Stronger feelings
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Sentia como se houvesse um peso enorme sobre o meu corpo, fazendo assim com que fosse impossível de conseguir se mover. Aquela sensação estranha de estar completamente paralisada se fazia presente e ao tentar fazer um único movimento foi como se eu sentisse todo o meu corpo arder em chamas; como se eu fosse explodir ali mesmo.
Minha cabeça estava doendo como nunca antes, a dor latejante e quase insuportável forçava-me a gritar, porém eu sequer conseguia ouvir a minha própria voz naquele momento. Sabia que estava com a minha boca aperta só que, nenhuma palavra saia dela.
Lentamente eu comecei a tentar abrir meus olhos e quando o fiz fui forçada a fechá-los de imediato.
A forte claridade que me recebeu fez com que eles lacrimejassem um pouco. Fiz a mesma tentativa mais uma vez para que meus olhos pudessem se acostumar com aquela claridade exagerada. Demorou um pouco, mas quando finalmente consegui tudo o que eu via ali era um refletor em cima de mim.
Com os olhos abertos agora tentei mover pelo menos a minha cabeça e quando tentei foi como se houvesse algo que estivesse a segurando, mantendo-a somente naquela posição. Pisquei duas vezes repetindo a ação e nada, até mesmo meu corpo parecia ser mantido preso daquele mesmo jeito.
Corri meus olhos para os lados e imediatamente parei ao ver o rosto de James.
Ele pareceu perceber que eu o olhei, pois no segundo seguinte que meu olhar se fixou sobre ele, o homem virou o rosto lentamente na minha direção e também me olhou.
Um sorriso largo se fez presente, algo que em poucos segundos se transformou num sorriso sombrio e medonho. Abri minha boca no mesmo instante, gritando por socorro, senti como se minha voz me rasgasse por dentro. Porém eu não a ouvi.
Fiquei nervosa, eu continuava gritando e ainda não escutava a minha voz. Ele me encarou novamente, um olhar curioso, apesar da forma assustadora como ele ainda me encarava.
— Calma meu amor... Sabe que ficar se mexendo vai ser ainda pior — Ele pousou a mão sobre meu rosto, arregalei meus olhos, porém não tinha tanta certeza assim se fiz mesmo aquilo. — Não está lembrada de como era antes? Quanto mais você tentar se mexer, mais dor e pior será para você.
Olhei na direção em que sua outra mão estava, temendo pelo que meus olhos iriam ver.
— Por isso fiz isso, não queria que ficasse se mexendo tanto como antes — Continuou. Arregalei meus olhos no momento em que vi a faca fazer movimentos rápidos e já tão conhecidos por mim. Ele não mudara seu método de tortura.
O sangue presente na área desnuda das minhas pernas me assustou, corri os olhos para o lugar.
Aos poucos entendendo o que estava acontecendo ali e entrando em puro e completo desespero. Entendi o porque de eu não estar conseguindo reagir, a sensação do corpo pesado e também dos meus olhos igualmente pesados. James me drogara antes de começar a ferir-me.
Como ele já fizera antes. Mentalmente eu estava a me debater incansavelmente e de forma descontrolada, tentando de qualquer jeito conseguir me livrar dele e também de seu toque tão grotesco, mas tudo o que eu conseguia fazer ali era continuar parada. O deixando que ele continuasse me ferindo, como ele já fizera anos atrás.
— Agora vamos subir... — Ele riu, olhando-me brevemente antes de começar a subir mais a camisola que eu usava até deixar a minha barriga totalmente exposta.
Seu olhar mudou, ele pareceu surpreso com o que viu ali, ou apenas fingiu estar, já que ele sabia o que tinha naquela área.
— Então quer dizer que você ainda as têm... Elas não saem assim tão facilmente não é? Não importa o tempo que se passou.
Ele tocou uma das centenas de cicatrizes na minha barriga com a ponta de seu dedo indicador, fazendo pressão nela. Talvez se eu não estivesse drogada teria sentido aquilo.
— Viu só como são as coisas? — Seu rosto se aproximou do meu com rapidez, seus lábios quase tocando a ponta do meu nariz. Estar tão próxima a ele como eu estava naquele momento me deixou enojada, a repulsa que existia dentro de mim tomou conta de todo o meu corpo.
