ultimo incidente com Erik Lehnsherr, quando o mesmo partiu abandonando Hannah a própria sorte, ele havia protegido ela de todos os males e problemas futuros, um verdadeiro amigo, fez de tudo para lhe assegurar estabilidade financeira, e convidou Peggy para continuar ensinando defesa pessoal a jovem que era muito boa nisso. Assumiu todas as responsabilidades e apresentou a garota a sociedade como Hannah Erskine, filha de seu grande amigo, e nova sócia de seus negócios genéticos. — Obrigado por me avisar sobre isso Fury, eu vou manter Hannah afastada dessa organização, mesmo que ela me odeie no futuro, não posso deixar que o sentimento de culpa dela a leve para a morte, ela é teimosa como uma mula, vai querer ir até o fim com isso. Não vou suportar perde-la de novo.
—Você se importa muito com a jovem não é? – Fury falou pegando os arquivos de volta e guardando secretamente em sua perna preso por um elástico. –Da pra ver que arrisca muito o seu nome por essa jovem, nunca pensei que viveria para ver um Stark sendo altruísta. – Fury riu para o amigo que sabia muito bem sobre o que ele estava falando, afinal, Edward Stark não era conhecido por seus projetos sociais, era justamente por isso que ele queria buscar um legado diferente para o nome de sua família, e gostaria que no futuro, seus herdeiros fizessem o mesmo, buscando oferecer ao mundo algo de bom só pra variar.
—Eu amo Hannah. –Disse Howard com uma sinceridade que ele mesmo desconhecia. -Mas não posso destruir a vida dela como outros fizeram, eu sei que não sou um bom homem e provavelmente vou ser um marido horrível, mas eu sei que sou um bom amigo, então é tudo o que posso oferecer a ela. – Disse o homem pegando outro copo e oferecendo um drink a Fury que sorriu pegando o copo com satisfação.
—E você acha que ela está feliz com isso? – Perguntou Fury com sinceridade. –Melhor. Você está feliz com isso? Howard, você vai se casar com uma mulher jovem e muito poderosa, seu pai deseja essa união e eu tenho certeza que isso vai influenciar a vida de todos na SHIELD porque dinheiro gira o mundo, eu não sou tolo para pensar diferente. – Fury falou com um sorriso frio. –Você está mesmo feliz?
—Você viu nos olhos dela a emoção quando percebeu que existe esperança quanto a Bucky? – Disse Howard com um tom amargo nas palavras. — Ela tem uma ligação muito forte com ele, nunca havia visto isso antes, mesmo com Erik, eu vejo que ela superou a partida daquele maldito, principalmente depois da prisão dele, mas Bucky não, ela nunca aceitou a morte dele, aquele soldado foi um heróis para ela, esteve ao seu lado nos momentos mais sombrios, não me atreveria a tirar isso dela por mais que seja estranho e doente. Só espero que ele não magoe Hannah ou no caso, não a mate.
—Você é um bom homem Howard. – Disse Fury de forma sincera, ele sempre admirou o comprometimento de Howard com o país e com o exercito, mas aquele lado mais humano do mesmo ele estava começando a conhecer aos poucos e estava verdadeiramente impressionado. -Espero que no futuro você seja feliz, uma das coisas que aprendi na vida é que felicidade não faz parte de um espião. Agora eu vou voltar para a sede da SHIELD, tenho alguns compromissos com os diretores e você sabe como eles são impacientes, espero que tenha uma boa viagem de volta.
—Obrigado Fury, e, por favor, se souber de alguma coisa, me avise primeiro ok? – Disse Howard lançando um olhar sombrio para o amigo, ele não podia deixar que Hannah se envolvesse em alguma coisa perigosa demais para ela, sem contar que tirando ele, Charles e agora Nicholas, ninguém sabia sobre seus poderes mutantes, alguns sabiam sobre a regeneração celular, mas apenas os íntimos, como Peggy e Phill, agora os outros não sabiam de nada, muito menos que agora ela podia controlar a eletricidade com o pensamento, a ultima chuva que passaram juntos havia sido reveladora.
