Stronger feelings

32 Capítulo 32


Notas iniciais
Olá meus amores mais um capítulo para vocês nesse sábado frio e congelante (pelo menos aqui onde eu moro está assim). Boa Leitura!

Terminava de vestir a blusa com um pouco de pressa, aquilo sendo causado dela surpresa com o que Hotchner havia contado minutos atrás.

De início eu fiquei sem reação, afinal eu não esperava por aquela notícia logo de manhã. Em diversos momentos eu cheguei a abrir a boca para falar algo, porém a fechei de imediato ao perceber que não sabia o que dizer exatamente.

— James Sawyer está morto. — Repeti suas palavras, ainda tomada pela surpresa.

Ergui meu rosto levemente apenas para olhá-lo, Hotchner já estava vestido e me encarava como se estivesse preocupado com alguma coisa.

— Disseram que aconteceu durante a madrugada de ontem para hoje, por causa de alguma confusão que houve dentro do presídio. — Pisquei várias vezes ao ouvi-lo, não conseguindo acreditar que ouvi mesmo aquilo.

Levei a mão até o topo da minha cabeça e sem perceber soltei uma risada, ainda incrédula sobre aquela notícia.

Não tinha tanto tempo assim desde que ele passo a me ligar várias vezes e mandou diversas mensagem provocativas, como é que eu iria conseguir acreditar de fato que ele estava mesmo morto?

— Ele... James está morto? Isso é mesmo sério? Ele realmente está morto? — Perguntei ainda rindo, incrédula. Totalmente incrédula com a notícia recebida. — E como foi que ele morreu?

— Não disseram e foi por isso que achei melhor contar isso a você. — Aaron cruzou os braços. — Não vou mentir que achei essa história tão estranha quanto você e por isso acho melhor que vá até lá para fazer o reconhecimento do corpo. Isso se você quiser, é claro.

Balancei minha cabeça muito devagar, ainda estava digerindo aquela notícia não sabendo muito bem como reagir com aquilo. Quer dizer, se ele estava mesmo morto eu deveria ficar feliz com isso, mas não estava. Porque eu mesma não conseguia acreditar nem um pouco de que aquilo fosse mesmo verdade.

— Tudo bem, eu vou até lá. — O olho mais uma vez, concordando com aquilo, apesar de não me sentir tão preparada assim para fazer isso. Porém eu queria tirar aquela prova a limpo. — Acho que só vou conseguir acreditar totalmente nisso se eu ver o corpo com meus próprios olhos.

— Quer que alguém a acompanhe até lá? Posso acompanhá-la se você quiser. — Hotchner moveu seu rosto de forma tão rápida que tal movimento foi quase impossível de ser notado.

Ele estava mesmo se oferencendo para fazer aquilo? Sacudi minha cabeça em negação de forma gentil.

— Não será necessário, Aaron. — Respondo o chamando pelo primeiro nome e me sentindo um pouco estranha ao fazê-lo, apesar de considerar aceitar aquilo eu queria fazê-lo sozinha. — Acho que será melhor se eu for sozinha até lá.

Ele apenas concorda em silêncio.

— Tudo bem então. — Seus olhos se voltam para mim e com rapidez ele me encara de cima abaixo. — Ligue caso precise de alguma coisa, sei que não será nada fácil fazer isso e leve o tempo que precisar para voltar. Provavelmente já estaremos cuidando de algum caso quando sair e não precisa se apressar para nos encontrar.

Balanço novamente a minha cabeça positivamente, vendo-o voltar a andar, com o intuito de ir até a porta do quarto.

— Encontro com a equipe depois de sair de lá — O avisei como se insistisse que fizesse isso, acompanhando-o até a porta e fazendo com que ele pare antes que eu pudesse abri-la.

Hotchner me olhou muito brevemente e assentiu, parecia querer ter certeza de algo.

O levei até a porta da minha casa, ele parando um pouco mais à frente antes de ir até seu carro, ele se virou em minha direção me olhando de forma completamente diferente, todo aquele profissionalismo usado na frente dos outros da equipe sequer existindo naquele momento. De nós dois.

Hotchner se aproximou, a mão em minha nuca puxando-me para perto dele e então depositado um beijo demorado e inesperado em meus lábios.

— Até depois. — Ele disse se despedindo logo em seguida com um segundo beijo; este sendo um pouco mais curto.

Dando as costas para mim ele começou a caminhar para seu carro. O observei pelo pequeno fechando a porta bem devagar até vê-lo entrar no veículo escuro.

Tranquei a porta assim que fechada me assustando com a aproximação tão repentina de Doug. Ele soltou um latido, dando mais dois passo para frente e parando logo em seguida.

