Stronger feelings

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Como prometido, voltei com mais um capítulo. Este irá começar a dar início a um arco "pequeno" na vida de Julia, mas que será um pouquito importante para a história. Vem coisa ruim nesse capítulo, só avisando hehe. Boa Leitura ♥

Quando chegamos cada um foi para um lugar, Morgan e eu ficaríamos no bar enquanto Reid se misturaria com outros agentes disfarçados. A música estava alta, num volume quase insuportável, o lugar estava cheio.

Conforme ia caminho dentre todo aquele monte de pessoas dançando me sentia bem mais deslocada ali. Vez e outras ouvia as vozes de JJ ou até mesmo de Hotchner através da escuta lembrando-me de que eles estavam ali também; mesmo que em outro lugar.

Foi necessário muita paciência para conseguir passar pela multidão, infelizmente acabei encontrando caras — que provavelmente já estavam embriagados —, alguns me cantaram com diversas cantadas baratas e sem noção e outros que se mostravam mais ousados simplesmente já vinham segurando-me pelo punho. Precisei ameaçar prender alguns que fizeram isso, foi o bastante para conseguir passar por todos e finalmente chegar até o bar.

Onde Robin iria deixar as fotos das moças e também onde Morgan e outro agente estavam. Ao chegar me apoiei no balcão, sentindo já meu pés reclamarem por causa do salto alto que usava.

— Vai querer alguma coisa, meu amor? — Morgan se aproximou de repente, interpretando muito bem o seu papel de barman.

— Água. — Respondi o olhando e depois para o lado, Morgan começou a atrair a atenção de várias mulheres, a maioria ao fazerem seu pedido praticamente se debruçavam sobre o balcão numa tentativa de conseguir chamar a atenção dele para elas.

Robin está entrando, Julia. — Alertou JJ através da escuta, peguei o copo com água dando um gole rápido. O lugar estava ficando mais abafado à medida que eu passava mais tempo ali dentro.

Olhei na direção da porta usando o enorme espelho bem atrás das inúmeras garrafas de bebidas alcoólicas ali. Esperei por um tempo, dando um curto gole na água e então de longe pude ver Robin se aproximar. Ele tentou parecer descontraído, conforme caminhava pela multidão tentava disfarçar dançando um pouco até que passou a vir de vez para o balcão.

Spencer viu alguém chegar. — Alertou Hotchner pela escuta. — É Nathan Pretelli! — Disfarcei minha surpresa ao ouvir aquilo, bebi outro gole de água olhando na direção de Morgan, ele fez um aceno rápido com a cabeça para mim.

— Estou vendo Robin. — Falei de forma discreta na escuta. — Ele está chegando aqui.

Outro barman também o viu, parou numa distância exata de um braço esticado de mim e fingiu limpar um copo que tinha em mãos. Ele também disfarçou, olhava para o movimento e até mesmo perguntou se eu iria querer outra bebida além da água.

Neguei erguendo o copo um pouco, mostrando que ele ainda se encontrava meio cheio e continuei bebendo. O rapaz passou por detrás de mim e de forma discreta deixou o envelope contendo as fotos das moças sobre o balcão. Chamei por Morgan pedindo agora um martíni apenas para disfarçar, não iria beber.

Olhei de esgueira para o pacote, ele continuou no mesmo lugar onde Robin o deixou. O barman vez e outra o olhava também, parecia estar esperando por algo ou por alguém. Derek colocou o copo na minha frente e voltou ao seu papel, virei-me na direção da pista de dança e fiquei ali olhando todas as pessoas que estavam ali dançando a música tocada.

Duas mulheres pararam ao meu lado, próximas demais do pacote que Robin havia deixado, elas estavam quase pedindo alguma coisa quando o barman as mandou embora dali, as xingando de forma ríspida e com um palavreado que não deveria sequer ser repetido. As duas o xingou de volta e eles as expulsou pela segunda vez, agora ameaçando as duas. Acompanhava a cena me controlando para não reagir, infelizmente não podia estragar o disfarce ou aquela operação iria cai por terra.

— Agora! — Ele esbravejou pela terceira vez com mais arrogância, as duas imediatamente saíram. Passaram por mim xingando o homem e foram para o lado de Morgan.

Olhei novamente e vi que o pacote continuava ali e eu já não via mais Robin, mas não me preocupei muito com aquilo.

Me virei voltando para o espelho e dei um curto gole na bebida, o barman se inclinou sobre o balcão, fingindo tirar alguns dos copos ali deixados e então também pegou o pacote, mudando ele de lugar — o deixou mais perto de mim — e deixando mais dois copos com alguma bebida junto.

