Strike match and burn with me...
6 Bad decisions
Notas iniciais
POV Bucky
Durante os dois dias seguintes ele cumpriu o que havia prometido a Natasha e ignorou solenemente todos os sinais que Steve dava de seu interesse a ruiva. Não fora um desafio tão grande assim já que o amigo havia se retraído depois que soubera de Dasha. Porém, mesmo ignorando, ele não conseguia ficar muito tempo perto de Steve e o esse parecia querer meter a cabeça no chão como um avestruz assustado quando James estava por perto. Ou seja, no fim eles estavam apenas fingindo que tudo estava bem entre eles, mas a verdade é que a amizade deles estava em frangalhos.
Outra coisa que deixou Rogers ainda mais cabreiro foi a sutil aproximação que ele e Stark estavam tendo, é claro que isso Steve não conseguia compreender, nem Natasha, e pra ser sincero, nem mesmo ele. Não que gostasse exatamente de Tony, mas pelo menos ele o divertia com suas piadas de mau gosto, e tinham algo em comum: nenhum dos dois estavam particularmente felizes com o capitão. Tony provavelmente percebeu aquilo nele pelo afastamento que ocorreu entre ele e o loiro, James não era estúpido o suficiente de confessar ao bilionário o que estava acontecendo.
No terceiro dia, ele recebeu uma ligação de Fury avisando o para se apresentar na SHIELD, pois tinha um trabalho para ele. Natasha obviamente não estava feliz com isso, e nem ele, mas sabia que precisava fazer algo.
Se ele naquele momento ao menos imaginasse o que estaria por vir...
...
Ele olhava cauteloso para Fury. Os dois estavam sozinhos na sala dele, e Bucky estava estranhando a maneira como ele estava agindo. Era como se ele estivesse também sendo cauteloso em relação ao que ia falar, analisando como conduziria o assunto. James já estava preocupado antes, agora então só aumentava.
— Soldado, você já sabe que tenho uma missão especial para você. – ele começou cuidadosamente. – Antes de explicá-la a você, acho melhor lembrá-lo que sua situação aqui no país não é definitiva. Também que estamos vivendo tempos caóticos de constante ameaça, e que sua ajuda para eliminar essa nova ameaça seria uma forma de você mostrar a todos que está realmente mudado, ou pelo menos, disposto a isso. Já a sua negativa, poderia parecer aos outros exatamente o contrário. Esse é um momento de divisor de águas para você, e o lado que você estará no futuro depende muito do que você decidir hoje. Então, pense bem no que vai fazer.
Ele quase riu quando ouviu “decidir”, já que obviamente ele não tinha nenhum poder de decisão em mãos. Ou ele fazia o que queriam ou provavelmente seria jogado ao limbo e perderia tudo o que havia conquistado.
— Há alguns dias, antes mesmo do ataque a casa de Clint, estamos negociando uma troca de informações com um agente da Hydra. – Fury continuou. – Essa pessoa garante ter informações que nos ajudaria a encontrar esse grupo mutante rebelde. Seu trabalho é encontrar com essa pessoa e obter todas as informações que ela tiver.
— Você está brincando! – ele disse incrédulo, após ouvir o que Fury queria que ele fizesse. – Alguém da Hydra quer ajudar? Você acredita mesmo nessa história? Acho que não é segredo para ninguém que eu e a Hydra não tivemos bons momentos.
— Eu pareço alguém que brinca? – Fury respondeu de mau humor. – É claro que tenho minhas dúvidas em relação a essa mulher estar tão disposta a ajudar, mas consigo imaginar que ela tem os motivos dela. E sim, sei que você tem uma história com a Hydra, e isso é um dos motivos para que você seja a pessoa certa .
— Não! esses é um dos motivos pelo qual eu sou a pessoa errada.– ele argumentou.- Eles me controlaram durante anos.
— E Você está livre agora, soldado.
— Por enquanto...
— Se você tem tantas dúvidas quanto sua capacidade de manter sua cabeça no lugar, talvez devesse ter dúvidas sobre o que está fazendo aqui, pra começar. – ele respondeu cortante, e sim, ele tinha parcialmente razão neste ponto. — Além do que a agente que você vai atrás é novata na Hydra. E ela está disposta a contar o que sabe.