—Não tenha duvidas. – Fury falou fechando a porta atrás de si quando saiu, e Howard permaneceu ali com seus demônios, iria precisar mentir para Hannah se quisesse mantê-la protegida do Soldado Invernal.
Sala de Segurança máxima – Pentágono
Alguns andares abaixo (Confidencial)
Erik permanecia deitado em sua cama nada confortável com os braços cruzados sobre o peito, ele mantinha uma expressão debochada na face que costumava irritar os guardas, a verdade era que todos ali tinham medo dele e isso no fundo era muito bom, quando as pessoas te temem você pode controla-las. Charles era um dos poucos que sabia sobre o fato dele estar preso por ter matado o Presidente dos E.U.A., claro que Howard também sabia já que ele próprio havia projetado a cela onde Erik estava, uma das coisas que lhe dava a certeza de que Hannah jamais iria saber sua localização. Ele sabia que no fundo as coisas iriam mudar, havia no ar uma presença estranha, o mundo lá fora estava crescendo e não haveria espaço para os mutantes nele, logo a população mundial iria começar a temer aqueles com habilidades especiais e alguém iria se lembrar daquele velho lenhador com grande potencial para o desastre.
A única coisa que o fazia permanecer bem era as lembranças de um passado vivo em seu coração, com os poucos anos de felicidade com sua falecida esposa e filha, mortas pelo ódio de humanos incapazes de compreender o que ele era. Outra lembrança boa era os dias na presença de Hannah, aquela jovem cheia de conflitos e potencial. Naquele momento ele tinha sido avisado por um guarda que simpatizava com a causa mutante de que Hannah Erskine havia acabado de deixar o recinto, o soldado não podia colocar tudo a perder, então a comunicação entre eles era feita a cada dois meses, por bilhetes colocados na comida para não despertar suspeitas, por ali Erik ficava sabendo dos acontecimentos do mundo, já que sua perpétua era um vazio sem fim. Ele sabia que o soldado tinha sonhos pretenciosos, talvez em alguns meses fosse capaz de convencê-lo a planejar uma fuga, isso não seria problema para ele que tinha uma grande capacidade de persuasão.
Nunca mais havia visto Hannah, suas ultimas lembranças, foram aqueles dias na cabana isolada no meio da Polônia e depois os poucos dias na cobertura luxuosa em New York, desde o dia em que a deixou na cobertura de Howard Stark, sua vida foi baseada nas pequenas lembranças que nutriu ao lado daquele anjo, como o momento em que seu coração foi deixado para trás com ela.
Flash Back Ok
—Não importa o que aconteça no futuro, eu só quero que saiba, que mesmo que eu cometa todos os erros do mundo eu nunca serei uma ameaça para você, jure que não vai ter medo de mim. – Erik falou olhando dentro dos olhos cheios de lagrimas da jovem, ele não suportava ver as lagrimas dela mesmo sabendo que existiam por emoção. – Jure que mesmo que o mundo pareça me odiar você não vai se encher com esse sentimento, jure que vai levar apenas o melhor de mim com você para onde quer que vá. Jure. – Ele queria gritar que não faria nada errado, queria pegar aquela garota em seus braços e fugir para a velha cabana no meio da floresta, queria jurar que não iria existir perigo, mas ele sabia que não podia, ele conhecia os fantasmas que surgiriam em seu caminho. Ele havia olhado na face da morte e ela tinha sorrido de volta.
—Magnus... – Disse Hannah enquanto seu corpo estremecia ao toque daquelas mãos firmes, ele sentiu cada espasmo desde o pescoço até o baixo ventre, ele podia sentir o que sua presença causava nela e gostava disso, gostava de sentir o desejo nascendo naquele corpo que só havia conhecido a dor, ele sabia que ela havia sido violentada antes, não sabia por quem, não sabia por quantos, não sabia nada, apenas sabia que isso tinha acontecido, que aqueles malditos nazistas haviam tirado tudo daquele pequeno anjo, e ele queria devolver isso a ela.
—Prometa. – Disse ele a poucos centímetros da boca dela, era tão torturante para ele quanto para ela, engoliu em seco ao sentir o aroma de maçã fresca vindo daquele batom vermelho que ela tanto gostava de usar, Hannah mordeu os lábios de forma involuntária e Erik deixou um gemido abafado sufocar sua garganta sem ela perceber, estava perdendo a cabeça.
