Ströme der Seele
37 O vazio da solidão
Notas iniciais
07/04 — Floresta de Kobi
–Kurapika....Kurapika....
O que está acontecendo? Minha cabeça dói.
– Acorda....Kurapika....
Tem alguém me chamando, mas não consigo saber quem é. Droga, por que minha cabeça dói tanto?
– Leório, ele não está acordando...
Leório? O que está acontecendo? Por que não consigo abrir meus olhos?
– Ei, olha só. Ele está acordando....
Lentamente Kurapika foi abrindo os olhos. Era visível a confusão em seus olhos quando finalmente conseguiu abri-los por completo. Com muito esforço tentou se mexer, mas sua face contorcida em dor denunciou sua dificuldade aos outros que estavam ao seu redor.
– Kurapika! Espere um pouco, não se esforce tanto! – advertiu Leório ao amigo recém desperto.
Como se recebesse uma punição por desobedecer as ordens médicas, uma onda de dor rasgou sua cabeça, fazendo-o fechar os olhos novamente. Certamente ele estava acostumado a aguentar dores intensas, mas tinha que admitir que essa o estava deixando zonzo.
– Minha cabeça, dói como o inferno – comentou o garoto loiro apertando-a
– Vai com calma, você tem uma contusão na cabeça. Preciso fazer uma rápida verificação. – falou Leório novamente.
Kurapika finalmente foi se acostumando com a dor a ponto de conseguir novamente abrir os olhos. Agora conseguiu distinguir melhor o cenário a sua volta. Gon e Leório estavam ajoelhados um em cada lado seu. Ambos pareciam aflitos. A fim de aumentar o campo de visão, moveu a cabeça para direita e se deparou com Killua em pé o observando um pouco mais distante, porém perto o suficiente para não perder nenhum detalhe dos acontecimentos. Girando a cabeça para o outro extremo, deparou-se com Maia, essa sim bem afastada de todos, porém com olhar fixo na situação.
– O que aconteceu? Não consigo me lembrar de nada... – comentou o Kuruta esfregando a nuca.
– Pare de se mexer homem, já falei que preciso te examinar, então colabore! – falou Leório sério.
Fazendo uma careta de desgosto pela maneira como o amigo o estava tratando, o jovem Kuruta permitiu a contra gosto que ele o examinasse. O homem mais velho abaixou a cabeça do amigo para que pudesse procurar sinais de hematoma. Após uma analise minuciosa, suspirou.
– Vou levou uma bela pancada hein? O procedimento correto seria fazer uns exames de imagem pra ver se está realmente tudo certo. Mas como estamos distantes de qualquer sinal de civilização desenvolvida, teremos que nos contentar em apenas observá-lo por enquanto. – Leório deu uma pausa antes de voltar a falar, agora encarando o amigo que já havia erguido a cabeça para olhá-lo – Eu adoraria bater em você novamente pra ver se coloco um pouco de juízo nessa sua cabeça, mas vou deixar isso pra quando você se recuperar.
Kurapika fez uma careta para o comentário do amigo, porém não replicou.
– Por que se afastou tanto Kurapika? – perguntou Gon chateado
– Desculpe Gon, eu apenas não percebi que estava me afastando – respondeu Kurapika olhando para ele – E bem, não consigo me lembrar, mas acho que havia alguma outra coisa...algo que eu fui verificar... – suspirou ele sem conseguir recordar
– Você tem agido assim faz algum tempo...se afastando...fazendo as coisas sozinhos. Somos amigos, não somos? Uma equipe? – falou Gon visivelmente entristecido.
– Sim, Gon, nós somos! – Kurapika apressou a dizer.
– Então por que Kurapika? Não entendo...- perguntou novamente o garoto de vestes verdes.
Houve então um silêncio. Kurapika desviou o olhar do amigo para encarar o agora tão atraente gramado. Sentia-se mal por fazer Gon se sentir assim. Não é que ele não confiava nos amigos, mas queria poupá-los. Ele não precisava arrastar os outros para seus problemas. Podia resolver tudo sozinho.
Você não é invencível, tem que parar de acreditar que pode enfrentar a tudo e a todos!
As palavras que Senritsu lhe disse antes de partir ecoaram fortemente em sua cabeça.
Eu sou assim afinal? – questionou-se internamente
O som de passos interrompeu sua reflexão. A garota que até então se manteve afastada finalmente se aproximou do grupo. Kurapika levantou a cabeça para encontrar seu olhar. Ela estava séria. Não um sério apático como sempre costumava ser. Seu rosto estava duro. Parecia compenetrada.
– O que aconteceu na floresta? – perguntou a garota já de pé ao seu lado.
– Eu não me lembro, já falei – respondeu Kurapika um pouco irritado.