— Quem é essa agente?
Fury abriu uma gaveta puxando uma pasta e jogando na mesa. James congelou quando viu o nome que tinha na capa, seus dedos formigavam quando Fury abriu a pasta revelando uma foto.
— Essa é Yelena, mas acho que você já a conhece.
James puxou a pasta para si. Era fina, o que mostrava que apesar de Fury parecer tão onipresente e oniconsciente, nem ele sabia muitas coisas sobre a loira, apenas informações gerais, muitas delas relatadas por Natasha.
— acredite em mim quando digo que você não era minha primeira opção neste trabalho. Clint não conhece tão bem a Rússia quanto você e Natasha, e Natasha não conseguiria nenhuma informação com Yelena, já que pelo o que ela me contou, esta aí a odeia. Assim só me resta você. — Fury explicou parecendo esgotado e James se perguntou o que mais estava acontecendo que ele não estava dizendo aos outros — E, além disso, ela disse que só falaria com você... Essa é a condição dela.
James ficou petrificado. Agora entendia porque Fury havia o enrolado tanto. Era óbvio que Yelena queria algo dele, nada de bom. D era óbvio que a outra agente preferida de Fury, aka Natasha, ficaria furiosa quando soubesse, e Natasha já havia demonstrado claramente sua insatisfação dias atrás.
Fury se aproximou para perto dele, parecendo que ia contar um segredo.
— Você sabe que se não tivéssemos dado sorte ao captar aquela comunicação, provavelmente a mulher e os filhos de Clint estariam mortos, e sua filha também. – James engoliu seco. Ele não queria nenhum contato com Yelena, mas sabia que não tinha opção.
— É claro que vou fazer todo o possível, mas isso... Não vejo como pode dar certo. Yelena me conhece, não confia em mim. Não consigo entender porque ela pediu para falar exatamente comigo. — era em parte mentira. Ele imaginava um bom motivo para que ela escolhesse justo ele. Aquilo só ia piorando.
— Você não precisa que ela confie em você, apenas que diga tudo o que sabe. – acrescentou:- Tome cuidado. Existe a possibilidade de que seja uma armadilha. Esteja preparado. Não quero ter que dizer a Natasha que por minha culpa você está morto. Aliás, não quero dizer nada a ela, essa missão será estritamente confidencial, por isso, lembre de manter essa boca bem fechada.
James abaixou a cabeça concordando. Ele não sabia porque, mas tinha um forte pressentimento que aquela missão não terminaria nada bem.
— E soldado- Fury o chamou antes que ele saísse. – Não me importo com o que você terá que fazer para conseguir essas informações, não quero saber. Mas não volte aqui sem elas.
...
Ele não teve muito tempo para se preparar, Fury já foi o mandando embarcar no avião que o levaria até a Rússia. Checou o celular e viu que tinha algumas chamadas perdidas de Natasha, sabia que ela estava preocupada com o que Fury queria com ele. Por um momento, clicou para discar de volta, mas rapidamente desligou. Ele não saberia nem por onde começar a contar para ela sua missão. Meu Deus, ela ficaria furiosa. Guardou o telefone e decidiu que era melhor se concentrar na missão que teria pela frente, e quando voltasse conversaria com ela. Sabia que se fosse ao contrário, era isso o que ela faria. Além disso, Fury se encarregaria de avisá-la que ele tinha partido em uma missão.
A viagem foi mais rápida do que ele gostaria. Queria ter tempo para pensar, aquela missão havia sido jogada no colo dele como uma bomba, e ele não fazia ideia do que faria. Natasha nunca, nunca, nunca o perdoaria caso ele fizesse algo com Yelena, mesmo se fosse para o bem dos outros. E ele mesmo não se sentia confortável em fazer aquilo. Entretanto, sabia que não tinha muita opção, tinha que ter alguma informação quando voltasse. Fury havia deixado bem claro que teria consequências caso não fosse assim. Talvez, ele só tivesse ameaçando para pressioná-lo. Mas não podia se arriscar a perder tudo. Não agora.