—Eu... – O coração de Hannah quase podia ser ouvido por ele, os olhos criaram um azul escuro dominado pela vontade de se entregar e Erik sabia que ela pertencia a ele.
—Prometa.
—Eu prometo Erik. – Disse Hannah fechando os olhos no momento em que ele tomou seus lábios para si arrebatando os sentimentos e o coração de Hannah, suas mãos deslizaram pelo corpo da jovem que ele conhecia tão bem, ele a colou sobre a mesa derrubando as coisas que estavam ali sem se importar nem um pouco com o que Howard iria pensar ao voltar para casa.
(...)
Erik permaneceu com Hannah adormecida em seu peito de forma protetora, ele podia sentir a respiração dela, tão pura, tão inocente, cheia de uma confiança que ninguém jamais teve por ele antes, em sua boca ainda estava o sabor dela, o gosto de maçã fresca misturado com o gosto do whisky que ambos haviam bebido momentos atrás, suas mãos ásperas deslizaram pelo corpo alvo daquela menina que sorria enquanto dormia, provavelmente sonhando com a noite de amor que ambos tiveram. Ali estava a mulher de sua vida, nua e feliz.
—Erik?! Onde vai? – Disse a jovem ainda dormindo como se seu inconsciente estivesse lhe alertando sobre o que estava prestes a acontecer.
—Não se preocupe meu amor, eu nunca vou deixar você, meu coração agora é seu. – Erik se abaixou para beijar os lábios da jovem que voltou a dormir, ela parecia tão feliz, tão cheia de vida, infelizmente não havia espaço para a felicidade em sua vida, ele tinha uma missão a cumprir e não podia envolver Hannah nisso.
Flash Back Off
Quando teve a certeza de que Hannah dormia profundamente se levantou da cama com cuidado, procurou suas roupas espalhadas pelo quarto e se vestiu parando apenas para escrever um bilhete de adeus, uma das coisas mais difíceis que ele já havia feito depois disso todas as suas decisões o levaram para aquela cela, e ele sabia que seu pequeno anjo jamais iria descobrir seu paradeiro, Howard jamais contaria a ela, mesmo assim não podia culpa-lo por isso. Howard era como um irmão para Hannah, mesmo que o bilionário quisesse o contrário Hannah jamais iria ama-lo como o amava. O coração dela agora era feito de metal.
Graymalkin Lane, n° 1407 Salem Center, New York
Algumas horas mais tarde…
A neve caia por todo o vasto jardim da mansão Xavier, as paredes tinham um tom esverdeado com cinza, era a combinação que a união da neve tinha com o musgo. Hannah puxou o casaco branco para mais perto do pescoço, seu taxi já havia ido embora, a mansão estava em reforma e ela era uma das maiores investidoras naquele caso. Podia-se dizer que era a primeira aluna verdadeira do local. Em sua memória estava viva as imagens dos arquivos que Fury havia mostrado á ela horas atrás, agora existia uma esperança muito maior, mas quando as luzes começaram a piscar Hannah entendeu que aquele era seu ponto fraco, Bucky era seu ponto fraco.
Os portões se abriram sozinhos, a jovem sorriu com aquilo, sabia que Charles lhe aguardava ansioso, ela caminhou pelo jardim belíssimo que mesmo coberto de neve ainda expressava sua graça, a fachada do que viria a ser o Instituto Xavier no futuro estava lá, imponente esperando por ela, depois da partida de Erik, Hannah foi procurar o tal “amigo” de quem tanto ele falava, e para o seu alivio, o amigo era Charles Xavier, e não uma dançarina exótica. No começo foi estranho, Charles estava furioso com a memoria de Erik, principalmente depois de tudo o que ele fez, mas Hannah com sua história conquistou a amizade e o respeito de Charles, ele não podia abandonar uma pessoa que buscava por ajuda.