Caminhei até a cozinha para pegar pelo pacote que continha sua ração e despejei um pouco em sua tijela. Logo voltando para meu quarto para começar a me arrumar. Olhei para aquele ambiente que pareceu diferente depois do que aconteceu ali, a cama bagunçada deixando em evidência que duas pessoas haviam dormido ali e feito algo a mais do que apenas dormir.

Respirei profundamente enquanto aprontava algumas coisas para tomar um banho, tirar tudo o que acontecera noite passada da cabeça seria difícil; e eu não queria esquecer.

Ao sentir a água quente entrar em contato com a minha pele foi instantâneo; a lembrança fresca da noite passada voltando à tona como se tudo o que houve tivesse acontecido minutos atrás. Tentei me esquecer um pouco da notícia que recebi minutos atrás, concentrando-me em outra coisa que pudesse ocupar minha mente.

Conseguia ainda sentir cada toque recebido por Aaron. A forma como tudo aconteceu, como se aquilo não tivesse sido apenas sexo entre duas pessoas, mas algo muito mais significativo. Não teria me entregado assim para ele se não tivesse a certeza exata de que eu o queria tanto quanto ele demonstrava.

Ao estar pronta deixei a comida extra para Doug, caso eu acabasse demorando para chegar em casa, mandei uma mensagem para Billy; o garoto que pagava para dar comida e água para Doug o avisando sobre a comida extra e então sai.

Se eu dissesse que estava pronta para ir até o presídio e fazer o reconhecimento do corpo de James Sawyer — se é que fosse mesmo ele — eu estaria contando uma mentira para mim mesma, porque pronta eu não estava e nem mesmo um pouco. Mas eu precisava fazer aquilo.

Eu queria ver com meus próprios olhos se ele estava mesmo morto.

•••

Eu ainda estava a esperar pela liberação para poder ver o corpo quando finalmente fui chamada, apesar da longa esperava — que durou um pouco mais de duas horas — ela durou até menos do que seria de costume se eu não tivesse usado minhas credencias para acelerar aquele processo.

Caminhava até o necrotério da prisão juntamente com o legista responsável e então entramos na extensa sala gelada e pouco iluminada.

O corpo ainda estaga lá e era coberto apenas por um lençol fino de uma cor clara. Ao olhar na direção em que ele estava me senti de início um pouco travada, não havia motivo para tal, pois ele não iria fazer absolutamente nada comigo. Era apenas um corpo ali.

— Você é alguma parente? — Ele perguntou com curiosidade, me olhando já perto da mesa onde o corpo se encontrava e fazendo um gesto com sua mão permitindo que eu avançasse.

Neguei de imediato.

— Não sou parente dele. — Respondi, em minha mente agradecendo por aquilo. — Só participei de uma investigação de um caso em que ele estava envolvido e vim até aqui apenas para reconhecer o corpo.

O legista apenas acenou com a cabeça.

— Ah... Vocês querem ter certeza de que debaixo desse lençol é mesmo ele. — Ele continuou a balançar sua cabeça e então puxou o lençol.

Primeiro revelando o rosto do cadáver que estava ali deitado e então toda a parte de seu tronco, onde pude ver algumas marcas de ferimentos antigos. Era mesmo ele.

Frio, sem vida alguma em seu corpo.

Morto.

— Qual foi a causa da morte? — Ao perguntar ergui meu rosto para olhar o homem na minha frente.

Reparei que ele era bem mais alto que eu e precisava manter a cabeça levemente inclinada para frente para que ele conseguisse me olhar melhor.

— Está vendo essa marca aqui no pescoço dele? — Seu dedo se direcionou até o pescoço de James, onde pude ver uma extensa marca avermelhada. — Ele foi estrangulado por algum cabo grosso, o detento que fez isso foi muito habilidoso, o matou em poucos minutos, mas ainda conseguiu lhe causar dor.

— E isso aconteceu durante a madrugada mesmo? — Perguntei outra vez, ainda descrente de que ele pudesse estar mesmo morto. Iria perguntar qualquer coisa que servisse de prova para sua morte.

— Entre as dez da noite e dez e quinze — Respondeu. — Pelo que soube houve uma grande confusão pela maior parte da noite de ontem, ele não foi o único que foi assassinado.

— Quantos detentos foram mortos também? — O questiono mais uma vez, querendo mesmo acreditar que a pessoa que eu estava vendo morta ali era mesmo James.

— Tivemos mais dez detentos mortos além deste aqui — Ele faz uma careta rápida ao me responder. — Pelos inúmeros comentários que ouvi, a noite passada foi ainda pior do que parece, alguns foram mortos pelos psicopatas que vocês do FBI prenderam. Tem muitos deles que estão apenas feridos, tiveram sorte.