Julia tem dois homens que estão indo na sua direção, fique atenta. — JJ me avisou e então pensei rápido. — Espera, um deles parece ser o Petrelli!

Do espelho pude vê-los se aproximando, peguei o corpo com o martíni e sai de perto do balcão, caminhei em direção à pista de dança. Na verdade querendo ir de encontro com Nathan e o outro homem que estava com ele.

Julia o que vai fazer? — JJ perguntou. Não pude responder e nem mesmo tive como responder, estava frente à frente com os dois homens que caminhavam em direção ao balcão.

Segurei o copo com mais firmeza e então quando cheguei perto o suficiente dele, praticamente joguei todo o conteúdo do copo nele. No mesmo segundo ele parou, levei minha mão para a lateral do meu rosto fingindo ter me assustado com o que acabei de fazer. Ele apenas me olhou, não pareceu gostar nem um pouco daquilo.

— Ai meu Deus! Como eu sou desastrada, eu… Eu sinto muito mesmo! Nossa… O que eu acabei de fazer, como pude ser tão desastrada? — Comecei a me desculpar, ainda estava com o copo já vazio na minha mão e com a outra tentava tocá-lo, como se quisesse limpar sua roupa da sujeira que fiz nele.

— Está tudo bem, foi um acidente eu tenho certeza disso. — Ele segurou meu braço fazendo com que ele fosse afastado de si. — Não foi nada.

Fingi indignação.

— Mas é claro que foi! Olha só o estrago que fiz na sua roupa! — Apontei para sua camisa, mostrando o lugar onde eu derrubei a bebida.

O que ela está fazendo? — A voz de Aaron saiu como se ele estivesse tenso. Preocupado com algo.

Ela está agindo, Hotch. — JJ o respondeu, acho que eles haviam se esquecido de que eu conseguia escutá-los.

Tentei novamente fingir que estava querendo limpar a sujeira de sua camisa quando ele segurou meus dois braços. O homem ao seu lado tirou o copo da minha mão.

— Não precisa se desculpar — Ele me olhou fundo nos olhos. — Como eu disse, tenho certeza de que foi apenas um acidente.

Balancei minha cabeça, fingindo-me ser apenas uma moça sonsa.

— Será que não existe nada que eu possa fazer para recompensar por ter feito isso? Quer dizer, eu conheço alguns truques para tirar isso da sua camisa e acho que é o mínimo que eu posso fazer depois de ter te sujado. — Perguntei lançando um olhar sugestivo para que ele entendesse a real intenção daquilo. Torci mentalmente para que ele entendesse o duplo sentido da minha pergunta e ele pareceu engolir.

O homem arqueou uma de suas sobrancelhas encarando-me da cabeça aos pés, um sorriso brotou em seus lábios, acho aquilo deu certo. Nathan olhou para o homem ao seu lado. Ele realmente engoliu aquilo.

— Você pode pegá-lo por mim? — Perguntou, o outro não disse nada, apenas balançou a cabeça e saiu. Me deixando ali sozinha com Petrelli. — Então, vamos?

Ele estendeu a mão para mim.

— E para onde vamos? — Perguntei de volta à segurando, sorrindo de um jeito bobo e fingido. Nathan se aproximou de mim, colocando seu rosto perto da minha orelha, exatamente na qual a escuta se encontrava.

— Para um lugar longe dessa bagunça toda. — Ele sussurrou e se afastou olhando-me com um sorriso pervertido no rosto.

Apenas assenti, ainda fingido estar interessada. Passamos novamente pela multidão ali presente, de longe avistei Spencer e fiz um sinal indicando o balcão onde o possível capanga de Nathan estava. Ao sairmos pelos fundos soltei de seu braço de forma discreta para não chamar sua atenção, deixei que ele fosse na frente e então aconteceu, rasgando o asfalto duas viaturas pararam na nossa frente. Hotchner, Rossi e Greene saíram de dentro do carro, apontando suas armas para ele.

— FBI, mãos na cabeça e de joelhos. Agora! — Ordenou Aaron com um forte tom de voz autoritário.

Nathan recuou alguns passos, disposto a sair correndo dali. Fui mais rápida em destravar minha arma e rapidamente apontar para ele, fiz questão de que seu cano tocasse em seu ombro e assim ele virou na minha direção.

— Nem pense nisso. — O alertei, arqueando uma única sobrancelha olhando-o de cima abaixo; do mesmo jeito que ele fizera comigo quando ainda estávamos lá dentro.