Ele foi deixado num lugar descampado, tudo o que ele na frente via era o branco da neve e o verde escuro das árvores típicas daquele clima. Ah, o inverno russo. Caminhou por algum tempo, bastante tempo, até finalmente avistar algumas casas. Ufa, pensou, quase chegou a chamar que iria morrer ali de hipotermia. Após jogar conversa fora por algum tempo com alguns moradores, percebeu que estava nos arredores de Moscou. Olhou a hora, e se surpreendeu, já tinha gastado quase o dia todo naquela caminhada. Tinha que correr, Fury havia dito onde ele deveria ir, e ele não podia perder a hora. Se não encontrasse Yelena, teria que ficar ali por mais um dia, e quanto mais rápido voltasse para os Estados Unidos, melhor. Estava definitivamente cansado da Rússia.
Caminhou a passos largos, finalmente chegando ao centro de Moscou. Apesar da rapidez exigida, não deixou de se atentar para passar despercebido por todas as pessoas que lutavam bravamente contra o frio infernal e passeavam pela rua. A noite já tinha caído e era mais fácil para ele deslizar pelas ruas da grande cidade sem ser notado.
Passaram horas até que ele achasse o lugar indicado por Fury. Era um bar bem ao estilo russo, com cara de boteco velho e bem caído. Era onde Fury disse que Yelena estaria o esperando. Rezou para que não tivesse chegado tarde e ela ainda estivesse lá. Ao mesmo tempo, desejava que ela não estivesse. Respirou fundo lembrando tudo o que tinha a perder e entrou.
Entrou olhando ao redor e percebeu que ela ainda não estava lá. Pediu uma cerveja e recebeu uma olhadela curiosa da garota que servia bebidas, devia estar mais acostumada a ver homens pedindo vodka. Mas não se preocupou com isso, havia vivido bastante tempo na Rússia para enganar qualquer um que era um russo legítimo.
Sentou aguardando a loira, e uns quinze minutos depois, ela finalmente apareceu. Ele não podia negar que ela era de fato muito bonita, do tipo que fazia os homens perderem a cabeça, como Natasha. Mas isso era a única coisa que as duas tinham em comum. Natasha podia parecer fria, mas era fogo puro. Yelena era fria como o inverno russo.
Ela se aproximou com um sorriso travesso nos lábios.
— Confesso que não tinha certeza de que você viria, soldado. – Ela respondeu sentando, para a surpresa dele, do seu lado. Pegou o copo dele tomando um gole, olhando desafiadora para ele. – Estou feliz que estava enganada.
— Bem, já que estou aqui por que você não me diz logo o que vim saber? – Ele queria terminar o assunto o mais rápido possível.
— Vamos com calma. – ela respondeu se aproximando mais dele. – porque a gente não faz assim: você me dar algo que eu queira e então eu te dou uma informação. Não parece divertido?
James percebeu que a situação estava indo num caminho que ele não gostaria, mesmo que já imaginasse que isso poderia acontecer. Ele sabia o que tinha que fazer, como diziam play the game. Faria o jogo dela por um tempo, depois cairia fora dali. Natasha ficaria mais do que furiosa quando soubesse, mas era o mesmo trabalho que ela era obrigada a fazer às vezes e ele não planejava ir tão longe assim. Concordou.
— Eu começo. – Yelena disse. Aproximou mais, subindo em seu colo, encostando os lábios no pescoço dele. – humm, gostei do seu perfume. Colocou para mim?
— Certo. – ele disse tentando afastá-la o máximo possível dele. Percebeu que não era isso que ele devia fazer, então com esforço abriu um sorriso para ela. – O que a Hydra quer com esse grupo?
— Vamos com calma, bonitão. – Ela disse rindo. — Você sabe que a Hydra deseja destruir a SHIELD desde sempre. E essas pessoas tem o interesse de destruir os heróis. Parece para mim fácil ver como eles entraram em acordo.
— Entendo. – Ele pensou no que devia perguntar. — Mas a forma que eles trabalham não combina com o modus da Hydra.
