Stuck On You

1 Capítulo único


Notas iniciais
Não gostei, mas espero que gostem. Ficou bem mais longa do que eu havia previsto, rs. Me avisem qualquer erro, por favor. Boa leitura.

Luffy e Jinbe conversavam enquanto caminhavam pela floresta de Amazon Lily. Mesmo aceitando que aqueles acontecimentos não eram um sonho, o menor ainda estava abatido, contudo, sabia que tinha o dever de continuar. Tinha uma tripulação, companheiros, amigos para proteger e promessas para cumprir! Era o homem que se tornaria o rei dos piratas e tinha que seguir em frente com isso.

Chegaram à costa onde estava o submarino de Trafalgar Law e seus tripulantes e surpreenderam-se ao ver quem ali se encontrava.

– R-Rayleigh?! – Luffy exclamou e logo saltou das costas do ex-Shichibukai que o carregara até ali.

– Oh, chapéu de palha.

– Haha! O que está fazendo aqui?

– Vim à sua procura.

– Eh?

– R-Rayleigh...! Rayleigh, o “Rei das Trevas”... – Jinbe gaguejou.

– Jinbe? Você está bem? – Luffy perguntou olhando-o com certa preocupação.

– S-sim... Só não esperava encontrar alguém tão grandioso aqui...

O garoto ganhou uma expressão um pouco confusa e Rayleigh riu baixo.

– Antes de tudo... – Rayleigh começou – Sabe quem salvou sua vida, Luffy?

– Quem salvou minha vida...?

– Trafalgar Law. – Jinbe intrometeu-se – Aliás, onde é que ele está? Vejo seu submarino, sua tripulação, mas...

– Entrou na floresta.

– Na floresta? Será que ele foi atrás de Luffy para ver seus ferimentos? – Jinbe quis saber.

– Duvido muito. Apesar de tudo, aquele cara não parece se importar assim com as coisas. – Rayleigh disse coçando uma das pernas com o pé. – Ele está com seu chapéu de palha, Luffy. – informou passando a fitá-lo – Tem cuidado muito bem dele, também.

– Meu chapéu! Vou buscá-lo e agradecer a esse Tora- Traf- Torae-

– Trafalgar. – Rayleigh disse.

– Isso! Isso. Vou agradecê-lo por ter cuidado de mim e de meu chapéu!

– Não acho que seja uma boa ideia você sair por ai agora, Luff- Ahh. – Jinbe levou a mão à testa e suspirou. Luffy não escutou sequer uma palavra do que queria dizer. Já havia entrado novamente na floresta.

xx

O capitão dos Chapéu de Palha não precisou correr muito para avistar um homem sentado junto à uma enorme árvore enquanto bebia algo de uma garrafa de cor roxa e, mais importante, segurava seu chapéu de palha entre os dedos.

– Heeeei! Hei! – Luffy corria na direção do outro acenando agitado.

Law olhou em direção a voz que gritava e seus olhos arregalaram-se. Não queria vê-lo.

– Hei! Eu conheço você! Você estava na casa de leilões em Sabaody, não é? Nós até lutamos juntos!

Law apenas o fitava.

– Obrigado! Por cuidar de mim, das minhas feridas...

– Não há de que. – respondeu finalmente e logo abaixou o olhar para a grama. Bebericou da garrafa – Mas ainda deve repousar por duas semanas.

Fez-se um breve momento de silencio até que a voz de Luffy novamente invadiu o ar. – Você é Tora- Trol- To-

– Trafalgar Law.

– Isso! Isso. Torao! – sorriu e sentou-se ao lado do maior.

Novamente, os olhos do moreno arregalaram-se. Por que Luffy não ia embora? Droga. Não queria vê-lo. Planejava partir daquela ilha sem ter que vê-lo para se despedir. Droga.

Olhou de esguelha o menor ao seu lado e logo levou a garrafa à boca novamente. – Não devia estar aqui. – disse ganhando a atenção do outro – Seus ferimentos ainda não estão completamente curados e você já se movimentou muito mais do que deveria. – fitou o chapéu entre os dedos.

Luffy não o respondeu. Ficou encarando-o por algum tempo, mas logo distraiu-se com um pássaro que achou engraçado andando por ali.

Mantiveram-se assim por alguns minutos e Law estava odiando aquilo. Odiando aquele garoto ali, sentado ao seu lado. Levantou-se chamando a atenção do menor que continuou onde estava.

– Tome.

– Ah, obrigado! – disse ao agarrar o chapéu de palha que lhe foi lançado.

Law sorveu o pouco liquido que ainda restava na garrafa e passou o antebraço sobre lábios, logo começou a caminhar.

– H-hei! Espere! Aonde você está indo? – Luffy perguntou levantando-se e passando a correr atrás de Law.

Não, não. Law parou quando o menor o alcançou.

Luffy apoiou as mãos nos joelhos. Respirava com um pouco de dificuldade.

– Não deve ficar correndo por ai. Se suas feridas abrirem, você vai-

– Tudo bem! – interrompeu-o, tinha um largo sorriso na rosto – Eu vou ficar bem.

– Hm. – Law o encarou por alguns segundos e logo o deu as costas.

– Espere! – Luffy segurou em seu ombro – Aonde vai? Vai voltar à costa?

Trafalgar manteve-se em silêncio por um curto momento. – Sim. Estou de partida.

– Q-que? De partida? Mas já?

