Stronger feelings

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Olá amores aproveitando mais um ferido venho nesta sexta feira com postagem dupla! Pois é, teremos dois capítulos postados hoje! Espero que gostem. Boa Leitura!

Chegamos à delegacia bem mais rápido do que eu esperava, antes de sairmos do carro tentei voltar ao profissionalismo de sempre e fingir que nada além de uma carona havia acontecido nesse tempo que ficamos fora.

Seria fácil conseguir esconder aquilo dos outros, pois eu já vinha o fazendo desde o nosso primeiro beijo e isso já fazia quase um mês todo. Precisaria apenas melhorar em minhas respostas quando fosse abordada por algum deles, principalmente por Rossi que era quem mais parecia desconfiar de alguma coisa. Acho que de todos, o trabalho de esconder algo dele era um pouco mais complicado do que parecia.

Ao nos reunirmos novamente com o restante da equipe, Hotchner e eu fomos atualizados sobre tudo o que aconteceu enquanto estávamos fora.

O rapaz que havíamos perseguido mais cedo fora identificado como Robin Colleman de vinte e dois anos e com ficha criminal por pequenos furtos em lojas de pequeno porte. Crimes de adolescentes rebeldes costumam fazer.

— Ok, e o que ele estava fazendo na casa? — Perguntei me sentando à mesa.

— Isso continua sendo um mistério para nós também — JJ respondeu num tom baixo. — Robin não disse uma única palavra desde que trouxemos para cá e também não pediu advogado.

Cruzei os braços olhando para tudo o que tínhamos conseguido na casa, o álbum contendo as fotos de várias mulheres estava ali também e olhá-lo me causava um grande desconforto.

— Com Eric Potter não conseguimos tanta coisa assim — Taylor falou, ele evitando olhar na minha direção. — Ele não sabe de nada sobre as mortes, disse que a mandou o endereço da casa para as meninas porque lá elas encontrariam a ajuda necessária e também nos contou que só comprou a casa noturna porque estava precisando de dinheiro.

— Também verificamos seu álibi e ele estava ocupado demais cuidando da casa noturna durante o horário dos assassinatos. — Morgan respondeu.

Soltei uma risada pouco desdenhosa.

— "Lá elas encontrariam uma ajuda" — Ironizei fazendo o sinal de aspas. — E elas simplesmente aparecem mortas dois dias depois. Tudo isso que encontramos naquela casa — Apontei para o álbum sobre a mesa. — Isso não se parece nem um pouco com um lugar para se conseguir ajuda.

— Julia tem razão. — JJ concordou comigo. — Não acho que ele tenha nos contando toda a verdade, ele pode estar escondendo algo. Nos entreolhamos ali.

— Acho que há alguma ligação com Robin Colleman e Leonard Petrelli, o garoto não estaria na casa sem um motivo. — Reid se pronunciou depois de um tempo que todos estávamos em silêncio.

— Fora que ele fugiu quando nós o vimos e também ainda precisamos encontrar o filho de Leonard, Nathan. — Falei passando a mão pelo rosto.

Olhando por um ângulo diferente, o que tínhamos daquele caso era apenas as vítimas, um vídeo de uma delas sendo mortas que havia sido carregado na internet e nada mais do que isso.

Nem mesmo havíamos montado um perfil do unsub.

Tínhamos muito o que fazer e parecia que não estávamos dando conta daquilo.

— Vamos nos organizar, precisamos montar um perfil e logo e não temos tanto tempo assim — Hotchner se pronunciou, olhando-nos. — Morgan quero que vá com o agente Greene e o agente Walter até a penitenciária e falem com Leonard, tirem tudo o que conseguirem dele, não importa o que seja.

Ele fez uma pausa olhado agora para o restante de nós.

— Vamos interrogar Robin, quer dizer, a Julia vai. — Ele apontou na minha direção. — Viu quando Morgan o pegou como ele ficou nervoso? Podemos usar isso ao nosso favor, ele pode se descontrolar quando estiver sob pressão e nos dirá o que queremos e precisamos saber.