— Ah, depende do ponto de vista. Nós gostamos do caos, eles também. É claro que a Hydra prefere ser mais sutil, mas isso é um mero detalhe. E é óbvio que após conseguirmos o que queremos, teremos que eliminá-los. Nada pessoal, você sabe, apenas negócios. – ela disse se aproximando mais, se pendurando no pescoço dele. — -Viu como fui boazinha com você? Respondi duas perguntas. Quero um pagamento maior.
Mal percebeu quando Yelena encostou seus lábios nos deles. Deixou que ela o beijasse por um tempo, e depois se afastou. Não ia negar que correspondeu o beijo, mas como ela disse, era apenas negócios.
— E você sabe onde podemos achá-los? – Ele perguntou sorrindo e mexendo numa mecha loira do cabelo dela.
— É claro. O que acha que sou?- ela sussurrou no ouvido dele. – posso dar não só a localização, mas também cada nome de quem está envolvido nisso. – as mãos dela desceram até encontrar o membro dele e ela apertou. Bucky olhou para todos os lados, já imaginando sua rota de fuga discreta. – Mas claro que isso vai custar um preço bem maior. O que foi, soldado? Não quer ser um herói? Não quer ser aquele que derrubou os vilões da vez? Acho que isso até deixaria sua amada feliz. Ah, você quer isso não quer? Vamos, tem um quarto ali em cima. Prometo te contar tudo.
Ele se levantou junto a ela e deixou que o guiasse até uma escada. Ela assoviava satisfeita. –
—Garanto que nós vamos nos divertir tanto que amanhã você nem vai lembrar quem é... Ah, como é mesmo o nome dela? Viu já esqueci. – Ela disse caminhando na frente dele.
Quando ela estava abrindo a porta, a golpeou por trás. Surpresa, ela perdeu por um momento o equilíbrio. Meu deus, ela realmente acreditou que ele estivesse interessado nela? Quase riu. Rapidamente, ela se recuperou, como ele já havia imaginado que aconteceria, e partiu para cima dele com fúria, mas ele estava preparado e a derrubou novamente.Será que ela não sabia que fora ele quem havia treinado Natasha e as outras viúvas negras originais? Quem era ela afinal? Só uma arainha, uma arainha branca, insignificante.
Ela tentou tirá-lo de cima dela, metendo o cotovelo no nariz dele. Ignorou a dor, e bateu com a cabeça dela contra o chão. Deu um soco no rosto dela, que arrancou sangue. Viu que ela tentava pegar algo na cintura, e segurou a mão dela, enquanto o braço de metal apertava sua garganta.
— Me dê à localização e eu te solto. – Exigiu. – Vamos lá seja boazinha comigo e eu serei com você.
— Vai se ferrar. – Ela nunca deveria ter ficado tão furiosa quanto estava agora. O ódio quase parecia transbordar de seu ser.
Pressionou mais, até que percebeu que ela estava ficando vermelha, sem ar.Começou a tossir, e agarrava as mãos dele, tentando desesperadamente fazê-lo soltá-la. Ela tinha o soro, e por isso tinha uma resistência maior, mas não era imortal.
— Romênia. – ela disse cedendo, quase sem voz – Aqueles malditos estão na Romênia. Não sei o nome deles.
Ele a soltou, indo rapidamente para trás, mantendo uma boa distância entre eles. Já imaginava que ela estava mentindo sobre saber os nomes. Ninguém era tão estúpido assim, os mutantes deveriam usar codinomes ou algo assim, para lidar com a Hydra. Só quando voltasse, poderiam descobrir se ela também não estava mentindo sobre a localização. Mas pelo menos, ele não estaria voltando sem nada. Esperava que fosse o suficiente.
— Maldito! – ela tossiu, tentando recuperar o ar. Riu com os dentes cheios de sangue que desciam do nariz. Aquela era uma cena medonha – Poderíamos ter nos divertido tanto, eu seria boa para você, bem melhor que aquela piranha é. Você é um idiota. Ah, você nem imagina o que ela fez a você, não é? Duvido que aquela puta tenha contado, cheia de segredinhos. Mas Ivan descobriu o que ela fez e me contou. Contou como ela seduziu você para que a ajudasse a fugir e depois deixou que ferrassem com sua cabeça.
— Você nem ao menos sabe do que está falando. – Ele disse impassível, mal sabia ela que Natasha nem sabia da ideia dele de fugir.