O que aquele garoto queria? Por que não o deixava em paz?! Droga, droga.

Law fez que sim com a cabeça.

– O urso também? Ahh, mas por que já vão embora? Por que não podem ficar mais?

Não o respondeu. Queria apenas sair dali o mais rápido possível, entrar em seu submarino e partir daquela ilha.

Arrgh, que situação ridícula. Foi ele mesmo que havia ido à casa de leilões em Sabaody só para ver se Monkey D. Luffy realmente apareceria. Foi ele mesmo que saiu de Sabaody e rumou para Marineford apenas para salvá-lo. Tudo, tudo havia sido ponderado e decidido por ele mesmo, e agora estava nessa situação. Fez tudo o que fez para poder vê-lo, poder ficar perto dele e ainda assim, estava tentando enganar-se dizendo para si mesmo que o queria longe, que fosse embora, forjando um sentimento de ódio ao tê-lo ali, sorrindo para si.

Grande homem. Mentia ao dizer que não iria se importar caso o outro capitão morresse, pois não tinha a obrigação de salvá-lo. Há! Grande homem. Fez tudo o que pôde quase desesperadamente para mantê-lo com vida. Passou todas as noites das duas semanas que já estava ali sentado ao lado da maca onde o outro encontrava-se deitado, observando-o, desejando que abrisse seus olhos e que fosse a primeira coisa que visse. Pegou-se muitas vezes acariciando os cabelos negros e bagunçados, tocando na mão pequena e pálida. Deveria manter-se longe.

Patético.

Queria vê-lo. Queria ficar perto. Tinha medo, e sentia-se um idiota.

– Desculpe, mas devemos partir.

Luffy bufou. – Tudo bem, ent- Espera! Quando eu acordei... Bem... Acho que causei alguns danos ao seu submarino... En-

– Não se preocupe. Os danos já foram reparados.

– Eh? Hmm. Então vamos vol-

– Mugiwara-ya. – Law o interrompeu e levou uma das mãos até o ombro enfaixado. Luffy o encarava curioso – Duas semanas. Tente ficar pelo menos duas semanas sem arranjar confusão.

– Não posso prometer nada... – riu.

Não, não. Idiota!

Trafalgar aproximava-se quase que mecanicamente do outro. Apertou-lhe de leve o ombro e pôde sentir a respiração quente contra sua pele.

Luffy não se movia. Estava um pouco surpreso com a proximidade repentina do maior.

– Isso vai ser difícil. – Law sussurrou e encostou os lábios nos de Luffy, mas logo os separou deixando o outro um tanto confuso.

Tsc.

Livrou o ombro machucado de sua mão e deu-lhe as costas uma segunda vez começando a caminhar para fora daquela floresta. Cobriu os olhos com uma das mãos. Sentia seu sangue ferver. Fraco.

Luffy continuou ali. Sequer observou o outro sumindo entre as árvores. O que havia sido aquilo? Sentia seu coração bater fortemente e isso o causava uma sensação estranha. Levou os dedos à boca como se ainda sentisse os lábios do outro sobre os seus. – Tora... o... – sussurrou e olhou em volta como se tivesse voltado à si. Onde estava Trafalgar? Sequer havia percebido que este se fora.



xx



– Tem certeza, capitão?

– Vamos logo, Shachi.

– T-tudo bem.

– Ahh, eu vou sentir faltas da beleza das mulheres dessa ilha. – Penguin dizia fazendo drama.

– Submergindo, capitão. – Shachi informou.

– Odeio isso. Odeio isso. – Bepo reclamava enquanto andava de um lado para o outro no corredor do submarino.

Law ignorou-os. Precisava ficar sozinho, sentia-se estressado. Rumou para seu quarto e após adentrá-lo, jogou-se na cama. Realmente difícil.

Precisava organizar seus pensamentos, mas não estava com coragem alguma para fazê-lo. Sabia, porém, que estes não o deixariam em paz. Bufou. Por que mesmo havia feito aquilo? Ah. Fez menção de levar os dedos à boca, mas cerrou o punho e apertou os olhos. Esquecer. Se sabia que seria torturante a tentativa de apenas evitar aquelas memórias, sorrisos, voz e todo o mais referente à Monkey D. Luffy de seus pensamentos, iria esquecê-las, deletá-las. Fingir esquecer. Quem sabe não acabava esquecendo de verdade o garoto? Quem sabe?

Era um intelectual problemático. Pensava demais e acabava sempre em um corredor com quadros desagradáveis. Não conseguia enxergar o outro capitão ao seu lado. Queria cuidar dele, protegê-lo, abraçá-lo... Nunca aconteceria, não é mesmo? Não do modo como desejava profundamente, pelo menos. Ah, era horrível. Sentia um vazio enorme em seu peito, tinha vontade de rir de si mesmo por ter se entregado àquele sentimento banal.

Deveria esquecê-lo. Afinal, eram piratas, viveriam para o mar. Huh. Era um desejo inalcançável, o de ter Monkey D. Luffy para si. Iria convencer-se disso.

X



Não estava com vontade alguma de lutar, mas marinheiros conseguiam ser os seres mais chatos do planeta. Suspirou. Ao menos tudo já havia acabado.

Nevava e o frio era absurdo, mas isso não o irritava ou algo do tipo. Gostava do frio. Deu as costas ao corpo e escombros caídos ali. Queria entrar no centro de pesquisas e apenas ficar em paz. Suspirou indo em direção à grande construção à sua frente.