Balancei minha cabeça de forma positiva.

— Quer que eu faça ele perder o controle e acabe soltando informações? É isso? — Perguntei mesmo que já soubesse a resposta.

— Não só isso — Aaron empurrou o álbum com as centenas de fotografias na minha direção, o parei colocando as duas mãos na frente dele. — Quero que faça ele falar sobre tudo o que ele sabe sobre isso. Morgan disse que encontrou quatro fotos com ele, — Ele mostrou as quatro fotografias que mencionou. — Ele sabe de algo e quero que tire isso dele e como você está quase na mesma faixa etária que ele, acho que será melhor se você for lá.

— Ok. — Respondi tirando o álbum de cima da mesa e o pegando.

Olhei na direção de Spencer que parecia estar mais perdido que antes.

— Precisamos montar um perfil enquanto isso, podem fazê-lo enquanto o interrogamos? — Aaron olhou para os outros agentes.

Eles apenas assentiram, se quiséssemos parar logo om tudo aquilo deveríamos ser rápidos e não perder tempo. Um policial nos levou até a sala de interrogação, Hotchner pediu que eu levasse um lanche para o rapaz, quem sabe assim eu conseguiria ganhar sua confiança logo de cara.

Tinha o álbum em mãos, assim como um prato com um sanduíche natural e na outra mão um copo com suco.

Olhei para o rapaz dentro da sala através do vidro, li brevemente sobre ele pelo arquivo puxado por um dos policiais da delegacia. Robin Jon Colleman de vinte anos, já detido algumas vezes durante a adolescência por furtos pequenos.

Nada que parecesse se encaixar em um perfil de um assassino.

— Ok, eu vou lá. — Anunciei olhando para Hotchner que apenas assentiu.

Abri a porta da sala com calma, deixei que ele me visse entrando e ao olhar na minha direção esbocei um leve sorriso para ele.

— Olá Robin. — O cumprimentei com simpatia, se eu quisesse que ele se abrisse não podia ser falsa com ele ou isso poderia ser notado. — Trouxe um lanche para você, pelo tempo que está aqui, talvez esteja com fome.

Coloquei o prato com o sanduíche e o copo de suco sobre a mesa, próximo à ele. Robin ergueu o rosto me olhando, era estranho pensar que eu era apenas seis anos mais velha que ele.

— Por que você não para de me enrolar e vai logo direto ao ponto? — Ele me colocou as duas mãos presas com a algema sobre a mesa.

Juntei meus lábios balançando minha cabeça. Apesar de já ter tomado banho ainda podia sentir o cheiro forte em mim, como se ele tivesse se impregnado em meu corpo.

— Ok, se é isso mesmo o que quer, então vamos direto ao ponto. — Respondi sentando-me de frente para ele. — Vamos acusá-lo por assassinato.

— O quê?! — Ele perguntou com indignação em sua voz, já parecia ter ficado um pouco alterado. — E por que vai fazer isso?

— Eu acho que isso é um pouco óbvio não é, Robin? — Coloquei o álbum sobre a mesa e o abri, mostrando algumas das fotos para ele. — Assassinato e claro, desacato. Jogar água suja em dois agentes do FBI não é algo tão legal como você imaginou.

Ele sequer olhou para as fotos, estava concentrado demais em me encarar.

— Eu não matei aquelas prostitutas! — Ele gritou com raiva.

— Por que será que eu não consigo acreditar em você, Robin? — O questionei, estreitando meu olhar sobre ele. — Você fugiu de nós quando o vimos, estava no mesmo endereço que duas vítimas tinham e também estava com quatro fotos que curiosamente pertencem à esse álbum.

Empurrei o álbum aberto um pouco mais para ele, fazendo com que ele finalmente o olhasse.

— Eu me esqueci de mais alguma coisa? — O questionei irônica. Ele continuou em silêncio, estava agora passando as páginas do álbum enquanto eu falava.

