Queridos pais

Depois do dia em que Thalia me obrigou a ir para o orfanato não parei mais de ir, e vocês sabem o motivo. Na última carta contei sobre Emma, e como ela era tímida e sensível, mas agora podem acreditar, ela está mais alegre que nunca. Vive animada, e divertida, praticamente todos os dias ela me liga do telefone fixo do orfanato e pergunta se estou bem, como Percy está, ou quando eu vou poder visitá-la de novo.

Ela é um doce e quem sabe eu não possa cumprir minha promessa ano que vem. Afinal o que prometemos temos de cumprir e acho que eu estou mais animada do que ela. E pode não parecer mas sempre quis ser mãe, desde quando eu ainda tinha minha única boneca, Lucy, e cuidava dela como se fosse um bebê de verdade. E a única coisa que eu queria naquela época era que ela fosse real.

E acho que a vontade voltou.....

Mas mudando de assunto, hoje estava sendo um dia normal como todos os outros e eu estava do lado de fora tirando a neve da parte do meu passeio. O que não adiantava muito, pois de noite teria nevasca novamente, o jornal falou. Mas não existe nada para fazer um uma segunda..... Algumas pessoas ainda trabalham, e graças aos Deuses eu não era uma dessas pessoas.

Mas Percy era. Ele trabalhava no 'Aquário', não era longe, e a ideia de ir até lá não parecia ser tão ruim, por mais preguiçosa que eu estivesse hoje, acho que faria bem para mim e para ele. Além disso desde que as férias acabaram, ele tem ido desanimado para o trabalho já que ele com certeza preferira ter férias no trabalho também.

Pensava enquanto dirigia a velha caminhonete que era do vovô. Podia até ser velha mas nunca parou de andar.

Em poucos minutos já dava para ver a grande torre no alto decorada com golfinhos de madeira gigantes, tudo pintado de azul.... devia ser por causa disso que Percy gostava tanto dali.

–Olá Sra. Chase — disse Bruno, o porteiro do lugar — Veio ver o Sr. Jackson?

–Sim eu vim vê-lo, sabe me dizer em qual setor ele 'tá?

–Ele está com os golfinhos, não sei nem como ele consegue entrar na água, eu estou quase virando um boneco de neve.

–É, eu também me pergunto muito como ele consegue, mas bom... obrigada Bruno — ele assentiu — Ah... uma coisa, não me chame de Senhora Chase, tudo bem? Me faz sentir velha!

Nós rimos e eu agradeci novamente entrando no estacionamento, azul também, entrando no elevador, azul, e....acho que deu pra perceber que tudo era azul.

Quando eu cheguei no setor dos golfinhos, não tinha nenhuma alma nos corredores, era isso que eu não entendia..... estava fazendo o maior frio lá fora, e já era de se esperar que ninguém viria ver criaturas aquáticas, então por que o dono fazia os funcionários trabalharem?

Eu não fazia ideia do porque, mas lá estava ele, no frio de 7 graus negativos, nadando na aguá fria e "conversando" com os golfinhos. Assim que Percy me viu, dei um sorriso e acenei do outro lado do vidro, e pude ver ele nadar até a superfície e tirar a máscara de mergulho.

–Oi Sabidinha! — ele falou buscando ar e se escorando no vidro fazendo que um bom monte de água caísse em cima de mim — Ops... Desculpe Annie. — eu já estava pronta pra esbravejar com ele, mas quando ele desceu na escada e parou na minha frente, não teve como não olhar para aquele tanquinho dos Deuses. E o pior é que ele estava todo molhado, por Deus.... eu estava olhando para um Deus Grego! — O que está olhando em Sabidinha? Gostou do que viu? — ele falou tirando sarro da minha cara.

–Não.... é só que... é que, ahh por favor ponha uma camisa!

–Por que?Tá muito difícil de resistir é? — Percy disse rindo da minha cara de abobada

–Não, é que está frio, e você pode pegar um resfriado, então vista logo uma camisa. Não sei como você consegue ficar assim nesse gelo que está hoje.