Olhei uma última vez para o corpo inerte e sem qualquer sinal de vida de James Sawyer. Aquela seria a forma que o veria pela última vez, completamente frio e morto.

Finalmente morto.

— Obrigada. — Agradeço ao homem e então saio da sala, sentindo o ar do corredor mudar bastante.

Conforme vou caminhando para fora do lugar percebo que há algo de errado comigo.

Algo que não pareceu estar certo. James estava morto, vi aquilo com meus próprios olhos. De certa forma eu deveria me sentir feliz com isso, aliviada porque eu finalmente estava livre dele, mas não era esse o sentimento.

Sacudi minha cabeça afastando aquele pensamento assim que cheguei ao meu carro.

Já estava perto de estar na metade do dia e ainda tinha de me encontrar com o restante da equipe.

Não deveria me preocupar mais com qualquer assunto relacionado ao homem morto, ele não iria mais me incomodar e eu deveria estar feliz por isso.

Havia ligado para Garcia depois de quase dez minutos, como a penitenciária onde James fora preso se encontrava há quase uma hora e meia de viagem, não valeria a pena ir até a UAC porque eu sabia que eles já haviam saído para mais um caso.

Pedi para que ela me fizesse um pequeno resumo do caso que foi recebido. Três homens mortos por estrangulamento em Boston. Ironicamente aquela também fora a causa da morte de James.

Penélope me passou todas as informações necessárias sobre o caso, deixando-me por dentro de tudo o que eu precisava saber sobre ele e suas vítimas e aproveitei o tempo de voo para estudar sobre ele.

Ao chegar em Boston fui direto para a delegacia e me encontrei com Morgan ali. Ele logo me atualizou sobre o caso, falando também sobre o avanço que já haviam feito com ele até o momento.

— Quando foi que você chegou? — Me assustei ao ouvir a voz de Hotchner, estava concentrada demais olhando para o mapa da cidade onde fora marcado o ponto exato em que os três homens foram mortos que sequer havia notado sua presença ali.

Morgan estava mais afastado, falando ao telefone com JJ.

— Se eu não estiver tão enganada assim, acho que já tem quase meia hora. — Respondo o olhando rapidamente. — Garcia me conseguiu um voo rápido, cheguei aqui na cidade não tem tanto tempo assim.

Explico e ele apenas assente.

— E quanto ao assunto de mais cedo? — Ele pergunta outra vez, abaixando um pouco mais o seu tom de voz.

— O corpo era dele mesmo. — Falo, também num tom mais baixo notando que ele pareceu surpreso com aquilo, pois ele mesmo havia me dito que não acreditou muito quando recebeu a ligação. — Mais dez detentos foram mortos também além dele.

— Acabei de falar com JJ, — Morgan se aproximou de repente, nos interrompendo para falar sobre o caso. — O colega de quarto de Scott Delfino, disse algo bem interessante; parece que Delfino era um sedutor, mas era um cara legal demais para não gostarem.

Ele fez uma pausa guardando o celular no bolso de sua calça.

— E isso foi bem semelhante sobre o que ouvi da família de Ryan Maxford, — Ele voltou a falar. — Era um cara correto, mas estava sempre quebrado e pedindo por dinheiro. Eles davam-lhe porque, apesar dos defeitos, todos o adoravam.

— Bem, isso também se aplica a Mike Dunsmore — Hotchner lhe respondeu interagindo com o outro, alternando seu olhar entre o homem para o painel onde as fotos das três vítimas estavam, juntamente com mais alguns detalhes. — Gastava um quarto do salário com maconha, mas era voluntário cinco manhãs por semana numa cozinha.

Uni minhas sobrancelhas de forma pensativa.

— É pouco, mas essa não pode ser a ligação entre as vítimas? — Pergunto olhando para os dois na minha frente. — O suspeito pode estar os atacando baseado nas falhas de caráter deles?

Aaron me encara também de forma pensativa.

— Ele teria de tê-los perseguido bem antes — Explica, ainda que não parecesse descartar por completo o que havia dito.

Meu olhar se volta para o painel, com as informações que Garcia havia me passado antes, tudo o que ligava os três homens mortos uns aos outros era que eram todos homens e que foram mortos durante a noite. Fora isso não havia mais nenhum detalhe que poderíamos usar para ligá-los uns aos outros.

— Isso não parece fazer muito sentido, quer dizer... Por que o unsub iria perseguir alguém com quem não se tem nenhum tipo ligação? — Pergunto outra vez, sem tirar meus olhos do painel.