— Sete mulheres foram mortas, de uma forma brutal e seguimos uma pista que nos levou até aquela casa onde o encontramos fugindo — O fiz lembrar de horas atrás. — Primeiro eu gostaria de saber o que você estava fazendo ali, já que está me dizendo que não as matou, porquê não me conta o que raios fazia lá?

Robin deu uma mordida pequena no sanduíche e então o colocou de volta no prato. Estava me encarando novamente enquanto mastigava e só começou a me responder quando não tinha mais nada na boca.

— Eu não estava fazendo nada naquela casa. — Ele respondeu simplesmente. — Nem moro lá, estava apenas de passagem quando vocês começaram a me perseguir sem nenhum motivo. Tiras sempre se achando os donos de tudo, basta verem um moleque correndo por aí que já o julgam como suspeito de alguma coisa.

Arqueei uma sobrancelha o fitando de volta, sua expressão havia mudado um pouco. Sua forma de portar também, ele não voltou a tocar no sanduíche, cruzou os braços e continuou desse mesmo jeito.

— Policiais sempre querem pegar garotos pobres, acham que somos os culpados do que acontece nas ruas — Ele continuou a falar e seu tom agora era completamente diferente. — Quer mesmo saber o que está acontecendo? Vocês não estão conseguindo o que querem e então pegaram um qualquer para jogar a culpa. É isso o que tá acontecendo.

Eu apenas ri.

— É melhor parar de bancar a vítima aqui porque o seu tipo joguinho não vai dar certo comigo, cara. — Me inclinei sobre a mesa. — Agora responda a minha pergunta e quem sabe você não vá preso neste exato momento. A escolha é toda sua.

Robin olhou outra vez para o álbum, passou por mais algumas páginas. Seu rosto mostrando algo que eu já estava e que não me agradou nem um pouco.

— Elas são prostitutas. — Ele empurrou o álbum para mim. — Não tenho nada a ver com isso.

Ele riu.

— O que eu iria querer com esse tipo de mulher? Posso ser jovem, mas não sou bobo, sei o que elas são e não fico com uma qualquer que aparece. Ainda mais sendo desse tipinho.

Estiquei o canto dos lábios, esboçando um curto sorriso.

— Eu acho que acontece o contrário, — O provoquei. — Elas podem ter qualquer um que escolhem, homens ricos e cá entre nós... Bem mais bonitos também. A questão não é o que um garoto como você iria querer elas e sim por que elas iriam querer alguém como você?

Robin parou de repente. Me fitava agora como se eu tivesse tocado em alguma ferida. O que era bom, só precisava fazê-lo falar.

— E deve ser por isso que as matou, porque você sabia que elas nunca iriam sair com alguém como você — Dei de ombros, ele começou a murmurar algo enquanto eu falava. — Foi por isso que fez aquilo com aquelas moças?

— Droga! Cala essa boca por um segundo! Eu não consigo pensar! — Ele gritou me interrompendo, batendo suas duas mãos sobre a mesa, ele se levantou de repente.

Jogando o prato para longe da mesa e fez o mesmo com o copo, lançando-o contra o vidro fazendo assim com que o copo se quebrasse. Me levantei de imediato quando ele também se colocou de pé.

— Se quer mesmo saber sobre o que eu sei vai ter que calar essa boca e sentar nessa cadeira agora mesmo! — Ele empurrou a mesa para frente e antes que pudesse fazer mais alguma coisa Hotchner e mais um policial entrou na sala de interrogatório.

— Não. Não é você quem dá as ordens por aqui garoto, agora preste atenção no que eu irei lhe dizer: Você vai responder as minhas perguntas e irá fazer isso agora! — Falei nervosa, gesticulando na direção de Hotchner e do policial para que eles não fizessem nada. — Você vai me contar tudo o que eu quero saber!

Robin se inclinou escondendo o próprio rosto, ele respirou fundo várias vezes antes de voltar a me olhar. Cruzei meus braços esperando por alguma resposta.