— Não sei? Vocês tentaram fugi, isso não é verdade? E não deu certo. Depois, ela mesma confessou se gabando a um dos superiores o que tinha feito, de como usou você, como traiu você, seu estúpido. – ela gritava e ria. – Sabe, acho que vocês se merecem. E vão merecer ainda mais o que vou fazer com vocês. Não pense que eu não sei da garotinha que vocês roubaram de Ivan. O que acham de receber pedacinhos delas por correio?- Ela passou as mãos sobre os lábios, espalhando o sangue que escorria. – Você ainda irá me procurar, querido. E vai implorar de joelhos por mim, e talvez se você for muito bonzinho, eu possa perdoá-lo por isso.
James trincou os dentes com ódio. Decidiu bruscamente que iria matá-la ali nesse momento. Que se fodesse Fury e todo o resto.
Mas antes que ele pudesse fazer isso, ouviu vozes se aproximando, os gritos de Yelena deviam ter sido ouvidos lá debaixo. Não podia ficar mais nem um minuto. E se fosse a polícia russa? Ele estaria seriamente encrencado.
Correu saindo pelo caminho contrário, buscando uma saída. A adrenalina não o deixava pensar e ele agia instintivamente.
Só quando estava caminhando de volta para o local onde o avião o tinha deixado é que voltou a pensar nas ameaças de Yelena.
Ele não sabia naquele momento que esse não era o problema mais urgente. Não tinha ideia que havia mais uma pessoa que conhecia os dois no bar. Uma pessoa que estava há tempos vigiando Yelena.
POV NATASHA
Há quilômetros dali, Natasha estava furiosa. Não acreditou quando depois de tentar ligar várias vezes para James sem resposta, e finalmente, cedeu ligando para Fury, e este último a informou que o havia enviado em uma missão. Ele nem mesmo disse sobre o que se tratava! Em momentos como esse, ela se ressentia da forma como seu chefe tratava a todos como peões num jogo de xadrez.
Mais um pedacinho dela, bem pequeno, até ficou aliviada. Era bom que James tivesse algo para fazer e para pensar que não fosse em sua agora conturbada relação com Steve. Os últimos dias foram calmos, mas ela podia sentir a corrente de tensão que havia por baixo daquela calmaria.
Ela assistia abismada James estreitando relação com Tony. Ora, ora, por isso ela não esperava e não era normal pegarem ela de surpresa assim. Porém, ela achava que isso era até bom, era um sinal de que todos poderiam viver harmonicamente, porque se Tony e James estavam se entendendo, em algum momento ele e Steve também voltariam as boas. Não que estivessem brigados de fato. Bucky estava ignorando Steve, que por sua vez, parecia se sentir culpado e desolado para se quer ter coragem de se aproximar do amigo.
Sem James e sem nenhum trabalho no momento, ela passou quase o tempo todo mimando a filha e procurando uma casa para que eles pudessem se estabelecer nos EUA. Pesquisou também escolas e creches para Dasha, seguras e que ficassem perto. Ou seja, ela tirou o dia para fazer tudo aquilo que ela nunca imaginou que faria. Mas era bom deixar todos os problemas de lado por um tempo e se concentrar no futuro.
A noite, ela deixou Dasha com Laura e foi treinar um pouco. Não podia se descuidar de se manter em forma e ativa. Clint foi com ela e eles treinavam técnicas de combate.
Ela mal tinha derrubado Clint, quando seu celular tocou. Olhou a tela e revirou os olhos, desde cedo ela tinha recebido dezenas de ligações de Beth e Cho. Droga, ela estava tirando o dia de folga, não queria saber de problemas. E sabia que devia estar com problemas, afinal, as duas não saiam do pé dela. Em algum momento, ela teria que encarar o que elas iriam dizer para ela, e só pensava nas dezenas de possibilidades do que seria. Ela estava morrendo, era tóxica, era um perigo para os outros, todas as questões anteriores. Meu deus, pensou, isso agora não.