– Heeeei! Heei!

Não! Trafalgar parou. Não podia ser. – Heeeei, você! – Não, não!

Não queria olhar, não queria olhar. Olhou em direção a voz que se fazia presente.

Barba Marrom parou de frente para Trafalgar e quando abriu a boca para pronunciar algo, um rapaz de roupa listrada e chapéu de palha pulou detrás de seu grande corpo e correu em direção ao cirurgião.

– Hei, você! Lembra de mim?

Law não respondeu. Não conseguia acreditar no que seus olhos o mostravam. Justo ali. Justo naquele lugar aonde ninguém ia, onde log poses não apontavam.

– Você me salvou há dois anos, lembra?

Aquilo era ironicamente ridículo. Todas as memórias que havia se obrigado a esquecer deram um belo soco em sua cara. – Sabaody, Marineford, Amazon Lily... Argh. Sentiu-se realmente estressado ao ter aquelas imagens de volta à cabeça.

– Obrigado mesmo por aquela vez! Você realmente me salvou.

– Você não deve me agradecer. – disse finalmente – O que eu fiz aquela vez foi por puro capricho meu. Somos piratas. Não pense que está em débito comigo.

Luffy riu. – Sim, somos piratas. E seremos inimigos se os dois estiverem atrás do One Piece. Mas, sabe? Eu realmente estou em débito com um monte de gente que me ajudou daquela vez! De qualquer forma – Luffy levou as mãos à cintura – nunca imaginei que o encontraria aqui. Estou feliz por isso!

Seu sangue ferveu, seu pulso acelerou. Maldito moleque. Queria dar-lhe um murro no rosto tamanha era a raiva que sentia dele agora. Quanta contradição.

– Como ousa!? – uma voz feminina tomou-lhes a atenção.

Garota insistente. Trafalgar odiava aquele tipo de coisa, ainda mais vindo de pessoas fracas como aquela mulher da marinha. Contudo, não teve muito trabalho com ela, afinal não passava de uma fraca.

– Vá para a outra entrada do centro de pesquisas. Nos encontraremos novamente.

Ouviu o menor dizer algo e fechou a grande porta atrás de si. Encostou ali e levou uma das mãos aos olhos. Era um covarde. Odiava profundamente aquela fraqueza.

Cerrou o punho e socou a grande porta. Por que diabos ele estava ali? Por que veio falar consigo? Arrgh, droga, droga! As memórias de dois anos atrás voltaram e não queriam deixá-lo em paz agora. Maravilha. De que adiantou todo aquele esforço para não pensar no outro durante esses anos? De que adiantou ter exigido tanto de si mesmo para esquecê-lo? Riu de si mesmo. Pelo visto, não havia conseguido esquecê-lo. Não de verdade.

Apertou os olhos e suspirou. Tinha planos e deveria cumpri-los. Era sua prioridade ali. Concentrou seus pensamentos em suas estratégias, revisá-las não era uma má ideia.

X



Realmente irônico. No final de tudo, estava ali, no navio dos Chapéu de Palha. Havia feito um plano, sim, sozinho, mas sua mente idiota acabou por incluir Luffy nesses planos. Gênio. Continuava querendo ficar ao lado do menor depois de tudo. Pobre Trafalgar Law, perdendo para meros sentimentos que voltavam a atormentá-lo. Fraco.

Cerca de uma semana era o tempo que já estava a bordo do Thousand Sunny. Era uma tripulação bem animada, mas preferia continuar em seu canto lendo algum livro, ou apenas os observando. E os observou bem. Chegou a pensar que Zoro e Luffy tinham algum tipo de relação mais profunda do que amizade e aquilo o machucou. Não aceitava! Simplesmente não aceitava a ideia do espadachim tendo tudo o que tanto queria.

Luffy sorria facilmente para qualquer um, mas com Zoro era diferente. Não apenas sorria, mas o abraçava com certa frequência e isso deixava Trafalgar realmente irritado. Às vezes, tinha a infelicidade de ver o menor observando o espadachim dormindo e rindo deste babando.

Ah, estava com inveja, ciúmes, raiva. Chegava a arrepender-se por aquela aliança, mas logo o outro capitão sorria para si e o chamava por aquele apelido estranho fazendo-o esquecer de tudo. Tão patético que sentia vergonha de sua existência.

Haviam acabado de jantar (exceto Luffy que ainda tinha duas coxas de frango na mão) e o sol já não estava mais presente. Todos conversavam animadamente e elogiavam o cozinheiro por seu excelente trabalho.

– Vamos para fora. Usopp disse que quer nos mostrar algo. – Nami disse fazendo com que todos levantassem ansiosos e rumassem para fora da cozinha, com exceção de Luffy. – Não vai vir, Luffy?

– Hã? Ah, sim, sim. Só vou acabar aqui primeiro. – respondeu de boca cheia.

– Tudo bem. – dito isso, a navegadora retirou-se do lugar.

Luffy não se demorou muito ali, mas, diferente do que disse para a ruiva, não foi ao encontro de seus amigos ver o que Usopp queria lhes mostrar.

xx

– Sabia que estaria aqui. – disse ao entrar no quarto dos homens.

Aproximou-se do homem sentado em uma das camas escrevendo alguma coisa num caderno de capa amarela.