— Me fala logo o que você sabe! — Pedi a ele, já estava completamente impaciente.

— Eu não sei os nomes deles, droga! — Confessou gritando novamente. — Eu ia apenas levar as fotos das próximas, só isso!

Olhei na direção de Hotchner, ele fez um gesto com a mão, dando o aval para que eu continuasse.

— E pra onde você ia levar essas fotos? — Dei um passo para frente.

Ele moveu os ombros.

— É uma casa noturna, mas eu sempre deixava as fotos no bar do lugar — Falou. — Eu nunca entregava para uma pessoa, só as deixava lá e alguém as pegava, eu só sei disso, droga!

Me aproximei um pouco mais dele.

— Qual das casas noturnas e quem era que as pegava? — O questionei com mais calma, mesmo que já estivesse sem muita paciência. — Eu sei que você sabe muito mais do que está dizendo!

— A do centro, mas eu não sei quem é que comanda!— Robin fez uma pausa. — Só sei que tem mais dois caras que estão envolvidos e isso é tudo o que eu sei! Eu juro!

Ele não precisou responder mais nada, peguei o álbum da mesa, o policial se dirigiu até Robin enquanto Hotchner e eu deixamos a sala de interrogatório.

— A casa noturna do centro é a mesma de Eric Potter, acho que vale a pena ir lá. — Sugeri me afastando um pouco dele, ficando próxima do vidro do que dele. — Robin só levava as fotos, ele disse a verdade quando falou sobre isso.

Ele uniu levemente suas sobrancelhas.

— São dois homens, ambos e ambos são espertos, não estão deixando que os encontremos tão facilmente, mas se os dois quem estão comandando tudo não irão conseguir se esconder por muito tempo. — Ele balançou a cabeça. — Um deles irá acabar se revoltando bem mais que o outro, alguém sempre começa a não querer mais seguir as regras.

Assenti.

— E com tanta raiva nas mortes ele vai acabar deixando que essa raiva o faça cometer algum erro. — Afirmei, esperançosa de que iríamos finalmente conseguir avançar com aquele caso.

— Tem algo em mente? — Me perguntou, provavelmente percebendo que eu não parava de olhar para Robin ainda dentro da sala.

— Vamos soltar ele — Apontei na direção de Robin através do vidro da sala. — Fazemos com que ele faça o que tinha de fazer, como se nada tivesse acontecido e então pegamos quem está no comando de tudo isso. Os dois sobre quem ele falou.

Dei de ombros.

— E como planeja fazer com que Robin aceite participar disso? — O homem perguntou, como se estivesse me desafiando.

— Oferecemos um acordo a ele. Um que seja bom. — Sacudi meus ombros, como se a resposta já fosse óbvia demais.

•••

Hotchner contou aos outros sobre o plano de tentarmos ir até a casa noturna disfarcados é isso obviamente gerou assunto, primeiro porque precisávamos montar um plano para que a operação desse certo e também porque precisávamos tentar convencer Robin Colleman a participar daquilo.

Já havia se passado das três e mais da tarde quando Morgan, Walter e Greene retornaram.

Eles haviam conseguido conversar com Leonard e disseram que ele não sabia de nada. Aquilo não surpreendeu a todos, acho que já esperávamos que ele não estivesse a par da situação.

Apesar de seu filho estar envolvido.

— Tudo bem, vamos resolver essa questão de uma vez — Falei um pouco mais alto, interrompendo toda a discussão. — Como é que essa operação vai ser? Se é que vamos mesmo fazer isso.

Perguntei um pouco ansiosa. Estamos perdendo tempo.

— Primeiro precisamos decidir quem irá, — Morgan respondeu. — Não podemos ir todos juntos, isso levantará muita suspeita e precisamos ser muito discretos com isso.

— Não podemos chegar em uma casa noturna demonstrando que estamos trabalhando com o FBI — JJ também se pronunciou. — Mas é como o Morgan acabou de dizer; primeiro vamos decidir quem irá.