Percebendo que não tinha opção, ele levou as duas mãos para a cabeça e se ajoelhou enquanto Greene já se preparava para algemá-lo. Me afastei um pouco mais, ainda mantendo a arma em mãos mesmo que não tivesse muita necessidade daquilo no momento. Também não queria ter de escondê-la outra vez então optei por segurá-la mesmo. Ao me afastar me encostei em um dos carros, vários agentes começaram a entrar na casa noturna e não prestei muita atenção no que começou a acontecer a partir daquele momento.

Só vi várias pessoas saindo dali de dentro, algumas detidas e ouras tentando fugir. Cruzei os braços ao sentir o vento gelado daquela noite soprar e continuei a observar tudo o que acontecia ali. Até que avistei Hotchner se aproximando de mim.

— Foi esperto o que fez. — Ele me disse parando não muito longe de mim, mas mantendo certa distância entre nós. Fazendo aquilo para ser profissional. — Atraí-lo para fora, pensou rápido e agiu.

Não soube ao certo se aceitava aquilo como um elogio ou uma crítica por eu meio que ter tomado uma atitude precipitada e que não fazia parte do plano armado.

— Só nos avise com mais antecedência quando for fazer algo desse tipo, tudo bem? — Ele disse ao pender a cabeça para o lado me fitar.

Balancei minha cabeça, mostrando que aceitei e também entendi o recado dado. Não, por mais que isso pudesse parecer mentira, aquilo não havia sido uma bronca. Tão pouco soou como uma repreensão ou algo do tipo. Hotchner continuou parado ali na minha frente, olhou-me mais uma vez correndo seus olhos sempre tão avaliativos da minha cabeça aos pés.

Tentando de alguma forma disfarçar como seu olhar mudou ao me olhar daquela maneira. Sabia que minha roupa não era algo tão discreto assim e querendo ou não, ela chamava a atenção; só não esperava que isso acontecesse com ele.

— Vou falar para que Reid e Morgan se troquem, você poderá ir também. — Ele disse, olhando-me mais uma vez e logo se afastando de mim antes que eu pudesse ter a chance de respondê-lo.

Ri internamente daquilo, ele pareceu ficar nervoso ao me olhar vestida daquele jeito; como havia ficado quando ainda estávamos no hotel. Era engraçado ver que um homem já adulto e formado como Aaron Hotchner conseguia ainda ficar daquele jeito, ele sempre era tão sério e carrancudo, vê-lo ficar nervoso ou até mesmo sem graça com alguma coisa parecia ser alguma novidade, mas aquilo de fato aconteceu.

•••

Morgan e eu esperávamos por Spencer dentro do carro, já havíamos nos trocado e agora vestia roupas nas quais eu realmente me sentia mais confortável. Reid retornou ao carro depois de quase dez minutos, usando novamente as roupas que faziam o seu real estilo.

Apressamo-nos para voltar até a delegacia, nenhum de nós disse ou fez qualquer tipo de comentário sobre absolutamente algum assunto ou até mesmo sobre o caso. Ao chegarmos descemos do carro com pressa, ainda tínhamos muito o que fazer e felizmente e finalmente havíamos conseguido pegar Nathan Petrelli.

Assim iríamos dar mais alguns passos para avançar com aquele caso. O seguia para a sala onde o restante da equipe se encontrava quando precisei parar ao ouvir meu celular tocar. O tirei do bolso olhando para a tela e vendo um número desconhecido ali marcado.

— Barbosa. — Atendi de forma profissional, minha voz saindo um pouco ríspida até. Esperei por uma resposta do outro lado da linha e tudo o que ganhei foi silêncio. — Alô?

Nada. Nem mesmo uma voz ou qualquer tipo de ruído era escutado, afastei o celular da minha orelha vendo que a ligação ainda continuava. Estranhei aquilo.

— Alô? — Repeti voltando a andar, passei por alguns policiais e por algumas salas até que finalmente escutei alguma coisa. Começou num volume baixo, era uma música e só de ouvir o seu instrumental eu consegui identificar o que estava tocando do outro lado da minha.

“You’ll never find, as long as you live, someone who loves you tender like I do. You’ll never find, no matter where you search, someone who cares about you the way I do. You’ll never find, it’ll take the end of all time, someone to understand you like I do."

Ergui meus olhos quando vi Rossi se aproximar, tentei não demonstrar minha tensão com aquela ligação. Não queria perguntas, não ali e naquele momento e acabei dando as costas para ele.

"You’ll never find the rhythm, the rhyme, all the magic we shared, just us two… Julia… I’m not braggin’ on myself, Julia… But I’m the one who loves you, and there’s no one else! No… One else, Julia!”