Trafalgar parou o que fazia e olhou interrogativo para o pirata menor. – Seus companheiros estão lá fora.

– Eu sei. É uma boa hora porque... Quero te perguntar uma coisa, Torao. – informou e sentou-se na mesma cama em que o médico estava.

Law sentiu o coração bater forte no peito, um calafrio percorreu sua espinha. O que o outro queria saber? O que queria saber?! Seu subconsciente esperava ser algo “profundo” para alimentar suas esperanças, mas queria, também, que fosse algo patético para decepcionar-se e poder suspirar aliviado descartando a possibilidade do outro querê-lo longe.

– E o que seria? – perguntou fechando o pequeno caderno.

– B-bem... – começou – Lembra daquele dia na floresta de Amazon Lily?

Trafalgar congelou, seu coração vacilou, um pequeno espasmo nos dedos. – O que tem?

– Lembra? Ah! Então, quando eu voltei pra costa, você já havia ido embora. – houve um momento de silêncio. Luffy apertava o polegar de uma de suas mãos – Law, aquilo que você fez... Foi um beijo, não foi? – perguntou baixo passando a encarar o moreno agora.

Law não respondeu. Não sabia o que fazer. Queria fugir, sumir dali. Droga! Estava tudo perdido. Luffy o evitaria até o fim. Não...

Percebendo que o maior não o responderia, Luffy continuou – Eu sei que foi. Depois daquele dia, fui treinar com Rayleigh e perguntei pra ele o que era aquele tipo de coisa, e ele me disse que era um beijo.

Queria realmente sumir agora. Então o “Rei das Trevas” sabia o que havia feito? Quer dizer, Luffy poderia não ter contado que fora ele quem o beijou, mas tinha certeza absoluta que Rayleigh era bastante esperto para saber o que havia realmente acontecido.

– Eu nunca havia... Beijado ninguém antes. – Luffy disse desviando o olhar.

Ele nunca havia beijado ninguém antes? Significava que não tinha nada com o espadachim, certo? Errado. Poderia ele muito bem ter ficado com o maior após o reencontro em Sabaody. – Sua mente estava a mil e é claro que optava por acreditar naquela hipótese. Todavia, precisava dizer algo. Estava exausto. Sentia como se não tivesse o direito de desejar sumir. – Mugiwa-

– Law. – Luffy interrompeu-o pondo-se de joelhos na cama. Levou as mãos aos ombros de Trafalgar e o beijou. Não um beijo, mas sim um selinho.

Law temia seu coração parar de bater, seu cérebro surtar. Estava com os olhos arregalados, fora pego completamente de surpresa e aquilo não podia estar realmente acontecendo.

Luffy abaixou a cabeça agora, mas permanecia com as mãos nos ombros alheios. – Law... – sussurrou choroso.

Chega. – Mugiwara-ya. – espalmou o peitoral nu do outro e o empurrou poucos centímetros de si. O olhava nos olhos agora – Por que fez isso?

O menor desviou o olhar. – Eu... Ainda tenho uma pergunta a fazer. – Law abriu a boca para protestar, mas fora novamente interrompido – Antes de você... Me beijar daquela vez, você disse que aquilo seria difícil. – Trafalgar ergueu uma sobrancelha – O que quis dizer com aquilo?

Cobriu o rosto com a mão. Aquilo não estava acontecendo. Respirou fundo. – Mugiwara-ya, ouça – voltou o olhar para Luffy – existe algo que venho tentando apagar de dentro de mim há algum tempo. Faz alguma ideia do que poderia ser? – Luffy balançou a cabeça negativamente. Law suspirou – Eu odeio ver você. – disse fazendo o menor assustar-se com tais palavras – Não pense que o odeio. Pelo contrário... Eu bem que queria ser capaz de odiá-lo, mas não sou.

Aquelas palavras estavam, certamente, confundindo a cabeça de Luffy. O que o outro estava tentando lhe dizer?

– Eu detesto vê-lo com o Roronoa. – continuou – Sei que são amigos. Melhores amigos ao meu ver, mas... Não consigo descartar a ideia de que vocês sejam mais do que isso. Tsc. Quando o vejo com ele, fico realmente irritado. Eu-

– Você não gosta do Zoro? – Luffy perguntou cortando-o.

Suspirou. – Mugiwara-ya, compreenda. Eu não... Não suporto ver aquele homem tendo o que deveria ser meu.

Luffy sentiu suas bochechas queimarem. Se entendeu certo, Law estava dizendo que... – E-eu e o Zoro... Somos apenas amigos. Ele nunca... Me beijou. – explicou.

Trafalgar não pôde evitar sentir-se aliviado, e até mesmo feliz, com aquela noticia. Então, Roronoa nunca havia encostado em Luffy...

– Mas por que odeia me ver, Torao? Ou só odeio me ver com o Zoro?

– Ver você me machuca muito, Luffy. – disse sério. Ele estava fazendo aquilo.

O capitão dos Chapéu de Palha ganhou uma expressão confusa. – Você se machuca quando me vê? Por que? Isso, por acaso, é algum tipo de maldição? Por que você se machuca? – perguntava atropelando as próprias palavras.

Law manteve-se em silêncio. Pegou a mão alva e a levou até seu peito, mais precisamente, no lugar onde ficava seu coração. Luffy corou.