Rossi olhou para Reid e depois para mim.

— Julia e Spencer são os mais novos da equipe, seria melhor se eles fossem — Sugeriu, atraindo a minha atenção e a de Reid também. — Vocês dois são os mais jovens e isso é bom, assim conseguem se misturar com mais facilidade.

Mexi no meu cabelo, jogando um pouco dele para trás do meu ombro, de imediato não respondi. Porque não achava que aquilo merecia uma resposta, ele estava certo.

Reid e eu éramos os mais jovens da equipe e querendo ou não, nós dois não chamaria tabto a atenção assim se estivéssemos disfarçados.

— Rossi tem razão. — JJ concordou nos olhando também. — Com as roupas certas ninguém sequer imaginaria que vocês são do FBI.

— Eu não trouxe nenhuma roupa para uma ocasião como essa. — lamentou Spencer com seu cenho levemente franzido. — Para ser honesto nem tenho roupas para esse tipo de evento.

Segurei o riso.

Aquilo já era óbvio, alguém como Spencer Reid nunca frequentaria uma casa noturna.

— O mesmo serve para mim. — Falei erguendo minha mão rapidamente. — As roupas que trouxe não são para um lugar assim. Na verdade eu tinha apenas mais duas mudas de roupas e uma delas era um pijama.

— Não seja por isso, podemos dar um jeito nisso rapidinho — Rossi bateu a palma de suas mãos uma na outras. — Vamos comprar as roupas para vocês usarem.

— Espera! Seremos só nós dois lá? — Perguntou Reid numa mistura entre ansiedade e duvida.

Não parecia muito certo daquilo.

— Estaremos do lado de fora, colocaremos escutas em vocês assim poderemos nos comunicar — JJ falou, como se estivesse tentando tranquilizá-lo.

O agente Greene se aproximou da mesa também

— Posso colocar quatro agentes disfarcados lá dentro também — Falou nos olhando. — Um como barman e os outros apenas como os festeiros.

Hotchner assentiu, estava silencioso desde que a ideia de irmos disfarçados para a casa noturna ganhou força.

— Vamos precisar manter o local cercado também, se queremos pegá-los teremos essa chance hoje à noite. — Falou. — Morgan quero você como um dos barman junto com os agente que Greene mandará.

O homem assentiu.

— Ok, eu acho que é melhor nos preparamos não é? — Rossi se levantou da cadeira. — Não temos muito tempo para nos fazer todos os preparativos para isso e ainda precisamos preparar Spencer, Julia e Morgan.

— E isso será agora? — Questionou Spencer, mostrando ainda mais incerteza com aquele plano.

— Agora! — Rossi e JJ responderam ao mesmo tempo.

•••

Não pude negar que estava nervosa quanto aquilo, não seria a primeira vez que faria algo daquele tipo — seria a quarta vez em quase cinco anos de FBI — e mesmo que eu soubesse que todo o restante da equipe estaria conosco ali, aquela velha sensação já conhecida de que algo daria errado se fez presente.

Terminei de me vestir exatamente às oito horas da noite, com as roupas que Rossi e JJ haviam comprado para usar. Me olhei no espelho sentindo-me um pouco estranha, era um vestido chamativo, próprio para o tipo de lugar no qual iria, mas não fazia em nada o tipo de roupa que eu usaria.

Justo demais. Pensei o arrumando em meu corpo, fazendo um careta ao olhar-me no reflexo do espelho.

— Vamos lá então. — Resmunguei para mim mesma suspirando e calçando o sapato de salto alto; também comprado por Rossi.

Sai do quarto do hotel e desci até a recepção onde o restante da equipe estava a minha espera, Reid ainda não havia descido e não pude deixar de imaginar em como estava sendo para ele ter de usar roupas que não lhe dessem o mesmo ar nerd de sempre.

O primeiro que me olhou foi Morgan, ele estava vestido todo de preto — como os barman do local estariam vestidos —, a camisa social estava aberta de forma a lhe dar um ar mais descontraído.