—Fico feliz que tenha se juntado a nós. Já faz um tempo desde a sua ultima visita ao Instituto, Hank tem sentido a sua falta aqui. – Disse Charles em sua cadeira de rodas, aquele incidente com Erik lhe custou muito, mas Hank estava trabalhando em uma formula, uma espécie de soro para mudar aquela situação e Hannah estava colaborando com as pesquisas do doutor McCoy, assim como financiava tantos outros projetos sem a participação das Indústrias Stark, essa era a forma que ela encontrou para tomar as rédeas dos negócios da família.
—Também sinto a falta de Hank, é sempre bom estar perto de pessoas inteligentes e que compreendem a necessidade da evolução genética, assim como meu pai. – Disse Hannah com um sorriso sincero. -Eu preciso de respostas Charles. – Disse a jovem assumindo um ar muito preocupado entrando no grande salão principal logo atrás do professor.
—Porque está aqui Hannah? – Disse Charles encarando a jovem que sorriu de forma expressiva, ela passou por ele e foi em direção a um tabuleiro de xadrez elegante colocado bem ao lado de duas poltronas e um abajur estrategicamente posicionado para iluminar aquele jogo que parecia ter sido interrompido alguns anos atrás.
—Levando em consideração seus dons, tenho certeza que já sabe. – Disse calma movimentando os dedos e fazendo pequenas faíscas surgirem, ás vezes conseguia fazer aquilo com perfeição, outras nem tanto e acabava explodindo todos os aparelhos elétricos do ambiente.
—Você não tem apenas o poder da regeneração celular, está começando a desenvolver outros dons e isso é totalmente normal, nós já esperávamos isso. – Charles falou enquanto a menina se sentava de frente para o jogo como se sentisse a presença de Erik ali. –Mas o motivo da sua vinda não foi para falar de coisas que já sabemos. Você veio aqui hoje porque está perdendo o controle sobre esse poder, e agora está com medo. – Charles falou calmo indo com sua cadeira até chegar o mais próximo de Hannah possível e viu a sombra do medo percorrendo seu semblante.
—Exatamente. – Disse por fim encarando os olhos do professor. –E isso sempre acontece quando uma onda de sentimentos explode dentro de mim, estou com medo de machucar as pessoas, principalmente Howard, ele está sempre comigo, não posso correr o risco de machuca-lo. – Hannah falou estendendo suas mãos e segurando as mãos do homem que entendia perfeitamente a preocupação da garota. –A regeneração até foi fácil para controlar, mas esse poder explosivo, eu não sei como lidar com isso, semana passada fui ao shopping comprar um vestido novo e quando dei por mim todas as escadas rolantes tinham travado, e se alguém tivesse se ferido? E se eu tivesse feito algum mal? – Hannah falou olhando sincera para o homem que via sua preocupação, ela havia perdido o controle naquele dia por ter ouvido algumas mulheres chamando-a de “Acompanhante de luxo”, devido o fato de estar sendo acompanhada por Jarvis, o assessor particular de Howard.
—Sei que você busca por ajuda, mas ainda não estamos prontos para receber moradores entende? – Charles não era mais o mesmo depois do que aconteceu naquela tarde na praia, quando um tiro tirou suas pernas e seu melhor amigo, assim como Raven também. –Eu ainda não estou pronto, mas posso orientar você, começando pelo básico, como fizemos com os poderes de cura. – Ele sabia que Hannah queria se isolar das pessoas normais, o maior desejo dela era ir morar ali, onde se sentia protegida, mas aquela mansão sombria ainda não estava pronta para isso, na verdade, Charles não estava.
—Você acha que Erik está bem? – Hannah soltou sem perceber e acabou mordendo os lábios como se tentasse prender de volta aquelas palavras soltas ao vento. Queria tanto mudar a realidade na qual se encontrava. –Desculpe, eu não devia estar falando sobre isso com você, sei que não compreende os meus sentimentos.