– Aqui. Sempre que o vejo este local dói. É insuportável. Sempre que penso em você... – deu uma pausa – Você consegue fazer meu coração acelerar, doer, sangrar... Você consegue fazer tudo isso apenas com palavras, sorrisos... Dói ver você aqui, de frente para mim, e eu saber que nunca poderei alcançá-lo.

– N-nunca vai poder me alcançar? Como assim? Você pode fazer isto. Olhe. – imitou o médico ao levar a mão deste até seu peito – Viu? Você pode me alcançar!

Law riu irônico. – Não digo nesse sentido. – desvencilhou-se da mão do outro e levou a sua até a bochecha dele, acariciando-a – Queria tanto, tanto poder sempre protegê-lo, estar por perto, vê-lo sorrir, poder abraçá-lo... – suspirou pesado abaixando o olhar – Você não faz ideia do quanto o amo.

Luffy engoliu em seco, seus batimentos aceleraram. Não sabia o que dizer. Não sabia o que deveria ser dito.

Trafalgar voltou a fitá-lo. – Disse que seria difícil porque sabia que, muito provavelmente, não teria mais a chance de poder tocá-lo, porque você poderia querer nunca mais me ver. Isso seria realmente difícil para mim. – sentia vontade de rir de si mesmo. O único que estava “fugindo” ali era ele próprio.

– N-não! Por que pensou isso? – Luffy exaltou-se.

Law apertou-lhe a mão e sorriu afetado. – Eu o amo tanto, Luffy. Seu sorriso, voz, risada, suas expressões... Me sinto tão patético. Amor é um sentimento tão banal e você me faz entregar-me completamente a ele. – brincou com uma mecha do cabelo negro – Sabe o que é ciúmes, mugiwara-ya?

Luffy balançou negativamente a cabeça, hesitante e Trafalgar riu baixo. Já era de se esperar. Talvez aquele não fosse o momento para explicar-lhe aquilo.

O menor sentia o coração do outro bater forte no peito contra seus dedos. Queria fazer alguma coisa, dizer alguma coisa, mas não sabia o que deveria ser feito ou dito. Nunca esteve numa situação como aquela. Alguém dizendo que o amava... Sabia o que era amor. Ao menos havia descoberto há algum tempo. Sabia que seus companheiros o amavam, mas sabia, também, que aquele tipo de amor que Trafalgar Law falava era diferente, era algo muito mais forte e profundo. Sabia exatamente o que era.

– Me desculpe, Luffy. – sussurrou – Eu não devia falar essas coisas para você. Não devia ter te beijado naquele dia. Me desculpe. – Law chegava a achar engraçado o quanto aquele maldito sentimento era contraditório. Fez menção de levantar, mas fora logo impedido pelo menor que envolveu seu pescoço com os braços. O que Monkey D. Luffy queria? Que seus batimentos cessassem?

– Torao! – Luffy chamou-o próximo ao ouvido – Law. – afundou o rosto na curva do pescoço moreno e chamou-o outra vez passando a distribuir selinhos naquela região.

Trafalgar cerrou os punhos. Luffy queria matá-lo. Havia entendido.

O capitão menor trilhava um caminho até o maxilar do outro, passou para a bochecha e quando chegou aos lábios, foi empurrado levemente.

– O que você está-

Luffy não deixou que terminasse. Estava estranho, havia algo em seu olhar. Avançou sobre o outro e o beijou onde queria.

Law apertou um dos olhos. Poderia arrepender-se depois. Segurou a nuca de Luffy e abriu a boca na intenção de aprofundar o contato. O menor assustou-se um pouco. Para ele, afinal, um beijo não passava daquele simples toque. Achou aquilo um pouco estranho, mas imitou o maior que sabia que este era seu primeiro beijo de verdade. – Pensamento tal que deixou Trafalgar profundamente feliz e, sem que percebesse, um pequeno sorriso desenhou-se em seu rosto.

Luffy movia desajeitadamente os lábios. Law achou uma graça. Separou-se do menor. Seu coração batia rápido, sentia-se quente. Tão idiota.

– Torao. – o capitão do Sunny o chamou baixo e levou as mãos a face morena. Queria beijá-lo novamente e o fez. Não demoraram muito naquilo.

Trafalgar levou uma das mãos à bochecha agora rosada e voltou a acariciá-la recebendo o olhar tímido do outro. Sorria minimamente, ainda não conseguia crer que aquilo tudo era real. Puxou o corpo à frente para si e o abraçou forte, apertou os olhos. Então, era real. Não queria soltá-lo. Não queria soltá-lo nunca mais. Luffy tinha um cheiro doce, mas não era enjoativo. Um cheiro muito bom, e Law queria poder senti-lo para sempre. Ah, tão patético, tão apaixonado.

– Torao, eu não quero mais machucar você. Não quero fazer seu peito doer. Eu quero ficar com você. Não quero que se sinta mal quando olhar para mim.

Monkey D. Luffy não fazia a mínima ideia do que aquelas palavras estavam causando à Trafalgar Law.

– Luffy. – ergueu o olhar e encontrou os orbes ônix, segurou a face alva e a trouxe para mais um beijo. Permitiu-se invadir a boca de Luffy com a língua e percebeu este arrepiar-se ao senti-la. Começou a deitar o corpo menor ficando por cima dele. Separou os lábios, mas manteve-se perto o suficiente para sentir a respiração quente de Luffy colidir com sua pele.