A ligação foi encerrada assim que a última estrofe foi cantada. Olhei para o homem que parou quase na minha frente, David me olhou com o seu típico olhar que iria me questionar sobre alguma coisa. Guardei o celular de volta no bolso da minha calça e o olhei.

— Algo errado, Julia? — Rossi me encarou duvidoso. — Pareceu ficar preocupada com a ligação.

Sacudi minha cabeça dando um curto sorriso descontraído. Torcendo mentalmente para que ele não percebesse que eu estava fingindo.

— Foi apenas engano. — Falei dando de ombros, mentindo descaradamente para ele. — Me ligaram procurando por uma Julia, mas desliguei quando vi que eu não era a Julia certa. Nada com o que se preocupar.

Rossi continuou me fitando durante alguns segundos, talvez ele tivesse percebido a minha mentira e estava agora tentando me perfilar para descobrir isso, talvez não estivesse… Não tinha como eu saber exatamente.

— Tudo bem então — Ele finalmente respondeu, esboçando um curto sorriso em seus lábios. — Recebemos uma ligação quase agora, encontraram outro corpo de uma moça numa ruma a uns quinze minutos daqui, Hotch pediu para irmos até a cena do crime com o agente Walter.

— Tudo bem, vamos lá. — Respondi, agora tentando disfarçar o leve incômodo que senti ao ficar sabendo que Taylor também iria conosco.

Bufei baixo, seguindo o mais velho para fora da delegacia e entramos no carro. Taylor chegou alguns poucos minutos depois e tentou disfarçar o descontamento ao me ver ali também. Compartilhávamos do mesmo sentimento ali. Já era quase duas da madrugada e chegamos rápido ao local onde a moça foi deixada morta, as ruas estavam movimentadas; afinal estávamos em New York, uma cidade que não parava por um único momento. O local era o mesmo dos anteriores, um beco para ser mais precisa. Caminhávamos os três até o final do beco, onde a moça estava.

Éramos guiados por um policial que explicava para Rossi como foi que eles a encontraram e que por muito pouco quase conseguiram pegar o suspeito. Parei de prestar atenção quando notei que Taylor caminhava praticamente ao meu lado, tinha as duas mãos escondidas no bolso da jaqueta escura que usava e durante um longo minuto ele fez um barulho irritante com a boca, obrigando-me a xingá-lo mentalmente por causa daquilo.

— Strauss me pediu para conversar com você — Ele soltou de repente, me surpreendendo de imediato. — Iria fazer isso antes, mas você se irritou por nada. Juntei meus lábios torcendo-os e ao abrir minha boca consegui fazer um som baixo com ela, soltei uma risada seca logo em seguida.

— Você pediu pelo soco. — Falei indo direto ao ponto. — E o que ela quer que você converse comigo? Eu já tinha uma ideia sobre o assunto, mas queria ter total certeza de que seria mesmo aquilo que eu estava pensando. Estava torcendo para que não fosse.

— Ela quer uma resposta. — Ele também foi direto, sem fazer rodeios ou das inúmeras voltas na conversa. — Ela pediu para que eu a apressasse quanto a isso, pelo que fiquei sabendo já tem um mês que você está pensando no assunto. Acho que já foi tempo o suficiente para tomar uma decisão.

Suspirei.

— Eu falei com ela ontem mesmo — Respondi de forma seca. — Strauss sabe muito bem que irei dar uma resposta assim que eu a tiver.

Comecei a apressar meu passo para sair de perto de Taylor e também para dar aquela conversa por encerrada. Já havia pensado sobre o que Erin conversou comigo duas semanas atrás e também já tinha a minha resposta. Eu estava quase o ultrapassando quando Walter me segurou pelo braço me parando e se colocou na minha frente, olhei para sua mão apertando com uma força quase desnecessária o meu braço e então ergui meu rosto o encarando com raiva. Deixando claro que não estava gostando nem um pouco daquilo, mas ele pareceu ignorar.

— Strauss quer que você dê logo sua resposta e quer que você faça isso até amanhã bem cedo — Me alertou, abaixando um pouco mais seu tom de voz.

— E você está me intimidando a fazer isso? — O questionei em desafio, puxando meu braço e conseguindo me soltar de seu aperto, encarei o homem na minha frente o mais mais séria que eu conseguia ser. Ele não respondeu, continuou a mirar-me com aquele olhar indescritível dele e que fez-me o estranhar e muito. — Staruss quer uma resposta e ela a terá, não precisa mais se preocupar tanto com isso, agente.