—Acho que Erik está tendo o que merece, ele não é um bom homem Hannah, eu me enganei com ele mais de uma vez. – Charles falou com um olhar compreensivo para a jovem que abaixou a cabeça como se tentasse esconder sua dor. –Sei que é difícil de aceitar, mas já falamos sobre isso várias vezes, ele nunca vai mudar, nunca vai abandonar essa maldita vingança sobre os humanos, ele tirou tudo de mim, incluindo minha querida Raven, e está fazendo o mesmo com você. Ele ilude as pessoas. – Charles ergueu o rosto da jovem pelo queixo de forma gentil, mas Hannah não conseguia se dar por vencida, ela se levantou rápido indo em direção as chamas da lareira.
—Ele salvou minha vida Charles, ele cuidou de mim quando estive em coma, ninguém faria isso, mas ele fez, mesmo passando pelo sofrimento da perda de sua família, sua filhinha e esposa, ele encarou toda essa dor e cuidou de mim, não consigo enxergar esse monstro que todos falam, eu sei que você sabe onde ele está preso, assim como sei que Howard sabe também, mas entendo o fato de não me contarem, se eu soubesse iria liberta-lo, com certeza iria. – Hannah despejou suas verdades sem pensar nas consequências, Charles ficou ali ouvindo cada palavra, ele não precisava ler a mente daquela mulher para saber que aquilo era verdade, Hannah estava sofrendo e a culpa era de Erik, ele jamais iria sair de seu coração, estavam fundidos como o metal.
Jato Particular de Howard Stark – Em algum lugar sobre o céu de New York
Madrugada...
Strangers in the night exchanging glances
Wondering in the night
What were the chances we'd be sharing love
Before the night was throughSomething in your eyes was so exciting
Something in your smile was so inviting
Something in my heart
Told me I must have you
Strangers in the night, two lonely people
We were strangers in the night
Up to the moment
When we said our first hello
Little did we know
Love was just a glance away
A warm embracing dance away and
Ever since that night we've been together
Lovers at first sight, in love forever
It turned all right
For strangers in the night
Hannah olhava pela janela do jato de Howard que já havia percorrido um grande caminho naquele dia, começando por Washington, voltando para New York e agora indo para o Canadá, no som de fundo tocava a belíssima canção de um dos cantores favoritos de Howard, Frank Sinatra com á musica Strangers in the Night enchendo aquele momento de magia.
Os dias deles eram corridos, havia muito trabalho a se fazer e Hannah sabia disso, mas agora em seu coração havia novas esperanças, ela estava pronta para cumprir sua promessa, infelizmente não podia fazer nada em relação á Erik, mas sabia que o próprio tempo iria se encarregar disso, da mesma forma que fez em relação ao seu Soldado Invernal. Enquanto isso, Howard aproveitava a falta de turbulência para se aproximar com duas taças de champanhe, ele sabia que seu casamento estava próprio, que seu pai queria herdeiros e queria uma fortuna ainda maior, mas no fundo, Howard trocaria tudo isso por Hannah sem pensar duas vezes.
—Hoje foi um dia muito corrido, já percorremos várias milhas, acho que vou pedir alguns descontos aéreos, quem sabe eu peça uma aeromoça de brinde hein? – Disse o homem com um belo sorriso, mas percebeu que Hannah apenas sorriu discreta, ela parecia no mundo da lua. – Mil dólares por seus pensamentos. – Disse o homem com um lindo sorriso charmoso entregando uma taça para a jovem que ficou feliz com a animação do amigo.
—Estou pensando em Barnes, em como toda essa situação aconteceu conosco, nós nunca tivemos nenhum contato antes daquele dia, eu só sabia que ele era o melhor amigo do Rogers, e que era um bom soldado, mas nunca pensei que minha vida dependeria dele e muito menos que a situação se inverteria um dia. – Hannah falou dando de ombros ainda olhando pela janela de forma pensativa, ela não conseguia entender como se afastou tanto da sua realidade.
—Ainda não sei por que pergunto. – Howard falou com um sorriso fraco deixando Hannah um pouco desconfortável, ela não gostava quando o amigo tentava mudar o rumo das coisas, depois de Erik, ninguém havia sido capaz de mexer com seus sentimentos. –Você podia fingir ás vezes, podia dizer “Ah Howard querido, estava pensando em férias com você nas Bahamas, você, eu e um biquíni minúsculo, seremos tão felizes.” – Disse Howard tentando imitar a voz da amiga que sorriu como uma criança, ás vezes as brincadeiras de Howard eram tão absurdas que só dava para superar com uma boa gargalhada.