–Ah, eu não ligo, gosto de trabalhar e bom... — ele abaixou a cabeça e pôs a mão na nuca, como faz quando está nervoso — .... bom, é que as coisas estão meio difíceis lá em casa, por que desde que a minha mãe teve aquela recaída ela teve de tomar uns remédios mais caros.... então.... acho que tenho que agradecer por estar trabalhando.

–Ah.....

Eu sempre ficava assim quando ele falava da mãe dele, era desconfortável falar dela porque nenhum dos dois sabia o que falar ou o que expressar, afinal não era como falar de comida ou videogame, era falar sobre uma mulher que era a mãe do seu namorado que estava doente e tinhas anos, meses, semanas e Deus sabe quantos dias de vida!

–Então já que as coisas estão difíceis, eu tenho um dinheiro guardado, e quem sabe eu possa te....

–Não! -ele me interrompeu — Quer dizer, eu nunca te pediria isso, e bem.... eu consigo dar um jeito em tudo, tenho que dar.

Dei um sorriso de canto, o vendo cobrar tanto de si mesmo. Ele sorria também agora, enquanto o silêncio predominava o lugar, e é impressionante como o silêncio responde aquilo que nem foi perguntado, com aquele silêncio foi respondida a minha pergunta....

'Você está bem?' e a resposta dele no meio do barulho dos golfinhos nadando foi 'Não' ....

Mas mesmo assim ele continuava a sorrir, o sorriso era fraco porém era verdadeiro, e era isso que eu admirava nele. Ele sofria muito, e o sorriso de quem sofre é mais bonito do que de quem ama, pois além de sofrer tem a capacidade de sorrir.

Por impulso lhe dei um abraço apertado o pegando de surpresa, eu não me importei se ele estava todo molhado, eu só sabia que ele precisava de um abraço.

–O que está fazendo? — sussurrou no meu ouvido ainda abraçado a mim

–Eu sei que as vezes todos precisamos de abraços verdadeiros e apertados.... — sussurrei de volta enquanto ele devolvia o abraço.

Continuamos assim por um longo, e por um momento eu não queria parar de abraçá-lo, mas logo o Aquário ia fechar, então tivemos que nos separar.

–Porque não damos uma volta? — Percy pergunto quando estávamos na porta do carro prontos para ir para casa.

–Uma volta? Tudo bem, aonde quer ir?

–Que tal irmos para o Central Park?

–Tudo bem!

E mesmo que eu tivesse implorado Percy fez com andássemos apé até o Central Park, tudo bem que não era longe, mas sinceramente andar no frio nunca foi minha praia na verdade nem no calor. Mas ele conseguiu me convencer ou melhor ele conseguiu pegar a chave do meu carro e não me devolver mas.

Quando chegamos, nos sentamos no grama, que estava coberta por neve, e ficamos apenas olhando as crianças fazendo bonecos de neve, e guerras de bola de neve, e isso me fez lembrar da época que eu brincava com vocês, e eu sempre ganhava, mas seu que não posso perguntar agora, mas acho que vocês dois me deixavam ganhar, mas acho que deixar os filhos ganhar gerra de bola de neve com 8 anos é obrigação de pai e mãe!

–O que está pensando Sabidinha? — Percy pergunto me tirando dos meus pensamentos

–Ah, é que olhando pra essas crianças, eu lembrei de quando eu era pequena e brincava com os meus pais de guerras de bola de neve e.....e era tão bom.... — eu disse com um olhar sonhador, e continuei assim até sentir um gelo em meu pescoço, me viro e vejo Percy com mais uma bola de neve, olho para ele confusa e ele me taca mais uma bola de neve. Nós sorrimos um para o outro, como duas crianças levadas e nos levantamos.

Começamos a jogar bolas de neve um no outro... mas logo, Percy começou a correr atrás de mim, e eu continuando a brincadeira, comecei a correr, rindo muito, eu já estava cansada de tanto correr, então fui mais devagar, mas ele não.