O menor entrelaçou os dedos nos fios bagunçados do cabelo de Trafalgar passando a acariciá-los agora. Sentiu o cirurgião remexer-se e logo abraçou-lhe o pescoço trazendo-o para si tocando, outra vez, em sua boca. Não queria que ele fosse embora. O queria ali. Passou os beijos para o pescoço alheio, lambendo-o vez ou outra. Era inocente demais para saber à que aquilo poderia levar.

Trafalgar arrepiou-se ao sentir a língua de Luffy em sua pele. Estava se segurando muito para não fazer qualquer besteira com o menor. – Luffy, vamos parar com isso.

Luffy o encarou. – Por que? Torao não gosta dos meus beijos?

– N-não é isso.

– Torao... – houve um momento de silêncio – Um dia, quando estava treinando com Rayleigh, perguntei algo a ele... – contou – Disse que estava me sentindo estranho. Sempre que pensava numa certa pessoa meu coração batia mais forte e eu me sentia quente. – desviou o olhar – Disse a ele que não conseguia parar de pensar naquela pessoa e queria muito poder vê-la. Contei que às vezes sonhava com ela e, ao acordar, me sentia estranho ao perceber que havia sido apenas um sonho.

Law sentia os dedos tremerem. Luffy continuou. – Então perguntei a ele o que aquilo queria dizer, e ele me respondeu que aquele tipo de coisa acontecia quando estávamos gostando de alguém. Não como gostar dos amigos, algo diferente. Ele me disse que se chamava amor e que acontecia quando nos apaixonávamos. Eu não entendi muito bem, mas naquele dia, eu descobri que havia criado por você essa coisa que as pessoas chamam de amor. – Luffy olhava-o nos olhos agora.

Trafalgar sentiu seu coração hesitar algumas batidas. O que era aquilo? Luffy estava se declarando! Era, não? Aquele ser que tanto desejava, tanto amava estava dizendo que o amava também! Abraçou atrapalhado o corpo menor. Queria senti-lo. Estava tão feliz, sentia-se um bobo, um idiota completamente apaixonado. Afastou-se e segurou a face de Luffy entre as mãos. Pela primeira vez, sorriu abertamente para ele, um sorriso lindo, e o beijou.

Luffy puxou Law mais para si e entrelaçou as pernas na cintura deste. O queria perto. Não o deixaria fugir. Levou uma das mãos às costas do maior debaixo de sua veste fazendo-o arrepiar-se com o contato inesperado.

Trafalgar desceu os beijos para o pescoço pálido trilhando até o peitoral marcado. Afastou o tecido ali, beijou parte da cicatriz e pôde ouvir Luffy grunhir. Continuou a descer os beijos até chegar próximo àquele tecido de cor amarela amarrado à cintura do outro. Voltou a fitá-lo por um momento e o ergueu fazendo com que sentasse sobre seu colo.

– Ah, Luffy. – abraçou-o novamente – Eu te quero tanto.

Luffy corou. – E-estou aqui, Torao. Eu... Eu também quero você. – declarou.

O cirurgião entrelaçou os dedos nos cabelos do outro e o beijou calmo. Sua outra mão deslizava pelo torso alheio e logo parou em um dos mamilos passando a dá-lo atenção. Luffy gemeu baixo pelo toque naquela área que acabara de descobrir ser sensível. Partiu o beijo e agarrou-se à cabeça do moreno.

Law substituíra os dedos pela boca, ora chupando, ora lambendo ou mordiscando o mamilo alheio. O outro capitão queria tocá-lo igualmente. Agarrou a barra da veste superior do cirurgião e a ergueu. Law entendeu o que o outro queria e retirou o tecido do corpo deixando à mostra seu peito e abdômen bem definidos. Luffy não se demorou, levou os lábios aos mamilos do maior repetindo o que ele havia feito em si.

O médico arfou. O garoto abandonou os mamilos e passou a dar atenção ao pescoço distribuindo selinhos e lambendo-o enquanto tocava tímido o abdômen do maior.

Trafalgar agarrou os cabelos de Luffy e o afastou para poder tocar seu pescoço agora. Retirou atrapalhado o tecido que cobria parcialmente o abdômen do menor e passou a distribuir beijos pelos ombros dele.

Luffy foi deitado novamente. – Mugiwara-ya. – Law chamou-o quase num sussurro e beijou-lhe os cabelos bagunçados. Sorriu e o beijou a boca. Sua mão ocupou-se em desamarrar o tecido na cintura, e o fez com certo esforço. Apertou a cintura agora nua do outro fazendo-o arfar entre o beijo. Logo preocupou-se em desabotoar a bermuda que ele usava e a retirou. Partiu o contato dos lábios e viu as faces rosadas de Luffy, pensou em como o outro era adorável. Passou a massagear o membro desperto por cima da cueca. Luffy gemeu arrastado. Nunca havia sido tocado ali por outra pessoa. Retirou a ultima peça no corpo do menor e tocou diretamente o membro dele começando a masturbá-lo enquanto tomava-lhe o pescoço.

Luffy pressionou os dedos contra os ombros de Trafalgar, gemidos arrastados abandonavam sua garganta agora. Não demorou muito para desfazer-se na mão do maior gemendo rouco seu nome. Sua respiração estava pesada e sentia como se seu sangue estivesse fervendo.

– T-Torao...

Law depositou um selinho nos lábios de Luffy e sorriu para ele acariciando sua face.