Ainda não estava tão tarde, quando a agitação na torre começou. O franzino e magrela Peter Parker havia chegado escoltado a torre, inconsolável. Ele não estava ficando direto na torre porque não queria deixar sua tia sozinha. Obviamente, ele se colocou numa situação onde era um alvo fácil e um grupo de cinco mutantes atacaram sua casa. Peter havia conseguido sair ileso, mas infelizmente, sua tia tinha falecido a caminho do hospital.
É claro que após isso, todos ficaram muito agitados e tentavam consolar o garoto. Era só isso o que ele era um garoto, como podiam fazer algo assim com um pobre rapaz como ele. Ver um garoto tão novo naquele estado despertou o instinto maternal que ela havia descoberto há pouco tempo que tinha, e tentei consolá-lo.
— Primeiro, meu tio. – o rapaz se lamentava. – E agora tia May. E tudo minha culpa. Eu prejudico todos que estão a minha volta.
— Sei que este momento nada do que eu disser irá amenizar sua dor, mas você precisa ficar forte. Tenho certeza que sua tia gostaria disso. – ela o consolou, apertando as mãos magras do rapaz. – E você sabe que nada disso é sua culpa. Não conheço os detalhes do falecimento do seu tio, mas tenho certeza que não é sua culpa.
— Ouça-a, Natasha tem razão. – disse Steve. Ela mal tinha percebido que ele estava por perto. – Você precisa ser manter forte por sua tia. Ela não iria querer te ver assim.
Por alguns segundos, eles trocaram um olhar cúmplice, cada um segurando uma das mãos do garoto, até Natasha se lembrar que não devia dar corda a Steve, não queria de forma alguma que ele entendesse mal a situação. Percebendo a mudança súbita da ruiva, ele se afastou constrangido.
Clint discretamente a chamou de canto, avisando que Fury havia solicitado uma reunião de emergência pela manhã. Natasha olhou a hora, mal acreditando que já era madrugada. Todos estavam sendo convocados, menos o garoto Parker. Parecia que havia novidades sobre os novos inimigos e Clint estava apostando que já estava na hora de eles atacarem, ao invés de ficarem esperando serem atacados.
Voltou para seu quarto, e passou no de Dasha para ver como ela estava. Ainda tinha algumas horas para dormir. Ela era mesmo como um anjo, toda aquela agitação rolando na torre, e ela ainda dormia profundamente. Sorriu, e fechou a porta. Sabia que Laura iria tomar conta dela. Às vezes, pensava que já estava abusando muito de Laura, mas ela era de confiança e sabia cuidar de crianças.
Estava deixando arrumando a roupa que usaria pela manhã, pensando se devia separar seu traje, afinal, podiam partir em missão direto da reunião, quando seu telefone tocou. Pensou em ignorar, achando que eram aquelas médicas loucas atrás dela novamente, mas pela hora era improvável. Depois imaginou que deveria ser James, ela já estava preocupada com o que Fury tinha mandado-o fazer. Para sua surpresa, o número era da Rússia. Curiosa, atendeu.
— Oi?
— Natasha? – ela quase caiu para trás quando reconheceu a voz de Alexei. – Desculpa te ligar essa hora, quer dizer, não faço ideia de que horas são aí. Reiko me deu o seu número.
— Humm. – ela respondeu imaginando o que Alexei queria e porque diabos Reiko daria seu número a ele. Será que finalmente tinham localizado Ivan? – Alguma novidade sobre Ivan?
— Bem, estamos seguindo algumas pistas, mas nada concreto, por enquanto. Não se preocupe, você será a primeira a saber quando descobrirmos algo, e acredito que será em breve . – ele ficou mudo durante algum tempo. – Err, estou seguindo Yelena durante esse tempo para saber se ela está tendo algum contato com Ivan.
— Isso parece uma ótima ideia. – ela achava na verdade que era perda de tempo, Ivan não se arriscaria assim e Yelena parecia já tê-lo superado.
— Não está dando em nada, acho que eles cortaram relações definitivamente, mesmo assim gosto de saber o que ela está aprontando. Ela é perigosa.
— Sim, claro. – Natasha já estava impaciente, imaginando aonde aquela conversa chegaria. Yelena era perigosa! Ora, que novidade!