— Mesmo não querendo você sempre teve uma parte de mim com você... Minha querida Julia, a minha garotinha doce e tão especial! — Ele beijou o topo da minha testa só fazendo com que internamente eu estremecesse.
A cada novo toque era uma vontade incontrolável de gritar para que ele se afastasse de mim.
— Eu sabia que havia escolhido a certa, sempre soube que você era única!
Ele estava quase me ferindo outra vez quando ele parou de repente. Sua íris obtendo agora um brilho que beirava ao insanidade, o que me preocupou. James conseguia ser um completo louco quando se menos esperava.
— Antes de eu a levar, você ligou para alguém da sua equipe... Sabia que eles já estão numa comoção enorme por causa do seu sumiço? — Ele riu, parecia dizer algo sem muita importância, mas que para mim tinha. Saber que tinha conseguido falar com Garcia a tempo de fato me aliviou um pouco, eles estavam me procurando e saber disso já bastava.
— Eu sabia que eles iriam se preocupar com você, mas não pensei que seria de um jeito tão... Exagerado. — Ele fitou-me, sua expressão sofreu uma leve alteração e agora ele parecia incomodado com aquilo. — Pelo visto eu não sou o único a gostar de você...
Ele tocou meu pescoço com a mão livre e lentamente a levou para a alça da camisola que usava. Eu acompanhava tudo aquilo apenas com os olhos e estava me sentindo uma pessoa inútil pelo simples fato de eu não poder e nem mesmo conseguir impedi-lo de me tocar.
— Claro que, eu tenho mais sorte que todos eles, pois veja só: Você está aqui comigo e não com eles. — Ele sorriu largamente, os dentes pouco amarelados possuíam um brilho estranho. — Você é apenas minha e não deles!
James Sawyer voltou seu rosto para perto de mim novamente e então continuou a tocar-me, desceu uma alça e sua mão estava novamente a se mover. Agora indo em direção a pele exposta. Ele então parou outra vez, dedilhou a ponta de seus dedos sobre minha pele e fez um estalo com os lábios.
— Eles estão na sua casa nesse exato instante, procurando por pistas de onde você possa estar e quem foi que te levou... Engraçado como eles acham mesmo que podem conseguir isso. — Ele riu novamente, uma risada seca e sem vontade.
Ele enfiou a mão no bolso da jaqueta escura que usava e tirou de lá um celular, mostrou a tela para mim — aquele era o meu celular — e começou a mexer nele, esboçando um leve sorriso enquanto o fazia.
— O que acha de darmos alguma notícia para eles? Tenho certeza de que já devem estar bem preocupados com você — Ele tornou a mostrar a tela do meu celular, está ligando para Hotchner. — Como será que o seu chefe está? Aposto que muito preocupado com você...
Deixando a tela virada para que eu pudesse olhá-la por mais um tempo, ele esperou até que a ligação fosse aceita e logo a colocou no viva voz.
— Vocês podem mesmo chegar invadindo a casa de alguém assim? — Perguntou, seu tom como sempre muito zombeteiro é irônico. Sua marca registrada.
— Você?! — A voz de Hotchner saiu mostrando sua surpresa e não era para menos; assim como eu, ele também achava que James estava morto. — O que fez com ela?!
Sawyer soltou uma gargalhada alta, interrompendo-o de forma imediata.
— O que eu fiz com ela? — Repetiu a pergunta feita por Aaron com deboche presente em sua voz. — Bem, tem muito sangue aqui, mas ela ainda está viva… Se bem que, eu nem comecei direito então não posso lhe dar uma garantia quanto a vida dela.
Estremeci com suas palavras.
— Deixa eu fazer uma pergunta para você, como é que vocês homens da equipe conseguem se controlar perto dela? Porque cá entre nós, eu honestamente não conseguiria resistir a uma mulher tão bela quanto a Julia… — Ao fazer aquele comentário ele me olhou, lançou-me uma piscadela sacana o que só fez com que eu sentisse mais nojo daquele homem.