— Se a Penélope te visse desse jeito... Iria cair matando em cima de você — Binquei ao me apeoximar dele.

Morgan apenas riu baixo. Notei que ao ficar parada perto dele fiquei quase do mesmo tamanho que ele, claro que ainda ficava poucos centímetros menor, mas o salto que usava era tão alto que me fez crescer, detalhe este que não passou despercebido por ele.

Morgan levou sua mão até o tipo da minha cabeça fazendo uma brincadeira sobre eu ter ficado mais alta por causa do sapato. Dei apenas uma leve cotovelada em seu ombro como resposta.

— Julia você está um completo arasso! Está muito bonita! — JJ me elogiou, olhando-me com certa supresa por me ver vestida daquela forma.

— E nem um pouco confortável — Brinquei apontando para a roupa em meu corpo. — Não uso algo assim desde os meus quinze anos e esta sem dúvida será a última vez definitiva.

JJ e Morgan riram com aquilo. Um pouco mais afastado do grupo estavam Rossi e Hotchner, os dois conversavam entr si até que David o cutucou de leve, chamando a sua atenção e apontando o queixo de forma nada discreta na minha direção para que ele me olhasse. No mesmo segundo que ele fez aquilo tratei de olhar para o chão, fingindo não ter percebido aquilo; tanto da parte de Rossi quanto da de Aaron.

— Sua escuta. — Hotchner se virou na minha direção e deu alguns passos para se aproximar, entregando-me a escuta que iria usar. Nos olhamos brevemente, ele não disfarçando nem um pouco ao me ver vestida daquele jeito. — Atrás da orelha.

— Então, Robin aceitou mesmo fazer isso com a gente? — Perguntei, estava mesmo supresa por ele ter concordado com aquilo.

— Contanto que a gente cumpra a parte do acordo que fizemos com ele — Rossi acabou respondendo, num tom casual.

Desviando meu olhar de Aaron, comecei a arrumar a escuta, jogando um pouco do meu cabelo para frente, para que assim ela ficasse escondida. Estava pronta.

— Agora só falta o Spencer. — JJ olhou para o elevador, de onde ele viria.

— O garoto deve estar todo nervoso por causa da roupa que Rossi escolheu para ele — Morgan brincou rindo.

Spencer apareceu segundos depois que Morgan o citou na conversa, estava completamente diferente de antes; sequer parecia o mesmo agente que horas atrás de vestia como um nerd.

Não que aquilo tivesse algum problema, suas roupas combinavam perfeitamente com seu estilo Spencer Reid. Mas vê-lo usando outros tipos de roupas, daquelas que mais pareciam ser do gosto de Morgan, era de se ficar surpreso.

— A camisa está um pouco apertada, não acho que tenham acertado no meu tamanho. — Ele resmungou enquanto arrumava a gola da camisa que estava usando e depois arrumou a escuta em seu bolso.

— Pare de reclamar garotão — Murmurou Morgan num ar descontraído. — Você está ótimo nessa roupa.

Nos aproximamos do carro e paramos, Aaron olhou para todos nós.

— Estão todos prontos? — Ele perguntou num tom sério, voltando a nossa atenção para o caso.

— Sim, estamos. — Reid e Morgan responderam ao mesmo tempo e logo todos entramos no carro.

— Não se esqueçam de seguir apenas o plano, estaremos ouvindo e vendo tudo e a todos então qualquer movimento que possa parecer suspeito iremos alertá-los. E só usem suas armas se realmente for necessário, não podemos ter nenhuma falha. — O mais velho nos alertou, ainda no mesmo tom sério, como sempre. — Agora vamos terminar isso logo.

Notas finais
~ Será que esse plano dará certo? ~ Rossi já parece estar percebendo alguma coisa entre Hotchner e Julia... Hum que homem espertinho ele viu. Vou postar o próximo só de noite, preciso revisá-lo e mudar um parágrafo todo. Aguardem!