— Bom, a questão que como quase todos os dias, hoje eu a segui, e bem, eu vi... Certas coisas.- ele parecia incerto. – certas coisas que talvez você devesse saber.
— Humm.
— Mas que você talvez não queira saber. E talvez, eu também não devesse contar, afinal não é problema meu. Mas...– aquilo estava ficando cada vez mais confuso. – Passei um longo tempo pensando nisso, se eu devia ignorar ou te contar, mas acho que estou com uma dívida muito grande com você e... não sei. Acho que te contar talvez seja o mais correto a fazer.
— Alexei, eu estou um pouco ocupada agora, e muito cansada. – ela respondeu tentando não demonstrar sua impaciência. – será que você poderia chegar logo ao ponto?
— Eu só queria explicar antes de você saber do que estou falando. É melhor que você veja por você mesma, vou te enviar as fotos. – ele se despediu.
Natasha desligou e deixou o celular de lado por um tempo enquanto terminar de arrumar tudo. Ela gostava de deixar suas coisas todas preparadas com antecedência, nunca se sabe. Só quando estava tudo pronto e ela já ia se deitar que verificou novamente o celular, e viu que tinha recebido as tais fotos.
Sentiu se sangue esquentar grau a grau, enquanto passava de uma imagem a outra. Sua vontade quando terminou era de jogar o celular na parede, ou um vaso, quebrar qualquer coisa. Sentiu seu sangue borbulhando de ódio e horror. Mas que merda... ?
...
Depois daquilo, a possibilidade dela conseguir dormir era inexistente. Assim, preferiu voltar a academia, para tentar liberar a raiva socando o punching Ball.
Aquela devia ter sido a missão, ficou dizendo para si mesma. Eu vou matar Fury, e depois James. Ou talvez, James primeiro. Não importava a ordem, os dois iriam ter que aguentar sua fúria. Ela nunca mais conseguiria ficar perto de James, sem se lembrar dele com Yelena. Maldito!
Sabia em algum lugar de seu ser que estava sendo um pouco hipócrita, o trabalho dela ás vezes também exigia este tipo de coisa. Mas droga, não a puta loira. E ele ainda tinha saído com ela, sabe se lá até onde foram, e esse onde não se referia a lugar. Isso se aquilo tinha sido mesmo trabalho...
— O que ele fez que te deixou tão irritada? – virou-se dando de cara com Steve. Por ele, ela sabia se tratar do saco de boxe, mas por um segundo achou que ele estivesse falando de James.
Steve estava com apenas uma calça comprida do pijama. Ela o avaliou pensando que ele era realmente tão lindo quanto as dezenas de fãs que ele tinha diziam em redes sociais, apesar dele parecer nem perceber isso. Imaginou se Shannon já tinha lido alguns daqueles comentários, alguns faziam ela corar, e olha que ela não era nenhum pouco santa. Era um tipo de beleza clássica e que chamava a atenção. Ela não era cega, e nunca negaria que Steve era muito atraente, apenas não era o tipo que costumava lhe interessar.
— Só estou tentando aliviar o estresse. – ela respondeu, desviando o olhar.
— É, isso que aconteceu com o pobre do Peter foi realmente triste e estressante. Acho que eu me sinto meio como você. – ela deixou que ele pensasse que aquele era o motivo de seu comportamento. Ele olhou para cima, pensativo. – Sabe, nunca conversamos sobre o que aconteceu naquele dia.
— Não há nada para conversar. – Ela disse tentando cortar o assunto por ali mesmo. Já tinha muito para lidar, não estava com paciência para adicionar Steve a sua equação de problemas agora.
— Você sabe que há. – Ele disse de voz baixa, mas firme. – Vai fingir que nada aconteceu?
— Steve, por favor. – Ela tentou fugir. – Estou cansada.
A voz dela deve ter soado mais agressiva do que pretendia, pois em seguida Rogers constatou:
— Nat, você está com raiva.
— É claro que estou com raiva. – Ela respondeu entredentes, já deixando de lado o punching Ball. – Estamos sendo atacados um a um, estamos presos nessa maldita torre, estamos aqui parados sem fazer nada. E estou com muita raiva de você, se quer saber. Que merda, Steve! Você passou um tempão atrás do Bucky, tentando recuperá-lo do estado que ele estava, ajudá-lo, e agora que tudo está bem, você está tentando estragar tudo isso.