— Ouça bem as minhas palavras, eu levo vermes como você para a cadeira, não pense que vai escapar dessa!…
— Eu não vou escapar? — James novamente repetiu a ameaça que Aaron lhe fez, porém agora de um jeito bem mais zombeteiro e desdenhoso. Interrompendo-o pela segunda vez durante aquela ligação. — Ah senhor Aaron Hotchner, não percebeu que eu já escapei? Só não posso garantir que ela vá… Pelo menos não como ela escapou de mim há quinze anos.
— Se tocar nela ou fazer qualquer coisa eu juro que vou…
— A Julia e eu vamos aproveitar e muito esse tempo que iremos passar juntos, farei questão de que seja tão prazeroso para mim quanto para ela. Como nos velhos tempos… — Fechei meus olhos apertando os olhos com força. Não queria mais ouvir aquilo. — Eu quero ver o quanto são espertos, da última vez conseguiram me pegar, vamos ver se esse intelecto todo de perfilar alguém irá de fato fazer com que me peguem. Estou ansioso por isso, agente.
Ele então desligou. Eu sabia que tanto Hotchner quanto os outros iriam me procurar, fazer de tudo para conseguir me encontrar.
Mas eu sabia que como aquele homem pensava e ele não faria nada daquilo — como ter ligado para ele — sem que ele já não tivesse pensado e planejado algo antes. Fizera aquilo não só para preocupá-lo, mas também para deixar o homem irritado. Ele não iria apenas mexer com a minha mente como também faria isso com a de Hotchner e possivelmente com a dos outros. Infelizmente James Sawyer era um homem muito esperto e eu tinha total conhecimento disso.
— Acho que devemos dar a ele um presentinho especial não acha minha querida? — Ele se voltou para mim, seus lábios estavam esticados num sorriso provocador, o celular agora se direcionando na minha direção. — Mostrar o quanto estamos nos divertindo juntos!
Recuperando a faca ele a levou até a minha barriga, deixando que a ponta de sua lâmina fizesse o primeiro contato com a minha pele ali.
Passei a desejar que ele me matasse logo, assim não teria de suportar novamente suas torturas, porém ele não faria isso. Não tão cedo assim.
— Você se lembra não é mesmo? É só ficar bem paradinha e nada disso irá doer — A mão que segurava meu celular distanciou um pouco mais de mim, provavelmente para que pegasse uma visão quase completa da minha humilhação. — Por que não conta junto comigo para que eu possa dar o play? Vamos lá então, um, dois e... Três!
Eu poderia dizer que não senti nada quando a faca rasgou a minha pele no primeiro movimento, mas eu estaria mentindo. A sensação de que ela parecia queimar dentro de mim me possuiu e internamente eu estava gritando de dor, de agonia.
O mesmo aconteceu quando ele repetiu o ato por mais cinco vezes enquanto eu continuava ali deitada e ele me filmava. Eu estava ali, sem reação, sem poder pedir para que ele parasse com aquilo. Uma lágrima solitária e silênciosa escorreu do meu olho, a senti descer por meu rosto e ficou apenas nela.
Eu queria poder gritar, tamanho era o meu desespero naquele momento é saber que Hotchner iria ver aquilo me desesperou ainda mais.
Me atrevi a olhar e me arrependi no segundo seguinte que fiz isso, o sangue já manchava a minha pele e os vários cortes estavam ali novamente.
Ele ria alto enquanto continuava me filmando, estava gostado e se divertido em fazer aquilo, um brilho sombrio apareceu em seus olhos e conforme ele continuava me ferindo, aquele mesmo brilho só se intensificava.
A cena que aconteceu quinze anos atrás estava se repetindo e dessa vez com uma versão mais velha de mim.
Estava inutilizada de novo, impossibilitada para reagir, tudo acontecendo exatamente como antes. Porém dessa vez, era apenas eu ali.
Minha mãe não estava ao meu lado segurando a minha mão enquanto ele me torturava.
E também não estava sendo tão exposta assim para outra pessoa como seria quando ele enviasse o vídeo.
James continuava com as facadas e infelizmente ele sabia fazer de uma forma que não me matasse ou me ferisse demais. Ele iria prolongar tudo aquilo ao máximo que conseguisse e eu não sabia se iria mesmo suportar aquilo.