Percy veio pra cima de mim, e caímos, ele deitado em cima de mim, como sempre, rindo até não aguentar mais. Quando ele parou de rir, me olhou no fundo dos olhos e ficou me encarando, e sim, de vez em quando ele faz isso, e como as outras vezes ele me deu um beijo de tirar o fôlego, mas dessa vez foi diferente, foi o beijo mais calmo que eu já dera nele, foi cheio de paixão.....

–Aqueles não são o Nico e a Thalia? — Percy perguntou depois se separar de mim.

Olhei para o lado e vi uma Thalia super sorridente, o que era raro, conversando com um Nico, também sorridente, o que era mais raro ainda, os dois estavam rindo e conversando animadamente, enquanto eu e Percy olhávamos de boca aberta para a cena que parecia de outro mundo.

– Porque não assustamos a Thalia? — Percy perguntou

–Não! Nós não podemos estragar o encontro dela assim!

–Aposto a minha melhor meia que não é um encontro... eles só devem estar conversando sobre escola ou música satânica, sei lá.... — ele continuava a insistir

–Mesmo assim... — suspirei — ... se ela está conversando com o Nico, nós não podemos nos intrometer, principalmente você, que eu tenho certeza que faria de tudo para envergonhá-la, e você também sabe que ela gosta muito dele, e por mais que você implique a Thalia, eu sei que quer a felicidade dela.

–Tá, tudo bem, e eu não quero que a Thalia se envolva com pessoas erradas, só isso 'tá? — ele falou baixo

–Tudo bem, eu sei que se preocupa com ela, mas você deveria saber que ela sabe muito se cuidar sozinha.

–É claro que eu sei!

*********

Já fazia alguns minutos que Thalia estava conversando com Nico, e é claro que ela notou nossa presença, afinal, Percy fez de tudo para que ela percebesse que estávamos a alguns metros de distância, mas ela fez a questão de não dar a mínima pra gente.

Mas depois de praticamente uma hora, Nico foi embora e Thalia correu até nossa direção com um sorriso do tamanho do mundo no rosto, toda feliz, pulando e rodopiando e por fim, caindo de bunda na nossa frente, ainda sorrindo.

–Adivinhem?!! — ela perguntou

–Você estava conversando com o Nico sobre música só que ai você começou a falar demais e deu um pum, ai ele saiu? — Percy supôs rindo com ironia enquanto Thalia mudava de expressão de feliz para raivosa.

–Não seu idiota desnaturado, Nico e eu nos encontramos na livraria, por que hoje era dia de eu receber, ai nós começamos a conversar sobre livros e depois sobre escola, depois sobre música, tudo mais, ai antes dele ir embora ele me convidou para sair!!! — Thalia praticamente gritou na nossa cara com um sorriso agora maior que o anterior — Então eu falei que sim podíamos sair, mas eu meio que fiquei com medo então pedi para ser meio que um encontro duplo, e meio que.... autoconvidei vocês... — ela terminou com um olhar culpado

–Thalia! — gritei — Você não podia ter falado que íamos sem nos falar.... mas.... ahn tudo bem, nós vamos com você porque somos seus amigos, então onde vai ser?

–Muito obrigada mesmo Annie, estou devendo essa pra vocês. E ele marcou para nos encontrarmos no Terri.

–Terri? Nossa! — falei impressionada — Nico é um cara bem formal em?!

–É, eu sei, então agora eu tenho que ir, mas eu juro que se pudesse eu ficaria o dia inteiro agradecendo por não me matarem. — ela falou levantando, e saindo correndo — Amo vocês! — gritou

–Sério? Acha que valeu a pena? — Percy perguntou com cara de debochado

Pensei em como Thalia era apaixonada por Nico desde de tantos anos atrás, em como ela já havia chorado por causa das garotas que davam em cima dele, em como ele nunca percebia ela, e em como ela tinha poucos amigos que a ajudavam. Thalia havia sofrido muito por amor...

–Claro que valeu a pena... — falei pensativa — .... além disso, ela merece!

Com amor, Annabeth

Notas finais
Comeeeentem!!!!!!!!!!!