— Não estou tentando estragar tudo! Você não entende... – Ele respondeu aturdido, passando a mão freneticamente pelos cabelos loiros. – Eu não queria isso, acredite, mas também não consigo ignorar meus sentimentos. E eu me sinto um lixo por isso. Toda vez que passo por ele, que o vejo conversando com Tony e não comigo, que percebo que ele se afasta quando chego. Todas essas vezes eu me sinto um lixo. Mas não consigo evitar... Eu acho que amo você, e não consigo ignorar ou esquecer. E eu queria muito poder.
— Ah, Steve! – Ela riu, sabendo que estava sendo um pouco cruel. — Amor? Você não me ama, nem mesmo talvez. Isso não é amor. Amor não é ficar por aí suspirando, desejando alguém com quem você nunca chegou a ter nada, imaginando como seria. Isso é uma quedinha, ou no máximo paixão. O amor demanda tempo, ele não é um sonho de uma noite de verão, um casalzinho feliz em um filme. É uma palavra abstrata, mas envolve coisas concretas: carne e pele, sexo, brigas. O amor é imperfeição, raiva, contato.
Eles ficaram em silêncio por algum tempo, sentindo a tensão no ar. Ela havia se aberto muito para Steve, não deveria ter dito tudo aquilo. E agora ela estava se sentindo mal.
— Bem, acho que você deixou bem claro para mim seu, anh, ponto de vista. – Ele olhou para baixo, e Natasha não conseguia ver a expressão dele, mas conseguia imaginar. – Eu achei que você, talvez, não sei, poderia ao menos pensar, mas você parece está bem firme no que sente. Desculpe-me, então, não deveria ter dito nada. Meu deus, o que foi que eu fiz? Nem sei no que estava pensando, deveria ter ficado em silêncio, deixado para lá. E agora parece que estou perdendo tudo... Eu queria que você, nós, pelo menos pudéssemos... Eu não sei, tentar. Como você pode ter certeza se nem tentou?
Ele estava parecendo tão triste, e ela ficou tão mal por isso. E ainda estava com tanta raiva de James. E tudo tinha acontecido tão rápido, Clint mesmo já a avisara. E não estava acostumada a ter muitos relacionamentos sérios que realmente valessem a pena. Tudo aquilo era desculpa, para justificar o que ela fez em seguida.
Caminhou até onde Steve estava e segurou seu rosto com as duas mãos, obrigando-o a olhar em seus olhos. A intenção inicial dela era apenas reconfortá-lo. Dizer a ele que Shannon era uma garota incrível e que tinha certeza que, se ele ainda não a amava, era só uma questão de tempo.
Mas, o movimento dela havia sido muito ambivalente, que Steve acabou interpretando de outra maneira. Ele a beijou novamente e em vez de interromper imediatamente, ela deixou e acabou correspondendo, tornando o beijo mais intenso.
Quando eles se separaram, foi quando percebeu a grande merda que havia feito. Saiu daquele lugar rápido, antes mesmo que o loiro pudesse dizer algo. Droga, Natasha! Que merda você foi fazer? – pensou. Ela tinha que afastar o capitão, e não atraí-lo ainda mais, dando-lhe esperança, e ainda traindo James. O que havia feito não tinha sido só cruel, era traição. Sabia que o que havia feito só pioraria ainda mais algo que já estava muito ruim.
Voltou para o quarto, imaginando o que faria para resolver esse erro, mas tudo que pensava parecia que só pioraria tudo. James surtaria se soubesse, e ela não o culparia se ele não quisesse nunca mais vê-la. Droga, droga, droga. Eles nunca deveriam ter voltado para os Estados Unidos, não deveriam ter ficado na torre, deveriam ter feito qualquer outra coisa.
Mesmo que fingisse que aquilo não tinha acontecido, sabia que não seria o suficiente.
Foi para o quarto de Dasha, sentando em uma poltrona que havia no quarto. Olhava para ela, pois isso sempre a acalmava. Acabou adormecendo ali mesmo, caindo em um sono cheio de pesadelos e destruição.
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