Meu coração batia num ritmo acelerado, quase fazendo com que eu sentisse dor, porém com todo o meu corpo praticamente adormecido — eu já sabia que ele havia me drogado, conseguia sentir o efeito dos calmares adulterados em meu corpo — eu mal conseguia sentir que estava respirando. Seria bom se eu não estivesse.
Para a minha supresa ele parou, nem me importava se ele havia mesmo parado ou se ainda estava machucando-me, só queria que tudo aquilo acabasse de uma vez. James soltou a faca, a senti sendo deixada em cima de mim e também parou de me filmar.
— Acho que ele irá gostar bastante disto, que homem não gosta de ver uma moça linda apenas com camisola e roupa íntima, não é mesmo? — Ele me olhou com um pouco de malícia, senti nojo com aquele olhar e também por seu comentário desagradável.
Ele guardou o celular e agora tinha as duas mãos livres, uma delas com sangue enquanto a outra completamente limpa.
— Eu sei o que deve estar pensando de mim, talvez esteja até me perfilando como faz com os bandidos e achando que sou algum lunático, ou talvez esteja desejando que eu a mate logo e acabe de uma vez com tudo isso — Ele me olhou com uma animação doentia seu sorriso apenas se estendendo.
— E eu até poderia fazer isso, a mataria e levaria seu corpo de presente para a UAC, para que eles tivessem o que enterrar... Só que, eu passei quinze longos anos te vigiando e sendo sempre muito paciente. Apenas esperando pelo momento certo e ele finalmente chegou! Exclamou com falsa animação.
— Não pense que fiz questão de levá-la no dia de seu aniversário a toa. Eu queria e quero que tudo isso seja muito especial. — Disse. — Planejei com muito cuidado tudo isso para que eu tivesse o que eu sempre quis desde aquele dia em que conseguiu fugir de mim.
Ele segurou meu rosto com as duas mãos e aproximou o seu do meu com lentidão, o olhar insano e questionável encarando-me de forma quase assustadora e preocupante fizeram com que meu interior estremecesse.
— Você sempre foi a minha preferida e é por isso que eu quero que tudo seja perfeito! — Seu dedo sujo tocou meus lábios. — Você é a minha garota especial e por isso precisa de algo também especial. Não irá morrer agora, Julia.
James finalmente se afastou, a insatisfação visível em seu rosto. O aperto de suas mãos tornou-se mais forte, como se ele pudesse espremer a minha cabeça ali mesmo. Sua expressão mudando aos poucos e agora mostrando certa raiva, meu corpo por dentro estremecia como nunca.
O mesmo se tornando algo quase que total em mim. Foi então que ele me soltou, seu rosto mudou rapidamente para uma expressão calma e tranquila demais.
O que também me deixou ainda mais preocupada. Eu poderia suspirar de alívio, mas então aconteceu.
— Foram quinze anos esperando, Julia. Quinze longos anos! — Seu tom de voz era assustador. — Até poderia te matar agora, mas qual seria a graça nisso? Eu quero que você sofra, exatamente como eu sofri quando você fugiu.
O forte tapa em meu rosto fez com que ele fosse para o lado oposto e não deixando tempo para que eu conseguisse pensar com clareza sobre o que estava acontecendo, ele deferiu pelo menos mais cinco tapas em mim.
Aquilo era novidade, pois ele nunca me feriu de outra forma que não fosse com os cortes.
Ele aproveitou que eu não podia fazer absolutamente nada e continuou me batendo, os tapas se tornando mais fortes à medida que ele continuava a me bater. Até que ele parou.
Tudo aquilo então se tratava de vingança?
Pelo simples motivo de eu ter escapado dele?
— É melhor ir dormir um pouco. — Ele passou as costas da mão em sua testa, estava ofegante. — Teremos muito tempo para a nossa diversão.
James esticou a mão para um lado que não pude ver e então mostrou uma seringa, com um líquido levemente escuro dentro. A agulha rapidamente entrou em contato com o meu braço e ele depositou tudo o que havia ali, foi rápido.
Meus olhos começaram a pesarem bem mais e a minha visão tornou-se turva até que apaguei.