Respondi desviando-me dele e voltando a andar, chegando mais perto de Rossi e o acompanhando enquanto ele ainda conversava com o policial. Paramos assim que chegamos ao corpo, a moça estava coberta até o tronco com apenas um pano escuro e sujo. David caminhou do outro lado enquanto eu dei dois passos para a frente e me agachei, ficando apoiada apenas em um joelho.

— Tem sangue debaixo dela — Falei assim que percebi o chão em volta dela manchado.

— Acha que é dela? — Ele perguntou, estava ainda de pé e precisou abaixar sua cabeça para conseguir me olhar.

Levantei o pano do corpo da moça, o suficiente para conseguir ver como era sua situação e no segundo que vi seu corpo praticamente coberto de sangue o abaixei novamente.

— Ele não se contentou em apenas bater nela — Falei apontando para os milhares de hematomas em seu corpo. — Ele também a esfaqueou.

— O unsub mudou o método de novo — O homem comentou ainda nos olhando. — Colocou muito mais raiva nessa morte e também a deixou nua, usando apenas um pano velho para cobri-la.

— Duvido muito que tenha sido por remorso. Pegamos Petrelli, talvez tenha ficado com raiva disso — Comentei olhando para o homem mais velho.

— E ele pode fazer isso? — Questionou Taylor. Fazendo com que eu e Rossi o olhasse como se não tivéssemos entendido muito bem a sua pergunta. — Quer dizer, mudar assim o seu método? Ele pode mesmo fazer isso?

— Claro que pode. — Respondi ríspida e voltando minha atenção para o corpo. — Acabou de fazer isso.

De esgueira pude ver quando o agente Walter se afastou, ele pareceu caminhar para perto de uma caçamba de lixo. Rossi estava agora mais na minha frente, agachou-se um pouco apontando seu dedo indicador para a boca da mulher, que se encontrava entreaberta.

Olhando mais de perto era possível perceber que parecia haver alguma coisa dentro dela. David com muito cuidado afastou os lábios da moça, fazendo com que sua boca se abrisse um pouco mais e então retirou o pedaço de papel dali logo o desdobrando. Assim que Rossi abriu o papel ele me mostrou qual era o seu conteúdo e haviam dois nomes ali escritos. O de Nathan Petrelli e de Robin Colleman.

— Olhem o que ele deixou aqui — Taylor nos chamou, segurava duas capas de CD. — Acho que são as filmagens das moças mortas.

Rossi e eu nos encaramos.

— Acho que está na hora de passarmos o perfil. — Disse e logo alternou seu olhar entre mim e Taylor.

— E nós temos um? — Perguntei aflita, aquele caso estava se tornando mais complicado conforme as horas se passavam.

— Precisamos ter. Se Nathan não dizer nada teremos que usar o perfil para pegar quem quer que esteja fazendo esse tipo de coisa com essas moças — Ele respondeu me fitando também.

Saímos dali, liberando o corpo para que a perícia o retirasse e assim iríamos voltar para a delegacia. No carro meu celular tocou exatamente mais duas vezes e quando percebi que se tratava do mesmo número que havia me ligado antes recusei ambas as chamadas. Não queria pensar naquilo no momento, nem mesmo tirar conclusões precipitadas sobre quem estava me ligando. Apesar de a voz ser a mesma de James Sawyer.

Não queria acreditar que poderia ser ele, eu estava presente quando ele foi preso e vi isso acontecer. Tinha total certeza de que ele estava mesmo preso e iria acreditar naquilo. Eu precisava.

— Sabe que se precisar atender a ligação não tem problema algum, não sabe? — Ao volante, Rossi olhou rapidamente na minha direção.

— Não são ligações importante assim — Respondi guardando o celular. — Apenas cobranças.

— Não tenho tanta certeza disso — Ele insistiu. — Para estar te ligando tão tarde acho que pode sim ser uma ligação importante.

Não respondi. Tanto por não saber o que dizer sobre aquilo e também por não querer respondê-lo. Se fosse realmente a mesma pessoa que havia me ligado antes não havia uma razão para que eu atendesse, o que viria com aquela ligação, outra música? Uma ameaça? Não iria me deixar abalar com aquilo, talvez não fosse James e sim outra pessoa que quisesse pregar-me uma peça.

Queria saber quem era que estava me ligando, mas iria cuidar daquilo depois, no momento iria apenas me concentrar no caso e em nada mais.

Notas finais
~Quando a Julia finalmente acha que se livrou do cara... Ele liga para ela. Beijão amores!