Ouço passos e percebo que é Derek quem está se aproximando de mim, ele também passa a encarar as fotos, como se procurasse por algo que poderíamos ter deixado passar.

— Porque ele não está procurando por uma pessoa específica, — Hotchner responde, ainda mantendo certa distância de nós dois. — Mas sim por um tipo específico.

Ao mesmo tempo Morgan e eu nos viramos na direção de Aaron, o olhamos em silêncio por um breve momento até que o homem ao meu lado finalmente diz algo.

— Homens que ele acha que são bons demais para serem verdade. — Derek diz, mudando a direção de seu olhar para as três fotos das vítimas.

Fazemos silencio por um tempo, cada um parecia discutir sobre o caso mentalmente até que aquele silêncio todo é cortado pelo som do toque do celular de Morgan.

Ele se afasta para poder atender a ligação pedindo licença ao fazer aquilo. Volto minha atenção para o painel, pensando sobre o caso e ao mesmo tempo não.

— O que há de errado? — Hotchner pergunta, parecia estar mais próximo de mim, porém não me atrevi a olhar.

— Não tem absolutamente nada de errado. — Simplesmente o respondo, mentindo é claro.

— Sabia que às vezes, você mente muito mal? — Assim que ele diz aquilo me viro, encarando-o sem desmontar minha surpresa com aquilo. Talvez estivesse estampado na minha face aquilo e eu só estivesse negando, de qualquer forma, ele havia percebido.

— Tudo bem, — Solto um longo suspiro. — James está mesmo morto e, eu não deveria estar pulando de felicidade por aí por causa disso? Quer dizer, eu pensei que quando fosse vê-lo daquele jeito me sentiria feliz por ter finalmente conseguido me livrar dele, mas não foi isso o que aconteceu. Eu não... Eu não senti nada quando o vi morto.

— Talvez sua mente ainda esteja tentando processar isso, — Ele respondeu, sua voz soando baixa. — Tinha onze anos quando ele sequestrou a você e sua mãe e foi a única que conseguiu escapar, anos depois ele aparece e mata de novo, você cuida do caso... Ao que me parece sua mente está acostumada a temê-lo e isso não está deixando que aceite que ele de fato está morto.

Cruzo meus braços desviando meus olhos dele.

— Foi totalmente o oposto de quando o vi sendo preso, senti como se o tivesse vencido. — Confessei. — E então, ele me liga várias vezes durante o caso em NY, mas aí chega a parte interessante de tudo isso; semanas depois eu recebo a notícia de que ele está morto.

— Aonde quer chegar com isso, Julia? — De esgueira posso ver quando ele parece se mover, ainda ficando ao meu lado, porém dessa vez de frente para mim.

— Eu mesma também não sei — Respondo de forma honesta. — Eu... Estou finalmente livre dele, mas eu não me sinto totalmente livre e por que?

Parei de falar de repente ao me dar conta de que estava começando a ficar paranóica com aquilo. Respirei fundo, voltando ao meu estado normal.

— Acha que eu posso estar louca por pensar que ele pode não estar morto? — O olhei. — Que o corpo que vi era... Sei lá de alguma outra pessoa?

Aaron me fitou com cuidado, cruzando os braços ao fazer isso.

— Ele está morto, Julia. — Falou, com muita certeza presente em sua voz. — Você viu o corpo dele e agora precisa acreditar de fato nisso e não ficar criando coisas para deixá-la confusa. Porque se fizer isso estará fazendo aquilo que ele queria fazer com você: brincar com a sua mente.

Mordi o lábio com força.

— Tudo bem, então. — Respondi me recompondo e respirando profundamente outra vez. — Eu vou me concentrar apenas no caso.

— Não pense mais nisto, Julia. Já acabou, James está morto. — Lembrou-me. Seu tom de voz soando um pouco diferente ao dizer meu nome. — Acabou.

Suspirei abrindo a boca para respondê-lo quando Morgan nos interrompeu, dizendo que o suspeito havia matado mais uma pessoa.

— Quando foi que encontraram o corpo? — Hotchner perguntou.

— Tem apenas cinco minutos — O moreno respondeu, olhando para o outro agente. — Acabaram de ligar para nos avisar.

— O unsub só não mata durante a noite? — Perguntei surpresa e os dois logo me olharam.

— São quase onze da noite, Julia. — Morgan me avisou, olhando rapidamente para a tela do celular antes de informar sobre o horário.

Tentei esconder minha surpresa ao ouvir aquilo, estava tão perdida em centenas de pensamentos que sequer me dei conta de que o tempo havia passado tanto.

De fato eu estava precisando me focar mais no caso.