Acordei de repente sentindo meu corpo todo amolecido, senti um aperto em meus pulsos e em meus tornozelos, eu estava deitada amarrada numa espécie de cama hospitalar.
Tentei me mover e dessa vez consegui, o efeito do calmante adulterado que James me dera já deveria ter passado e me senti um pouco menos desesperada.
Meus braços estavam amarrados logo acima da minha cabeça, de forma que eles ficassem para o alto, tentei puxá-los com toda a força que poderia existir dentro de mim e não aconteceu nada.
Ainda estava vestida com a mesma camisola que usava antes dele me sequestrar, ela agora suja com meu próprio sangue deixando claro os lugares exatos onde ele havia me ferido. A cor cinza quase se perdendo e sendo substituída pelo vermelho escuro do sangue.
Olhei ao meu redor e não consegui reconhecer o lugar onde estava, a única lâmpada que havia ali dentro não conseguia iluminar tudo e foi mais complicado ainda de reconhecer.
— Você finalmente acordou — Ao ouvir sua voz baixa preencher todo o lugar onde estava levo um susto, sequer havia percebido em sua presença ali.
— Dormiu por tempo demais, Julia. — Ele diz aquilo como se estivesse me repreendendo. — Pensei que iria precisar ressuscitá-la, você não tem nem ideia do quanto eu fiquei preocupado... Achei que tivesse te perdido.
— O quê?... — Minha voz falhou, estava um pouco aliviada por conseguir falar novamente, mas ainda sentia como se meus lábios não estivessem se movendo.
Ele soltou uma risada falha, baixa, porém alta o bastante para que ela ecoasse por todo o cômodo onde estávamos. Vi quando ele se levantou e começou a se aproximar de onde eu estava, seu passos eram lentos demais, provocativos demais. James Sawyer parou ao lado da cama onde eu estava amarrada, seus olhos estavam fixos em mim, causando-me uma sensação estranha no corpo.
Me senti desconfortável ali. Ele segurou a bainha da minha camisola e a levantou bem devagar, fazendo com que minhas coxas ficassem expostas. Seu olhar logo se fixa ali e eu também olho, os cortes ainda estavam ali, só não sangravam mais.
Uma sobrancelha se arqueou e brevemente seu olhar voltou para o meu rosto. James então continuou levantando minha camisola e logo comecei a me mover, mesmo que estivesse me sentindo enfraquecida demais para conseguir fazer aquilo.
— Não... — É tudo o que eu consigo dizer, minha voz sai falha demais, baixa demais. Sequer consegui ouvir a mim mesma.
— Eu preciso ver como está, Ju. — Ele diz o apelido que meu pai costumava chamar-me. — Como saberei se você está boa ou não?
— Não me chame assim seu verme! — Fecho meus olhos quando começo a sentir o tecido fino subir mais por meu corpo, eu não queria ser tocada por ele, sequer queria estar naquela situação. — Eu estou com sede...
Digo com a voz falha. Sawyer me olha por um tempo, minha boca se abre várias vezes enquanto ainda tento dizer que estava com sede. E eu aquilo era mesmo verdade, mas também estava dizendo aquilo apenas para que ele parasse de me tocar.
E pareceu funcionar.
— Pode, por favor me dar um pouco de água?... — Digo outra vez, tentando parecer desesperada pela água.
E agora conseguindo forçar um pouco mais o meu corpo para cima. James se afasta e pega uma faca diferente da qual ele usou para me ferir. Ele me segura pelos braços e corta as amarras que mantinham-me presa e faz o mesmo com meus tornozelos.
Suas duas mãos me seguram pelas costas e ele me auxilia a ficar sentada, o contato de seus dedos na minha pele me causam arrepios, mas a sensação sequer era boa.
Seu olhar era completamente diferente de antes, como se ele estivesse... Preocupado comigo.
Ele pega uma garrafa que se encontra em cima da mesa metálica próxima a cama e a segura com firmeza. A mão livre passa por todo meu rosto e sinto uma ardência quando ele faz isso, a lembrança de sua mão se chocando contra meu rosto enquanto ele defere vários tapas em mim é viva e fresca.