– Me... Me desculpe, eu-

– Não se preocupe. – passou a sorver do líquido em sua mão e dedos. Inclinou-se sobre o outro e o beijou.

Luffy entrelaçou os braços no pescoço alheio aprofundando o contato. O cirurgião penetrara um digito na entrada do menor, fazendo-o arquear as costas e grunhir. – Desculpe... – disse depositando um selinho na testa alva – Se quiser, eu paro por aqui.

– N-não...! Eu confio no Torao.

Law esperou um momento e começou a movimentar o dedo dentro do outro capitão que apertava os olhos. Não era algo agradável. Inseriu outro digito fazendo Luffy contorcer-se. Ficou naquele movimento de “vai-e-vem” até ele acostumar-se e abandonar a expressão de dor. Retirou então, os dígitos, desabotoou a própria calça baixando-a juntamente com sua roupa intima e posicionou-se entre as pernas pálidas.

– Torao... – chamou-o manhoso esticando os braços para tocá-lo.

O moreno inclinou-se e Luffy pôde tocar-lhe a face. – Isso vai doer, Luffy, me desculpe.

– Eu confio em você. – disse puxando de leve a bochecha de Law.

Trafalgar tocou rapidamente os lábios de Luffy e, por fim, começara a penetrá-lo com seu membro. O Chapéu de Palha contorcia-se. Aquilo realmente doía. Mesmo sendo de borracha, aquilo doía. Agarrou-se às costas do maior fincando as curtas unhas na pele.

Quando Trafalgar entrou por inteiro naquele corpo um tanto apertado, abraçou o menor que ainda fazia algumas caretas e desculpou-se novamente. – Você se sentirá bem em alguns instantes. – o confortou. Mantinha-se parado para que Luffy pudesse se acostumar com aquele incomodo. Beijou as maçãs do rosto alvo indo para o maxilar e pescoço. Aquele corpo era muito bom. Como o desejou! Ahh. Permitiu se mover, afinal. Luffy grunhiu e arranhou as costas alheia.

Movimentava-se devagar dentro do menor, não queria machucá-lo. O beijava como que para fazê-lo esquecer da dor. Manteve-se algum tempo naquele ritmo e logo os gemidos do capitão mais novo não eram mais de dor e sim de prazer. Passou a investir mais rápido contra o garoto, este que ora o arranhava as costas e abdômen, ora agarrava os lençóis da cama.

– L-Law! Ahhn

Trafalgar tinha que admitir: estava adorando ouvir seu nome ser pronunciado daquela forma pelo outro. Muito melhor do que em qualquer pensamento impuro que já havia passado por sua cabeça.

Luffy abria cada vez mais as pernas passando a gemer mais alto a cada investida mais funda do outro. Estava se sentindo muito bem, realmente.

Law afundou o rosto na curva do pescoço do menor. Gemia baixo. Lambeu dali até o queixo dele e o mordeu fraco. Rumou para os lábios rosados e um pouco inchados por conta dos vários beijos que compartilharam e chupou-os agora. Mordeu também ali, e puxou de leve.

– Luffy... – sussurrou rouco e o beijou com urgência. Bocas, línguas, dentes.

As mãos agitadas de Luffy bagunçavam ainda mais os cabelos de Trafalgar. Laçou a cintura dele com as pernas trazendo-o mais, fazendo com que seu membro, novamente rijo, roçasse em seu abdômen e gemeu pelo contato.

Law levou uma das mãos até o membro do menor, começando a masturbá-lo no mesmo ritmo de suas estocadas.

– A-ahn... Isso é... Bom, Torao... – disse entre gemidos.

Trafalgar aumentou o ritmo com o qual enterrava-se em Luffy e este, deixando um gemido longo e rouco abandonar a garganta, gozou pela segunda vez na mão do outro. Law continuava a se mover dentro do menor, e logo fora sua vez de desfazer-se. Abraçou o outro pirata, ainda dentro dele, e beijou-lhe o ombro. As respirações estavam descompassadas, os corações acelerados. Luffy sentia-se extremamente cansado, perguntava-se como aquilo o deixara mais exausto do que uma boa batalha.

Olhou de esguelha para Trafalgar. – Torao... O que foi isso que fizemos? – perguntou.

Law ergueu-se e, com cuidado, saiu de dentro de Luffy que não deixou de fazer uma careta ao ser abandonado. – Desculpe, eu sujei você.

Luffy sentou-se com um pouco de esforço na cama. – Não, tudo bem. Eu também sujei você, então acho que é justo. – riu – Torao. – fez um gesto com as mãos como que pedindo para o outro se aproximar e quando ele o fez, o abraçou e aspirou o cheiro daquele corpo amorenado – Isso que criei por você... Como faço para demonstrar?

Trafalgar ainda duvidava de tudo aquilo. Todos aqueles anos, aqueles dias infelizes expulsando a imagem de Luffy de sua cabeça... Poderia descansar agora? Desejava profundamente que pudesse.

Sorriu passando a acariciar os cabelos do outro. Luffy era extremamente fofo, fazia seu peito queimar. Um idiota. – Você já está demonstrando isso.

– Eh? Que estranho. – riu e levantou e franja de Law deixando a testa do mesmo à mostra – Torao fica engraçado assim. – riu novamente.

– Luffy. – tomou-lhe os lábios mais uma vez. Um beijo calmo. – Eu amo você. – declarou ao partir o contato das bocas.