—Howard. Essa conversa de fingir sentimentos eu deixo para suas acompanhantes de luxo, isso não faz parte do meu caráter. – Disse a jovem sorrindo de lado com um pouco de malicia no olhar, era discreto e sutil, quase imperceptível, mas Howard amava quando ela fazia isso, adorava ver o brilho sensual nos olhos azuis da jovem. –O que temos está acima de mentiras ou fingimentos. – Disse Hannah de forma gentil colocando sua mão na face do bilionário fazendo um carinho singelo. -Sempre fomos amigos, você sabe disso, nós temos uma ligação, e eu nunca vou esquecer do que fez por mim. – Ela falou descendo sua mão até segurar a mão do homem e depositar um beijo na mesa de forma agradecida. -Mais agora está prestes a se casar com outra pessoa, não podemos ignorar isso.
—Uma pessoa que não amo. – Howard falou franco olhando para a jovem que suspirou, ela sabia que Howard não amava Maria, não da mesma forma que amava ela, e depois de todos esses anos fazendo suas vontades, era obvio que ele nutria um sentimento por ela, algo real e verdade, se fosse diferente jamais teria tolerado tudo o que tolerou.
—Eu já disse. – Hannah falou olhando pela janela e vendo New York ficando para trás assim como seu passado um dia ficou. -Não vou entregar meu coração a ninguém, Erik acabou com o pouco que restava de mim. – Hannah precisou de muito tempo para superar a perda do seu lenhador, depois do que aconteceu suas forças foram voltadas para a busca de Bucky e no desejo de cumprir sua promessa, não queria viver outro caso de amor tão cedo, principalmente com Howard, ela temia muito pela segurança dele, ali, dentro daquele avião ele já corria riscos por estar com ela, se seus poderes se manifestassem tudo iria cair, e ela não podia perde-lo também.
—Me deixe devolver isso a você. – Howard falou se ajoelhando na frente de Hannah que não sabia ao certo o que fazer, as aeromoças ficaram chocadas ao ver o grande conquistador Howard Stark de joelhos diante de uma mulher. – Me deixe fazer parte da sua vida e mostrar que existe mais no mundo do que apenas dor.
—Howard, você é um homem comprometido, eu não sou esse tipo de mulher. – Hannah falou sentindo um aperto no coração, ela não sabia o que pensar, Howard era o tipo de homem que sua mãe adoraria ter como genro, mas ela não podia permitir que ele bagunçasse ainda mais as coisas.
—Por isso que eu a amo tanto. – Ele sorriu se sentando ao lado dela novamente e dando um beijo em seu rosto, algo delicado e gentil, aquilo comoveu o coração de Hannah que jamais esperou isso de um Stark. –Me faça uma promessa, quero que jure que mesmo que eu envelheça, mesmo que passe muito tempo, você não vai sair da minha vida, e que se você não encontrar Bucky, e se o babaca do Lehnsherr permanecer preso, você vai me dar uma chance. – Howard falou fazendo Hannah rir com aquelas palavras.
—Eu juro que sempre vou amar você Howard. Sempre vou mantê-lo em minha vida, mas do meu jeito. – Hannah se aproximou para beijar Howard no rosto, mas o bilionário estava preparado para aquilo e segurou o rosto da jovem virando um pouco o próprio e beijando-a nos lábios, Hannah tentou se afastar mais o homem a manteve firme em suas mãos fazendo o coração da mesma bater contra o peito de uma forma que ela não esperava, um Stark estava quebrando suas barreiras, barreiras que havia erguido á 18 anos atrás. –Isso não muda nada. – Disse Hannah ofegante e totalmente vermelha depois daquele beijo apaixonado.
—Está enganada minha cara. Isso muda muita coisa. – Disse o homem com seu terno de risca de giz e um sorriso satisfeito e totalmente rebocado de batom. –Muita coisa. – Howard sorriu enquanto Hannah ainda permanecia indignada com aquela situação, será que ela jamais se livraria do charme irritante de um Stark?
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