A garota então se abaixou para ficar na mesma altura que ele. Ela o olhava intensamente. Seus olhos pareciam brasas. O kuruta sentiu-se intimidado pelo seu olhar, mas mesmo assim recusou afastá-la. Maia continuava olhando profundamente em seus olhos. A sensação era estranha. Por um momento esqueceu todo cenário ao seu redor. Esqueceu que havia pessoas ali e que estava sentado no meio do gramado. O único movimento que conseguiu captar com sua visão periférica foi a de uma das mãos da garota fazendo caminho até seu rosto. Por algum motivo que não soube explicar, seu coração começou a acelerar. Seu lábio ficou seco e sua respiração descompassada. Mas corpo estava quente e sua mão suando. Quando finalmente a mão dela alcançou sua pele, sua respiração parecia ter parado. A pressão do toque em sua testa era delicada, porém o calor que emitia era intenso. Fechou os olhos por um segundo e suspirou, tentando recuperar o ar. Assim que os abriu novamente, voltando a encarar a garota, seu olhar parecia que havia mudado. Estava mais escuro e completamente focado nos dela. Sua mão que antes estava repousada no chão se dirigiu até uma das bochechas de Maia. Juntamente com a mão, seu corpo foi arqueando levemente para frente, enquanto seus olhos mudaram o foco para uma parte mais abaixo, deixando-o incapaz de ver o olhar de assustada que a garota lhe direcionou antes de se afastar bruscamente.
A ausência do calor em contato com sua pele o fez despertar. Bem a sua frente, sentada no gramado, estava Maia. Ela olhava em sua direção com os olhos arregalados, porém era evidente que não estava focada nele. Parecia assustada e confusa. Sua respiração era rápida. Ao lado dela estavam seus três amigos. Leório e Gon o olhavam boquiabertos, sem saber o que dizer. Killua parecia inalterado, alternando o olhar entre ele e Maia. O silencio continuou se prolongando sem que ninguém alterasse seus estados iniciais. Killua foi o primeiro a se adiantar.
– Olha, adoraria ficar aqui a noite toda observando a cara de todos vocês, mas seria melhor ainda voltarmos para comer alguma coisa – comentou colocando ambas as mãos por detrás da cabeça.
A voz de Killua pareceu fazer com que todos despertassem. Incrivelmente ninguém se pronunciou enquanto Kurapika e Maia se levantavam. O garoto loiro limpou suas vestes antes de olhar novamente para todos os amigos. Leório e Gon ainda o observavam, enquanto Killua adiantou-se a frente do grupo para guiá-los em sua volta para aldeia. Maia mirava atentamente o chão. Sua expressão era carrancuda, porém havia um traço diferente. Parecia...confusão?
Sem dizer nenhuma palavra, Kurapika se virou para seguir o amigo de cabelos brancos. Ainda não entendia muito bem o que havia acontecido e o porquê de todos estarem com expressões tão estranhas. Poderia pensar sobre isso, porém sua cabeça latejava demais e preferiu deixar suas reflexões para outro momento. Naquele instante só desejava deitar em uma cama macia.
Gon seguiu os passos do amigo loiro logo em seguida, dando uma olhada um pouco preocupada em direção a garota que ainda estava imóvel encarando seus pés. Leório dirigiu seu olhar para o menino mais novo fazendo sinal com a cabeça de que estava tudo bem. Gon virou-se e se juntou aos outros dois um pouco mais a frente.
Leório, no entanto, permanecia no mesmo local. Olhava a garota na esperança que a mesma demonstrasse alguma reação. Percebendo que isso poderia demorar um pouco, resolveu se aproximar.
– Ei, está ficando mais frio, deveríamos voltar logo, você não acha? – perguntou ele com um sorriso cauteloso.
Ela pareceu não estar escutando. Leório não conseguia ver nitidamente seu rosto que estava parcialmente escondido pela escuridão da noite. Ele então coçou a cabeça.
– Olha, sei que foi algo meio surpreendente, mas não precisa reagir assim, não é? – arriscou ele novamente – Não é como se fosse o fim do mundo.
Ainda sem resposta
– Você está começando a me assustar – acrescentou ele.
A garota então mexeu um dos pés. Parecia haver finalmente despertado. Ergueu a cabeça diretamente em sua direção. Leório podia não conhecê-la há muito tempo, porém o pouco que já havia visto de sua personalidade o fez acreditar que se depararia com um olhar de extrema fúria, o que o deixava aflito. Finalmente seus olhos o alcançaram. Porém o que viu refletido neles fez com que seu coração hesitasse. O brilho que existia há instantes parecia completamente instinto, dando lugar a um vazio desesperador. O jovem médico nem notou quando uma pequena lágrima escorreu de seu próprio olho. A dor nos olhos de Maia era tão profunda que o estava perfurando. Queria desesperadamente desviar o olhar, mas ao mesmo tempo queria continuar encarando-a. Não demorou muito até que outras gotas se formassem em seus olhos castanhos. Queria se aproximar. Queria abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, porém seu corpo traiu completamente sua mente. Ao invés de se aproximar, a única coisa que pôde fazer foi recuar. E assim, como um covarde, deu as costas e se afastou completamente por entre a mata, deixando a garota, novamente, sozinha.
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