– Eu também amo você. – disse fazendo bico e cutucando o ombro alheio com o indicador.

Ah, aquilo era um sonho. – As pessoas ficam tão idiotas quando estão apaixonadas. Law sentia-se um infeliz por estar incluído nesse grupo. Mas, espera, não. O “rótulo” era horrível, mas o motivo era completamente encantador.

– Torao, vamos lá pra fora! Usopp disse que queria nos mostrar algo. – lembrou-se.

– Lá fora? Acho que precisamos de um banho, mugiwara-ya.

– Banho? Por que? Ah, fazemos isso depois! Quero ver o que o Usopp fez!

– Um banho antes é uma escolha melh... – Interrompeu-se ao ver que o outro fingia estar dormindo – Estou falando com você, chapéu de palha!

Luffy riu e abriu os olhos. – Ahh, Torao, vamos lá! Podemos tomar banho depois! – disse manhoso brincando com os cabelos da nuca de Trafalgar.

O cirurgião o encarava sério. Cobriu o rosto com a mão e suspirou. – Por favor, que isto aconteça só desta vez.

O menor sorria abertamente para Trafalgar. – Tudo bem! – respondeu.

Law remexeu-se na intenção de sair da cama, mas Luffy colocara força em seus braços que estavam entrelaçados no pescoço alheio não permitindo-o sair dali. – Law, espera. – disse baixo – Eu quero que você me beije sempre que quiser, e também quero poder beijar você quando eu quiser. Não quero que mais ninguém faça isso.

O que exatamente era aquilo? Luffy estava dando permissão para beijá-lo sempre que o quisesse? Aquele garoto não sabia o que estava falando.

– Luffy, não faça isso. – encostou a testa no peito do menor – Sinto vontade de beijá-lo a todo momento.

– Eu não ligo! Contanto que seus beijos sejam apenas para mim.

– Luffy... – encarava-o agora.

O capitão mais novo depositou selinhos nos lábios de Trafalgar. – Eu gosto do Torao. Da forma diferente de gostar.

O coração de Law insistia em bater mais forte diante tais palavras. Chegava a ser torturante ouvi-las.

– Me diz o que tenho que fazer para não te machucar mais. Não quero que me odeie...

Law manteve-se em silêncio por um instante. – Não se preocupe, Luffy. Você não me machucará mais. Eu não odeio você.

– Não? Sério? Que bom! – pulou no maior abraçando-o forte.

Trafalgar retribuiu o abraço. Estava feliz, muito feliz e ainda era um idiota.

– Vamos logo lá pra fora, Torao! – saltou da cama. Sentiu suas pernas vacilarem, seu corpo doía, mas nada que não pudesse aguentar. Correu em direção à porta.

– Hei, hei, espere! Aonde pensa que vai?

– Hã? Lá pra fora. – respondeu simplesmente.

– Nu? Vista-se pelo menos. – jogou-lhe as peças de roupa que o pertencia.

– Ah, sim!

Ambos vestiram-se rapidamente e, ansioso, Luffy abriu a porta não vendo a hora de descobrir o que o companheiro havia preparado.

– A porta estava aberta todo esse tempo? – Law perguntou estarrecido. Imagine se alguém tivesse entrado no quarto!

– Estava, por que? Torao, o que foi? – perguntou achando o outro estranho.

– N-nada.

Luffy deu de ombros. Saíram finalmente, do quarto masculino, e rumaram para o convés do navio. Todos os tripulantes encontravam-se ali. Admiravam uma espécie de planta brilhante que voava sobre suas cabeças.

– Vocês vieram! – Usopp disse – O que estavam fazendo? Demoraram pra caramba!

Luffy riu e coçou a nuca.

– Ah, não importa! Vejam! Trouxe essas coisinhas da ilha que fiquei durante os dois anos! Elas não brilham originalmente, mas o grande Usopp aqui as melhorou! O que acharam?

Luffy já não o ouvia mais. Pulava na tentativa de conseguir agarrar uma daquelas coisas brilhantes. Law, também, nada o respondeu. Virou-se e caminhou até um canto que havia se acostumado a sentar e descansou ali.

O menor finalmente conseguira agarrar aquela planta voadora estranha e, sorrindo, levou-a até o cirurgião. – Olha, Torao! É engraçada, não é?

Trafalgar sorriu. – Sim.

Luffy sentou entre as pernas do maior, encostou suas costas no torso do mesmo e soltou a planta no ar. Law passou os braços pelos ombros de Luffy e o apertou. Ele estava mesmo ali.

Todos pareciam muito felizes no convés. Observavam maravilhados aquelas coisinhas trilhando caminhos de luz no ar. Era realmente bonito.

Trafalgar suspirou. Finalmente, após anos, poderia respirar aliviado, deixar sua mente livre e descansar. Não precisaria mais forjar um ódio pelo garoto, inventar desculpas para afastar-se. Tinha tudo o que queria em seus braços agora. Sim. Era um sentimento patético, mas sentia-se verdadeiramente feliz com ele.

Notas finais
Me desculpem se há algum erro, não tive tempo de revisá-la. Eu estava em dúvida sobre fazer ou não o lemon, e isso foi decidido a partir de uma votação com uns amigos, rs. Ficou bem melado e tudo mais, mas espero que tenham gostado. Review é bem-vinda.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!