Ela se move até a minha nuca e faz com que eu incline minha cabeça para trás, a garrafa logo entra em contato com meus lábios e ao dar o primeiro gole sinto como se tivesse passado inúmeros dias sem beber nada. Bebo o líquido com certo desespero, notando no quão seca a minha garganta estava.
Algumas gotas escorrerem pelos cantos da minha boca fazendo com que meu pescoço se molhe, mas sequer me importei com aquilo.
— Onde eu estava com a cabeça em te deixar sem água por tanto tempo? — Ele diz num tom baixo, parecia agora se desculpar por isso. — Que descuido da minha parte.
Só paro de beber a água quando sinto que não há mais nada dentro da garrafa, ele a afasta de mim e devagar tentou levar minha mão até meus lábios e ao conseguir limpo o excesso da água dali.
— Você está com fome, Ju? — Ele pergunta, seu tom ainda mostrando certa preocupação.
Um perfeito hipocrita.
Afastando-se novamente ele tira um pequeno pote da mesma mesa de onde tirou a garrafa e o abre, não há muita coisa ali dentro, apenas alguns cookies.
— É claro que está, com tantos dias sem nada no estômago deve estar faminta. — Ele diz e me assusto quando o escuto dizer dias.
O encaro por um longo tempo, começo a pensar na noite que ele me levou e quando acordei com ele já me machucando.
Não tinha como eu ter uma noção exata do tempo que ele estava ali com ele, mas pela forma como ele disse, já fazia bons dias.
Entrei em desespero novamente, eu precisava escapar dali e logo.
Encontrar um jeito de conseguir sair dali o quanto antes e aquele momento parecia a hora certa para tentar.
Eu sabia que não estava forte o suficiente para tentar nada e tinha total conhecimento do que poderia me acontecer caso eu falhasse, mas eu precisava tentar. Mesmo que precipitadamente.
James se aproximou, segurava um cookie e começou a aproximá-lo da minha boca.
O olhei rapidamente antes de juntar as minhas pernas e usá-las para dar um chute nele, acertando-o entre as pernas e tirando dele um grito alto. Praticamente me joguei para frente pegando algo de cima da mesa metálica, uma faca pequena e que não faria muito estrago se eu a usasse.
James tentou me segurar pelo braço e usando a faca o cortei, não foi algo muito significativo, mas pude ver sangue. Esforcei-me para ficar de pé e meio cambaleante me afastei, precisando me segurar na parede até conseguir chegar a porta.
Pisquei várias vezes voltando ao presente, James ainda segurava o cookie e pedia para que eu abrisse minha boca. Devagar assim o fiz, o comendo e quase engasgando ao fazer aquilo. Ao dar a segunda mordida senti tudo o que havia em meu estômago subir de uma só vez e acabei vomitando, James se afastou minimamente de mim, deixando um pouco de espaço para que eu continuasse, ele tirou meu cabelo da frente, o segurando de forma que ele não se sujasse com os restos que saiam da minha boca.
Senti meu corpo amolecer novamente, dessa vez não conseguia nem mesmo encontrar forças em mim para que eu permanecesse ali sentada.
Meu corpo pareceu tombar para o lado, como se ele fosse cair e antes que isso viesse a acontecer ele me segurou.
Envolvendo-me em seus braços, minha mente gritou para que eu me afastasse dele, mas eu sequer encontrei forças para fazer um mero movimento ali, quem diria para conseguir afastar-me dele.
— Vamos precisar dar um jeito nisso... — Ele sussurrou ao pé do meu ouvido enquanto acariciava o meu rosto. — Quero você bem saudável para o que vem pela frente.
Auxiliando-me ele começou a me deitar novamente sobre a cama e dessa vez não amarrou meus braços para cima, ele tirou duas amarras da mesa e fez com que meus braços ficassem abertos e esticados e assim amarrou-me na cama mesmo.
Senti quando algo picou o meu braço, por poucos segundo o senti meio dormente e então logo em seguida essa mesma sensação se arrastou por todo meu corpo. Meus olhos estavam mais pesados que antes e sem poder lutar contra a vontade de não fechá-los, aos poucos fui perdendo a consciência.
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